2020-05-25


Salve 25 de Maio. Que venham dias bons para África! 




África. É o terceiro maior continente e o segundo mais populoso. Tem 55 países – sem contarmos com a República Árabe Saarauí Democrática, reconhecida por apenas 46 dos 193 países da ONU – e dizem ser o berço da humanidade. As suas imensas riquezas despertam, e despertaram ao longo de séculos, o interesse das grandes potências. Primeiro as europeias mas hoje sobretudo a China, a Índia e a Rússia e o Japão.
Entre o seu próprio e nada pacífico processo de arranjo interno, a expansão, o trágico e violento colonialismo, a trágica descolonização e as independências – muitas delas apressadas…vai um rio de séculos que desagua na constituição da OUA em Adis Abeba, em 1963, e na UA em 2002, com a Declaração de Sirte – na Líbia. O Dia de África, reconhecido pela ONU em 1972, celebra-se a 25 de Maio, dia em que foi criada a OUA no meio de um cenário de «guerra-fria» que dividia os países entre moderados (o grupo de Brazaville liderado por Senghor) e neutralistas ou de rutura com as antigas metrópoles (o grupo de Casablanca fortemente marcado por Nkrumah). À divisão entre os «Blocos» Ocidental e de Leste, depois da II Guerra Mundial, viria a ser acrescentado o Movimento dos Não Alinhados, nascido em Bandung, em 1955.
No meio deste turbilhão do relacionamento Internacional, a criação da OUA viu-se confrontada com a premência de resolver, no imediato, os problemas da «crise» no Congo e a «guerra» na Argélia. Convenhamos que o panorama não era propriamente animador. Mas…o caminho faz-se caminhando! E caminhou-se bastante. Já lá vão quase seis décadas desde o aparecimento da OUA, cinco delas praticamente em período de pós independências.
De tudo isto se falou um pouco numa aula aberta da Universidade Sénior Rotários de Matosinhos, ao início da tarde deste Dia de África. E cumprimentámo-nos em Kimbundo – uma das 2.092 línguas faladas no continente acrescidas de 8 mil dialetos: - MWANYO NGANA, um sonoro «boa tarde» a ecoar online e a dispor bem os intervenientes que saúdo de novo com muito respeito.
E falámos ainda das preocupações que nos apresenta este tempo e de um futuro desafiante. Por exemplo, dessa chamada de atenção de uma carta aberta de 27 líderes mundiais, patrocinada pela Fundação Kofi Anan, na qual se alerta para os perigos que rondam muitos dos países democráticos africanos a coberto da pandemia Covid-19. O título da «carta» é exatamente esse: “Democracy must not become the silent victim of the coronavírus pandemic”.
Um outro desafio que se coloca é a pobreza maior que se anuncia, sabendo-se que as perdas da economia africana, calculadas pela ONU, devem situar-se nos 100 mil milhões de dólares. Uma das saídas apontadas é o aumento da autossuficiência, sendo fundamental recorrer-se ao incremento do comércio interno – pois não é expectável colocar em equação apenas as ajudas externas em tempo de crise global. Por outro lado, é certo que as três maiores economias do continente – Nigéria, Egito e África do Sul – não poderão ser a única tábua de salvação.
NKOSI SIKELELE iÁFRICA – Senhor abençoai a África – na língua Xshosa de Nelson Mandela.
Que venham dias bons para África!
António Bondoso
25 de Maio de 2020.

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