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2018-12-21

SOBRE O DIA DO SANTO…na ILHA DE NOME SANTO

E há aqueles preciosismos de ter sido a 21, ou a 20, de Dezembro ou de Janeiro… em Novembro não foi certamente e, em Janeiro, talvez fosse preciso mais dinheiro. E numa autêntica «revisão» de factos históricos, baseada em fontes tão credíveis – ou menos – do que as conhecidas e aceites até há pouco, já não é o ano que marca o início da «história». Antes se prefere a década de 1470. Seja.



O australiano A. R. Disney – na sua História de Portugal e do Império Português – referindo-se concretamente ao conjunto de ilhas do Golfo da Guiné, praticamente no meio do mundo, escreve: «Estas ilhas, desabitadas, à excepção de Fernando Pó, quando os Portugueses lá chegaram, foram descobertas na década de 1470 por navegadores, provavelmente ao serviço do contratante Fernão Gomes.»
Seja como for, e este é um tema para desenvolver em outras circunstâncias e com enquadramento diferente, a celebração do «Dia do Santo» é ponto assente para um grande grupo de naturais e de antigos residentes em S. Tomé e Príncipe: - 21 de Dezembro. Tem sido assim há décadas. E por não ser exatamente um «crime» histórico, antes uma data de encontro e de convívio, mais uma vez é assinalada. Trinta e três «santomenses» vão juntar-se em Corroios, num restaurante do escritor santomense Orlando Piedade, junto à Casa do Povo. Para além de outras iguarias próprias das «ilhas»…é fundamental o «calulu».
E de acordo com o professor e escritor Rufas Santo, a data foi também assinalada com uma missa na Igreja Nova de João Baptista Scalabrini, na Amora.
António Bondoso
Jornalista

2018-12-20


O QUE FALHA…ou vai falhando!
Está em voga nos últimos tempos. Repetida à exaustão, é uma conhecida tática de desgaste. Permitida, alimentada e manipulada à exaustão, em toda a pirâmide do Estado, transforma-se na arma perfeita do populismo e dos populistas. 


O que falha neste retângulo não é o Estado, entendido como agregador de todos os portugueses. O que falha é a atitude dos políticos, quer sejam governantes ou não. E à grande parte deles falta competência – uma falha gravíssima. O que falha é a falta de carácter dos «fazedores» de opinião publicada. O que falha é sermos sérios. O que falha é o sentido do ridículo de quem intervém a destempo ou daqueles que pecam por omissão. O que falha é a falta de competência dos técnicos nos vários setores de atividade. O que falha é não termos patrões qualificados ou que saibam ser empresários. O que falha é igualmente a falta de honestidade de uma boa parte dos empregados, já que os verdadeiros trabalhadores nem sequer têm tempo para ser desonestos. O que falha é a atitude gananciosa dos «donos disto tudo», ou da alta finança – se quiserem. O que falha é a contradição entre pobreza e miséria, por um lado, e as benesses atribuídas aos bancos e banqueiros, por outro, para controlo do tecido económico e do défice – como dizem os políticos. O que falha – e tem falhado neste país – é a completa submissão à ilusão da bondade da União Europeia – idealizada para a Paz, mas cuja «construção» tem vindo a ser encaminhada para benefício dos donos do dinheiro, em desfavor dos cidadãos, acentuando mesmo as desigualdades entre os Estados-membros. O que falha, em última análise, é saber olhar para as pessoas. E é delas, e para elas, que vivem os Estados.
O que falha, no caso de Portugal, é a coragem de assumirmos os defeitos – como dizia Almada Negreiros no Ultimato Futurista às gerações do século XX: «O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades».
Completando a ideia, gostaria apenas de fazer referência ao pensamento de dois amigos. Ao João de Sousa, do jornal TORNADO, sobre a polémica recente à volta dos magistrados do MP. Escreve ele: «Portugal é um Estado de Direito, Democrático, em que o titular da soberania é o povo, representado pelos órgãos eleitos por si. Não há ilhas em autogestão, fora desta soberania. (…) Os magistrados do MP têm de rapidamente reconhecer a autoridade dos órgãos do estado em matéria regulamentar, disciplinar e orgânica sob pena de continuarmos no paradoxo de uma instituição a quem o povo incumbiu de investigar e de fazer cumprir a lei ser ela própria fora da Lei
Já o Jorge Bento, Professor Universitário, lembra a exigência do aprofundamento da democracia, lançada pelo Papa Francisco, a qual parece ter caído no esquecimento da governança do mundo, nomeadamente na Europa: «A democracia não corre perigo algum, bem pelo contrário, quando se toma consciência da necessidade de a aprofundar e melhorar. Ela é ameaçada, sim, quando os partidos se contentam em ser máquinas de conquista, partilha e usura do poder. Do jeito como a coisa anda, eles funcionam, não raras vezes, como instrumento de inaceitável asfixia cívica e democrática. Uma análise responsável das circunstâncias não estranha que os cidadãos procurem formas alternativas de expressão e representação da sua vontade e dos seus anseios. Não é o fim; é a exigência de um novo e superior estádio da democracia! Ora isto coloca a questão de saber se os partidos e os políticos profissionais são capazes de aceitar este desafio.»
Não tendo hoje filiação partidária e não sendo um político profissional, corroboro este desafio aqui expresso por Jorge Bento, tendo em conta que a democracia também não pode fortalecer-se à margem dos partidos, nomeadamente dos tradicionais. Por outro lado, lembro que os novos movimentos gerados na sociedade, particularmente na Europa, em muitos casos contra os partidos, acabam quase sempre por se transformar igualmente em partidos.
O que não deixa de ser uma «falha», claro, e não tão pequena quanto isso!
António Bondoso
Jornalista
Dez de 2018.





2018-11-26

A MINHA DEPRESSÃO não se chama Diana
Ou de como passei a ter mais 250 razões para não voltar a exercer o meu direito de voto neste país da treta. 

Foto do JN

         Como eu teria gostado de ver os mesmos 250 deputados – os do PS que me perdoem – a votar para «obrigar» o governo a repor os cortes na reforma/aposentação desde 2011. Supondo que lá estariam todos, não fosse algum – ou muitos – a «emprestar» a password para outros votarem por eles.
         O que se passou hoje na AR foi o cúmulo da falta de vergonha dos designados «eleitos pelo povo». Os «professores» dão votos – e arrastam outros departamentos da função pública – ao contrário dos aposentados que, infelizmente, não têm condições para reivindicar seja o que for. Os próximos atos eleitorais não podem valer tudo.
         Para mim, seguramente, não terão qualquer valor. Nenhum partido, nenhum movimento merecem hoje a minha aprovação. Por morrer uma andorinha não acaba a primavera, é verdade, mas faço questão de marcar o meu ponto de vista. Sendo certo que o meu (não) voto pouca diferença fará no resultado final de uma qualquer eleição, é seguro que a minha consciência – resultado do meu carácter – ficará em paz. E que os eleitos sejam muito felizes, independentemente de saberem – ou não – o significado das palavras solidariedade ou justiça. E a propósito desta última, sempre recordo que um homem acaba de ser condenado a ano e meio de prisão por ter «roubado» seis euros! E os milhares de milhões que continuam a passear-se por aí?

Foto do JN
António Bondoso
Jornalista
Novembro de 2018.  

2018-10-06


ELEIÇÕES EM S. TOMÉ E PRÍNCIPE
Como, à distância, cruzo informações e sentimentos. Mantendo o equilíbrio, controlando as emoções e apelando à serenidade.
Que o ato eleitoral decorra sem incidentes e que os vencedores, sobretudo se houver maioria absoluta, saibam respeitar as minorias. O pior que pode acontecer em democracia...é a DITADURA das maiorias. Um abraço a S. Tomé e Príncipe.
Foto Téla Nón

Campanha Eleitoral em STP termina em convulsão.

Já é tempo…também em S. Tomé e Príncipe, de quem governa servir o país e não se servir do Estado.
Ou de como a distribuição de arroz «fora de tempo», um cantor nigeriano e uma morte inconveniente podem alterar o sentido de voto nas eleições deste Domingo: Legislativas, Autárquicas e Regionais no Príncipe. 


Sem sondagens fidedignas que possam indicar uma tendência, veremos até que ponto a agitação popular dos últimos dias da campanha pode vir a determinar ou influenciar o comportamento dos 97.274 eleitores, distribuídos por 247 mesas de voto em todo o país.
         A votação decorre entre as 07.00 e as 18.00 horas deste domingo e veremos se o partido atualmente no poder – o ADI de Patrice Trovoada – vai manter a maioria absoluta, sobretudo tendo em conta a agitação vivida nos últimos dias e particularmente a morte de um jovem da Roça de Monte Café, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. Tanto quanto se sabe o Ministério Público já mandou abrir um inquérito e os intervenientes diretos estarão sob custódia para interrogatório judicial e subsequentes medidas de coação.
         Nem sempre o que parece é, mas fundamental será que se saiba por que razão o jovem de 34 anos, Onésimo Sacramento, seria portador de uma arma de fogo quando foi comer a uma barraca; e que se saiba por que razão, quando interpelado pelas autoridades, se terá posto em fuga oferecendo resistência; que se saiba por que razão a força policial foi agressiva com o jovem; e que se saiba se a autópsia terá sido efetuada com eficácia (4 médicos na presença de um familiar); e se os resultados  imediatos serão fiáveis: - a primeira conclusão é que o jovem futebolista da UDRA poderia ter morrido de congestão. Não só pelo esforço físico da fuga e da queda a um curso de água na localidade de Água Cola, próxima da vila de Batepá, na Trindade, onde terá sido apanhado pela polícia e por elementos da guarda do governo. Ter-se-á sentido mal logo ali, pelo que terá sido transportado ao Centro de Saúde da Trindade onde já chegou sem vida. Há contudo outras informações, concretamente do jornal Téla Nón, citando populares, segundo as quais o jovem teria morrido na esquadra policial da Trindade, sendo posteriormente transportado para o Hospital Ayres de Menezes, na cidade capital. De facto, segundo outras fontes, o corpo apresentava sinais de agressão...mas, aparentemente, insuficientes para justificar a morte. Apurar as responsabilidades, com seriedade, é o desafio que agora se coloca ao Governo, à Polícia, aos familiares e às pessoas que presenciaram. E, sobretudo, saber transmitir igualmente com seriedade os factos. As razões de um clima tenso e intenso estão de facto a montante do que aconteceu na quinta-feira e cabe aos políticos - a quem governa em 1º lugar - fazer com que tudo seja mais transparente e mais sério.
         É complicado dizer até que ponto isto afeta a popularidade do governo e do partido que o suporta...mas afetar, afeta – dizem-me de S. Tomé. Foi uma campanha tranquila até este incidente e grande a mobilização popular. O ADI continua com a perceção de que é possível atingir a maioria absoluta dos 55 deputados, mas há quem veja potencialidades nas campanhas do MLSTP/PSD e da chamada «Coligação» entre o PCD, a UDD e o MDFM. Mas há quem coloque reservas à capacidade política desta «força», dizendo que as figuras carismáticas dos partidos praticamente desapareceram, perdendo-se a oportunidade de chamar à liça figuras como Maria das Neves ou Rafael Branco, mesmo como independentes.
         Na Região Autónoma do Príncipe, há 5.168 eleitores recenseados e concorrem três candidatos: José Cassandra, atual Presidente do Governo Regional, da União para Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), que procura um quarto mandato; o candidato do MLSTP é Luís Prazeres, mais conhecido por “'Kapala”, e depois há Nestor Umbelina, dissidente da UMPP, que concorre pelo recém-criado Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe.

          O processo eleitoral será acompanhado por missões de observação eleitoral, que já estão no terreno, nomeadamente uma da CPLP, chefiada pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Zacarias da Costa.


António Bondoso
Jornalista                                                                      
6 de Outubro de 2018. 

2018-09-14


EXPODEMO 2018 – UMA RENOVAÇÃO PERMANENTE.
A «Expodemo», a par das «Jornadas de Cidadania», é talvez o expoente máximo da «centralidade» que Moimenta da Beira tem vindo a buscar de há uns anos a esta parte e que tem tido tradução particularmente nas áreas da Saúde e do Ensino. 


José Eduardo Ferreira, o atual Presidente da Câmara que vai cumprindo o seu último mandato, tem procurado cimentar essa centralidade de uma forma muito dinâmica, lembrando os fatores da «proximidade, legitimidade, lealdade e humildade» para a liderança da região que Moimenta da Beira deve assumir. Como tem vindo a realçar, ou a região se desenvolve em conjunto…ou poderá vir a desaparecer igualmente em conjunto.
Uma nota que tem pautado a sua atuação como líder do município é o reconhecimento do esforço de cada um – individualmente ou de forma coletiva – nas empresas e nas mais diversas instituições. E isso, como tem repetido, constitui o maior estímulo à sua atividade enquanto servidor, em condições especialmente difíceis. Há uns tempos, dizia-me não ter encontrado resistências nem más vontades. Pelo contrário, frisou, «vejo em todos uma grande vontade de seguir em frente, de ultrapassar as dificuldades e também uma enorme compreensão relativamente às dificuldades por que passamos. Quero tributar um sentido reconhecimento a todos quantos empurram, todos os dias, em condições tão difíceis, a vida para a frente». 



E esta edição do certame que deu vida a Moimenta e à região, apresenta – como todas as outras – algo de novo. A «maçã» e os «vinhos e espumantes» continuam como tema central, mas a decoração das ruas está diferente. No cartaz cultural o destaque vai para a presença de Jorge Palma, mas há igualmente uma coreografia inédita produzida pela “Dança Criativa”. O programa comporta também a estreia de uma prova de resistência BTT «Terras do Demo» e não deixará de ser notada a presença de 10 jornalistas de sete nacionalidades (Hungria, França, Estados Unidos da América, Reino Unido, Eslovénia, Espanha e Portugal) que já se encontram no concelho. Os dez profissionais de comunicação social pertencem à Federação Internacional de Jornalistas e Escritores de Vinho (FIJEV).


António Bondoso
Jornalista (CP.150 A)
Setembro de 2018.

2018-05-25


E EM ÁFRICA…O QUE HÁ DE NOVO?
A esta questão mera e simbolicamente retórica, poderíamos responder com aquela ideia de Mia Couto – “Em África tudo é outra coisa. Em África tudo é sempre outra coisa”. 


Ou, revisitando o otimismo do historiador e sociólogo de origem congolesa ELIKIA M’BOKOLO, poderíamos afirmar que, apesar das trágicas imagens que nos chegam diariamente (fome, Hiv, Ébola, paludismo, golpes militares, corrupção, conflitos étnicos, refugiados) imagens contraditórias vistas do exterior - «não temos razão para desesperar de África. As análises devem ser feitas com tempo e através dos tempos». Em São Tomé e Príncipe, onde hoje se vive uma complexa situação política e jurídico-constitucional, dir-se-ia molimoli, leveleve
Ou ainda, sabendo embora que as Áfricas são muitas, aos olhos dos brancos [sobretudo eurocêntricos] – como diz Leonel Cosme quando escreve sobre Agostinho Neto e o seu tempo - «sempre a África Negra teve as imagens que dela fizeram os colonizadores».
         Mas a “leitura” de e sobre África que nos é apresentada a cada instante pela «caixinha manipuladora» não pode nem deve ser uma fatalidade. No fundo, todo o mundo é composto de mudança e os avatares complexos exigem uma rigorosa e ponderada análise. A paixão, ou as paixões, não podem normalizar e banalizar o pensamento, mesmo tendo em conta aquela ideia de que «África é mais do que um lugar, é um sentimento que apenas tocou alguns de nós». 



Voltando a Leonel Cosme – meu camarada de rádio durante alguns anos e que viveu três décadas em Angola, embora em duas etapas – quero deixar a ideia de um Agostinho Neto que ele foi acompanhando e depois estudou em profundidade. Por exemplo, a atitude pedagógica do Presidente-poeta numa Angola recém-independente, cuja história de cinco séculos de presença portuguesa muitos desejavam rasurar ou repaginar, como se a História angolana tivesse começado em Novembro de 1975. A esses, disse Agostinho Neto: «De certo modo nós somos europeus, de certo modo os europeus são africanos. Não podemos esquecer os latino-americanos, que de certo modo são africanos e nós também somos de certo modo latino-americanos. (…) Nós somos uma encruzilhada de civilizações, ambientes culturais, e não podemos fugir a isso de maneira nenhuma, mas da mesma maneira que nós pretendemos manter a nossa personalidade política, também é preciso que nós mantenhamos a nossa personalidade cultural (…)».

Leonel Cosme


         É exatamente esta personalidade, rica e diversa, que os nossos olhos europeus devem tentar perceber e reter. Não pretendendo alongar-me demasiado, vou com Agostinho Neto “Para Além da Poesia”, a sua poesia africana, sobretudo quando ele diz porque sabe:
(…)
Na estrada
A fila de carregadores bailundos
gemendo sob o peso da crueira
No quarto
a mulatinha de olhos meigos
retocando o rosto com rouge e pó-de-arroz
A mulher debaixo dos panos fartos remexe as ancas
Na cama o homem insone pensando
em comprar garfos e facas para comer à mesa  (…)
Hoje é o Dia de África. E de lá…não nos chegam apenas refugiados. É bom lembrar! Ou não esquecer! Tenhamos sempre presentes figuras como Santo Agostinho, Senghor, Wangari Maathai, Lumumba, Nyerere, Eduardo Mondlane, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Aristides Vieira, Kaunda, Kenyatta, Selassiè, Samora Machel, Desmond Tutu, Nelson Mandela…
De outro modo, não deixemos de lembrar – pelos piores motivos – nomes como Bokassa, Francisco Macias Nguema, Idi Amin Dada,   Habib Bourguiba, Sékou Touré, Mobutu, Robert Mugabe…
Fundamental é que – sabendo que esquecer não significa o mesmo que varrer para debaixo do tapete – ainda assim é bom esquecer a África da Conferência de Berlim, em 1884/1885 – na qual 14 países redesenharam o Continente onde tudo terá começado, sem ter em consideração as fronteiras linguísticas e culturais estabelecidas.
Bom dia África. Saudações a quem vive…e a quem viveu!
Um abraço do
António Bondoso
Jornalista.
Maio de 2018. 






2018-05-18

JOSÉ MARIA PEDROTO
O futebol era um vício…mas o Homem tinha vida para além da Paixão!


JOSÉ MARIA PEDROTO
O futebol era um vício…mas o Homem tinha vida para além da Paixão!
E quando se diz que Pedroto, treinador, era um homem à frente do seu tempo…tudo se estendia para lá da metodologia do treino, da visão do fenómeno e da leitura do jogo no “banco”. O “Zé” era um homem preocupado com os seus jogadores enquanto pessoas comuns. E tinha um forte espírito de solidariedade, não só no âmbito da “família portista” (Miguel Arcanjo chamava-lhe o Divino Mestre), mas até com ex-jogadores de outros clubes a quem ajudava não só financeiramente. 


José Carlos Silva

José Maria Pedroto foi mais uma vez homenageado, agora pela «Tertúlia do Dragão”, cujo espaço passou a contar com uma sala VIP que leva o seu nome. A mulher, Cecília, e os filhos Isabel e Rui acompanharam o Prof. José Neto e o Presidente do FCP Pinto da Costa, numa sessão para lembrar o homem e o treinador de eleição. José Neto ilustrou a importância de Pedroto na sua passagem pelo clube e na sua formação como homem do futebol – não apenas no pormenor das estatísticas; Isabel e Rui acentuaram a faceta do pai, embora com uma natural rigidez, preocupado com o saudável crescimento dos filhos à luz do tempo que foi – uma ideia igualmente partilhada por Pinto da Costa, que destacou o facto de ele lhe manifestar a sua preocupação, não com o futuro financeiro dos filhos, antes com a importância de lhes proporcionar ferramentas para melhor enfrentar eventuais dificuldades da vida; e Cecília Pedroto preferiu salientar que o marido, embora respirando e transpirando futebol, sempre procurou nunca misturar a família e a profissão. Visivelmente emocionada, revelou que o marido nem sabia que ela ia ver os jogos ao estádio das Antas no seu lugar cativo. E feliz pela continuidade de Sérgio Conceição como técnico do clube, Cecília Pedroto – embora recusando comparações com outros grandes treinadores portugueses, antigos e actuais, e não esquecendo a enorme evolução do futebol – sempre foi dizendo com orgulho que nenhum o igualou no que respeita a capacidades técnicas. Jorge Nuno Pinto da Costa lembrou com naturalidade a sua relação de amizade com Pedroto não só no F.C. do Porto. E foi em sua casa, com amigos comuns, que partilhou responsabilidades com a ida do técnico, quer para Setúbal, quer para o Boavista. A doença que viria a minar a vida de Pedroto, demasiado cedo, foi igualmente objecto da memória do presidente do clube azul e branco. 


Foi pena, embora se perceba a exígua disponibilidade de tempo, que a «tertúlia» não tivesse sido estendida à numerosa assistência. Pedroto era um homem de tertúlias, lembrou o filho Rui. E eu, que tive a felicidade de poder acompanhar pelo menos duas na Petúlia, madrugada dentro, graças sobretudo à camaradagem de Nuno Brás, Sérgio Teixeira e de Manuel Fernandes, da RDP, não esqueço a simplicidade com que o «Mestre» explicava como os defesas laterais deviam evitar os cruzamentos dos extremos adversários. Ou de como, ainda não havia marcas no relvado como hoje, e já ele colocava um jogador à frente do adversário na marcação dos cantos e um outro junto ao poste da baliza – quantas vezes até nos dois! Questionado um dia por um jornalista, depois de uma série de 5 empates do FCP, no tempo em que as vitórias ainda valiam 2 pontos…Pedroto disse: meu rapaz…vale mais 5 empates do que 3 derrotas! Há muitas outras situações conhecidas, como aquela do penálti que o Oliveira falhou contra o Sporting, nas Antas (a perder por 1-0) e que, por indicação de Pedroto, Romeu acabou por ter êxito na recarga, empatando o jogo…ou uma outra passada com Jairo – um brasileiro que chegou ao clube em finais dos anos 70 do séc. XX: num dos treinos, o avançado insistia em cruzar muito antes da linha de fundo para a área, o que retirava eficácia ao ataque. Então Pedroto mostrava-lhe aquele espaço mais próximo do ângulo entre as linhas lateral e de fundo, imaginando um “quarto de círculo” em grande plano. Estás a ver? É mais ou menos por aqui que deves cruzar. Mas Jairo insistia no “erro”. Até que, num desses cruzamentos, o ataque lá acabou por marcar um golo. Então Pedroto terá desabafado: pronto, também serve! 


         Era assim José Maria Pedroto – um homem à frente do seu tempo e que o tempo levou muito antes do tempo merecido! De Lamego ao Porto, da Invicta ao Mundo…a doença fatal viria a impedir-me de apresentar a história do «Mestre», ou parte dela, na primeira pessoa, mas ficaram testemunhos vários de diferentes quadrantes clubísticos, salientando as capacidades como homem e como treinador. Transmitido ainda antes do seu passamento…talvez ainda esteja em “arquivo” na RDP-Antena1. 



António Bondoso
Jornalista
18 de Maio de 2018. 


2018-04-27

25 DE ABRIL 2018 - CRONOLOGIA
O DIA SEGUINTE: 


Manhã emotiva e interessante na Biblioteca do Agrupamento Escolar D. Pedro I, em Canidelo – Vila Nova de Gaia – onde se falou do 25 de Abril de 1974, suas causas e consequências. Designei eu esse acontecimento como O GOLPE DOS 4 DÊS: Derrubar o Regime, Descolonizar, Democratizar e Desenvolver. Acrescentei apenas um “dê” aos 3 mencionados no programa do MFA que, porventura, terão ido buscar a ideia a uma tese de Medeiros Ferreira – apresentada no Congresso da Oposição Democrática de 1973 em Aveiro. E lembrei que o meu 25 de Abril aconteceu na fase final do meu “serviço militar” em S. Tomé e Príncipe, no Quartel do Aeroporto, quando ouvi pela emissão de Onda Curta da BBC a notícia de movimentações militares em Lisboa, pouco passava das quatro da madrugada. O passarinho cantou…depois da senha Grândola Vila Morena, na voz de Zeca Afonso.
         Foi lá que tive o prazer de conhecer o hoje Almirante Cavaleiro Ferreira e o agora Coronel José Maria Moreira de Azevedo – delegados da Junta de Salvação Nacional e do MFA. Sobre o primeiro, recordo particularmente as noites passadas na Rádio a tentar perceber o que se ia passando em Portugal. E depois, até um pouco de pedagogia política sobre os termos em voga: democracia, liberdade, autodeterminação, independência. Também não me esqueci de referir que, em 1968, foi para S. Tomé que Salazar deportou Mário Soares, depois de prisão pela PIDE, sem culpa formada. 



PARA QUE FOI FEITO O 25 DE ABRIL?
A desilusão deste «dia seguinte» veio já ao fim da tarde, quando tomei nota da decisão de devolver – embora de forma faseada – os cortes que os políticos haviam sofrido nos seus vencimentos durante o tempo da «Troika». E os cortes das reformas quando serão devolvidos? Foi para isto que se fez o 25 de Abril?


António Bondoso
Jornalista
26 de Abril de 2018