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2015-02-14

É SEMPRE UM TEMPO DE ENCANTAMENTO...

Foto de António Bondoso


TEMPO DE ENCANTAMENTO

E assim...
Bem defronte dos teus olhos
Poderás ler nos meus lábios
Que a vida tem sempre um tempo
Precioso e de mistério.

Um tempo de encantamento
Que alimenta e ressuscita
A alma junto do corpo
Um tempo que o vento move
Alumia o horizonte
Aveludado caminho.

Abandono-me e entrego-me
Ao teu tempo
Espaço nosso.
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António Bondoso
Jornalista

2015-02-02

UM POEMA PARA O PORTO....


Foto da Web....

VIELA DO ANJO (A Publicar)

Na Viela do Anjo
Onde o sol não voa
E a morte convive
Na sombra dos edifícios gelados
Húmidos…
Também habita gente simples
Hospitaleira
Com o caráter da Sé.

Na Viela do Anjo
Há ruínas
Ainda sustentadas pelo pensamento
De uma esperança arreigada
Na rua da Ponte Nova
Que sai da Mouzinho em escadas
Cruza com a Bainharia
E a Escura mais ao fundo…
Quase junto aos pés da Sé.

Mas não há santos nem milagres
Nesta Viela do Anjo.
===== A. Bondoso (A Publicar)
António Bondoso
Jornalista

2009-07-01

UM BRINDE AO ESTIMA !

DE PORTUGAL À GUINÉ... DE ANGOLA A MACAU !

E POR TODOS OS LOCAIS QUE O ESTIMA INVENTOU, CRIOU, PASSEOU E CANTOU... A UNIVERSALIDADE DO POETA !

75 anos do seu nascimento. E ainda bem que nasceu !
Foi um homem ímpar, um camarada "quase" perfeito ! Que eu tive a sorte e a felicidade de conhecer...e com ele conviver ! O que me acrescentou a oportunidade de com ele aprender !

E aprendi a pensar [com outros neurónios] a vida do quotidiano. Aprendi a guardar ideias. Aprendi que o sofrimento ensina. Aprendi a dimensão das coisas simples, como a alegria da tertúlia, o sorriso de um brinde de ocasião, a força das palavras ditas com verdade, capazes de suportar o peso do mundo !

Foi em Macau que o conheci. E de Macau falámos, e em Macau recordámos outras vivências de latitudes e longitudes diferentes.

Em mais este seu "aniversário", junto-me a alguns dos muitos amigos "presentes" - particularmente ao Helder Fernando - para erguer a taça e brindar à amizade !

Um brinde e um abraço eterno ao Estima de Oliveira !

Por exemplo na "Mesopotâmia - espaço que criei", o poema 19 :

"vamos evitar
a alvorada
e prolongar
a noite
no silêncio".

Até já Alberto !

2008-05-01

OS PAPELINHOS DO ESTIMA !

OS POETAS NÃO DESAPARECEM - APENAS SUSPENDEM AS PALAVRAS !

Alberto Estima de Oliveira cruzou-se comigo em Macau - esse farol da lusofonia no Oriente - mas poderia ter sido em África, onde estivémos, como teria sido possível acontecer no Brasil, nos Estados Unidos da América, na Palestina ou na "Mesopotâmia-espaço que criei" - a nossa Mesopotâmia, como escreveu na simpática e singela dedicatória aposta no exemplar do seu livro que me ofereceu.



Para mim...começou por ser o amigo de alguns amigos. E foi depois meu amigo. De Amizade recíproca e verdadeira ! E de amigo...passou a "referência". De rectidão, de humanismo, da Poesia. E os Poetas não morrem ! Apenas suspendem as palavras, nessa viagem cósmica que um dia todos teremos de fazer.

Aríon Publicações, Lisboa - 2003

Dentro de dois meses completaria 74 anos de vida - uma vida preenchida mas também sofrida. A imagem que dele guardarei, sempre, será essa de um sorriso de cabelos brancos, um "cavalheiro" na postura e nas palavras que dominavam o nosso convívio - mesmo quando as palavras queriam significar dureza para com as injustiças da vida e dos homens. Tal como ficará para sempre esse "filme" dos nossos almoços com o Helder e o Gilberto no Santos, em Coloane; no Clube Militar, em Macau; ou no Serra da Estrela, nas Amoreiras em Lisboa : - o ritual das palavras e das ideias rivalizando com o ritual de saborear um grande vinho.
Culto, afável, humilde - como devem ser os grandes homens - foi com ele que tomei o gosto de enfeitar as palavras, de as amaciar e, por fim, lhes dar forma de pensamento e emoções. Foi com ele - ainda - que tomei o jeito de amadurecer os "cliques" e as ideias em dezenas e centenas de "post-it's" ( à falta, serviam mesmo os recibos das caixas de multibanco) - aquilo a que chamei "os papelinhos do Estima" ! E daí me ficou também o vício da escrita mais doce, muito para além da rudeza e aspereza das notícias que são a causa da minha profissão. A par de outros "modelos" contemporâneos (Cardoso Pinto, Helder Fernando, Beatriz Basto da Silva, Ramos Rosa, Luís Veiga Leitão, Conceição Lima, Olinda Beja) - Estima de Oliveira foi para mim uma "referência". Disse-o ainda recentemente, quando apresentei o meu último livro de poemas em Lisboa - uma sessão que lhe dediquei, na sua ausência já muito sofrida - e assim ficou registado na "mensagem" que lhe enviei, por escrito, no exemplar que lhe ofereci.

Estima de Oliveira faleceu no silêncio da noite, "desligando-se" da máquina que - como disse o Helder - a custo, ainda fazia quase respirar o Poeta !

Mais um grande abraço ao Estima...e Até Sempre !
Voltaremos a estar juntos...na próxima esquina!

" se no segundo exacto
a graça fosse
de minha eterna posse

prendia
a forma da manhã

formando um dia
à dimensão da vida."

Do seu livro " ESQUELETO DO TEMPO"
Livros do Oriente, Macau - 1995.
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António Bondoso
1 de Maio de 2008