2007-07-27

Os Primeiros Bisavós

O tempo viajou depressa e deixou
gerações atrás de gerações que se perderam
e hoje não me lembro já de quem amou
os primeiros bisavós dos avós dos meus avós
que depois deles voltaram a ser avós
se espalharam possuíram e viveram.

ANTÓNIO BONDOSO - V.N. de Gaia e Moimenta da Beira.

Inédito. 2007

A Ilha e os Escravos

A ilha verde-esmeralda é agora um lago de cristal
onde as lágrimas da chuva ganham brancas asas
na vastidão das noites
que meus avós derramaram nos mares da escravatura.

OLINDA BEJA. Professora e Poeta Sãotomense.

"Pingos de Chuva" - Palimage Editores, 1999

2007-07-26

Belisa na noite de Lisboa

Para ela, todas as coisas têm o seu mistério, e a noite é o mistério de todas as coisas. Tal como o mistério da poesia. Talvez sem o saber, outro poeta o disse, antes e depois da morte : Lorca, o bruxo. Por isso, viajar à noite com ela, é descobrir o lado oculto ou torná-lo mais oculto para que a descoberta seja maior. É voar entre as asas de uma ave nocturna.

LUIS VEIGA LEITÃO . - MOIMENTA DA BEIRA (... e outras viagens na prisão e
no exílio nos trópicos ).
Livro da Paixão, Ulmeiro, - 1986

Livros que nos tocam para sempre !

Basta tão só um pensamento, um simples pensamento reflectido numa frase ou num poema. Bastam, por vezes, meia dúzia de linhas apenas, entre vírgulas, pontos, interrogações ou exclamações, para tocarem a nossa alma. E há livros que, afectuosamente, nos tocam para sempre!

António Cardoso Pinto. 2007 . ( Angola, Portugal, Macau).

Radialista, Jornalista, "Construtor de Palavras".

2007-07-25

Poetas de África

"Uma velha estrada parte, deixa-nos aqui na margem
Fixando no céu a nova estrela que se aproxima
A nova estrela aparece, obscurece a sua própria partida
Antes de um ir e um vir em perpétua sucessão".

CHRISTOPHER OKIGBO
"Elegia ao Alto"
Poeta, nascido em 1932 na então Nigéria Oriental
Morreu em 1967, em defesa da causa da independência do Biafra.

Tradução e sugestão de Conceição Lima, - Jornalista Sãotomense

O Sentir - de Estima de Oliveira

"o caminho da foz
é exactamente o rio

estrada
de novos encontros

e a ponte
está pronta"

Alberto Estima de OLiveira ( Lisboa, Angola, Guiné e Macau ).
ESTRUTURA I
O Sentir - 1996. Edição de Autor, c/patrocínio do Instituto Cultural de Macau

As palavras de Aquilino Ribeiro

"O escritor que se preza continua-se; continuar-se é acentuar a sua personalidade. As escolas passam, o artista, quando o é com dignidade, fica".

Aquilino Ribeiro.
"O Servo de Deus e a Casa Roubada". Bertrand, 1967 - p.10

2007-07-24

Pelo princípio, como sempre !

Cruzei-me com as palavras, pela primeira vez, há pouco mais de cinco décadas. Passei com êxito as fases das letras e das sílabas, depois aconteceram as palavras e as frases e, numa luta "quase" permanente ( o quase significa a dimensão do meu tempo de jogar à bola em qualquer lugar e em diversas circunstâncias!), fui "dominando" o som dos dizeres e a essência das coisas.
Confesso que não tem sido fácil. Mas, das antigas "redacções" e "ditados" dos bancos da escola e passando pelas letras dos escritores "permitidos" no liceu, sempre foi ficando alguma paixão pela vida das palavras e das ideias. E com elas e por elas fui "viajando". Ora no sentido da Estrela Polar, ora na direcção do Cruzeiro do Sul, mais para Ocidente, mais para Oriente, mas viajando sempre !
E, por vezes, viagens na companhia deliciosa de alguns construtores de palavras. No papel fui deixando algumas impressões e expressões da minha razão : Em Macau por Acaso, Tons Dispersos, A Cidade e a Paixão, Escravos do Paraíso.
Até que aqui cheguei, se bem que empurrado pelos "ventos" da geração de meu filho, essa "rajada" das novas TIC que navega em outra galáxia. Do dintel deste "blogue" ao "design gráfico" (passe o sacrifício aos puristas da língua), vou acomodando-me à utilização destes novos equipamentos, tendo a consciência de que as palavras se continuam a escrever da mesma forma.
Recordo, por exemplo, um pequeno texto que enviei há dias a um "amigo construtor " de palavras : - as palavras de um poeta deslizam pelas teclas do computador e vão directas ao coração dos sentidos e às artérias dos sonhos. Só pode ter sonhos quem utiliza a palavra ! Lendo, escrevendo, passeando o peso de cada letra. Apaixonadamente ! E depois... é seguir o vento, os caminhos da imaginação, um teletransporte ao infinito do pensamento e das coisas que não são deste mundo.
Percorrer estes caminhos, só pelas palavras. Trabalhadas com carinho, redoiçadas no balanço da vida. As palavras ganham vida viajando sempre. Uma permanente e perene viagem, muito para além da nossa existência.