O POVO (AUSENTE) E O PANTEÃO
NO DIA DO MESTRE AQUILINO RIBEIRO.
Como previsto, decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do Grande Escritor Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional. Não sendo Inverno, foi uma cerimónia fria ! Íntima no
Cemitério dos Prazeres, solene e simbólica no Panteão. Já se sabia que o Mestre era avesso a homenagens - só depois das exéquias na Igreja. E cumpriu-se a sua vontade. Mas faltou calor humano à cerimónia, a presença do povo da Beira - onde ele bebeu e cultivou as suas metáforas, a presença do povo do Alto Minho - que o acolheu alguns anos, a presença do povo de Lisboa - cidade onde viveu a maior parte da sua vida. Só os organizadores das cerimónias poderão explicar as razões de tais ausências. Mas pergunta-se porquê ? Para evitar eventuais manifestações e contra-manifestações de pró e contra ? Ainda temos instalado um clima de medo, que precise de cautelas ? A força dos monárquicos ainda se manifesta nas ruas (pelo que foi dado ouvir na emissão em directo do canal 1 da RTP - seriam apenas meia dúzia de vozes em protesto, não sei se uivos de lobos ou balidos de cordeiros...) ? Os republicanos já deixaram de o ser ? Ou nunca chegaram a ser a maioria deste povo ?
Não fosse a presença de alguns representantes da Confraria Aquiliniana (a quem a má condução da reportagem nem sequer permitiu uma palavra no final das cerimónias) muito menos haveria cor. Valeu a intervenção brilhante do jornalista António Valdemar mas, mesmo ele, viu ser-lhe cortada a palavra(na segunda intervenção,já no exterior) pois o guião do programa tinha previsto a transmissão de um espaço gravado e até já emitido na véspera.
Faltaram mais vozes do povo e mais cor à cerimónia, nomeadamente as do triângulo das Terras do Demo que Aquilino celebrizou : Sernancelhe, Vila Nova de Paiva e Moimenta da Beira.
MAS VI PELO MENOS( entre os convidados) UMA JORNALISTA DESPORTIVA E UM CINEASTA - ou será que devo dizer apenas um senhor das fitas ?
POR ISSO É QUE DIGO QUE, A MELHOR IMAGEM DA TRANSMISSÃO, foi ver o grande jornalista e também escritor BAPTISTA BASTOS (só e de pé) a aplaudir a chegada e a entrada da urna com os restos mortais de Aquilino Ribeiro no Panteão Nacional. Para mim, bastou o calor daquelas palmas. Mas não sei se o povo entendeu ! E também receio que as palavras e os desafios proferidos no interior do Panteão ali venham a ficar, fechados, junto a Aquilino e a Humberto Delgado.
2007-09-19
2007-09-16
...DA BEIRA ! ALGUNS POEMAS E UMA CARTA PARA AQUILINO
O MEU NOVO LIVRO SOBRE A BEIRA E SOBRE AQUILINO RIBEIRO.
Vai ter lugar no dia 19 de Setembro, a cerimónia da trasladação dos restos mortais do Grande Escritor para o Panteão Nacional. Iniciativa da Confraria Aquiliniana e da Assembleia da República. Participam Escritores, Professores Universitários e Políticos. E os seguidores do "Mestre" das Letras Portuguesas.
A propósito, tenho um livro acabado, mas ainda não publicado(procuro editora), do qual passo a dar a conhecer alguns excertos.
PREÂMBULO
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Sem ousar contestar o axioma desse grande Pensador que foi Agostinho da Silva, tenho para mim que o acto de criação não deixa de ser, em si mesmo, um momento de trabalho. Um esforço dos sentidos, certamente! Em qualquer circunstância, um trabalho muito especial que não “funciona” por meio de uma determinação oficial e com horário preestabelecido.
Acontece que, alguns dos momentos especiais da minha criação, me foram conduzindo aos Caminhos de Pedra, de Luís Veiga Leitão e às Terras do Demo, de Mestre Aquilino Ribeiro. Uma ousadia “atrevida” – dirão! E, eventualmente, com propriedade. Reconhecendo, embora, o atrevimento, acontece também que essas terras e esses caminhos são, de alguma forma, minha pertença. Por direito histórico, de nome, e por nascimento. Mas, sobretudo, porque a herança é património nacional. Por isso, acontece ainda que, por decisão da Assembleia da República, em Março de 2007, os restos mortais de Mestre Aquilino foram transladados para o Panteão Nacional.
Logo que a decisão foi conhecida, homens de letras como Baptista Bastos e Mário Cláudio congratularam-se. O primeiro confessou-se muito feliz e disse mesmo que Aquilino já há muito lá devia estar. O segundo salientou a dimensão de Aquilino Ribeiro, mas ressalvou que “não se promove o respeito pela sua obra, através de realizações deste tipo. Não há melhor homenagem do que ler-lhe os livros”.
Entendi eu a mensagem, não só tendo em conta a promoção da leitura da vasta obra Aquiliniana ( obrigação primeira das entidades educativas do país e ainda de instituições vocacionadas para a sua divulgação, como por exemplo o Centro de Estudos Aquilino Ribeiro, a Confraria Aquiliniana ou a Biblioteca Municipal de Aquilino Ribeiro em Moimenta da Beira), mas também poder participar, mesmo que individualmente, na abertura de outros e actuais caminhos por onde o Mestre semeou fragmentos muníficos e rescendentes da língua portuguesa.
Daí, a minha sadia ousadia de invocar Aquilino e de escrever ao Mestre. Com palavras minhas, mas também “plagiando” as dele, que são nobres e de grande dimensão.
Como por exemplo estas, de um prólogo do Natal de 1940 ao livro de C. Manuel Fonseca da Gama “Terras do Alto Paiva” – uma memória histórico-geográfica e etnográfica do concelho de Vila Nova do Paiva: (…) “A Serra é agreste, primitiva, mas tem carácter, sem dúvida. Comprazes-te em pintar-lhe as virtudes e encantos sem sombras, e não serei eu que te acoime de parcial. As tintas escuras são para o novelista e tens razão. De-certo que eu, ao chamar-lhe Terras do Demo, não quis designá-las por terras do pecado, porque o pecado seja ali mais grado ou revista aspecto especial que não tenha algures. Nada disso. A Serra é portuguesa no bem e no mal. Chamei-lhe assim porque a vida ali é dura, pobrinha, castigada pelo meio natural, sobrecarregada pelo fisco mercê de antigos e inconsiderados erros e abusos, porque em poucas terras como esta é sensível o fadário da existência. Só por isto”.
Vire a página e acompanhe-me.
Da terra seca nasce o Demo
Das pedras escamadas nascem anjos
E a luta de quem vive é uma constante !
AO MESTRE AQUILINO
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As serras são da Beira Alta
Viradas à Beira Douro.
Aquilino desceu por elas para salvar as ideias
Escondeu pedras e lobos
Na terra fria de medo
Granita alma voz dos povos
Gritada sempre bem cedo.
Saltou as águas do rio alimentadas de neve
Levou o Demo consigo
Para mais nem tempo teve
Voltou mais tarde um amigo
Das pedras e alcateias
Habitantes condenados ao exílio
De toda a Serra da Nave.
Naquele tempo suave
De novo levou bem preso à cintura da memória
Bornal cheio de letras
Muitas penas muitas dores
Dos animais e das giestas
Das lebres a fugir dos caçadores
Para a toca de uma vida sem as bestas.
Aquilino passou a vau muitos ribeiros
Temperou da serra a poesia
Palavras rudes de uma fala muito nobre
Sem cuidar de ser admirado
Por outros , muitos ou poucos criticado.
Ergueu sempre acima do ser pobre
A Língua nossa património não vergado
Mas mal tratado, tão mal amado.
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Moimenta da Beira
11 de Novembro de 2006
Tudo me pertence
Porque esta é a terra de meus pais
Aqui nasceram e repousam meus avós
Sou deles fruto gerado em tantos ais
Que tudo me pertence sem ser meu.
Da casa onde nasci nas “Cinco Ruas”
À memória de uma Vila toda inteira
Sou herdeiro da poesia dos sons
Da poesia dos ecos na pedreira
Da mansidão dos gestos
Da eterna poesia dos sentidos
Do doce aroma das tílias centenárias
No velho campo da Feira.
As palavras de um poeta deslizam pelas teclas do computador e vão directas ao coração dos sentidos e às artérias dos sonhos. Só pode ter sonhos quem utiliza a “palavra”. Lendo, escrevendo, passeando o peso de cada letra. Apaixonadamente! E depois… é seguir o vento, os caminhos da imaginação, um tele-transporte ao infinito do pensamento e das coisas que não são deste mundo.
Serra da Nave
3620 – PORTUGAL
Ilustre Mestre
Esta é uma carta retirada das gavetas do tempo. Aproveitando a poeira de toda a sabedoria que depositou nas mentes abertas deste país iletrado, um simples sopro me vai permitir passar os limites espaciais e chegar até junto de si. Bem vistas as circunstâncias, agora até é mais fácil, repousando os seus restos mortais no Panteão Nacional, em Lisboa. Tardou, mas nunca é tarde demais para repor a dignidade. Do Homem e da Obra! Um grande Homem, um grande Escritor um Grande Português, quaisquer que sejam os critérios de análise, não sendo exagero tomar como ponto de partida um inédito de Pessoa recentemente revelado : “Grande homem é o que impõe aos outros o seu próprio sonho, os seus próprios sonhos. Para lhes impor os seus próprios sonhos tem, por isso, que sonhar sonhos que eles tenham, de certo modo, entressonhado para que deveras eles possam recebê-los” . Embora para além do tempo dos seus sonhos, mestre, os portugueses acabaram por receber pelo menos a liberdade de sonhar e de pensar.
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E como calcula, Mestre, as reacções a tal decisão foram desencontradas, o que é natural, mas algumas – felizmente poucas – elegeram o ataque soez e rasteiro. Quem dera que as novas tecnologias de informação e comunicação – as designadas TIC – agregadas ao mais elevado satélite e à cadeia de sondas que vão sendo espalhadas pela Lua, Marte ou Saturno lhe conseguissem fazer chegar aí, a esse espaço sideral para lá do Céu, o eco das reacções neste novo Portugal, parte inteira de um novo mundo mas sempre de esperança adiada. E, por vezes, também traída! Nesta sua Serra da Nave, praticamente incólume no seu espírito de liberdade mas a merecer ainda os adjectivos com que baptizou as Terras do Demo, a vida continua a ser dura e pobrinha. No entanto, o engenho dos homens foi facilitando os acessos, o que, de certa forma, mingua as dificuldades mas, simultaneamente, continua a favorecer a acção do “fisco” cada vez mais insensível ao fadário da existência. É certo que as antenas dos telemóveis e as torres dos novos moinhos de vento estão a modificar a paisagem. Essas torres armazenam energia, cada vez mais cara porque muito mais rara no subsolo e no caudal dos rios. Por acção irreflectida dos homens, é certo, embora deva reconhecer que o novo Poder Local tem feito um grande esforço para o desenvolvimento sustentado dos seus municípios, ressalvando as inevitáveis excepções. Mas tem havido investimento, particularmente nas áreas da Educação e do Desporto e na resolução das carências sócio-culturais. Em Moimenta da Beira (Vila que viu aumentada sobremaneira a sua área urbana), por exemplo, tomou forma um desejo dos anos de 1950 e 1960 (que ainda partilhou nomeadamente com o Padre Bento da Guia e com o Dr. Amadeu Baptista Ferro) – a excelente e funcional Biblioteca que leva o seu nome. E em V.N. de Cerveira, ponto do seu trajecto no Alto Minho, entre a Casa Grande de Romarigães em Paredes de Coura e A Guarda, na Galiza, igualmente uma excelente Biblioteca, à semelhança de muitas outras disseminadas pelo país. Mas a grande transformação de Cerveira deveu-se a uma aposta arriscada nas artes, sendo hoje um pólo importante no mapa das Bienais de todo o mundo. Por acção dos autarcas, respaldados na capacidade de grandes nomes da cultura, como Jaime Isidoro, Júlio Resende ou José Rodrigues.
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Apesar dos anos conturbados da 1ª República e das décadas de ditadura que se lhe seguiram, o que não é novidade para si, a República renasceu a 25 de Abril de 1974, ainda por acção dos militares mas, desta vez, no sentido que se supunha ser da esperança, do progresso e do bem-estar. Repostas as liberdades e terminada a Guerra Colonial, seguiu-se a Descolonização dos territórios portugueses em África e na Oceânia. Não foi uma descolonização exemplar e, não sendo uma tragédia incomensurável, marcou negativamente os primeiros anos da “liberdade” e abriu “fendas” na sociedade portuguesa. Contudo, também é verdade que os avanços de qualquer sociedade se fazem à custa de revoluções e de rupturas. Por isso, o caminho não tem sido fácil. E entre avanços e recuos, glória aos políticos que conseguiram a “almofada” da agora chamada União Europeia (ex-CEE à procura de um rumo político comum já para 27 países!), sem a qual, provavelmente, de novo teríamos caído nos males da 1ª República. Apesar de todos os apoios – e foram muitos – as sucessivas gerações dos políticos portugueses não foram capazes de “estabilizar” o país, de modo a suavizar tempos difíceis como os que atravessamos no mundo de hoje:
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Porque esta nova República, saída do 25 de Abril de 1974, não conseguiu ainda o necessário equilíbrio entre a vida nas grandes cidades do litoral e a existência nas terras do interior – a somar aos sinais de uma crise moral e cívica grave – um grupo de cidadãos do Porto, integrantes do “Centro de Estudos Republicanos Sampaio Bruno” (honra à memória do Professor Universitário e Político José Augusto Seabra), fez publicar em 31 de Janeiro de 2003 um “Manifesto Cívico Pela Moralização da República”. Na avaliação da crise, referenciavam ainda raízes históricas, mas alertavam para a carência de Educação Cívica; para a “ditadura financeira” e para o dinheiro fácil ; e para a prioridade nacional que era – e continua a ser – a mudança de mentalidades! O Manifesto terminava dizendo que “…A moralização da República impõe-se, hoje, como um imperativo categórico nacional, à consciência dos cidadãos bem formados. Na verdade, se a República não é já – como escrevia Bruno – uma utopia de sectaristas ferrenhos, de puritanos, ela deve e pode, face à degradação reinante, guiar a terapêutica social, corrigir a patologia colectiva, enquanto expressão de uma angústia comum, que é a dos Portugueses que vêem a República ameaçada e com ela a democracia por que os republicanos tanto lutaram e que o povo português fez sua, ao reconquistar a lusitana antiga liberdade, sempre nova e aberta ao futuro”.
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E na preservação da memória, foi a minha natal Moimenta da Beira (mais do que Vila Nova de Paiva ou Sernancelhe) que me ofereceu algumas notícias e imagens da sua vivência, dos seus amigos, das suas inquietações. E nas páginas da segunda série do jornal “O Correio Beirão”, dirigido pelo jornalista Rui Bondoso, pude recolher algumas notas que não quero deixar de partilhar.
Em primeiro lugar para falar da “natureza”, talvez um dos aspectos menos estudados da obra de Aquilino. De alguma forma já abordámos a serra e o mar, ficando mesmo a ideia de que o mestre “sabe pintar o mar melhor do que ninguém”. Eu, apenas como leitor, reconheço nos seus livros uma sucessão de amores, uma sequência de imagens, uma reprodução de paisagens – cada uma mais eloquente do que as outras. António Frias , colaborador assíduo daquele Jornal de Moimenta da Beira, lembrou nos anos de 1980 que a natureza, na obra do mestre, “… não se limita a ser cenário. Ela é tão privilegiada pelo autor como as personagens humanas, está sempre presente, desempenha também o seu papel, expresso através do poder verbal do seu criador, tão original como poderoso, numa sucessão de imagens que, só por si, é um mundo deslumbrante”. Lembra-se, mestre, do seu desafio : “Querem retemperar a nação e a raça? Arborizem, arborizem a serra…”.
Baptista Ferro , nessa época, traçava nas páginas do jornal um Itinerário Aquiliniano (que incluía V.N.Paiva, a Serra da Lapa, Soutosa, Moimenta, a barragem do Vilar) e revelava que as suas relações com o mestre foram estabelecidas, sobretudo, através do Correio Beirão – naturalmente a 1ª série, nascida em 1956. Competia ao modestíssimo jornal, escrevia o Dr. Ferro, um dever de gratidão e de admiração para com Aquilino, dado o seu estatuto de grande trabalhador das letras. E alguns anos antes das comemorações do cinquentenário de labuta literária do mestre (talvez Outubro de 1959), já o jornal exortava os moimentenses a perpetuarem a “…estima e gratíssima admiração por um dos seus conterrâneos mais ilustres, dos mais altos valores de todos os tempos”. Foi então lançada a ideia da construção de uma biblioteca, que levaria o seu nome, iniciativa aplaudida no país e que sensibilizou o escritor, ao responder às intenções : “… essas, nesta já muito longa carreira de homem de letras são das que nos reconfortam e aquecem o coração” !
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Não quero terminar e perdoe a extensão da minha prosa pouco cultivada, sem lhe referir duas perdas no âmbito das suas relações no quotidiano dos vivos : - em Novembro de 1986, “partiu” José Bernardo dos Santos, que o mestre popularizou como o “Gil Sapateiro”. Este seu companheiro de horas difíceis faleceu em Soutosa, vítima de muitas rugas da vida ganhas na fuga às autoridades e na clandestinidade, consigo, enfrentando as intempéries da Serra da Nave. No ano seguinte, deixou-nos um dos seus últimos camaradas, José da Costa Pinto, também em Soutosa. Natural de Castro Daire, era mais conhecido por “Mestre Zé” e pedreiro de profissão. Para além da sua arte, bem patente na Capela de Soutosa e na vala da água da serra, possuía como qualidades a força e a valentia mas também, no testemunho do advogado Adelino Caiado, uma “sensibilidade de criança e de altruísmo”, manifestada no amor aos animais e na dedicação e solidariedade. Vê-se que foram bem seus camaradas!
Nesta altura de júbilo em que se repõe o teu nome no túmulo dos maiores, deixo à sua reflexão estas notas de memória, de sonhos e realidade. Na Nobreza do Panteão continua a ter todo o tempo do mundo para reflectir. E na verdade…TALVEZ ALI ESTEJA MAIS PROTEGIDO DAS VICISSITUDES DA NOSSA APRENDIZAGEM DEMOCRÁTICA.
Serra da Nave, Setembro de 2007
Este seu leitor e admirador
António Bondoso
Vai ter lugar no dia 19 de Setembro, a cerimónia da trasladação dos restos mortais do Grande Escritor para o Panteão Nacional. Iniciativa da Confraria Aquiliniana e da Assembleia da República. Participam Escritores, Professores Universitários e Políticos. E os seguidores do "Mestre" das Letras Portuguesas.
A propósito, tenho um livro acabado, mas ainda não publicado(procuro editora), do qual passo a dar a conhecer alguns excertos.
“A jornada foi longa e muitos dos que tinham rompido
marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e
clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade.(...) Adiante
e consideremos que para chegar a bom termo da viagem
é preciso ser livres” !
Aquilino Ribeiro, 1958
(Quando os lobos uivam)
marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e
clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade.(...) Adiante
e consideremos que para chegar a bom termo da viagem
é preciso ser livres” !
Aquilino Ribeiro, 1958
(Quando os lobos uivam)
“O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar” ! Professor Agostinho da Silva
PREÂMBULO
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Sem ousar contestar o axioma desse grande Pensador que foi Agostinho da Silva, tenho para mim que o acto de criação não deixa de ser, em si mesmo, um momento de trabalho. Um esforço dos sentidos, certamente! Em qualquer circunstância, um trabalho muito especial que não “funciona” por meio de uma determinação oficial e com horário preestabelecido.
Acontece que, alguns dos momentos especiais da minha criação, me foram conduzindo aos Caminhos de Pedra, de Luís Veiga Leitão e às Terras do Demo, de Mestre Aquilino Ribeiro. Uma ousadia “atrevida” – dirão! E, eventualmente, com propriedade. Reconhecendo, embora, o atrevimento, acontece também que essas terras e esses caminhos são, de alguma forma, minha pertença. Por direito histórico, de nome, e por nascimento. Mas, sobretudo, porque a herança é património nacional. Por isso, acontece ainda que, por decisão da Assembleia da República, em Março de 2007, os restos mortais de Mestre Aquilino foram transladados para o Panteão Nacional.
Logo que a decisão foi conhecida, homens de letras como Baptista Bastos e Mário Cláudio congratularam-se. O primeiro confessou-se muito feliz e disse mesmo que Aquilino já há muito lá devia estar. O segundo salientou a dimensão de Aquilino Ribeiro, mas ressalvou que “não se promove o respeito pela sua obra, através de realizações deste tipo. Não há melhor homenagem do que ler-lhe os livros”.
Entendi eu a mensagem, não só tendo em conta a promoção da leitura da vasta obra Aquiliniana ( obrigação primeira das entidades educativas do país e ainda de instituições vocacionadas para a sua divulgação, como por exemplo o Centro de Estudos Aquilino Ribeiro, a Confraria Aquiliniana ou a Biblioteca Municipal de Aquilino Ribeiro em Moimenta da Beira), mas também poder participar, mesmo que individualmente, na abertura de outros e actuais caminhos por onde o Mestre semeou fragmentos muníficos e rescendentes da língua portuguesa.
Daí, a minha sadia ousadia de invocar Aquilino e de escrever ao Mestre. Com palavras minhas, mas também “plagiando” as dele, que são nobres e de grande dimensão.
Como por exemplo estas, de um prólogo do Natal de 1940 ao livro de C. Manuel Fonseca da Gama “Terras do Alto Paiva” – uma memória histórico-geográfica e etnográfica do concelho de Vila Nova do Paiva: (…) “A Serra é agreste, primitiva, mas tem carácter, sem dúvida. Comprazes-te em pintar-lhe as virtudes e encantos sem sombras, e não serei eu que te acoime de parcial. As tintas escuras são para o novelista e tens razão. De-certo que eu, ao chamar-lhe Terras do Demo, não quis designá-las por terras do pecado, porque o pecado seja ali mais grado ou revista aspecto especial que não tenha algures. Nada disso. A Serra é portuguesa no bem e no mal. Chamei-lhe assim porque a vida ali é dura, pobrinha, castigada pelo meio natural, sobrecarregada pelo fisco mercê de antigos e inconsiderados erros e abusos, porque em poucas terras como esta é sensível o fadário da existência. Só por isto”.
Vire a página e acompanhe-me.
Da terra seca nasce o Demo
Das pedras escamadas nascem anjos
E a luta de quem vive é uma constante !
AO MESTRE AQUILINO
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As serras são da Beira Alta
Viradas à Beira Douro.
Aquilino desceu por elas para salvar as ideias
Escondeu pedras e lobos
Na terra fria de medo
Granita alma voz dos povos
Gritada sempre bem cedo.
Saltou as águas do rio alimentadas de neve
Levou o Demo consigo
Para mais nem tempo teve
Voltou mais tarde um amigo
Das pedras e alcateias
Habitantes condenados ao exílio
De toda a Serra da Nave.
Naquele tempo suave
De novo levou bem preso à cintura da memória
Bornal cheio de letras
Muitas penas muitas dores
Dos animais e das giestas
Das lebres a fugir dos caçadores
Para a toca de uma vida sem as bestas.
Aquilino passou a vau muitos ribeiros
Temperou da serra a poesia
Palavras rudes de uma fala muito nobre
Sem cuidar de ser admirado
Por outros , muitos ou poucos criticado.
Ergueu sempre acima do ser pobre
A Língua nossa património não vergado
Mas mal tratado, tão mal amado.
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Moimenta da Beira
11 de Novembro de 2006
Tudo me pertence
Porque esta é a terra de meus pais
Aqui nasceram e repousam meus avós
Sou deles fruto gerado em tantos ais
Que tudo me pertence sem ser meu.
Da casa onde nasci nas “Cinco Ruas”
À memória de uma Vila toda inteira
Sou herdeiro da poesia dos sons
Da poesia dos ecos na pedreira
Da mansidão dos gestos
Da eterna poesia dos sentidos
Do doce aroma das tílias centenárias
No velho campo da Feira.
As palavras de um poeta deslizam pelas teclas do computador e vão directas ao coração dos sentidos e às artérias dos sonhos. Só pode ter sonhos quem utiliza a “palavra”. Lendo, escrevendo, passeando o peso de cada letra. Apaixonadamente! E depois… é seguir o vento, os caminhos da imaginação, um tele-transporte ao infinito do pensamento e das coisas que não são deste mundo.
Serra da Nave
3620 – PORTUGAL
Ilustre Mestre
Esta é uma carta retirada das gavetas do tempo. Aproveitando a poeira de toda a sabedoria que depositou nas mentes abertas deste país iletrado, um simples sopro me vai permitir passar os limites espaciais e chegar até junto de si. Bem vistas as circunstâncias, agora até é mais fácil, repousando os seus restos mortais no Panteão Nacional, em Lisboa. Tardou, mas nunca é tarde demais para repor a dignidade. Do Homem e da Obra! Um grande Homem, um grande Escritor um Grande Português, quaisquer que sejam os critérios de análise, não sendo exagero tomar como ponto de partida um inédito de Pessoa recentemente revelado : “Grande homem é o que impõe aos outros o seu próprio sonho, os seus próprios sonhos. Para lhes impor os seus próprios sonhos tem, por isso, que sonhar sonhos que eles tenham, de certo modo, entressonhado para que deveras eles possam recebê-los” . Embora para além do tempo dos seus sonhos, mestre, os portugueses acabaram por receber pelo menos a liberdade de sonhar e de pensar.
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E como calcula, Mestre, as reacções a tal decisão foram desencontradas, o que é natural, mas algumas – felizmente poucas – elegeram o ataque soez e rasteiro. Quem dera que as novas tecnologias de informação e comunicação – as designadas TIC – agregadas ao mais elevado satélite e à cadeia de sondas que vão sendo espalhadas pela Lua, Marte ou Saturno lhe conseguissem fazer chegar aí, a esse espaço sideral para lá do Céu, o eco das reacções neste novo Portugal, parte inteira de um novo mundo mas sempre de esperança adiada. E, por vezes, também traída! Nesta sua Serra da Nave, praticamente incólume no seu espírito de liberdade mas a merecer ainda os adjectivos com que baptizou as Terras do Demo, a vida continua a ser dura e pobrinha. No entanto, o engenho dos homens foi facilitando os acessos, o que, de certa forma, mingua as dificuldades mas, simultaneamente, continua a favorecer a acção do “fisco” cada vez mais insensível ao fadário da existência. É certo que as antenas dos telemóveis e as torres dos novos moinhos de vento estão a modificar a paisagem. Essas torres armazenam energia, cada vez mais cara porque muito mais rara no subsolo e no caudal dos rios. Por acção irreflectida dos homens, é certo, embora deva reconhecer que o novo Poder Local tem feito um grande esforço para o desenvolvimento sustentado dos seus municípios, ressalvando as inevitáveis excepções. Mas tem havido investimento, particularmente nas áreas da Educação e do Desporto e na resolução das carências sócio-culturais. Em Moimenta da Beira (Vila que viu aumentada sobremaneira a sua área urbana), por exemplo, tomou forma um desejo dos anos de 1950 e 1960 (que ainda partilhou nomeadamente com o Padre Bento da Guia e com o Dr. Amadeu Baptista Ferro) – a excelente e funcional Biblioteca que leva o seu nome. E em V.N. de Cerveira, ponto do seu trajecto no Alto Minho, entre a Casa Grande de Romarigães em Paredes de Coura e A Guarda, na Galiza, igualmente uma excelente Biblioteca, à semelhança de muitas outras disseminadas pelo país. Mas a grande transformação de Cerveira deveu-se a uma aposta arriscada nas artes, sendo hoje um pólo importante no mapa das Bienais de todo o mundo. Por acção dos autarcas, respaldados na capacidade de grandes nomes da cultura, como Jaime Isidoro, Júlio Resende ou José Rodrigues.
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Apesar dos anos conturbados da 1ª República e das décadas de ditadura que se lhe seguiram, o que não é novidade para si, a República renasceu a 25 de Abril de 1974, ainda por acção dos militares mas, desta vez, no sentido que se supunha ser da esperança, do progresso e do bem-estar. Repostas as liberdades e terminada a Guerra Colonial, seguiu-se a Descolonização dos territórios portugueses em África e na Oceânia. Não foi uma descolonização exemplar e, não sendo uma tragédia incomensurável, marcou negativamente os primeiros anos da “liberdade” e abriu “fendas” na sociedade portuguesa. Contudo, também é verdade que os avanços de qualquer sociedade se fazem à custa de revoluções e de rupturas. Por isso, o caminho não tem sido fácil. E entre avanços e recuos, glória aos políticos que conseguiram a “almofada” da agora chamada União Europeia (ex-CEE à procura de um rumo político comum já para 27 países!), sem a qual, provavelmente, de novo teríamos caído nos males da 1ª República. Apesar de todos os apoios – e foram muitos – as sucessivas gerações dos políticos portugueses não foram capazes de “estabilizar” o país, de modo a suavizar tempos difíceis como os que atravessamos no mundo de hoje:
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Porque esta nova República, saída do 25 de Abril de 1974, não conseguiu ainda o necessário equilíbrio entre a vida nas grandes cidades do litoral e a existência nas terras do interior – a somar aos sinais de uma crise moral e cívica grave – um grupo de cidadãos do Porto, integrantes do “Centro de Estudos Republicanos Sampaio Bruno” (honra à memória do Professor Universitário e Político José Augusto Seabra), fez publicar em 31 de Janeiro de 2003 um “Manifesto Cívico Pela Moralização da República”. Na avaliação da crise, referenciavam ainda raízes históricas, mas alertavam para a carência de Educação Cívica; para a “ditadura financeira” e para o dinheiro fácil ; e para a prioridade nacional que era – e continua a ser – a mudança de mentalidades! O Manifesto terminava dizendo que “…A moralização da República impõe-se, hoje, como um imperativo categórico nacional, à consciência dos cidadãos bem formados. Na verdade, se a República não é já – como escrevia Bruno – uma utopia de sectaristas ferrenhos, de puritanos, ela deve e pode, face à degradação reinante, guiar a terapêutica social, corrigir a patologia colectiva, enquanto expressão de uma angústia comum, que é a dos Portugueses que vêem a República ameaçada e com ela a democracia por que os republicanos tanto lutaram e que o povo português fez sua, ao reconquistar a lusitana antiga liberdade, sempre nova e aberta ao futuro”.
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E na preservação da memória, foi a minha natal Moimenta da Beira (mais do que Vila Nova de Paiva ou Sernancelhe) que me ofereceu algumas notícias e imagens da sua vivência, dos seus amigos, das suas inquietações. E nas páginas da segunda série do jornal “O Correio Beirão”, dirigido pelo jornalista Rui Bondoso, pude recolher algumas notas que não quero deixar de partilhar.
Em primeiro lugar para falar da “natureza”, talvez um dos aspectos menos estudados da obra de Aquilino. De alguma forma já abordámos a serra e o mar, ficando mesmo a ideia de que o mestre “sabe pintar o mar melhor do que ninguém”. Eu, apenas como leitor, reconheço nos seus livros uma sucessão de amores, uma sequência de imagens, uma reprodução de paisagens – cada uma mais eloquente do que as outras. António Frias , colaborador assíduo daquele Jornal de Moimenta da Beira, lembrou nos anos de 1980 que a natureza, na obra do mestre, “… não se limita a ser cenário. Ela é tão privilegiada pelo autor como as personagens humanas, está sempre presente, desempenha também o seu papel, expresso através do poder verbal do seu criador, tão original como poderoso, numa sucessão de imagens que, só por si, é um mundo deslumbrante”. Lembra-se, mestre, do seu desafio : “Querem retemperar a nação e a raça? Arborizem, arborizem a serra…”.
Baptista Ferro , nessa época, traçava nas páginas do jornal um Itinerário Aquiliniano (que incluía V.N.Paiva, a Serra da Lapa, Soutosa, Moimenta, a barragem do Vilar) e revelava que as suas relações com o mestre foram estabelecidas, sobretudo, através do Correio Beirão – naturalmente a 1ª série, nascida em 1956. Competia ao modestíssimo jornal, escrevia o Dr. Ferro, um dever de gratidão e de admiração para com Aquilino, dado o seu estatuto de grande trabalhador das letras. E alguns anos antes das comemorações do cinquentenário de labuta literária do mestre (talvez Outubro de 1959), já o jornal exortava os moimentenses a perpetuarem a “…estima e gratíssima admiração por um dos seus conterrâneos mais ilustres, dos mais altos valores de todos os tempos”. Foi então lançada a ideia da construção de uma biblioteca, que levaria o seu nome, iniciativa aplaudida no país e que sensibilizou o escritor, ao responder às intenções : “… essas, nesta já muito longa carreira de homem de letras são das que nos reconfortam e aquecem o coração” !
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Não quero terminar e perdoe a extensão da minha prosa pouco cultivada, sem lhe referir duas perdas no âmbito das suas relações no quotidiano dos vivos : - em Novembro de 1986, “partiu” José Bernardo dos Santos, que o mestre popularizou como o “Gil Sapateiro”. Este seu companheiro de horas difíceis faleceu em Soutosa, vítima de muitas rugas da vida ganhas na fuga às autoridades e na clandestinidade, consigo, enfrentando as intempéries da Serra da Nave. No ano seguinte, deixou-nos um dos seus últimos camaradas, José da Costa Pinto, também em Soutosa. Natural de Castro Daire, era mais conhecido por “Mestre Zé” e pedreiro de profissão. Para além da sua arte, bem patente na Capela de Soutosa e na vala da água da serra, possuía como qualidades a força e a valentia mas também, no testemunho do advogado Adelino Caiado, uma “sensibilidade de criança e de altruísmo”, manifestada no amor aos animais e na dedicação e solidariedade. Vê-se que foram bem seus camaradas!
Nesta altura de júbilo em que se repõe o teu nome no túmulo dos maiores, deixo à sua reflexão estas notas de memória, de sonhos e realidade. Na Nobreza do Panteão continua a ter todo o tempo do mundo para reflectir. E na verdade…TALVEZ ALI ESTEJA MAIS PROTEGIDO DAS VICISSITUDES DA NOSSA APRENDIZAGEM DEMOCRÁTICA.
Serra da Nave, Setembro de 2007
Este seu leitor e admirador
António Bondoso
2007-09-11
IDEIAS E FRASES - positivo/negativo
UM BOM PAINEL ... PARA UM MODERADOR "DESATENTO" !
Há quase quarenta anos (quem já passou dos 55 certamente se recorda...), ficou célebre um Festival da Canção da RTP, sobretudo à volta de dois intérpretes e de duas canções. Se não me
Tudo isto para voltar ao caso Madie e ao recente "Prós e Contras" da RTP. Um óptimo painel de convidados que, infelizmente, não pôde chegar ao excelente e que não foi devidamente acompanhado pelo desempenho da apresentadora/moderadora. O programa valeu, sobretudo, pelo painel ( honra seja feita à modéstia da jornalista, que reconheceu isso mesmo) acentuando Moita Flores ter "...percebido mais e melhor todo o enquadramento do caso neste programa, do que ao longo dos quatro meses que já passaram desde o desaparecimento de Madie". Pelos vistos, UM SIMPLES PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO, tendo em conta a presença "oportuna" (embora tardia) do Director Nacional da PJ e, particularmente, do Presidente do Sindicato da Polícia de Investigação.
Para os mais desatentos - e não são poucos - interessa-me particularmente lembrar duas coisas:- Investigação, Ministério Público - dependência do Governo ; Justiça, Tribunais - Órgãos de Soberania independentes.
Por outro lado, recordar que o Dr. Cunha Rodrigues - então Procurador Geral da República - publicou em 1999 um livro "COMUNICAR E JULGAR", editado pela MinervaCoimbra para a Colecção Comunicação, superiormente dirigida pelo Jornalista Mário Mesquita.
Os tempos vão difíceis, dizia Cunha Rodrigues na primeira linha do seu Prefácio ! E começaram aí, de facto, tempos difíceis ! Para a Investigação Criminal, para a Justiça e para os Media e Jornalistas. Ultrapassando as naturais adaptações e a evolução dos códigos ( um infindável número de leis), "COMUNICAR E JULGAR" não deixa de ser uma recomendável leitura para os tempos que vão correndo !
Já então Cunha Rodrigues se preocupava com as relações entre a justiça e a comunicação social.
Sobretudo tendo em atenção que passámos a viver numa Sociedade de Comunicação, na qual a
Opinião Pública se forma praticamente em tempo real. Sabendo que a justiça "constitui um sistema em que é fácil capitalizar o descontentamento" e tendo em conta "o choque cultural" trazido pelas novas tecnologias, o antigo PGR teve a noção da delicada relação, para a qual nem a justiça nem os media estavam preparados. Mas era irreversível ! Por isso, Cunha Rodrigues dizia "...ser urgente que a justiça se modernize e assuma a sua função explicativa e a comunicação social domine a racionalidade do direito, vinculando-se ambos a um estrito e recíproco respeito".
Citando Edgar Morin, CR escrevia "... ser altura de saber lidar com a realidade, antes que ela nos devore com as suas formas atrozes e massacrantes" !
Pelos vistos, ninguém se preocupou, ninguém reparou. Nem jornalistas, nem magistrados, nem governantes ! Talvez com uma pequena/grande excepção, constituída pelas empresas que, em colaboração com a Universidade de Coimbra, deram corpo a um "Curso de pós-graduação em Direito da Comunicação". Que uso terá feito dele quem o frequentou ? Por culpa própria ou dos media para quem trabalham ?
E na voragem dos acontecimentos... poucos deram atenção às preocupações de Karl Popper, Pierre Bourdier ou Florence Aubenas, continuando cada um a "fabricar" a sua informação !
Por tudo isto é que, no meu negativo, continuo a colocar os media e alguns jornalistas - o que eu chamei de "participantes activos na elaboração de material informativo".
No programa em questão não estava um representante "oficial" da classe ( o director do Expresso era apenas ele e a sua circunstância...), o que impediu o assumir de responsabilidades colectivas - embora a apresentadora, de passagem, o tivesse feito. De uma forma geral não esteve atenta, deixou que se repetissem ideias, os seus "tempos de intervenção" foram, por vezes, desajustados e - mais importante - permitiu que um seu convidado, ainda por cima vindo de Madrid, fosse severamente (e até de forma jocosa ) criticado, sem que ele, não falando português, se pudesse ter defendido convenientemente. Assumiu o risco, convidando-o, devia te-lo elucidado das críticas e proporcionar-lhe uma defesa atempada. Os seus parceiros portugueses que, pelos vistos, não sabem tudo, ficaram mal na fotografia, como é agora vulgar dizer-se. Alguns, até, reivindicando narcisicamente pergaminhos ainda não reconhecidos.
E depois, Fátima Campos Ferreira, não se deve (poder, pode...) dizer que " a comunicação social ficou presa da actuação do casal McCann" ! Os media - os jornalistas - não podem ficar reféns de coisa alguma. A sua responsabilidade social não lhes permite perder a independência que reivindicam.
A.B.
Há quase quarenta anos (quem já passou dos 55 certamente se recorda...), ficou célebre um Festival da Canção da RTP, sobretudo à volta de dois intérpretes e de duas canções. Se não me
engano, uma chamava-se "ONDE VAIS RIO QUE EU CANTO" e foi cantada por Sérgio Borges. De outro lado, sobressaíu um mediano intérprete (Hugo Maia de Loureiro) para uma excelente melodia - Canção de Madrugar, de José Carlos Ary dos Santos. A "manchete" que ficou dessa altura, foi uma frase mais ou menos assim :-"Uma boa canção para um mau intérprete" !
Ficou em 2º lugar.
Ficou em 2º lugar.
Tudo isto para voltar ao caso Madie e ao recente "Prós e Contras" da RTP. Um óptimo painel de convidados que, infelizmente, não pôde chegar ao excelente e que não foi devidamente acompanhado pelo desempenho da apresentadora/moderadora. O programa valeu, sobretudo, pelo painel ( honra seja feita à modéstia da jornalista, que reconheceu isso mesmo) acentuando Moita Flores ter "...percebido mais e melhor todo o enquadramento do caso neste programa, do que ao longo dos quatro meses que já passaram desde o desaparecimento de Madie". Pelos vistos, UM SIMPLES PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO, tendo em conta a presença "oportuna" (embora tardia) do Director Nacional da PJ e, particularmente, do Presidente do Sindicato da Polícia de Investigação.
Para os mais desatentos - e não são poucos - interessa-me particularmente lembrar duas coisas:- Investigação, Ministério Público - dependência do Governo ; Justiça, Tribunais - Órgãos de Soberania independentes.
Por outro lado, recordar que o Dr. Cunha Rodrigues - então Procurador Geral da República - publicou em 1999 um livro "COMUNICAR E JULGAR", editado pela MinervaCoimbra para a Colecção Comunicação, superiormente dirigida pelo Jornalista Mário Mesquita.
Os tempos vão difíceis, dizia Cunha Rodrigues na primeira linha do seu Prefácio ! E começaram aí, de facto, tempos difíceis ! Para a Investigação Criminal, para a Justiça e para os Media e Jornalistas. Ultrapassando as naturais adaptações e a evolução dos códigos ( um infindável número de leis), "COMUNICAR E JULGAR" não deixa de ser uma recomendável leitura para os tempos que vão correndo !
Já então Cunha Rodrigues se preocupava com as relações entre a justiça e a comunicação social.
Sobretudo tendo em atenção que passámos a viver numa Sociedade de Comunicação, na qual a
Opinião Pública se forma praticamente em tempo real. Sabendo que a justiça "constitui um sistema em que é fácil capitalizar o descontentamento" e tendo em conta "o choque cultural" trazido pelas novas tecnologias, o antigo PGR teve a noção da delicada relação, para a qual nem a justiça nem os media estavam preparados. Mas era irreversível ! Por isso, Cunha Rodrigues dizia "...ser urgente que a justiça se modernize e assuma a sua função explicativa e a comunicação social domine a racionalidade do direito, vinculando-se ambos a um estrito e recíproco respeito".
Citando Edgar Morin, CR escrevia "... ser altura de saber lidar com a realidade, antes que ela nos devore com as suas formas atrozes e massacrantes" !
Pelos vistos, ninguém se preocupou, ninguém reparou. Nem jornalistas, nem magistrados, nem governantes ! Talvez com uma pequena/grande excepção, constituída pelas empresas que, em colaboração com a Universidade de Coimbra, deram corpo a um "Curso de pós-graduação em Direito da Comunicação". Que uso terá feito dele quem o frequentou ? Por culpa própria ou dos media para quem trabalham ?
E na voragem dos acontecimentos... poucos deram atenção às preocupações de Karl Popper, Pierre Bourdier ou Florence Aubenas, continuando cada um a "fabricar" a sua informação !
Por tudo isto é que, no meu negativo, continuo a colocar os media e alguns jornalistas - o que eu chamei de "participantes activos na elaboração de material informativo".
No programa em questão não estava um representante "oficial" da classe ( o director do Expresso era apenas ele e a sua circunstância...), o que impediu o assumir de responsabilidades colectivas - embora a apresentadora, de passagem, o tivesse feito. De uma forma geral não esteve atenta, deixou que se repetissem ideias, os seus "tempos de intervenção" foram, por vezes, desajustados e - mais importante - permitiu que um seu convidado, ainda por cima vindo de Madrid, fosse severamente (e até de forma jocosa ) criticado, sem que ele, não falando português, se pudesse ter defendido convenientemente. Assumiu o risco, convidando-o, devia te-lo elucidado das críticas e proporcionar-lhe uma defesa atempada. Os seus parceiros portugueses que, pelos vistos, não sabem tudo, ficaram mal na fotografia, como é agora vulgar dizer-se. Alguns, até, reivindicando narcisicamente pergaminhos ainda não reconhecidos.
E depois, Fátima Campos Ferreira, não se deve (poder, pode...) dizer que " a comunicação social ficou presa da actuação do casal McCann" ! Os media - os jornalistas - não podem ficar reféns de coisa alguma. A sua responsabilidade social não lhes permite perder a independência que reivindicam.
A.B.
2007-09-08
IDEIAS E FRASES - positivo/negativo
INDIGNAÇÃO INTEMPORAL !
Positivo :
=======
Nesta viagem das palavras e das ideias, vamos encontrando ao longo da vida alguns oásis de "palmeiras" erectas de coluna e de consciência, como dizia Aquilino Ribeiro ao referir-se ao alentejano Pulido Valente.
É agora a minha vez de partilhar com os que me visitam, a mistura de emoções que eu tenho
encontrado em José Augusto Carvalho.
Já havia recomendado a sua poesia, e hoje posso indicar com muita satisfação o endereço do
seu Blog. É só "clicar" ali ao lado. Assim, pode "divertir-se seriamente", entendendo as palavras de "...um cidadão versado em coisa nenhuma e que nada de relevante tem a dizer de si" !
Negativo:
=======
Tantos Blogs a navegar por aí, cujo destino é afundarem-se nas águas agitadas do seu mundo
obsessivo-compulsivo !
A.B.
Positivo :
=======
Nesta viagem das palavras e das ideias, vamos encontrando ao longo da vida alguns oásis de "palmeiras" erectas de coluna e de consciência, como dizia Aquilino Ribeiro ao referir-se ao alentejano Pulido Valente.
É agora a minha vez de partilhar com os que me visitam, a mistura de emoções que eu tenho
encontrado em José Augusto Carvalho.
Já havia recomendado a sua poesia, e hoje posso indicar com muita satisfação o endereço do
seu Blog. É só "clicar" ali ao lado. Assim, pode "divertir-se seriamente", entendendo as palavras de "...um cidadão versado em coisa nenhuma e que nada de relevante tem a dizer de si" !
Negativo:
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Tantos Blogs a navegar por aí, cujo destino é afundarem-se nas águas agitadas do seu mundo
obsessivo-compulsivo !
A.B.
IDEIAS E FRASES - positivo/negativo
A OBSESSÃO- COMPULSIVA... E O JOGO DAS PALAVRAS !
Positivo:
=======
Embora por um feliz acaso ( quantas descobertas não acontecem assim...), foi encontrado o primeiro gene responsável pela doença obsessiva-compulsiva.
Uma equipa de cientistas, entre os quais dois portugueses, revelou a descoberta num artigo publicado recentemente na revista Nature.
E o que revela o estudo, por agora apenas em ratinhos, é só e ainda o primeiro gene de uma "doença"que leva os pacientes, por ex, a pensarem que têm as mãos sujas e, por isso, as lavam tantas vezes que chegam a ficar em ferida ; ou então, acendem e apagam a luz um determinado número de vezes, quando entram numa sala; noutras alturas pensam que deixaram a porta de casa aberta e voltam atrás "ene" vezes. São rituais repetidos compulsivamente, com o objectivo de aliviar o "tormento". E este pode atingir vários graus e formas diferentes, desde puxar o cabelo à fixação pela organização simétrica dos objectos, passando pela recolecção compulsiva de jornais e rolhas de cortiça. O objectivo dos cientistas é agora verificar se o gene está activo em humanos e se, quando existem mutações, conduz à doença ! Segundo o jornal Público, o tratamento dos doentes faz-se à base de "fluoxetina" - uma substância activa do famoso Prozac, a qual aumenta a presença de "serotonina", que é um dos mensageiros químicos usados pelos neurónios para comunicar entre si. Mas agora, foi utilizado outro "mensageiro" - o glutamato -
a partir do qual se pensa poder desenvolver novos fármacos que actuam sobre esse circuito de
comunicação.
Aqui chegados, e olhando para o "mundo das palavras" em que estou inserido, ficou-me a dúvida sobre se o "actual circuito de comunicação" dos neurónios, de quem participa activamente na elaboração de material informativo, poderá estar afectado por uma doença deste tipo. A dúvida permanece, naturalmente, pois não sou "cientista" nem, sequer, um comum psiquiatra. Outra questão que se "levanta" é, saber ainda, se a dúvida terá níveis diferentes quando a "eventual doença" se manifeste no âmbito da imprensa, da rádio, da televisão ou da internet. Grau diferente, sem dúvida ! Mais elevado na internet e televisão (factores de risco de maior intensidade, sobretudo o da vaidade da imagem), depois nos jornais e revistas ( onde o factor tempo ajuda a consolidar as teorias) e, por fim, na rádio - embora neste meio se possam potenciar os perigos da rapidez do circuito e do uso exclusivo da voz ! Do que não tenho dúvidas é de que, a maior percentagem de responsabilidade, caberá aos proprietários, administradores e directores.
Negativo :
========
Por isso, coloco em negativo uma boa parte dos envolvidos activamente na elaboração do chamado "material informativo" por meio do "espectáculo" !
A que temos assistido nos últimos anos, nos últimos meses, nos últimos dias ? Julgamentos na
"praça pública" continuam, apesar de se reconhecer o seu perigo.
Tal como os "ratinhos" do estudo da equipa de Guoping Feng, que "pensam" que têm as mãos sujas e as lavam tantas vezes que chegam a ficar em ferida, - também esta categoria de manipuladores de palavras e ideias "pensa que são detentores da verdade e, de tantas vezes mentirem ou manipularem os neurónios, chegam a acreditar que é verdade" !
A.B.
Positivo:
=======
Embora por um feliz acaso ( quantas descobertas não acontecem assim...), foi encontrado o primeiro gene responsável pela doença obsessiva-compulsiva.
Uma equipa de cientistas, entre os quais dois portugueses, revelou a descoberta num artigo publicado recentemente na revista Nature.
E o que revela o estudo, por agora apenas em ratinhos, é só e ainda o primeiro gene de uma "doença"que leva os pacientes, por ex, a pensarem que têm as mãos sujas e, por isso, as lavam tantas vezes que chegam a ficar em ferida ; ou então, acendem e apagam a luz um determinado número de vezes, quando entram numa sala; noutras alturas pensam que deixaram a porta de casa aberta e voltam atrás "ene" vezes. São rituais repetidos compulsivamente, com o objectivo de aliviar o "tormento". E este pode atingir vários graus e formas diferentes, desde puxar o cabelo à fixação pela organização simétrica dos objectos, passando pela recolecção compulsiva de jornais e rolhas de cortiça. O objectivo dos cientistas é agora verificar se o gene está activo em humanos e se, quando existem mutações, conduz à doença ! Segundo o jornal Público, o tratamento dos doentes faz-se à base de "fluoxetina" - uma substância activa do famoso Prozac, a qual aumenta a presença de "serotonina", que é um dos mensageiros químicos usados pelos neurónios para comunicar entre si. Mas agora, foi utilizado outro "mensageiro" - o glutamato -
a partir do qual se pensa poder desenvolver novos fármacos que actuam sobre esse circuito de
comunicação.
Aqui chegados, e olhando para o "mundo das palavras" em que estou inserido, ficou-me a dúvida sobre se o "actual circuito de comunicação" dos neurónios, de quem participa activamente na elaboração de material informativo, poderá estar afectado por uma doença deste tipo. A dúvida permanece, naturalmente, pois não sou "cientista" nem, sequer, um comum psiquiatra. Outra questão que se "levanta" é, saber ainda, se a dúvida terá níveis diferentes quando a "eventual doença" se manifeste no âmbito da imprensa, da rádio, da televisão ou da internet. Grau diferente, sem dúvida ! Mais elevado na internet e televisão (factores de risco de maior intensidade, sobretudo o da vaidade da imagem), depois nos jornais e revistas ( onde o factor tempo ajuda a consolidar as teorias) e, por fim, na rádio - embora neste meio se possam potenciar os perigos da rapidez do circuito e do uso exclusivo da voz ! Do que não tenho dúvidas é de que, a maior percentagem de responsabilidade, caberá aos proprietários, administradores e directores.
Negativo :
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Por isso, coloco em negativo uma boa parte dos envolvidos activamente na elaboração do chamado "material informativo" por meio do "espectáculo" !
A que temos assistido nos últimos anos, nos últimos meses, nos últimos dias ? Julgamentos na
"praça pública" continuam, apesar de se reconhecer o seu perigo.
Tal como os "ratinhos" do estudo da equipa de Guoping Feng, que "pensam" que têm as mãos sujas e as lavam tantas vezes que chegam a ficar em ferida, - também esta categoria de manipuladores de palavras e ideias "pensa que são detentores da verdade e, de tantas vezes mentirem ou manipularem os neurónios, chegam a acreditar que é verdade" !
A.B.
2007-09-05
IDEIAS E FRASES - positivo/negativo
LIBERDADE ... LIBERDADES !
Positivo :
=======
"A vida pessoal e política de Mário Soares habilita-o a qualquer tarefa que tenha a ver com a liberdade e muito mais com a liberdade religiosa, que é um dos pilares das sociedades democráticas modernas". --- JOSÉ SOCRATES, na posse de Mário Soares como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa.
MÁRIO SOARES : --- " Sou neutro em matéria de religião, mas reconheço a importância da religião e das Instituições Religiosas, particularmente no mundo conturbado de hoje, com o exacerbamento dos fanatismos religiosos. SOU AMIGO DE TODAS AS LIBERDADES" !
Seguindo Mário Soares (e certamente todos os que amam as liberdades), é para mim motivo alto de satisfação recordar hoje Aquilino Ribeiro : "... e consideremos que para chegar a bom termo da viagem é preciso ser livres" ! --- Uma frase do Mestre, em Dezembro de 1958, a finalizar a dedicatória do seu livro "QUANDO OS LOBOS UIVAM" ao Dr. Francisco Pulido Valente - um alentejano da fronteira, erecto de cabeça como de consciência...incapaz de seguir por trilhos ínvios !
Como que adivinhando o seu dia a caminhar para o ocaso, Aquilino Ribeiro lembrou que "a jornada foi longa e muitos dos que tinham rompido marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade".
Negativo :
=======
A especulação sobre as "dúvidas" de Madre Teresa de Calcutá.
Não será o somatório das dúvidas e o empenho na busca do "caminho" o melhor cimento da Fé ?
Quem não tem ou nunca teve dúvidas ? O primeiro que atire a pedra ! E parece que o primeiro
foi um daqueles jornalistas "iluminados" de uma renomada publicação, ao aproveitar (bem) a sua
função, mas ao manipular (mal) a priva(ti)cidade de Madre Teresa.
Mesmo com todas as "dúvidas" agora expostas, Madre Teresa deverá ser sempre considerada uma grande mulher. Ficou a OBRA !
Podemos sempre recordar uma célebre frase de um político português, agora nas funções de Presidente da República ( Prof.Dr. Aníbal Cavaco Silva) - "...raramente me engano e nunca tenho dúvidas"! Quanta crítica na altura !...
Lembrando-me de que, quem conta um conto acrescenta/inventa um ponto, as dúvidas foram sendo alargadas a outros possuidores de papel e lápis - modernamente computador.
Não perceberam nada - disse, entretanto, o Cardeal Patriarca de Lisboa sobre Madre Teresa (referindo-se aos jornalistas e aos media) - recordando as palavras de Jesus na cruz : "Meu Deus, porque me abandonaste" ?
Madre Teresa viveu livre e construíu uma obra libertadora e de liberdade, ajudando os mais desfavorecidos a poderem sonhar com a liberdade !
António Bondoso
Positivo :
=======
"A vida pessoal e política de Mário Soares habilita-o a qualquer tarefa que tenha a ver com a liberdade e muito mais com a liberdade religiosa, que é um dos pilares das sociedades democráticas modernas". --- JOSÉ SOCRATES, na posse de Mário Soares como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa.
MÁRIO SOARES : --- " Sou neutro em matéria de religião, mas reconheço a importância da religião e das Instituições Religiosas, particularmente no mundo conturbado de hoje, com o exacerbamento dos fanatismos religiosos. SOU AMIGO DE TODAS AS LIBERDADES" !
Seguindo Mário Soares (e certamente todos os que amam as liberdades), é para mim motivo alto de satisfação recordar hoje Aquilino Ribeiro : "... e consideremos que para chegar a bom termo da viagem é preciso ser livres" ! --- Uma frase do Mestre, em Dezembro de 1958, a finalizar a dedicatória do seu livro "QUANDO OS LOBOS UIVAM" ao Dr. Francisco Pulido Valente - um alentejano da fronteira, erecto de cabeça como de consciência...incapaz de seguir por trilhos ínvios !
Como que adivinhando o seu dia a caminhar para o ocaso, Aquilino Ribeiro lembrou que "a jornada foi longa e muitos dos que tinham rompido marcha comigo ficaram no percurso, alma em pena e clamorosa. Alguns, vítimas pela liberdade".
Negativo :
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A especulação sobre as "dúvidas" de Madre Teresa de Calcutá.
Não será o somatório das dúvidas e o empenho na busca do "caminho" o melhor cimento da Fé ?
Quem não tem ou nunca teve dúvidas ? O primeiro que atire a pedra ! E parece que o primeiro
foi um daqueles jornalistas "iluminados" de uma renomada publicação, ao aproveitar (bem) a sua
função, mas ao manipular (mal) a priva(ti)cidade de Madre Teresa.
Mesmo com todas as "dúvidas" agora expostas, Madre Teresa deverá ser sempre considerada uma grande mulher. Ficou a OBRA !
Podemos sempre recordar uma célebre frase de um político português, agora nas funções de Presidente da República ( Prof.Dr. Aníbal Cavaco Silva) - "...raramente me engano e nunca tenho dúvidas"! Quanta crítica na altura !...
Lembrando-me de que, quem conta um conto acrescenta/inventa um ponto, as dúvidas foram sendo alargadas a outros possuidores de papel e lápis - modernamente computador.
Não perceberam nada - disse, entretanto, o Cardeal Patriarca de Lisboa sobre Madre Teresa (referindo-se aos jornalistas e aos media) - recordando as palavras de Jesus na cruz : "Meu Deus, porque me abandonaste" ?
Madre Teresa viveu livre e construíu uma obra libertadora e de liberdade, ajudando os mais desfavorecidos a poderem sonhar com a liberdade !
António Bondoso
2007-08-28
O FUTEBOL ESTÁ VIVO !

O Futebol está vivo !
E ainda bem.
O fenómeno continua a alimentar a Comunicação Social, independentemente da sua "linha de orientação". Mas não só !
Buscando ainda as palavras do meu "apontamento/poema" NÃO MATEM O FUTEBOL - o espectáculo existe, porque ainda não se matou o futebol. Apesar das muitas e continuadas tentativas. Há sempre um lance, uma dúvida em relação ao árbitro, uma bola no poste (às vezes são três!), um remate para fora em cima da linha de golo, o guarda-redes que consegue uma defesa "impossível", um penalty falhado... E depois, há equipas que jogam e deixam jogar, outras nem por isso; há ainda outras que dizem jogar ao ataque, mas só efectuam um remate em 45 minutos; há também quem diga ter conseguido equilibrar o jogo, mas o seu g.r. foi o melhor em campo... há, felizmente, quem diga que a táctica é o 4-3-3 ou o 4-4-2, ou ainda o 3-4-3 ou 3-1-4-2, enfim - como ficou célebre - a melhor táctica é "...todos ao ataque, fechadinhos cá atrás", ou então "...todos ao monte e fé em Deus" ! Tenho para mim que, para além de alguma disciplina táctica, inculcada e apreendida ao longo do tempo, há alturas do jogo em que o suporte das equipas passa mais pelo carácter, pela raça e pela determinação dos jogadores, auxiliados por uma boa dose de sorte !
Deixando estes pormenores para quem sabe ( os treinadores), concentremo-nos no "fenómeno". Escrevia eu que, felizmente, o futebol está vivo. Para bem de muita gente. Dos jogadores em primeiro lugar, pois sem eles não havia ópera ! Os tenores merecem a primazia, mesmo quando simulam as faltas. É deles que se fala ! E são eles que devem ser enaltecidos( sobretudo os que jogam sem receber o respectivo salário...), aplaudidos pela criatividade, criticados pelo mau desempenho. Os jogadores, investidos da fé clubista, chamam o público aos estádios, determinam as audiências das televisões e das rádios ou o consumo dos jornais. Os adeptos, portanto, assumem a partilha da importância maior de todos os condimentos do fenómeno. Sem eles, o circuito paralisava ! Alimentam os "media", suportam os clubes, adquirem os bilhetes - as mais das vezes a um preço demasiado elevado (agora compram ou alugam às SAD's lugares privativos), viajam pelos estádios do país, espalhando as cores que melhor definem a sua identidade. Neste capítulo( entre nós), deve abrir-se uma alínea particular para os grupos organizados - as claques - sem as quais o espectáculo, quase sempre, estaria ferido de morte.Tal como um debate sem direito a contraditório ! Caminhando para associações legalizadas, embora ainda a um ritmo lento, são as claques os verdadeiros motores da animação nas bancadas. Correndo riscos, sujeitos a provocações e a humilhações quando se deslocam(mesmo por parte dos agentes das forças de segurança), ESTES ADEPTOS ESPECIAIS são também capazes de transmitir mensagens positivas e carregadas de beleza, como aconteceu no Dragão com a coreografia do Colectivo Ultras 95 (vale a pena uma consulta ao respectivo sítio da internet, bastando clicar aqui ao lado). Passe o bairrismo/clubismo, poucos terão ficado indiferentes ao espectáculo. Não foi a primeira vez que o fizeram e, espera-se, não seja a última. Tal como já se viu em claques de outros clubes. E é nestas circunstâncias e nestas ocasiões que se deve enaltecer o comportamento, o esforço, a dedicação, a criatividade e, até, a irreverência saudável desses adeptos. Infelizmente, muito poucas vezes isso se verifica. Quando as coisas correm mal, gastam-se rios de tinta! Os rótulos negativos e depreciativos continuam a "vender" uma imagem estereotipada e generalizada, esquecendo que há excepções. E é através do exemplo destas excepções que se pode ir modificando comportamentos. No caso presente e à parte os jornais desportivos, foram poucos os media que dedicaram meia dúzia de linhas ao assunto. Até as televisões, que vivem do e fomentam o espectáculo ! Mesmo a Sport TV, detentora do exclusivo da transmissão, passado o jogo esqueceu praticamente o espectáculo das bancadas. A grande maioria concentrou-se na polémica dos lances, dando continuidade à sua própria "orgia" de parcialidade e agressividade emitida durante a semana que precedeu o jogo. Em vez de desforra preferiram "vingança", no lugar de tranquilidade optaram pela "pressão"! Apregoam a necessidade de transparência mas, depois, misturam intencionalmente os apitos dourado e encarnado. É a lógica da "guerra" para vender ! Os media e os jornalistas são, assim, outro dos pilares do fenómeno. Infelizmente, nem sempre pelos bons motivos ou, como agora é moda, pelas "boas práticas"... Há jornalistas/comentadores que pretendem saber mais do que os treinadores; há outros que gostariam de ser treinadores ( e alguns até conseguiram); há também uns(poucos) que sabem mais do que os treinadores e outros (muitos) que sabem menos.
Também por isso o FUTEBOL ESTÁ VIVO ! E para lá dos treinadores de bancada, há ainda os dirigentes, uns mais profissionais do que outros, alguns mais ricos do que muitos, também alguns que enriquecem mais do que outros ! Raramente ficam mais pobres, embora também aconteça - particularmente no futebol não profissional. Aos dirigentes dos clubes, é preciso somar os dirigentes associativos e federativos, muitos dos quais incompetentes. E a estes, os titulares dos órgãos disciplinares e jurisdicionais, muitas vezes igualmente incapazes, como se verificou no início desta época. Os agentes/empresários, nomeadamente os que manipulam milhões, têm hoje um papel decisivo nas movimentações dos jogadores, no chamado mercado das transferências. Como em tudo, há uns mais honestos do que outros, alguns mais competentes e outros mais dependentes da sorte. Crendo não me ter esquecido de qualquer actor de relevo neste fenómeno da bola, deixei os árbitros ( e auxiliares ) para o final. Não vou repetir palavras já escritas anteriormente neste mesmo blog, apenas quero realçar a fragilidade da função. Tal como sobre o g.r. de uma equipa recai o "odioso" do golo - é ele o último obstáculo antes da bola entrar na baliza - também sobre o árbitro se abate quase sempre a "montanha" dos problemas e das peripécias de um jogo. Umas vezes justamente, outras nem por isso. O mal é que, frequentemente, não é bem entendida a subjectividade da interpretação dos lances. E se aos jogadores não se critica ou condena o abuso dos atrasos aos g.r., por que razão se há-de transferir para os árbitros o cúmulo da responsabilidade pela falta de clareza das leis ? Tem sido o resultado da análise do lance decisivo no Dragão. Nem os próprios árbitros se entendem sobre o articulado da lei. Apetece dizer... ORGANIZEM-SE !
Apesar de tudo, também por isso o FUTEBOL ESTÁ VIVO !
António Bondoso.
2007-08-23
"SUAVE" PRESSÃO E SERIEDADE !
Cada palavra, o seu significado, a altura em que é proferida - determinam quase sempre o valor das ideias que se pretende transmitir. Por quem diz e por quem veicula !
Não é coincidência - é a lei do mercado! Mal aplicada, naturalmente !
Para "responder" ao "furo" da RTPn ( Trio De Ataque - que, afinal, são quatro como os Mosqueteiros), entrevistando Fernando Santos no dia seguinte ao do seu despedimento da Luz,
a Sport TV teve o "rasgo" de, de um momento para o outro, transmitir uma entrevista com o treinador do Sporting, Paulo Bento. Nada do outro mundo, não se desse o caso de estarmos na semana do Porto-Sporting ! Se, no caso de F.Santos, havia "motivo/notícia" e oportunidade - que justificação, que motivo para a conversa com Paulo Bento ? A propósito de quê, senão do Porto/Sporting ? A intenção da Sport TV vale o que vale, independentemente de ter sido também convidado, ou não, o treinador do Porto. Quem "percebe" o funcionamento da máquina azul e branca, certamente não estranhará que Jesualdo Ferreira tenha recusado um eventual convite daquela estação televisiva, para falar em vésperas de um jogo importante. Não se coloca em causa a LEGITIMIDADE da Sport TV. Mas... a OPORTUNIDADE não foi a melhor.
Não havia "quase nada" de especial para dizer, pois ambas as equipas estavam desfalcadas de um grande número de jogadores, ao serviço das suas selecções. Tudo se foi repetindo desde o fim de semana. Poderia aplicar aqui a célebre frase "na frente nada de novo" ! Pode perguntar-se, então ( reconhecendo, embora, a subjectividade da questão) - sem OPORTUNIDADE e sem ASSUNTO, por que razão a entrevista ?
OBJECTIVAMENTE, ela serviu - pelo menos - para proporcionar a Paulo Bento umas "alfinetadas" ao clube rival e próximo adversário. Falou-se, por ex, da "suave" pressão portista sobre o árbitro, a propósito dos "protestos" sobre o lance da mão na bola ,de Tonel, no jogo da Supertaça. De facto, a (ex)pressão "suave" de P.B. é correcta. Sobretudo tendo em conta a longa e contínua pressão do Sporting, a época passada, a propósito do lance de um golo, com a mão, de um jogador do Paços de Ferreira em Alvalade. A pressão durou até ao fim da época ! E não apenas com recurso à Comunicação Social. A pressão exerceu-se, também, nos órgãos disciplinares desportivos.
P.B. pode argumentar que não existiu grande penalidade no lance de Tonel, mas não é uma atitude séria. Tal como não é séria a postura dos jornalistas que continuam a falar de "pretensa"
grande penalidade, mesmo depois de analisados todos os "ângulos de visão" a que foi sujeito o lance. A seriedade pode não ser uma característica inata das pessoas, mas pode ser adquirida ao longo da vida. O carácter pode ser moldado, apreendendo determinado conjunto de valores.
A propósito destas situações de OPORTUNIDADE, SERIEDADE, PRESSÃO e MOTIVO, vem à memória uma "espécie" de grande reportagem transmitida recentemente pela RTP, sobre a figura de Pinto da Costa. Os fins justificam os meios ?
A "guerra" de audiências será a melhor baliza para o comportamento dos Media ? Pondo de parte o "clubismo" - espero um grande espectáculo no estádio do Dragão. Pelo menos nas bancadas (ou em parte delas), com a animação e coreografias que se anunciam. Estejam atentos à minha "claque" - o Colectivo Ultras 95 !
No estádio ou pela televisão, divirtam-se com o FUTEBOL !
António Bondoso
Não é coincidência - é a lei do mercado! Mal aplicada, naturalmente !
Para "responder" ao "furo" da RTPn ( Trio De Ataque - que, afinal, são quatro como os Mosqueteiros), entrevistando Fernando Santos no dia seguinte ao do seu despedimento da Luz,
a Sport TV teve o "rasgo" de, de um momento para o outro, transmitir uma entrevista com o treinador do Sporting, Paulo Bento. Nada do outro mundo, não se desse o caso de estarmos na semana do Porto-Sporting ! Se, no caso de F.Santos, havia "motivo/notícia" e oportunidade - que justificação, que motivo para a conversa com Paulo Bento ? A propósito de quê, senão do Porto/Sporting ? A intenção da Sport TV vale o que vale, independentemente de ter sido também convidado, ou não, o treinador do Porto. Quem "percebe" o funcionamento da máquina azul e branca, certamente não estranhará que Jesualdo Ferreira tenha recusado um eventual convite daquela estação televisiva, para falar em vésperas de um jogo importante. Não se coloca em causa a LEGITIMIDADE da Sport TV. Mas... a OPORTUNIDADE não foi a melhor.
Não havia "quase nada" de especial para dizer, pois ambas as equipas estavam desfalcadas de um grande número de jogadores, ao serviço das suas selecções. Tudo se foi repetindo desde o fim de semana. Poderia aplicar aqui a célebre frase "na frente nada de novo" ! Pode perguntar-se, então ( reconhecendo, embora, a subjectividade da questão) - sem OPORTUNIDADE e sem ASSUNTO, por que razão a entrevista ?
OBJECTIVAMENTE, ela serviu - pelo menos - para proporcionar a Paulo Bento umas "alfinetadas" ao clube rival e próximo adversário. Falou-se, por ex, da "suave" pressão portista sobre o árbitro, a propósito dos "protestos" sobre o lance da mão na bola ,de Tonel, no jogo da Supertaça. De facto, a (ex)pressão "suave" de P.B. é correcta. Sobretudo tendo em conta a longa e contínua pressão do Sporting, a época passada, a propósito do lance de um golo, com a mão, de um jogador do Paços de Ferreira em Alvalade. A pressão durou até ao fim da época ! E não apenas com recurso à Comunicação Social. A pressão exerceu-se, também, nos órgãos disciplinares desportivos.
P.B. pode argumentar que não existiu grande penalidade no lance de Tonel, mas não é uma atitude séria. Tal como não é séria a postura dos jornalistas que continuam a falar de "pretensa"
grande penalidade, mesmo depois de analisados todos os "ângulos de visão" a que foi sujeito o lance. A seriedade pode não ser uma característica inata das pessoas, mas pode ser adquirida ao longo da vida. O carácter pode ser moldado, apreendendo determinado conjunto de valores.
A propósito destas situações de OPORTUNIDADE, SERIEDADE, PRESSÃO e MOTIVO, vem à memória uma "espécie" de grande reportagem transmitida recentemente pela RTP, sobre a figura de Pinto da Costa. Os fins justificam os meios ?
A "guerra" de audiências será a melhor baliza para o comportamento dos Media ? Pondo de parte o "clubismo" - espero um grande espectáculo no estádio do Dragão. Pelo menos nas bancadas (ou em parte delas), com a animação e coreografias que se anunciam. Estejam atentos à minha "claque" - o Colectivo Ultras 95 !
No estádio ou pela televisão, divirtam-se com o FUTEBOL !
António Bondoso
IDEIAS E FRASES - 2
O "PESADELO" E "UMA NOTÍCIA AO CONTRÁRIO" .
Acordei sobressaltado, suores frios, muita e aflitiva angústia, ecos de gritos que nunca cheguei a dar.
O pesadelo, tratava-se de um pesadelo, mostrava-me a figura de Joe Berardo ( o homem tem sido como que uma obsessão para os media), frente a uma "bateria" de microfones de Agências, Rádios e TVs, a explicar aos "jornalistas" (virtuais) como deveria ter sido conduzida a investigação do "Caso Madie".
O "massacre" já durava há uns dias e tudo parecia indicar que eu seria mais uma das milhares de vítimas do "despejo" contínuo ( e continuado!) da especulação dos MEDIA sobre o "crime" de Albufeira. Hediondo, sem dúvida, mas - curiosamente - com uma mediatização fora do comum, tendo em conta as centenas e centenas de casos idênticos por esse mundo fora e que não mereceram mais do que breves instantes de "antena".
No meio de tantos atropelos... à ética, à privacidade, às regras básicas do jornalismo e, até, à própria investigação policial ( Tem-se acentuado a tendência de muitos O.C.S. e de muitos jornalistas para se substituirem, ora aos políticos, ora às polícias )... de repente alguém descobre a pólvora : - "fazer jornalismo com base em tão pouca informação, conduz à especulação" !
Não me chocou tanto a "descoberta da pólvora" (provavelmente esse pormenor não foi tratado no curso universitário...) mas, sem dúvida mais, o facto de ser necessário transmitir a ideia através de um jornalista "de fora", por acaso da BBC. Estranha e subserviente parolice !
Talvez pensando que, por essa estratégia saloia, pudesse "esconder" o triste espectáculo que se
Acordei sobressaltado, suores frios, muita e aflitiva angústia, ecos de gritos que nunca cheguei a dar.
O pesadelo, tratava-se de um pesadelo, mostrava-me a figura de Joe Berardo ( o homem tem sido como que uma obsessão para os media), frente a uma "bateria" de microfones de Agências, Rádios e TVs, a explicar aos "jornalistas" (virtuais) como deveria ter sido conduzida a investigação do "Caso Madie".
O "massacre" já durava há uns dias e tudo parecia indicar que eu seria mais uma das milhares de vítimas do "despejo" contínuo ( e continuado!) da especulação dos MEDIA sobre o "crime" de Albufeira. Hediondo, sem dúvida, mas - curiosamente - com uma mediatização fora do comum, tendo em conta as centenas e centenas de casos idênticos por esse mundo fora e que não mereceram mais do que breves instantes de "antena".
No meio de tantos atropelos... à ética, à privacidade, às regras básicas do jornalismo e, até, à própria investigação policial ( Tem-se acentuado a tendência de muitos O.C.S. e de muitos jornalistas para se substituirem, ora aos políticos, ora às polícias )... de repente alguém descobre a pólvora : - "fazer jornalismo com base em tão pouca informação, conduz à especulação" !
Não me chocou tanto a "descoberta da pólvora" (provavelmente esse pormenor não foi tratado no curso universitário...) mas, sem dúvida mais, o facto de ser necessário transmitir a ideia através de um jornalista "de fora", por acaso da BBC. Estranha e subserviente parolice !
Talvez pensando que, por essa estratégia saloia, pudesse "esconder" o triste espectáculo que se
vinha oferecendo à Opinião Pública.
E como se não bastasse ter ido atrás da "onda" de atropelos dos camaradas britânicos, eis que uma jornalista portuguesa, bem informada e com oportunidade, acrescenta à reportagem mais uma pérola!
Ao fim de três meses de investigação ( contados e assinalados quase ao segundo...) sai a pergunta mais acertada a um porta-voz da PJ : --- " QUAL O PRÓXIMO PASSO DESTA INVESTIGAÇÃO" ? Se a Universidade não chega e se as Empresas não investem na FORMAÇÃO - há pelo menos a possibilidade de recorrer a alguns cursos do Cenjor ( é pena que já não funcione o CFJ, no Porto) !
Seria, sem dúvida, de muita utilidade para um camarada de uma rádio nacional que, há dias, me feriu com esta tirada : - "E AGORA, UMA NOTÍCIA AO CONTRÁRIO" !
Queria ele realçar a circunstância de, a determinada hora de um pacato dia, não haver notícia de acidentes rodoviários no país. Sempre me recordo de ouvir dizer "não há notícias - boas notícias". Mas nunca me passou pela cabeça esta "figura" da notícia ao contrário !
Ao básico dos manuais "pirâmide invertida", "sequência cronológica" ou "construção por blocos",
pode agora acrescentar-se esta ideia inovadora.
E já que falo em pérolas ( sem contar com as centenas de "então" que ouço pronunciar diariamente), recordo-me de mais uma produzida há dias numa outra rádio, a propósito da catástrofe no Perú : "...para levar mais rapidamente as necessidades às áreas rurais" !
Pobres daqueles a quem as necessidades são levadas...
De catástrofe em tragédia, vai sendo tempo de, "quem elabora notícias", estar minimamente informado sobre os temas que aborda. Saber, por exemplo, que a República Popular da China é uma coisa e Taiwan outra. E, por essa ordem, saber que a Air China é uma coisa e a China Airlines outra ! Vem a propósito do acidente com um avião de Taiwan num aeroporto japonês de Okinawa. O texto da notícia, numa TV portuguesa, não sabia distinguir a origem do avião e fez confusão com as estatísticas da "China", sabendo-se que a RPC é um Continente e Taiwan uma ilha. Apesar das tentativas de Pequim, ainda não foi possível unificar a China. Há um longo caminho a percorrer pela política de "um país - dois sistemas", nomeadamente nos direitos humanos. Não é que Taiwan seja um exemplo "puro", mas a ilha ( Formosa para os portugueses)
tem uma fortuna colossal e será o último passo para a unificação, depois de Hong Kong e de Macau.
A.B.
Ao fim de três meses de investigação ( contados e assinalados quase ao segundo...) sai a pergunta mais acertada a um porta-voz da PJ : --- " QUAL O PRÓXIMO PASSO DESTA INVESTIGAÇÃO" ? Se a Universidade não chega e se as Empresas não investem na FORMAÇÃO - há pelo menos a possibilidade de recorrer a alguns cursos do Cenjor ( é pena que já não funcione o CFJ, no Porto) !
Seria, sem dúvida, de muita utilidade para um camarada de uma rádio nacional que, há dias, me feriu com esta tirada : - "E AGORA, UMA NOTÍCIA AO CONTRÁRIO" !
Queria ele realçar a circunstância de, a determinada hora de um pacato dia, não haver notícia de acidentes rodoviários no país. Sempre me recordo de ouvir dizer "não há notícias - boas notícias". Mas nunca me passou pela cabeça esta "figura" da notícia ao contrário !
Ao básico dos manuais "pirâmide invertida", "sequência cronológica" ou "construção por blocos",
pode agora acrescentar-se esta ideia inovadora.
E já que falo em pérolas ( sem contar com as centenas de "então" que ouço pronunciar diariamente), recordo-me de mais uma produzida há dias numa outra rádio, a propósito da catástrofe no Perú : "...para levar mais rapidamente as necessidades às áreas rurais" !
Pobres daqueles a quem as necessidades são levadas...
De catástrofe em tragédia, vai sendo tempo de, "quem elabora notícias", estar minimamente informado sobre os temas que aborda. Saber, por exemplo, que a República Popular da China é uma coisa e Taiwan outra. E, por essa ordem, saber que a Air China é uma coisa e a China Airlines outra ! Vem a propósito do acidente com um avião de Taiwan num aeroporto japonês de Okinawa. O texto da notícia, numa TV portuguesa, não sabia distinguir a origem do avião e fez confusão com as estatísticas da "China", sabendo-se que a RPC é um Continente e Taiwan uma ilha. Apesar das tentativas de Pequim, ainda não foi possível unificar a China. Há um longo caminho a percorrer pela política de "um país - dois sistemas", nomeadamente nos direitos humanos. Não é que Taiwan seja um exemplo "puro", mas a ilha ( Formosa para os portugueses)
tem uma fortuna colossal e será o último passo para a unificação, depois de Hong Kong e de Macau.
A.B.
2007-08-08
Duas notas sobre "futebol".
Relativamente ao meu apontamento sobre o "futebol", devo agora acrescentar duas simples notas:- 1) - Louvar a atitude corajosa, responsável, competente do Presidente da Direcção do Leixões Sport Club, ao condenar vigorosamente o comportamento inqualificável de alguns adeptos
do Clube de Matosinhos, por ocasião de um jogo "amigável" com o Vitória de Guimarães.
O presidente Leixonense herdou "picardias" da época passada, mas soube enfrentar a meia dúzia de desordeiros que provocaram os incidentes no Estádio do Mar, neste início de temporada.
2) - Não é certamente com afirmações como as que proferiu Humberto Coelho que o futebol ganha tranquilidade :- "David Luiz parece um assassino" ! O experiente Humberto Coelho devia saber que , estes, são títulos que "vendem" a (e na) Comunicação Social.
do Clube de Matosinhos, por ocasião de um jogo "amigável" com o Vitória de Guimarães.
O presidente Leixonense herdou "picardias" da época passada, mas soube enfrentar a meia dúzia de desordeiros que provocaram os incidentes no Estádio do Mar, neste início de temporada.
2) - Não é certamente com afirmações como as que proferiu Humberto Coelho que o futebol ganha tranquilidade :- "David Luiz parece um assassino" ! O experiente Humberto Coelho devia saber que , estes, são títulos que "vendem" a (e na) Comunicação Social.
2007-08-07
Poesia - Um sopro do Alentejo
Não nos conhecemos pessoalmente, mas já trocámos "palavras" num grupo que se dedica à informação, ao debate, à promoção de S.Tomé e Príncipe. É só utilizar a ligação disponível neste espaço.
De quem falo é de José Augusto de Carvalho, de Viana do Alentejo - Évora.
Alentejo de "Searas ao Vento", o calor, os montes, a simplicidade e a riqueza interior do povo. É fácil amar o Alentejo, sofrido e generoso - a terra do "cante", onde os passarinhos fazem desgarradas às quatro da madrugada.
Do seu livro "em construção" O MEU CANCIONEIRO (II parte, Cantigas de amigo), partilhou
J.A. Carvalho há dias, com o grupo, estes versos que vos deixo :
O meu amigo levou
consigo o meu coração.
No vazio que ficou,
abrigo angústia e aflição...
Levou-mo como refém
da promessa recebida
de eu não ser de mais ninguém,
enquanto a vida for vida...
Amigo que não sabeis
que o coração duma dama
se rege por outras leis
quando por amor se inflama!...
Uma paixão transitória
que um cavaleiro tiver
será sempre a triste história
da vida de uma mulher.
-----------------------------------------
A.B.
De quem falo é de José Augusto de Carvalho, de Viana do Alentejo - Évora.
Alentejo de "Searas ao Vento", o calor, os montes, a simplicidade e a riqueza interior do povo. É fácil amar o Alentejo, sofrido e generoso - a terra do "cante", onde os passarinhos fazem desgarradas às quatro da madrugada.
Do seu livro "em construção" O MEU CANCIONEIRO (II parte, Cantigas de amigo), partilhou
J.A. Carvalho há dias, com o grupo, estes versos que vos deixo :
O meu amigo levou
consigo o meu coração.
No vazio que ficou,
abrigo angústia e aflição...
Levou-mo como refém
da promessa recebida
de eu não ser de mais ninguém,
enquanto a vida for vida...
Amigo que não sabeis
que o coração duma dama
se rege por outras leis
quando por amor se inflama!...
Uma paixão transitória
que um cavaleiro tiver
será sempre a triste história
da vida de uma mulher.
-----------------------------------------
A.B.
2007-08-06
A "falha" no Currículo
Todos temos uma "falha" no currículo!
Independentemente do "ângulo" em que se queira analisar a questão. E no meu caso, as falhas são muitas, como por exemplo não ter ainda visitado o Vietnam e a Austrália ( isto dos antípodas tem imensa graça!) e não ter sido um grande jogador de futebol. A Política é um assunto muito mais complexo e eu nunca me dei bem com a "politiquice". Talvez por isso tenha sido penalizado algumas vezes. Posso mesmo dizer que, uma das grandes falhas no meu currículo, foi ter acreditado e ajudado algumas pessoas sem carácter e sem "coluna vertebral" a sobreviver e a singrar na "selva" em que se foi tornando o mundo da Comunicação Social (empresas e jornalistas)!
Mas é precisamente no campo da "política" que as falhas são mais notadas ultimamente. O País é pequeno, a concorrência é grande e, por isso, os agentes e actores políticos correm constantemente atrás das "falhas" para tapar os buracos no currículo. O cidadão comum não tem, seguramente, essa preocupação. Mesmo assim, há alguns que não resistem à tentação dos títulos académicos. Dr para aqui, Eng para ali, - as siglas vão ficando cada vez mais banais. Volto a socorrer-me das palavras de António Arnaut, numa recente entrevista à Visão, para corroborar a ideia.
A "última falha" que deu enorme brado, foi a do Dr. Marques Mendes, líder do PSD, agora de novo candidato a líder nas "directas", também - naturalmente - candidato ao cargo e à função de Primeiro Ministro. É a lógica normal e natural da política !
Quando o país esperava uma falha de vulto, digna da tal lógica, eis que, afinal, a falha de Marques Mendes é muito simples : - nunca ter ido à festa do PSD/Madeira no Chão da Lagoa !
Não seria nada por aí além, se ela não tem sido anunciada num contexto político muito particular e delicado, que o líder do PSD/Madeira e Presidente do Governo Regional tem vindo a aproveitar para a sua habitual demagogia. Mas quando essa demagogia resvala para "desafios à autoridade do Estado", o assunto torna-se inquietante. Pelo meio, o líder do PSD/Madeira levantou de novo "o fantasma do saparatismo", utilizando-o quase como "chantagem" perante o Governo da República.
Como disse, a falha de Marques Mendes teria pouco de especial ( outras bem mais graves de outros líderes e actores políticos têm marcado a nossa actualidade!) - não se desse o caso de, "tapando a falha", a atitude do líder do PSD ter avalizado a "demagogia" do líder local. Avalizou os desafios à autoridade do Estado, avalizou as expressões "habitualmente ofensivas" de JJ (agora queixa-se das ofensas de L.F.Menezes) e não teve um simples gesto, uma simples palavra para se demarcar. À pequena falha, MM acrescentou uma grande falha. Veremos a sua importância no futuro.
Independentemente do "ângulo" em que se queira analisar a questão. E no meu caso, as falhas são muitas, como por exemplo não ter ainda visitado o Vietnam e a Austrália ( isto dos antípodas tem imensa graça!) e não ter sido um grande jogador de futebol. A Política é um assunto muito mais complexo e eu nunca me dei bem com a "politiquice". Talvez por isso tenha sido penalizado algumas vezes. Posso mesmo dizer que, uma das grandes falhas no meu currículo, foi ter acreditado e ajudado algumas pessoas sem carácter e sem "coluna vertebral" a sobreviver e a singrar na "selva" em que se foi tornando o mundo da Comunicação Social (empresas e jornalistas)!
Mas é precisamente no campo da "política" que as falhas são mais notadas ultimamente. O País é pequeno, a concorrência é grande e, por isso, os agentes e actores políticos correm constantemente atrás das "falhas" para tapar os buracos no currículo. O cidadão comum não tem, seguramente, essa preocupação. Mesmo assim, há alguns que não resistem à tentação dos títulos académicos. Dr para aqui, Eng para ali, - as siglas vão ficando cada vez mais banais. Volto a socorrer-me das palavras de António Arnaut, numa recente entrevista à Visão, para corroborar a ideia.
A "última falha" que deu enorme brado, foi a do Dr. Marques Mendes, líder do PSD, agora de novo candidato a líder nas "directas", também - naturalmente - candidato ao cargo e à função de Primeiro Ministro. É a lógica normal e natural da política !
Quando o país esperava uma falha de vulto, digna da tal lógica, eis que, afinal, a falha de Marques Mendes é muito simples : - nunca ter ido à festa do PSD/Madeira no Chão da Lagoa !
Não seria nada por aí além, se ela não tem sido anunciada num contexto político muito particular e delicado, que o líder do PSD/Madeira e Presidente do Governo Regional tem vindo a aproveitar para a sua habitual demagogia. Mas quando essa demagogia resvala para "desafios à autoridade do Estado", o assunto torna-se inquietante. Pelo meio, o líder do PSD/Madeira levantou de novo "o fantasma do saparatismo", utilizando-o quase como "chantagem" perante o Governo da República.
Como disse, a falha de Marques Mendes teria pouco de especial ( outras bem mais graves de outros líderes e actores políticos têm marcado a nossa actualidade!) - não se desse o caso de, "tapando a falha", a atitude do líder do PSD ter avalizado a "demagogia" do líder local. Avalizou os desafios à autoridade do Estado, avalizou as expressões "habitualmente ofensivas" de JJ (agora queixa-se das ofensas de L.F.Menezes) e não teve um simples gesto, uma simples palavra para se demarcar. À pequena falha, MM acrescentou uma grande falha. Veremos a sua importância no futuro.
2007-08-02
Voltou a "redondinha"
Costuma lembrar o meu camarada e poeta Manuel António Pina que a poesia é um "ofício difícil". Mas, para além disso, a poesia é também um JOGO. Um jogo de palavras, de sentimentos, de emoções, de protesto perante a injustiça, de louvor diante do que deve ser exaltado. Um jogo de amor, também de mentira - um jogo de verdade e de (in)felicidade. UM JOGO DE VIDA !
Mas é de novo o tempo de outro jogo, aquele a que costumam chamar de "desporto rei". E qual a relação do futebol com a poesia ? É que esta é também um "jogo" em que o árbitro ( o poeta ) é que decide marcar os golos nesta ou naquela baliza, quando e como quiser, desde que seja com as palavras certas - directas, de encantamento, ou mordazes como farpas ! Um desafio de futebol, quando bem jogado, é um hino à Poesia.
Mas a figura do árbitro não aparece nas minhas palavras com o significado de "Satanás". Longe disso e até pelo contrário. O árbitro é uma "peça central" do jogo, com tanta importância (sendo certo que às vezes com "idêntica influência") como a dos agentes directos - jogadores e treinadores. E como o futebol não é uma ciência exacta, por muito que tentem, acontece que "todos" acabam por falhar em algum momento. E não será a "profissionalização" a mezinha para todos os "males" do nosso futebol, se a essa opção não for adicionada uma dose de maior rigor , de mais treino e de penalizações mais adequadas. Os árbitros vão continuar a errar(basta recordar o que se passou por ex nos recentes torneios do Guadiana e de Roterdão e no 1º clássico Chelsea-M.United) ! Mesmo que treinem com os fuzileiros na Base do Alfeite! O que se lhes pede ( e não é de agora - é desde sempre! ), tal como aos juízes, é que tenham as leis numa mão e o bom senso na outra ! O tempo de decisão, infelizmente para os árbitros, é que é mais curto. Imediato ! Competência, Classe, Atitude - Saber estar! E tendo em conta a grande dose de subjectividade da função, também os observadores vão continuar a cometer "erros" nas classificações que vão atribuir aos árbitros. Por muito que os critérios de avaliação evoluam positivamente, como se espera. E também não será a introdução de tecnologias ( como no ténis) que vai resolver tudo. Aliás, como se tem visto nos grandes torneios de ténis por esse mundo fora. A bola "queimou" a linha ou não( atenção aos Fiscais/Auxiliares) ? E a repetição dos lances, em digitalização, deverá ser feita nos écrans dos estádios ?
Um passo importante para a "credibilização" do futebol será ao nível dos dirigentes. Alterações profundas na sua mentalidade mesquinha, na ganância ou, até, na "esperteza saloia" ! A competência e a honestidade deverão estar para além de tudo isso . E os adeptos ?
É um componente essencial do fenómeno ! Como na Ópera, no Teatro, no Cinema, os adeptos (espectadores) são a razão do espectáculo. São eles que arriscam, são eles que "mexem" e fazem "mexer" o fenómeno. Independentemente de haver associações ou grupos organizados - as claques ! É certo que os "grupos" ( mesmo tendo em conta as excepções) têm constituído a origem de alguma violência nos estádios ou nas imediações. Mas não se pode generalizar e devem até salientar-se os exemplos positivos.E quem estuda a psicologia das multidões, não pode esquecer outros elementos associados, como as raízes culturais e as condições sócio-económicas. E o próprio fenómeno futebolístico, em si, que deixou de ser apenas desportivo para se tornar numa indústria - cada vez mais potenciadora de outras indústrias! E o "dinheiro" - já dizia Thomas More na sua "Utopia" - é um dos grandes males das sociedades.
Por muito que se tente "diabolizar" as claques, não se pode esquecer o que as rodeia, os interesses envolvidos e as manipulações a que são sujeitas. Como a "provocação esclarecida" na Luz, a época passada. Não foi imprudência nem ingenuidade. Basta ler o relatório da Inspecção do MAI. E depois de publicado, qual foi o destaque que mereceu dos media ? Praticamente nenhum. Mas, no imediato, as claques ( no caso, as "azuis e brancas") foram julgadas e condenadas. Por isso, também não se pode deixar de fora o comportamento dos media- jornalistas e proprietários! Também neles se manifesta a subjectividade, o erro de julgamento apressado e definitivo. É bom que se reconheça. E que se aceite ! "Ninguém" é detentor da verdade. E são também muitos jornalistas/comentadores a colocar pressão sobre os árbitros. Quer pelo que dizem antes dos jogos, quer pelos comentários durante, ou ainda pelo julgamento final. Sobretudo quem utiliza a Televisão ! Mesmo dispondo de toda e idêntica tecnologia, os comentários e as análises dos chamados lances polémicos não "coincidem". Por outro lado, há até lances que "passam em claro" ! E a subjectividade, meu Deus ! Não é fácil esquecer ditos deste tipo : - "não foi o avançado que falhou, foi antes o guarda-redes que efectuou uma grande defesa". Normalmente é nas grandes penalidades, mas acontece também nos lances de "bola corrida" - de acordo com a "clubite" dos comentadores.
Partindo dos pressupostos desta análise/comentário, deixo à vossa consideração este meu poema, que já data de 2004.
Ainda uma nota : --- como devem ter "reparado", ao texto original foram hoje ( dia 6 Agosto)
acrescentados breves e simples pormenores.
NÃO MATEM O FUTEBOL...
SOMOS A RAZÃO DA PAIXÃO!
Universo de carácter encantado
Rompe o futebol com a razão.
Noventa momentos de magia
labirinto rendilhado de emoção
não existe um limite de sentidos
cultiva-se a grandeza da peleja.
Ritual de força e de paixão
intensa imagem de calor
mal desponta o início da função
cresce tudo em movimento e muita cor.
Universo de carácter encantado
Somos nós a razão dessa paixão.
Plateia de vulcões adormecidos
com vultos exaltados e aguerridos,
o futebol é emoção e é paixão
uma bola colorida em rotação
gritando que o consenso é um empate
sem lugar elevado no combate !
Universo de carácter encantado
é brilho que alimenta o coração.
Identidade vestida p'ra ganhar
um jogo permanente de poder,
agitada e complexa incerteza
de uma bola repetida p'ra marcar,
quase nada sobra a quem perder...
talvez suaves toques de beleza
e um golo já feito p'ra não ser.
Universo de carácter encantado
nem tudo se move por paixão.
O esforço e o suor na camisola
nem sempre determinam a vitória
ou obrigam a perder quem não transpira.
Ciência quanto baste e show de bola
não esgotam emoção aleatória
ou perturbam corações que os inspira.
Não matem o futebol assim jogado
humano e vivido em todo o lado
eterno universo encantado
e renascido a cada golo anulado.
Somos nós a razão dessa paixão
cantemos futebol no coração !
----------------------------------------------------------------
António Bondoso
V.N. de Gaia
Mas é de novo o tempo de outro jogo, aquele a que costumam chamar de "desporto rei". E qual a relação do futebol com a poesia ? É que esta é também um "jogo" em que o árbitro ( o poeta ) é que decide marcar os golos nesta ou naquela baliza, quando e como quiser, desde que seja com as palavras certas - directas, de encantamento, ou mordazes como farpas ! Um desafio de futebol, quando bem jogado, é um hino à Poesia.
Mas a figura do árbitro não aparece nas minhas palavras com o significado de "Satanás". Longe disso e até pelo contrário. O árbitro é uma "peça central" do jogo, com tanta importância (sendo certo que às vezes com "idêntica influência") como a dos agentes directos - jogadores e treinadores. E como o futebol não é uma ciência exacta, por muito que tentem, acontece que "todos" acabam por falhar em algum momento. E não será a "profissionalização" a mezinha para todos os "males" do nosso futebol, se a essa opção não for adicionada uma dose de maior rigor , de mais treino e de penalizações mais adequadas. Os árbitros vão continuar a errar(basta recordar o que se passou por ex nos recentes torneios do Guadiana e de Roterdão e no 1º clássico Chelsea-M.United) ! Mesmo que treinem com os fuzileiros na Base do Alfeite! O que se lhes pede ( e não é de agora - é desde sempre! ), tal como aos juízes, é que tenham as leis numa mão e o bom senso na outra ! O tempo de decisão, infelizmente para os árbitros, é que é mais curto. Imediato ! Competência, Classe, Atitude - Saber estar! E tendo em conta a grande dose de subjectividade da função, também os observadores vão continuar a cometer "erros" nas classificações que vão atribuir aos árbitros. Por muito que os critérios de avaliação evoluam positivamente, como se espera. E também não será a introdução de tecnologias ( como no ténis) que vai resolver tudo. Aliás, como se tem visto nos grandes torneios de ténis por esse mundo fora. A bola "queimou" a linha ou não( atenção aos Fiscais/Auxiliares) ? E a repetição dos lances, em digitalização, deverá ser feita nos écrans dos estádios ?
Um passo importante para a "credibilização" do futebol será ao nível dos dirigentes. Alterações profundas na sua mentalidade mesquinha, na ganância ou, até, na "esperteza saloia" ! A competência e a honestidade deverão estar para além de tudo isso . E os adeptos ?
É um componente essencial do fenómeno ! Como na Ópera, no Teatro, no Cinema, os adeptos (espectadores) são a razão do espectáculo. São eles que arriscam, são eles que "mexem" e fazem "mexer" o fenómeno. Independentemente de haver associações ou grupos organizados - as claques ! É certo que os "grupos" ( mesmo tendo em conta as excepções) têm constituído a origem de alguma violência nos estádios ou nas imediações. Mas não se pode generalizar e devem até salientar-se os exemplos positivos.E quem estuda a psicologia das multidões, não pode esquecer outros elementos associados, como as raízes culturais e as condições sócio-económicas. E o próprio fenómeno futebolístico, em si, que deixou de ser apenas desportivo para se tornar numa indústria - cada vez mais potenciadora de outras indústrias! E o "dinheiro" - já dizia Thomas More na sua "Utopia" - é um dos grandes males das sociedades.
Por muito que se tente "diabolizar" as claques, não se pode esquecer o que as rodeia, os interesses envolvidos e as manipulações a que são sujeitas. Como a "provocação esclarecida" na Luz, a época passada. Não foi imprudência nem ingenuidade. Basta ler o relatório da Inspecção do MAI. E depois de publicado, qual foi o destaque que mereceu dos media ? Praticamente nenhum. Mas, no imediato, as claques ( no caso, as "azuis e brancas") foram julgadas e condenadas. Por isso, também não se pode deixar de fora o comportamento dos media- jornalistas e proprietários! Também neles se manifesta a subjectividade, o erro de julgamento apressado e definitivo. É bom que se reconheça. E que se aceite ! "Ninguém" é detentor da verdade. E são também muitos jornalistas/comentadores a colocar pressão sobre os árbitros. Quer pelo que dizem antes dos jogos, quer pelos comentários durante, ou ainda pelo julgamento final. Sobretudo quem utiliza a Televisão ! Mesmo dispondo de toda e idêntica tecnologia, os comentários e as análises dos chamados lances polémicos não "coincidem". Por outro lado, há até lances que "passam em claro" ! E a subjectividade, meu Deus ! Não é fácil esquecer ditos deste tipo : - "não foi o avançado que falhou, foi antes o guarda-redes que efectuou uma grande defesa". Normalmente é nas grandes penalidades, mas acontece também nos lances de "bola corrida" - de acordo com a "clubite" dos comentadores.
Partindo dos pressupostos desta análise/comentário, deixo à vossa consideração este meu poema, que já data de 2004.
Ainda uma nota : --- como devem ter "reparado", ao texto original foram hoje ( dia 6 Agosto)
acrescentados breves e simples pormenores.
NÃO MATEM O FUTEBOL...
SOMOS A RAZÃO DA PAIXÃO!
Universo de carácter encantado
Rompe o futebol com a razão.
Noventa momentos de magia
labirinto rendilhado de emoção
não existe um limite de sentidos
cultiva-se a grandeza da peleja.
Ritual de força e de paixão
intensa imagem de calor
mal desponta o início da função
cresce tudo em movimento e muita cor.
Universo de carácter encantado
Somos nós a razão dessa paixão.
Plateia de vulcões adormecidos
com vultos exaltados e aguerridos,
o futebol é emoção e é paixão
uma bola colorida em rotação
gritando que o consenso é um empate
sem lugar elevado no combate !
Universo de carácter encantado
é brilho que alimenta o coração.
Identidade vestida p'ra ganhar
um jogo permanente de poder,
agitada e complexa incerteza
de uma bola repetida p'ra marcar,
quase nada sobra a quem perder...
talvez suaves toques de beleza
e um golo já feito p'ra não ser.
Universo de carácter encantado
nem tudo se move por paixão.
O esforço e o suor na camisola
nem sempre determinam a vitória
ou obrigam a perder quem não transpira.
Ciência quanto baste e show de bola
não esgotam emoção aleatória
ou perturbam corações que os inspira.
Não matem o futebol assim jogado
humano e vivido em todo o lado
eterno universo encantado
e renascido a cada golo anulado.
Somos nós a razão dessa paixão
cantemos futebol no coração !
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António Bondoso
V.N. de Gaia
2007-07-28
IDEIAS E FRASES
VERÃO REFRESCANTE - VERÃO PREOCUPANTE ...
... uma dupla e estranha sensação que me assaltou esta semana, passado que foi o efeito da "profecia" de Saramago e já distante do "medo" de Manuel Alegre. Para quem tem o bom hábito de ligar palavras e ideias, não sei se, por um qualquer mérito do acaso que me rodeia, terá encontrado uma semelhante pista de raciocínio. Afinal, não terão ambos percebido e reagido aos tristes sinais dos tempos, sérios avisos à navegação política em Portugal ? Mais uma vez, penso, e por palavras diferentes, ambos se terão "manifestado" preocupados com a lógica da inércia que nos conduz ou desencaminha. De provocação ou aviso, as ideias de ambos poderão atingir idênticos objectivos. "Plagiando" o anúncio da SB - portugueses, ponham-se à fresca !
Pedro Norton, na Visão, diz que o momento é cada vez mais perigoso e que os partidos continuam, ufanos, a sua marcha em direcção ao abismo - lógico e natural mas preocupante ; Fernando Madrinha, no Courrier Internacional, parece muito mais trágico e dramático, quando escreve que "é muito triste que o nosso autor mais celebrado (JS) seja tão azedo e displicente para com o país onde nasceu, a ponto de não lhe importar que ele desapareça como Estado independente". Como disse, talvez tenha sido apenas uma "provocação" de Saramago. Contudo, se ele falou "seriamente", então todas as análises estarão inquinadas. Como acontece, amiúde, com as sondagens ! A "ficção" de que Portugal poderá vir a ser uma província de Espanha, talvez esbarre não só na romana ideia de que, para lá daqueles montes, há um povo que não se deixa governar, mas também numa moderna e legítima ideia de que a UE não vai ser capaz de atingir uma verdadeira "fusão" política. E com uma Europa menos unida, teremos sempre um tabuleiro com muitos jogos de interesses e de poder. E mais uma vez o mar estará a nosso favor, tal como evitou há nove séculos que tivéssemos caído na órbita de Castela.
Retomando o fio à meada, e pondo de parte o "triste espectáculo" diário das televisões que nos procuram moldar ( é só recordar os directos a propósito da ida de SS para Madrid, como se tivéssemos espetado uma lança em África!), foi na revista VISÃO que pude refrescar os sentidos, lendo uma oportuna e brilhante entrevista com António Arnaut e "Uma história exemplar" contada por Leonor Beleza.
António Arnaut, que prefere a expressão romântica e fraterna "camarada", em desfavor de doutor ou professor, chama os cidadãos pelo nome : - utentes do SNS e não "clientes". O Serviço Nacional de Saúde é património insubstituível do povo e é dos melhores do mundo. Mas agora (absurdo, escândalo) até a direita critica pela esquerda a política de Saúde do PS.
Arnaut ainda acredita na ideologia e no socialismo mas não percebe as bandeiras brancas e amarelas, em vez das vermelhas. Diz que o PS está a perder a alma e a identidade... "desviou-se tanto para a direita que, porventura, até estarei quase a sair"... ! É o humor de um homem de cultura : - um país sem humor não tem futuro. Basta ter lido o Eça. Como também escreve Vasco Pulido Valente, - a carreira partidária é hoje uma pura carreira profissional, em que a ideologia e as convicções não contam ou quase não contam !
E depois, a cereja no cimo do bolo : - "Esta geração ( que está no poder, - e o poder não é só o governo) vale-se mais da astúcia do que da seriedade.E aprendeu os ensinamentos de Maquiavel". Só que Maquiavel tinha um propósito concreto e definido - a unificação da Itália humilhada e moribunda ! E em Portugal, hoje, qual é o sentido ou o objectivo da geração do poder ? Entregar o país aos capitalistas neoliberais e globalizantes, à Espanha, EUA ou à UE ?
Vivemos num país sem rumo a longo prazo, sem dirigentes capazes e visionários, para quem só tem lugar a política do tostão. Regressamos, assim, ao velho ditado do país de AOS - depois de melão, vinho a tostão !
E o que dizer da "história exemplar" de Leonor Beleza ? Ela própria se encarrega de dizer que é uma história extraordinária, "em que um sistema de cuidados de saúde de visão se sustenta a si próprio há três décadas, gerindo magistralmente os recursos que consegue obter. O ARAVIND EYE CARE SYSTEM nasceu e desenvolveu-se numa zona particularmente carecida da Índia, em Madurai, no Estado de Tamil Nadu. Baseado numa dimensão filosófica extramaterial, o sistema "alia a espiritualidade que ali todos invocam a uma sofisticação na gestão de meios que o tornou um case study em grandes universidades do mundo. É um exemplo, invocado e seguido em muitos outros lugares, dentro e fora da Índia. Sobretudo, centra, na pessoa que serve, tudo o que faz" ! A instituição foi este ano galardoada com o prémio da Fundação Champalimaud.
Vale a pena reflectir e chamar a atenção de Sócrates, Mendes, Correia de Campos, Portas e Cavaco Silva.
António Bondoso.
... uma dupla e estranha sensação que me assaltou esta semana, passado que foi o efeito da "profecia" de Saramago e já distante do "medo" de Manuel Alegre. Para quem tem o bom hábito de ligar palavras e ideias, não sei se, por um qualquer mérito do acaso que me rodeia, terá encontrado uma semelhante pista de raciocínio. Afinal, não terão ambos percebido e reagido aos tristes sinais dos tempos, sérios avisos à navegação política em Portugal ? Mais uma vez, penso, e por palavras diferentes, ambos se terão "manifestado" preocupados com a lógica da inércia que nos conduz ou desencaminha. De provocação ou aviso, as ideias de ambos poderão atingir idênticos objectivos. "Plagiando" o anúncio da SB - portugueses, ponham-se à fresca !
Pedro Norton, na Visão, diz que o momento é cada vez mais perigoso e que os partidos continuam, ufanos, a sua marcha em direcção ao abismo - lógico e natural mas preocupante ; Fernando Madrinha, no Courrier Internacional, parece muito mais trágico e dramático, quando escreve que "é muito triste que o nosso autor mais celebrado (JS) seja tão azedo e displicente para com o país onde nasceu, a ponto de não lhe importar que ele desapareça como Estado independente". Como disse, talvez tenha sido apenas uma "provocação" de Saramago. Contudo, se ele falou "seriamente", então todas as análises estarão inquinadas. Como acontece, amiúde, com as sondagens ! A "ficção" de que Portugal poderá vir a ser uma província de Espanha, talvez esbarre não só na romana ideia de que, para lá daqueles montes, há um povo que não se deixa governar, mas também numa moderna e legítima ideia de que a UE não vai ser capaz de atingir uma verdadeira "fusão" política. E com uma Europa menos unida, teremos sempre um tabuleiro com muitos jogos de interesses e de poder. E mais uma vez o mar estará a nosso favor, tal como evitou há nove séculos que tivéssemos caído na órbita de Castela.
Retomando o fio à meada, e pondo de parte o "triste espectáculo" diário das televisões que nos procuram moldar ( é só recordar os directos a propósito da ida de SS para Madrid, como se tivéssemos espetado uma lança em África!), foi na revista VISÃO que pude refrescar os sentidos, lendo uma oportuna e brilhante entrevista com António Arnaut e "Uma história exemplar" contada por Leonor Beleza.
António Arnaut, que prefere a expressão romântica e fraterna "camarada", em desfavor de doutor ou professor, chama os cidadãos pelo nome : - utentes do SNS e não "clientes". O Serviço Nacional de Saúde é património insubstituível do povo e é dos melhores do mundo. Mas agora (absurdo, escândalo) até a direita critica pela esquerda a política de Saúde do PS.
Arnaut ainda acredita na ideologia e no socialismo mas não percebe as bandeiras brancas e amarelas, em vez das vermelhas. Diz que o PS está a perder a alma e a identidade... "desviou-se tanto para a direita que, porventura, até estarei quase a sair"... ! É o humor de um homem de cultura : - um país sem humor não tem futuro. Basta ter lido o Eça. Como também escreve Vasco Pulido Valente, - a carreira partidária é hoje uma pura carreira profissional, em que a ideologia e as convicções não contam ou quase não contam !
E depois, a cereja no cimo do bolo : - "Esta geração ( que está no poder, - e o poder não é só o governo) vale-se mais da astúcia do que da seriedade.E aprendeu os ensinamentos de Maquiavel". Só que Maquiavel tinha um propósito concreto e definido - a unificação da Itália humilhada e moribunda ! E em Portugal, hoje, qual é o sentido ou o objectivo da geração do poder ? Entregar o país aos capitalistas neoliberais e globalizantes, à Espanha, EUA ou à UE ?
Vivemos num país sem rumo a longo prazo, sem dirigentes capazes e visionários, para quem só tem lugar a política do tostão. Regressamos, assim, ao velho ditado do país de AOS - depois de melão, vinho a tostão !
E o que dizer da "história exemplar" de Leonor Beleza ? Ela própria se encarrega de dizer que é uma história extraordinária, "em que um sistema de cuidados de saúde de visão se sustenta a si próprio há três décadas, gerindo magistralmente os recursos que consegue obter. O ARAVIND EYE CARE SYSTEM nasceu e desenvolveu-se numa zona particularmente carecida da Índia, em Madurai, no Estado de Tamil Nadu. Baseado numa dimensão filosófica extramaterial, o sistema "alia a espiritualidade que ali todos invocam a uma sofisticação na gestão de meios que o tornou um case study em grandes universidades do mundo. É um exemplo, invocado e seguido em muitos outros lugares, dentro e fora da Índia. Sobretudo, centra, na pessoa que serve, tudo o que faz" ! A instituição foi este ano galardoada com o prémio da Fundação Champalimaud.
Vale a pena reflectir e chamar a atenção de Sócrates, Mendes, Correia de Campos, Portas e Cavaco Silva.
António Bondoso.
2007-07-27
Arquipélago
O enigma é outro - aqui não moram deuses
Homens apenas e o mar, inamovível herança.
CONCEIÇÃO LIMA - Jornalista e Poeta Sãotomense
"A Dolorosa Raíz do Micondó". Caminho, 2006
Homens apenas e o mar, inamovível herança.
CONCEIÇÃO LIMA - Jornalista e Poeta Sãotomense
"A Dolorosa Raíz do Micondó". Caminho, 2006
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