2008-05-03

VIVA O TRI !!!

TRI NACIONAL - TRI CAMPEÃO - TRI VERGONHA !


Resumindo e concluíndo : - não há duas sem três ; o que é nacional é bom; vergonha uma é !

Exactamente assim - de pernas para o ar ou da direita para a esquerda, tal como se comportou o "grupelho" de "jogadeiros", trabalhadores do meu clube e pagos a peso de ouro !

Há noites assim - dirão os mais crédulos - ou há dias menos bons e nem sempre poderemos ter direito a ópera, como dizia o mestre Zé do Boné !

O que me espanta é que - até ao primeiro golo do Nacional, aos 21 minutos da primeira parte - já se tinha visto ( qualquer leigo ) que a equipa da casa não estava bem. Estava péssima ! E depois do golo nada se fez para alterar o rumo das asneiras. Toda a gente bem instalada ( porventura a descansar do esforço de grandes entrevistas ou de acaloradas intervenções públicas ) - por que razão haveriam os jogadores de pagar a factura ?

Por outro lado, o técnico é pago para treinar - não é obrigado a pensar, a ver ou a corrigir os erros. Após o golo, havia ainda muito tempo para o desfile das estrelas e, depois, o discurso ou a prelecção ao intervalo. Tudo podia ser diferente ! Só que não foi. CULPADOS ? - os jogadores ! Assim, não vamos ganhar mais seja o que for ! Tem razão o Sr. Ferreira. Mas não lhe fica nada bem sacudir a água do capote. Tudo tem que ser alterado na altura própria. Não é preciso esperar pelo intervalo. Só que ele não viu, não assumiu, não alterou - deixou correr a displicência e, no final, permitiu que a tartaruga cortasse a meta em festa e a toda a velocidade !

Será bom que acordem para a final da Taça !
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2008-05-01

OS PAPELINHOS DO ESTIMA !

OS POETAS NÃO DESAPARECEM - APENAS SUSPENDEM AS PALAVRAS !

Alberto Estima de Oliveira cruzou-se comigo em Macau - esse farol da lusofonia no Oriente - mas poderia ter sido em África, onde estivémos, como teria sido possível acontecer no Brasil, nos Estados Unidos da América, na Palestina ou na "Mesopotâmia-espaço que criei" - a nossa Mesopotâmia, como escreveu na simpática e singela dedicatória aposta no exemplar do seu livro que me ofereceu.



Para mim...começou por ser o amigo de alguns amigos. E foi depois meu amigo. De Amizade recíproca e verdadeira ! E de amigo...passou a "referência". De rectidão, de humanismo, da Poesia. E os Poetas não morrem ! Apenas suspendem as palavras, nessa viagem cósmica que um dia todos teremos de fazer.

Aríon Publicações, Lisboa - 2003

Dentro de dois meses completaria 74 anos de vida - uma vida preenchida mas também sofrida. A imagem que dele guardarei, sempre, será essa de um sorriso de cabelos brancos, um "cavalheiro" na postura e nas palavras que dominavam o nosso convívio - mesmo quando as palavras queriam significar dureza para com as injustiças da vida e dos homens. Tal como ficará para sempre esse "filme" dos nossos almoços com o Helder e o Gilberto no Santos, em Coloane; no Clube Militar, em Macau; ou no Serra da Estrela, nas Amoreiras em Lisboa : - o ritual das palavras e das ideias rivalizando com o ritual de saborear um grande vinho.
Culto, afável, humilde - como devem ser os grandes homens - foi com ele que tomei o gosto de enfeitar as palavras, de as amaciar e, por fim, lhes dar forma de pensamento e emoções. Foi com ele - ainda - que tomei o jeito de amadurecer os "cliques" e as ideias em dezenas e centenas de "post-it's" ( à falta, serviam mesmo os recibos das caixas de multibanco) - aquilo a que chamei "os papelinhos do Estima" ! E daí me ficou também o vício da escrita mais doce, muito para além da rudeza e aspereza das notícias que são a causa da minha profissão. A par de outros "modelos" contemporâneos (Cardoso Pinto, Helder Fernando, Beatriz Basto da Silva, Ramos Rosa, Luís Veiga Leitão, Conceição Lima, Olinda Beja) - Estima de Oliveira foi para mim uma "referência". Disse-o ainda recentemente, quando apresentei o meu último livro de poemas em Lisboa - uma sessão que lhe dediquei, na sua ausência já muito sofrida - e assim ficou registado na "mensagem" que lhe enviei, por escrito, no exemplar que lhe ofereci.

Estima de Oliveira faleceu no silêncio da noite, "desligando-se" da máquina que - como disse o Helder - a custo, ainda fazia quase respirar o Poeta !

Mais um grande abraço ao Estima...e Até Sempre !
Voltaremos a estar juntos...na próxima esquina!

" se no segundo exacto
a graça fosse
de minha eterna posse

prendia
a forma da manhã

formando um dia
à dimensão da vida."

Do seu livro " ESQUELETO DO TEMPO"
Livros do Oriente, Macau - 1995.
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António Bondoso
1 de Maio de 2008

2008-04-25

ATÉ SEMPRE !

NEM SEMPRE SOMOS CAPAZES DE CONTRARIAR AS "INJUSTIÇAS DA VIDA" !

Há dias foi o Manuel - Dias precisamente - que preferiu resguardar-se do tempo "quente e seco" que aí vem. Foi indo - com aviso prévio - preparar para os amigos um acolhedor espaço de tertúlia a que sempre habituou os camaradas de trabalho, da sua e de gerações mais novas. Sobre ele - o Manel das "pequenas coisinhas" - escreveu Jorge Massada um belo e sentido texto, no qual dizia que, "até prova em contrário, foi um dos mais brilhantes jornalistas que conheceu e, infelizmente, já não é possível provar o contrário". Acontece - tem acontecido - com muitos outros camaradas da chamada "geração da ética" e que, por circunstâncias várias, não atingiram a "projecção" do Manel.
Contudo, vale sempre a pena tentar dar algum significado às palavras. No "seu jornal" - O Primeiro de Janeiro - é certamente possível seleccionar vinte ou trinta dos milhares de excelentes textos que Manuel Dias foi produzindo ao longo da sua brilhante carreira. Compilá-los e transformá-los em livro, é uma sugestão que deixo à Direcção do Jornal. Devidamente enquadrados e explicados, para que as novas gerações de jornalistas saibam "perceber" e aceitar que é necessário mudar o "sistema" do mediatismo, da parolice, da fulanização, do vedetismo ! Com carácter, sobriedade, inteligência, cultura e sem subserviência. Com garra, mas sem precipitações. Seria bom, por exemplo, rever a "CALÚNIA" !

Hoje, 25 de Abril de 2008, no silêncio dos "cravos vermelhos" - que vão murchando com a aproximação do verão quente - fui despedir-me de outro camarada que as tais "injustiças da vida" resolveram conduzir ao "espaço de tertúlia" do Manel. ÁLVARO MACEDO só viu passar 57 calendários. Mas os milhares de fotos que "tirou", para oferecer as melhores aos leitores do DN e de O JOGO, por exemplo - certamente seriam suficientes para alguns álbuns de qualidade a propósito do tempo que já leva a nossa Democracia, depois de 1974. Conheci-o, como a muitos outros, na tarimba da "rua", colete cheio de rolos fotográficos, câmaras e objectivas ao pescoço, o saco a tiracolo. Nesse tempo de fotografar políticos, manifestações - um país em ebolição! Cada "clique" dos seus era um olhar diferente ! No mesmo espaço - procurar um ângulo novo para disparar o "flash"! O Álvaro era alto, sem ser altivo ! Tão alto como a camaradagem que essa geração foi construíndo.

Até sempre Manel e Álvaro ! Sei que vocês "vão andar por aí..." !


2008-04-07

AZIA - VÓMITOS E O DIA SEGUINTE !

O GRANDE DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA ( ainda fora do acordo ) da Porto Editora, diz que "AZIA" vem do Latim e quer dizer "sensação de azedume no estômago".

Aconteceu a muito boa gente no Sábado e no Domingo. A alguns políticos, mas - sobretudo - a muitos adeptos de futebol. Melhor dizendo, a muitos fanáticos, doentes de clubite aguda de alguns bairros ou freguesias de Lisboa.

De acordo com o mesmo DICIONÁRIO, essa tal sensação de azedume provoca o "VÓMITO" ( que também vem do Latim) e que significa, nomeadamente, expulsão súbita pela boca de matérias do estômago.

Pode ler-se também que "VOMITAR" - se traduz ainda por "dizer ou proferir injúrias ou obscenidades".

O que aconteceu a esses "alguns" - particularmente ao Sr. Luís F.Vieira - talvez se insira mais nesta última tradução, pois devemos ponderar ainda o significado de VÓMITO SECO :- contracção não peristáltica do estômago, que não chega a expulsar as matérias que contém !

Afectado ficou também o "terceiro" treinador Chalana que, apesar de tudo, conseguiu decorar uma ideia/frase : - estão a empurrar-nos p'ra baixo !

***** Por outro lado - no dos políticos - marcou-me profundamente o pouco tempo de antena disponibilizado pela Televisão Pública ( através do canal da RTPn) ao queixoso líder social-democrata Luís F. Menezes ( os dois primeiros nomes são apenas coincidência !) que foi à Madeira - ao Congresso do PSD local - perorar sobre a politiquice nacional. Durante treze minutos - 13 - sua excelência quase fez recordar o mais puro estilo terceiro-mundista do ex-líder cubano Fidel Castro. "El Comandante" que me perdoe. JORNALISMO ? - não ! Tempo de antena compensatório !
Não disse nada de novo (e as técnicas de propaganda ainda não foram completamente assimiladas - apesar da repetição exaustiva de "no dia seguinte") mas sempre conseguiram "apanhar" a ideia (?) de que é preciso uma nova Constituição. Um texto que tem sido elogiado por grandes figuras do Direito Internacional, que foi capaz de ultrapassar com sucesso os "momentos revolucionário, extraordinário e maquiavélico" do nosso PREC e que tem servido de "orientação" para outros textos constitucionais de alguns PALOP e dos novos países de Leste, não serve para tão grada figura do concelho do Senhor da Pedra. Mais um vómito seco e um rol de obscenidades deste fim de semana !


2008-03-29

DO LIVRO E DE MIM !

TRIBUNAL PERPÉTUO !


Em 1990, numa homenagem que lhe foi prestada em Coimbra, MIGUEL TORGA salientou :

"já um dia afirmei em letra redonda que escrever é o supremo risco que um homem pode correr, pois se constitui réu num tribunal perpétuo, de que são juízes os leitores das sucessivas gerações" !

Sem pretender correr o sacrílego risco de colocar a simplicidade da minha escrita ao nível da grandeza da prosa e da poesia de Adolfo Rocha, é certo que também eu me estou a apresentar perante esse tribunal perpétuo - os leitores dos meus livros. De outro modo, considerando este espaço de livre e universal circulação, podemos ainda incluir nesse número os cibernautas que se cruzam com as letras que eu, embora de forma intermitente, aqui vou colocando numa viagem de cósmica interpretação do mundo.

Sem forçar seja quem ou o que for, particularmente os "donos" da pantalha (quem não aparece não existe !), lá fui apresentando aos "juízes" de Moimenta da Beira, do Porto e de Lisboa, o resultado da minha mais recente aventura na escrita : - "...DA BEIRA ! Alguns Poemas e Uma Carta Para Aquilino".

Nesse processo de promoção e de exposição públicas, felizmente, não estive só. Fui acompanhado de alguns velhos e novos amigos - testemunhas que, de forma crítica e sincera, interpretaram as minhas ideias e motivações.

UM :-Rui de Azevedo Teixeira - Professor Catedrático da Universidade Aberta, disse-me que este livro "acrescenta não muito" !

DOIS : - A Jornalista e Poeta santomense São Lima - "compatriota" há já uns anos ao serviço da BBC, em Londres - escreveu assim : "As epígrafes, a dedicatória, o preâmbulo, as fotos que permeiam as páginas, o conjunto me fala de amor e homenagem. Amor e homenagem numa perspectiva que inscreve, como diria Lídia Jorge, por ti citada na tua longa e visceral carta ao grande mestre, 'memória e cidadania' ". E depois de considerar a carta como uma síntese-balanço de 40 anos, São Lima acrescenta :- " E agora digo obrigada ao jornalista, ao humanista, ao discípulo que assim tão sabiamente celebrou o mestre - com este testemunho de cidadão da Beira, de Portugal e do mundo. Haverá melhor maneira de celebrar aqueles que pelas suas ideias e obras nos marcam " ?

TRÊS :- Maria José Praça - Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico em Lisboa, com saudades do granito, escreveu : - " São bonitas as palavras entrelaçadas com que dizes as memórias. Sílaba a sílaba captei-lhes a pulsação. Poesia leve pela delicadeza de sua ondeação e forte pelo derrame íngreme d'o que deixa fluir...".

QUATRO :- Maria Helena Veiga ( Milé ) - Educadora de Infância em Oeiras, disse-me que "MESTRE - é também quem resume numa carta passados que vivi, por vezes não entendi, guardei ou esqueci e, agora, revivi" .

CINCO :- Jacinta Raquel Bondoso Dias - Mestra em Educação e Línguas, pela Universidade de Aveiro, diz que o livro " é um hino de louvor ao mestre e às raízes " !

E as raízes estão em Moimenta da Beira, onde o livro foi apresentado na Biblioteca que leva o nome de Aquilino Ribeiro - a 2 de Fevereiro - ainda com os ecos do centenário do "Regicídio".

SEIS :- José Agostinho Correia - Presidente da C.M. de Moimenta da Beira, referiu que o livro é "um rasgo de liberdade poética que engrandece a nossa cultura local e vai enriquecer o espólio da nossa Biblioteca". Lembrando ter lido com atenção, interesse, alguma emoção e sentimento, José Agostinho Correia frisou que ...DA BEIRA ! "além de uma reflexão poética - nem sempre de fácil interpretação pela sua subjectividade - é uma reflexão profunda das vivências, do percurso de vida do autor, na sua relação com muitos continentes. Uma reflexão muito actual das preocupações de quem ainda sente a responsabilidade da cidadana, denunciando situações e expressando pensamentos que nem toda a gente tem coragem de abordar, expondo-os de forma livre e directa - tentando chegar a Aquilino Ribeiro, símbolo da liberdade que o autor também persegue".


SETE :- Francisco José Oliveira, Jornalista (Radialista antes de mais...), foi a Moimenta dizer que " Da criteriosa compilação de poemas e da carta que António Bondoso remete ao Mestre, como se ambos se encontrassem numa mesma dimensão metafísica, resulta uma obra de referência não apenas para o concelho de Moimenta da Beira como também para a região beirã, como para todos os portugueses que encontram na escrita e na personalidade do Mestre um verdadeiro roteiro de vida ". E, de imadiato, acrescentou : "... importa, desde logo, reter aquela que será uma das mais marcantes, senão mesmo a mais profunda mensagem de todas quantas Aquilino nos legou e que o autor quis enaltecer desde a primeira página da obra que hoje vê a luz do dia : ' Para chegar a bom termo da viagem, é preciso ser livres ".

Francisco J.Oliveira e Maria do Amparo P.Bondoso dizem poemas ...Da Beira !


...acompanhados por elementos da Orquestra Ligeira de Moimenta da Beira.

Depois, O TRIBUNAL reuniu-se no Porto, na Casa da Beira Alta.
Perante um numeroso grupo de amigos de Gaia, Porto e Moimenta - foi ali que ouvi o meu camarada Júlio Montenegro dizer que ...DA BEIRA "é um livro de notícias" !
Se entendermos que a poesia também pode ser uma construção metafórica, inspirada em realidades concretas - eventualmente pode dizer-se que a poesia não deixa de ser também Jornalismo !

Fernanda Braga da Cruz - Presidente da Direcção da Casa da Beira Alta, no Porto - introduzindo o tema e os "actores" da sessão, lembrando palavras ditas ali pelo Mestre Aquilino Ribeiro, durante a sua visita de há quase cinquenta anos.

OITO :- Manuel Ferreira Pinto, autarca há 32 anos em Moimenta da Beira - quer presidindo ao Executivo Camarário, quer presidindo à Assembleia Municipal - e Professor do ensino secundário em Matosinhos, enalteceu os lugares de afectos comuns e referiu que, ao ler a poesia e a prosa d'DA BEIRA, foi como visionar um filme. Sem pretender ultrapassar a função do apresentador convidado - o premiado escritor Mário Cláudio - Manuel F.Pinto disse ainda que "a nossa terra, para além de Aquilino, tem sido pródiga em legar-nos homens de letras que têm elevado o nome de Moimenta, como Luís Veiga Leitão e Monsenhor Bento da Guia".


NOVE :- Mário Cláudio - também professor de ofício - não esqueceu a conjuntura das "raízes" e salientou que o autor conseguiu transformar essa raíz numa espécie de autoconhecimento e de autoreconhecimento. E neste mundo globalizado - disse Mário Cláudio - " se a Literatura continuar a resistir às novas tecnologias e sobreviver, ela tenderá a ser cada vez mais particularizante e diferenciada. Eu advogo uma literatura que privilegie o resistir do espaço e o espírito do tempo". Aproveitando depois sobretudo as figuras de Torga e de Aquilino, Mário Cláudio deu voz à reflexão do autor " à volta de figuras e de lugares de uma dimensão mítica, próxima dos feiticeiros, próxima do encantamento - uma obra de afectos, capaz de conviver com a literatura". Destacou ainda a "carta" ao grande homem que foi Aquilino, vendo-a como que um "Cosmorama Histórico"!

Foi ainda a problemática das "raízes" a dominar a sessão em Lisboa, na sede do Sindicato dos Jornalistas. Nessa casa, também "minha", a "mesa" foi presidida pela Jornalista da Agência Lusa, Rosária Rato - também vice-presidente do Sindicato, tendo ao seu lado esquerdo Jorge Ramos, do Grupo Editorial "Doimpensável"!

DEZ :- E a oradora convidada - a Professora, Historiadora e também Editora (Tágide) Celina Veiga de Oliveira - radicada em Macau ao longo de muitos anos, onde António Bondoso a conheceu nos anos de 1990 do século passado, não deixa de assinalar que, em seu entender, "o que caracteriza verdadeiramente a mensagem poética deste livro, a sua pedra de toque, é o regresso às origens, ao berço, ao colo familiar. Sente-se nestas páginas uma apegada ligação do autor à terra onde nasceu. É uma poesia muito telúrica, por vezes muito forte como o granito, marcada pela aridez das serras batidas pelo vento, pela terra agreste, que oferece pedra em vez de pão".

Viajando um pouco por Aquilino, Luis Veiga Leitão, Eugénio de Andrade e pelo clássico chinês do século VIII - Han Yu ( para quem 'o mais perfeito dos sons humanos era a palavra e a poesia era a forma mais perfeita da palavra' ) - Celina Veiga de Oliveira destaca vários matizes poéticos do livro que, contudo, não é feito só de poemas à Beira ! Há também a "carta" - na qual emerge o jornalista. E pergunta : por que escreve António Bondoso uma carta a Aquilino ? "Porventura porque acha que é seu dever, enquanto 'conterrâneo e atento admirador', informar o Mestre - que em vida esteve sempre de olhos abertos ao país e ao mundo - das mudanças da História".
Vislumbrando no autor uma certa angústia pela 'desordem mundial' - CVO coloca Portugal como a verdadeira preocupação de AB, reescrevendo que 'o país não vai bem, os políticos são incompetentes e não têm sido capazes de estabilizar o país e de atenuar as diferenças abissais entre o litoral e o interior' ! E termina, dizendo haver sempre uma saída, um refúgio - sendo o de AB ... um livro : - 'às vezes basta-me olhar um livro' ...

As presenças amigas de Rocha Vieira - o último Governador Português em Macau - de Manuela e António Ramalho Eanes - o primeiro PR eleito no pós 25 de Abril de 1974, e ainda de alguns amigos de Macau e companheiros de juventude em S.Tomé e Príncipe.


ONZE :- O QUE OUTROS ESCREVERAM A PROPÓSITO '...DA BEIRA !'


HOJE MACAU ( 25 de Janeiro, na página TENDÊNCIAS - uma página que o próprio autor- Helder Fernando - classifica de 'assumidamente tendenciosa' ) : - "Para nosso contentamento, todos os dias aparecem pelos meios de comunicação social notícias de iniciativas protagonizadas por pessoas que em Macau desenvolveram actividade profissional e foram gente de prestígio".

JORNAL DE NOTÍCIAS ( 2 de Fevereiro ) : - "AB escreve uma carta ao Mestre, meio intimista meio reflexiva, que revela inquietudes do tempo de Aquilino e do nosso tempo".

LAMEGO HOJE ( 7 de Fevereiro ) :- a Jornalista Guida Canhoto escolheu para título - Livro sobre Aquilino põe a nu sociedade actual ! E depois desenvolve : "Obedecendo aos ensinamentos de Aquilino de isenção e verdade, tal como um aluno obedecendo ao seu professor, AB denuncia que o país não vai bem... e o Estado apresenta-se descalço e faminto". Não é tanto uma questão de dinheiro, mas antes de espírito e de cultura - clarifica o autor. Por fim, escreve Guida Canhoto, "apoiando-se em metáforas, parte de lugares bem conhecidos desta região para chegar ao país e ao mundo. AB define o livro como de louvor à Beira, à liberdade e à justiça" !

PÓRTICO CERVEIRENSE ( 7 de Fevereiro ) : - Revista de Informação e Cultura para a Galiza, Vale do Minho e Vila Nova de Cerveira - dirigida por Castro Guerreiro. Camarada de palavras ( e de palavra!) do autor há mais de trinta anos, Castro Guerreiro transformou o tema em Editorial, preenchendo a segunda página. Ali escreve sobre a Rádio ( RDP) que promoveu a região minhota, sobre outros livros do autor e - particularmente sobre este '...DA BEIRA! ' - destaca, naturalmente, as referências ao Alto Minho : 'mas a grande transformação de Cerveira deveu-se a uma aposta arriscada nas artes, sendo hoje um polo importante no mapa das Bienais de todo o mundo. Por opção dos autarcas, respaldados na capacidade de grandes nomes da cultura, como Jaime Isidoro, Júlio Resende ou José Rodrigues'.

TERRAS DO DEMO ( 23 de Fevereiro ) : - Gil Carvalho - Director, à opinião preferiu dar voz aos intervenientes na sessão de apresentação em Moimenta da Beira. Um deles, o vereador da Cultura - Jorge Costa : " é mais uma página que se regista no aspecto culturalde Moimenta, com letras douradas, pelo valor que o conteúdo deste livro encerra". O jornal moimentense transcreve ainda excertos das intervenções do autor e do Presidente da Câmara, José Agostinho Correia - destacando também uma referência particular do apresentador Francisco José Oliveira ao autor do livro : " A obra que AB agora apresenta é como que um reencontro com as suas próprias origens, embora bem possa ser considerado um cidadão do mundo, com obra literária referente às diversas estações desta viagem da lusofonia. Curiosamente, foi em S.Tomé que ganharam corpo as suas duas paixões e em que AB se tornou de alguma maneira bígamo pelos amores do mundo - uma por ali ter constituído família ; outra, que se traduziu num romance eterno com a radiodifusão" !

O livro "...DA BEIRA ! Alguns Poemas e Uma Carta Para Aquilino" mereceu ainda destaque nas emissões da RDP-Antena 1, com Ana Aranha, e da Rádio Macau - com Helder Fernando.

2008-03-22

DIA DA POESIA - II ( APARÊNCIAS ! )

NO BALANÇO DO TRAPÉZIO...
SÓ O CARÁCTER SE ARRISCA !


APARÊNCIAS

As aparências iludem

Com espelho deformado

São falsas as aparências

Com o espelho quebrado.

Culto ou mal informado?

Iludem manhã bem cedo

Reflexo ainda escuro

Enganam e metem medo

Ao respirar o ar puro.

Confiante ou inseguro?

São aparências demências

Quando batidas p’lo Sol,

Douradas e prateadas

Brilhantes e lapidadas

Antes que a noite se instale.

Depois… já não se confundem

As aparências as máscaras

O baile não tem espelhos

O salão não tem segredos

E as almas vivem degredos.

Quem não apresenta silêncios

Para negar os seus medos?

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Fev.2008

António Bondoso

DIA DA POESIA - I ( A TEIA )..........

Nem todos olham o mundo do mesmo modo...

Nem todos esperam milagres !


A TEIA

Eu tento a poesia
Com palavras do dia a dia,
Vozes de cada instante
Lamentos desejos secretos
Poesia sem decretos
Quase prosa arrepiante.

Eu tento a poesia
Com esforço permanente
Mais do que a poesia me tenta
Simples, assim de repente.
A poesia é um ofício
Depois do gosto e do vício.

Se a poesia me tenta
E se eu tento a poesia,
Somos gémeos de palavras
Não irmãos de circunstância.
Com muitas letras bordadas
E um longo labor de renda
Faço teia da poesia
Como aranha paciente
Aperto ideias e gente
Numa morte fria e lenta.
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AB
Março 2008

2008-03-09

MUDEM DE RUMO !

MUDEM DE RUMO...MUDEM DE RUMO - JÁ LÁ VEM OUTRO CARREIRO !


Dizia assim uma canção de Zeca Afonso, no tempo da "Outra Senhora" !
ELA (ELES), como se viu, não percebeu os sinais e não mudou de rumo...

Mas os "sinais dos tempos" não parecem - também hoje - preocupar e fazer reflectir os dirigentes políticos. Todos ! Não só os governantes ! Mas estes, sobretudo, sendo eles os "construtores" do presente e do futuro... Ou, pelo menos, tendo essa responsabilidade !

Como compreender, então, que uma Ministra (e/ou um Governo) venha dizer não ser relevante haver "100 mil professores na rua" e que "não vai mudar de rumo" ?!...
É que, o "rumo" de que se fala, não é "especificamente" a REFORMA necessária. É - TÃO SÓ - mudar o caminho (ou a política ) para se alcançar a Reforma ! Como quer Maria de Lurdes Rodrigues "encontrar as melhores soluções" se exclui - desde o início - um sector dos que diz "parceiros", concretamente os sindicatos ? E em parte, também os professores, quando se refere não à classe, mas sim genericamente"às escolas" ? O Ministério, no seu papel de decisor político, certamente não pode deixar de fora os Pais e os Sindicatos, mas não pode - sobretudo - ignorar os "actores principais" que são os Alunos e os Professores. Faltou-lhe, e muito, sensibilidade e diplomacia ! É esta forma de fazer (estar na ) política que a Ministra tem que mudar. Refugiando-se no papel de vítima e perguntando aos jornalistas "qual a alternativa ?" - a Ministra deixou de ser parte da solução para passar a ser parte do problema! E os "jornalistas" (?) foram incapazes de lhe dizer :- a alternativa para o problema que criou, cabe-lhe a si encontrá-la ! A "avaliação" - que é o menor dos problemas - não é questionável. Sim a sua fórmula e a altura de a colocar em prática ! Perfeito disparate, quase no final do ano lectivo...

Devido a um problema de "comunicação" - errado e deficiente - já caíu um Ministro competente. Correia de Campos, com ideias e muitas políticas correctas para a Saúde !

Pelo mesmo caminho parece "deslizar" Augusto Santos Silva. Curiosamente, apesar de ser o Ministro responsável pela tutela da Comunicação Social ! A sua intranquilidade obrigou-o a dar mais um tiro no pé. Não se pode aceitar que as pessoas ( professores ou não ) chamem fascista a um ministro - membro de um Governo legitimado pelo voto popular. Mas, por outro lado, muito menos se pode aceitar que esse Ministro perca o controlo e não saiba comunicar. Pelo menos respirar fundo, contar até dez e replicar com segurança. Dizer que Cunhal não lutou contra a ditadura é, no mínimo, uma "enormidade" ! Indesculpável num ministro que dá a cara por um governo. Indesculpável num ministro que "copia" a obsessão do seu Chefe. Podemos sorrir quando se ouve dizer que há 6 milhões de benfiquistas... mas temos a obrigação de ficar preocupados quando se ouve um ministro dizer que os manifestantes ( em Chaves ) são todos comunistas !

Para além de um tiro no pé, esta "obsessão" dos ministros em "mostrar serviço" tem tido como resultado o "crescimento da oposição". Particularmente à direita ! De quase morta, num ápice passou a ruidosa ! E o PSD de Luís Filipe Menezes, nortista e demagogo (dentro e fora do partido), logo aproveitou a manifestação para uma ultrapassagem - pela esquerda ! - ao BE e ao PCP : - é a ponte binte e cinco de abril do engº Sócrates ! ... bamos entrar num plano inclinado do ponto de bista de contagem decrescente desta maioria ... e o goberno desligou-se da democracia representatiba!

Quem abriu as "hostilidades" nos ataques ao "aparelho do Estado", de que se queixam agora os magistrados ? Não foram os governos do PSD/CDS ? Durão Barroso/PP e Santana Lopes/PP ?
E as investidas na Comunicação Social pública ? RTP e RDP com a gestão castradora de Almerindo Marques - agora com espírito de missão nas Estradas de Portugal ? AM e seus amigos conseguiram transformar "qualidade" em "demagogia e saudosismo". E chegaram até a instituir um Hiper-Director de Informação, agora promovido a Administrador ! Ao mesmo tempo que se condena a "concentração" em termos económicos, promove-se a "concentração" em termos de conteúdos! É só ver o que se passa com a informação da RTP-N. Tudo repetido do Canal 1, ponto por ponto, vírgula por vírgula. Até mesmo quando os acontecimentos das notícias já foram ultrapassados ! Nada se cria, nada se transforma. Nem se corrige !

É preciso mudar de rumo, mas é preciso ter credibilidade para o fazer. Pede-se coragem ao Engº Sócrates - deve pedir-se "seriedade política" ao Dr. Menezes !


2008-03-08

O DIA DA MULHER ! ( 2 )

OU ENTÃO... UM OUTRO OLHAR !!!


Uma mulher é uma estrada

De curvas e contra-curvas

Subidas docemente demoradas

Descidas alucinantes sem travão

Sentidos proibidos

E becos sem sentidos

Caminhos ondulantes falhos de orientação.

--------------- a mulher é uma estrada à condição !

Curva perigosa à direita

Inclinação maior à esquerda

A mulher desafia as leis da física.

Equilíbrio permanente na subida

Desalinho intermitente na descida

Não percebe o momento dessa perda

Acaba estatelada… no piso diluída.

--------------- a estrada é uma mulher imperfeita e bem parecida !

De piso cuidado

Retocado e acamado

Bermas pintadas arranjadas

E bem sinalizadas,

Assim é uma estrada assim é uma mulher

Mapa complexo de redes e de cores

Confunde o mais incauto inexperiente nos amores.

---------------- a estrada é uma mulher que não tem separadores !


Com limites de lei ora cumpridos

Velocidade sem limites tantas vezes

A estrada alonga-se numa doce preguiça enamorada

Em sombrio fim de tarde apetecido

No zénite de um lugar desconhecido

Onde a mulher reflecte o som perdido

Eco do engano de uma noite deserdada.

---------------- a mulher é uma estrada tão perfeita…

… mas tão inacabada !

António Bondoso

Março de 2007

O DIA DA MULHER !

A MULHER COMUM...

Em 365 dias por ano (de quatro em quatro acrescentam mais um, pois acham pouco!) a MULHER é, simplesmente…

Amorosa,

Bela,

Completa

Diplomata

Eficaz

Feliz

Guardiã

Harmoniosa

Irresistível

Jovem

Luminosa

Melodiosa

Natural

Ofuscante

Perfeita

Quimera

Racional

Sensível

Temível

Ubíqua

Vaporosa

Xi-Coração

Zelosa

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Naturalmente que haverá outros adjectivos, dependendo dos pontos de vista ! Também da Sinceridade e do Momento !

Deixo apenas o meu contributo neste dia ! Sincero !

2008-03-03

PERGUNTA DE RESPOSTA MÚLTIPLA !!!



PERGUNTA DE RESPOSTA MÚLTIPLA :

QUAL A COR DO APITO DO ÁRBITRO, NO DERBY SPORTING-BENFICA ???


*** ver resposta no "silêncio" (oportuno) de LFV.

Todos falam em Justiça Desportiva, em transparência, em ética, em verdade desportiva.
O Governo preocupa-se e aprova Decretos.
O Sr. Madaíl da FPF diz que o processo está quase !
O Sr. Loureiro, da Liga, é o eco do Sr. Madaíl !
Um agente da PJ tirou um Curso intensivo de arbitragem !
O Sr. Loureiro, major, diz que vai ganhar por 15-0 !
O Sr. Pinto, da Costa, só joga xadrêz no tabuleiro que escolhe, quando e onde quer !
O próprio, ele mesmo, figura inspiradora de filmes - enfrenta (só) a brigada justiceira !
Sem ar condicionado no gabinete e no calor da noite - transpira sal por todos os poros !
Os "amigos" (?) evaporaram-se !
Mas ele põe as mãos e o pescoço pelos "amigos" que restam !
Eu, não pertenço a uns nem a outros. Só sei que nada (pouco) sei !
Mas sei que o futebol, dentro das "4 linhas", não tem nada a ver com escutas ou escuteiros !
E fora dos relvados, também sei perceber a "pressão" ! E pressão, seguramente, rima com corrupção ! Pelo menos na "pronúncia", que é de toda a "nação" !

Virgens arrependidas ?
Nem na Terra nem no Céu... nem nas estrelas cadentes!
Lá diz o ditado : --- de arrependidos está o Inferno cheio !

As "claques" portam-se mal ? E os "polícias" são uns anjos ?
Sem me alargar em exemplos ... já alguma autoridade deu resposta ao caso do jovem Carlos, isolado e desarmado, que ficou cego de um olho pela investida "preventiva" de um agente ? E da senhora diabética, em Braga, que ficou sem a fruta, colocada num saco dentro do autocarro ? E agora novamente em Braga, o estado em que ficou o Filipe ? É bom consultar o Blog "Claques Portugal" e ver as imagens !!! Afeganistão, Iraque, Timor ? - Não ! Portugal, Fevereiro de 2008. O futebol não é uma guerra... e não queiram justificar a actuação da Polícia com base nos tristes acontecimentos de Lisboa. Há claques e claques - há bandos e bandos ! Casos de polícia, por disfunções sociais, nada têm a ver com o futebol. E depois ... Os "guetos" nunca foram solução ! Judeus no Egipto e vítimas da loucura de Hitler !!!
Os "piores" são os que estão dentro ou os que estão fora ?
A chegada dos adeptos às "arenas" dos adversários faz-me lembrar a condução das manadas no
Far West americano ! Pessoas ou animais ?
Séc.XXI ? Civilização Globalizada ?

E os dirigentes ? - "Discóbolos" impolutos ? Pensadores Iluminados ?
Por que razão tudo é diferente em Espanha ou em Inglaterra ?
Os árbitros erram tanto ou mais do que em Portugal ! Não são é vexados ou julgados na "Praça Pública"... Talvez porque os dirigentes sejam de "outro calibre" !!!
E as "avaliações", parece que padecem do mesmo mal dos avaliadores da IFFHS ! São as "dioptrias"... meu Deus ! Ou será a parte inteligente do cérebro afectada ?
Talvez seja por isso que os "professores" desconfiam (...das avaliações!).

E os Jornalistas ? - Agentes Imaculados ? A "consciência" do grilo ? Não ! --- Também lá, esta espécie é de outro calibre !!! Aqui, basta ver (ou ouvir ) os títulos antes dos jogos :--- a ferro e fogo; guerra de...

NÃO HÁ RESPOSTAS PARA TUDO... E EU NÃO VIVO SÓ DE PERGUNTAS !
ATÉ DAQUI A UNS DIAS !....................


2008-02-26

O PRÓXIMO LIVRO !

MAIS UM CONTRIBUTO PARA "SEIOS ILHÉUS" !


COMPRADORES DE SONHOS

Os olhos brilham de dor

Apagam um sorriso matreiro,

A dor não grita do corpo

Salta da alma franzina

Quase alcança o mundo inteiro.

Crianças fora de tempo

Órfãs de seios maternos

Choram tudo o que perderam

Escritos em velhos cadernos

Listas desejos promessas

E amores que não tiveram.

Pintam cenários de vida

Esbatida cor de esperança

Retratam sonhos garridos

Sempre a pensar na partida

Adiada e perseguida.

Também vendem esculturas

Estatuetas castanhas

De bambu ou de pau-rosa,

Uma flor de porcelana

Com pétalas parafinadas

P’ra manter a cor-de-rosa.

Compram atenção ou sorrisos

Inventando vida própria,

São crianças de um sistema

Com regras de muita ausência.

Trocam mimos e carinho

Por uma nota de sede

Que dê de beber à fome,

Trocam passos do caminho

De quem manda e não protege

Medram acima da lei sem razão e sem costume

Afirmam-se pela diferença rebeldia apaixonada.

Compram sonhos sem queixume

Morrem de vida apressada.

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Fev.2008

António Bondoso

2008-02-23

ILHÉU DE SONHO !

ILHÉU DE SONHO


O meu sonho é uma Ilha
Longe no meio do mundo
Um país de maravilha
Carácter e bem profundo.

Se não for a ilha toda
Ao menos um bom ilhéu
De coqueiros e palmeiras
A separar-me do céu.

Que ali caibam os meus amigos
Livres de toda a ganância
Aceito até inimigos
E outros sem importância.

Um ilhéu de feição única
Muita verdade a sorrir
De roupa só basta a túnica
Quanto trabalho a fingir.

Utopia verdadeira é este sonho maluco
Não se alcança tal ilhéu
Nem bem longe nem tão perto,
Sem petróleo e tanta inveja
Dos homens que sei ao certo
Possuírem tal dom.
Um ilhéu de sete letras uma ilha de palavra
São Tomé a crer sem ver
Em Cristo Senhor do mundo,
Honrando o abraço dos Homens
Na sua cruz Moribundo.
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António Bondoso – Fevereiro de 2008

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DO LIVRO "EM CONSTRUÇÃO" - SEIOS ILHÉUS !

2008-02-12

TEMPERATURA ELEVADA...LOUCURA ES(INS)TÁVEL !

OS ERROS DO "OCIDENTE"... E O PAÍS (ESTADO) QUE NÃO EXISTE !

Por muito que os "poderosos" queiram e desejem, o Kosovo não existe como Estado Soberano.
À luz do Direito Internacional, consubstanciado na Carta e nas decisões das Nações Unidas - por muito criticada e ignorada, a ONU não foi ainda substituída! - o Kosovo, enquanto Estado independente, resultou apenas de uma declaração unilateral suportada e incentivada, ilegalmente, pelos omnipresentes EUA e por alguns países da "Velha Europa". A Resolução 1244 do CS das Nações Unidas, apesar de prever uma ampla autonomia para a província do Kosovo, reconhecia a soberania e a integridade territorial da Sérvia, sendo o Kosovo - berço da nacionalidade - parte integrante do país. Para já, a Resolução foi rasgada pelos EUA, pela GB, França, Alemanha e Itália. Portugal ainda não divulgou a sua opção, apenas porque - concertadamente com os parceiros europeus - "obedeceu" à estratégia dos poderosos de enviar para a "zona de impacto" os militares (ou militarizados) da GNR. Portugal não é capaz de fugir aos encantos (negativos) da mais antiga Aliança e de estar sempre ao lado dos "mais fortes"! Não é que daí venha algum mal ao mundo ou o país se enobreça... Acredito é que já era tempo de, por uma vez na vida (exceptuando talvez 1143 e 1494), os nossos governantes decidirem por si, pela justiça e pelo direito internacional. Mas em Política não há "justiça" - só há interesses ! Sobretudo os interesses dos outros ! Aos EUA não lhes faz qualquer diferença provocar mais uma crise nos Balcãs. Estão longe, para eles a História de séculos não conta e, se houver conflito armado, determinam que seja o "braço europeu" da NATO a enfrentar o problema. E a indústria do armamento progride ! Por sua vez, a GB não pode condenar e evitar "fora" o que promoveu e permitiu em "casa"! Excepto na questão do Biafra, exactamente devido aos tais interesses - ou seja, o petróleo ! A Itália, eventualmente, não deve ter esquecido ainda o velho sonho "fascista" da Grande Albânia. No que diz respeito à Alemanha e à França, não descurtino ainda as bases da opção, a não ser conquistar uma posição estratégica face à Rússia - talvez não pelos mesmos motivos mas, sobretudo, para se vigiarem mutuamente, como sempre fizeram. Para além disso, talvez a economia : - é preciso vender equipamento moderno e armas modernas, não importando saber se o novo país fica ou não hipotecado. Ainda relativamente aos EUA, seria interessante perceber se a Administração BUSH está a seguir a actualizada teoria de Fukuyama sobre a "construção" de Estados, tendo em conta os falhanços já registados. Talvez na Sérvia seja mais fácil , dado o enfraquecimento do Estado originário após o desmembramento da Federação Jugoslava.

POR OUTRO LADO, um século de "maioria" albanesa não pode "apagar" cinco séculos de História . No séc.XV os sérvios representavam 98% da população do território Kosovar, contra 2% de albaneses, e a situação só se começou a inverter em finais do séc.XIX e primeira metade do séc.XX. Em 1991, os albaneses representavam já 82% contra 11% e em 2001 - após os bombardeamentos da NATO e a limpeza étnica levada a cabo pelos albaneses (seguramente como resposta a idêntica atitude por parte dos sérvios) - a percentagem passou para os 88 contra 7%. Estas significativas alterações demográficas, só por si, não podem justificar uma qualquer teoria da chamada "nova geopolítica", embora se considere que as questões demográficas são um factor decisivo de qualquer abordagem geopolítica actual. Contudo, nem todos os aspectos da DEMOPOLÍTICA se encaixam na explicação para este problema do Kosovo:- se bem que as "migrações" e a "pressão da Opinião Pública" possam ser considerados, já no que diz respeito às "minorias" o processo parece estar invertido. Não havendo um conceito de minoria universalmente aceite, a Demopolítica admite dois tipos de minorias - as originais ou radicadas e as imigradas ou em diáspora. Exactamente no primeiro caso, se diz que elas precederam no território politicamente demarcado as actuais maiorias o que, como já se viu, não é verdadeiro. Os Sérvios, hoje em minoria no Kosovo, é que foram os primeiros. A presença dos albaneses enquadra-se mais no caso das minorias imigradas ou em diáspora. Contudo, curiosamente, a este segundo grupo não é comum atribuir-se a motivação de independência, precisamente o contrário do que se deveria passar com as minorias radicadas ou originais que - no caso dos albaneses relativamente à Sérvia, aí sim, - constituêm de facto um aspecto positivo. Curiosamente também, o inspirador da Demopolítica é o sueco Kjellen ( alemão por adopção) - para quem o Estado é o indivíduo geográfico, enquanto a Nação deve ser o indivíduo étnico. Isto é, o primeiro prevalece sobre o segundo - pois custa mais ao Estado perder território do que perder uma parte da sua população ! Não por acaso, uma ideia repetida mais tarde por MAO TSE TUNG, para explicar os casos de Hong Kong, Macau e Formosa (Taiwan) - os dois primeiros já resolvidos. Restando Taiwan, poderá admitir-se aqui como que uma "reserva" para futura moeda de troca:- quer dos EUA relativamente à China, quer da Rússia relativamente à Geórgia, tendo em conta as mais recentes tomadas de posição. Mas voltando às teses de KJELLEN - a par de Ratzel, um dos cérebros da chamada Escola Alemã - é fundamental ter em conta o "núcleo territorial do Estado", a sua origem ! Separando-se dele, o Estado corre o risco de sucumbir, deixa de fazer sentido. E mesmo considerando as profundas alterações e rupturas na cena internacional, nos últimos vinte anos, este pormenor não deixa de ser pertinente para a Sérvia ! E para a Comunidade Internacional, naturalmente.

O ll DE SETEMBRO não justifica tudo e, como diria Adriano Moreira, o processo do Kosovo aponta para uma séria meditação sobre o trajecto do alegado direito de intervenção e dever de protecção. "MAS A DECISÃO DE CRIAR UM NOVO ESTADO, DE VIABILIDADE MAIS QUE DISCUTÍVEL, SOB A ÉGIDE DE UMA COLIGAÇÃO OCASIONAL, SUBSTITUI A LEGITIMIDADE pela engenharia política que, inevitavelmente, perde o respeito da parte vencida e não convencida" ! É exactamente o que se passa hoje, na Sérvia.
Quando há dias (na Universidade Lusíada do Porto ), interroguei o embaixador da Sérvia em Lisboa, Dusko Lopandic, sobre se o seu país passaria para o lado da Rússia, abandonando a adesão à UE - no caso de vir a ser declarada unilateralmente a independência do Kosovo - respondeu o diplomata que a Sérvia não quer ser um problema entre os EUA e a Rússia, mantendo-se a opção pela UE. Mas também frisou Lopandic que " os antigos e grandes aliados da Rússia (URSS) estão agora a ser muito bem tratados pela UE, enquanto a Sérvia - que durante muitos anos (integrada na ex-Jugoslávia) foi como que uma aliada do Ocidente - está agora a ser tratada muito mal" ! E, embora a União Europeia tente passar a ideia de que a independência do Kosovo é um factor de estabilidade para os Balcãs, podendo a Sérvia e o novo país virem a integrar o espaço da União - o que acontece é que o "facto consumado" é mesmo um problema de difícil digestão internacional. O Professor Milan Rados, um sérvio radicado no Porto, diz que o Kosovo vai ser "um protectorado dos EUA" e o General Loureiro dos Santos aponta "erros estratégicos, indefinições políticas e incapacidades militares, como explicação para as dificuldades que o Ocidente sente no Kosovo - que se transformou numa crise para durar se, entretanto, não explodir" !

VOLTO AO TÍTULO deste apontamento, só para lembrar sinteticamente a analogia de uma "estória" que me foi contada há uns anos por um camarada da RDP já falecido, o António Roçadas, sobre um radialista desportivo numa das Regiões Autónomas :- durante a habitual cobertura informativa dos jogos de futebol, ao fim de semana, o coordenador efectuava periodicamente uma "ronda" pelos diversos campos e perguntava - fulano de tal, tempo e resultado ? Ao que o "herói" da estória respondia : - TEMPO INSTÁVEL, RESULTADO MANTÉM-SE !

2008-02-06

ELEIÇÕES...RECESSÃO...FUTEBOL...e outras "coisinhas" sem importância!

Alguma razão especial para "misturar" tudo isto ?
Confesso que ainda não sei bem ! Vou ao sabor da corrente ! E depois logo se vê !

Tem sido interessante acompanhar as "primárias" dos Democratas e dos Republicanos nos EUA. Para além do floclore habitual, de vez em quando há tópicos a merecerem reflexão. Tal como em todo o lado (Portugal incluído), os políticos às vezes dizem coisas em que nem eles próprios acreditam. Para ultrapassar este handicap, inventaram-se os "slogans". O marketing político lá vai conseguindo alguns milagres ! E estes bem são necessários, quando vemos uns a dizer que a América tem soluções e ouvimos outros a falar de mudança, sem dizer exactamente o que é que vai mudar! Sobretudo o que pode ser mudado, sobretudo o que um Presidente pode mudar ! Sobretudo, que condições permitirão mudar alguma coisa de real importância !

Do lado dos Democratas, particularmente, o que se pode esperar de uma campanha e de um combate, nos quais se permitiu a ingerência da religião, do género e da raça ?
O que se poderá esperar de um candidato que não vence nos maiores Estados do País?
O que se poderá esperar de um candidato que não vence na maioria dos Estados ?
O que se poderá esperar de uma "primeira vez" - em quaisquer circunstâncias ?

O que se pode esperar é que, depois de uma tal radicalização ( que a todos deve culpar), o mais provável é sair a fava rica aos Republicanos. John McCain, desalinhado das posições dos clãs dominantes nos "Falcões" Republicanos (particularmente dos Bush), mas com a aura de velho combatente, estará numa posição única para capitalizar todos os receios de apostar na tal "primeira vez" ! E na "pressão" que a envolve ! Terá, sobretudo, a vantagem de estar à frente, a tranquilidade de ver o tempo correr a seu favor, tirar partido da exaustão que vai atingir os seus adversários Democratas. No final desse combate, a desilusão de quem perder poderá entregar "de bandeja" a Sala Oval a John McCaine. Experiência e paciência não lhe faltam para lá chegar. Juntando argúcia à paciência - teremos dois predicados, para já muito ausentes das hostes democratas.

Com a corrida mais louca de sempre - parece que ninguém se dá conta dos "estragos" financeiros e económicos que se anunciam. Também eles divididos quanto aos remédios a aplicar, os economistas do eixo euro-atlântico vão "passando" a vez no seu jogo de póker, à espera de um "full" de ases ou de uma "sequência" imbatíveis. Mas qualquer deles poderá imaginar os resultados catastróficos de uma crise semelhante à do final dos anos 20 e princípio dos anos 30 do século passado. Mais uma vez a culpa não morrerá solteira e tem nomes próprios nas lapelas dos fraques dos cobradores internacionais : - Globalização, neoliberalismo, G-8, FMI, BM, GWBush e os seus pesadelos Iraque e Bin Laden !

Solteira, parece ir morrer a "culpa" da PJ na investigação do caso Madie McCann. Um responsável foi "sacrificado" (inutilmente ?), mas o "maior" conseguiu passar além da tormenta que ele próprio desencadeou, ao revelar publicamente as dúvidas que o assaltaram quando tomou decisões. Precipitou-se então e, pelos vistos, precipitou-se agora ! O Director nacional da PJ enterrou o processo e humilhou os seus investigadores. Só por isso ( e não é coisa pouca ), esperava-se a consequente demissão ! E não se tendo demitido, esperava-se que o fosse! Mas, pelo contrário, viu reforçada a sua confiança ministerial. Lembro-me de um antigo slogan que deu brado nos media deste país :- de vitória em vitória, até à derrota final !

"E o burro sou eu" ?
A resposta encontra-se no resultado final frente à Itália ! Se era uma vergonha antes, agora é ainda pior. Pela arrogância com que o seleccionador de Gilberto Madail encarou e encara os desafios de futebol. O "grupo de amigos" do seleccionador, particularmente as vedetas do MU e o g.r. Ricardo, remaram - mal - contra a maré. Bem auxiliados por uma estratégia e uma táctica mal aplicadas. Um Jorge Ribeiro no banco em favor de um Paulo Ferreira fora do sítio; um F.Meira perdido no meio das operações e o "salvador" milagreiro Makukula ainda nas núvens entre a Madeira e a Luz. É muita coisa para um jogo só. Poderá, ao menos, tirar-se a lição de que a humildade e a competência não são valores exclusivos da massa crítica brasileira. Contudo, tenhamos fé - o "homem" prometeu ir à final do Europeu !

Passem bem e desculpem qualquer coisinha !...
A.B.