2009-08-27

IDEIAS E FRASES...

DEMOROU MAS VAI SER !

Finalmente... vamos hoje conhecer o Programa Eleitoral e/ou de Governo da Senhora MFL/PSD.

Não querendo diminuir a expectativa, habilidosa e "prudentemente" preparada, nem tão pouco insistir nos comentários de Mário Soares sobre a recente entrevista de Manuela F.Leite [ que eu, aliás, de forma bastante mais modesta já havia aqui adiantado ] - não posso deixar de notar algumas ideias e frases entretanto divulgadas.

Ontem, no JN, José Leite Pereira escrevia :

"O PSD aposta forte em dizer o menos possível, aposta forte em que valerão mais os erros de Sócrates do que os seus próprios argumentos".

E António Borges, que preferiu ser a "grande esperança do PSD na sombra", esclareceu o mistério dizendo :

"...que o programa do seu partido para as eleições legislativas será “deliberadamente prudente” e concretizou a proposta de reduzir a carga fiscal sobre os custos das empresas, em particular a taxa social única, o fim do Pagamento Especial por Conta ou a alteração do pagamento do IVA".

Não foi MFL que introduziu o PEC ? Notem que não se diz "baixar o IVA". Apenas se pretende alterar o pagamento!

Entretanto, ainda no JN, Ana Paula Correia desvenda mais um pouco do véu social-democrata:

Manuela Ferreira Leite dá hoje, quinta-feira, o primeiro passo para a nova e decisiva fase da campanha eleitoral. Apresenta o programa prudente, simbolicamente numa sala chamada Átrio do Futuro, que inclui um novo fundo autónomo para a Segurança Social.

Um fundo "autónomo". Que efeitos poderá ter uma iniciativa deste tipo na grande maioria do povo português, sem capacidade de poupança ? E qual a diferença relativamente à infinidade de PPR's já existentes ? Quem vai verdadeiramente "lucrar" com este "fundo autónomo" ?

Outras ideias e frases que nos devem preocupar, chegam também desta área laranja ! Infelizmente não é caso único, mas não deixaram de ter grande impacto.

O ex-líder Marques Mendes defendeu, e bem, o retorno da "ética" à actividade política. Uma crítica clara à actual líder, que permitiu (exigiu!) a presença de Helena Lopes da Costa e de António Preto nas listas de candidatos do partido a deputados.

MFL não tem forma de "contrariar" honestamente esta posição de Marques Mendes. Não se pode expor. Vai daí, aparece o seu Delfim Paulo Rangel a atacar o que chama de "paladinos da ética" ! Sendo professor de Direito e tendo sido governante na área da justiça, não lhe fica nada bem esta posição. Mas há que "agradecer" à lider !

O ex-líder parlamentar do PSD Paulo Rangel criticou hoje os "paladinos da ética" que defendem que um arguido não deve candidato a eleições, manifestando-se "totalmente solidário" com a direcção do partido no processo de constituição das listas às legislativas.

"Sou contra a existência de efeitos automáticos que é aquilo que tem sido defendido agora.


Excerto de uma notícia do Público, na qual se pode ler uma situação bem mais grave. Não se compreende que um Professor de Direito confunda "ética, justiça e política". Ao clamar pelo retorno da ética à política, Marques Mendes não pretende "acabar com a presunção de inocência em Portugal". Mas a actividade política deve ser clara e transparente. E isso depende da ética. A presunção de inocência, que todos estimamos, tem a ver com a justiça. Nada mais.
São patamares diferentes! Inconfundíveis!
Mas Paulo Rangel vem dizer que "a credibilidade da política não está na ética" ! Tudo isto é triste, tudo isto é fado...

Ironicamente - um grande "favor" do agora deputado europeu social democrata ao PS de José Sócrates. E por tabela, dando vazas a Isaltino, Valentim e Fátima.

Talvez por essas e por outras, a "fuga" de Francisco Moita Flores !

Veremos se o "espectáculo" da apresentação do programa de MFL, na tal sala chamada "Átrio do Futuro" vai conseguir "apagar" estes "desvios" !





2009-08-25

ESTRANHOS CRITÉRIOS !

...OU A LIGA (do sr deputado e do sr costa jurista) NO SEU MELHOR !

O jornal A Bola explicou aquilo que não havia necessidade de explicar !

Pede-se menos burocracia ? - a Liga complica !

Pede-se mais transparência ? - Tudo muito mais obscuro !

Por mais critérios que "inventem", a realidade não mudará. É só ver os critérios da UEFA !

O Governo inventou um "simplex" - a Liga ( do sr deputado...)contrapôs um complex digno de qualquer exame de matemática de uma Universidade Privada.

Mas isso não é o mais importante ! O que interessa é ir "nomeando" cada vez mais Xistras para os jogos do Porto e mais Proenças para os jogos do SLB.

Há dias, o sociólogo Paquete de Oliveira escrevia um texto muito oportuno e muito interessante sobre o futebol português intitulado "UMA INDÚSTRIA A MERECER ATENÇÃO" !

Como espectáculo, falta muito ao futebol português para ser empolgante. Entusiasmante. Dá pena olhar a maior parte dos estádios vazios. O futebol, jogo jogado, é um espectáculo. O futebol faz-se, monta-se, para se ver. O futebol avalia-se pelo que se exibe. Pelas vitórias que se acumulam. Pelas multidões que se atraem aos estádios. Pelas audiências que se somam nas televisões. Ao fim e ao cabo, pelo espectáculo que se dá, se oferece. Ora, o futebol português tarda a ganhar esta dimensão de grande espectáculo. Até a selecção foi sinistramente contagiada. E um dia quando o super-Porto e o "ressuscitado" Benfica só jogarem na Europa (dói-me não poder incluir o Sporting), o campeonato português será "uma liga dos últimos", com muita luta intestina e casos sociológicos para contar, mas reduzido a uma dimensão caseira e doméstica.Ninguém quer repensar o campeonato português?

Clama-se pelo espectáculo, mas "castra-se" o espectáculo com árbitros de pouco nível!
E depois, ainda há alguém que se permite comparar os golos marcados nos diversos campeonatos europeus. Até em França ! Ali promovem-se os grandes "artistas" e não há receio de marcar as grandes penalidades e de cumprir a "regra" do fora de jogo:- em linha, é deixar correr a jogada !

Os senhores da Liga deviam reflectir sobre o pensamento de Paquete de Oliveira e tentar responder seriamente à pergunta colocada !

2009-08-24

À VOLTA DE MIM...E DO MUNDO !!!

FALTA DE VISÃO, FALTA DE CORAGEM,
FALTA DE CARÁCTER E MUITA INCOMPETÊNCIA!!!
(... ou onde se pode também falar do “futebol” português!).

Não era preciso sermos assim !
Apesar da nossa “pequena” dimensão territorial, outrora fomos grandes e enfrentámos gigantescos desafios! Contribuímos para um mundo novo !
Também hoje temos pela frente grandes desafios. Por isso, devíamos ser avessos à mesquinhez. Competência, Criatividade, Carácter – quase se poderia adaptar uma célebre “regra dos três cês” do Jornalismo : claro, correcto e conciso – é do que precisa hoje o povo português.
Mas a essa dimensão ética e profissional, preferimos a intriga, a insinuação, a superficialidade, a esperteza saloia, a deslealdade, a desonestidade e o egoísmo. O umbigo de cada um é o seu mundo... e a inveja é a primeira “virtude” do catálogo !
Fomos capazes de fazer HISTÓRIA, mas hoje não ultrapassamos a pequenez de um conjunto de “estorinhas” do quotidiano e da chicana política.
Como diz o Professor João Marques de Almeida, “o grande problema de Portugal não é a crise, mas a incapacidade de crescer e de produzir o suficiente para manter a prosperidade”! E este não é apenas um problema de um único “nicho” profissional. Diz respeito a empregadores e a empregados, a gestores, professores, investigadores, profissionais liberais, dirigentes políticos e sindicais, governantes e governados – a todos os cidadãos!
João Marques de Almeida “minimiza” a crise, mas a sua “responsabilidade” como pensador e analista das relações internacionais confere-lhe a “obrigação” de colocar no centro da reflexão todos os dados disponíveis. Assim – e embora Sarsfield Cabral diga que a “recessão global não se transformou em depressão” – como é possível ignorar as causas e os efeitos da gravíssima onda de choque financeira e económica mundial ? Se não fossem os “ensinamentos” da crise dos anos 30 do século passado, seguramente estaríamos agora a penar muito mais profundamente.
Outro ângulo de análise da frase de João Marques de Almeida, retirada do Diário Económico, pode ter a ver com o facto de a crise não ser para nós, portugueses, propriamente uma novidade. É verdade que – desde sempre – vivemos em crise !
Por outro lado, também desde sempre tivemos o “defeito” de “lançar o olho” ao vizinho do lado. Copiando ou criticando! Nunca competindo sadiamente. E também nunca deixando de comparar. A Grécia, a Espanha, a Irlanda – e agora até os novos países do Leste. Espanha e Irlanda eram exemplos. Mas veio a CRISE ! A Irlanda “foi-se”, a Grécia está como está e a Espanha vai ter este ano a maior quebra da história no consumo privado. Mas não só ! Os empresários espanhóis que vieram fazer fortuna na construção e no imobiliário, adquirindo dezenas de milhares de hectares de terra no Alentejo – confrontados com a crise, estão já de partida desfazendo-se das compras.
Entretanto, ao contrário do que preconiza por cá a líder do PSD, MFL – o governo espanhol defende o aumento dos impostos para os ricos, com o objectivo de pagar as políticas sociais.
Qual “nossa senhora” descida das núvens, MFL – apesar de não usar um vestido preto – adopta sempre a táctica do “não me comprometo”! Não sabe o que vai fazer, não diz o que vai fazer e transfere sempre o “ónus da coisa” ( para além do Governo – naturalmente) para a terceira pessoa do plural :- “façam”, “olhem” ! Ao jeito de PP, no CDS : a resposta é vossa!
Sobre o futebol [ muito antes do início do campeonato já tinha alertado para o que se viria a passar na arbitragem] acrescento apenas, por agora, a “vergonha” que tem sido a maior parte da comunicação social. Sobretudo dos jornais, sabendo-se já que a SIC “virou” a estação oficiosa do canal benfica e que a TVI, tal como o Correio da Manhã, é sobretudo “anti Porto”. São as pressões, são os títulos de A Bola (até mesmo de O Jogo) – campeão já temos, vamos agora divertir-nos! Só que o futebol, como tenho dito sempre, não é uma ciência exacta! Por isso, todos vão continuar a errar...
Não posso aceitar é que, por ex para o sr de fato às riscas penduradas nos caracóis, o que ele chama de novas tecnologias (incluindo a televisão) só sirva quando lhe dá jeito. E as decisões dos árbitros são apreciadas de acordo com o que defende!
Tal como A Bola e o Público titularam a propósito do Guimarães/Benfica e do Porto/Nacional, até parece que os encarnados não beneficiaram de uma expulsão e de um penalty. O que disseram ? Ramires salvou o Benfica ao cair do pano ; Penalty e duas expulsões encaminharam o Porto!
Já agora, só para constar (e seguindo o critério de Proença ao expulsar Flávio Meireles), ficaram ainda duas grandes penalidades por assinalar contra o Nacional. Uma na primeira parte, que as TVs vão passando, e outra na segunda metade ( que as TVs não passam), quando Patacas corta um cruzamento na linha de fundo com o braço.
E a tabela classificativa que A Bola apresenta ? Só para rir ! Por que razão o Marítimo e o Benfica, com os mesmos 4 pontos que o Porto mas com menos 2 golos marcados, estão à frente na tabela ? Já agora, seguindo o mesmo critério, deveriam também lá ter colocado o Rio Ave, igualmente com 2 golos marcados e 1 sofrido. Haja vergonha !

2009-08-20

IDEIAS E FRASES...


OS CARTAZES DO NOSSO (DES)CONTENTAMENTO !


Os tempos são outros, a tecnologia diferente, o marketing é agressivo, a comunicação tem outras facetas... Tudo isto para dizer simplesmente que já não há políticos como antigamente, já não se fazem cartazes como antes, pinturas murais como noutros tempos !

No entanto, eles andam aí ! O espaço/tempo move-se... A “criatividade” anda à solta !

MFL “ouve” os portugueses! Mas deve ouvir tão baixinho, que parece não saber passar a mensagem. Ajudem os que mais necessitam ! Quem ? Eles políticos/dirigentes do PSD ? Precisam do voto para irem para o governo ? E aquele onde se lê – Portugal não pode ficar hipotecado ! Mas qual é a data da hipoteca ? Do tempo do seu governo com Durão Barroso 1ºMinistro ? O de maior despesa pública ? Hipotecado já está há muito... basta ver o “cenário” !



E a sua mais recente aparição televisiva não deixou de ser um “flop”. A montanha...

E o PS de José Sócrates ? Avançar Portugal ! Avançar para onde ? E a que velocidade e com que custos ? Avançar para o TGV é essencial...mas talvez o aeroporto de Alcochete possa esperar. Talvez até o Sporting voltar a ser campeão (!?)... Não se tem falado tanto da relação “custos/benefícios” ? E se o Magalhães espalha, como outrora, alguma lusitanidade no Novo Mundo do Sul – por cá é difícil aceitar, salvo raras excepções, o “sucesso” das novas oportunidades ! Os mais de 5 milhões que o PS vai gastar na campanha, deviam ser aplicados em “verdades” mais sérias ou, se quiserem, menos dúbias. Como por ex o ensino do inglês ! Ou o complemento solidário. E mesmo as energias renováveis ! Sobretudo a forma como o Estado – através do Governo – enfrentou a crise ! Apesar dos muitos maus ministros ! Mais ética, mais deontologia e mais imaginação para criar emprego.


Depois vem a demagogia bloquista que pouco difere da do CDS (ou PP?). Muda apenas o sentido. Reforma completa para quem sempre descontou ? É pena que o BE só agora dê por isso, pois eu já fui atingido pela legislação Bagão Félix. A qual foi iniciada por Manuela F.L. E o que dizer de Paulo Portas ( o CDS não brinca aos políticos!) quando utiliza os problemas dos professores ou do rendimento mínimo – questões que, maioritariamente na sua origem, estão correctamente avaliadas !? A sua “gestão” é que ficou muito a desejar !

E o PCP ( ou é a CDU?) do camarada Jerónimo, que – num rasgo enorme de imaginação – resolveu copiar o slogan de Obama ? E todos sabem que é fácil “falar” em mais salários, mais pensões... A CDU, como sempre, cresce, vence e tem mais e melhores soluções. Tudo estaria resolvido se “todos fossem nacionalizados”. Também como diz o BE.


No caso particular de Moimenta da Beira, a que o Jornal Beirão [na sua edição de 07/08] já fez referência, recentemente ampliada pelas imagens no blog Moimenta na Net [ mesmo que apenas dedicadas aos dois partidos mais representativos ] – não quero deixar de fazer duas ou três considerações. Por agora, tendo em conta mais os aspectos técnicos do “marketing” do que propriamente a substância da mensagem política, sabendo que esta não deixa de estar condicionada pela técnica.



Em primeiro lugar, o papel decisivo da cor. Penso que a leveza do “branco” do cartaz de Luís Carlos leva vantagem sobre o “cansaço” do verde e vermelho do cartaz de José Eduardo. Mas nas fotografias, José Eduardo ganha a Luís Carlos. É preciso rever os óculos!

Depois, as palavras, os slogans. “Unidos” e “Futuro” são chamativos, mas há um “risco” na primeira e um “vazio” na segunda. O risco é a banalização da palavra unidade, enquanto o futuro não se pode apresentar sem conteúdo. Salva-se o destaque que lhe é conferido pelo “bold” das palavras.


Exactamente o contrário dos slogans de José Eduardo. A “força” quse não se nota e “acreditar” está uma palavra esbatida! E nestes tempos de crise, em que o seu partido tem o ónus da governação (parece quase uma maldição desde a restauração da Democracia) – “acreditar” é igualmente uma palavra de risco. Talvez invertendo a “mensagem”, AFIRMANDO que Moimenta da Beira Acredita ! Tem forças para isso.

Esperemos pelas “novidades” que virão.

O certo é que já nada é como antigamente! Reparem na força deste “mural” :


De facto, só os trabalhadores podem vencer a crise! Não são os ricos que a pagam !

Mas, no meio de tudo isto, há o que se pode considerar uma excepção. A força do cartaz de Manuel Monteiro. De facto, a luta começou !







À VOLTA DE MIM...E DO MUNDO !!!

ESPINHOS...

O castanheiro, frondoso
Marca a diferença na mata ao fundo do vale.
Mais ao lado fica o Tedo
Um fio de água corrente que chega cansado ao Douro.
Entre a sombra do castanheiro
E essa ribeira seca
Vivem seres dos mais estranhos
Rasteiros e deslizantes que se escondem entre as folhas
Fossudos e cabeçudos barulhentos quanto baste
Ou então de som matreiro
Como o lobo e a raposa.
Astúcia acima de tudo para além do natural
Na mata vive um país roído por muitos males
Seu remédio duvidoso não só tarda
É ilusão
Dos que choram e se lamentam à sombra do castanheiro
Sem ouriços sem espinhos
Um sonho eterno guardado.
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Agosto 2009
AB.

2009-08-16

ISTO SOU EU A PENSAR !...

PENSAR...PODE SER PERIGOSO !
E eu, às vezes, só em sonhar que posso pensar, até me dá arrepios !
O engº Sócrates gostaria que pudessemos pensar que a crise chegou ao fim ! Mas logo cai o Carmo e a Trindade e, de imediato, nos envolve um coro de protestos e de lamentações: - Manuela Ferreira Leite – qual caricatura de uma raínha santa à espera dos milagres da multiplicação – quer que todos pensem como ela e já chega ao cúmulo de imaginar que “ouve” os portugueses. Talvez pela proximidade de mais uma peregrinação a Fátima ! Na Régua, por ex, está um cartaz da sua figura bem junto a outro alusivo às festividades da Senhora do Socorro. E a frase “olhem pelos que mais precisam” parece mesmo retirada do pensamento dos apóstolos. Não sei é se a Senhora do Socorro lhe pode valer nos tempos mais próximos, em face das últimas diatribes dos apóstolos das “setinhas” !
Outra situação arrepiante, é ler ou ouvir o sr Medina Carreira. O homem destila certezas que enegrecem qualquer cenário de números ! Sejam do INE, da OCDE, da UE, do BM, do FMI ou da Reserva Federal dos EUA – nada lhe escapa. É tudo manipulação e tudo arrasa. Nem sequer podemos [ou devemos] pensar que o seu “pensamento” possa estar errado ou menos certo!
Pensar, também pode ser perigoso na óptica do sr Paulo Portas. Ele – que nunca pensou verdadeiramente! – empurra agora a obrigatoriedade de pensar para os portugueses. Não acha que isto ou aquilo está mal ? A resposta é sua !
E o que dizer do PCP e do BE ? Nem pensar ! À boa maneira de tempos ainda recentes, todos são obrigados ao “pensamento único” ! Na voracidade de acusar tudo e todos – cada um com sua nuance, naturalmente – combatem assanhadamente a esquerda democrática, dizendo não confundir o PS com os seus dirigentes, nos quais não se encontra o nome da sua bandeira “separatista”. Nem a campanha é alegre, nem Alegre quer entrar na campanha.
Será que os nossos políticos (economistas incluídos!) terão lido o que escreveu Paul Krugman no New York Times, traduzido em Portugal pelo “I” ? “Foi o Estado que evitou o pior”!
Só ler não chega. É preciso pensar ! Só que, às vezes, pensar...pode ser perigoso !
Então...deixem-se embalar pelas palavras do musicólogo Mário Vieira de Carvalho: - “Deontologia – eis do que o país mais precisa: nos órgãos de soberania, nos partidos, nos cargos públicos, na comunicação social, no exercício profissional, em todos os sectores de actividade. Só com legalidade e sem deontologia, quem é condenado e quem expia a culpa é o país”.

2009-08-03

À VOLTA DE MIM...E DO MUNDO !!!

MAIS UM ANO DE AQUILINO !



O LIVRO QUE LEVOU AQUILINO RIBEIRO À BARRA DOS TRIBUNAIS !



PUBLICADO EM DEZEMBRO DE 1958, "QUANDO OS LOBOS UIVAM" FEZ FUROR NOS ANOS SEGUINTES.




Escrevi no ano passado que, “celebrar Aquilino... é tão simples como saciar a sede”!

Sejam quais forem as razões, é sempre bom falarmos do “mestre”, da sua obra e das circunstâncias que marcaram a sua vida.

Passam agora 50 anos sobre o processo crime que lhe foi movido por via da publicação [em Dezembro de 1958] do romance “Quando os Lobos Uivam”! É um tema para repetir ao longo deste ano de 2009, sobretudo pelo impacto que a obra provocou, não se tinham ainda esgotado os ecos do polémico ano de 1958, com a gigantesca fraude eleitoral à volta da candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. O livro, que Mário Soares nem sequer considera como dos melhores romances de Aquilino, foi censurado, proibido e “escondido” pela PIDE mas, tal como tiro saído pela culatra, tais atitudes acabaram por lhe dar honras de uma obra de excelência. Mais cívica e política do que literária, mas certamente que serviu os propósitos... não tanto do “mestre”, mas sobretudo de quem lhe estava próximo ideologicamente e pode, assim, alimentar a oposição ao regime de Salazar. O “avolumar” dos ecos internacionais, do Brasil à URSS, foi importante para o encerramento e arquivamento do processo que, no entanto, se estendeu por vinte meses.

“Em Defesa de Aquilino” – é um livro da Terramar, prefaciado por Mário Soares e “organizado” por Alfredo Caldeira e Diana Andringa.





No seu prefácio, de 2 de Junho de 1994, o antigo PR diz que “Esse processo, completamente despropositado e ridículo, fez correr muita tinta, deu origem a uma incrível acusação, subscrita por um actual Conselheiro do nosso Supremo Tribunal de Justiça e antigo e contumaz membro do famigerado Tribunal Plenário (o que, mais uma vez, demonstra – como costumo dizer – a ‘superioridade moral da nossa democracia’...) e a uma lapidar defesa do grande e desassombrado advogado Heliodoro Caldeira, pai e sogro dos autores do presente livro”.

O processo contra Aquilino iniciou-se formalmente a 19 de Março de 1959 e foi mandado arquivar a 17 de Novembro de 1960, argumentando-se que existiam no romance Quando os Lobos Uivam passos injuriosos para corporações que exercem a autoridade pública e nomeadamente os tribunais.

Seguindo a cronologia do processo, criteriosamente gravada no livro de Alfredo Caldeira e Diana Andringa, podemos ler a 7 de Abril de 1959 declarações do então Director-Geral dos Serviços Florestais [Filipe Jorge Mendes Frazão] – o qual refere nomeadamente a conflitualidade social que envolveu diversos casos de florestação, citando a mata do Sobral, na freguesia de Serpins, concelho da Lousã; a serra do Montosinho e a serra da Nogueira, no concelho de Bragança e a arborização da serra de Leomil, no concelho de Moimenta da Beira – negando, quanto a esta última, que se tenha passado “algum facto de interesse”. O declarante refere ainda não lhe parecer que haja no romance alusões a quaisquer casos concretos da arborização actual das serras, embora admitindo que – a propósito da serra de Leomil – “possivelmente Aquilino Ribeiro interveio como proprietário que é na região”.

Por agora, é também interessante reter a informação sobre as diligências efectuadas pelo agente [da PJ] Adérito junto da Livraria Bertrand. A 24 de Março de 1959, diz o agente que : - o livro foi posto à venda em 31 de Dezembro de 1958, tendo apenas distribuição no continente e ultramar. Poucos exemplares saíram para o estrangeiro. As provas tipográficas ficaram em poder de Aquilino Ribeiro. O livro teve uma tiragem de 8.900 da ed.normal + 300 de luxo + 25 de luxo do autor (a tiragem foi aumentada na medida do interesse que teve no mercado). Na livraria havia apenas 74 exemplares da edição de luxo e 32 da normal. O autor introduziu alterações no texto do romance à medida que ia sendo impresso.