2010-10-07

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !



SÃO QUATRO !

São quatro

E partiram bem antes do fim da história.

Deixaram uma saudade perdida

Um vazio imenso

Neste mundo onde se move a minha vida.

Se eu pudesse reverter o tempo

E a alma contada por minutos

O ontem seria tempo ainda hoje

Teimosamente a rodar no tic-tac.

Poderia assim continuar a lembrar de minha mãe

O seu sorriso sofrido

E de meu pai ser saudoso

Do seu sorriso matreiro!

Mas outra mãe se revela

E outro pai se adivinha

Laços novos e antigos

Apertam todo o espaço

Cortam-me a respiração

Estas memórias cansadas

Que o tempo revolto vira

E se apressa a descobrir

Que nunca faz mal sorrir.

São quatro.

Sinto a falta que me fazem

E de todos eles a fé

Num dia seguinte novo !

----------------

Maio, 2010

2010-10-06

A REPÚBLICA !


Podia ter sido assim. Em vez do vermelho e verde - cores defendidas nomeadamente por Afonso Costa, António José de Almeida e Teófilo Braga... o azul e branco mereciam a confiança de Guerra Junqueiro, António Arroio e Sampaio Bruno.
Os primeiros entendiam o verde e o vermelho como as cores originais da revolta portuense de 31 de Janeiro de 1891...enquanto os segundos afirmavam que o azul e o branco não representavam a monarquia - antes significavam a nacionalidade e a liberdade !
Talvez o caminho tivesse sido diferente...com menos escolhos.


2010-10-05

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


A PROPÓSITO DO 5 DE OUTUBRO DE 1910.

QUE O MESMO É DIZER... A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA !

O país não está preparado !

Faz cem anos. E não parece. Dizem que a História não se repete... mas, não sem alguma preocupação, começo a pensar que tudo é possível. A Primeira República foi um desastre, a Segunda foi o que ditatorialmente sabemos e agora a Terceira não leva um bom caminho. É verdade que têm soprado uns maus ventos de fora...mas o que realmente me preocupa é a eterna falta de capacidade e de honestidade para fazer as coisas bem feitas.

O país – até parece que o António tinha razão! – dá a triste ideia de que nunca está preparado para assumir as mudanças. Os avatares deste novo mundo! E não se coloca em questão a problemática das novas tecnologias. É tudo mais profundo... mais arrevesadamente profundo!

Acabadinha de chegar... aparece Fernando Pessoa e diz : - “o observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava”.

O país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma !

Não estava preparado para ser independente; os descobrimentos terão sido uma circunstância feliz, mas o país não estava preparado para assumir um encargo de tal envergadura; o peso de meio mundo era demasiado. Tal como depois – mais tarde – não estava preparado para a colonização e, finalmente, impreparado para a descolonização. Pelo meio, nunca esteve preparado para a democracia e – quando ela foi oferecida pelos militares, outros que não aqueles que a derrubaram em 1926 – ninguém estava verdadeiramente preparado para os seus efeitos, chegando mesmo a colocar em perigo as liberdades !

O país não estava preparado para a CEE; o país não estava preparado para o EURO; o país não está preparado para a CPLP; o país não está preparado para enfrentar a crise internacional; o país não sabe lidar com o défice; ele próprio é um défice permanente; o país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma!

Não deixa de ser curioso recordar um texto ( e uma voz ) de Agostinho da Silva. Ele próprio, numa gravação de António Escudeiro. O título :- Tudo mudou e o Diabo deste País não muda. Um pouco a propósito de uma sua reflexão sobre o chauvinismo. Diz e escreve o Professor:- “Não há nenhum país como Portugal. É chauvinista um sujeito dizer que todos os países têm mudado de fronteiras e que o nosso amigo continua com um pequeno arranjo que houve por causa do vizinho, quanto a este pontinho ou àquele pontinho, mas que continua com as fronteiras, país único no mundo. Tudo mudou e o diabo deste país não muda, não é assim ? E que depois houve todas aquelas ideias de como era o oceano, de como era a geografia ou o o oceano, e tal, e o que é que aconteceu ? Aconteceu que foram os portugueses que derfam ao mundo o mar de que o mundo não tem jeito de se desfazer”. E prossegue a deliciosa prosa ( e filosofia!) do mestre Professor Agostinho da Silva:- “Então, os cavalheiros fabricaram o país – que não podia ser, mas fizeram -, único, depois fabricaram o barco que não havia – e os tipos fizeram – e não havia outro jeito senão aceitá-lo, não é? E, por outro lado, ainda há o projecto do futuro. Alguém está pensando no mundo como pensaram os portugueses, com essa amplitude ? Coisa nenhuma! [...] e agora o que os portugueses têm que dizer o mais pacificamente que puderem e o mais teimosamente que puderem é que o mundo tem que ser aquilo que eles querem que seja. Quando agora começa a aparecer a ideia de que, como a nova Europa que vai fazer, com a Alemanha, com o Leste e com isso e com esses interesses todos, que vai começar a ir para a Bulgária, e para as Hungrias, e para as Polónias, e essa coisa, o dinheiro que vinha para Portugal. E que Portugal vai ser um pobrezinho, uma ilhota aqui nesta Europa, pobrezinho e tal, sem o tal dinheiro...felizmente! Porque o dinheiro que vinha da Europa era só para fazer os portugueses europeus. Não queremos para nada essa porcaria de ser europeu. Queremos é repetir aos europeus que não vão ter outro remédio senão submeter-se ao que é cultura portuguesa e fabricar um mundo que não tenha pressões económicas, e que as crianças estejam livres, e que não haja para ninguém prisões”.

Palavras gravadas nos anos de 1990...mas só publicadas em 2006, no centenário do seu nascimento.

Naquela altura, como hoje, não há que ter medo! É preciso seriedade e honestidade na governação, mas é também necessário derrotar os profetas da desgraça. E colocar travões às pressões da alta finança – seja ela europeia ou americana. O que eu duvido que possa vir a acontecer! Os interesses eleitorais falam mais alto! Tal como a demagogia dos políticos que vamos tendo – quer nos governos, quer nas oposições!

É que, afinal, o país continua a não estar preparado para coisa alguma!

Mas isso não me inibe de gritar aqui, bem alto, um Viva a República!

2010-09-29

UMA LEMBRANÇA...


ÁRVORES DA MINHA INFÂNCIA

Penso nas árvores da minha infância

Grandes de porte

Frondosas de sombra

Raízes rompendo esventrando o chão

Húmidas hastes rastejando em bruto.

As árvores da minha infância

(na sua maioria)

Parece terem hibernado

E depois acordado

De um sonho mal contado.

Robustas e morenas

Centenárias e serenas

Aspirando o Sol ,

Projectam a sombra nos passeios da Ilha

Protegem quem passa

E nunca repara

Nos gestos de carinho

Das folhas e flores,

Ramos enlaçados em velhos amores

Memórias salientes de veias curtidas

Tropeçando em mim

No peito dormidas

Sonhadas jardim

Infância suspensa!

AB. Em "Seios Ilhéus" - 2010.

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


UMA GERAÇÃO MENOS RICA !

Foi há dias. Não muitos. Nestas tão verdadeiras quanto perigosas auto-estradas da informação que as novas tecnologias permitem/proporcionam, alguém se lembrou de buscar o passado e po-lo ao alcance de um click no FB.
Apesar da exposição "mediática", foi bom recordar e - mesmo para alguns - um excelente exercício de memória. E nas caras que davam vida aos corpos nas fotos exibidas já não mora o sorriso juvenil que ajudou a animar outros tempos em locais bem longe. Em algumas há agora tristeza e amargura pela impotência de travar uma doença de longa duração. Consumidora de almas tranquilas e de corações altruístas. No caso do Zé, talvez tenha sido ele próprio a desejar apagar por momentos o sorriso da foto. E assim vai ser por alguns dias. Depois...todos voltaremos a lembrar o Zé na sua juventude e, sem complexos, voltaremos a sorrir com ele. Devemos essa pequena alegria pelo menos à Nela Mendes, companheira permanente até Domingo passado - o dia da notícia que me chegou por telefone móvel.
Da família inicial, que muitos conheceram em S.Tomé e Príncipe, o Zé Mourão foi o último a partir. Ficamos com a memória da irreverente alegria do irmão António; ficamos com a memória da simpatia da mãe e com a lembrança da tenacidade do pai - médico que participou no combate à erradicação do paludismo nas Ilhas do Meio do Mundo em finais da década de 1950 e primeira metade da década de 1960. Para que os habitantes das ilhas pudessem usufruir de um pouco de qualidade de vida.
Com a ausência do Zé em parte incerta, todos perdemos um pouco. Mesmo os membros de uma primeira família que ele construiu no início da caminhada adulta e que depois, por circunstâncias diversas, tomaram rumos diferentes.

2010-08-14

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


Agora, que estes incêndios me queimam o coração e a alma, lembro-me dos baldios e da pertença das matas a quem de direito. Ao povo que amava a serra. E aos lobos que nela habitavam. Tal como escreveu o Mestre Aquilino Ribeiro em "Quando os Lobos Uivam" - uma obra que lhe valeu um processo judicial e uma "condenação" na praça pública movida pelo Estado Novo. Mas há sempre alguém de coragem. E que a teve para responder ao processo. A resposta foi então publicada no Brasil com este título - a merecer honras de guarda na Biblioteca de Aquilino Ribeiro, em Moimenta da Beira, por oferta do Dr. Carlos Semedo, Juíz em Castelo Branco.


Serve esta nota introdutória de mote a uma simples reflexão sobre o actual "clima" dos incêndios em Portugal.
Será já um tempo sem retorno ?

Incêndios ?

Mais calor? Alterações Climáticas?

É sempre bom lembrar os “desafios” de Aquilino.

Como os de “Quando os Lobos Uivam”, que eu recordo em “Da Beira !”, de 2008 : - “Querem retemperar a nação e a raça? Arborizem, arborizem a serra...”.

Pois, dizia eu na carta ao Mestre ... “mas muito poucos ou quase ninguém lhe deu ouvidos. E tudo se foi queimando na voragem das chamas dos incêndios cada vez mais violentos. As tentativas de reflorestação só vingam e duram o tempo que os “interesses instalados” vão permitindo. Os ciclos de vida e de morte são cada vez mais curtos. De outra sorte, este tipo de fenómenos (que é preocupante na Amazónia) apenas representa um dos vértices do chamado “aquecimento global”, o qual tem provocado a redução drástica das calotes polares, seguindo-se o degelo e a subida das águas dos oceanos. Consequência inevitável (por falta de vontade política dos líderes mundiais) vai ser o desaparecimento de algumas ilhas e a tranformação da fisionomia costeira de alguns países e continentes, dentro de alguns anos, incluindo o rectângulo português europeu – que já hoje não parece o mesmo. E os rios de água límpida (apanhada com a concha da mão) que admirava (Paiva, Távora, Douro, Minho, Coura ou Âncora), já não matam a sede de caminheiros ou peregrinos”.

Será já um tempo sem retorno ?


À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !



ESPINHOS...

O castanheiro, frondoso

Marca a diferença na mata ao fundo do vale.

Mais ao lado fica o Tedo

Um fio de água corrente que chega cansado ao Douro.

Entre a sombra do castanheiro

E essa ribeira seca

Vivem seres dos mais estranhos

Rasteiros e deslizantes que se escondem entre as folhas

Fossudos e cabeçudos barulhentos quanto baste

Ou então de som matreiro

Como o lobo e a raposa.

Astúcia acima de tudo para além do natural

Na mata vive um país roído por muitos males

Seu remédio duvidoso não só tarda

É ilusão

Dos que choram e se lamentam à sombra do castanheiro

Sem ouriços sem espinhos

Um sonho eterno guardado.

-----------------

Agosto 2009

AB.

2010-07-18



NELSON MANDELA – O HOMEM !

Entre os inúmeros adjectivos elogiosos que têm surgido a propósito de Nelson Mandela – o homem que hoje se homenageia por iniciativa das Nações Unidas – há, infelizmente, muitos lugares-comuns. Como aquele de Durão Barroso:- Nelson Mandela é um líder muito carismático.

Uma pequena evidência. Carismático? Mandela não apenas mudou um país. Conseguiu (re) construí-lo sobre os escombros de um regime controverso, polémico, desumano. E fê-lo com um grande coração e com uma mente aberta e visionária. Mandela soube perdoar sem perder a firmeza dos grandes líderes. E não conseguiu apenas um Estado – democrático e de direito – está também a ganhar uma Nação.

Que os seus “ensinamentos” perdurem. Para bem da estabilidade africana e mundial.






2010-07-12

GRANDE ! IMENSO !


LANCE ARMSTRONG !

Ao contrário do árbitro inglês que apitou a final do mundial na África do Sul... Deus coloca entre nós almas de uma grandeza insuperável.

Cai - levanta-se; fura - troca; volta a cair uma e outra vez... levanta-se de novo e dá ânimo aos seus companheiros de equipa. O descanso justo desta segunda-feira não vai chegar. Mas ele vai ficar para lutar.

Será uma lenda do Tour. A maior certamente !

O CICLISTA... O HOMEM !

2010-07-11

MAIS UMA VERGONHA !


POR ISTO... É QUE NÃO VALE A PENA "ACREDITAR" NAS FIFAS E NAS UEFAS !

O FUTEBOL A ESTE NÍVEL É UM PURO EMBUSTE !


VALHAM-NOS OS DISTRITAIS EM PORTUGAL E NO BURKINA FASSO !

Só compreendo a realização desta final do mundial de futebol, na medida em que foi preparada para receber e dar uma alegria a Nelson Mandela.

Pelo futebol nas quatro linhas - mais valia ter dado logo a taça aos jogadores espanhóis.

E já que eles não marcavam... foi preciso a intervenção do árbitro ! Já que não vai contra 11, então vai contra dez !
Critério ?
Não foi mais evidente a "placagem" de Puijol a Robben ? Falta sobre Iniesta ? Grande simulação! Bastou sentir o leve toque de uma mãozinha....
Feliz pela realização de um Campeonato do Mundo em África - mas cada vez menos crente no futebol ( negócio ) de alto rendimento. Rende... mas só para alguns ! Blatter, Platini e outros que tais.

Já parece a novela da Telefónica... Depois da Itália, atacar em Portugal.
E a Média Capital e o RCP ? E a Agência de Viagens Marsans ?

Vai uma aposta sobre o que se vai passar em Portugal, nesta época que se vai iniciar ?
Basta ficar atentos ao sr. Vitor Pereira e ao impulso que foi dado a Benquerença na África do Sul.

O golo ilegal frente a Portugal... e hoje, mais uma vez, o campo acentuadamente inclinado !

A favor do "Barcelona" !

2010-07-10

A PROPÓSITO DE UMA EFEMÉRIDE !



SAUDOSISMO É SAUDADE, SAUDOSO, NOSTÁLGICO... NÃO HÁ UM QUARTO (E PEJORATIVO) SIGNIFICADO !

Mas 35 anos depois das independências das ex-colónias portuguesas em África - ainda há quem veja nas "saudades" uma atitude negativa e a merecer reprovação. Aconteceu há dias num programa da TVI.

Rebaixar a saudade, atribuir-lhe uma conotação fora de tempo pode querer significar, por um lado, um exacerbado narcisismo moral e, por outro, uma total incapacidade para perceber que as raízes estão - sobretudo - na terra onde crescemos.

E como eu digo no meu último livro "Seios Ilhéus" .,.. quem cresceu numa ilha, amou e ama mais profundamente !

S. Tomé (e Príncipe), que adquiriu o estatuto de país independente a 12 de Julho de 1975, marcou sobremaneira a minha condição de ser humano. Com defeitos e virtudes, como em qualquer outro lugar do planeta, mas com um horizonte de sonhos só igualável pela grandeza do Oceano.

Ali cheguei em 1953, com apenas 3 anos de idade! Outros para lá viajaram já homens feitos, à procura de um serviço militar mais tranquilo nos anos de mil novecentos e sessenta ou setenta.

Só pode ser saudoso de S. Tomé e Príncipe, quem viu crescer as casas e abrir ruas, quem respirou o fumo dos químicos que erradicaram o paludismo em finais dos anos de 1950, quem brincou à chuva nos caminhos de barro, quem "tocava" o arco só em calças de pijama entre o bairro da Conceição e a Escola Vaz Monteiro, quem se aventurava no canavial da Ponta Mina, quem comia caroço e jogava à bola no Parque do Sô Secreta.

Só pode ser saudoso de S. Tomé e Príncipe, quem apanhava a manga atirando pedras à árvore ou colhia o úntué na beira do caminho, quem via acordar a Cafendeia no jardim do início do Bairro de S.João - na sua injusta e penosa errância pela típica cidade colonial.
Não se é "saudosista" (na tal enganosa significância dos falsos moralistas) pelo facto de chorar as memórias dos bancos da Escola e do Liceu, pelo facto de lembrar a pesca do charoco na foz do Água Grande que divide a cidade.
Tem o direito de ser saudoso quem aprendeu a nadar nas águas da Baía de Ana de Chaves ou no pontão da Praia Maria Emília, tem o direito de ser saudoso quem recorda as primeiras aventuras "amorosas" escritas em papelinhos enrugados e enviados de carteira em carteira até ao destinatário da infantil paixoneta.

Perceba-se, compreenda-se, assuma-se, critique-se a História. Mas não nos coloquemos fora do passado. Todos somos livres de não sentir saudades. Mas não se rejeite a legitimidade da saudade dos outros. E, sobretudo - não se espalmem rótulos !

PARA QUEM NÃO LEU... fica esta pequena crónica da "viagem" !

APENAS UM PEDACINHO DE HISTÓRIA DE UM PEQUENO PARAÍSO...

E DEPOIS... HÁ SEMPRE
Há cinco anos publiquei este livro - Escravos do Paraíso - tendo consciência de que 30 anos é apenas uma gota de vida num Estado-nação. Mais cinco anos acrescenta muito pouco. Mas quem ler perceberá melhor as dificuldades de construir um país - sobretudo em quadros políticos internacionais completamente divergentes. O que não retira responsabilidade aos agentes políticos nacionais.


ENTRE 2005 E 2010, TIVE A OPORTUNIDADE DE AMADURECER MAIS ALGUMAS IDEIAS. MAS DEI-LHES A FORMA DE POEMA. A INTIMIDADE DA MINHA SAUDADE, ALGUMAS DESILUSÕES - MAS SOBRETUDO A TRANSPARÊNCIA DAS MINHAS EMOÇÕES E DOS MEUS AFECTOS.

POR ISSO... LHES CHAMEI "SEIOS ILHÉUS":


DESTE ÚLTIMO LIVRO, DISSERAM POR EXEMPLO:

O meu camarada jornalista Francisco José Oliveira - homem da Rádio em muitos anos de Angola:
"Desde logo, importa referir que a obra é profunda, telúrica, num apelo à terra que pariu inúmeras gerações, espalhadas durante séculos pela diáspora santomense. Ao mesmo tempo, transborda de sensualidade e de erotismo, porque o autor joga magistralmente com uma duplicidade de conceitos expressos por palavras homófonas e homógrafas mas que deixam ao imaginário de cada leitor a transição para a geografia do corpo de uma mulher e do corpo ubérrimo da terra".

E o meu conterrâneo Manuel Rodrigues Vaz - também jornalista e agora Editor - igualmente jornalista em alguns anos de Angola:
"Habituado que estava a encará-lo apenas como jornalista, não imaginava a força e o sabor dos seus poemas, cuja cadência ondulante a lembrar os ambientes quentes de África com toda a magia dos seus poentes inesquecíveis e o pulular das suas gentes cheias de cor e encanto nos prendem e cativam crescentemente".

POR HOJE BASTA ISTO... pois o objecto da crónica é a efeméride de 12 de Julho de 1975 - data da independência de S. Tomé e Príncipe, um país cuja economia o Fundo Monetário Internacional (FMI) vê hoje com alguma preocupação, tendo em conta a paridade da moeda com o Euro.


PALAVRAS DE PAIXÃO !



O FUTEBOL É PAIXÃO... E NÃO HÁ QUE TER MEDO DAS PALAVRAS !

Também com elas se constroem vitórias ! Escritas pelos adeptos - alguns, legal e devidamente organizados em grupos, as claques !

E o "COLECTIVO" já vence desde 1995, oficializado em 5 de Julho - embora a festa dos 15 anos aconteça hoje !

Parabéns pela dedicação chegaram de variadas formas.
Quero realçar, contudo, está página da edição mais recente da revista Dragões. É normal que os clubes agradeçam aos seus adeptos mais dedicados - são as claques que se movimentam de estádio em estádio e nem sempre em condições fáceis e dignas - e lhes prestem a homenagem merecida, mas não deixa de ser significativo o espaço reservado pela revista oficial portista.

E como dizia no título, não há que ter medo das palavras.
Expressam um sentimento profundo de paixão clubística, criatividade e humor quanto baste !
Como evidenciado nesta última foto, relativa ao Porto/Benfica da época passada.

Perdendo ou ganhando... as palavras marcam sempre !

Parabéns Colectivo 1995 !


E numa época de renovação que se anuncia... que a vossa criatividade permaneça !






















2010-06-30

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


OS NÚMEROS SÃO ESTRANHOS !

O Estado vai perder 12,5 milhões de euros com o adiamento das portagens nas SCUT.

Mas o Benfica - que é o Estado ou uma das partes mais importantes do Estado - vai receber pela transferência de Di Maria para o Real Madrid 14,9 milhões. Bem vistas as coisas, ainda ficamos a ganhar!
Sobretudo se se confirmar que, afinal, a transferência pode chegar aos 22,6 milhões. Primeiro eram 35 milhões ( a mais cara de sempre do futebol em Portugal), depois 30 milhões - mas poderia chegar aos 36, por objectivos; ainda um outro número falava de 25 mas com possibilidades de chegar aos 30 e agora, finalmente, tudo baixou para 14,9 - podendo eventualmente atingir a marca de 22,6.

Tudo isto terá alguma coisa a ver com impostos ou com "engenharia financeira" ?

Não creio. Reparem que já foi mostrado o vídeo com o fora de jogo no lance do golo da Espanha a Portugal: - 22 centímetros fora de jogo ! É um número mítico. E fatal ! Tal como foram fatais as faltas mal ou não assinaladas no jogo com o Brasil; tal como foram fatais os 6 ou 7 penaltis não assinalados na fase de apuramento. A esta hora não se discutiria a competência de Carlos Queirós. De um grupo de jogadores de cada "nação" quase conseguiu chegar longe. Tão longe quanto as fífias da FIFA. Nomeia os árbitros que estiveram 3 anos sob observação...e depois pede desculpa pelos erros. Pedir desculpa por terem apurado o Brasil ? a Argentina ? a Espanha ?
Haja decoro! Pois a ética já "foi". O que interessa é o dinheiro !

Adiante.

No aspecto político, o que é importante é reter, por um lado, a ideia de que o governo tem andado a reboque do PSD e a contribuir para a estratégia tão naif como demagógica da oposição. Por outro lado, é insuficiente a inteligente visão do ministro da economia, Vieira da Silva, ao tentar colocar a pressão no PSD. Já é tarde, não pega.

Ora avança, ora recua - Sócrates está cansado. O que fazem os seus assessores que, por milagre, não viram os seus rendimentos diminuídos ? Nada. Continuam a ouvir (não a escutar) alguns OCS, para depois tentarem reagir.

Quando se tomam medidas impopulares, é preciso "saber" compreendê-las, primeiro, para depois as explicar. E prever como o país vai reagir !

Não foi o PSD a ultrapassar o PS nas sondagens... foram os socialistas - o seu governo - que perderam o controlo. Combatam-se os números (hipotéticos) com outros números que possam ser credíveis. Mas os números do Governo devem aparecer primeiro e sem margem para poderem honestamente ser criticados.

E a demagogia...pode e deve ser combatida com demagogia. A luta política não serve apenas para conquistar o poder. É preciso mantê-lo. E andar sempre um passo à frente ! Contudo, se for necessário, também é preciso saber recuar um passo para avançar dois !

Por onde anda o PS ? Abandonou o Governo ? O seu poder de mobilização ? O PCP está na rua... mas o PS recolhe-se. E luta internamente. Até à derrota final - nas Presidenciais que estão a chegar.

É preciso um abanão. Dar voz à ministra da Cultura! À ministra do trabalho e emprego. Ao ministro da Presidência, que não aparece tanto quanto devia. Menos protagonismo ao ministro dos Assuntos Parlamentares, a não ser para - mesmo demagogicamente - "abrir" a Assembleia da República aos portugueses, onde os números que circulam na internet são estranhos. Mas são os números que vendem ! Por isso, há que baralhar e dar de novo. Tomar a iniciativa de cortar nas despesas e andar à frente nas propostas para uma eventual revisão constitucional.

Se não estão preparados para tomar a dianteira, então o melhor é antecipar os cenários que Marcelo Rebelo de Sousa e o PSD têm vindo a adiar. Mas já perderam terreno para o PR, quando permitiram que, depois de críticas fortes, Cavaco Silva dissesse que a cooperação estratégica era para levar até ao fim.

2010-06-23

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


SÃO JOÃO...

Eu sou o Porto
e tudo o que alcanço
e que nem sempre mereço.


AO COMPRAR O MANJERICO

VI QUE A QUADRA FALTAVA

NÃO ENTREI EM DESESPERO

S. JOÃO SÓ DESCANSAVA.


POR ONDE ANDARES S. JOÃO

À NOITE ÉS TU QUE DECIDES.

O MEU AMOR SEMPRE ESPERA

PENDURADO EM DOIS CABIDES.


MUITOS BEIJOS ESTA NOITE

UM AO OUTRO HÁ QUE DAR.

S. JOÃO SE NÃO TE IMPORTAS

VEM MEU AMOR ACORDAR.


UMA RIQUEZA TAMANHA

CRESCEU DE NOITE AO LUAR.

S. JOÃO FICOU MAIS POBRE

P’RÓ MEU AMOR AJUDAR.


S. JOÃO É PEQUENINO

MAS TEM UM GRANDE CORAÇÃO,

CHEIO DE AMOR PARA DAR

POUSADO NA MINHA MÃO.


NESTE MUNDO EM CONFUSÃO

HÁ UM SANTO MILAGREIRO.

O SEU NOME É S. JOÃO

NÃO TROCA AMOR POR DINHEIRO.