2010-10-15

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


MINEIROS..... NUM CHILE NOVO !

Tal como milhões de pessoas em todo o mundo, interessei-me e assisti emocionado ao desenrolar da brilhante e eficaz operação de resgate dos mineiros chilenos, presos durante 69 dias a mais de 700 metros de profundidade.

A história foi sendo conhecida e relatada ao longo deste tempo e, por isso, não será ela o objecto deste meu apontamento.

Confesso que, apesar de inusitadamente emocionado, não era minha intenção escrever o que quer que fosse – correndo o risco de acrescentar outras banalidades à globalizante, massificante e perigosamente uniformizante catadupa de notícias. Embora em menor escala – eventualmente uma circunstância feliz – os media nacionais não deixaram de copiar praticamente todos os grandes colossos da comunicação social internacional. Mas igualmente não será este o motivo das minhas palavras aqui, talvez com uma excepção. Não resisto a salientar o que considero ser um infeliz pormenor num comentário que ouvi numa estação de referência da TV portuguesa. No meio de tanta emoção, de tanta informação técnica sobre a operação de salvamento dos mineiros, no meio de uma espiral de solidariedade internacional que o drama havia produzido – eis que um jornalista saca da sua “caxa” : - os mineiros vão defrontar-se com uma série de problemas, sendo preocupante a forma como terão que lidar com as suas amantes ! Ponto final parágrafo !

Mas o que me empurrou para a crónica, foi ter recebido pela manhã uma pequena mas profunda mensagem do meu caro amigo Jorge Bento. Transbordando felicidade e humanidade, dizia ele que a operação se tratou de uma extraordinária performance humana, sublimadora e transcendente de tanta coisa baixa e mesquinha que ainda tolhe os passos da tentativa de elevação da Humanidade. Elevemos os olhos ao céu e sonhemos outra realidade !

E então lembrei-me do Chile ! Do actual país numa via de consolidação democrática e que foi capaz de gerar toda esta onda de solidariedade internacional... mas sobretudo do seu ainda recente contraponto – o Chile da ditadura que Pinochet instaurou a 11 de Setembro de 1973 com o apoio da política externa dos EUA.

E rapidamente alcancei as histórias que o resistente dissidente Luís Sepúlveda brilhantemente nos conta na sua obra de grande alcance, tendo igualmente como pano de fundo de alguns dos seus textos os mineiros chilenos alvo da repressão. Como por exemplo neste “O General e o Juíz”, no qual aprendi o massacre do exército em 1907 em Iquique. E recordei também dois episódios da ditadura recente – o que Sepúlveda descreve como fazendo parte da ininterrupta história infame da infâmia.


1967 – Ao tempo do Presidente Eduardo Frei (pai), também no deserto de Atacama, sufocada greve dos mineiros de El Salvador em luta por melhores salários. Ataque do exército provocou oito mortos, que os jornais da época consideraram agitadores.

1968 – Cidade austral de Puerto Montt, um grupo de famílias sem casa ocupou a fazenda abandonada de Pampa Irigoin, construindo aí barracas de madeira e cartão. Ataque do exército provocou onze mortos. Justificação :- os militares haviam reposto a ordem e o respeito pela propriedade.

Para além de nunca se ter efectuado uma investigação, nunca se mencionou que o responsável pela execução dos dois massacres foi Augusto Pinochet.

Felizmente há um Chile novo que nos permite sonhar outra realidade, como sublinhou Jorge Bento. E que permite novas reflexões à leve - mas profunda - escrita de Luís Sepúlveda neste "A Sombra do que Fomos".






2010-10-13

DE NOVO E SEMPRE O MESTRE AQUILINO !


O MESTRE, UM ADVOGADO, UM BISPO E UM LIVRO.

Não conheço pessoalmente o Dr. Manuel de Lima Bastos, de quem o Senhor D. Manuel da Silva Martins, Bispo emérito de Setúbal e um destacado combatente pelas coisas certas da vida, diz ser "um especialista na arte de escrever e um homem que sabe e que sente" e que "...eu até caí na heresia de chegar a compará-lo com o seu ídolo Aquilino Ribeiro. Quem não gosta de Aquilino?".
Gosto eu, naturalmente, a par de mais algumas centenas de portugueses que se interessam pela obra ímpar do Homem da Nave, exímio mestre na arte de conjugar elegantemente o verbo e o sujeito da simplicidade humana. E por gostar, aqui o trago de novo ao convívio dos meus pensamentos com, sabe-se lá, uma forte meia dezena de leitores deste espaço tão real quanto virtual - obra e graça das chamadas novas tecnologias que marcam o ritmo deste nosso tempo.

Voltando ao início da função, apraz-me registar que Manuel de Lima Bastos nasceu num frio mês de Janeiro, tal como eu, apenas dois dias depois e alguns anos antes do meu aparecimento terreno. E depois, a feliz coincidência de um "espírito santo de orelha" que me foi transmitido por D. Manuel Martins, provavelmente durante uma das mais "recentes" entrevistas que teve a amabilidade de me conceder ou no acto de uma oferta do meu livro "Da Beira !...Alguns Poemas e uma Carta para Aquilino". Lima Bastos seria um excelente conhecedor da obra do Mestre ! E é.

Comprova-se, lendo este "roteiro" aquiliniano pelas chamadas Terras do Demo a que o autor deu o título de "De Novo à Sombra de Mestre Aquilino" - uma sequência de um primeiro "À Sombra de Mestre Aquilino" saído em 2009. Este, de que agora faço uma primeira leitura, vai ser apresentado em breve, esperando que o seja também em Moimenta da Beira e, naturalmente, na Biblioteca que leva o nome do Mestre.
Evitados os escolhos da primeira publicação, que o autor relata neste "segundo" volume, fica a boa nova de um próximo já praticamente pronto "...sobre a polémica célebre que Aquilino travou com o meu conterrâneo D. Sebastião Soares de Resende, primeiro bispo da Beira, nas páginas do suplemento literário do jornal Novidades[...]".

O "roteiro" desta obra começa em Vila Nova de Paiva, seguindo no rasto do Mestre Aquilino por Terras de Sernancelhe, Terras de Moimenta da Beira, Terras de Aguiar da Beira, Terras de Sátão... e termina com uma carta ao Mestre como se fora um posfácio, no qual se pode ler : "Não nos conhecemos fisicamente mas há mais de sessenta anos, sentindo a sua presença benigna à minha volta, o tenho na conta de pessoa de família a quem posso contar tudo e de quem posso esperar que tudo compreenda".

Uma excelente obra de leitura e de consulta, de um autor em que D. Manuel Martins vê como que o reflexo de Aquilino Ribeiro. Boa leitura.

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !



Terrível...esta angústia de tentar manter uma certa cadência de escrita e verificar, na realidade, que nem sempre é possível - apesar do desejo e de quase sentir a obrigação de vir aqui. E de repente há uma notícia fulminante que não se pode evitar.

Partiu mais um companheiro de infância nas Ilhas do Equador Africano. O Pacífico Brandão - um bom gigante! Na amizade e no companheirismo. Que depois foi camarada de trabalho na RDP. Tinha apenas 56 anos de idade e um coração "doador" que viria a transformar-se em causa. Deixa duas filhas e a Amélia - uma companheira de sempre na vida e no trabalho. Para elas um abraço especial, que envio também à irmã Lurdes, igualmente presença antiga nas relações de trabalho, primeiro nas Ilhas do Meio do Mundo e depois aqui em Portugal.

E registo também a memória dos pais que dos meus foram próximos.

Até um dia destes Pacífico. Descansa bem.

2010-10-08

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


Vem a propósito dos dias que vão correndo....


A CHUVA E A MÚSICA...

As árvores ainda despidas

Impedem o jogo de sombras

Na relva molhada.

Porque chove

E não há sol.

E as almas circulam

Gémeas de tristeza

Excepto um jovem casal

Ainda no sonho de um mundo só seu.

E chove.

E não se vê o rio dos meus encantos

Para além da cinzenta placa de betão.

Mas ouve-se música...

E deixo-me levar a outros tempos

Diferentes imagens outros afectos

Pingos de sempre mas de novas roupagens.

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Porto-Março 2010.

2010-10-07

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !



SÃO QUATRO !

São quatro

E partiram bem antes do fim da história.

Deixaram uma saudade perdida

Um vazio imenso

Neste mundo onde se move a minha vida.

Se eu pudesse reverter o tempo

E a alma contada por minutos

O ontem seria tempo ainda hoje

Teimosamente a rodar no tic-tac.

Poderia assim continuar a lembrar de minha mãe

O seu sorriso sofrido

E de meu pai ser saudoso

Do seu sorriso matreiro!

Mas outra mãe se revela

E outro pai se adivinha

Laços novos e antigos

Apertam todo o espaço

Cortam-me a respiração

Estas memórias cansadas

Que o tempo revolto vira

E se apressa a descobrir

Que nunca faz mal sorrir.

São quatro.

Sinto a falta que me fazem

E de todos eles a fé

Num dia seguinte novo !

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Maio, 2010

2010-10-06

A REPÚBLICA !


Podia ter sido assim. Em vez do vermelho e verde - cores defendidas nomeadamente por Afonso Costa, António José de Almeida e Teófilo Braga... o azul e branco mereciam a confiança de Guerra Junqueiro, António Arroio e Sampaio Bruno.
Os primeiros entendiam o verde e o vermelho como as cores originais da revolta portuense de 31 de Janeiro de 1891...enquanto os segundos afirmavam que o azul e o branco não representavam a monarquia - antes significavam a nacionalidade e a liberdade !
Talvez o caminho tivesse sido diferente...com menos escolhos.


2010-10-05

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


A PROPÓSITO DO 5 DE OUTUBRO DE 1910.

QUE O MESMO É DIZER... A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA !

O país não está preparado !

Faz cem anos. E não parece. Dizem que a História não se repete... mas, não sem alguma preocupação, começo a pensar que tudo é possível. A Primeira República foi um desastre, a Segunda foi o que ditatorialmente sabemos e agora a Terceira não leva um bom caminho. É verdade que têm soprado uns maus ventos de fora...mas o que realmente me preocupa é a eterna falta de capacidade e de honestidade para fazer as coisas bem feitas.

O país – até parece que o António tinha razão! – dá a triste ideia de que nunca está preparado para assumir as mudanças. Os avatares deste novo mundo! E não se coloca em questão a problemática das novas tecnologias. É tudo mais profundo... mais arrevesadamente profundo!

Acabadinha de chegar... aparece Fernando Pessoa e diz : - “o observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava”.

O país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma !

Não estava preparado para ser independente; os descobrimentos terão sido uma circunstância feliz, mas o país não estava preparado para assumir um encargo de tal envergadura; o peso de meio mundo era demasiado. Tal como depois – mais tarde – não estava preparado para a colonização e, finalmente, impreparado para a descolonização. Pelo meio, nunca esteve preparado para a democracia e – quando ela foi oferecida pelos militares, outros que não aqueles que a derrubaram em 1926 – ninguém estava verdadeiramente preparado para os seus efeitos, chegando mesmo a colocar em perigo as liberdades !

O país não estava preparado para a CEE; o país não estava preparado para o EURO; o país não está preparado para a CPLP; o país não está preparado para enfrentar a crise internacional; o país não sabe lidar com o défice; ele próprio é um défice permanente; o país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma!

Não deixa de ser curioso recordar um texto ( e uma voz ) de Agostinho da Silva. Ele próprio, numa gravação de António Escudeiro. O título :- Tudo mudou e o Diabo deste País não muda. Um pouco a propósito de uma sua reflexão sobre o chauvinismo. Diz e escreve o Professor:- “Não há nenhum país como Portugal. É chauvinista um sujeito dizer que todos os países têm mudado de fronteiras e que o nosso amigo continua com um pequeno arranjo que houve por causa do vizinho, quanto a este pontinho ou àquele pontinho, mas que continua com as fronteiras, país único no mundo. Tudo mudou e o diabo deste país não muda, não é assim ? E que depois houve todas aquelas ideias de como era o oceano, de como era a geografia ou o o oceano, e tal, e o que é que aconteceu ? Aconteceu que foram os portugueses que derfam ao mundo o mar de que o mundo não tem jeito de se desfazer”. E prossegue a deliciosa prosa ( e filosofia!) do mestre Professor Agostinho da Silva:- “Então, os cavalheiros fabricaram o país – que não podia ser, mas fizeram -, único, depois fabricaram o barco que não havia – e os tipos fizeram – e não havia outro jeito senão aceitá-lo, não é? E, por outro lado, ainda há o projecto do futuro. Alguém está pensando no mundo como pensaram os portugueses, com essa amplitude ? Coisa nenhuma! [...] e agora o que os portugueses têm que dizer o mais pacificamente que puderem e o mais teimosamente que puderem é que o mundo tem que ser aquilo que eles querem que seja. Quando agora começa a aparecer a ideia de que, como a nova Europa que vai fazer, com a Alemanha, com o Leste e com isso e com esses interesses todos, que vai começar a ir para a Bulgária, e para as Hungrias, e para as Polónias, e essa coisa, o dinheiro que vinha para Portugal. E que Portugal vai ser um pobrezinho, uma ilhota aqui nesta Europa, pobrezinho e tal, sem o tal dinheiro...felizmente! Porque o dinheiro que vinha da Europa era só para fazer os portugueses europeus. Não queremos para nada essa porcaria de ser europeu. Queremos é repetir aos europeus que não vão ter outro remédio senão submeter-se ao que é cultura portuguesa e fabricar um mundo que não tenha pressões económicas, e que as crianças estejam livres, e que não haja para ninguém prisões”.

Palavras gravadas nos anos de 1990...mas só publicadas em 2006, no centenário do seu nascimento.

Naquela altura, como hoje, não há que ter medo! É preciso seriedade e honestidade na governação, mas é também necessário derrotar os profetas da desgraça. E colocar travões às pressões da alta finança – seja ela europeia ou americana. O que eu duvido que possa vir a acontecer! Os interesses eleitorais falam mais alto! Tal como a demagogia dos políticos que vamos tendo – quer nos governos, quer nas oposições!

É que, afinal, o país continua a não estar preparado para coisa alguma!

Mas isso não me inibe de gritar aqui, bem alto, um Viva a República!

2010-09-29

UMA LEMBRANÇA...


ÁRVORES DA MINHA INFÂNCIA

Penso nas árvores da minha infância

Grandes de porte

Frondosas de sombra

Raízes rompendo esventrando o chão

Húmidas hastes rastejando em bruto.

As árvores da minha infância

(na sua maioria)

Parece terem hibernado

E depois acordado

De um sonho mal contado.

Robustas e morenas

Centenárias e serenas

Aspirando o Sol ,

Projectam a sombra nos passeios da Ilha

Protegem quem passa

E nunca repara

Nos gestos de carinho

Das folhas e flores,

Ramos enlaçados em velhos amores

Memórias salientes de veias curtidas

Tropeçando em mim

No peito dormidas

Sonhadas jardim

Infância suspensa!

AB. Em "Seios Ilhéus" - 2010.

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


UMA GERAÇÃO MENOS RICA !

Foi há dias. Não muitos. Nestas tão verdadeiras quanto perigosas auto-estradas da informação que as novas tecnologias permitem/proporcionam, alguém se lembrou de buscar o passado e po-lo ao alcance de um click no FB.
Apesar da exposição "mediática", foi bom recordar e - mesmo para alguns - um excelente exercício de memória. E nas caras que davam vida aos corpos nas fotos exibidas já não mora o sorriso juvenil que ajudou a animar outros tempos em locais bem longe. Em algumas há agora tristeza e amargura pela impotência de travar uma doença de longa duração. Consumidora de almas tranquilas e de corações altruístas. No caso do Zé, talvez tenha sido ele próprio a desejar apagar por momentos o sorriso da foto. E assim vai ser por alguns dias. Depois...todos voltaremos a lembrar o Zé na sua juventude e, sem complexos, voltaremos a sorrir com ele. Devemos essa pequena alegria pelo menos à Nela Mendes, companheira permanente até Domingo passado - o dia da notícia que me chegou por telefone móvel.
Da família inicial, que muitos conheceram em S.Tomé e Príncipe, o Zé Mourão foi o último a partir. Ficamos com a memória da irreverente alegria do irmão António; ficamos com a memória da simpatia da mãe e com a lembrança da tenacidade do pai - médico que participou no combate à erradicação do paludismo nas Ilhas do Meio do Mundo em finais da década de 1950 e primeira metade da década de 1960. Para que os habitantes das ilhas pudessem usufruir de um pouco de qualidade de vida.
Com a ausência do Zé em parte incerta, todos perdemos um pouco. Mesmo os membros de uma primeira família que ele construiu no início da caminhada adulta e que depois, por circunstâncias diversas, tomaram rumos diferentes.

2010-08-14

À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


Agora, que estes incêndios me queimam o coração e a alma, lembro-me dos baldios e da pertença das matas a quem de direito. Ao povo que amava a serra. E aos lobos que nela habitavam. Tal como escreveu o Mestre Aquilino Ribeiro em "Quando os Lobos Uivam" - uma obra que lhe valeu um processo judicial e uma "condenação" na praça pública movida pelo Estado Novo. Mas há sempre alguém de coragem. E que a teve para responder ao processo. A resposta foi então publicada no Brasil com este título - a merecer honras de guarda na Biblioteca de Aquilino Ribeiro, em Moimenta da Beira, por oferta do Dr. Carlos Semedo, Juíz em Castelo Branco.


Serve esta nota introdutória de mote a uma simples reflexão sobre o actual "clima" dos incêndios em Portugal.
Será já um tempo sem retorno ?

Incêndios ?

Mais calor? Alterações Climáticas?

É sempre bom lembrar os “desafios” de Aquilino.

Como os de “Quando os Lobos Uivam”, que eu recordo em “Da Beira !”, de 2008 : - “Querem retemperar a nação e a raça? Arborizem, arborizem a serra...”.

Pois, dizia eu na carta ao Mestre ... “mas muito poucos ou quase ninguém lhe deu ouvidos. E tudo se foi queimando na voragem das chamas dos incêndios cada vez mais violentos. As tentativas de reflorestação só vingam e duram o tempo que os “interesses instalados” vão permitindo. Os ciclos de vida e de morte são cada vez mais curtos. De outra sorte, este tipo de fenómenos (que é preocupante na Amazónia) apenas representa um dos vértices do chamado “aquecimento global”, o qual tem provocado a redução drástica das calotes polares, seguindo-se o degelo e a subida das águas dos oceanos. Consequência inevitável (por falta de vontade política dos líderes mundiais) vai ser o desaparecimento de algumas ilhas e a tranformação da fisionomia costeira de alguns países e continentes, dentro de alguns anos, incluindo o rectângulo português europeu – que já hoje não parece o mesmo. E os rios de água límpida (apanhada com a concha da mão) que admirava (Paiva, Távora, Douro, Minho, Coura ou Âncora), já não matam a sede de caminheiros ou peregrinos”.

Será já um tempo sem retorno ?


À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !



ESPINHOS...

O castanheiro, frondoso

Marca a diferença na mata ao fundo do vale.

Mais ao lado fica o Tedo

Um fio de água corrente que chega cansado ao Douro.

Entre a sombra do castanheiro

E essa ribeira seca

Vivem seres dos mais estranhos

Rasteiros e deslizantes que se escondem entre as folhas

Fossudos e cabeçudos barulhentos quanto baste

Ou então de som matreiro

Como o lobo e a raposa.

Astúcia acima de tudo para além do natural

Na mata vive um país roído por muitos males

Seu remédio duvidoso não só tarda

É ilusão

Dos que choram e se lamentam à sombra do castanheiro

Sem ouriços sem espinhos

Um sonho eterno guardado.

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Agosto 2009

AB.

2010-07-18



NELSON MANDELA – O HOMEM !

Entre os inúmeros adjectivos elogiosos que têm surgido a propósito de Nelson Mandela – o homem que hoje se homenageia por iniciativa das Nações Unidas – há, infelizmente, muitos lugares-comuns. Como aquele de Durão Barroso:- Nelson Mandela é um líder muito carismático.

Uma pequena evidência. Carismático? Mandela não apenas mudou um país. Conseguiu (re) construí-lo sobre os escombros de um regime controverso, polémico, desumano. E fê-lo com um grande coração e com uma mente aberta e visionária. Mandela soube perdoar sem perder a firmeza dos grandes líderes. E não conseguiu apenas um Estado – democrático e de direito – está também a ganhar uma Nação.

Que os seus “ensinamentos” perdurem. Para bem da estabilidade africana e mundial.






2010-07-12

GRANDE ! IMENSO !


LANCE ARMSTRONG !

Ao contrário do árbitro inglês que apitou a final do mundial na África do Sul... Deus coloca entre nós almas de uma grandeza insuperável.

Cai - levanta-se; fura - troca; volta a cair uma e outra vez... levanta-se de novo e dá ânimo aos seus companheiros de equipa. O descanso justo desta segunda-feira não vai chegar. Mas ele vai ficar para lutar.

Será uma lenda do Tour. A maior certamente !

O CICLISTA... O HOMEM !

2010-07-11

MAIS UMA VERGONHA !


POR ISTO... É QUE NÃO VALE A PENA "ACREDITAR" NAS FIFAS E NAS UEFAS !

O FUTEBOL A ESTE NÍVEL É UM PURO EMBUSTE !


VALHAM-NOS OS DISTRITAIS EM PORTUGAL E NO BURKINA FASSO !

Só compreendo a realização desta final do mundial de futebol, na medida em que foi preparada para receber e dar uma alegria a Nelson Mandela.

Pelo futebol nas quatro linhas - mais valia ter dado logo a taça aos jogadores espanhóis.

E já que eles não marcavam... foi preciso a intervenção do árbitro ! Já que não vai contra 11, então vai contra dez !
Critério ?
Não foi mais evidente a "placagem" de Puijol a Robben ? Falta sobre Iniesta ? Grande simulação! Bastou sentir o leve toque de uma mãozinha....
Feliz pela realização de um Campeonato do Mundo em África - mas cada vez menos crente no futebol ( negócio ) de alto rendimento. Rende... mas só para alguns ! Blatter, Platini e outros que tais.

Já parece a novela da Telefónica... Depois da Itália, atacar em Portugal.
E a Média Capital e o RCP ? E a Agência de Viagens Marsans ?

Vai uma aposta sobre o que se vai passar em Portugal, nesta época que se vai iniciar ?
Basta ficar atentos ao sr. Vitor Pereira e ao impulso que foi dado a Benquerença na África do Sul.

O golo ilegal frente a Portugal... e hoje, mais uma vez, o campo acentuadamente inclinado !

A favor do "Barcelona" !