2014-10-08


ÁGUA - DIREITO [humano] FUNDAMENTAL UNIVERSAL. 

Este tema da água vai ser notícia na Assembleia da República na quinta-feira, quando for votado o Projeto de Lei nº368/XII designado como "Proteção dos direitos individuais e comuns à água". 

A propósito, começo a publicar um trabalho que elaborei em 2008 [todos os dados são referentes àquela data, interessando saber que Portugal só ratificou o TRATADO DA ANTÁRTIDA em 2009 e que essa ratificação apenas foi depositada em Janeiro de 2010] sobre a Antártida e ao qual atribuí o título de ANTÁRTIDA - O ÚLTIMO REFÚGIO. No conhecido continente gelado, recordo, encontram-se praticamente 90% das reservas de água doce do Planeta.



INTRODUÇÃO
Tendo em conta que o “aquecimento global” é um tema que vem ganhando enorme relevância de há uns anos a esta parte – sobretudo pelas ligações colaterais que influenciam a política e a economia mundiais (não será um acaso da História a recente atribuição do Nobel da Paz a Instituições e a Figuras das áreas da Ecopolítica e da Investigação ambiental) – o Continente Gelado tem sido apresentado como a “última fronteira” da exploração de recursos decisivos para a sobrevivência do nosso planeta, mesmo sabendo que as “reservas” são diminutas.
                   Quer seja pelas difíceis condições de vida, quer seja pelo óptimo campo de investigação científica – a Antárctida tem conseguido ser protegida das ambições e agressões humanas, graças a um entendimento internacional consubstanciado num Tratado (datado de 1959) que define o Continente como uma zona a ser utilizada unicamente para fins pacíficos. No Atlas de Relações Internacionais, dirigido por Pascal Boniface, diz-se que a Antárctida “fornece, portanto, o modelo perfeito das relações internacionais pacíficas”. Contudo, recentemente, a Grã-Bretanha reclamou, na ONU, direitos de soberania para extracção de reservas de gás, minerais e petróleo – atitude de imediato contestada pelo Chile e Argentina.
                   Independentemente do desenvolvimento deste problema, o trabalho vai tentar responder a uma simples questão de partida: - será a Antárctida, para além da já referenciada “última fronteira”, também o “último refúgio” da humanidade?
                   Com esse objectivo, estabelecemos três capítulos, para analisar a história do continente e a sua importância política e científica- consubstanciada no Tratado de Washington de 1959; fazer o enquadramento geopolítico da região numa perspectiva da Ecopolítica – uma das fases da arquitectura da nova geopolítica que salienta a globalidade dos direitos humanos e, por último, uma breve referência ao pensamento português sobre a Antárctida – destacando as ideias de Soromenho Marques, para quem a ecopolítica ultrapassa uma simples política de ambiente.
                                                        CAPÍTULO I

                      BREVE HISTÓRIA E RECONHECIDA IMPORTÂNCIA            
                                               POLÍTICA E CIENTÍFICA

A poluição do ar e da água tende a espalhar-se indiferente a fronteiras políticas. Por exemplo, o ar contaminado pela explosão nuclear de Chernobyl deslocou-se para ocidente na direcção da Suécia, França, Itália e Suiça. Uma camada de ozono cada vez mais esgotada sobre o Antárctico, torna todas as pessoas vulneráveis à radiação ultravioleta que provoca o cancro.   
                              Louis Pojman – Filósofo político.

A Antárctida – o último continente a ser descoberto – tem uma área de 14 milhões de Km2 e representa 10% da superfície dos continentes emersos. Outrora submetido a um clima tropical, o continente está hoje praticamente coberto por uma enorme calote glaciária, cuja espessura pode atingir 4700m, e possui 90% das reservas de água doce do nosso planeta. E tendo em consideração os jazigos de ferro, cobre, carvão, níquel, crómio, cobalto, titânio, urânio, zinco, ouro, prata, platina e petróleo – é apontado como muito promissor o potencial mineiro da Antárctida.
                    Um ambiente de temperaturas negativas que podem atingir os 90º não é propício a formas de vida superior, mas existem grandes quantidades de baleias, cachalotes, orcas, focas, pinguins e aves marinhas – graças a uma rica ictiofauna e grande abundância de plâncton. Contudo, a “presença” humana na Antárctida fez-se notar a partir de meados do séc.XVIII, com as expedições de Lozier Bouvet e de James Cook, sendo que, hoje, as mais de 40 bases “científicas” empregam cerca de quatro mil pessoas no Verão e apenas mil no longo e escuro Inverno. Além disso, considera-se haver também já um turismo polar – representado por cerca de 40 mil visitantes – o que não deixa de ser uma preocupação ambiental, a par da “Rodovia do Gelo” (1632 Km para ligar duas estações americanas), o aeroporto de gelo australiano com 4 Km e uma base inglesa com habitações permanentes. A Inglaterra foi, de facto, o primeiro país a reivindicar o “gelo” antárctico (após a IIª GM), seguindo-se a Nova Zelândia, França, Austrália e Noruega. Chile e Argentina, pela proximidade, dão como adquiridos e indiscutíveis os seus direitos, enquanto os EUA nunca reclamaram – nem reconheceram – qualquer parcela do continente, eventualmente querendo sugerir que não existe propriedade nacional na Antárctida. Curiosamente, o nome da ex-URSS só aparece por ocasião do Tratado de 1959 (Washington), sendo um dos 12 primeiros assinantes. A partir da entrada em vigor do Tratado – 1961 – foi proibida toda a actividade militar e ficaram congeladas todas as reivindicações territoriais por 30 anos. Reconhecida a importância da situação, o Tratado foi renovado em 1991, pelo Protocolo de Madrid, por mais 50 anos. Considerado como exemplo de uma vontade de cooperação pacífica entre as nações do mundo, ao designar o continente como reserva natural consagrada à paz e à ciência – o Tratado desde cedo começou a ser violado: em 1962 registou-se um acidente com um reactor nuclear dos EUA; em 1983, a construção de uma pista de aterragem francesa destruiu uma grande colónia de pinguins e, em 1989, aconteceu um grande derramamento de crude, provocado pelo choque de um petroleiro argentino e outro peruano. E agora, a GB reclama a possibilidade de extracção de reservas de gás, minerais e petróleo, num raio de 350 milhas náuticas em frente ao território antárctico chileno. Uma clara violação do Tratado, que o deputado chileno Jorge Tarud classificou de grave, apelando à sua Presidente no sentido de convocar os membros do Tratado Antárctico.
                    Pelo Tratado, que Portugal ainda não aprovou*, o interesse científico da região sobrepõe-se aos económicos, territoriais ou militares. O Antárctico é um observatório privilegiado para o estudo do ambiente, medicina, biologia, zoologia e sismologia. E, apesar dos elevados custos com a investigação científica, a Rússia dispõe de 7 bases (750 pessoas), os EUA três (embora a figura do “Atlas” refira 6 para cada) - qual competição da “velha” guerra fria! – a Argentina seis, mas em ligação com a GB, Austrália e Chile; o Japão duas e, depois, vários países com uma: França, África do Sul, Índia, Alemanha, Polónia, Nova Zelândia e Ucrânia. Brasil, Peru, Uruguai e China organizam regularmente campanhas oceanográficas, tal como outros países europeus.
                    Compreender o sistema atmosférico e climático mundial tem sido uma das tarefas mais activas, mas – desde o Ano Geofísico Internacional em 1957 – já se elaborou uma nova teoria sobre os fenómenos magnéticos e foram identificados mais de 200 minerais. Já no início deste ano, o navio oceanográfico Polarstern identificou mil espécies nas águas da Antárctida. Os 52 cientistas (de 14 países) a bordo, pretendem ainda conhecer os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade. São as “viagens do censo” no terceiro Ano Polar Internacional.




* Viria a aprovar em 2009 e a depositar o documento de ratificação apenas em Janeiro de 2010.

OS OUTROS DOIS CAPÍTULOS SERÃO PUBLICADOS NA QUINTA-FEIRA.

António Bondoso
Jornalista
2014




ÁGUA - DIREITO [humano] FUNDAMENTAL UNIVERSAL. 

Foto de A.Bondoso

Amanhã, dia 9, vai ser votado na Assembleia da República o Projeto de Lei nº368/XII designado como "Proteção dos direitos individuais e comuns à água". 
O acesso à água, reconhecido como um "Direito humano fundamental e universal", preocupa (ou devia) naturalmente os habitantes deste Planeta sobrepovoado e maltratado. Se o recurso é finito, o planeta também o será. Transmitindo essa preocupação, alguns milhares de cidadãos enviaram aos deputados e/ou Grupos Parlamentares um texto mais ou menos idêntico ao que segue:
Este Projecto de Lei foi proposto à Assembleia da República por mais de 44000 cidadãos titulares do direito de iniciativa legislativa, porque é crucial assegurar em Portugal a universalidade do direito humano fundamental à água e ao saneamento; proteger as funções da água, sociais, ecológicas e económicas e impedir a privatização, seja sob que forma for, dos serviços de águas, das infraestruturas públicas e do domínio público hídrico.
O Projecto de Lei vem ao encontro da vontade da larga maioria dos portugueses, claramente expressa nas sondagens publicadas sobre o tema e dá cumprimento ao disposto na Constituição da República Portuguesa nesta matéria.
Apelo por isso ao seu voto favorável, na certeza de que esse é a forma de assegurar a todos o acesso à água e a sua fruição comum e equitativa à população presente e às gerações futuras.
A água é um direito humano, não é um negócio! 
Esperemos que os políticos saibam interpretar lucidamente esta preocupação e decidir em conformidade. 


Foto de A.Bondoso
António Bondoso
Jornalista. 
2014

2014-09-27

ABRIL...O ESPÍRITO, presente no Auditório do Arquivo Municipal de Gaia - Sophia de Mello Breyner.


Fotos de Miguel Bondoso


ABRIL...O ESPÍRITO, presente no Auditório do Arquivo Municipal de Gaia - Sophia de Mello Breyner.
***** Os livros O PODER E O POEMA(2012) e O RECOMEÇO (2014) foram apenas o pretexto para se voltar a falar de ABRIL. Para além da POESIA - dita com requintes de excelência por Alzira SantosMargarida Santos eRogério Brás Gil - também textos sobre " Os sentidos do Bloqueio da Esperança de Abril" e " Abril Sempre - Um Sorriso de Fé na Eternidade". Ainda poemas de António Bondoso "musicados" por ZEAL e as "presenças" de Ary dos Santos, Amílcar Cabral, Manuel Alegre, José Mário Branco, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Pedro Barroso.
A sessão, enquadrada por uma Exposição Documental sobre o velho regime, o 25 de Abril de 1974 e o pós 25, mereceu igualmente uma intervenção oportuna da Diretora do Arquivo - Alda Temudo - a quem manifesto gratidão pelo carinho com que acolheu este evento, agradecimento extensivo ao executivo da C.M. de VNGaia.
OBRIGADO A TODOS!




António Bondoso
Set.2014



2014-08-27

SEMELHANÇAS…E DIFERENÇAS!


SEMELHANÇAS…E DIFERENÇAS!
…ou a história repetida do centavo e do canalha!

         Um chegou e decidiu encolher o relvado.
         O outro chegou…e decidiu plantar uma torre de observação.
Um chegou…e entendeu que F.Gomes era “finito”!
O outro chegou…e entendeu o mesmo de Quaresma!
         A história do Bi-Bota…todos conhecemos.
         Fica a interrogação sobre o epílogo de Quaresma.
Eu sei que os sapatos do homem são caros – são de marca – e sei que não deve ter inveja dos brincos de Quaresma.
         Mas o que o da boina basca/vasca fez ontem a Quaresma…é – no mínimo – canalha! Não precisa desses estratagemas da treta para dizer que ele é que manda. E o abraço final…só aconteceu, depois dos assobios!
         O homem até pode vir a ser campeão! Como Ivic foi. Não será difícil…perante tamanho investimento!
         Mas, como diria o Prof. Manuel Machado…um centavo é um centavo…e um canalha é um canalha!
         Independentemente dos resultados!
Da Administração da SAD e do resto...já não vale a pena falar. Todos sabemos o que aconteceu por ex com Gomes e Jorge Costa. E com Paulo Fonseca…na época passada. 
António Bondoso


António Bondoso

Agosto de 2014

HÁ JARDINS ETERNOS...COMO ESTE "DA MEMÓRIA"!

Foto de A. Bondoso

JARDIM DA MEMÓRIA (A Publicar)

Neste espaço de silêncio
Onde se dá valor à alma
Cada qual com sua cruz…
Há histórias
Há memórias
Há valores que se visitam
Há murmúrios que circulam
Na verdade absoluta.

Neste espaço de silêncio
De cumplicidade e conforto
Onde habitam gerações…
Todo o respeito se curva
Num alívio de suspiros
E todas as lágrimas choram
Enchendo pequenos rios
Consolando corações!


===== António Bondoso (A Publicar)
Agosto de 2014.

2014-08-24





 A MORTE E A SUA CIRCUNSTÂNCIA
…ou a dor antes do tempo – no desaparecimento de Eduardo Costley-White.

         Lembro-me de La Palisse quando estas coisas acontecem…e o Eduardo tinha chegado agora ao meio da vida. Faria 51 anos em Novembro.
         Não o conheci. Apenas tinha agora como leitura o seu mais recente livro Bom Dia, Dia, com a chancela das Edições Esgotadas. E fica-me aquela sensação de que, apesar da sua já vasta obra literária, muito poucos o conheceriam. Vejo no Facebook.
         E vou à página 71 do Bom Dia, Dia – e logo me vem à memória o grande Almada Negreiros – com a sua Rosa dos Ventos. Ou Francisco José Tenreiro e o seu Mestiço.
         Eduardo, que nasceu em Quelimane, assume toda a sua mestiçagem e moçambicanidade sem sofismas. Diz claramente dito:- “por haver um pássaro incendiado dentro do seu grito, do meu pardo mestiço eu não me demito”. Ele, que “nasceu livre desde o primeiro dia”, é dos eleitos que já não morrem. Fica a sua obra para realçar o seu talento. Fica a tristeza de ter partido a meio da vida.
         Mas tenho a certeza que terá morrido a sorrir…aquele sorriso africanamente trocista e a desejar ao mundo um novo Bom Dia, Dia!
Mangwana…
         Por isso, deixo ao escritor, ao poeta Eduardo Costley-White este meu “Quando Eu Morrer”:

QUANDO EU MORRER! ( A Publicar)

Quando eu morrer
Quero que seja a sorrir.

Não para zombar da morte
Pois ele há gente sem sorte,
Mas para lembrar à vida
Que não vale a pena viver
Se dela prazer não houver.

Quando eu morrer
Quero que seja a sorrir.

E que seja num dia onze
Para poupar aos verdugos
De tanta burocracia
O fardo de anotar
Diferente data no óbito.

Quando eu morrer
Será certamente a sorrir.

E a voar
E a cantar
Ao silvo do trem das onze
Pra que ninguém sinta a falta
Da hora de ver partir.
==== António Bondoso ( A Publicar).
António Bondoso
24 de Agosto de 2014

2014-08-23


LUÍS BONDOSO APARÍCIO…
…Figura a reter na memória de Moimenta da Beira.
(13 de Janeiro de 1930, Moimenta da Beira – 23 de Abril de 2014, Lisboa).

           Na minha, por circunstâncias diversas – não apenas familiares. Tal como ele nasci em Janeiro [embora dia 11 e 20 anos mais tarde]; tal como ele, o chamamento de África; tal como ele – viria a casar numa igreja denominada de N.S. da Conceição, eu em S. Tomé e ele em Luanda [embora ele o tenha feito 13 anos antes, mas no dia 11 de Janeiro – dia do meu nascimento].
         Luís Bondoso Aparício faleceu a 23 de Abril deste ano, a dois dias apenas de se assinalar o 40º aniversário do “25 de Abril de 1974” – o marco da Liberdade pelo qual lutou desde muito novo, chegando a ser militante comunista ainda na clandestinidade – numa altura em que eu me encontrava envolvido num programa comemorativo da efeméride em Moimenta da Beira.
         Jurista, empresário, professor de Direito – Luís Bondoso Aparício levou Moimenta da Beira para Angola em 1959, fazendo de Luanda a base de partida e de chegada das suas andanças pelo mundo dos negócios e pelo amor ao “Bridge”.
Licenciado em direito em 1956, em Coimbra, nasceu a 13 de Janeiro de 1930, filho de José de Almeida Leitão [farmacêutico] e de Dinora Veiga Bondoso, Luís era neto paterno de José de Almeida Leitão Junior/Maria José Baptista e materno de Luiz Zeferino Bondoso/Luisa d’Almeida Leitão Veiga – meus bisavós paternos. Casou em Luanda a 11 de Janeiro de 1961, com Deolinda Carmen Pereira Machado, na Igreja de Jesus – da freguesia de N.S. da Conceição, como já referi.
 Depois de consultor jurídico em várias empresas, quer em Angola, quer em representação de países como o Kenya, os EUA e a Argélia, o primo Luís desempenhava em 1973 idênticas funções na DTA/TAAG – tendo exercido nessa data a sua influência para que eu pudesse viajar de Luanda para S. Tomé, de modo a apresentar-me em tempo oportuno no Quartel onde cumpria parte do meu serviço militar obrigatório.
E agora, 40 anos depois – numa altura em que o primo Luís nos deixou fisicamente neste ano de 2014 – Augusto marca um sentimento de gratidão muito forte à Carmen, mulher com quem Luís Aparício[1] se havia casado em 1961, em Angola:


  É POSSÍVEL

As estrelas cintilam porque ardem
Semeando fogo pela imensidão do universo
Infinito repouso de quem segue
Procurando paz
Perseguindo a vida
Para além do firmamento das hipóteses.


[1] - Lembrado na edição da revista Mutamba – do Novo Jornal – de 1 de Agosto de 2014. Competente, íntegro, Mestre dedicado dos Magistrados, são adjetivos de Eugénio Ferreira – antigo Presidente do Tribunal da Relação de Luanda. Maria do Carmo Medina, juíza do mesmo tribunal e que viria a ser nomeada vice-presidente do Tribunal Supremo, refere-se a Luís Bondoso Aparício como “pertencendo ao pequeníssimo grupo dos cabouqueiros do direito do novo Estado”. Luís Aparício foi docente na Faculdade de Direito da Universidade de Agostinho Neto. E nos anos de 1990 trabalhou em Macau no escritório de Advocacia de Pedro Redinha. 


Luís Bondoso Aparício, de pé – à direita – com os “staffs” da Boeing e da TAAG, em Seattle.(Fotos gentilmente cedidas por Carmen Aparício).

          “Luís Aparício ou Luís Bondoso Aparício” – exatamente assim referido no seu processo na PIDE, em 1964 [vigiado pelas suas posições de esquerda desde muito novo], devido a reuniões com vista à constituição da Associação Jurídica de Angola, nomeadamente com Diógenes Boavida – foi também, no período colonial, administrador do CTA (Consórcio Técnico de Aeronáutica), uma empresa de táxis aéreos que se dedicava à pulverização de campos de algodão e girassol em Angola. Ao serviço dessa empresa chegou a estar igualmente em S. Tomé. Mas o que mais o motivou [para além de ganhar torneios de Bridge em Luanda, Lourenço Marques ou Salisbury] foi o ensino do “Direito” depois da independência de Angola, “quando os recém-licenciados tinham avidez em aprender” (ver nota 1).
         Grande parte deste “texto” completa uma vasta reflexão à volta das minhas viagens e dos tempos históricos que fui vivendo, prestes a ser publicada em livro – EM AGOSTO…A LUZ DO TEU ROSTO! E outras musas e sereias entre viagens. Uma “estória” que relata o encontro de Moimenta da Beira e de Moncorvo em S. Tomé e Príncipe, num vai e vem que se prolonga pela descolonização de África e, já no final do século, tem o seu epílogo em Macau.
E a surpresa que foi ver ainda numa lista telefónica de 1992, em Macau, o nome de Luís B. Aparício. Ele que, apesar do breve período na sua experiência a Oriente [regressou a Portugal devido a problemas graves de saúde], ainda teve tempo para “aprender” algumas expressões em “Cantonense”. Como o endereço do escritório de Pedro Redinha [então no Sán Laiwá, sán laivá] ou do Tribunal [Fat Üne] ou até mesmo pedir uma cerveja [Pet’Chao] e ir ao Mercado [Kai Si] Vermelho comprar o peixe ainda vivo.
Obrigado – Tó Ché [ou Mecói Sai] – Luís Bondoso Aparício.
António Bondoso


António Bondoso
23 de Agosto de 2014


2014-08-21

A UNIVERSALIDADE.....................


NEM CARAS…NEM VELAS!
(Ou como ser Universal!)

E se não tivesse havido velas
Nem caras
Nem gente
E os mares dentro do Mar…

Navegantes não houvera
Nem caravelas tivera
Este povo marinheiro
Certamente aventureiro.

E se não tivesse havido velas
Nem caras
Nem gente…
Nem mesmo o mar saberia
Que por ele se andaria
À volta do mundo inteiro!
==== António Bondoso


António Bondoso
Agosto 2014.

2014-08-17

FALECEU PIRES VELOSO, A QUEM CHAMARAM VICE-REI DO NORTE. 



PIRES VELOSO
Faleceu aos 88 anos de idade.
A verdade é que não sei quantificar o que o país lhe terá ficado a dever, depois da sua intervenção em Abril de 1974 e em Novembro de 1975 [independentemente das posições tomadas e das circunstâncias em que o foram e dos “rótulos” com que o distinguiram] – tendo pelo meio uma missão tão decisiva quanto polémica na descolonização de S. Tomé e Príncipe.
Eu, para além da amizade, fiquei a dever-lhe uma participação decisiva na elaboração do meu livro ESCRAVOS DO PARAÍSO- Vivências de S. Tomé e Príncipe (2005, MinervaCoimbra. Pgs 35 a 70) – uma conversa a meias com a [também já falecida] sua mulher D. Maria Cândida. Ficou, assim, registada uma parte da história do país, particularmente da descolonização das Ilhas do Meio do Mundo de que ele aprendeu a gostar – apesar das reservas com que encarou inicialmente a missão para ser o último Governador da ex-colónia e, por fim, desempenhar o cargo de Alto Comissário até à independência em 12 de Julho de 1975.
Uma das “batalhas” que Pires Veloso teve que travar em STP foi com a “Associação Cívica Pró MLSTP”, vulgarmente conhecida por “Cívica”. E independentemente dos “campos opostos” – é quase unânime a defesa do papel de Pires Veloso em todo o processo de transição. De Filinto da Costa Alegre a Alda do Espírito Santo, de Carlos Tiny a Leonel D’Alva, todos salientam as posições de bom senso e de diálogo construtivo, para além da firmeza.
Ficará sempre uma abraço grato pela Amizade com que me distinguiu, apesar de nem sempre estarmos de acordo!
António Bondoso
17 de Agosto de 2014. 



António Bondoso
17 de Agosto de 2014. 

2014-08-09


A CRIATIVIDADE SEM MEDOS................................


"Onde é que eles se meteram? O chefe da PSP encontrava-se no Rossio. Acabado de chegar, descobriu que  Catherine Blue e Oliver Huberman estavam desaparecidos, assim como Greg Osment, o chefe de Cate. (...) Qualquer que seja o local para onde se dirige aquele helicóptero, não é em Lisboa, nem perto. 
- Senhor, encontrámo-los! "
ANA ALEXANDRE. "Códigos e Sinais" - Edições 100 Título (Edições Esgotadas).

A força de uma criatividade sem medos, a força de uma imaginação sem limites, numa jovem que apenas diz - quando autografa - "Obrigado por lerem". E podem crer que é preciso ler muito para chegar a um estádio de escrita sem reservas, capaz de "desenhar" uma história e assumi-la com maestria, mesmo que as palavras ainda não tenham maturação de "mestre". Apesar de tudo isso...retenham a "força" dos diálogos, como se a "estória" não se passasse no teatro da II Grande Guerra, com Lisboa no centro da espionagem mundial e à procura de uma carta de Salazar para Hitler. 
FICO À ESPERA DO PRÓXIMO, Ana. 
António Bondoso
Agosto de 2014. 

2014-08-05

NO TEMPO DE HITLER...


ISTO SOUBE-SE AGORA...

Hitler tinha um plano para 

sequestrar o Papa Pio XII

Publicado às 10.27


O jornalista Mario del Ballo afirma que Adolfo Hitler,
no verão de 1942, em plena II Guerra Mundial, 
projetou "raptar" o Papa Pio XII.
"Adolfo Hitler tinha projetado invadir o 
pequeno Estado (do Vaticano) e até 
prender e deportar o pontífice",
afirma Ballo numa obra agora publicada.
Em "Quando Hitler quis raptar o papa.
Os segredos revelados do Arquivo Secreto do 
Vaticano", Ballo afirma que o projeto foi suspenso
"quando já faltava muito pouco para o executar".

CONTUDO...

A minha prima Ana Alexandre, de Viseu,
já tinha "descoberto" outros "segredos" 
que envolviam Salazar e Hitler. 






Códigos e Sinais
Qual o preço a pagar por um segredo de guerra?
"A parte mais importante da história da Alemanha 
nazi tinha acontecido ali. Por alguma razão,
 a última carta nunca chegara ao seu destino.
 E é exatamente por isso que ele tinha de as destruir. 
O que é secreto devia continuar secreto". 
Um projeto de investigação põe em causa 
perigosos segredos escondidos da História. 
Segredos de família e de Estado que não 
se querem divulgados. Um rapaz perdido 
no tempo é o escolhido para cumprir uma
 perigosa missão. Uma história que viaja
 entre o período dramático da 2.ª guerra
 mundial e o tempo presente, com epílogo
 na cidade de Viseu. Uma história que cruza
 os géneros histórico e policial, através
 de uma narrativa empolgante, enérgica 
e encorajante, o primeiro trabalho 
de envergadura da jovem Ana Alexandre, 
aluna do Ensino Básico, uma grande promessa 
do nosso panorama literário. "É interessante
 aquilo que pensamos quando estamos a morrer".

Aproveite a "boleia" do jornalista italiano...para tentar
saber um pouco mais.
CÓDIGOS E SINAIS...tem a chancela de
 Edições Esgotadas. 



António Bondoso


Agosto de 2014. 

2014-08-03

GRATO POR 40 ANOS DE CARINHO E  DE AMOR...JUNTOS!



AGOSTO (A Publicar)

Penso sempre em agosto
Quando me vens à ideia.

O teu rosto
Claro
E o teu perfil adelgaçado.

E quanto eu tenho gostado
Que chegue de pronto agosto…
Que é o teu mês
O nosso sinal de vida
Um tempo de sonhos lindos
Encaminhados
Abraçados em sol-posto
Curtidos já em muita luz
Para além do império de sentidos.

E quando me vens à ideia
Penso sempre que é agosto.
==== A. Bondoso (A Publicar). 
A.Bondoso
Agosto de 2014.

aproveite e veja esta entrevista: 

http://www.livroseleituras.com/web/index.php?option=com_content&view=article&id=1765%3Aantonio-bondoso&catid=102%3Aultimas-propostas&Itemid=165

2014-07-26

ESCREVER...NÃO É TAREFA FÁCIL. SOBRETUDO QUANDO SE TRATA DE POESIA!



UMA ENTREVISTA DE 2013. 



http://www.livroseleituras.com/web/index.php?option=com_content&view=article&id=1765%3Aantonio-bondoso&catid=102%3Aultimas-propostas&Itemid=165


http://www.livroseleituras.com/web/index.php?option=com_content&view=article&id=1765%3Aantonio-bondoso&catid=102%3Aultimas-propostas&Itemid=165

2014-07-23

PARABÉNS À DIFERENÇA!



Tendo presente que é fundamental interiorizarmos este pensamento, escrevo-te neste dia tão especial e recordo: -
"Se não entendermos e assumirmos que foi a diferença
Que fez de nós um grande povo,
Então...não aceitaremos  jamais o que é diferente!"
A.Bondoso

Por isso, vive e viaja pelo mundo... como se a vida fosse

UM FAROL!
Foste desejado e idealizado,
Foste sonhado…
Mas és diferente!
Ainda bem que és
Diferente!
E que marcas essa diferença
Mesmo quando estás de acordo.
Prolongas
Mas não copias
Sentimentos e vontades.
Os teus caminhos
Serão sempre os nossos
Apesar da tua opção.
Enquanto o mundo der voltas
E até à volta maior,
Haverá sempre uma luz
Seja da lua ou do sol
Ligada a tudo o que sentes
Como se fora…
Um farol!
==========================



António Bondoso
Julho de 2014