2014-10-17

LIVROS NOVOS...(1)


EM AGOSTO...A LUZ DO TEU ROSTO - é como que uma incursão pelos meandros do "antigo regime" e pelo fim do"império". Baseado nas vivências do autor, há neste livro muitos quilómetros de viagens entre Moimenta da Beira e Moncorvo, com extensões a S. Tomé e Príncipe, Angola e Macau.
Grato à Lua do Carlos Melo Sereno, ao meu filho António Miguel e à Cromotema. 
Independentemente das sessões de apresentação, no próximo mês, a obra está disponível para solicitações diretas ao autor, contra depósito do preço de capa e uma simbólica comparticipação nos custos de envio. 



ANTÓNIO BONDOSO
Jornalista

2014-10-10

UM RETRATO SOCIOLÓGICO…DO PORTUGAL PROFUNDO!
JOSÉ SIMÕES DIZ-NOS EM 280 PÁGINAS
COMO SE PENSA E SE VIVE NA FREGUESIA DO CAMPO DE MADALENA – VISEU.



UM RETRATO EXPLICADO…DO PORTUGAL PROFUNDO!

         José Simões, Mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto – chamam-lhe apaixonado e irrequieto – viajou às raízes em busca de respostas, perante comportamentos que parecem desajustados passados que são 40 anos sobre a “revolução dos cravos”.
         António Seixas Nery diz no seu prefácio que os frutos desse acontecimento “ainda não chegaram, não por culpa nossa, mas sim graças aos ventos da História que sopram e tantas vezes não respeitam aqueles que denodadamente lutam por um devir mais próspero e a conquista de uma sociedade mais justa, equilibrada, respirando harmonia e felicidade”.
         Em 280 páginas, José Simões oferece-nos um “Olhar Sociológico” sobre a freguesia do Campo da Madalena, Viseu, centrado na “dialética entre padrões de cultura camponesa conservadora e a abertura a padrões de cultura urbana”.
         E basta ler na contracapa os excertos de algumas entrevistas que marcaram o trabalho de campo, para se perceber o longo caminho que será necessário percorrer – ainda – para ultrapassar a metáfora presente na construção do trabalho de investigação: o “cavaquistão” não apareceu por obra e graça. E diz o próprio autor: “Em nossa opinião, é improvável que se alterem, num curto prazo, essas tendências de comportamentos social, político e cultural. A verificarem-se mudanças, estas serão graduais e muito lentas, e obviamente condicionadas pelas estruturas e meio envolventes”.
         A obra vai ser hoje apresentada na Casa da Beira Alta, no Porto, pelas 16h30.
         Deixo aqui um abraço de parabéns ao José Simões, pela importância e pela seriedade que emprestou ao seu estudo. Não foi trabalho em vão. Vai permanecer um excelente documento de consulta.


António Bondoso
Jornalista. CP 359. 

2014-10-09


VOLTANDO À ÁGUA...E AO SEU REFÚGIO NATURAL!



                                                        CAPÍTULO II

                             BREVE ENQUADRAMENTO GEOPOLÍTICO

                    Considerando uma situação limite de esgotamento de recursos naturais nas zonas já exploradas; tendo em conta o aumento das áreas desérticas na África, Médio Oriente, Ásia, Oceânia e América do Sul; sendo previsível o agravamento dos atentados ecológicos na Amazónia – poder-se-ia situar a questão da Antárctida no âmbito da teoria “determinista” do espaço vital de Ratzel e da Escola de Munique. Porém, na perspectiva das novas abordagens que a disciplina determina – a Nova Geopolítica – a preservação e a salvaguarda do continente “gelado”, como vimos, constitui hoje uma das grandes preocupações da humanidade: a poluição, a par da fome e do crescimento demográfico, todas elas interligadas e relacionadas com os Direitos Humanos, a Democracia e o Estado de Direito. É a ECOPOLÍTICA, com raízes em Lacoste, Vilmar Faria e na “corrente biocêntrica” do movimento de “preservação” de François Duban – oposto ao de “conservação”.
                    As teses de Duban, que conduziram à “corrente biocêntrica”, estão impregnadas de um radicalismo profundo que elimina as reformas pontuais. Pelo contrário, se se pretende salvar o planeta, impõe-se uma verdadeira revolução ecológica, baseada em princípios como “o bem-estar e o desenvolvimento da vida na Terra ; riqueza e diversidade das formas de vida; diminuição da população humana; diminuição das intervenções do homem na natureza e – ideologicamente – saber apreciar a qualidade de vida”.
                    Mas a virtualidade global destes princípios tem vindo a ser posta em causa desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 em NY, particularmente devido a um antagonismo conjuntural entre o Ocidente cristão e alguns sectores fundamentalistas do Islão, que tomaram como inimigo a única superpotência económica e militar (EUA), após a falência do Comunismo Soviético. Por outro lado, a “Globalização” não tem conseguido diminuir o fosso entre países ricos e países pobres, não tem ajudado a construir a democracia e a evitar a corrupção, não tem evitado a conflitualidade e não tem assegurado a sustentabilidade ambiental a médio e longo prazos. Neste século, diz o Professor universitário Filipe Duarte Santos, é preciso encontrar respostas prioritárias para aquelas questões. E o que interessa – acrescenta – é saber qual vai ser a intervenção da ciência e da tecnologia nas decisões a nível individual e colectivo que irá determinar o cenário futuro para a humanidade. Neste cenário, enquadra-se por exemplo a procura de novos paradigmas para a integração global da economia com as práticas agrícolas dos países em desenvolvimento e também o combate ao aquecimento global antropogénico – cuja dimensão é incomparável com os curtos ciclos políticos dos países democráticos. Apesar da incerteza, a ciência pode ajudar neste combate, mas a questão – para Filipe Duarte Santos – está em saber se cada um de nós, em especial os decisores políticos e os governos, aproveitará as oportunidades para escolher as melhores opções, indo de encontro às teses “possibilistas” de La Blache.
                     Neste ponto, será também interessante reter a ideia de Fábio Feldmann, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, segundo a qual é necessário alertar para o que considera “a ignorância da ciência acerca do clima no planeta”. E sobre as “consequências dramáticas” do aquecimento global, Feldmann diz que “o mais importante é que as medidas a serem tomadas, devem ser resultado de um pacto da Humanidade”, sendo necessário encontrar uma “nova arquitectura geopolítica” que vença a resistência dos Republicanos nos EUA, dos lobbies da indústria do petróleo e dos países produtores.
                                                        CAPÍTULO III
    
                          PORTUGAL, A ANTÁRCTIDA E A ECOPOLÍTICA

                  Apesar de Portugal não ter ainda aprovado o Tratado da Antárctida*, o nosso país – através do Comité Português para o Ano Polar Internacional – é, desde 2006, membro associado do Comité Científico para a Pesquisa na Antárctida. A participação nesse organismo, facilitou a Portugal o desenvolvimento de programas de investigação e a cooperação internacional. Gonçalo Vieira, Professor universitário e investigador do Centro de Estudos Geográficos, é membro do comité e coordenou uma expedição internacional recente sobre as alterações climáticas na Antárctida marítima, denominada “Permamodel” – um programa financiado quase exclusivamente por Espanha.
                  Para além do envolvimento de instituições portuguesas nesta questão da Antárctida, interessa identificar o pensamento dos nossos investigadores sobre a Ecopolítica. Por intermédio da documentação que nos chegou, facultada pela Professora Drª Teresa Cierco, ressalta o nome de Soromenho Marques – para quem a ecopolítica integra uma política de ambiente, mas não se confunde com ela, porque a ultrapassa. É assim que, no conceito de ecopolítica, Soromenho Marques destaca no seu livro “Regressar à Terra” quatro pontos-síntese : - o sujeito político é marcadamente plural (todos os indivíduos e todas as forças sociais); as tarefas políticas devem conter objectivos mensuráveis e métodos identificáveis que permitam conduzir à sua realização; ponderar a noção de limite na decisão política, pois o mundo é finito e o tempo é escasso; radicalizar o conceito de solidariedade, na perspectiva de que a política deve ser dirigida para todos os homens, os actuais e os vindouros. O autor, considerando a política do ambiente como “um elemento-chave de uma Nova Ordem Mundial”, inclui no seu livro “O futuro frágil” um verdadeiro paradigma da ecopolítica, encarada como dimensão da nova geopolítica: - enquanto a humanidade continuar a crescer contra a Terra, enquanto a actual prosperidade for conseguida à custa da degradação ecológica, enquanto o fosso entre ricos e pobres continuar a aumentar, não haverá uma paz duradoura e sustentável sobre o planeta.
                                                          CONCLUSÃO

                  Considerando que o Antárctico fornece, portanto, o modelo perfeito das relações internacionais pacíficas – tendo por base o Tratado da Antárctida de 1959 – está longe de ser atingida a perfeição no relacionamento entre as potências com bases territoriais naquele continente. Basta lembrar as violações (conhecidas) ao Tratado e, agora, a polémica que se instalou com as reivindicações da GB para a extracção de gás e petróleo. Reagiram diplomaticamente a Argentina e o Chile; a RPChina enviou para a região o seu quebra-gelo Dragão da Neve; a Rússia enviou também o seu navio de pesquisa e quebra-gelo Akademic Fjodorow – enquanto os australianos terminaram a sua pista de aviação. Nesta questão, também não se pode esquecer a já antiga postura alemã durante a IIª GM. São as novas fronteiras da geopolítica – a ecopolítica – é a Antárctida de novo cobiçada. E talvez mais do que o petróleo, do gás e dos minérios, o ouro tem o nome de “água”.  Um outro e recente ponto de discórdia está relacionado com a caça às baleias de bossa (com o seu santuário nos mares da região), reivindicado pelo Japão. Para já este país, por força da comunidade internacional, decidiu suspender o projecto, mas não desiste de capturar quase mil baleias-anãs e 50 baleias comuns. Por outro lado, a Antárctida tem servido de base de estudo para ajudar à conquista do espaço por parte da NASA. E essa região polar oferece condições únicas para o estudo dos mecanismos fisiológicos e comportamentais de adaptação a ambientes extremos. O aumento do efeito de estufa no continente pode provocar danos irreparáveis a longo prazo, mesmo tendo em conta a divisão da comunidade científica a esse respeito: - apesar de não estarem ainda confirmadas as suas conclusões, um recente estudo da Universidade da Califórnia diz que a Antárctida parou de encolher, mas a Nasa afirma ter encontrado provas claras do degelo do continente – consequência do aumento das temperaturas.
                  Mesmo não sendo previsível, a curto/médio prazos, o impacto de “último refúgio” para a Humanidade que possamos atribuir à Antárctida – não deixa de ser evidente o seu papel importante na chamada “nova geopolítica”. E também é importante o seu papel estratégico, pois permite controlar os estreitos. No Atlas de Relações Internacionais, pode ler-se que uma das apostas da guerra das Malvinas, em 1982, foi a de manter o controlo do estreito de Drake, que permite o trânsito das esquadras do Pacífico para o Atlântico.       
* - APROVOU EM 2009...MAS SÓ DEPOSITOU O DOCUMENTO DA RATIFICAÇÃO EM JANEIRO DE 2010.
                                                 BIBLIOGRAFIA

MONOGRAFIAS:
---BONIFACE, Pascal (Dir.) – Atlas das Relações Internacionais. Plátano Editora, 3ªedição, 2005.
---DUARTE SANTOS, Filipe – Que Futuro? Gradiva, Lisboa, 2007 .
---PEZARAT CORREIA, Pedro de. Manual de Geopolítica e Geoestratégia, Vol.1. Quarteto Editora, Coimbra, 2004 ( 1ªreimpressão).
---POJMAN, Louis – Terrorismo, Direitos Humanos e a Apologia do Governo Mundial. Bizâncio, Lisboa, 2007.
---Descubra o Mundo, Volume sobre Oceânia e Antárctida. Direcção Geral de Lourenzo Sisniega. S.A.P.E. – Clube Internacional del Libro, Madrid, 1997. Exclusivo Ediclube para Portugal.    

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS E EM SÉRIE:
Considerações Gerais sobre Geopolítica e Geoestratégia. Apontamentos fornecidos pela Profª Doutora Teresa Cierco, 2007.
---FELDMANN, Fábio. Rumo à Nova Arquitectura Geopolítica. Artigo de Opinião sobre Aquecimento Global, publicado em Maio de 2007 no Portal Terra, Brasil.
---Censo da Vida Marinha identifica mil espécies na Antárctida. Notícia do Jornal Público, 27/02/07.
---Governo Japonês anuncia recuo na campanha de caça à baleia. Notícia do DN, de 22/12/07.
---Portugal no Comité Científico para a Investigação na Antárctida. Publicado em 18/07/06, em http://caminhosdoconhecimento.wordpress.com/ e consultado em 06/12/2007.
---Português lidera estudo sobre variações climáticas na Antárctida. Publicado em Fev. de 2007, em http://ciberia.aeiou.pt  e consultado em 6/12/07.
---SAMSAM BAKHTIARI, A.M. – A Última Fronteira. Artigo de opinião publicado em Junho de 2006, em http://resistir.info/  e consultado em 6/12/07.     
ANEXO:
Resumo do Tratado da Antárctida. Publicado em http://fimdomundo.com/ e consultado em 6/12/07.      


                      


2014-10-08


ÁGUA - DIREITO [humano] FUNDAMENTAL UNIVERSAL. 

Este tema da água vai ser notícia na Assembleia da República na quinta-feira, quando for votado o Projeto de Lei nº368/XII designado como "Proteção dos direitos individuais e comuns à água". 

A propósito, começo a publicar um trabalho que elaborei em 2008 [todos os dados são referentes àquela data, interessando saber que Portugal só ratificou o TRATADO DA ANTÁRTIDA em 2009 e que essa ratificação apenas foi depositada em Janeiro de 2010] sobre a Antártida e ao qual atribuí o título de ANTÁRTIDA - O ÚLTIMO REFÚGIO. No conhecido continente gelado, recordo, encontram-se praticamente 90% das reservas de água doce do Planeta.



INTRODUÇÃO
Tendo em conta que o “aquecimento global” é um tema que vem ganhando enorme relevância de há uns anos a esta parte – sobretudo pelas ligações colaterais que influenciam a política e a economia mundiais (não será um acaso da História a recente atribuição do Nobel da Paz a Instituições e a Figuras das áreas da Ecopolítica e da Investigação ambiental) – o Continente Gelado tem sido apresentado como a “última fronteira” da exploração de recursos decisivos para a sobrevivência do nosso planeta, mesmo sabendo que as “reservas” são diminutas.
                   Quer seja pelas difíceis condições de vida, quer seja pelo óptimo campo de investigação científica – a Antárctida tem conseguido ser protegida das ambições e agressões humanas, graças a um entendimento internacional consubstanciado num Tratado (datado de 1959) que define o Continente como uma zona a ser utilizada unicamente para fins pacíficos. No Atlas de Relações Internacionais, dirigido por Pascal Boniface, diz-se que a Antárctida “fornece, portanto, o modelo perfeito das relações internacionais pacíficas”. Contudo, recentemente, a Grã-Bretanha reclamou, na ONU, direitos de soberania para extracção de reservas de gás, minerais e petróleo – atitude de imediato contestada pelo Chile e Argentina.
                   Independentemente do desenvolvimento deste problema, o trabalho vai tentar responder a uma simples questão de partida: - será a Antárctida, para além da já referenciada “última fronteira”, também o “último refúgio” da humanidade?
                   Com esse objectivo, estabelecemos três capítulos, para analisar a história do continente e a sua importância política e científica- consubstanciada no Tratado de Washington de 1959; fazer o enquadramento geopolítico da região numa perspectiva da Ecopolítica – uma das fases da arquitectura da nova geopolítica que salienta a globalidade dos direitos humanos e, por último, uma breve referência ao pensamento português sobre a Antárctida – destacando as ideias de Soromenho Marques, para quem a ecopolítica ultrapassa uma simples política de ambiente.
                                                        CAPÍTULO I

                      BREVE HISTÓRIA E RECONHECIDA IMPORTÂNCIA            
                                               POLÍTICA E CIENTÍFICA

A poluição do ar e da água tende a espalhar-se indiferente a fronteiras políticas. Por exemplo, o ar contaminado pela explosão nuclear de Chernobyl deslocou-se para ocidente na direcção da Suécia, França, Itália e Suiça. Uma camada de ozono cada vez mais esgotada sobre o Antárctico, torna todas as pessoas vulneráveis à radiação ultravioleta que provoca o cancro.   
                              Louis Pojman – Filósofo político.

A Antárctida – o último continente a ser descoberto – tem uma área de 14 milhões de Km2 e representa 10% da superfície dos continentes emersos. Outrora submetido a um clima tropical, o continente está hoje praticamente coberto por uma enorme calote glaciária, cuja espessura pode atingir 4700m, e possui 90% das reservas de água doce do nosso planeta. E tendo em consideração os jazigos de ferro, cobre, carvão, níquel, crómio, cobalto, titânio, urânio, zinco, ouro, prata, platina e petróleo – é apontado como muito promissor o potencial mineiro da Antárctida.
                    Um ambiente de temperaturas negativas que podem atingir os 90º não é propício a formas de vida superior, mas existem grandes quantidades de baleias, cachalotes, orcas, focas, pinguins e aves marinhas – graças a uma rica ictiofauna e grande abundância de plâncton. Contudo, a “presença” humana na Antárctida fez-se notar a partir de meados do séc.XVIII, com as expedições de Lozier Bouvet e de James Cook, sendo que, hoje, as mais de 40 bases “científicas” empregam cerca de quatro mil pessoas no Verão e apenas mil no longo e escuro Inverno. Além disso, considera-se haver também já um turismo polar – representado por cerca de 40 mil visitantes – o que não deixa de ser uma preocupação ambiental, a par da “Rodovia do Gelo” (1632 Km para ligar duas estações americanas), o aeroporto de gelo australiano com 4 Km e uma base inglesa com habitações permanentes. A Inglaterra foi, de facto, o primeiro país a reivindicar o “gelo” antárctico (após a IIª GM), seguindo-se a Nova Zelândia, França, Austrália e Noruega. Chile e Argentina, pela proximidade, dão como adquiridos e indiscutíveis os seus direitos, enquanto os EUA nunca reclamaram – nem reconheceram – qualquer parcela do continente, eventualmente querendo sugerir que não existe propriedade nacional na Antárctida. Curiosamente, o nome da ex-URSS só aparece por ocasião do Tratado de 1959 (Washington), sendo um dos 12 primeiros assinantes. A partir da entrada em vigor do Tratado – 1961 – foi proibida toda a actividade militar e ficaram congeladas todas as reivindicações territoriais por 30 anos. Reconhecida a importância da situação, o Tratado foi renovado em 1991, pelo Protocolo de Madrid, por mais 50 anos. Considerado como exemplo de uma vontade de cooperação pacífica entre as nações do mundo, ao designar o continente como reserva natural consagrada à paz e à ciência – o Tratado desde cedo começou a ser violado: em 1962 registou-se um acidente com um reactor nuclear dos EUA; em 1983, a construção de uma pista de aterragem francesa destruiu uma grande colónia de pinguins e, em 1989, aconteceu um grande derramamento de crude, provocado pelo choque de um petroleiro argentino e outro peruano. E agora, a GB reclama a possibilidade de extracção de reservas de gás, minerais e petróleo, num raio de 350 milhas náuticas em frente ao território antárctico chileno. Uma clara violação do Tratado, que o deputado chileno Jorge Tarud classificou de grave, apelando à sua Presidente no sentido de convocar os membros do Tratado Antárctico.
                    Pelo Tratado, que Portugal ainda não aprovou*, o interesse científico da região sobrepõe-se aos económicos, territoriais ou militares. O Antárctico é um observatório privilegiado para o estudo do ambiente, medicina, biologia, zoologia e sismologia. E, apesar dos elevados custos com a investigação científica, a Rússia dispõe de 7 bases (750 pessoas), os EUA três (embora a figura do “Atlas” refira 6 para cada) - qual competição da “velha” guerra fria! – a Argentina seis, mas em ligação com a GB, Austrália e Chile; o Japão duas e, depois, vários países com uma: França, África do Sul, Índia, Alemanha, Polónia, Nova Zelândia e Ucrânia. Brasil, Peru, Uruguai e China organizam regularmente campanhas oceanográficas, tal como outros países europeus.
                    Compreender o sistema atmosférico e climático mundial tem sido uma das tarefas mais activas, mas – desde o Ano Geofísico Internacional em 1957 – já se elaborou uma nova teoria sobre os fenómenos magnéticos e foram identificados mais de 200 minerais. Já no início deste ano, o navio oceanográfico Polarstern identificou mil espécies nas águas da Antárctida. Os 52 cientistas (de 14 países) a bordo, pretendem ainda conhecer os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade. São as “viagens do censo” no terceiro Ano Polar Internacional.




* Viria a aprovar em 2009 e a depositar o documento de ratificação apenas em Janeiro de 2010.

OS OUTROS DOIS CAPÍTULOS SERÃO PUBLICADOS NA QUINTA-FEIRA.

António Bondoso
Jornalista
2014




ÁGUA - DIREITO [humano] FUNDAMENTAL UNIVERSAL. 

Foto de A.Bondoso

Amanhã, dia 9, vai ser votado na Assembleia da República o Projeto de Lei nº368/XII designado como "Proteção dos direitos individuais e comuns à água". 
O acesso à água, reconhecido como um "Direito humano fundamental e universal", preocupa (ou devia) naturalmente os habitantes deste Planeta sobrepovoado e maltratado. Se o recurso é finito, o planeta também o será. Transmitindo essa preocupação, alguns milhares de cidadãos enviaram aos deputados e/ou Grupos Parlamentares um texto mais ou menos idêntico ao que segue:
Este Projecto de Lei foi proposto à Assembleia da República por mais de 44000 cidadãos titulares do direito de iniciativa legislativa, porque é crucial assegurar em Portugal a universalidade do direito humano fundamental à água e ao saneamento; proteger as funções da água, sociais, ecológicas e económicas e impedir a privatização, seja sob que forma for, dos serviços de águas, das infraestruturas públicas e do domínio público hídrico.
O Projecto de Lei vem ao encontro da vontade da larga maioria dos portugueses, claramente expressa nas sondagens publicadas sobre o tema e dá cumprimento ao disposto na Constituição da República Portuguesa nesta matéria.
Apelo por isso ao seu voto favorável, na certeza de que esse é a forma de assegurar a todos o acesso à água e a sua fruição comum e equitativa à população presente e às gerações futuras.
A água é um direito humano, não é um negócio! 
Esperemos que os políticos saibam interpretar lucidamente esta preocupação e decidir em conformidade. 


Foto de A.Bondoso
António Bondoso
Jornalista. 
2014

2014-09-27

ABRIL...O ESPÍRITO, presente no Auditório do Arquivo Municipal de Gaia - Sophia de Mello Breyner.


Fotos de Miguel Bondoso


ABRIL...O ESPÍRITO, presente no Auditório do Arquivo Municipal de Gaia - Sophia de Mello Breyner.
***** Os livros O PODER E O POEMA(2012) e O RECOMEÇO (2014) foram apenas o pretexto para se voltar a falar de ABRIL. Para além da POESIA - dita com requintes de excelência por Alzira SantosMargarida Santos eRogério Brás Gil - também textos sobre " Os sentidos do Bloqueio da Esperança de Abril" e " Abril Sempre - Um Sorriso de Fé na Eternidade". Ainda poemas de António Bondoso "musicados" por ZEAL e as "presenças" de Ary dos Santos, Amílcar Cabral, Manuel Alegre, José Mário Branco, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Pedro Barroso.
A sessão, enquadrada por uma Exposição Documental sobre o velho regime, o 25 de Abril de 1974 e o pós 25, mereceu igualmente uma intervenção oportuna da Diretora do Arquivo - Alda Temudo - a quem manifesto gratidão pelo carinho com que acolheu este evento, agradecimento extensivo ao executivo da C.M. de VNGaia.
OBRIGADO A TODOS!




António Bondoso
Set.2014



2014-08-27

SEMELHANÇAS…E DIFERENÇAS!


SEMELHANÇAS…E DIFERENÇAS!
…ou a história repetida do centavo e do canalha!

         Um chegou e decidiu encolher o relvado.
         O outro chegou…e decidiu plantar uma torre de observação.
Um chegou…e entendeu que F.Gomes era “finito”!
O outro chegou…e entendeu o mesmo de Quaresma!
         A história do Bi-Bota…todos conhecemos.
         Fica a interrogação sobre o epílogo de Quaresma.
Eu sei que os sapatos do homem são caros – são de marca – e sei que não deve ter inveja dos brincos de Quaresma.
         Mas o que o da boina basca/vasca fez ontem a Quaresma…é – no mínimo – canalha! Não precisa desses estratagemas da treta para dizer que ele é que manda. E o abraço final…só aconteceu, depois dos assobios!
         O homem até pode vir a ser campeão! Como Ivic foi. Não será difícil…perante tamanho investimento!
         Mas, como diria o Prof. Manuel Machado…um centavo é um centavo…e um canalha é um canalha!
         Independentemente dos resultados!
Da Administração da SAD e do resto...já não vale a pena falar. Todos sabemos o que aconteceu por ex com Gomes e Jorge Costa. E com Paulo Fonseca…na época passada. 
António Bondoso


António Bondoso

Agosto de 2014

HÁ JARDINS ETERNOS...COMO ESTE "DA MEMÓRIA"!

Foto de A. Bondoso

JARDIM DA MEMÓRIA (A Publicar)

Neste espaço de silêncio
Onde se dá valor à alma
Cada qual com sua cruz…
Há histórias
Há memórias
Há valores que se visitam
Há murmúrios que circulam
Na verdade absoluta.

Neste espaço de silêncio
De cumplicidade e conforto
Onde habitam gerações…
Todo o respeito se curva
Num alívio de suspiros
E todas as lágrimas choram
Enchendo pequenos rios
Consolando corações!


===== António Bondoso (A Publicar)
Agosto de 2014.

2014-08-24





 A MORTE E A SUA CIRCUNSTÂNCIA
…ou a dor antes do tempo – no desaparecimento de Eduardo Costley-White.

         Lembro-me de La Palisse quando estas coisas acontecem…e o Eduardo tinha chegado agora ao meio da vida. Faria 51 anos em Novembro.
         Não o conheci. Apenas tinha agora como leitura o seu mais recente livro Bom Dia, Dia, com a chancela das Edições Esgotadas. E fica-me aquela sensação de que, apesar da sua já vasta obra literária, muito poucos o conheceriam. Vejo no Facebook.
         E vou à página 71 do Bom Dia, Dia – e logo me vem à memória o grande Almada Negreiros – com a sua Rosa dos Ventos. Ou Francisco José Tenreiro e o seu Mestiço.
         Eduardo, que nasceu em Quelimane, assume toda a sua mestiçagem e moçambicanidade sem sofismas. Diz claramente dito:- “por haver um pássaro incendiado dentro do seu grito, do meu pardo mestiço eu não me demito”. Ele, que “nasceu livre desde o primeiro dia”, é dos eleitos que já não morrem. Fica a sua obra para realçar o seu talento. Fica a tristeza de ter partido a meio da vida.
         Mas tenho a certeza que terá morrido a sorrir…aquele sorriso africanamente trocista e a desejar ao mundo um novo Bom Dia, Dia!
Mangwana…
         Por isso, deixo ao escritor, ao poeta Eduardo Costley-White este meu “Quando Eu Morrer”:

QUANDO EU MORRER! ( A Publicar)

Quando eu morrer
Quero que seja a sorrir.

Não para zombar da morte
Pois ele há gente sem sorte,
Mas para lembrar à vida
Que não vale a pena viver
Se dela prazer não houver.

Quando eu morrer
Quero que seja a sorrir.

E que seja num dia onze
Para poupar aos verdugos
De tanta burocracia
O fardo de anotar
Diferente data no óbito.

Quando eu morrer
Será certamente a sorrir.

E a voar
E a cantar
Ao silvo do trem das onze
Pra que ninguém sinta a falta
Da hora de ver partir.
==== António Bondoso ( A Publicar).
António Bondoso
24 de Agosto de 2014

2014-08-23


LUÍS BONDOSO APARÍCIO…
…Figura a reter na memória de Moimenta da Beira.
(13 de Janeiro de 1930, Moimenta da Beira – 23 de Abril de 2014, Lisboa).

           Na minha, por circunstâncias diversas – não apenas familiares. Tal como ele nasci em Janeiro [embora dia 11 e 20 anos mais tarde]; tal como ele, o chamamento de África; tal como ele – viria a casar numa igreja denominada de N.S. da Conceição, eu em S. Tomé e ele em Luanda [embora ele o tenha feito 13 anos antes, mas no dia 11 de Janeiro – dia do meu nascimento].
         Luís Bondoso Aparício faleceu a 23 de Abril deste ano, a dois dias apenas de se assinalar o 40º aniversário do “25 de Abril de 1974” – o marco da Liberdade pelo qual lutou desde muito novo, chegando a ser militante comunista ainda na clandestinidade – numa altura em que eu me encontrava envolvido num programa comemorativo da efeméride em Moimenta da Beira.
         Jurista, empresário, professor de Direito – Luís Bondoso Aparício levou Moimenta da Beira para Angola em 1959, fazendo de Luanda a base de partida e de chegada das suas andanças pelo mundo dos negócios e pelo amor ao “Bridge”.
Licenciado em direito em 1956, em Coimbra, nasceu a 13 de Janeiro de 1930, filho de José de Almeida Leitão [farmacêutico] e de Dinora Veiga Bondoso, Luís era neto paterno de José de Almeida Leitão Junior/Maria José Baptista e materno de Luiz Zeferino Bondoso/Luisa d’Almeida Leitão Veiga – meus bisavós paternos. Casou em Luanda a 11 de Janeiro de 1961, com Deolinda Carmen Pereira Machado, na Igreja de Jesus – da freguesia de N.S. da Conceição, como já referi.
 Depois de consultor jurídico em várias empresas, quer em Angola, quer em representação de países como o Kenya, os EUA e a Argélia, o primo Luís desempenhava em 1973 idênticas funções na DTA/TAAG – tendo exercido nessa data a sua influência para que eu pudesse viajar de Luanda para S. Tomé, de modo a apresentar-me em tempo oportuno no Quartel onde cumpria parte do meu serviço militar obrigatório.
E agora, 40 anos depois – numa altura em que o primo Luís nos deixou fisicamente neste ano de 2014 – Augusto marca um sentimento de gratidão muito forte à Carmen, mulher com quem Luís Aparício[1] se havia casado em 1961, em Angola:


  É POSSÍVEL

As estrelas cintilam porque ardem
Semeando fogo pela imensidão do universo
Infinito repouso de quem segue
Procurando paz
Perseguindo a vida
Para além do firmamento das hipóteses.


[1] - Lembrado na edição da revista Mutamba – do Novo Jornal – de 1 de Agosto de 2014. Competente, íntegro, Mestre dedicado dos Magistrados, são adjetivos de Eugénio Ferreira – antigo Presidente do Tribunal da Relação de Luanda. Maria do Carmo Medina, juíza do mesmo tribunal e que viria a ser nomeada vice-presidente do Tribunal Supremo, refere-se a Luís Bondoso Aparício como “pertencendo ao pequeníssimo grupo dos cabouqueiros do direito do novo Estado”. Luís Aparício foi docente na Faculdade de Direito da Universidade de Agostinho Neto. E nos anos de 1990 trabalhou em Macau no escritório de Advocacia de Pedro Redinha. 


Luís Bondoso Aparício, de pé – à direita – com os “staffs” da Boeing e da TAAG, em Seattle.(Fotos gentilmente cedidas por Carmen Aparício).

          “Luís Aparício ou Luís Bondoso Aparício” – exatamente assim referido no seu processo na PIDE, em 1964 [vigiado pelas suas posições de esquerda desde muito novo], devido a reuniões com vista à constituição da Associação Jurídica de Angola, nomeadamente com Diógenes Boavida – foi também, no período colonial, administrador do CTA (Consórcio Técnico de Aeronáutica), uma empresa de táxis aéreos que se dedicava à pulverização de campos de algodão e girassol em Angola. Ao serviço dessa empresa chegou a estar igualmente em S. Tomé. Mas o que mais o motivou [para além de ganhar torneios de Bridge em Luanda, Lourenço Marques ou Salisbury] foi o ensino do “Direito” depois da independência de Angola, “quando os recém-licenciados tinham avidez em aprender” (ver nota 1).
         Grande parte deste “texto” completa uma vasta reflexão à volta das minhas viagens e dos tempos históricos que fui vivendo, prestes a ser publicada em livro – EM AGOSTO…A LUZ DO TEU ROSTO! E outras musas e sereias entre viagens. Uma “estória” que relata o encontro de Moimenta da Beira e de Moncorvo em S. Tomé e Príncipe, num vai e vem que se prolonga pela descolonização de África e, já no final do século, tem o seu epílogo em Macau.
E a surpresa que foi ver ainda numa lista telefónica de 1992, em Macau, o nome de Luís B. Aparício. Ele que, apesar do breve período na sua experiência a Oriente [regressou a Portugal devido a problemas graves de saúde], ainda teve tempo para “aprender” algumas expressões em “Cantonense”. Como o endereço do escritório de Pedro Redinha [então no Sán Laiwá, sán laivá] ou do Tribunal [Fat Üne] ou até mesmo pedir uma cerveja [Pet’Chao] e ir ao Mercado [Kai Si] Vermelho comprar o peixe ainda vivo.
Obrigado – Tó Ché [ou Mecói Sai] – Luís Bondoso Aparício.
António Bondoso


António Bondoso
23 de Agosto de 2014


2014-08-21

A UNIVERSALIDADE.....................


NEM CARAS…NEM VELAS!
(Ou como ser Universal!)

E se não tivesse havido velas
Nem caras
Nem gente
E os mares dentro do Mar…

Navegantes não houvera
Nem caravelas tivera
Este povo marinheiro
Certamente aventureiro.

E se não tivesse havido velas
Nem caras
Nem gente…
Nem mesmo o mar saberia
Que por ele se andaria
À volta do mundo inteiro!
==== António Bondoso


António Bondoso
Agosto 2014.

2014-08-17

FALECEU PIRES VELOSO, A QUEM CHAMARAM VICE-REI DO NORTE. 



PIRES VELOSO
Faleceu aos 88 anos de idade.
A verdade é que não sei quantificar o que o país lhe terá ficado a dever, depois da sua intervenção em Abril de 1974 e em Novembro de 1975 [independentemente das posições tomadas e das circunstâncias em que o foram e dos “rótulos” com que o distinguiram] – tendo pelo meio uma missão tão decisiva quanto polémica na descolonização de S. Tomé e Príncipe.
Eu, para além da amizade, fiquei a dever-lhe uma participação decisiva na elaboração do meu livro ESCRAVOS DO PARAÍSO- Vivências de S. Tomé e Príncipe (2005, MinervaCoimbra. Pgs 35 a 70) – uma conversa a meias com a [também já falecida] sua mulher D. Maria Cândida. Ficou, assim, registada uma parte da história do país, particularmente da descolonização das Ilhas do Meio do Mundo de que ele aprendeu a gostar – apesar das reservas com que encarou inicialmente a missão para ser o último Governador da ex-colónia e, por fim, desempenhar o cargo de Alto Comissário até à independência em 12 de Julho de 1975.
Uma das “batalhas” que Pires Veloso teve que travar em STP foi com a “Associação Cívica Pró MLSTP”, vulgarmente conhecida por “Cívica”. E independentemente dos “campos opostos” – é quase unânime a defesa do papel de Pires Veloso em todo o processo de transição. De Filinto da Costa Alegre a Alda do Espírito Santo, de Carlos Tiny a Leonel D’Alva, todos salientam as posições de bom senso e de diálogo construtivo, para além da firmeza.
Ficará sempre uma abraço grato pela Amizade com que me distinguiu, apesar de nem sempre estarmos de acordo!
António Bondoso
17 de Agosto de 2014. 



António Bondoso
17 de Agosto de 2014.