2015-03-13




Educação Ambiental – Murtosa, Aveiro - 8 a 11 de Julho.

III Congresso Internacional dos países e comunidades de língua portuguesa.

A mensagem que interessa veicular é que é urgente, à escala planetária, atuar com medidas de prevenção e mitigação, sendo necessário envolver todas as áreas da sociedade - política, civil, académica e empresas - e todos os escalões etários, na temática ambiental. E tudo começa na Educação, como se depreende do tema do 3º Congresso de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa: "Educação Ambiental - travessias e encontros para os bens comuns". Organizado pela ASPEA - Associação Portuguesa de Educação Ambiental, em parceria com a Câmara Municipal da Murtosa e com a Fábrica Centro Ciência Viva, da Universidade de Aveiro, o Congresso tem já inscritos mais de 350 participantes. A maioria representa o Brasil e Portugal, seguindo-se S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Galiza, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Nicarágua, França e Timor-Leste. 
Questionado sobre a importância do tema, à escala planetária, o Presidente da Comissão Organizadora do Congresso - Joaquim Ramos Pinto - disse que, numa escala de 1 a 10, atribui a classificação máxima às problemáticas ambientais. (...) 

==== Ver todo o texto no link abaixo.


http://pt.blastingnews.com/sociedade/2015/03/questoes-ambientais-no-topo-das-preocupacoes-de-especialistas-lusofonos-00304737.html





Outros pormenores sobre o Congresso em: 





António Bondoso
Jornalista



TRISTE PAÍS........ De desmentido em desmentido Até ao Destino Final!

                                                                Foto de A. Bondoso

GENTE SEM PORTE

Temos um país suspenso
Em agonia de morte,
É já a Lei que se rejeita
Por certa gente sem porte.
E sofre mais quem não suspeita
Que essa gente percebe
E até promove
Traição infame, desonra e dor.

==== António Bondoso
(Pag.19 em O PODER E O POEMA.2012.
Também em O RECOMEÇO (2014).Pág. 39

O Autor e Edições Esgotadas.


António Bondoso
Jornalista.

2015-03-11

DE SONHO EM SONHO...


SONHO NU (A PUBLICAR)

O meu sonho vai nu
Despido de tudo.

Nascido do nada
Nem pôde crescer
Alimento ilusório
Num seio vazio
Que teimo em sorver
Pirrónica missão.

O meu sonho vai nu
Descalço de gente
Perfeito sem tempo
Não vendo a esperança
Latente sinal
Que ninguém me roubou.

O meu sonho vai nu
Despojado de vida
As horas são mortas
E as ideias tão vagas
Que a magia suave
De tão transparente
Não toca e não sente
Esta alma ferida.
O meu sonho vai nu
Sem véu e sem manto
Mas talvez possa ainda
Salvá-lo do pranto.
======== António Bondoso (A PUBLICAR)



António Bondoso
Jornalista

OS MEUS LIVROS DE 2014 - I


Africana inteira, do Bié e do Lubango, Maria do Rosário de Freitas acaba de soltar palavras ao vento, respirando poesia – da Tundavala a Coruche, da Senhora do Monte a Sesimbra.
Quem a conhece bem, como a amiga Ana Maria Teixeira Freitas, diz que a sua escrita “é prenhe de emoções, muito ligadas ao real”.
De facto, este livro que agora nos apresenta – editado pela sua Apenas Livros Lda e com o título Solto Palavras ao Vento – é um retrato de si, desde menina, mostrando a pureza da alma, nua, e abrindo o coração às memórias. É o seu tempo de saldar contas com o passado sem recurso a qualquer tipo de engenharia espiritual. Diz o que sentiu e sente – apenas! Pelas palavras, que são símbolos, e pela poesia que delas emana. “No piar das aves/no sopro do vento/no som da chuva…” Rosário de Freitas “semicerra os olhos” e leva “na sua viagem” o que lhe “vai no coração”. E não esquece Abril – que vai chegando – tempo que “abriu os corações para a esperança…e as portas do sonho”!
Parabéns…e escreva sempre!



António Bondoso
Jornalista

2015-03-08



***** Neste Dia...

“(…)e em sua incalculável imperfeição
constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável”.
Receita de Mulher - Vinícius de Moraes

Foto de A. Bondoso

TEMPO DE ENCANTAMENTO (A Publicar)
E assim...
Bem defronte dos teus olhos
Poderás ler nos meus lábios
Que a vida tem sempre um tempo
Precioso e de mistério.
Um tempo de encantamento
Que alimenta e ressuscita
A alma junto do corpo
Um tempo que o vento move
Alumia o horizonte
Aveludado caminho.
Abandono-me e entrego-me
Ao teu tempo
Espaço nosso.
===== António Bondoso (A Publicar)

Foto de A. Bondoso

António Bondoso
Jornalista

2015-03-03

UMA TERÇA-FEIRA ESPECIAL... 
PARA S. TOMÉ E PRÍNCIPE E PARA OS SEUS FILHOS...DE NASCIMENTO OU DE CORAÇÃO. 

Chega hoje às "bancas" o nº 250 do jornal online NOTÍCIAS À TERÇA, editado há cinco anos pelo amigo CARLOS DIAS. Na passada terça-feira foi o nº 249...de que destaco uma parte como podem ver. 


Entretanto, para assinalar a efeméride - com um significado muito especial para mim, por motivos óbvios e, estou certo, para todos os "são-tomenses" - solicitei ao Carlos Dias uma pequena entrevista, chegando mesmo a dar-lhe os tópicos das questões. Por motivos diversos e que agora não vêm ao caso, o Carlos preferiu contar a história dos almoços das terças-feiras que, curiosamente, deram origem à publicação semanal. 
===== É o que podem ler e ficar a saber...como segue: 
Notícias à Terça …
Porquê às terças-feiras ?
Não foi possível estabelecer a data em que tiveram início os almoços às terças-feiras que juntam  os amigos de São Tomé e Príncipe, naturais ou não, ex-residentes ou em curta estadia em Lisboa. Há mais de 50 anos não há dúvida. Quando em 1963 estive em Lisboa de férias já um grupo  ligado a São Tomé e Príncipe se juntava no Rossio, frente ao Nicola, todas as terças-feiras. Ali iam esperando que se juntassem mais uns tantos e partiam para ir almoçar a um restaurante escolhido na ocasião, quase sempre no Parque Mayer. Desse tempo lembro-me do Fonseca do Rio do Ouro, do Baltazar das Plancas, do Ricardo Carvalho da Imprensa Nacional, do Araújo da Curadoria e mais uns tantos.
E porquê Notícias ?
Porque reparei que uma das razões do almoço, além da óbvia que era estarem algum tempo juntos, e almoçar claro, era a de trocar notícias de outros amigos e da vida em São Tomé e Príncipe. E assim continuou mesmo quando passaram a ser muitos mais os convivas, a quando do regresso de muitos portugueses na altura da descolonização. Às vezes um ou outro trazia um pequeno apontamento para não se esquecer, ou um jornal, ou um livro … daí o “Notícias” a partir de 23 de Março de 2010.
A pouco e pouco os leitores foram aumentando, à medida que também ia aumentando o número dos que utilizavam o Notícias para dar ou tomar conhecimento de eventos, relacionados com São Tomé e Príncipe, almoços, reuniões, conferências, ou apenas aniversários, falecimentos, etc.
O editor que, digamos, recebeu a chama dos fundadores naquele já longínquo ano de 1963, chamou a si, com muito gosto, uma parte importante do “projeto” de manter o almoço das terças-feiras (alguém o faria) e de tentar manter informados os presentes e, utilizando as novas tecnologias, alargando a “plateia” a muitos mais.
Creio – e desejo – que também se pode ver neste “projeto” uma enorme amizade, e saudade, de São Tomé e Príncipe.  Saudade que não saudosismo como alguém, menos informado, um dia lhe quis atribuir.
E calou tão fundo na alma do editor a força que sentiu nos fundadores, que não houve um fundador ou um grupo de fundadores ou uma fundação mas sim as coisas foram acontecendo, que ainda hoje é aí que vai buscar a força para tentar manter esta tradição dos “almoços de terças-feiras” e do espirito que deseja tenha o “Notícias à Terça”.
Há uns tempos, quando as forças pareciam querer ser fracas, contactei alguns eventuais continuadores do NT. Mas a transferência acabou por não ser feita, não porque os leitores perdessem algo com a mudança, ganhariam estou certo porque os escolhidos eram pessoas de mais qualidade, mas porque entendi que devia continuar a prestar este serviço a mim próprio (mantendo-me ativo) e porque achei que enquanto fosse possível devia manter-me fiel a esta homenagem que mereciam os que me tiveram com eles à mesa.
Enquanto Deus quiser.
3 de Março de 2015

Carlos Dias. À época - Intendente do Emissor Regional da ex-E.N. em S. Tomé e Príncipe. 
Desempenhou cargo idêntico na Guiné, depois de ter sido Diretor do Rádio Clube - a sua maior paixão - e de ter desempenhado o cargo de Administrador do Concelho do Príncipe, entre outros cargos de responsabilidade. 
===== Deixo ainda o fac simile do nº1 do Notícias à Terça. Para que saibam: 
NOTICIAS À TERÇA (1)
               
                Entrou a Primavera, é a Natureza que se renova. Assim nos sintamos nós, mesmo apesar dos sinais de morte que neste últimos tempos marcaram a partida de alguns dos nossos amigos. Sintamo-nos renascidos, marquemos até como uma mudança de ciclo o fim da nossa presença no Lagosta Real e o inicio, que foi auspicioso porque nos receberam bem, de uma longa presença no Inhaca.
                Com as novas tecnologias (mesmo com as dificuldades que possamos ter no seu uso ...) poderemos trocar noticias e à terça-feira publicar este “jornal” que será entregue em mão no almoço e enviado por mail para os endereços que forem conhecidos. As noticias poderão ser enviadas para: neto.geo gmail.com ou alvaro.morais iol.pt ou carlossaid gmail.com.  O “jornal” será depois distribuido no almoço ou, como já se disse, enviado para os endereços conhecidos. Há entretanto já dois blogues criados, que não têm tido a serventia que se desejava precisamente por falta dos tais conhecimentos técnicos, mas nós vamos lá. São: www.andorinha.bloguedesporto.com e www.saotomeprincipe.blogspot.com.
Vamos tentar utilizar estas ferramentas ?
As noticias de hoje:
12/2/2010 – Faleceu o Raúl Heitor
23/2/2010 – Faleceu o Daniel Conceição
28/2/2010 – Faleceu o Hugo Lacerda (D. Maria Améli comunicou que a missa de sufrágio terá lugar no dia 28 de Março, às 18 horas, na Igreja de Arroios (Praça do Chile)
16/3/2010 – Faleceu o Joaquim Campos (Campos da Shell
21/3/2010 – Faleceu o Vitor Manuel Moreira da Cruz
                Às Familias enlutadas renovamos as nossas condolêrncias.
Convivio anual do Andorinha – O Vitor Cruz na véspera de morrer esteve a combinar com o Américo Gradissimo a data para o habitual convivio anual do Andorinha, que marcaram para 4 de Junho, 6ª feira. Ontem mesmo muitas pessoas concordaram pois seria uma forma de também homenagear a memória do Vitor. Daremos mais detalhes.
Almoço da lampreia – ainda esta semana ou na próxima o mais tardar¸daremos detalhes sobre o almoço da lampreia em Belver, É necessário saber desde já quantas pessoas, mais ou menos, estarão interessadas.
Dra. Otilina Santos – Foi um sucesso a apresentação do recente livro da nossa Amiga Dra. Otilina, contamos transcrever no próximo jornal algumas das criticas de jornais. Foi pena que do nosso grupo, nalguns casos por razões de idade ..., apenas estivessem o Dr. Seibert e o Álvaro Morais, mas havia mais de 100 pessoas.
António Bondoso – apresenta o seu livro de poemas no próximo dia 8 de Abril, pelas 18 horas,  na Casa de Angola, em Lisboa (a Casa de Angola fica perto do Rato, junto ao Hotel Amazónia, disse-me o Bondoso),
 23/3/2010
========= Parabéns e Longa Vida ao Notícias à Terça. Um grande abraço de reconhecimento ao Carlos Dias pelo carinho e pelo seu empenho na divulgação de S. Tomé e Príncipe. 

========= E já agora... deliciem-se com este slide show: 

http://youtu.be/xDhKXSmc_qw 

António Bondoso
Jornalista. 

2015-02-28

SER PAI...

Foto Arquivo Pessoal.

SER PAI.
Ao meu pai, em memória, e a todos os que antes dele foram pais e me trouxeram à vida, fica o registo do que ofereço ao meu filho na esperança de que o ciclo se complete. E ainda para que ele não esqueça a memória de outros pais que dele igualmente foram e nele da mesma forma viveram.

Ser pai (A Publicar)
Ser filho
Ser filho do pai e pai do filho
É ter um sorriso de vida
A emoção de um olhar
A certeza de que estamos e que somos.

Um filho prolonga
E um pai alonga
O tempo e no tempo que vivemos.

Cúmplice do pai
Companheiro do filho
A circunstância de sermos
E de amarmos.
==== A. Bondoso (A Publicar)


2015-02-16


NESTE FEVEREIRO...HÁ DOIS CAFÉS PARA LEMBRAR O PASSADO!



JARDIM DA MEMÓRIA (A Publicar)

Neste espaço de silêncio
Onde se dá valor à alma
Cada qual com sua cruz…
Há histórias
Há memórias
Há valores que se visitam
Há murmúrios que circulam
Na verdade absoluta.

Neste espaço de silêncio
De cumplicidade e conforto
Onde habitam gerações…
Todo o respeito se curva
Num alívio de suspiros
E todas as lágrimas choram
Enchendo pequenos rios
Consolando corações!

===== António Bondoso (A Publicar)
António Bondoso
Jornalista

2015-02-14

É SEMPRE UM TEMPO DE ENCANTAMENTO...

Foto de António Bondoso


TEMPO DE ENCANTAMENTO

E assim...
Bem defronte dos teus olhos
Poderás ler nos meus lábios
Que a vida tem sempre um tempo
Precioso e de mistério.

Um tempo de encantamento
Que alimenta e ressuscita
A alma junto do corpo
Um tempo que o vento move
Alumia o horizonte
Aveludado caminho.

Abandono-me e entrego-me
Ao teu tempo
Espaço nosso.
=================================== 
António Bondoso
Jornalista

2015-02-13

ANTES DO TEMPO!

Foto de A. Bondoso
Foram dias foram anos
Em cada minuto de trinta
Uma vida sempre cheia
A começar do vazio
Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos.

Chegaram e não ficaram
Partiram de modos diferentes
Fui chegando e aqui voltando
Não sei se quatro se três
As vezes que me chamaram
P’ra começar outras frentes
Batalhas que fui travando
Cada vida em sua vez.

Não foi uma guerra perdida
Nem a morte anunciada
Silêncios de fracos espíritos
Que se escondem na penumbra
Não derrubam coisa alguma.
São fantasmas, camaleões
De um novo tempo sem ética
Maquiavel alma ferida
Contradiz, pena gelada
O que pensam serem méritos
De razão que não deslumbra.

Conhecidas uma a uma
Todas elas ilusões,
Nenhuma resiste sem métrica
Esfumam-se num lago seco
De lágrimas de crocodilo,
Arestas pontiagudas
Secas, finas e brilhantes
Ponteiros de um tempo novo
Mágico, sem viajantes.

E perdidas no labirinto
Dos poderes que estão em jogo
São almas não são amantes
Já não lhes sobram paixões
De escrever ou de rezar.
Já não sabem se  o que sinto
É um dom que ateia o fogo
Ou então como era dantes
Correr atrás dos balões
Subiam subiam sempre
Vazios mesmo com ar.

Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo.
Mas nem sequer sou rimador
De tanta expressão com dor
Que é partir mais uma vez
E o regressar nem talvez
Agora que se fabricam jornalistas numa linha.
Coisa de muitos mistérios
Prece de computador
Sinais  precoces da lage
Onde restará o tempo
Coração de pouca mágoa que sempre me acarinha !

Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos
De todos guardo lembrança
De menos ou mais talento
E  no altar da amizade
Há santos e pecadores.
A uns venero de agrado e aos outros estendo a mão
Mas não pretendo ser santo ou perder o coração
Traído pela memória de alguns que bem lamento.
São riscos de um mundo quente
Em permanente mudança
Ora pouco solidário ora perdendo valores,
Mas não sei mais que dizer-vos
Neste círculo de amizade
Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo !

Porto, Abril de 2005

António Bondoso  
**** Em O PODER E O POEMA ( Pg. 81)- 2012.    
NESTE DIA MUNDIAL DA RÁDIO...

DIA DA RÁDIO – 2015
Se não fosse pela memória – que é preciso honrar cada vez mais – talvez me abstivesse de vir a público dizer duas ou três coisas sobre uma vida de prazer e uma luta permanente. Enquanto não termino o livro que me propus escrever sobre o trabalho que é dar um rosto à magia…voltei a ser “espicaçado” e condescendi. Falar da rádio, hoje, é – para mim – ultrapassar momentos de mágoa e de revolta. E, sem ter muito trabalho, bastou-me consultar algumas páginas do meu livro mais recente EM AGOSTO…A LUZ DO TEU ROSTO!
..............................
(…) E depois vem a Rádio – retomando o fio à história! Esperando um dia pela saída do Manuel Sá, que por essa altura animava as manhãs de domingo, no Rádio Clube de S. Tomé, o Diretor Carlos Dias – esse mesmo que hoje elabora e distribui na Web o já célebre NOTÍCIAS À TERÇA – entabulou uma conversa de circunstância com Augusto e, quase em jeito de brincadeira, foi dizendo:- “Um dia destes vens aí fazer uma experiência”.
E foi assim. A rádio passou a fazer parte da vida de Augusto, a caminho do Ciclo Complementar dos Liceus – desejo de seu pai – gorada que foi a ida para a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém. Mesmo com “Bolsa”, a ideia não agradava ao pai de Augusto. Direito – seria o caminho!
Mas o Latim, primeiro – e depois o Alemão, trocaram as voltas a um rapaz mais maduro e, simultaneamente, mais inquieto. Mais “rebelde” também, muito perto da maioridade que praticamente lhe conferia essa nova faceta de trabalhar na Rádio [antes de começar a “ganhar” 250 escudos esteve seis meses à experiência], sobretudo a acelerar na bicicleta entre o D. João II e os estúdios do Rádio Clube, para “fechar” a emissão da hora do almoço. Ia já com 18 anos feitos nesse ano de 1968, uma altura de amores outros que se expressavam na afirmação adolescente e natural do meio (…).
…………………….
(…) E esse 1973 foi igualmente marcado pelo regresso à Rádio, da qual estivera afastado desde a sua ida para Nova Lisboa, em Angola, em 1971. Uma “recomposição” dos quadros, no tempo do Engº Freire, levaram Augusto de novo para o setor da Produção e de Noticiários – no qual foi chefiado e consolidou a amizade pela Manuela Borralho (…).
……………………………….
(…) E foi em Macau que Augusto viu devolvido o prazer de “fazer rádio” [quase lembrando os tempos do Rádio Clube de S. Tomé], no canal de língua portuguesa da TDM – que ainda se mantém – e no qual teve o gosto de trabalhar com bons profissionais, uns mais do que outros, naturalmente, mas sem esquecer a competência do Helder Fernando e do Cardoso Pinto. Augusto, que havia sido saneado na RDP, no Porto [havia já algum tempo], recorda – em primeiro lugar – o trato distinto de Johny Reis, uma voz de ouro que noutros tempos encheu as telefonias de Macau e que, por circunstâncias do comportamento e do caráter de quem detém o poder em determinadas circunstâncias, ainda hoje Augusto pensa na mágoa de não ter conseguido convencer Johny Reis a voltar aos microfones. Ter-lhe-á “bastado”, durante muitos anos, tratar exemplarmente do Arquivo. A par de Johny Reis – igualmente músico virtuoso – só a memória viva de Alberto Alecrim, um homem que respirava [ainda respira] e transpirava rádio por cada poro da alma(…).
…………………………….
Lá há de vir o tempo de outras histórias. Mesmo – ou sobretudo – com mágoa e com revolta!


António Bondoso
Jornalista.

2015-02-02

UM POEMA PARA O PORTO....


Foto da Web....

VIELA DO ANJO (A Publicar)

Na Viela do Anjo
Onde o sol não voa
E a morte convive
Na sombra dos edifícios gelados
Húmidos…
Também habita gente simples
Hospitaleira
Com o caráter da Sé.

Na Viela do Anjo
Há ruínas
Ainda sustentadas pelo pensamento
De uma esperança arreigada
Na rua da Ponte Nova
Que sai da Mouzinho em escadas
Cruza com a Bainharia
E a Escura mais ao fundo…
Quase junto aos pés da Sé.

Mas não há santos nem milagres
Nesta Viela do Anjo.
===== A. Bondoso (A Publicar)
António Bondoso
Jornalista

2015-01-13

SEGURANÇA NA EUROPA - MITO COM PÉS DE BARRO? ( PARTE II) 

Foto de A.Bondoso

Do meu trabalho/reflexão de 2008, deixo-vos hoje a segunda parte do trabalho. 
APENAS CHAMO A ATENÇÃO PARA O QUE VEIO DEPOIS DE 2008 - A CRISE ECONÓMICA E FINANCEIRA...QUE VIROU TUDO DO AVESSO. E, assim, tudo ficou ainda mais difícil.

==== Mas o texto, mesmo desatualizado, pode ajudar à compreensão do problema: 

CAPÍTULO II         

DA TEORIA À PRÁTICA, UM PASSO DECISIVO.

“O que faria sentido seria a União preparar-se abertamente para assumir a responsabilidade pela defesa do seu próprio território e deixar para a NATO o papel global que esta, sob liderança americana, quer ter, e para o qual a UE lhe disponibilizaria um elemento de intervenção europeu”.
                                                                                                                Alexandre Reis Rodrigues, 2007[1]

Este tipo de discussão parece ter sido bloqueado no âmbito do desenvolvimento da NOI e também no quadro da Nova Arquitectura de Segurança Europeia (NASE), igualmente ainda não completamente definido e constituindo um dos problemas actuais das R.I. Nomeadamente, como refere o Dr. Paulo Amorim[2], sobre a hierarquia da NASE que – teoricamente – corresponde a uma pirâmide cujo topo é a ONU, devendo seguir-se a OSCE (que passou a Organização em 1994), a NATO e o que hoje poderá ter correspondência com a extinta UEO (uma eterna promessa em termos defensivos europeus) – a PESC/PESDC da União Europeia.
Contudo, com a nova atitude unilateral dos EUA, esta “estrutura” perdeu credibilidade e passou a haver uma certa desarticulação entre as várias organizações, as quais passaram a actuar individualmente – regra geral de acordo com os interesses dos EUA e não sob delegação do patamar superior da pirâmide, a ONU.
Particularmente a partir de 1996, os EUA minimizaram a utilidade da OSCE – na qual estão representados desde Helsínquia tanto os Estados da Europa Ocidental como os do Leste – e a organização perdeu prestígio e importância.
Mas a UE, quer através do extinto Tratado Constitucional, quer no texto do Tratado Reformador de Lisboa – ainda suspenso – insiste numa política comum para a segurança e defesa, tendo chegado mesmo a equacionar-se uma “diplomacia europeia”. Não obstante, persiste a interrogação sobre “que meios políticos?” e sobre “que força armada para impor a decisão política?”.
E apesar de todos os esforços no sentido de potenciar a nova estrutura, o impasse mantém-se, sobretudo por falta de vontade e de coragem política em financiar uma Política de Segurança e Defesa Comum. A engrenagem parece bloquear perante a eventual existência de fortes lóbis militares em vários países europeus – empenhados em evitar que a União possa funcionar como um Estado, detentor exclusivo de uma PE e do poder de declaração de guerra. Neste quadro, não se compreenderia facilmente a existência de umas Forças Armadas fortes nos vários países da União. No fundo, pode dizer-se que vai fazendo vencimento a tese de um quadro westfaliano.
É curioso notar – por contraponto – uma ideia do gen. Loureiro dos Santos[3] anterior à citação que se faz de uma expressão do vice-almirante Alexandre Reis Rodrigues e que encima este capítulo: “ Para já, não parece aconselhável subordinar as Constituições nacionais (que consubstanciam o destino que cada país deseja para si) ao direito comunitário, nem incluir no domínio da União os assuntos de política externa, segurança e defesa, embora devam ser contemplados mecanismos para a sua coordenação”. Loureiro dos Santos enquadra a ideia na necessidade de se adequar o ritmo do aprofundamento institucional, entre o passo de corrida das elites e o andamento normal dos cidadãos europeus. Por outro lado, o General insiste em classificar de rídiculos os meios militares (forças no terreno) da União Europeia e, a propósito da “fraqueza” psicológica e política demonstrada na chamada crise dos cartoons, defende a complementaridade transatlântica: enquanto os países europeus não tomarem consciência das suas debilidades e não as resolverem, em estreita articulação com os EUA, será difícil que o comportamento da Europa em situações deste tipo seja muito diferente.
Ao que parece, é nesta questão política que está centrado o nó górdio do problema.




CONCLUSÃO

“Tememos, pois, que o divórcio entre os povos europeus e a construção europeia irá agravar-se ainda mais, não podendo nós arredar a hipótese de que até às eleições europeias de Junho de 2009, os dirigentes políticos venham a ser confrontados com algum ou alguns sobressaltos”.
                                                                                                                    Augusto Rogério Leitão, 2007[4]


            E confirmou-se o sobressalto! Bastou um pequeno não da Irlanda para abanar os alicerces políticos da União Europeia. Pelo menos obrigou a mais um impasse, para o qual não se vislumbrou ainda uma solução.  
            A Chanceler alemã Ângela Merkel, no “intervalo” dos Tratados, havia já chamado a atenção para o problema, quase premonitoriamente: é do interesse da Europa, dos seus Estados-membros e dos seus cidadãos, que este processo esteja terminado até às próximas eleições para o PE (…) uma Europa fraca, burocrática e dividida não conseguirá resolver os problemas que enfrenta, seja em termos de política externa e de segurança, mudanças climáticas, energia, investigação científica, desregulamentação, ou na gestão do alargamento e das relações com os nossos vizinhos.
            Depois (mas ainda antes do não irlandês), também o Presidente francês Sarkozy havia lançado farpas no PE[5]: o novo tratado simplificado, não resolve a crise moral e política da Europa. E interrogava: como poderá a Europa ser independente, ter influência política no mundo, ser um factor de paz e de equilíbrio se não é capaz de assegurar a sua própria defesa?
            A França, recorda-se, era uma das potências europeias com benefícios directos da aplicação do defunto Tratado Constitucional que – paradoxalmente – foi rejeitado em referendo pelos franceses, numa acesa luta política interna.
            E depois, há quem considere o novo Tratado Reformador/de Lisboa como um “Filho de um Deus Menor”[6], repetindo apenas as duas grandes novidades do anterior, sendo que o funcionamento da Agência Europeia de Defesa (já em prática) não necessita de um tratado. A outra “novidade” – alguns Estados-membros poderem estabelecer entre si cooperações reforçadas/estruturadas – referida num texto do Ten. Coronel Pereira da Silva e publicado na Revista Militar, parece ser potenciadora de naturais divergências entre responsáveis políticos e militares de cada um dos países da União. Particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento de determinadas capacidades em conjunto (os Battle Groups) ou de novos projectos. Uma capacidade militar – recorda Pereira da Silva – compreende elementos como o pessoal, o equipamento, a sustentação, a doutrina, a prontidão, a interoperabilidade, o treino e a projecção. Alguns destes elementos não deixam de entreabrir uma porta – tanto para o estabelecimento de lóbis como para a permanência do espírito de Westfalia.
            Alexandre Reis Rodrigues coloca a necessidade de uma “política centralizada” como fundamental para a ambicionada Política de Segurança e Defesa da UE – mais do que os recursos financeiros. E acrescenta que continua a faltar um órgão que assuma a concretização militar das decisões políticas, coordenando e acompanhando todo o subsequente processo ao nível de cada Estado-membro, conforme os compromissos assumidos.
            Contudo, esta ideia quase que anula o chamado “critério da não duplicação de meios e estruturas” debatido e acordado no seio da NATO no mandato do presidente Bill Clinton.
            No meio de hesitações, impasses e interesses divergentes, Augusto Rogério Leitão projecta para o futuro a afirmação gradual de um directório informal constituído pelo Reino Unido, França e Alemanha – em especial no âmbito da PESC/PESD – apresentando um binómio/dilema: “ou a União opta por ser fundamentalmente uma zona de livre comércio, adaptando-se à globalização com algumas políticas comuns centradas na ajuda aos Estados-membros mais débeis, e as suas fronteiras poderão alargar-se de modo extensivo; ou opta por uma união política, com uma governação da globalização no quadro de uma Europa social que exige uma maior partilha das soberanias e uma configuração como potência regional ou mesmo mundial, e as suas fronteiras terão de ser necessariamente menos extensas”.
            É nesta encruzilhada de um tempo complexo e de muitas incertezas – e para o qual o futuro não tem um prazo muito dilatado – que muitos políticos jogam os seus dados e o seu prestígio, nem sempre com resultados muito positivos.
            E particularmente no que respeita à “segurança colectiva” – por oposição à intolerância e ao terrorismo fundamentalista – merece algum destaque a ideia do embaixador Seixas da Costa[7] quando fala da responsabilidade da comunidade internacional democrática e defensora da tolerância e das liberdades, na qual a União Europeia deve ter um papel central: a segurança colectiva continuará a estar em sério risco, enquanto essa comunidade não adoptar uma ‘diplomacia de princípios’ assente na denúncia dos jogos cínicos da realpolitik e resistindo ao ‘politicamente correcto’ de certos lóbis.
            Este papel só será possível com uma União Europeia sólida e solidária em termos políticos, suficientemente realista a propósito da complexa conjuntura internacional. Com divisões ‘internas’ e assumindo-se como um foco de tensão no espaço euro atlântico, talvez seja preferível ponderar a extinção da NATO. 



[1] - Vice-almirante e Secretário-geral da Comissão Portuguesa do Atlântico. Em Revista Estratégia, do IEEI nº24-25.
[2] - Departamento de R.I. da Universidade Lusíada do Porto.
[3] - O Império debaixo de Fogo, Europa América, Lisboa,  2006.
[4] - Professor da Licenciatura/Mestrado em Relações Internacionais da Univ de Coimbra, na Revista Estratégia, do IEEI, nº 24-25, 2007: “A Crise Existencial da União Europeia entre revisões, alargamentos, fronteiras e o futuro”.
[5] - Discurso no PE em Novembro de 2007.
[6] - Ten. Coronel Nuno Miguel Pascoal Dias Pereira da Silva, sócio efectivo da Revista Militar e comandante da Unidade de Apoio da BrigInt. Publicado em 21 de Setembro de 2008. 
[7] - Embaixador de Portugal no Brasil e representante de Portugal na OSCE (2002-2005). Palestra em Vila Real, em Outubro de 2004.