2016-11-14

EM MEMÓRIA DE MIGUEL VEIGA...

MIGUEL VEIGA…da Beira Alta ao Porto – onde nasceu há 80 anos! E não se nasce impunemente no Porto, dizia. 

MIGUEL VEIGA partiu hoje, avisadamente, pois que ainda há doenças que derrubam lentamente – até mesmo um portuense dos 4 costados com raízes beirãs. Escreveu Miguel Veiga: vim nascer ao Porto, rebento único de minha Mãe, francesa, parisiense de gema, e de meu Pai, beirão dos quatro costados, de Moimenta da Beira, das cercanias das terras do Demo.
         Advogado portuense de prestígio, Miguel Veiga foi um dos fundadores do PPD, mas a questão ideológica nunca determinou em exclusivo as suas amizades. Com Mário Soares, por exemplo, no combate pelas liberdades conquistadas em Abril de 74.
         Miguel Veiga, que escreveu com rara beleza sobre o Porto em UM ADVOGADO EM REDOR DAS LETRAS…(ASA, 2002), escreveu igualmente um dos textos mais brilhantes sobre Aquilino Ribeiro (me desculpem outros ilustres Aquilinianos) a propósito daquele que considerou como “um dos maiores livros de ficção que em Português se fizeram do mesmo passo que escrevia sobre o Minho como mais ninguém” – A Casa Grande de Romarigães.
         Das suas – e minhas – raízes beirãs (o pai Luiz Veiga era natural de Moimenta da Beira) falávamos de vez em quando, na RDP ou quando se dirigia ao Clube Portuense, ali na Rua Cândido dos Reis, ocasionalmente na Casa da Beira Alta. E vinham à conversa memórias sobre o Solar de Penso, as tias que depois foram para o Brasil ou as férias na infância com o primo Luís Veiga Leitão – poeta maior do século XX português – ou ainda do afastado parentesco que nos unia, pois a minha bisavó (Luísa Veiga) pertencia a um dos ramos da sua linhagem beirã.  


        Varão ilustre e beirão dos quatro costados – como ele generosamente me chamava – nunca é demais repetir a estima e a admiração que nutria por este causídico brilhante, portuense ímpar no combate pelas liberdades, dono de uma belíssima e elegante oratória. Grato pela estima, até sempre Miguel Veiga. 


António Bondoso
Jornalista



2016-11-13


PORTO AFRICANO...OU ÁFRICA NO PORTO. 


ONDE FICA A ÁFRICA?
(...) Há, como dizia um antigo diplomata brasileiro, muitas Áfricas. Qualquer enciclopédia nos aponta as diferenças. Não pretendendo cavalgar essa verdade absoluta e deixando ao critério de cada um a busca do tesouro, sempre chamo a atenção para o que escreve o jornalista Leonel Cosme no seu livro MUITAS SÃO AS ÁFRICAS (Novo Imbondeiro,2006): «não são apenas muitas as Áfricas-nações que procuram a sua unidade, em cada território e no continente, mediante um esforço de “reafricanização”, para retomar o fio da história cortado pelo colonialismo; são também as muitas áfricas-sociológicas que existem em cada uma delas, como boas ou más heranças, conforme o olhar de quem faz a leitura dos resultados. E porque muitas são essas “áfricas”, muitos foram e ainda são os olhares, uns que vêm do passado, outros, do tempo que ainda decorre».(...)


Por isso é que o "Espaço Quadras Soltas", com o apoio da "Plataforma Cafuka" e da "Porta XIII" tem vindo a promover iniciativas culturais há uns tempos a esta parte. A Arte - as Artes - na sua diversidade. Para ver no Porto até ao final do mês, com Uma forte presença de S. Tomé e Príncipe. Manuel Xavier, Eduardo Malé, José Chambel, Osvaldo Reis, Estanislau Neto, Valdemar Dória, Litos Silva, Ismael Sequeira, Alex-Keller Fonseca, Otília Santos, Moreira Monteiro, Paulo Renato Vieira, Hugo e Joaquim Pimenta, Manuela Silva, Margarida Marinho, e Rui Duarte - para além de obras de autores desconhecidos.  


ENTRETANTO...
A próxima sessão da Porta Treze terá lugar no Porto, dia 19 de Novembro, às 16h00, no Espaço QUADRASOLTAS, Rua Miguel Bombarda, n.º 529, com a apresentação do escritor Santomense Albertino Bragança. O tema é o seguinte: «Albertino Bragança – Do real ao imaginário, uma prosa poética santomense» a apresentação será feita por António Bondoso. Esta sessão enquadra-se no convite feito à Porta Treze pela organização Quadrasoltas e está integrada nas atividades organizadas por este grupo na programação «África mostra-se». Para além da apresentação do escritor, os sócios da Porta Treze estão convidados a lerem poemas dos poetas Santomenses Francisco José Tenreiro e Alda do Espírito Santo que já foram homenageados na Porta Treze.


António Bondoso
Jornalista
Nov. de 2016







2016-10-15



A FALTA DE PUDOR NESTA PLATAFORMA DO OUTONO…ou de como Camilo Castelo Branco nos recorda a bárbara nudez dos princípios


De plataforma em plataforma…tenho vindo a fazer um esforço gigantesco para manter a postura e a serenidade que se exigem a um cidadão reservado e discreto, minimamente preparado para perceber o mundo. E não tem sido fácil. Não digo perceber o mundo – essa é a parte mais fácil – o que me inquieta é ter dificuldade acrescida para perceber a ignorância assumida, a petulância, a vaidade saloia, a demagogia barata, a manipulação descarada, a falta de educação, a venda da dignidade. E a honra empenhada e o pudor ignorado.  
Mas no meio de tanta plataforma, de transportes ou de orçamentos, de injustiça ou de crimes, de futebol ou de política – tanto ao gosto das conversas de café – caiu-me na secretária a brilhante prosa de Camilo Castelo Branco, concretizada numa resenha de contos a que deu o título de Noites de Lamego. Um título abstruso, classifica. Impenetrável ou obscuro, pois a cidade dos Remédios apenas ali é referida em função das longas e mesmo infinitas noites em redor de umas boas lascas de presunto. E cuida o autor que a leitura do livro deve ser encarada de duas formas: umas vezes como leitura de engalhar o sono rebelde…e noutras encarado como distractivo expediente para aligeirar as horas.
E logo no primeiro conto lá vem a questão do pudor – consequência do pecado de Adão e Eva, infere Camilo, depois desses primeiros personagens se vestirem de folhagem de figueira. Mas, acrescenta o autor, a não existir o pecado, esta bonita coisa, que se chama pudor, faltaria à beleza da mulher; e os poetas, e romancistas, e moralistas desconheceriam um manancial de graciosos discursos, sermões, e madrigais, que correm impressos acerca do pudor.(…) Ao crime da desobediência seguiu-se o do homicídio praticado por Caim. E o homem, em matando o homem, justificou a morte de outros animais, nomeadamente os carneiros. Com essas mortes violentas – adianta Camilo – veio a reforma no vestido. Começaram os homens a vestir-se com as peles das suas vítimas, e não foi sem razão, atendendo que, no Outono, se despegavam secas as folhas das árvores e o pudor ficava em transes até à Primavera.
Mais do que uma silly season, já viral a cada verão, vivemos agora um outono cada vez mais irracional, esperando que o inverno não venha a matar a primavera. 



António Bondoso

Outubro de 2016.

2016-10-14



ENTRE ESTAÇÕES – UM CAMINHO PARA O SUL E PARA O MAR…por onde também passou o almirante Sarmento Rodrigues.


         Caminhada até às Devezas. Alfa Pendular. Santa Apolónia, Metro, Cais do Sodré. E o rio e o mar ali tão perto! Belém a olhar o oceano e o Tejo…e o novo museu – o MAAT – ainda em fase de acabamento. Parabéns à EDP por levar novas ideias junto à água. E a chuva, não tão inesperada quanto isso, mas suficiente para ensopar os sapatos e fazer muita gente recolher à pala do Maat. Depois o Museu da Marinha, ali tão próximo dos Jerónimos e do Palácio Presidencial – onde a guarda é da responsabilidade da GNR mas, à cautela e não vá o diabo tecê-las, mesmo na esquina está instalada uma esquadra da PSP. Volto ao Museu da Marinha – onde a história se confunde com o espírito do povo: aventura além do mar para saber se havia outros, como seriam e qual a sua história, a qual passou a ser partilhada para o mal e para o bem. Na loja do museu, paredes meias com o pavilhão das Galeotas, uma mesa de café mostrou-me a planta do porto da cidade cabo-verdiana da Praia, na qual descobri o ilhéu de Santa Maria e a praia Virgínia…quase junto à Ponta Temerosa. 



Na loja estava lá quase a história toda e foi ali que me chegou às mãos o livro sobre Sarmento Rodrigues – um tributo à grande figura da Marinha por ocasião do centenário do seu nascimento em Freixo de Espada à Cinta no ano de 1899. Uma reposição, embora com novos testemunhos, mas ainda e sempre a estatura do igualmente transmontano Adriano Moreira, do alto da sua competência e lucidez com 94 anos, a lembrar que Sarmento Rodrigues terá sido como que um cidadão romano da República Portuguesa. E desfiou memórias sobre o percurso do homenageado mais uma vez: teve a humildade de ter aceitado o cargo de governador-geral de Moçambique, depois de já ter sido Ministro do Ultramar; foi o primeiro que, por escrito, apresentou um projeto para reformar toda a administração ultramarina; viu longe o que estava a mudar e defendeu a mudança num espírito de diálogo e de compreensão. Adriano Moreira voltou a destacar o forte culto da amizade que ia para além das divergências políticas ou ideológicas. Quando Sarmento Rodrigues foi preso, na sequência das contradições do PREC – depois do 25 de Abril – Raúl Rego, socialista e laico, foi dos primeiros a visitá-lo. E há igualmente essa amizade antiga com Norberto Lopes que viria a ser embaixador em Moscovo. É ele que conta, no livro em apreço, uma estória corroborada por Adriano Moreira e que envolveu Oliveira Salazar numa sessão de despacho: dizia Sarmento Rodrigues ao então Presidente do Conselho de Ministros que gastava muito tempo a escrever textos para palestras para as quais era convidado frequentemente, em prejuízo de outras atividades. Ao que Salazar retorquiu com ironia, porque não encarrega alguém de lhe fazer os discursos? Resposta pronta de Sarmento Rodrigues, sem azedume mas sem subserviência – o senhor Presidente podia dizer-me quem lhe faz os seus? Talvez possa encarregá-lo de escrever os meus.
         Sarmento Rodrigues, marinheiro, académico e político – era situado por Marcelo Caetano à esquerda do antigo regime. Mais uma vez lembrado no Museu da Marinha, em Lisboa, na presença de familiares e amigos – de Freixo de Espada à Cinta a vários cantos do mundo onde se fala em português.



António Bondoso
Outubro de 2016. 

2016-10-05

REPÚBLICA - 106º ANIVERSÁRIO
UM CAMINHO DE REFLEXÃO PERMANENTE



                                                  PRIMEIRA REPÚBLICA
1910 – 1926
INSTABILIDADE POLÍTICA, ECONÓMICA E SOCIAL.
[Também consequência da desastrosa participação de Portugal na IªG.M.
 Mas que permitiu, apesar de tudo, preservar as Colónias.
OITO PRESIDENTES, 7 PARLAMENTOS E 45 GOVERNOS.

O RESULTADO...

GOLPE MILITAR DE 1926
28 DE MAIO.
DE BRAGA A LISBOA.
GEN. GOMES DA COSTA 
FIM DA PRIMEIRA REPÚBLICA
DITADURA MILITAR (ou Nacional).

CONSTITUIÇÃO DE 1933
CARACTERÍSTICAS DO NOVO REGIME:
ANTIPARLAMENTAR  e  ANTIPARTIDÁRIO.
CONCENTRAÇÃO DE PODERES NA FIGURA DE SALAZAR – PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS.
AUTORITARISMO E CENSURA.
POLÍCIA POLÍTICA – PIDE.
DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA...
REGIME CORPORATIVISTA.
FUNÇÃO PRESIDENCIAL PRATICAMENTE DECORATIVA COM CARMONA E CRAVEIRO LOPES

O “FURACÃO” DELGADO... 1958

APÓS DIVERGÊNCIAS COM CRAVEIRO LOPES…SALAZAR TENTA EVITAR HUMBERTO DELGADO
“Obviamente demito-o”… a frase que marcou o general sem medo depois da jornada gloriosa no Porto e da receção em Santa Apolónia.



 Pressentindo o perigo, manda manipular os votos e faz eleger Américo Tomaz.

DEPOIS VEM O SANTA MARIA, A ÍNDIA E A GUERRA COLONIAL.
HUMBERTO DELGADO É ASSASSINADO EM 1965.
SALAZAR CAI NA CADEIRA EM 1968, SENDO SUBSTITUÍDO POR MARCELLO CAETANO.
SALAZAR MORRE EM 1970.

1974 – LIVRO DE SPÍNOLA “Portugal e o Futuro”.
GOLPE MILITAR EM 25 DE ABRIL DE 1974
É DERRUBADA A DITADURA.
TERMINA  A  GUERRA  COLONIAL...
…E É RESTAURADO O REGIME DEMOCRÁTICO!
DESCOLONIZAÇÃO! FIM DO IMPÉRIO!

CONSTITUIÇÃO DE 1976.



III  REPÚBLICA
   RAMALHO EANES...
1º P.R. ELEITO POR SUFRÁGIO DIRETO E UNIVERSAL
Depois foram eleitos Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.


PILARES DO NOVO REGIME...
SEMI-PARLAMENTARISMO.
GOVERNO DEPENDE DA A.R. E DO P.R.
ESTADO DE DIREITO
SUFRÁGIO UNIVERSAL
SEPARAÇÃO DE PODERES
DEMOCRACIA LIBERAL/ECONOMIA MERCADO
DIREITOS HUMANOS
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
LIBERDADE DE IMPRENSA

A  REPÚBLICA HOJE...
O QUE REPRESENTA?
QUE MEMÓRIA COLETIVA?
O QUE MUDOU? PORQUE SE VIVE MELHOR DO QUE ANTES DO 25 DE ABRIL?
EM QUE SECTORES DE ACTIVIDADE FAZ SENTIDO RECLAMAR OS IDEIAIS REPUBLICANOS?
QUE PAPEL ESTÁ RESERVADO AOS JOVENS NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIAEM TEMPO DE CRISES SUCESSIVAS E GENERALIZADAS?


CRISE ECONÓMICA E FINANCEIRA.
CRISE DE VALORES.
CRISE DAS ELITES POLÍTICAS.
CRISE NO SISTEMA JUDICIÁRIO.
CORRUPÇÃO.
SAÚDE ANÉMICA E ENSINO DESAJUSTADO.
A  ÉTICA !
A  MORAL !
A intervenção da TROIKA  nada resolveu. Temos ainda um país adiado.

FUNDAMENTAL RELER E PERCEBER
MANIFESTO PELA “MORALIZAÇÃO”DA REPÚBLICA

Em 2003, o Centro de Estudos Republicanos Sampaio Bruno, no Porto, dinamizado pelo Prof José Augusto Seabra, havia alertado para a crise de valores republicanos.
No manifesto, apontavam-se erros de governação mais recentes, mas também históricos que costumam conduzir a um clima de suspeição; com a adesão à Europa, criou-se uma euforia artificial do dinheiro fácil; depois veio o desequilíbrio das finanças públicas – também devido às fugas fraudulentas ao fisco; sem educação, sem cultura, sem qualidade profissional – Portugal corre o risco de recair nas velhas pechas de uma mentalidade passiva adulterada pela sociedade do espetáculo permanente, sobre o pano de fundo da corrupção endémica. [...] Mudar as mentalidades é, por isso, uma prioridade nacional.
António Bondoso
Out. 2016


***** Viva a República. 
Apenas meia dúzia de tópicos...em busca de um caminho novo



(...)Acresce a luta pela manutenção das colónias em África, salientando-se episódios como o Congresso de Berlim, o mapa cor-de-rosa e o Ultimato inglês. Estávamos às portas da República mas foi preciso a tragédia do Regicídio para lá chegar mais depressa. Para desgraça da Iª República vieram a Guerra de 14-18 e o Golpe militar de 28 de Maio de 1926 que conduziu à ditadura do Estado Novo. E finalmente aconteceram a Índia e a Guerra Colonial, antes do golpe de 25 de Abril de 1974 e a subsequente revolução democrática. Perdidas as colónias virámo-nos bem para a CEE…mas depois sucedeu a ilusão da UE – sobretudo do Euro – e não nos demos conta das perdas de soberania. E vieram as crises financeiras e os resgates dos donos do dinheiro. E é por aqui que temos caminhado, não nos dando conta de que o desafio mais aliciante deste século está na consolidação da Lusofonia. Apesar de tudo o que sabemos e apesar de tudo o que se diz. Vão já muito longe os tempos do “espírito de Bissau” – uma abertura de mentalidades e uma boa dose de realismo do então presidente Ramalho Eanes.(...)
Ant. Bondoso (2016).
Voltarei ao tema.

2016-09-15


MOIMENTA DA BEIRA E O MERCADO GLOBAL NA EXPODEMO 2016...
...ou a economia e a auto estima à volta da maçã.  


MOIMENTA DA BEIRA E O MERCADO GLOBAL

A aposta na internacionalização da Expodemo – Espanha é o país convidado para a edição deste fim de semana – é justificada pelo mercado global em que nos inserimos. Ideia de José Eduardo Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, expressa a este blogue “Palavras em Viagem”.
A Expodemo 2016 é a quinta edição e o certame tem vindo sempre a crescer. Dizem os organizadores que vai haver mais expositores, mais área coberta e mais espetáculos de rua, dezasseis ao todo. Mais produtores de maçã e de vinho e mais gastronomia regional. Igualmente mais cultura e a Espanha, para além de representada por várias empresas de renome traz música e dança flamenca ao vivo e arte circense de rua.
Nesta perspetiva de crescimento, foi já anunciado que o certame vai ser o maior de sempre. José Eduardo Ferreira, o que é que isto pode significar para o município? 
JEF - O crescimento da Expodemo significa a maior adesão a este certame que tem vindo a afirmar-se como um momento importante na vida empresarial e cultural de Moimenta da Beira e da região. Estamos ainda num processo de crescimento, o que torna as nossas expetativas também maiores. Os nossos agentes económicos aproveitam a Expodemo para provarem a si próprios e aos outros que é possível progredir todos os anos, investindo em contraciclo, apesar de todos os constrangimentos externos, daqui resultando, para todos, um importante reforço da nossa autoestima como povo que caminha com confiança no seu próprio futuro.
É, portanto, a consolidação/afirmação do município como centralidade desta região entre o Dão e o Douro Sul? 
JEF - Essa afirmação, que vem de longe, é um processo que nunca terá fim e que faz do esforço de cada um o elemento essencial da melhoria das condições de vida de todos.
O que pretendemos é que Moimenta da Beira contribua diariamente para a afirmação de todos, nesta região. É aliás assim que concebemos o contributo de Moimenta: um parceiro determinado em não desistir da sua própria afirmação em conjunto com todos.
Creio mesmo que estamos, aqui, todos muito convictos desta realidade. É pena que nem sempre outros decisores partilhem esta visão.
A Expodemo serve também para provar que é possível fazer bem nesta parcela do território, e que até se pode aqui fazer melhor, em muitas áreas de atuação, no nosso desenvolvimento coletivo.
A internacionalização - desta vez com Espanha - é um dado adquirido e para manter?
JEF - O mercado global em que nos inserimos justifica essa aposta. Os nossos melhores produtos e as nossas organizações justificam cada vez mais o caminho que estamos a percorrer, seguindo o seu próprio exemplo.
O mercado espanhol, pela sua dimensão e proximidade geográfica deve constituir uma aposta forte das nossas empresas, e por isso mesmo da Expodemo. Estamos certos que temos condições para obter vantagens mútuas, que não devemos continuar a desperdiçar.
Estamos bem cientes que o esforço de internacionalização que prosseguimos, tal como a aposta cultural que fazemos, são investimentos de longo prazo, que até por isso têm que ter na base decisões firmes e duradouras.
Segundo o programa divulgado, Vitorino é a estrela do primeiro dia do certame, 16 de setembro. O concerto é às 22 horas. O cantor de Abril, e a sua banda, não atuarão sozinhos, pois terão no palco a companhia do Grupo Coral “Os Camponeses de Pias”, intérprete-maior do Cante Alentejano, género musical distinguido há menos de dois anos como património imaterial da humanidade.
Moimenta da Beira lidera mais uma vez a promoção da cultura e das atividades económicas da região, tendo a maçã como cabeça de cartaz. Há uns anos escrevi que
Se a maçã fosse
A origem do pecado…
…a Humanidade seria
A mais pura ficção!

Não admira, portanto, que – para lá da duração do certame – esteja patente no átrio do edifício dos Paços do Concelho uma exposição de pintura de Arnaldo Macedo, artista plástico com forte presença no norte do país e na Galiza. A mostra tem o título genérico de “Interior inconstante da maçã”.
António Bondoso
Jornalista



2016-09-12

A PROPÓSITO DE MAIS UM CONVÍVIO DE SÃO-TOMENSES NO BUÇACO. 

NÃO HÁ SAUDADES QUE CAIBAM EM 40 ANOS…
…mas a catarse está praticamente concluída!



Tudo começou na Cruz Alta, na Mata do Buçaco, em 1976. A comunidade de ex-residentes e/ou de naturais de S. Tomé e Príncipe começou ali a reunir-se em Setembro de cada ano para manter o contacto, para matar saudades, para desabafar, para confraternizar. E creio até que, apesar da turbulência da época, sempre se conseguiu resistir à tentação de falar de e em política, fosse qual fosse a dimensão da palavra. E convenhamos que não era nada fácil.
Na sequência do processo de Descolonização havia já um rótulo – retornados – embora o sentido não pudesse aplicar-se a todos por igual. Retornados, regressados, repatriados, desalojados, espoliados – palavras que, isoladas, não conseguiam determinar exatamente as emoções e as reações de cada um, perante o desenrolar da história.

Os traumas estavam muito vivos ainda…e muitos teriam até receio ou mesmo vergonha em assumir a saudade da história das suas vidas e de conviver sem tabus. Mas, honra seja feita à comunidade “são-tomense”, esse sentimento de tentar perceber os caminhos novos ganhou corpo e foi-se consolidando, sempre com a ideia de que os convívios são a expressão de nos revermos nos cabelos mais brancos de cada um ou no abraço do parceiro que, algumas vezes e pela corrida do tempo, já nem recordamos o nome. Sem saudosismos, mas para matar saudades, quem não teve oportunidade de regressar ao paraíso, vai repetidamente enchendo o coração com memórias de outros tempos. Todos continuam escravos do milongo, escravos do feitiço das ilhas do meio do mundo – agora do chocolate - onde o cantar dos pássaros desperta os sentidos. No fundo, a História não acabou nem começou em 1975. Passou a ser diferente. Há hoje dois países independentes, embora irmanados num espírito mais vasto do mundo que se expressa em língua portuguesa. Isso mesmo foi este domingo salientado no local pelo Cônsul de STP para a região centro de Portugal – José Diogo – por ocasião da celebração do 40º aniversário do convívio, simbolizado num bolo com as bandeiras dos dois países. José Diogo, ele também um dos participantes habituais nos encontros, consumidor igualmente das memórias que alimentou nas ilhas. E a sua presença, hoje como em outras ocasiões, foi marcada pela sua capacidade de saber distinguir a sua vida privada das funções que desempenha em representação de STP.

 Por motivos diversos e por maioria – nestas questões é raro conseguir a unanimidade – este foi também o último encontro nos moldes que vinham sendo definidos, praticamente desde o início, quando o senhor Leal teve a ideia e a foi concretizando com a ajuda do Domingos, do Victor Cruz, do Eduardo Duarte, do Oliveira e do Américo.
Por isso eu digo que a catarse está praticamente concluída, embora as saudades de quem “viveu” as ilhas de S. Tomé e do Príncipe não caibam em 40 anos. Por isso nos vamos continuar a encontrar, provavelmente mais do que uma vez por ano, quer seja no Luso, no Buçaco, em Montachique, no Porto, em Lisboa ou na Figueira da Foz. Certamente por aí…num lugar onde nos sintamos bem.
Até sempre gente boa. Até sempre portugueses, até sempre são-tomenses!

António Bondoso

Um dos implicados.

2016-09-11

UM MESTRE…SIMPLESMENTE ZÉ!

Olá Zé.
É um dia como qualquer outro para viajar. Sei que não se trata de uma viagem vulgar – é a tua última neste nosso tempo comum – mas o dia é de luz, como tu gostavas. E vai atapetando as estrelas até que nos encontremos de novo. 


A última vez que falei em ti, em público, foi durante a apresentação do livro ANGOLA NOUTROS TEMPOS – POR TERRAS DO GOLUNGO E DE AMBAQUISTAS, terras que tu conheceste na tua infância e adolescência, bem como os teus irmãos Irene e António, por motivos de ligações familiares. O livro é da autoria de Jerónimo Pamplona, que em Luanda conheceu e casou com uma jovem de Golungo Alto.
A última vez que estivemos juntos foi aí no teu espaço da Fábrica Social, no Porto, quando um grupo de jovens alunos do Instituto Multimédia se propôs tornar-te personagem de capa de um trabalho sobre a eventual união das cidades do Porto e de Gaia, que tu sempre defendeste.
Mas quando recebi a notícia da tua partida, foi fácil rebobinar o filme de um conjunto de situações que nos foram aproximando ao longo dos anos. Primeiro foi a Árvore, uma instituição cultural de referência da cidade do Porto e do país; depois foi a arte em Vila Nova de Cerveira, que começou com o artesanato e se transformou na grande Bienal que perdura; ainda em Cerveira o teu esforço na recuperação do Convento de San Payo praticamente em ruínas e hoje uma obra de referência no panorama cultural do país; ainda na minha memória, a tua passagem por Macau e a Pérola belíssima que lá deixaste; e agora este espaço fabuloso de ateliers diversos e de teatro – foste, de facto, um dos grandes pensadores e executores de fabulosos cenários teatrais – em que transformaste a Fábrica Social e onde passaste os últimos tempos. E pelo meio de todo este filme não pude esquecer as nossas conversas semanais nos estúdios do Porto da Antena 1, também com o Júlio Montenegro e nas quais fazias parceria com outros comentadores “residentes” como António Vilar e Jorge Bento. 





Para além de tudo isto, uma das situações que mais me marcou, pela tua simplicidade generosa, foi decidires elaborar duas pinturas deliciosamente fabulosas para o meu livro TONS DISPERSOS, publicado pela VEGA em 2003. Uma atitude que revela o teu jovial estado de espírito, a tua disponibilidade para ajudar, sempre a troco de nada. Amizade e solidariedade. Ser-te-ei eternamente grato, sabendo que nunca te poderei pagar o gesto. És, na memória de muita gente, um homem bom. Confesso mesmo nunca ter ouvido uma referência pouco abonatória a teu respeito. E não tem a ver seja o que for com a habitual ideia que se transmite de passamento em passamento…ai, ele era tão bom homem. Não. Tu foste um grande homem!
Como estudante, foste um dos QUATRO VINTES da Arquitetura do Porto. E depois a tua participação na luta para construir a ÁRVORE, enfrentando perigos diversos. Marido, Pai e Avô – outros estádios a merecer um destaque particular.
Não vou poder estar hoje contigo, pois havia já assumido compromissos que me levam para longe do Porto. Mas terei sempre a tua companhia aqui em casa. E continuarei a acompanhar as tuas obras. Até um dia destes Zé. Até já Mestre Zé Rodrigues. Não te era caro este tratamento, mas todos sabemos que era merecido. Sempre grato pela tua Amizade, desejo apenas boa viagem!



António Bondoso
Jornalista
Setembro de 2016.



2016-09-03


40 ANOS...APENAS UMA VÍRGULA NAS MEMÓRIAS DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE QUE VAMOS CARREGANDO. O CONVÍVIO NA MATA DO BUÇACO.



É assim que começa a página 73 do meu livro ESCRAVOS DO PARAÍSO, publicado em 2005 para assinalar o 30º aniversário da independência de S. Tomé e Príncipe. Até àquela data – excetuando talvez a excelente tese de doutoramento do investigador Gerhard Seibert, publicada em 2001 – penso não ter havido um escrito com uma abordagem tão profunda e tão diversificada sobre o pensamento, quer de portugueses que sempre se consideraram são-tomenses, quer de são-tomenses que até à data da independência não deixaram de ser portugueses. Um pensamento sobretudo virado para as memórias de séculos, boas e más, para além de uma análise e/ou de um balanço – em certos casos até com desassombro – do trajeto político do novo país africano de língua oficial portuguesa.  
Fazendo jus ao título da página com que iniciava o 3º capítulo do livro, escrevia eu que “Apesar do percurso turbulento, não conheço outra comunidade com «raízes» africanas que se reúna tantas vezes ao ano em Portugal”. E salientava o almoço-volante das terças-feiras num restaurante da baixa de Lisboa; o calulu anual de Junho em Alfaião, com Bragança à vista; os habituais convívios, de forma rotativa, daqueles que trabalharam na Rádio – fosse no antigo Rádio Clube de STP, fosse no posterior Emissor Regional da ex-EN, a partir de 1969; no infalível almoço lisboeta em Dezembro para assinalar o dia do Santo; e particularmente no consagrado convívio da Mata do Buçaco, sempre no segundo domingo de cada Setembro desde 1976. Completam-se agora 40 anos!
Por desconhecimento, seguramente, não me referi então aos mais recentes encontros da malta menos idosa em Montachique e ao dos atletas e dirigentes do Andorinha Sport Clube em Pedralva. E mais recentemente ainda, tentou dar-se corpo a um outro promovido também pelos que passaram pelo Liceu D. João II. Friamente, poderá dizer-se que é um exagero. Sobretudo tendo em conta o facto das presenças mais ou menos recorrentes e, de certa forma, os mais recentes anos de crise que a todos tem afetado.
Mas para além disso, acrescem razões que foram motivando comportamentos diferenciados e que levaram ao declínio de alguns dos encontros/convívios em favor de outros. À dispersão dos interessados – embora o país não seja assim tão grande – e ao cansaço da repetição, ter-se-á juntado igualmente, porventura, a emigração.
Bom. O que realmente importa agora é lembrar o convívio da mata do Buçaco, iniciado em 1976, algum tempo depois do regresso ou do retorno originado pelo inevitável processo de descolonização. Provavelmente, a maioria dos “são-tomenses” já estaria instalada, passada uma natural fase de confusão provocada pelas mudanças. Significativas para muitos. Era ainda um tempo em que alguns tinham “receio” de assumir a saudade da história e das suas vidas e de conviver sem tabus…mas era igualmente um tempo de afirmação de outros, graças ao esforço de mobilização de uns quantos. Como sempre, aliás.
A ideia partiu do senhor Leal, que trabalhou nos Serviços de Fazenda, que terá escolhido a Cruz Alta, no Buçaco, sem dúvida pelo significado do local, mas também provavelmente por ser relativamente perto de Viseu, cidade para onde foi residir após o regresso de S. Tomé. Ao Leal juntaram-se depois o Domingos, do Baía, o Victor Cruz, o Eduardo Duarte, o Oliveira que trabalhou no Auspício & Menezes e mais tarde o Américo Gradíssimo. Cada família levava a sua merenda…mas todos partilhavam tudo. Havia calulus para todos os gostos. Num dos primeiros encontros, recorda o Domingos, apareceram lá elementos dos Serviços Florestais e perguntaram quem era o responsável. De imediato lhe responderam: cada um é responsável pelo que faz. Contudo, entendeu-se depois ser mais correto comunicar a realização do evento aos ditos serviços – até pela simples razão de que era necessária autorização para a abertura dos sanitários e balneários. Durante muitos anos essa tarefa foi desempenhada pelo Victor Cruz. 


E como eu digo no livro ESCRAVOS DO PARAÍSO já referido, não se discutia política: “…os convívios são a expressão de nos revermos nos cabelos mais brancos de cada um ou no abraço do parceiro que, algumas vezes e pela corrida do tempo, já nem recordamos o nome. Sem saudosismos, mas para matar saudades, quem não teve oportunidade de regressar ao paraíso, vai repetidamente enchendo o coração com memórias de outro tempo. Todos continuam escravos do milongo, escravos do feitiço das ilhas do obó, onde o cantar dos pássaros desperta os sentidos. No fundo, a História não acabou nem começou em 1975, apenas mudou de rumo acrescentando outras cambiantes”.
E tal como então, também agora – 40 anos depois – o encontro vai ser marcado por esse espírito. Oficialmente, será o último a ser “organizado” ali. Independentemente de poder haver sempre quem, não esquecendo as raízes, ali continuará a aportar, levando a merenda de uma vida. E por ser o último – é só perceber as razões – este vai ter uma celebração particular. O lanche terá um bolo alusivo, com velas e tudo. Nada se apagará. Mas o objetivo é agregar este encontro do Buçaco ao convívio do Andorinha, no Luso, futuramente talvez no derradeiro domingo de Junho de cada ano.
Assim seja. 


António Bondoso
Setembro de 2016.  

2016-08-01

1 de AGOSTO DE 1935
A EMISSORA NACIONAL
Foi uma “escola” do regime…mas também do rigor.

Foto da Web

A EMISSORA NACIONAL
Foi uma “escola” do regime…mas também do rigor.

         1 de Agosto de 1935. Data oficial da inauguração da EN. Já havia o Rádio Clube Português mas ainda não havia o transístor. Onde eu hoje ainda ouço atentamente os noticiários, o 5 minutos de Jazz e sigo com reverência as peripécias da Volta a Portugal em Bicicleta. Por exemplo.
         Mas a história da EN, de acordo com várias fontes, começa verdadeiramente em 1930, com a criação dos Serviços Rádio Eléctricos na dependência dos CTT. Tudo avança em 1932 – quando o engº Duarte Pacheco manda iniciar experiências com um emissor de Onda Média, seguindo-se novos estudos em 1934 com um emissor de Ondas Curtas. Os primeiros estúdios situavam-se em Barcarena, mas ainda em 1934 foram transferidos para o nº2 da Rua do Quelhas, em Lisboa – onde a sede da estação haveria de permanecer até 1996.
         Nesse dia 1 de Agosto de 1935, o capitão Henrique Galvão – esse mesmo que mais tarde se rebelou e desviou o Santa Maria – disse exatamente para o que vinha a EN: a Emissora Nacional, realização do Estado Novo é hoje, como mais um soldado que se alista, uma força ao serviço do Estado Novo.
         E foi, de facto. Mas durante muito tempo não esteve só nesse papel. O RCP de Botelho Moniz – esse mesmo que viria a estar ligado a uma das tentativas de golpe contra Salazar – foi um exemplo de colaboração com as forças de Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Lendo com interesse a obra O QUE PARECE É, de Alberto Pena (Tinta da China, 2009), ficamos com a ideia segura de que “A rádio portuguesa desempenhou um papel extraordinariamente importante no decurso do confronto bélico. A sua intervenção propagandística a favor dos rebeldes, como veremos, alcançou um curioso e reconhecido protagonismo que, no final do conflito, seria recompensado com inúmeros actos de homenagem organizados pelos vencedores.
A estatal Emissora Nacional e o então arquifamoso Rádio Club Português, fundado e dirigido pelo dinâmico e controverso capitão Jorge Botelho Moniz, foram autênticas trincheiras de combate na luta propagandística com as emissoras leais de Madrid e Barcelona. Com emissões em espanhol e um contacto permanente com as autoridades rebeldes, colocaram-se ao serviço da causa golpista, porque esta representava «os princípios e as doutrinas que tornaram grandes as nações da Península», segundo o próprio Botelho Moniz”.
O conflito no Estado Espanhol viria a ficar conhecido, aliás, como a Guerra do Éter: “Alguns ideólogos do Estado Novo, como o correspondente
de O Século, Leopoldo Nunes, baptizá-la-iam como a «guerra do éter», destacando a «importância decisiva» da rádio portuguesa na «Revolução Nacionalista» espanhola. De facto, o RCP seria um baluarte indestrutível a partir da sua sede na Parede, frente às emissoras de Madrid e Barcelona, que o jornalista luso Oldemiro César via como verdadeiros «balões de oxigénio» para os leais.”
         Depois disso a história seguiu o seu curso e vieram outros acontecimentos que balizaram e balancearam o comportamento radiofónico em Portugal. A II Guerra Mundial, a subsequente “Guerra Fria”…e mais tarde as questões do Estado Português da Índia e as colónias em África e na Ásia. Lembro aqui apenas a importância opinativa das célebres NOTAS DO DIA, na EN, ou as CRÓNICAS DE ANGOLA, de Ferreira da Costa. Sem esquecer, evidentemente, o impacto dos “serões para trabalhadores” da FNAT – transmitidos pela EN.
         Contudo, o serviço ao “regime” implicava um perfeito rigor técnico e uma excelente qualidade literária. Antes do 25 de Abril de 1974, muito aprendi diretamente com Fernando Conde, Hernâni Santos, Maria da Paz, Sebastião Fernandes, Helder Sobral, Manuela Borralho ou Maria Emília Michel. De ouvido e de sentido, tinha exemplos como Igrejas Caeiro, Maria Leonor, Artur Agostinho, Fernando Correia, Romeu Correia ou Nuno Brás. De alguns deles viria ainda a receber ensinamentos fundamentais, recordando-me igualmente de Vasco Fernandes ou João Dias, de Palma Fialho ou de Alfacinha da Silva.
         Não se esgotam neste texto as minhas memórias. Há de vir o livro, por agora em maturação.
         Para quem estiver interessado, ficam alguns links imprescindíveis:
         E não posso terminar sem lembrar com alguma mágoa, a tristeza de saber como viriam a ficar as instalações da sede da EN – e depois da RDP – na mítica Rua do Quelhas: “As instalações desativadas da ex-Rádio Difusão Portuguesa serviram para que a produção da série da RTP recriasse uma sala dos Alcoólicos Anónimos.
As paredes esgaçadas, o cheiro a mofo, os corredores escuros e a perder de vista, as salas de som que servem de armazém a todo o tipo de objetos, as câmaras espalhadas, os cabos entrelaçados uns nos outros. Foi aí, naquelas que já foram as instalações da antiga Rádio Difusão Portuguesa (RDP), que Ivo Canelas, João Tempera e Isabel Abreu estiveram a gravar mais uma cena da série da RTP1 Os Filhos do Rock. "Estamos a reavivar os fantasmas que aqui estão. É um sítio tão sombrio e nostálgico...", disse a atrizà NotíciasTV.”(http://www.jn.pt/revistas/ntv/interior.aspx?content_id=3612665)
António Bondoso
Jornalista
1 de Agosto de 2016.



2016-07-21

HÁ BODAS DE FLORES E FRUTAS... 
Ou a memória feliz de um momento único. 

Foto Luminosidades

Há quatro anos dissemos-lhes com simplicidade e com frontalidade que “o vosso bem-estar, a vossa felicidade, as dúvidas, as angústias, as alegrias e as preocupações do dia-a-dia serão também nossas – podem estar certos! Não de uma forma identificada geralmente como de pais corujas (e aborrecidos...ou melgas…) mas numa atitude de abertura para conversar como AMIGOS E COMPANHEIROS de jornada.”
         Hoje acrescentamos a estima pela caminhada e a alegria de assinalar as chamadas Bodas de Flores e Frutas: flores, pelo significado da beleza e pelos cuidados de uma relação – bodas delicadas como é costume dizer-se; e frutas, pelo significado de vitalidade.
         Como então, volto hoje a dedicar-lhes estas palavras de sonho, de esperança e de afetos:
                                          A ELES DOIS                                            
Todas as vidas alcançam um sentido consistente.
A paz...quando se fixa o horizonte
O amor...quando se salta a montanha
A felicidade...quando se acorda de um sonho
E a música se mistura com imagens
Afectos doces de uma realidade serena.
Uma vida...e outra vida
De muito vento mar imenso
E o azul infinito do céu.

Pormenor do original
António Bondoso
Jornalista
Julho 2016