2026-05-22

 

DIÁRIO DA FELICIDADE…ou de como se vivem as emoções de ser mãe, pai e avós. Diferente em cada caso, naturalmente.

José Saramago escreveu um dia, no «Nosso Livro de Todos os Dias», de uma forma não muito popular ou até mesmo politicamente correta, que «Ler não é obrigatório». O que Saramago quis dizer e precisar, foi que «não vale a pena inventar desculpas, explicações para algo que é muito claro desde que o livro existe. Ler não é obrigação nenhuma. Ler é uma devoção, é uma paixão, é um amor».

        Partindo da ideia de que um autor escreve para ser lido, proponho que façam o favor de praticar um ou dois minutos na leitura deste meu texto. Recordo que não é obrigatório ler.


17 de Maio de 2026.

Madrugada

Passavam treze minutos das três horas, diz o registo e confirma o pai.

Chegou o Henrique… e apresentou-se:

3,700 Kgs, 51 centímetros.

Tudo acompanhado e documentado pelo pai, vestido a rigor para uma sala de intervenções cirúrgicas. 

Foi uma madrugada de emoções, telefonemas para lá, mensagens para cá…até que foi permitida a visita do núcleo familiar próximo.

Parecenças com este, traços mais daquele, fotos de todos os ângulos possíveis e imaginários. E o Henrique vai andando de colo em colo, dos avós maternos aos paternos, até que chega a vez da irmã. Por instinto carinhoso da Helena, o mano assenta no seu colo que nem uma luva, protegido claro pela cautela dos pais. O mano é meu! – afirma perentória, assumindo a ligação umbilical sem rodeios. 





Entretanto, o F.C. do Porto acabara de festejar o seu 31º título de Campeão Nacional de Futebol da 1ªLiga.

Dois dias depois, 19 de Maio de 2026, a tão aguardada receção na casa dos pais. Enfeitada a preceito, diga-se, embora de forma simples – como tudo deveria ser neste mundo e nesta vida. No entanto, de forma a que o Henrique se sentisse e sinta, de facto, em casa! Recebido pelo «núcleo familiar» e por alguns amigos dos pais, do C95.




Henrique navegador

Por que não conquistador...

E veio no arrasto da celebração azul e branca

Qual raio de sol ou de um relâmpago de felicidade.

 


        A «história» começa um tempo antes, naturalmente, mas decidi iniciar este projeto, neste dia de um brilho especial. O «diário», chamo-lhe eu, terá a sua sequência e, por fim, será ou não publicado em forma de livro, dependendo da qualidade literária que alguém lhe venha a perceber…atribuindo-lha.  

António Bondoso

22 de Maio de 2026.  

 







2026-05-20

 

Partiu o Carlos.

O Carlos da fotografia.

O Carlos da Ana Maria.

O Carlos «repórter fotográfico».

O Carlos Sarmento da Fonseca, João de primeiro nome, o Carlos meu Amigo. Terminou ontem um percurso por aqui, prossegue hoje a viagem para o que habitualmente designamos como uma eventual dimensão da Fé. 

                                                           João Carlos Sarmento Fonseca

Não fomos companheiros de infância, é verdade, por circunstâncias diversas. O meu «peso da idade» e o afastamento geográfico da vivência sobretudo. Mas a minha proximidade ao «Tio Zé», seu sogro, proporcionou um contacto mais ou menos regular. E sempre que eu me deslocava a Moimenta, era rara a ocasião em que não falávamos. Da fotografia e dos meus livros. 



Quase nunca ou muito raramente nos últimos tempos, dada a circunstância dos seus problemas de saúde. Mas o Jorge, seu filho com a Ana Maria, chegou a brincar algumas vezes com o meu, no já desaparecido Jardim do Terreiro. 



        Não vou contar a história toda. Mas quero significar o meu apreço pela amizade, o meu respeito pelo carinho com que sempre me tratou, particularmente a sensibilidade revelada na simples preocupação de saber como estavam a minha mulher e o «meu menino», como dizia.




        Partiu o Carlos e com ele leva uma enorme paixão pela fotografia, tendo mesmo chegado a expor algumas muito antigas e raras. A preto e branco. E era habitual vermo-lo a circular pelas ruas da Vila com a sua câmara fotográfica, quer fosse num evento público, quer fosse simplesmente pelo prazer de andar, ver e registar.




        Os meus respeitos sentidos à Ana Maria, ao Jorge, Sílvia, Rodrigo e Eva. O seu núcleo de força. Igualmente um forte abraço ao Tio Zé. 



Vou agora despedir-me dele.

Até sempre Carlos! E obrigado pela amizade.

António Bondoso

20 Maio de 2026