2026-03-05

 


DOS CONFLITOS AO CAOS…APENAS RETICÊNCIAS!

O TEMPO PRESENTE DESLIZA E O FUTURO DISPENSA INTERROGAÇÕES.

A governança mundial da ONU colapsou ou está em vias de – sobretudo agora que Trump e algumas dezenas de aliados circunstanciais inventaram o «Board of Peace»; as disposições da Carta das NU parece já não terem sentido, pois os três países mais poderosos – com assento permanente no Conselho de Segurança – delas fizeram tábua rasa. A busca do «espaço vital»  e do Poder absoluto nas zonas de influência (e fora delas), levaram e continuam a levar longe demais CHINA, EUA e RÚSSIA. 

da Web

Se é certo que a Paz não é apenas a ausência de guerra…os pressupostos deste aforismo já não são corretos. Provavelmente nunca o terão sido.

Entre a loucura aberta de uns e a paciência demagógica de outros…o mundo vai caminhando para um final explosivo.

Portanto, não há paz…e a guerra manifesta-se aos níveis mais diversos, das formas mais estranhamente elaboradas e de consequências imprevisíveis. Tal como escreveu há uns anos o Gen. Loureiro dos Santos, em “A Guerra no Meio de Nós”. E agora, Trump e meia dúzia de iluminados da sua Administração colocam em prática o enunciado onde melhor lhes convém. Prossegue na Venezuela, repete-se no Irão (qual a Bandeira que ali vai prevalecer?) mas sujeitos a um profundo fôlego e, provavelmente, só depois voltarão a Gaza, já com Israel pronto para a ofensiva final devidamente apoiados pelos EUA e já depois de terem passado novamente pelo Líbano.  


Ou...

Afinal, o «negociante-mor» das américas ainda não conseguiu terminar nenhuma das oito ou nove guerras que dizia ter capacidade para anular. Gaza e Nigéria foram uma ilusão, tal como o Cambodja e a Tailândia e, seguramente, não contava com esta do Paquistão/Afeganistão. Sobre a Ucrânia estamos igualmente conversados. A sua «amizade» (?) com Putin parece valer a pena o corte com os velhos aliados europeus e com o Canadá. Mas a Ucrânia «queima», apesar do tristemente humilhante desempenho dos militares russos e dos seus mercenários africanos. Também em África o Sudão «queima», não merecendo o mínimo interesse da nova «corte» Trumpista. 




Voltando à governança mundial, há organizações e instituições que já não funcionam: a NATO recebeu o seu segundo epitáfio pela assinatura de Trump e a ONU só existe enquanto interessar aos poderosos do Conselho de Segurança. Leia-se China e Rússia, considerando que a atual Administração dos EUA já «corre por fora». As «agências» mais importantes das Nações Unidas – que designação mais contraditória! – vão podendo trabalhar enquanto houver recursos. Depois…será o caos no PNUD, na UNESCO, na FAO e em todas as outras.  

Atualmente, recordo, a ONU possui 15 agências especializadas que atuam em seu nome, tais como a OIT, a OMS, o FMI e o BM, para além das outras já citadas.

E como é triste perceber uma ONU envergonhada, como temos assistido a algumas das aparições do Secretário Geral António Guterres, parecendo mesmo que o atual momento chega até a ser humilhante.

          Não é um bom sinal para a ORDEM que tinha vindo a funcionar há décadas – mais vezes bem do que mal, dependendo do ponto de vista de quem classifica. Enquanto se busca uma NOVA ORDEM MUNDIAL, que poderá vir a ser «Tripolar» como escreve Sónia Sénica; ou «Multilateral», abrangendo os BRICS.

          Em qualquer caso, ainda não é o “fim dos Estados Unidos” (Gonçalo Tavares), apesar de uma peste terrível, tal como não foi o «fim da história» (Fukuyama), após o colapso do Bloco de Leste, sendo certo que há um claro «Divórcio das Nações», como nos diz o diplomata João Vale de Almeida.

          Do caos à eventual «nova ordem», um longo caminho de armadilhas. Mas tenhamos esperança! Contudo, para que ela valha a pena, aconselho a não acompanhar as centenas de comentadores que pululam pelos écrans deste retângulo. Semanas seguidas…loucura certa!



          Preparemo-nos e saudemos, entretanto, os passos do Presidente eleito em Portugal, António José Seguro, quase a tomar posse. Depois das cerimónias protocolares e festivas…momentos difíceis vai enfrentar. Para já, vamos estar atentos à tática do seu velho conhecido no período da Troika, P.P.Coelho.

António Bondoso

Março de 2026. 

NOTA:- o texto, entretanto renovado/atualizado, foi elaborado para publicação no passado mês de Fevereiro. Mas eu não sou bloger profissional. Vou apenas andando por aqui. Abraço e grato pelas leituras.  


2026-02-27

 

FALAI NO DIABO…

 

Certamente que os tempos que vão correndo – mais, do que há 2 e provavelmente muito mais do que há 11 anos – inquietam o espírito de muita gente boa e de paz.

          A linha do tempo que eu aqui traço tem muito a ver com escritos meus que fazem e fizeram apelo à Democracia, sobretudo às «liberdades» que, de forma sub-reptícia, vão lentamente sendo postas em causa e – vejam bem – até mesmo desaparecendo. 


Em Observador

          Há pouco mais de dez anos, escrevia eu sobre o que designei como “O fim da quarta libertação...ou uma certa forma de falar de saudade...”. E agora, como então, parece estarem de regresso ao nosso cotidiano os medos e os fantasmas – quiçá vestidos de «Diabo» – precisamente 52 anos depois da “quarta libertação” (1640, 1820,1910 e 1974).

Dei por mim na altura, e continuo, a pensar na saudade – suas causas e efeitos. Mais uma vez tenho o gosto e sinto a necessidade de partilhar convosco excertos dessa reflexão:

          É que, agora, voltamos a viver um tempo de subversão de valores, de submissão da liderança política aos donos de tudo isto – a alta finança – um tempo que atinge a dignidade individual e que suga a alegria do convívio fraterno das pessoas. É como se a Liberdade já tivesse passado, tendo eu uma imensa saudade do seu encantamento. Não espero qualquer D. Sebastião, mas tenho saudade de alguém que nos devolva o espírito saudável de viver!

PODEM CONSULTAR parte da reflexão na ligação que segue:

https://palavrasemviagem.blogspot.com/2015/10/o-fim-da-quarta-libertacao.html



2026-02-13

 

 

A RÁDIO, À NOITE, É UM ENAMORAMENTO!

PARA MIM…FOI!

Dizia Alçada Baptista que «O enamoramento é um daqueles estados de alma que compensam os mortais de ter nascido». 


          É o silêncio, é o encantamento, é um tempo em que as palavras devem acompanhar a doçura da música, mesmo que a paixão seja forte. Todos os gestos – do manuseamento informático à abordagem do microfone – ganham um sentido único de expressão que mobiliza ternura, emoções, contradições, desejo e angústia, poder e poema.

          Um «jogo» de imaginação e de ilusão, quer de quem está dentro, quer daqueles que – por motivos diversos – escutam para além do satélite que recebe e remete.

          No momento em que escrevo, quero sublinhar o meu enamoramento de uma vida, estando dentro. Hoje, infelizmente, tudo balança com a força do temporal, retirando do meu estado de alma os muitos meses e anos que foram passando…estando fora!

Como escreve diariamente o António Vilela, a Rádio Com Gente Dentro!



          É mais um Dia Mundial da Rádio que mereço, sem negar aos amigos que ainda me acompanham uma homenagem de simples reconhecimento pela dedicação. Acredito que, eventualmente, pela «paixão». Pelos vistos, a madrugada nada traz de novo e, portanto, só vos posso deixar palavras minhas:

«A noite traz silêncios poderosos.

 

Quase sem nos apercebermos

Voamos longe do palpável

E alcançamos em segundos

O cósmico mundo dos segredos».

======

António Bondoso

Set. 2025.

António Bondoso

13 de Fevereiro de 2026.

 

          



2026-02-06

 

VÁ! VÁ SEMPRE.

COM SORRISO – SEM ÓDIO!


Se não puder ir a pé, por ser distante... talvez de carro;
Se não tiver carro... provavelmente de boleia;
Se não conseguir... eventualmente recurso a uma bicicleta;
Se tal for inviável... talvez alguém se lembre de pedir umas GMC ao exército ou uns botes de borracha aos Fuzileiros;
Se, de todo, não houver alternativas mais à mão (os helis são muito caros)... talvez possamos ficar doentes, pedir atestados às ministras da saúde ou da administração interna, e solicitar a ajuda dos bombeiros;
Se, após todas estas ideias de uma lucidez fora do comum, não conseguir deslocar-se... não desespere: o governo ainda vai instalar o voto eletrónico;
Por agora não me ocorre qualquer outra situação.


Mas...se, por um qualquer milagre, tiver um clique disponível, não hesite. VÁ. Vá sempre.
 Apenas não deve levar galochas, pois os japoneses - experientes nesta matéria - não aconselham. A água infiltra-se e as pernas não aguentam o peso. Ficará imóvel... à mercê de uma qualquer rajada de vento. E, assim, lá vai o boletim de voto 🗳️.

O eleitor implicado e sempre disponível...
António Bondoso.
Fevereiro de 2026.







2026-01-03



 

Poesia estelar reúne uma Constelação de Poetas do universo terreno.


«E quando a poesia acontece traz consigo o mundo, um mundo que nos congrega, uma constelação de vozes convergentes ou divergentes e ondas gigantes de fraternidade universal, da verdadeira fraternidade das palavras que nos amplexa e nos enlaça».

                                                                                                                      Delmar Maia Gonçalves, 2025




NEBULOSA MÁGICA – é um novo projeto editorial de uma equipa liderada por Luna Delmar Gonçalves. Apresenta-se hoje publicamente em Lisboa, com a divulgação de uma Antologia Universal de Poesia que leva o título de CONSTELLATIO. 17 horas, nas Galerias Parede Plaza. 




Para além de Delmar, acima referenciado, dão corpo a esta antologia nomes como Ana T. Freitas, Filipa Vera Jardim, Vera Fornelos, Filipe Papança, Rosa Fonseca, Zacarias Faztudo e eu – António Bondoso. Entre os meus seis poemas destaco “Poesia…essa Matéria Estranha”, “A natureza e os astros”, “A noite vem carregada de luzes” e alguns versos sobre o estado do mundo:

«Estou cansado

A madrugada não avança

E a vida é uma merda.» (…)




Agende para hoje:

Antologia Universal de Poesia que leva o título de CONSTELLATIO. 17 horas, nas Galerias Parede Plaza.





António Bondoso
3 de Janeiro de 2026
 

2025-12-17

 

ANGOLA – TÃO RICA E…TANTOS POBRES, ou

COMO E PORQUÊ – PARTE II

 

«Final de 1975. No último dia na minha cidade (Nova Lisboa), cheguei ao aeroporto, fumei o último cigarro (AC) e ouvi a última canção que estava, na altura, a ser passada no Rádio Clube do Huambo. A canção era “If you need me”, dos After All, com a inesquecível voz de Gerrit Trip. Foi há 50 anos»

                                                                    Orlando Castro, jornalista – 2 de Dezembro de 2025.

 

Foi com ele que falámos de Angola numa aula de Relações Internacionais na USRM – Universidade Sénior Rotários de Matosinhos – precisamente no dia que assinala a independência daquele país africano onde também se fala português. Orlando Castro foi um de centenas de milhar de portugueses que foram obrigados a deixar Angola. Quando chegou ao aeroporto de Nova Lisboa, já vira sair dali, em Agosto, uma das maiores colunas de deslocados – mais de duas mil viaturas, mais de 8 mil pessoas – em direção ao Sudoeste Africano, pelas «terras do fim do mundo». 


                                                “Do livro «Angola, Vidas Quebradas”

                                                                                          António Mateus e Clube do Autor, 2025.

“Nessa altura, eu senti um imenso vazio dentro de mim e uma miséria indescritível. Tinha perdido o emprego, o carro, a minha casa e o seu recheio. E tinha-me sido negada uma Pátria para viver”.

                                                     Um dos relatos no livro «Angola, Vidas

                                                     Quebradas”

                                                                                          António Mateus e Clube do Autor, 2025.


Mas também por mar (Porto Alexandre e Moçâmedes) para sul, alguns deram corpo à História, recebendo auxílio – quando foi o caso (e houve vários) – das autoridades sul-africanas.

          O mar igualmente a partir de Luanda, quando um grupo organizado por Joaquim de Lisboa (Joaquim da Silva Caetano Serra) conseguiu aprontar uma traineira e lançar-se ao oceano em aventura, cumprindo, ao inverso, mais ou menos a rota de Diogo Cão: 1482/86 – 1975! Vinte e quatro dias de Luanda a Olhão. Nada sabiam das artes e das manhas do mar. Mas, como escreve Fernanda Leitão no Prefácio, “…Saíram pelo mar, como pelo mar chegaram os seus antepassados, de cabeça levantada, enfrentando maus ventos e marés”.


          ALGUNS TÓPICOS DA AULA: 

ANGOLA – COMO RECOMEÇAR DEPOIS DAS INDEPENDÊNCIAS E DAS GUERRAS CIVIS.

50 ANOS…OU DE COMO O TEMPO NÃO TEM CHEGADO PARA RECONCILIAÇÃO, TRABALHO SÉRIO E AMBIÇÃO PARA O FUTURO.

São questões cujas respostas não podem ser lineares, dada a conjuntura dos «esquemas» gerados em tempo de guerras civis, desde 1975. Sobrevivência para uns, ambição desmedida para outros. Eternização no poder gera corrupção. E esta…é o maior cancro a travar o desenvolvimento. 

          Por outro lado, a Ordem Internacional viveu um conturbado período após a implosão da URSS, o que alterou significativamente o regime de guerra fria. Ficou latente até à recente invasão da Ucrânia pela Federação Russa. Seguiu-se a luta contra o «novo terrorismo»: de novo o Afeganistão, mais o Iraque, o Daesh e a Primavera Árabe. A transição, não muito longa, permitiu que as grandes potências se voltassem a acomodar, mas agora com a RP da China a subir patamares e a ocupar mais espaço no tabuleiro, dando um grande impulso aos BRICs, em prejuízo de muitos outros dos «não alinhados». Enquanto isso, a União Europeia e a NATO procuraram ganhar espaço a Leste, mas a ideia tem encontrado grandes obstáculos – o maior dos quais a Rússia. E agora…também dos Estados Unidos da América.

Orlando Castro

Neste «quadro», Angola e muitos outros países africanos têm sentido muitas dificuldades em se afirmar no Continente como espaço de referência. Acresce a tragédia humanitária no Sudão e os conflitos na África Central. Já a Guiné-Bissau representa ora o princípio ora o termo da velha «rota do comércio» e, depois, do «narcotráfico». O «golpe» encenado recentemente em Bissau e a mala dos 5 milhões, é prova disso. 

Citando Orlando Castro e um relatório do ISCTE sobre «democracia»…EM LUANDA, MAPUTO E BISSAU A DEMOCRACIA É UMA MIRAGEM. O Relatório alerta para retrocessos na qualidade das democracias em alguns países lusófonos, distinguindo cinco Estados com regimes democráticos estáveis e três (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique) marcados por fragilidades institucionais. Creio eu que o ISCTE não terá dedicado muita atenção ao que se passa em STP, desde 25 de Novembro de 2022. 

A situação interna angolana, de um quase eterno conflito social e político, determina e condiciona a inserção do país na complexa situação geopolítica e geoestratégica internacional – sobretudo nas relações regionais (áfrica ocidental, golfo da guiné, áfrica austral) e no sistema mais vasto que compreende os novos caminhos da chamada ordem mundial (A Ordem Tripolar, livro da investigadora Sónia Sénica): - que parceiros estratégicos?


A Rússia, (que iniciou uma guerra com a Ucrânia e para a qual ainda não encontrou uma saída airosa) velho aliado na luta anticolonial, não se tem mostrado capaz económica e financeiramente de uma parceria fiável, recorrendo permanentemente às milícias dos oligarcas na África Central. Restam a China, a União Europeia e o Brasil, já que os EUA de Trump são uma incógnita no posicionamento multilateral, apesar da insistência de João Lourenço.

Mas este potencial relacionamento terá eventualmente resultados negativos para Angola, enquanto o país não se fortalecer relativamente aos seus vizinhos. Uma «vizinhança ignorada» é o que lhe chama o economista Bernardo Bunga, (EM TEXTO PUBLICADO NO JORNAL O TELEGRAMA) para quem Angola não vê África como uma prioridade estratégica. Por exemplo a África do Sul, um dos vizinhos mais poderosos, e referindo apenas o caso do petróleo, entre 2009 e 2025, as exportações passaram de 1,2 mil milhões USD$ para uns modestos 146 milhões. 

E o que seria de Angola sem o petróleo de Cabinda? – um processo de autonomia sempre reivindicada mas nunca concedida. Em novembro de 1975, ainda antes da declaração oficial da independência de Angola do domínio colonial português, uma operação militar secreta levada a cabo por militares do MPLA, mudou para sempre o destino de Cabinda — um território rico em petróleo, separado geográfica e historicamente de Angola. O plano jurídico é muito mais complexo. Essa “invasão silenciosa” passou despercebida à maioria da «comunidade internacional», mas desencadeou décadas de conflito, repressão, violações de direitos humanos e uma luta contínua por autodeterminação. Compreender esta história é fundamental para entender as tensões geopolíticas atuais.

          É ainda o petróleo e todos os desmandos à sua conta, que uma recente edição do jornal FOLHA 8 coloca em destaque. Num artigo do Diretor William Tonet (Exterminadores do Presente assassinam o Futuro Colectivo), pode ler-se que “Textualizar democracia e praticar autocracia, não confere o estatuto de democrata mas de ditadura”. O MPLA de João Lourenço, calcinado no poder, expurga dos órgãos centrais personalidades dissonantes como Higino Carneiro, Pitra Neto, Ângela Bragança ou Paulo Kassoma, entre outros. [Retirando a escala e o tempo, podemos lembrar o trágico processo «Nito Alves»]. E numa crítica ao que chama de obras megalómanas, Tonet escreve que “A gamela foi a de sempre: SONANGOL para todos desvarios”. Numa frase – “O país está dilacerado e clama por mudança, já”.

          Portanto…uma questão de regime!

Como mudar poderá ser a pergunta para um milhão e, enquanto isso, Angola precisa de prestar atenção às relações com a poderosa RDCongo, a Nigéria mais a norte e todo o Golfo da Guiné, sem esquecer aí o Gabão e a Guiné Equatorial. 

          Depois…é também fundamental dar atenção à Lusofonia, hoje com braços alargados e entroncados com a RPC – implantada no país – Moçambique, no Índico, e o Brasil  no outro lado do Atlântico, sem esquecer também comunidades importantes na América Central e na Europa. Mas Angola e o Brasil, pela sua dimensão e potencialidades, devem empenhar-se muito mais neste projeto.

 


          E a cooperação reforçada entre Angola e o Brasil, também na busca de parcerias na ONU para levar por diante a causa das «Plataformas Continentais», processo que Portugal iniciou há alguns anos, servirá igualmente para equilibrar a relação de forças com o Reino Unido no Atlântico Sul. Pela figura seguinte fica-se com uma ideia clara sobre a importância geoestratégica desse desafio.


Contudo…superar os desafios internos, promover a transparência e investir na boa governança, são passos cruciais para fortalecer a posição de Angola no cenário internacional. 

António Bondoso

Dezembro de 2025. 



 





2025-12-04

 


Vive-se em Dezembro e morre-se no ano todo».

 

É com este “pensamento” de Orlando Alves, seguramente imbuído de uma ideia crítica, que pretendo refletir sobre a chamada época natalícia. A frase está inserta na “ANTOLOGIA (POR NATUREZA) POÉTICA PARA UM CERTO NATAL”, com a chancela da Poética Edições e que foi organizada por Lília Tavares e Virgínia do Carmo, com capa de Rosário Ferreira Alves.


          A reflexão tem por base exatamente esta publicação de Novembro de 2025, cujo título é um verso de Lídia Borges: “NUMA RUA COMPLETAMENTE ÀS ESCURAS MOVEM-SE ESTES VERSOS”. Sem nome, essa rua às escuras – na minha leitura – representa, de alguma forma, o espírito crítico com que iniciei este meu texto. Sabemos todos dos efeitos feéricos que marcam o Natal, do consumismo subjacente dos «presentes» que se trocam, do eco vazio que nos chega do silêncio perturbador de milhões de seres humanos que, certamente numa rua às escuras, aguardam tristemente a passagem. Alma e corpo doridos, solidão e descrença – sobretudo em palavras ocas que se escrevem e se dizem. Repetidamente, ano após ano.

          Participo nesta Antologia, grato pelo convite da Lília Tavares, lembrando que

«nem todas as memórias foram sonhos;

Nem todas as prendas vieram no sapatinho.

Algumas, porém, chegaram envoltas em doce

E fino mistério!»

António Bondoso

É de facto um mistério tudo o que envolve esta época do ano, que a Paula Banazol de Carvalho sintetizou assim:

«Privilégio de alguns passarmos

Por muitas estações em tantos anos

Das nossas vidas.»

E para mim, há igualmente esse privilégio de estar acompanhado por muitos amigos que sabem transmitir o espírito do mistério: Ana de Freitas (Escrever Natal); António MR Martins, que nos traz Árvore de Natal de 2025; Conceição Lima, de S. Tomé e Príncipe, que escreve sobre Memórias do Natal em 2025; Francisco Duarte Mangas, que conta Uma história de natal com a figura de Netanyahu; José Luís Outono, a confirmar que É Natal…; Licínia Quitério a dizer que os homens precisam de poemas; Lília Tavares, biblicamente a dizer que «estou à porta e bato»; Olinda Beja, de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, que nos fala de um Natal a três Dimensões; Regina Correia, com Um Verso de Luz; e Virgínia do Carmo, a sentenciar que Os homens nunca souberam nascer demoradamente.


Vale a pena perceber a qualidade desta Antologia para um certo Natal. Leia!

António Bondoso

Dezembro de 2025. 







2025-11-28

 


ANGOLA – TÃO RICA E…TANTOS POBRES, ou «Angola – como e porquê» - PARTE 1

Memórias de factos e de muitas histórias que têm marcado a existência deste grande país africano que tem a língua portuguesa como oficial.

        Angola - o processo mais complexo das independências das colónias portuguesas em África. 


Foi este tema que levei à discussão/conhecimento para a mais recente «aula» de Relações Internacionais na Universidade Sénior Rotary de Matosinhos. Precisamente no dia em que se assinalaram os 50 anos dos atos de proclamação da independência do país – um em Luanda, com o MPLA de Agostinho Neto (Rep.Pop.de Angola), outro em Nova Lisboa (hoje Huambo), com a UNITA de Jonas Savimbi (Rep. Dem. de Angola) – as versões mais conhecidas – e ainda a FNLA de Holden Roberto remetida para o Ambriz, segundo outras fontes e com menor visibilidade (Rep. Pop. e Dem. de Angola). Há igualmente quem associe UNITA e FNLA no Huambo.



Seja como for, Angola recomeçou a sua História perfeitamente dividida. O MPLA atravessou e vivia um tempo difícil com as «Revoltas Ativa e de Leste», sobressaindo as divergências com Mário Pinto de Andrade, um fundador, e com Daniel Chipenda. Este criticava o MPLA de Neto por não desejar uma aliança com a FNLA de Holden Roberto, beneficiando do apoio dos EUA e de conselheiros da ditadura Brasileira. De outro modo, a UNITA de Savimbi olhava há muito para a ajuda da África do Sul, sabendo que os cubanos já estariam, desde muito antes, a auxiliar o MPLA. Os «movimentos», quebrado o acordo de Alvor, responsáveis já por milhares de mortos e de deslocados, ainda fizeram crer que poderiam chegar a um entendimento em Nakuru – no Quénia – mas os dados da violência estavam lançados.

Sede da FNLA em Luanda

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Acresce que esses mesmos «movimentos» vinham, desde muito cedo, desautorizando e vexando os militares portugueses, sendo o clímax atingido em finais de Julho em Vila Alice. A resposta foi igualmente violenta, quebrando-se o círculo de confiança – se é que alguma vez existiu. 


Vila Alice- Luanda

De um vídeo da RTP - Memórias da Revolução

E a 11 de Novembro de 1975, depois de – na véspera – ter enviado uma mensagem de esperança aos dirigentes dos «Movimentos», o Alto-Comissário Leonel Cardoso, a bordo de um NRP, transferiu simbolicamente a soberania para o «Povo Angolano».  

Leonel Cardoso - Luanda

carlos-las-heras.blogspot.com



Almirante Leonel Cardoso
«Não saí envergonhado. Sentimento de pena pelo povo angolano»
De um vídeo da RTP - chegada do Niassa a Lisboa, com último contingente militar. 

É fundamental que o conhecimento chegue aos seniores das universidades sem fins lucrativos, pois as US representam hoje o programa de educação de adultos com mais sucesso no mundo inteiro. Em Portugal, a RUTIS – rede das US envolve quase 50 mil alunos, 300 entidades e quase 6 mil professores em regime de voluntariado.

 Sobre Angola, a maioria dos mais novos não deve saber e, muito provavelmente, a maioria dos mais idosos já deve ter esquecido. Catarse concluída ou o trauma no baú. Por outro lado, não devemos colocar de parte a possibilidade de falta de informação séria/credível ou o velho fenómeno da manipulação transformada em propaganda.

O final do processo colonial português foi, portanto, tão atribulado quanto era complexa a situação da Política Internacional. Período de «Guerra Fria» entre o Bloco de Leste e o Ocidente, crescendo da tensão entre a URSS e a RPC e, por outro lado, a «existência do suposto» Movimento dos Não Alinhados.

Por isso, como tenho repetido, as independências das ex-colónias portuguesas em África não devem ser analisadas como acontecimentos históricos isolados. Será bom perceber a conjuntura internacional da época, tal como a luta contra a ditadura do «Estado Novo», em Portugal, sabendo o desgaste de 13 anos de guerra na Guiné, em Angola e em Moçambique.




Orlando Castro e António Bondoso

Da USRM

          E foi um pouco de tudo isto – certamente com uma visão mais esclarecida – que os alunos da USRM (Universidade Sénior Rotários de Matosinhos) – escutaram na intervenção do convidado para a sessão, o jornalista Orlando Castro, nascido em Nova Lisboa em 1954, trazido pelos pais para Portugal em finais de 1975, depois de assistir à luta fratricida entre os três «Movimentos/Partidos» que haviam lutado contra o colonialismo português. Assistiu também ao início da «Ponte Aérea» a partir de Nova Lisboa (sendo Luanda o centro principal), para além de perceber o êxodo, talvez mais a «Fuga», de milhares de portugueses para o Sudoeste Africano (hoje Namíbia), território então ocupado pela África do Sul.

                                                       

Nova Lisboa - Calai
De «Angola-Vidas Quebradas» António Mateus e Clube do Autor.

 Orlando Castro ainda frequentou História, no ensino superior em Portugal, mas o seu foco foi sempre o «jornalismo», tendo vindo a colaborar nomeadamente no DN, JN e PJ. Hoje é Diretor Adjunto do jornal «Folha 8», que se publica em Angola. 



Orlando Castro
Arquivo pessoal

António Bondoso

Novembro de 2025.