2026-08-23

 

FERNANDO DOS ANJOS DIAS ...UMA DAS FIGURAS DA MINHA VIDA (PARTE2)



MEU CUNHADO HÁ 60 ANOS, FERNANDO DOS ANJOS DIAS É UMA PESSOA DE BEM!

 

    E nunca se arrependeu de ter ido para São Tomé. Diz ter saudades, ainda hoje, do tempo que lá passou, dos amigos que ficaram para sempre. E foi lá que conheceu a Luísa, minha irmã. Terá sido esse o episódio mais feliz! E conta: «Certa noite fui escalado para a guarda ao palácio do governador (ainda provisoriamente quase em frente à Câmara, onde também funcionou a Curadoria). O Beto Bondoso [meu primo mais velho] era o 1º cabo. Em conversa, já alta noite, sentados no muro contíguo, perguntei-lhe de onde era e lá fomos conversando até que ele me disse que a irmã e a Luísa iam chegar dentro de dias. Pedi-lhe para ele mas apresentar logo que chegassem e assim foi...»


Também por isso é que tenho escrito e dito, sempre, que o Fernando é uma pessoa cheia de qualidades. Para além de um excelente profissional (BNU/CGD), tal como havia sido um excelente militar, com vários louvores na «Caderneta», o Fernando tem sido bom marido, bom pai e bom avô. Conheci-o na minha juventude em STP, como disse, e ele acompanhou boa parte do meu percurso, antes e depois do casamento com a minha irmã.


DEPOIS DO SERVIÇO MILITAR EM STP VEIO A GUINÉ…MAS JÁ NA VIDA CIVIL!

Contudo, o episódio que ficou na sua memória envolveu ainda uma componente militar.


O Fernando havia concorrido para o BNU, a nível da Costa Ocidental de África e…foi colocado em Bissau, em finais dos anos sessenta do século passado. Já casado, mas ali ainda só, à espera de um tempo novo. Governava o general Spínola.

Sem a mulher e ainda sem amigos, os primeiros tempos foram difíceis.


          Mas há sempre uma circunstância marcante, acabando por conhecer e por cruzar amizade com um capitão do exército, Carvalho de Andrade, colocado em Bissau e já acompanhado da sua mulher e de uma filha – idos da «metrópole»:

          Uma vez por outra, conta ele, «encontrávamo-nos na cidade. Conversávamos. Convidou-me, certo dia, para almoçar com ele na messe de oficiais da sua Unidade. Ficámos amigos. 

Entretanto, o tempo passou. Regressei a S. Tomé; o meu amigo ficou por lá no cumprimento da comissão militar.


Quando ele estava prestes a regressar a Portugal, chegou à Guiné uma delegação de oito deputados à Assembleia Nacional, para “uma visita de estudo”. A visita terminou com uma passagem pelo “chão Manjaco”.

No regresso, [segundo as crónicas oficiais] foram surpreendidos por uma violenta tempestade e os pilotos perderam o controlo dos helicópteros (três), onde seguia a comitiva. Um dos aparelhos foi parar à região de Jete, outro aterrou junto ao rio Geba e um terceiro mergulhou nas águas turvas e profundas do mesmo rio. Nele viajava o meu amigo, capitão Carvalho de Andrade, que enquadrava o tal grupo de deputados, que com ele pereceram também, naquela tragédia, entre os quais se encontrava o deputado guineense Dr. Pinto Bull. Ao saber desta trágica notícia, fiquei profundamente triste e abalado e, ainda hoje, esse acontecimento fatídico está vivo na minha memória…».

E a vida seguiu. 

SÃO TOMÉ ATÉ AO FIM...da maior parte do «Império». 


EPÍLOGO DO MEU TEXTO.

O DA HISTÓRIA AINDA DEMORA!

Não está tudo contado, claro, mas as palavras já ultrapassam a meia dúzia de folhas, o que talvez me obrigue a dividir o texto em duas partes.

Fernando dos Anjos Dias, meu cunhado e uma das Figuras da Minha Vida, fez carreira no BNU em STP, território que só abandonou algum tempo depois da «Independência». 


BNU- S.Tomé. 

Em Portugal continuou a trabalhar naquela instituição bancária, primeiro em Vila Nova de Gaia e depois em Águeda, acompanhando a «passagem» para a CGD – Caixa Geral de Depósitos.

Hoje, aposentado, já completou as Bodas de Platina no casamento, tem uma filha casada, a Jacinta (com o Hugo) e dois netos, a Matilde e o Manuel, que lhe preenchem uma boa parte da vida.


A outra boa parte tem a ver com a disponibilidade quase permanente para ajudar a Santa Casa da Misericórdia de Águeda.

Não está tudo contado, claro, como ficou dito. Há muitas histórias em avulso que não podem caber aqui todas. Seria um texto muito longo. 

Para mim, «biógrafo», há muitos pormenores deliciosos que ficarão para mais tarde! 

Obrigado cunhado Fernando dos Anjos Dias por ter sido próximo de uma parte da tua vida!


António Bondoso

Agosto de 2026. 


 


 





 






2026-08-22

 

FERNANDO DOS ANJOS DIAS ...UMA DAS FIGURAS DA MINHA VIDA (PARTE1)




DO SEMINÁRIO EM PORTUGAL A UMA AVENTURA AFRICANA…ou de como um jovem de 17 anos arrisca um futuro nas Ilhas do Meio do Mundo, no centro do Golfo da Guiné – hoje conhecidas como as Ilhas do Chocolate.


Fernando dos Anjos Dias partiu de Águeda a 3 de Agosto de 1959, e embarcou no dia seguinte em Lisboa no navio Império (CCN-Companhia Colonial de Navegação) com destino a S. Tomé. Não foi clandestino mas quase, pois não teve tempo para se vacinar e receber o «visto» da Pide. Mas não podia era perder essa oportunidade de buscar uma vida digna – salário correspondente a um trabalho – embora longe da terra e dos seus. Portugal só lhe oferecia nessa altura a situação de «desempregado» e, portanto, o Fernando teve a coragem de enfrentar dúvidas e incertezas, bem longe deste promontório da Ibéria.


"MANDE VIR O RAPAZ QUE ALGUMA COISA SE HÁ DE ARRANJAR".

Como tudo se passou…conta-me o Fernando Dias que «Depois de sair do Seminário, como não tinha emprego, o meu pai escreveu a um amigo que era feitor numa dependência da Roça Rio do Ouro, a pedir se me conseguia emprego. Este, por sua vez foi pedir ao Sr. Menezes, pai do antigo presidente de S. Tomé e Príncipe [Fradique de Menezes], que era então o guarda -livros na Rio do Ouro, para interceder por mim junto do Sr. Fonseca. Segundo o Sr. Menezes me disse mais tarde, a resposta foi: "mande vir o rapaz que alguma coisa se há de arranjar". E fui. Fiquei na Rio do Ouro "aboletado", como diria o meu amigo António Pinheiro; ou seja, tinha cama e mesa apenas. E assim foi durante cerca de um mês, em que ia para o mato com um grupo de serviçais, mesmo sem equipamento próprio, isto é, botas e capacete. Quando chovia, os trabalhadores, mesmo sem lhes pedir, faziam-me uma cabana com folhas de bananeira, para me acoitar da chuva».


E segue o relato: «Passados quatro meses estava colocado na dependência Fernão Dias com contrato de empregado de mato e vencimento de 1200$00, a exercer funções nos armazéns de recolha dos produtos da Roça para exportação».

Fernão Dias, nome de algumas memórias do mundo português (nem todas boas), havia ficado na «história» de S. Tomé e Príncipe uns anos antes – 1953 – como colónia penal da Ilha Grande, na sequência da «revolta de Batepá», transformada posteriormente em «massacre» pela administração colonial. Fernão Dias foi também um nome grande da expansão portuguesa do séc. XVII na América do Sul, um célebre bandeirante paulista conhecido como "O Caçador de Esmeraldas". Por outro lado, Fernão Dias casou-se com Maria Garcia Betim, descendente do índio Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno. Acresce, por natural dedução minha, que o cruzamento das línguas portuguesa e castelhana por ocasião do «renascimento», Fernão tenha dado origem a Fernando. Nada estranho, pois o próprio autor da «Grammatica da Lingoagem Portuguesa» (1553), Fernão de Oliveira, ficou igualmente conhecido por Fernando de Oliveira ou simplesmente Fernando Oliveira.


 NA ROÇA…NÃO BASTA TER UM CAVALO. CONVÉM SABER DOMÁ-LO!

Fernão Dias ainda, a tal dependência da Roço Rio do Ouro, foi palco de um ensinamento traumático para o Fernando Dias. Conta que, certo dia, ali fez a sua estreia como "cavaleiro", precisamente no dia de Ano Novo de 1960. O cavalo terá «reconhecido as habilidades do cavaleiro» e, ao montar, deu dois pinotes que o fizeram «voar» para aí uns dez ou quinze metros. Resultado: 10 dias no belo hospital da roça Rio do Ouro, onde foi tratado pelo Dr. Botica, sempre seu muito amigo, e pelo enf. Sr. Marques.

Em Dezembro do ano passado, Fernando Dias publicou um outro ensinamento nas redes sociais. Um belo naco de prosa – uma história interessante e que vale a pena conhecer. Deu-lhe o título de

VIVÊNCIAS DE S. TOMÉ, OU UM APRENDIZ DE "ROCEIRO"...

Estranho, saudades, emoções diversas, tudo era novo ou quase. Muito calor, muita humidade e, finalmente, a época fresca da gravana e do cacimbo. Um dia, o Fernando foi ao rio que desagua em Fernão Dias. 


          «O curso de água que nasce no distrito de Lobata, cuja sede é a airosa vila de Guadalupe, no seu percurso passa precisamente pelas traseiras da Sede da Roça cujo nome herdou do rio, isto é, chamava-se, na altura, Roça Rio do Ouro, situada a uns 13 km de distância da cidade capital, S. Tomé.

O administrador de então era o Sr. Fonseca que acumulava com este cargo o de administrador geral da "Sociedade Agrícola Valle Flôr", formada pela Roças Rio do Ouro, Bela Vista e Diogo Vaz, cujos donos eram os herdeiros do "Marquês de Valle Flôr", com residência em Portugal»:

Então ali, no meio do rio, a carpir saudades da "santa terrinha" e dos familiares e amigos que deixara, o Fernando não ficou indiferente à natureza que o cercava e, sem o saber ainda, descobriu o famoso e delicioso camarão do rio/água doce. Para seu espanto, diz, «os bichinhos» movimentavam-se lentamente como que entorpecidos. A explicação também chegaria algum tempo mais tarde, ou seja, «os cacaueiros abundantes em S. Tomé e Príncipe, eram e são susceptíveis às doenças fúngicas do míldio e do oídio, necessitando de "curas" periódicas com fungicidas adequados. Dada a grande quantidade do produto aplicado, escorria sempre algum para os cursos de água, afetando os pequenos crustáceos...».


DIOGO VAZ – «OUTRO ESTATUTO» ANTES DO SALTO PARA O SERVIÇO MILITAR E PARA O BNU!

Depois do tirocínio em Fernão Dias, o Fernando foi transferido para a Roça Diogo Vaz onde assumiu a chefia do «escritório». E foi também em Diogo Vaz que acabou por ser «alvo» da Pide. Não pela circunstância da tal «viagem inicial», relacionada com a falta do visto, mas por outro motivo:- «Fui chamado à PIDE, que tinha intercetado uma conversa que tive com o chefe do escritório de Santa Catarina (As principais Roças tinham linhas telefónicas diretas mas também controladas pela PIDE, fiquei a saber), para falarmos sobre um barco estranho, que logo de manhã, com um helicóptero navegava junto à costa. Estive lá um dia a prestar declarações, mas cheguei a pensar que a chamada estava relacionada com a minha «clandestinidade».

           Sem ser uma grande preocupação, o Fernando nunca esqueceu o assunto, até que um dia, quando foi à inspeção militar à então Vila das Neves, tomou uma decisão: - Já que ia para o serviço militar, não deveria ter problemas com as autoridades. Só faltava a vacina… «Nessa mesma semana, fui à cidade e, no Centro de Saúde, pedi ao Enf. Sr. Neves para me vacinar.

Acabou-se o pesadelo…»

=========== À espera de um sonho lindo...a prosa fica por aqui, hoje. 

ANTÓNIO BONDOSO

Agosto de 2026. 



 





 



2026-07-01

 

                                                                  “…e de repente, a coberto da noite e das estrelas, ouviu-se o Grândola Vila Morena dentro e fora da Messe de Sargentos. O incómodo da canção, que foi uma arma, levou à identificação e posterior penalização dos «cantantes». Mas um dos envolvidos tentou escapar, com a desculpa…mas eu não cantei meu Capitão! Não cantaste?...Cantasses!”

                                                                                                                A.J.Rodrigues/C.Borges



SER MILITAR…É «SER»!

E QUERER SER. Ou não!

Seja como for, independentemente do que e de como foi, há quase como que um «mistério» no comportamento de quem cumpriu o serviço militar em Portugal, sobretudo na segunda metade do século XX. A guerra colonial deixou marcas em milhares de jovens. Traumáticas muitas, mas outras – algumas – manifestam um quadro que, não sendo saudosista, revela um misto de saudade e de memória viva, consoante as experiências de cada um. Independentemente de terem sido «obrigados» a participar, a grande maioria, ou voluntariando-se como foi o caso de alguns. Ficaram memórias, é inegável.

Restaurante Argaço - V. Praia de Âncora

Voluntário ou obrigado por lei, é uma questão tão polémica quanto interessante.

        Depois do 25 de Abril de 74 e finda a «Guerra Colonial», o famoso clamor de «nem mais um soldado para as colónias» não colocou de imediato fim ao SMO (só em 2004) – serviço militar obrigatório – que vigorou desde o início do século XX na mobilização e recrutamento para as Forças Armadas. Para além, naturalmente, dos militares do Quadro Permanente.

CCAÇ7- CTI - S. Tomé

Em 1973, o maior ramo das FA, o exército, tinha 150 mil efetivos. De Lei em Lei – cada qual mais polémica – os efetivos foram diminuindo, de acordo com o «quadro geopolítico» dos anos de 1980. E, de acordo com o artigo 1295 da «Revista Militar», uma nova Lei do Serviço Militar, a primeira após o 25 de Abril de 1974 (Lei n.º 30/87, de 7 de Julho), veio abrir o caminho para a prestação do serviço militar em regime de voluntariado e de contrato (RV/RC), abrangendo o universo do sexo feminino.




Mas a fraca atratividade e a falta de investimento nas FA não foram suficientes para atribuir grandeza à função. No entanto, e apesar da polémica, as FA portuguesas foram sendo capazes de integrar missões internacionais até aos dias de hoje. O prestígio não tem sido questionado, mas os militares entendem que o debate é necessário, tendo sobretudo em conta o novo «quadro geopolítico» internacional. A Europa, sobretudo, enfrenta desafios.  


Independentemente do «debate», que agora volta a ser mais «urgente» mas sem que os responsáveis políticos resolvam agir, o caso é que os militares – depois de serem – não esquecem tão cedo a circunstância de terem sido, as vivências do tempo que os marcou, a camaradagem que foram cultivando e as amizades construídas. Também por isso…os ex-combatentes devem ser ouvidos. 

O Naia e o Tá...no Centro do Debate

Para já, fazem questão de manter o convívio, agora ampliado pelas redes sociais, sem prescindir de «colocar os pés debaixo da mesa» pelo menos uma vez por ano. 

Severiano Presa - Organizador

Foi o caso, pela 48ª vez, que um grupo de «servidores do Estado» em S. Tomé e Príncipe se voltou a reunir – agora em Vila Praia de Âncora – para conversar, lembrar e transmitir parte do que foi vivido nas ex-colónias em tempo de guerra, fosse no «teatro de operações» de combate, fosse no «remanso alerta» das Ilhas do Café e do Cacau (os melhores do mundo, na altura) em pleno Equador. 

E o próximo, ainda este ano, vai ser em Leiria, esperando-se que o governo e as autarquias já tenham avançado nos trabalhos de recuperação da tragédia de há meio ano. 

                                            

Diz o «ajudante» Borges que a organização do encontro vai pertencer ao Graça e ao Biel.

Ficamos à espera meu «ajudante»!

Carlos Borges - o «ajudante»

E que os «intervalos» não sejam muito indigestos. A sopa fica fria, o cabrito endurece e a sobremesa deslaça. Nem o pai morre…nem a gente almoça.                 

Obrigado Vila Praia de Âncora

António Bondoso

1 de Julho de 2026.

 











                                                            








2026-06-01

DE CRIANÇA A UM CIDADÃO ADULTO – há um trajeto de problemas incomensuráveis. Muitos, ou a grande parte, nunca serão bem resolvidos.


Foto da Web

Se uma criança pudesse voar, assim, livremente…e escapar aos perigos de um mundo psicótico, turbulento, belicista, de conflitos intermináveis, o Planeta seria sempre azul, visto da Lua ou de Marte. 


                                 https://www.meteorologiaenred.com/

Mas não pode. Não porque não queira, mas porque os obreiros ali adjetivados não deixam. É assim a «espécie» humana:



Foto da Web

        «Há dias, numa aula de Relações Internacionais na USRM- Universidade Sénior Rotários de Matosinhos», lembrei que, baseado num relatório da UNICEF, morrem 16 mil crianças por dia em todo o mundo. E que, de acordo com o mesmo relatório, mais de 20 milhões de crianças e famílias estão em risco, devido à falta de financiamento internacional. Financiamentos, como todos sabem, «desviados» para situações de guerra – concretamente na Ucrânia, invadida pela Rússia; em Gaza e no Líbano, por intervenção de Israel; e no Irão, bombardeado pelos EUA e por Israel. Só em 2 meses, os EUA gastaram 25 mil milhões de dólares em bombas para o Irão.  

Foto da Web

        E a fome. E mais as doenças mortais. E outros conflitos no Sudão, Congo, Angola, Somália, Iémen e Sudeste Asiático.

                                                                       Oliver Ci - STP

“Nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir. Mas vemos sinais preocupantes de que esse progresso está desacelerando — num momento em que estamos vendo cortes adicionais no orçamento global”, disse Catherine Russell, Diretora Executiva da UNICEF.

Do autor

Apesar de tudo, celebremos a vida e as crianças.

                                       A tua estrela tem luz

Quer de noite quer de dia.

Quando se afasta não vemos

Pois o sol tapa o caminho.

 

Mas quando se aproxima a lua

É intenso o tal brilho

Que ilumina meio mundo

E faz sonhar os meninos.

 

E então…podemos avançar sem medo

De tropeçar.

É uma estrela tão grande

Cheia de energia e tão forte

Capaz de ser o transporte

De uma tal humanidade

Que possa dar vida às crianças

E vê-los assim a ser homens.

============

António Bondoso

1 Junho 2026

Do autor

António Bondoso

1 de Junho de 2026
 



























2026-05-22

 

DIÁRIO DA FELICIDADE…ou de como se vivem as emoções de ser mãe, pai e avós. Diferente em cada caso, naturalmente.

José Saramago escreveu um dia, no «Nosso Livro de Todos os Dias», de uma forma não muito popular ou até mesmo politicamente correta, que «Ler não é obrigatório». O que Saramago quis dizer e precisar, foi que «não vale a pena inventar desculpas, explicações para algo que é muito claro desde que o livro existe. Ler não é obrigação nenhuma. Ler é uma devoção, é uma paixão, é um amor».

        Partindo da ideia de que um autor escreve para ser lido, proponho que façam o favor de praticar um ou dois minutos na leitura deste meu texto. Recordo que não é obrigatório ler.


17 de Maio de 2026.

Madrugada

Passavam treze minutos das três horas, diz o registo e confirma o pai.

Chegou o Henrique… e apresentou-se:

3,700 Kgs, 51 centímetros.

Tudo acompanhado e documentado pelo pai, vestido a rigor para uma sala de intervenções cirúrgicas. 

Foi uma madrugada de emoções, telefonemas para lá, mensagens para cá…até que foi permitida a visita do núcleo familiar próximo.

Parecenças com este, traços mais daquele, fotos de todos os ângulos possíveis e imaginários. E o Henrique vai andando de colo em colo, dos avós maternos aos paternos, até que chega a vez da irmã. Por instinto carinhoso da Helena, o mano assenta no seu colo que nem uma luva, protegido claro pela cautela dos pais. O mano é meu! – afirma perentória, assumindo a ligação umbilical sem rodeios. 





Entretanto, o F.C. do Porto acabara de festejar o seu 31º título de Campeão Nacional de Futebol da 1ªLiga.

Dois dias depois, 19 de Maio de 2026, a tão aguardada receção na casa dos pais. Enfeitada a preceito, diga-se, embora de forma simples – como tudo deveria ser neste mundo e nesta vida. No entanto, de forma a que o Henrique se sentisse e sinta, de facto, em casa! Recebido pelo «núcleo familiar» e por alguns amigos dos pais, do C95.




Henrique navegador

Por que não conquistador...

E veio no arrasto da celebração azul e branca

Qual raio de sol ou de um relâmpago de felicidade.

 


        A «história» começa um tempo antes, naturalmente, mas decidi iniciar este projeto, neste dia de um brilho especial. O «diário», chamo-lhe eu, terá a sua sequência e, por fim, será ou não publicado em forma de livro, dependendo da qualidade literária que alguém lhe venha a perceber…atribuindo-lha.  

António Bondoso

22 de Maio de 2026.