quando outros se recusam a celebrar "Abril";
quando Otelo se demite da sua consciência e da sua memória;
quando se inaugura uma praça com o nome de Salazar, no exacto dia do derrube do seu regime ...
... o país vai de carrinho, como diria Zeca Afonso!
Depois da Noite … Às vezes os Dias são Curtos!
Noite cerrada
Tortura quebrada
Caiu o medo
Gritado bem fundo nas madrugadas.
Alvorada de cor
Esperança sem dor
Um país igual acordado bem cedo
Deu um coice na morte
E uma volta na sorte
A pensar na vida de palavras erradas.
Despontou o dia claro
De Abril perfumado com cravos escolhidos
Murcharam as armas de canos aquecidos
Tensão febril apossou-se dos jovens
Animou a esperança de velhos sem sonhos.
E aos dias vibrantes seguiram-se as noites
Mais as madrugadas dos votos em branco
Um curto-circuito apagou a luz dos homens
Desiludidos, burocratas desonestos aos açoites
Intermitentes políticos a esconder o jogo franco.
Noite cinzenta
Voltou o medo
Disfarçado agora de livre vontade.
Escondido na sombra perturba a idade
Revolta na rua dos jovens em crise
Esperança traída de simples valores:
O pão e a paz dos trabalhadores
Ser livre de ideias dizê-las sem medo
Poder escolher educar e crescer
Sem ver o seu nome apontado a dedo.
Compridas noites silêncios longos
Mordaça apertada de dúvidas amargas
Gritos abafados perdidos no eco
Deslize da voz protestos no beco.
E os dias são curtos pesadas as cargas
Simbólico trauma das noites cerradas
O medo não cai anónimo viaja
Sempre bem perto para que não haja
Ambição desmedida fugas arejadas
Liberdade e poder de doces milongos !
Esperança traída…
Há-de voltar manhã radiosa
Sem medo de fumos lendas e fantasmas
Repor o sentido de letras e números
Promessas vendidas de casa espaçosa
Com tecto de abrir e respirar a vida.
E os dias claros serão inúmeros
Vencendo as noites plenas de miasmas
Cinzentas escuras ao amor cerradas
Apenas abertas a ideias erradas.
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A.B.







