Mostrar mensagens com a etiqueta crónica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crónica. Mostrar todas as mensagens

2015-08-10

CRÓNICAS COM DOIS PONTOS:

Foto de Romana Borja-Santos (Público)


DOIS PONTOS:

1 – Tempo de campanha triste: discutem-se cartazes (no auge da histeria) em vez de se debaterem ideias (serenamente).
Se os debates, sobretudo nas televisões, servem para confronto de ideias entre as diversas candidaturas…elas devem ser representadas pelos seus líderes. No caso de uma coligação, é natural que não faça muito sentido uma dupla representação. Compete à coligação decidir qual o melhor líder para determinado debate.

2 – Independentemente dos números e da sua contradição, quer seja em incêndios, em área ardida ou em número de bombeiros feridos…alguém viu a senhora ministra Anabela Rodrigues na chamada “frente de combate”? Não havia combustível para o carro oficial…ou a governante teve receio de que o fogo se propagasse ao seu vestido?
António Bondoso
Agosto de 2015


2015-07-28

A PROPÓSITO DOS 8O ANOS DA RÁDIO...(e do hino comemorativo)

Foto de António Bondoso
(Texto de 2010)
A RÁDIO EM PORTUGAL ESTÁ QUASE A COMPLETAR 80 ANOS...
...MAS AINDA NÃO TEM  MARCADA  A DATA DA SUA MORTE !

=================
Anunciada ciclicamente – a televisão, a internet, a era digital – a morte da “rádio” tem vindo a ser adiada, não por milagre, antes pelo combate e pelo empenho na capacidade de adaptação aos novos tempos. Mas não bastam as novas tecnologias, não é suficiente “arrumar” tudo ou quase tudo no disco rígido de um moderno computador. É preciso que a rádio volte a estar com as pessoas e que tenha gente dentro! Que seja capaz de pensar e de reflectir e que saiba provocar no auditório a capacidade de dialogar, discutir serenamente e reagir aos desafios.  
Cinco anos e alguns meses depois de ter sido praticamente “empurrado” para uma aposentação precoce (hobby desde 1967- profissional desde 1973) com 55 anos de idade, continuo a pensar que o “segredo” da rádio está nas pessoas. Em profissionais competentes, imaginativos e criativos – para além de cultos, naturalmente – e em ouvintes interessados, pensantes e motivados. E nos sons! Na música que acalma e apaixona, no discurso simples e claro das vozes que animam, mas sobretudo no plano superior das entrevistas e das reportagens que falam de coisas sérias, no plano superior da imaginação e da criatividade com ética.
Algumas vezes a rádio é um silêncio feliz, mas muitas outras pode ser um ruído profundo, provocador, inquieto e perturbador.
Tudo isto é real nos capítulos do meu livro que vai estando cada vez mais perto, apesar da lentidão com que vou passando para o tal disco rígido as ideias – minhas e dos meus amigos – sobre como foi a rádio e como deveria ser hoje.
A Rádio, para mim, prossegue sendo uma guitarra freneticamente manipulada por Jimmy Hendrix ou docemente acariciada por BB King, das quais podem sair notas de um afro-americano rock de Harlem ou de um afro-americano blues a caminho de Memphis – onde já destruíram a magia da Rua Beale. A rádio e a música de sentimento, a rádio e a voz de protesto, a rádio da memória escrava, a rádio da sensação libertadora.
A Rádio, para mim, vai sendo a memória da magia do microfone, a magia dos sons, a magia do que fica para além do alcance da imaginação, a magia que permanece no estúdio, no “pick-up” que roda em 45 rotações a voz de Franck Sinatra ou um LP/33 de Maria Bethânia, a magia da “fita” onde se gravaram as impressões de uma conversa amena entre Igrejas Caeiro e Aquilino Ribeiro ou entre Fernando Pessa e Almada Negreiros, a magia do “cartucho” onde se alinhavam spots publicitários anunciando as virtudes da brancura do skip ou apelando à presença na Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios.
E a magia da distância que a onda curta e o transistor resolvem, como estar às portas do deserto entre a Tunísia e a Argélia e poder ouvir as notícias de “casa” ou o relato de um Sporting-Porto em Alvalade...praticamente em cima de um camelo. Ou estar na Ilha de Moçambique, de noite e sem energia eléctrica – à luz de uma vela apenas – e receber as sensações de um outro jogo de futebol no desaparecido Estádio das Antas.

Como dizia o publicitário Bob Schulberg em 1989 – o ano da queda de mitos e muros – “ a televisão não é ruim, mas a Rádio é mágica. Se a televisão tivesse sido inventada antes, a chegada da radiodifusão teria feito as pessoas pensarem:- que maravilhoso que é a Rádio! É como a televisão, só que nem é preciso olhar!”. 
=== António Bondoso
Jornalista
PS: O hino agora gravado, para corresponder à grandeza da data, deveria ser mais VIBRANTE!