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2020-08-21



À volta de mim...e do mundo!

Na consulta das minhas «memórias» no “face” – e porque é Agosto – apareceu-me uma referência à ilha do Príncipe, em STP. Ali, no Equador, o mês é de festa rija, com a celebração de S. Lourenço e do Auto de Floripes (ou Florípedes).
         Talvez não por acaso, foi a altura escolhida para a tomada de posse do novo Presidente do Governo Regional, Felipe Nascimento, após a renúncia de José Cassandra. O jovem e promissor político soube anunciar a continuidade da modernização do Príncipe e, sobretudo, revelar que a política se faz de sonho, de visão, de capacidade de realização e colocando as pessoas no centro das preocupações. Que não lhe falte qualquer desses itens e coragem para atuar.
         Não se deixe intimidar ou diminuir pelo facto de Santo António ser a cidade mais pequena do mundo, capital da ilha mais pequena do segundo mais pequeno país do mundo. Os cidadãos do Príncipe agradecem. E sabem reconhecer um trabalho sério.
         Com a saída de José Cassandra, houve de imediato quem visse nessa atitude uma «mais que certa» candidatura às próximas eleições presidenciais de S. Tomé e Príncipe, em 2021. As «vozes» da intriga e da chicana política já se calaram…agora que «Tozé» Cassandra revelou ir dedicar-se à família por algum tempo, para além de considerar que não quer ser apenas mais um Presidente. É preciso ter projetos que dignifiquem a função. Afirmando o seu apoio ao jovem Felipe Nascimento, «Tozé» lamentou ainda “não ter conseguido executar três projetos que propôs realizar durante os seus mandatos: um porto acostável, deixar a funcionar as energias renováveis e a amarração do cabo submarino à ilha do Príncipe”.
         Esvaziando as tais «vozes críticas»…fica, no entanto, uma questão que – não sendo inédita ou exclusiva de STP, pois a ignorância e a xenofobia pululam por esse mundo fora – levanta alguma perplexidade no tempo que já levamos deste século XXI. Mais do que rivalidade «inter ilhas», sempre existiu um certo preconceito dos naturais de S. Tomé para com os habitantes da ilha do Príncipe. A alcunha pejorativa não deixa dúvidas: - moncó ou monko na novel ortografia!
         O Pedro Carvalho, meu amigo no facebook, postou hoje exatamente um comentário crítico relativamente a esse preconceito, depois de ter ouvido «alto e bom som» alguém dizer que “jamais votaria num monkó para ser Presidente de São Tomé e Príncipe”. Contudo, o que mais parece ter doído nessa postagem terá sido o facto de a pessoa que proferiu a alarvidade não ser uma pessoa qualquer. A pessoa em questão até já exerceu um cargo político de alguma relevância na República. De facto, diz Pedro Carvalho no seu texto crítico, isso é o espelho da clivagem e de muitas assimetrias disfuncionais que ainda persistem.
           Independentemente disso, há o tal pormenor da «memória» que referi no início deste meu texto. Agosto e as festas em honra de S. Lourenço e mais a representação teatral que enche as ruas da cidade de Santo António: o Auto de Floripes ou Florípedes. Por essa altura tive a felicidade de lá estar, nesse ano da graça de 1966. Quem nunca lá foi, perdeu um momento único. Éramos oito e fomos à aventura. Falo disso no meu blogue, em texto de há sete anos, citando e promovendo as vivências de Carlos Dias e de Goreti Pina.
         Consulte o link:
António Bondoso
Jornalista
Agosto de 2020.

2020-01-06


RUMO AO SUL em mares já muito navegados…ou a maior viagem do navio-escola Sagres, quer em duração, quer em distância – nos seus 82 anos de história 


RUMO AO SUL em mares já muito navegados…ou a maior viagem do navio-escola Sagres, quer em duração, quer em distância – nos seus 82 anos de história – para recordar ao mundo «perigos e guerras esforçados…mais do que prometia a força humana, (…) e outros em quem poder não teve a morte (…)». O comandante da Sagres, Maurício Camilo, assinalou que esta viagem “vai ter a maior tirada da história do navio, que serão 32 dias a navegar, entre o Taiti e Punta Arenas”. 
         Ao ouvir e ao ler isto, veio-me à memória um escrito brilhante do chileno Francisco Coloane, natural de Quemchi – Chiloé – no sul do país e filho de um marinheiro, com quem tive o prazer de conversar telefonicamente há mais de 20 anos (juntamente com a minha camarada da Rádio Macau Joyce Pina), escrito a que deu o título de «O Último Veleiro» para homenagear a última viagem do navio-escola BAQUEDANO até ao cabo Horn. 


Coloane, que Luís Sepúlveda considera o seu mestre na arte de contar, foi jornalista e um dos maiores escritores chilenos, deixando-nos outras obras como Terra do Fogo, Terra do Esquecimento, A Voz do Vento, Cabo Hornos ou O Caminho da Baleia – as quais retratam de forma vigorosa a geografia social e humana das longínquas terras e mares por onde navegou Magalhães para chegar ao outro lado do mundo, antes de ser morto em Cebu, uma das inúmeras ilhas das Filipinas.
         Neste «O Último Veleiro», no capítulo “De Punta Arenas Até La Tumba Del Diablo”, Coloane descreve uma viagem em sentido inverso ao de Magalhães, dizendo que a Baquedano “…deu a volta ao cabo Froward, abrupta extremidade que assinala o fim da parte continental do Novo Mundo,e, passado o Farol San Isidro, numa manhã de Inverno, avistou a bonita cidade de Punta Arenas, com quarenta mil habitantes, situada nas margens do estreito de Magalhães, frente à lendária ilha da Terra do Fogo. (…) A cidade, reclinada no sopé da península de Brunswick, surgiu completamente branca de neve, como se fosse uma fantástica metrópole de mármore».
         Pois vai ser também por ali que o navio-escola Sagres vai navegar, nesta reedição da viagem de circum-navegação que Fernão de Magalhães iniciou há 500 anos, ao serviço de Espanha. O navio vai passar por 22 portos de 19 países, prevendo-se que visite 12 cidades da rede mundial de Cidades Magalhânicas antes de regressar a Lisboa em 10 de Janeiro de 2021.

Pode acompanhar o rumo da Sagres, aqui: https://www.facebook.com/groups/2369641546620781/?fref=mentions
https://www.facebook.com/groups/2369641546620781/?fref=mentions



António Bondoso
Jornalista
6 de Janeiro de 2020