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2023-07-12

 https://youtu.be/yL2s5jI6oZs


São Tomé e Príncipe.
12 de Julho. 48 anos depois.

EM TEMPOS DIFÍCEIS...A ESPERANÇA


Todos os dias me lembro da terra, todos os dias me recordo do mar, todos os dias revejo o sorriso das crianças à espera, todos os dias há um rosto de esperança. Apesar de tudo...um eterno modo de ser e de estar!

💙







2023-01-30


O MASSACRE…E A SOMBRA! Ou de como se assinala este ano o 70º aniversário dos acontecimentos de humilhação e de violência gratuita em Fevereiro de 1953, em S. TOMÉ, CIDADE, BATEPÁ, FERNÃO DIAS e  PRÍNCIPE, quando a morte saiu à rua: 


Da Web

--- «(…) O passado histórico não se vive todos os dias, mas vive-se eternamente. Porque há que lembrar!...E não se pode consentir que se repita». É uma síntese com um forte poder simbólico que me é transmitida por Frederico Gustavo dos Anjos, licenciado em Estudos Alemães mas que é sobretudo Poeta e ensaísta santomense.

--- «(…) a celebração do 70º aniversário do “Massacre de Batepá” no corrente ano será num quadro de elevadíssima tensão política, com uma sociedade dividida, temerosa, desesperançada, ao ponto de, sem rodeios, questionar a soberania.(…)»:- Alcídio Montóia, economista e pensador santomense, igualmente em testemunho a este meu blogue PALAVRAS EM VIAGEM.



O MASSACRE:

A.B. - Massacre, Revolta, Inventona ou “Guerra Inventada” pelo regime colonial português em S. Tomé e Príncipe em Fevereiro de 1953, à espera de que a memória do novo país vire a página negra e a catarse se feche. Mas a efeméride acontece num clima de tensão, nada favorável a um momento reflexivo. Pode deduzir-se dessa frase que Alcídio Montóia me escreveu, depois de aceitar o “desafio” que lancei nos seguintes termos: Dos 70 anos passados sobre a «revolta/massacre» de 1953, mais de metade já o foram depois da independência. Pode afirmar-se que a «data» é uma etapa já exorcizada pelo país, pelos dirigentes e pela população? Ou ainda não foi possível concluir a catarse?

ALCÍDIO MONTÓIA. - Enquanto houver testemunhas vivas dos nefastos efeitos dos grotescos acontecimentos de fev'53, dificilmente a catarse poderá ser dada como fechada. Por outro lado, tendo os acontecimentos de 1953 espoletado sentimentos soberanistas, que culminaram com a independência em 1975, agravados pela constatação de que a justiça não foi feita (Gorgulho não foi julgado e muita documentação ainda está como classificada ou extraviada) e perante o fraco desempenho económico e social do país nestes quase 50 anos de independência; há uma preocupação da classe política em manter esse episódio muito presente e sistematicamente revisitado, dado que é praticamente o único que ainda consegue agregar toda a sociedade e trazer para o presente os fantasmas do colonialismo. 


Da Web - Monumento aos Mártires de 1953

A SOMBRA:

A.M. - Ainda assim, perante os bárbaros acontecimentos de 25/11/2022 e a constatação de que, afinal, a capacidade para, gratuitamente, praticar o mal não é um exclusivo do colonialismo e a crescente cristalização na opinião pública do conceito de “colono forro”, assiste-se, de certa forma, a um relativizar dos acontecimentos de 1953 e a trazer à baila, ainda que em surdina, os “inconfessados pecados” da elite forra que alimentaram o clima de desconfiança entre a governação portuguesa e os ilhéus em 1953.

A.B. - Que fatores mais têm contribuído para isso? E o «ensino/aprendizagem» da História?

A.M. - Consequência de ter sido, durante décadas, objeto de exploração exaustiva para fins políticos e como agregador de uma consciência nacional que tarda em se afirmar, proliferam descrições mal fundamentadas do massacre, com impacto negativo sobretudo nos mais jovens. Enquanto subsistir esse peso estrutural do “Massacre de ‘53” na definição da nação, dificilmente o tema poderá ser abordado de forma factual e despido das emoções necessárias à afirmação da identidade.

De resto, a celebração do 70º aniversário do “Massacre de Batepá” no corrente ano será num quadro de elevadíssima tensão política, com uma sociedade dividida, temerosa, desesperançada, ao ponto de, sem rodeios, questionar a soberania. Muito possivelmente, a classe política, ladeada pelos “pais-fundadores-da -nação”, receosa da reação popular, apavorada e, muito provavelmente, ainda sem conhecer as conclusões do inquérito judicial aos acontecimentos de 25/11/2022; aproveitará a ocasião para ensaiar discursos pouco convincentes de reconciliação e de apaziguamento de espíritos. Veremos como será.


Da Web - Mortes em 25 Nov. 2022

A.B. – Por sua vez, FREDERICO DOS ANJOS não sobrepõe os acontecimentos de 1953 e de 2022, salientando que o recente 25 de Novembro foi “tão somente um momento de «perversão», embora também condenável e irrepetível”:

F.G.A. – São momentos históricos diferentes com contornos cada um deles únicos. Páginas de sangue e luto não se "apagam" com o tempo. Pode acontecer que se "referenciem" diferentemente através de gerações já que a cultura evolui no tempo, mas não deixarão de ser  marcos sobre os quais o futuro se edifica retomando sempre o simbolismo do que não se deve repetir. Sobre isso não há espaço para dúvidas: "non na ka pô kunxintxi 53 bilá bi fa." O 25 de Novembro de 2022 é tão somente um momento de "perversão". Também condenável e irrepetível.
O passado histórico não se vive todos os dias, mas vive-se eternamente. Porque há que lembrar!..."

         A.B. - Dos dramáticos efeitos/consequências dos acontecimentos desse longínquo ano de 1953, já largamente investigados – apesar da ideia de Alcídio Montóia de que “a justiça não foi feita (Gorgulho não foi julgado e muita documentação ainda está como classificada ou extraviada) – pouco mais de relevância haverá a acrescentar. Contudo, e como contraponto ao eventual desalento que se vive hoje em S. Tomé e Príncipe, fui recuperar uma recente declaração de Ana Maria Cabral, viúva de Amílcar Cabral, nos 50 anos da morte do líder africano, questionada pela Radio France Internacional sobre o legado de Amílcar e sobre se ainda vale a pena lutar em prol do pan-africanismo: “(…) O mundo já deu tanta volta, está tão estranho e já não tem nada a ver com o mundo daquela altura. Mas acho que vale sempre a pena lutar pelo pan-africanismo, porque há muitos tabus ainda a vencer. Foram muitos anos de colonização em África, há muitos preconceitos ainda sobre África, de maneira que é preciso lutar contra tudo isso, contra todos esses preconceitos, essas alienações, digamos assim, das quais os africanos ainda não conseguiram libertar-se. (…)”. 

Da Web- Monumento aos Mártires de 1953.

António Bondoso

30 de Janeiro de 2023.

Complementos da História em vídeo:

https://youtu.be/ubfAX8QdDd0







 

2022-11-07

De súbito…veio-me à ideia de que havia lido, algures, um «Poema» datado de 7 de Novembro. Não há muito, claro, pois a memória está ainda fresca. E o livro à mão, sem esforço. É que o dito tem sido um dos mais recentes na mesinha de cabeceira. O poema tem por título “O Velho calhambeque” e faz parte de «Chuva de Prata», que a poetisa santomense Alda Barros fez publicar na Chiado Editora em 2019. 


Alda Barros 

         Depois de conferida a ideia, lembrei-me igualmente de que estamos quase a assinalar a data da independência de Angola. É com poesia, portanto, por ela e através dela, que desta vez abordo o tema. Pelo menos uma aproximação. De Angola e do «espaço lusófono», como veremos. E justifico de forma simples por dois ou três motivos: embora Alda Barros tenha nascido em S. Tomé e Príncipe, também viveu e estudou em Luanda – Jornalismo e Relações Internacionais. Uma compatibilidade interessante do ponto de vista profissional e académico. Alda Barros, recordo, fez parte de um grupo de jovens jornalistas que fundou em STP o jornal “Revolução” – o primeiro do novo país independente. Depois, Luanda de novo, onde iniciou a sua carreira profissional no PNUD das Nações Unidas. Ainda outros «postos» da ONU, quer em Timor-Leste, quer na Guiné-Bissau, com uma breve passagem pelo Burundi. Uma outra razão – e já com o livro como objeto – tem a ver com o «prefácio», da autoria do angolano Lopito Feijó, e que ele intitulou como segue: “ALDA BARROS: PARA UMA OUTRA DISTENDIDA PROPOSTA POÉTICA LUSÓFONA”. Pela sua leitura da obra, Lopito Feijó destaca “Alguma guineensidade. Patente angolanidade e até algo de moçambicanidade mas, acima de tudo a visível santomensidade (…). A autora condensa aqui vários motivos de identidade comum a todas as culturas e povos dos países cultores da língua portuguesa”. De facto, o livro viaja por tudo isto e, embora os poemas não precisem de ser explicados – Almada Negreiros diz mesmo que a Poesia não aceita intermediários, é direta – a autora achou por bem colocar algumas notas nas páginas iniciais. Não tanto para falar dos poemas, mas sobretudo para evidenciar a felicidade que se tem quando beneficiamos de um tempinho para amar, escrever, inventar ou até reinventar um espaço temporal que nos dê prazer. Por isso as palavras que, “vindas do coração e ditas com alma nunca nos causam arrependimentos”, e por isso as histórias contadas. Neste caso, em forma de poemas. 



         E é assim que “O Velho calhambeque” nos traz à memória os musseques de Luanda, onde a sobrevivência é difícil, mesmo com uma caneca de «nguem-nguenha»; ou “Um pesadelo bom” nos fala do sonho de uma refeição quente, de muito amor e do cheiro forte da «kissângua de milho».

         Este meu texto, que não pretende ser uma recensão – longe disso – significa apenas felicitar Alda Barros pela sua obra em crescimento e agradecer a frescura do seu sentir em Chuva de Prata. Obrigado Alda Barros pelo seu «Grito» em Santa Catarina; grato Alda Barros por nos trazer a memória da Trindade e do baú onde moram segredos; obrigado pelos «descaminhos» onde nos diz que o poema é penumbra, encanto, mas também suor e pudor; grato por nos oferecer ainda «Beijos trocados no carnaval» em Quifindá. 


Apresentação do livro na sede da UCCLA

         Quem quiser perceber tudo isto, nada como adquirir “Chuva de Prata”. Chiado, 2019.

António Bondoso

Jornalista e Mestre em Relações Internacionais. Poeta nos «intervalos».

Moimenta da Beira, 7 de Novembro de 2022.   














 

2022-10-14

 

            Um adeus ao Álvaro Trigueiros. 

                                         

Uns anos mais antigo do que eu. Familiar de muitos Amigos meus e amigo de muitos outros amigos. Nunca privei muito com ele, a não ser quando a Rádio me deu essa oportunidade. De falarmos, pouco, mas sobretudo de o ouvir a cantar. Quantas vezes ao vivo, durante os convívios, festas ou bailes, nomeadamente no salão do Benfica. Álvaro Trigueiros – Sum Alvarinho no mundo artístico – era humilde mas interventivo, sociável e respeitador, como era condição geral dos «Filhos da Terra». E cantava bem, com muita energia. Para quem não entendia a Língua Forra de STP, a maioria das letras das canções não lhes tocava. Era sobretudo o ritmo e a alegria que transbordavam. Viu o seu país ser independente, como desejou, mas interventivo, respeitador e de caráter, nunca deixou de ser crítico do rumo que os novos políticos foram dando às suas Ilhas. E saiu, continuando a ser «ele» nesta terra longe, fria mas acolhedora. Danilo Salvaterra chamou-lhe hoje visionário e combatente: “Sum Alvarinho como era conhecido deixou-nos levando o sonho de algum dia ver S.Tomé e Príncipe melhor. (…) Fez da música a sua arma de combate. Uma das vozes mais criticas e visionária, irá contemplar desde às Alturas, o que seremos capazes de fazer”.

Para trás ficou o grupo «Maracujá», fundado por ele e pelos irmãos Morais [Américo e Alexandre] de Santo Amaro, tal como as canções emblemáticas “Zozé Lóvè”, “Vida D’homé Sá pintenxa” [alô meu irmão Luís Moura!] ou “Tindádji”. Lúcio Neto Amado, na sua obra «MANIFESTAÇÕES CULTURAIS SÃO-TOMENSES» cita por exemplo Albertino Bragança que recorda a rivalidade entre o Sporting Clube de São Tomé e o Sport São Tomé e Benfica, «…não só no plano desportivo como no espectro político em que cada um se situava, O Maracujá criou ainda assim um espaço próprio na música são-tomense dos finais dos anos cinquenta e na década de sessenta [século XX] através de composições que ganharam inegável popularidade na sua época».

         Conceição Lima recorda hoje por exemplo “53 ni San Tomé” e “Cacau é ouro, é prata e diamante”, mas particularmente “Sun Américo”. Para Álvaro Trigueiros, a música era, portanto, «Vida»!

         Até sempre Sum Alvarinho, receba um abraço e saiba que – tal como para mim – S. Tomé fará sempre anos, independentemente do antes e do depois.

                                              


António Bondoso

13 Outubro 2022.

https://www.youtube.com/watch?v=4GilPKDH1SA&feature=share&si=ELPmzJkDCLju2KnD5oyZMQ


2022-07-14

UMA «CHEFE» E UMA AMIGA DE MEIA VIDA…ou de como a sua “partida” nos coloca em choque.

E mais uma vez a Rádio. Porque ficámos sem mais uma camarada. E quando a Rádio perde um dos seus, perdemos todos um pouco de nós. Foi o final da etapa da vida para a Maria Manuela Borralho. A Manela, simplesmente. 



Conheci a Manuela Borralho em S. Tomé e Príncipe em finais dos anos de 1960, no âmbito do processo de transição do Rádio Clube para Emissor Regional da ex Emissora Nacional. De todo o vasto “elenco” da ex-EN empenhado nessa tarefa [Fernando Conde, Engº Freire, Sebastião Fernandes e Guilherme Santos, por exemplo] sobraram e permaneceram duas Amigas de grande nível, elevação escorada numa humilde competência e numa simpática simplicidade: A Maria Emília Michel e a Manuela Borralho. Por circunstâncias e peripécias diversas, o meu trajeto acabou por se cruzar diretamente com o da Manuela. Quer na «Coordenação de Emissão e Programas», com a companhia da Arminda Viana e da Lurdes Brandão, quer no «Serviço de Noticiários», onde já pontuavam os mais antigos Raúl Cardoso e Daniel Pinho. Isto, já depois de alguns meses de uma «ausência voluntária» da minha parte e também de um afastamento «obrigatório» devido ao serviço militar – primeiro em Angola e depois em STP. Resolvidos os «constrangimentos» em 1973, consolidaram-se o respeito e a Amizade mútuos. 



         Regressei a Portugal em Outubro de 1974, a Manuela só voltou em 1975 depois da independência de STP. Eu no Porto, a Manuela em Faro, o trabalho direto não nos juntou mas nunca deixámos de trocar ideias. Para além disso foi a Amizade – sobretudo no tempo de férias, no Algarve, acompanhados por outros camaradas como o Carlos Cardoso, o Livramento e o Humberto Ricardo. Ou então, nos convívios da Rádio que se seguiam por este país, sempre com o pensamento em S. Tomé e Príncipe. 









         E com o passar do tempo…veio a aposentação, embora se tivessem mantido o convívio e a Amizade. O afastamento, involuntário, viria muito mais tarde com a doença. Apenas os telefonemas nos mantinham em contacto, exceto a última vez que tentei – talvez há três semanas – para saber como íamos enfrentando a «pandemia». 



         A Manuela Borralho, por tudo isto, é outra das «Figuras da Minha Vida». E esta não é a «despedida» que havíamos planeado. Competente, afável, de uma serena firmeza no trabalho, Amiga para sempre! Foi meu privilégio. Até sempre «Chefe». 



E porque há ainda amigos e camaradas de muitos anos que merecem estar com eles sentado à mesa de um café.

«Há gente que chega

e se perde

na voragem de ver

os verdes e os vermelhos da vida

esquecendo

o sol e o céu azul.» 

(=== Ant. Bondoso. Maio de 2019 ===) 


14 de Julho de 2022.

António Bondoso. 









 

2021-11-27

S. TOMÉ E PRÍNCIPE TEM HISTÓRIA.

SOBRETUDO A DESCONSTRUÇÃO DOS MITOS…ou uma forma didática e pedagógica de apresentar um livro da e sobre a HISTÓRIA DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE

Capa

Foi o desafio que motivou Armindo Silvestre de Ceita do Espírito Santo, uma vez que – segundo o autor – “não existia um livro de história de STP, sendo este o primeiro. O que havia, e há, são uns poucos livros que abordam  matérias de história de STP (alguns com profundidade) que, de resto, por serem obras académicas, são praticamente inacessíveis aos estudantes e interessados no conhecimento da história de STP.” Por isso, diz-me, o livro tem uma narrativa diferente da que se encontra habitualmente em outras obras. 


Foto da Web - Tela Non

Sabemos, por outro lado, que uma «História» nunca é definitiva, sobretudo a dos países e do seu relacionamento. Por muito que as «fontes» permaneçam, há sempre a tentação de uma nova leitura. Mas Armindo Espírito Santo disse a este blogue «Palavras Em Viagem» que a sua “linha de investigação não se afasta da linha conhecida, sobretudo da portuguesa. Há certamente algumas opiniões diferentes, uma visão do economista sobre a história, mas isso não significa uma linha de investigação diferente em busca de novas verdades. Por outro lado, o livro baseou-se, essencialmente, nas fontes já conhecidas. Introduz alguns elementos novos (poucos) como é o caso da cobra preta que novos avanços científicos recentes (2017) demonstram que é nativa, e não introduzida pelos portugueses, como se argumentava. Por outro lado, discute a questão das crianças judias, sobretudo as causas da morte de um elevado número em tão pouco tempo.” A investigação, reforça Armindo Espírito Santo, “levou-me sobretudo à desconstrução dos mitos; às causas das mortes das crianças judias; aos motivos dos vários conflitos de toda a ordem, que nada têm a ver com os atuais conflitos”.


Contracapa

  O autor desta «História de S. Tomé e Príncipe», que é investigador do Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA/ISEG-UL) e presentemente investiga história, cultura e economia de STP, do passado ao momento atual, acrescenta que o seu trabalho foi realizado de forma autónoma, sem ajudas de qualquer organismo público ou privado – quer em Portugal, quer em STP.

Apesar disso, destaca que este livro é o primeiro de três que espera publicar sobre história, economia, cultura e demografia (sobretudo a evolução da população)  de STP. O próximo pretende cobrir o período compreendido entre meados do século XIX a Dezembro de 1974 (fim do regime colonial - 2ª colonização). O último estender-se-á até à atualidade e vai do período de transição política até aos nossos dias.


Da Web - Programa Nós Por Lá

A apresentação desta “História de S. Tomé e Príncipe” vai estar a cargo do historiador português Arlindo Caldeira, consensualmente considerado nos meios académicos como aquele que melhor conhece a História do período moderno de STP, entre os séculos XV e XVIII.

O evento vai decorrer no dia 29 do corrente, 2ª feira, pelas 18h00, no auditório da UCCLA em Lisboa – sito na Av. Da Índia, nº110. 


Convite

António Bondoso

Novembro de 2021. 









 

2021-07-14

S. TOMÉ E PRÍNCIPE – um «quadro pintado para todas as cores» em tempo de eleições presidenciais. Ou as respostas que não chegaram!



Mil quilómetros quadrados, 200 mil habitantes, 120 mil eleitores, 19 candidatos = 3 mulheres e 16 homens!

         De todos estes, conheço apenas dois há muitos anos. Dos tempos de juventude vividos nas ilhas: Posser da Costa e Carlos Neves. Dos outros, apenas as referências do cotidiano, particularmente notícias relacionadas com a atividade pública de cada um ao longo dos anos.

         Sobre Posser, devo dizer que tenho um grande respeito pela memória de seu pai – o velho Celestino – uma figura querida de muitos jovens santomenses – particularmente nas décadas de 1960 e 1970 – ao serviço do desporto, quer no Benfica de S. Tomé, quer no Ginásio. Confidente e mentor dos jovens sobretudo praticantes de andebol, basquetebol e voleibol, Celestino Costa foi senhor de boa educação, bom senso, de um trato irrepreensível. Respeito igualmente a memória do seu irmão Celestino, o primeiro-ministro que conduziu a transição para o multipartidarismo entre 1988 e 1991.

         Sobre Carlos Neves, há uma amizade consolidada há muitos anos, quer seja no tempo em que desempenhou as funções de embaixador em Portugal, quer seja no período da mudança, no qual desempenhou papel preponderante na eleição presidencial de Miguel Trovoada, quer ainda nas conversas frequentes para ir acompanhando a situação política no país – nomeadamente no «golpe» de 1995, estava eu em Macau. Para além disso, e não é pouco, há também a circunstância de Carlos Neves ser tio da minha prima Carla, filha do meu primo Beto – entretanto já falecido – e que foi guarda-redes no Sporting de S. Tomé durante alguns anos. 

         Se gostaria que algum deles viesse a ser eleito? Claro que sim. Mas já lá irei. É ponto assente que não será fácil, perante uma sociedade altamente bipolarizada e condicionada pelas mais diversas razões, uma das quais está já enraizada – o tradicional «banho», traduzido em benesses várias como por exemplo o “djêlu” ou “jêlu”. «Vemos rios de dinheiro cuja proveniência se desconhece», disse há dias a jurista Celisa Deus Lima, citada pela DW. Outras notícias, ou melhor, rumores [o País é pródigo em boatos desde há séculos], especulam com dinheiros que poderão ter origem na venda de terrenos para a tão polémica e já muito contestada plantação de canábis.

Mas, por agora, detenho-me na ideia de que – numa perspetiva de buscar algum esclarecimento sobre o pensamento de futuro para o país – propus a cada um deles tópicos para uma pequena entrevista. Se Carlos Neves foi pronto a responder, e a entrevista foi publicada no meu blogue no dia 1 de Março [pode consultar no link abaixo], já Posser da Costa entendeu não dever responder. Prometeu e repetiu…mas falhou sempre. E apenas por uma questão de ética não coloco aqui as perguntas que formulei em Abril ao candidato Posser da Costa.

Deixo à consideração de quem vota. 



António Bondoso





 

2020-09-18

A MULHER SANTOMENSE/SÃO-TOMENSE EM PORTUGAL…e esse caminho longe!

“A saudade é uma distância que dói porque não é acessível”.

“Carregamos a saudade de gente que nos fez bem…e por vezes dói”.

Duas ideias que marcam pessoas diferentes mas que manifestam idêntica emoção quando se fala do país distante.

Duas mulheres de S. Tomé e Príncipe, na diáspora em Portugal, a propósito do Dia da Mulher Santomense que se assinala a 19 de Setembro. 



Independentemente do simbolismo da data, que vai ser comemorada a preceito e com dinamismo – como saberemos mais à frente – há sentimentos e emoções na comunidade que traduzem uma forte ligação às ilhas encantadas do Golfo da Guiné. E foi por aí que tracei o caminho, solicitando pequenos depoimentos sobre a saudade da «terra» e sobre a perceção que têm do país à distância.

         E se a saudade «não é mensurável» por vezes – como são os casos da Áurea Graça Amorim, da Mena e da Nanda Teixeira, ela também é «infinita», por outras, por exemplo para a Maomé Cravid e Milé Albuquerque Veiga. Em qualquer caso, foram vivências únicas para Conceição Beirão Carvalho, que as recorda sem «saudosismo doentio» e podem ser analisadas sob vários pontos de vista – como sucede com Maria José Rebelo: “é uma ausência de algo que já passou” e “também é uma questão emocional. Carregamos o peso de algo invisível e por mais que se diga que se mata a saudade, ela está dentro de nós”. No fundo, reforça a Mena Teixeira, há uma «saudade boa dos cheiros, dos sabores, da presença e da ausência».

         E é nesta ambivalência da presença e da ausência que se coloca a questão da perceção do país à distância.

         A Maomé, por exemplo, diz ter «um sentimento de pertença, resignação e amor incondicional» enquanto a Nanda Teixeira refere “a percepção de um país muito frágil, com inúmeras carências a todos os níveis”. A Áurea diz  que «a perceção do país à distância é impossível» mas a Milé Veiga afirma ter uma «perceção permanente, buscando informação por via dos média». Para Maria José «não podemos caminhar para São Tomé. Não há caminho. É preciso voar ou fazer viagem de barco». Por isso dói tanto a saudade. Tal como a Milé, igualmente a Conceição Beirão procura manter-se atualizada e cita Francisco Tenreiro:- “longe…apenas nas milhas”! O tempo, diz, ainda é de brumas: - «Quisera poder sorrir de júbilo, mas, infelizmente, ainda não chegou esse tempo há muito acalentado. A brisa fresca de Abril de 1974 demora a dar o ar da sua graça».

         45 anos depois da independência de STP, já era tempo de sentirmos soprar a «brisa fresca». Contudo, Conceição Beirão regista com enorme satisfação o papel da mulher santomense na diáspora, reconhecendo que «ser santomense em Portugal, apesar das vicissitudes, é arar em terra fértil. Portugal é o país mais hospitaleiro do mundo». Por isso, deixa a maior e a mais respeitosa vénia à “MenNon” (Associação das Mulheres Santomenses em Portugal, a comemorar 10 anos de vida) pela «generosidade e presença admirável, onde a escuridão turva o presente e tolhe o futuro, bem como a todas as que, de uma ou outra forma, continuam a fazer a História Nacional».

Muito grato a todas as que, sendo solicitadas a participar nesta minha ideia, o fizeram prontamente. Longa vida à “MULHER” de S. Tomé e Príncipe em todo o mundo!



António Bondoso                                                                        

18 Setembro 2020.


 

2020-08-21



À volta de mim...e do mundo!

Na consulta das minhas «memórias» no “face” – e porque é Agosto – apareceu-me uma referência à ilha do Príncipe, em STP. Ali, no Equador, o mês é de festa rija, com a celebração de S. Lourenço e do Auto de Floripes (ou Florípedes).
         Talvez não por acaso, foi a altura escolhida para a tomada de posse do novo Presidente do Governo Regional, Felipe Nascimento, após a renúncia de José Cassandra. O jovem e promissor político soube anunciar a continuidade da modernização do Príncipe e, sobretudo, revelar que a política se faz de sonho, de visão, de capacidade de realização e colocando as pessoas no centro das preocupações. Que não lhe falte qualquer desses itens e coragem para atuar.
         Não se deixe intimidar ou diminuir pelo facto de Santo António ser a cidade mais pequena do mundo, capital da ilha mais pequena do segundo mais pequeno país do mundo. Os cidadãos do Príncipe agradecem. E sabem reconhecer um trabalho sério.
         Com a saída de José Cassandra, houve de imediato quem visse nessa atitude uma «mais que certa» candidatura às próximas eleições presidenciais de S. Tomé e Príncipe, em 2021. As «vozes» da intriga e da chicana política já se calaram…agora que «Tozé» Cassandra revelou ir dedicar-se à família por algum tempo, para além de considerar que não quer ser apenas mais um Presidente. É preciso ter projetos que dignifiquem a função. Afirmando o seu apoio ao jovem Felipe Nascimento, «Tozé» lamentou ainda “não ter conseguido executar três projetos que propôs realizar durante os seus mandatos: um porto acostável, deixar a funcionar as energias renováveis e a amarração do cabo submarino à ilha do Príncipe”.
         Esvaziando as tais «vozes críticas»…fica, no entanto, uma questão que – não sendo inédita ou exclusiva de STP, pois a ignorância e a xenofobia pululam por esse mundo fora – levanta alguma perplexidade no tempo que já levamos deste século XXI. Mais do que rivalidade «inter ilhas», sempre existiu um certo preconceito dos naturais de S. Tomé para com os habitantes da ilha do Príncipe. A alcunha pejorativa não deixa dúvidas: - moncó ou monko na novel ortografia!
         O Pedro Carvalho, meu amigo no facebook, postou hoje exatamente um comentário crítico relativamente a esse preconceito, depois de ter ouvido «alto e bom som» alguém dizer que “jamais votaria num monkó para ser Presidente de São Tomé e Príncipe”. Contudo, o que mais parece ter doído nessa postagem terá sido o facto de a pessoa que proferiu a alarvidade não ser uma pessoa qualquer. A pessoa em questão até já exerceu um cargo político de alguma relevância na República. De facto, diz Pedro Carvalho no seu texto crítico, isso é o espelho da clivagem e de muitas assimetrias disfuncionais que ainda persistem.
           Independentemente disso, há o tal pormenor da «memória» que referi no início deste meu texto. Agosto e as festas em honra de S. Lourenço e mais a representação teatral que enche as ruas da cidade de Santo António: o Auto de Floripes ou Florípedes. Por essa altura tive a felicidade de lá estar, nesse ano da graça de 1966. Quem nunca lá foi, perdeu um momento único. Éramos oito e fomos à aventura. Falo disso no meu blogue, em texto de há sete anos, citando e promovendo as vivências de Carlos Dias e de Goreti Pina.
         Consulte o link:
António Bondoso
Jornalista
Agosto de 2020.

2020-04-04

José Inácio Peres.
Quando a proximidade nos toca, vem a lembrança à memória!

                                                       A partir de foto de Alberto Helder

De S. Tomé e Príncipe, a terra de Francisco José Tenreiro e de Almada Negreiros, o meu país do sul que me envia alegrias pelas ondas do mar e igualmente tristeza – como foi o caso da notícia de hoje, o falecimento de José Inácio Peres, quase a celebrar o 92º aniversário. O Peres que eu conheci por lá em circunstâncias diversas, mas que já não via há uns anos. O Peres da Fazenda, o Peres do Sindicato, o Peres do Benfica e da estrutura provincial do futebol, o Peres do Rádio Clube, o Peres da tipografia – a meio do percurso entre o Lima&Gama e a Farmácia Epifânio. O mesmo Peres que, depois de ter sido promovido na função pública, foi colocado em Moçambique em 1973. Dali regressou a Portugal em 1975 e foi Amarante o seu destino. De Amarante ao Porto é um saltinho, e algumas vezes nos encontrávamos a caminho dos convívios «da malta de S. Tomé». Ou no Bussaco ou no comboio para Lisboa, onde todos os anos se assinala o Dia do Santo.

O José Inácio Peres deixa duas filhas – a Mizé e a Lola – dois netos e dois bisnetos. A todos os familiares e amigos o meu abraço respeitoso. Fica a saudade. 

                                                      A partir de foto de Alberto Helder
                 (reconhecendo o IvoJordão, o Vieira da Recauchutagem e um dos irmãos Mendes)


António Bondoso
4 de Abril de 2020.



2020-03-19

DEZ ANOS À TERÇA…ou o resultado de uma vida de entrega, de trabalho, de ser solidário, de amor, de amizade, de partilha da saudade de «ser» de lá. Carlos Dias escolheu «À Terça» não por acaso, embora saiba que todas as horas de cada dia produzem notícias de longe, trazidas pelas ondas do mar, carregadas de sentidos, antes de a espuma se desfazer nas modernas teclas do computador que as transforma. 


Na terça-feira que passou, pudemos ler o nº 509 do «Notícias à Terça», uma publicação online que o amigo Carlos Alberto Ferreira Dias continua a fazer questão de produzir, com o objetivo de manter uma ligação à terra que o viu nascer e partilhar essa ligação com todos os que amam verdadeiramente as ilhas encantadas do meio do mundo, as ilhas de S. Tomé e do Príncipe, as pérolas do Golfo da Guiné e do Equador, as ilhas do cacau e do chocolate, as ilhas dos sorrisos sempre à espera de um dia novo!
         Cada frase escrita é um safú parido com amor, é um gomo de jaca pacientemente limpo, é uma manga descascada à dentada, é uma carambola encaixada em cada gomo de vida, é uma banana maçã perfeita na palma da nossa mão, é uma fatia de fruta-pão assada no makuku da saudade e da esperança.
         Para a semana, quando lermos o nº 510 do Notícias-à-Terça, teremos celebrado na véspera o 10º aniversário deste amor do Carlos Dias. E nosso, claro! De todos os são-tomenses, nascidos, criados ou vividos. E porquê às «terças»? Segundo o próprio, «não foi possível estabelecer a data em que tiveram início os almoços às terças-feiras que juntam os amigos de São Tomé e Príncipe, naturais ou não, ex-residentes ou em curta estadia em Lisboa. Há mais de 50 anos não há dúvida. Quando em 1963 estive em Lisboa de férias já um grupo ligado a São Tomé e Príncipe se juntava no Rossio, frente ao Nicola, todas as terças-feiras. Ali iam esperando que se juntassem mais uns tantos e partiam para ir almoçar a um restaurante escolhido na ocasião, quase sempre no Parque Mayer. Desse tempo lembro-me do Fonseca do Rio do Ouro, do Baltazar das Plancas, do Ricardo Carvalho da Imprensa Nacional, do Araújo da Curadoria e mais uns tantos. E porquê Notícias? Porque reparei que uma das razões do almoço, além da óbvia, que era estarem algum tempo juntos, e almoçar claro, era a de trocar notícias de outros amigos e da vida em São Tomé e Príncipe. E assim continuou, mesmo quando passaram a ser muitos mais os convivas, aquando do regresso de muitos portugueses na altura da descolonização. Às vezes um ou outro trazia um pequeno apontamento para não se esquecer, ou um jornal, ou um livro … daí o “Notícias” a partir de 23 de Março de 2010. (…)».  
         Já enalteci a persistência, o gosto, o amor, o serviço do Carlos Dias para com o país e para com as comunidades diversas de são-tomenses em Portugal. E correndo o risco de me repetir, não posso deixar de salientar a PAIXÃO pela escrita. Carlos Dias não recebe honorários pelo trabalho que apresenta. Pelo contrário, investe tempo e dinheiro nesta função cultural. Muito para além da informação, muito mais do que o ato de comunicar – o editor do Notícias à Terça assume a prática de, embora não opinando declaradamente, dizer o que sabe, escrever o que sente e quantas vezes explicar o que relata.
         Obrigado Carlos Dias. Mais do que o número…o «significado»!


António Bondoso
Março de 2020.