2013-04-12


O  RECOMEÇO... 

É NECESSÁRIO UM RECOMEÇO... 
É URGENTE UM RECOMEÇO...



(A Publicar).
O RECOMEÇO...

Abril começou de sangue e raiva
E de uma revolta assumida muito antes
Do som das botas militares
A marchar no asfalto das ruas da cidade.

E começou a florir antes dos cravos nos canos da G3
E antes do ruído dos tanques a crepitar nas pedras da calçada.

Abril começou na guerra
E nas palavras censuradas dos poetas.
Abril assimilou os gritos nas prisões
Que de noite, cela por cela
Prolongaram a dor até à madrugada.

Abril começou na emigração clandestina
Na fome das mulheres e de homens alquebrados
Na morte antecipada de visões e de projetos
Em pesadelos inquietos transformados.



Abril irrompeu no nevoeiro
Que escondia o pensamento em liberdade
Abril foi o sol das consciências
Ansiosas  por chegar à felicidade.

E fomos felizes em Abril
E queremos em Abril continuar a ser felizes.

E se o sol não se apagar
Voltaremos a ver as estrelas a brilhar
Antes do tempo destinado à Primavera
E depois dele...
Como se outro tempo não houvera.  
======== António Bondoso (A PUBLICAR)














2013-04-08



A PROPÓSITO DO 120º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DO MESTRE ALMADA NEGREIROS, nascido na Roça Saudade, freguesia da Trindade, S.Tomé. 
«Não pertenço a nenhum sangue de raça
Sou da raça de todos os sangues» (A.N.)

PRIMEIROS BISAVÓS (A publicar).

Aparece

Por cima dos meus olhos

De repente

Visão escrita… ou o refrão da minha prece

E diz simplesmente

Que os primeiros bisavós dos avós  dos meus avós

Eles que depois voltaram a ser avós

Nasceram lá onde tudo acontece.



Provavelmente no sul

Numa África de rios e de mares

Grandes lagos onde o Nilo se alimenta

Níger… Congo… Zaire… Zambeze…

O Atlântico e o Índico em tormenta

Para lá do Cabo onde as fontes são plamares

Agora já secos de uma vida tão azul .



Séculos e milénios de passos e caminhos

O tempo viajou depressa e deixou

Gerações atrás de gerações que se perderam

E hoje não me lembro já de quem amou

Os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós

Se espalharam possuíram e viveram.

  

Caminharam … lutaram  

Pisaram e passaram  as curvas dos escolhos

E seguiram a estrela  dos pais que viram luz

Errando  para além da morte

Nos seus olhos

Até chegar à terra que é do norte

Repousando os pés … nas pedras que calaram  

A voz da música e o silêncio que produz

O pensamento quente dos tambores

Anúncio encomendado dos amores

Dos bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós !


  
E assim se cumpriu o meu destino

E de outros que paridos  tão a norte

Navegaram conheceram  amaram sem favores

Outros mundos novas terras tanto hino

À liberdade, e descobriram antes da morte

Que os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Mereceram, gente comum, elogios e louvores

De sábios senhores mais velhos e de gente como nós !   
     
ANTÓNIO BONDOSO. (2007- A PUBLICAR).


António Bondoso, Abril de 2013.



2013-04-05



***** A minha crónica de hoje no Jornal Beirão, Moimenta da Beira, escrita na quarta-feira (ainda antes da demissão de Relvas e da decisão do TC sobre o OE2013).

A TÁTICA DO QUADRADO...
... os Direitos e Tribunais na CRP, a sua normalidade em vivência democrática e o que realmente preocupa no futuro do país.


Independentemente da decisão que o TC tenha tomado sobre algumas das medidas do OE para este ano de 2013, a CRP – Constituição da República Portuguesa – esteve no centro do debate, de vários debates, nos media portugueses. Não tendo a certeza de estar aqui a aplicar corretamente o sentido da palavra debate (em face do que se leu, viu e ouviu), arrisco todavia na escrita. Nada de mal, caso tivesse sido um debate esclarecedor sobre a letra e o espírito da nossa Lei Fundamental. Contudo, assistiu-se à instauração de uma histeria coletiva a propósito de algumas figuras da nossa cena política com tendências mediáticas.
O caso é que, não estando a CRP suspensa – como tem ressalvado o PR e apesar da “letra morta” que o próprio TC fez da Lei Fundamental em 2012 – o governo não teve coragem para apresentar uma moção de confiança [estipulada no artigo 193º], perante a contestação e a revolta populares – um sinal da perda de legitimidade, não ainda do voto mas do exercício. Recordo o que disse o Prof. Adriano Moreira, o ano passado e já este ano:«É absolutamente evidente que entre o programa oferecido e o programa que está a ser executado não há coincidência e aí começa a perda da legitimidade do exercício». Não se deve estranhar, portanto, que um determinado grupo parlamentar apresente uma moção de censura, tal como prevê o artigo 194º, independentemente de ela ser ou não derrotada. E é bom que a coligação que sustenta este governo não entenda o chumbo desta moção como uma vitória plena. É que, a curto ou médio prazos, ela poderá vir a ser apenas uma “vitória de Pirro”. 
Acresce o facto de que, há muito tempo a esta parte, não se via a esquerda parlamentar a votar de forma tão unânime como agora. Mesmo apesar das típicas “reservas” de Bernardino Soares e do PCP. Essa “unanimidade” não pode deixar de ser um ponto em equação relativamente ao futuro. Uma outra chamada de atenção, do meu ponto de vista, merece o discurso do ministro das finanças no debate suscitado pela moção apresentada na AR. Nítida e preocupantemente alinhado com a alta finança internacional, totalmente submisso ao ultraliberalismo. Implícita na sua mensagem, a necessidade de rever a Constituição, para dar cobertura – como agora soi dizer-se – à narrativa perfilhada pelas doutrinas que defende. Fosse o caso presente, e já o TC não teria razões para existir ou, pelo menos, não teria competência para apreciar a deriva económica e social de um governo, como agora sucede. O que, diga-se também, evitaria aborrecimentos desnecessários ao PR, dispensado, assim, do trabalho de enviar – mesmo que tardiamente – qualquer dúvida de lei ao dito tribunal. O tempo que o TC demorou a analisar os aspetos menos claros da lei orçamental – bem vistas as coisas – não foi assim tão mais alargado do que aquele que o PR teve para se decidir pela utilização do mecanismo de fiscalização sucessiva.
Neste espaço que me concede o Jornal Beirão, já tive a oportunidade de criticar essa hesitação do PR e as suas eventuais consequências, ao dizer nomeadamente que “Ganhou tempo, é certo, mas não sei se perdeu o País! Poderá ficar na História como o novo D.Sebastião!”.
Esperemos que não e que, seja qual for a extensão do chumbo do TC, o país se mantenha a navegar! Independentemente das consequências políticas que a decisão vier a ter. A governação não é da responsabilidade do TC, pelo que – se houver críticas a fazer à decisão – elas apenas se deverão reportar à efetiva morosidade e ao eventual (porque não confirmado) congelamento do anúncio da mesma decisão, para que tal não coincidisse no tempo com a discussão da moção de censura apresentada. A confirmar-se, isso revelaria, no mínimo, uma total falta de independência dos juízes e do Tribunal Constitucional.
Salientando a ideia de António José Seguro, segundo a qual “mais dois anos deste governo seria um pesadelo brutal”, deixo-vos uma nota de reflexão que há bem poucos dias Adriano Moreira apresentou numa conferência em Guimarães sobre o “Futuro de Portugal”, e na qual – mais uma vez – defendeu a urgência da busca de um “Conceito Estratégico Nacional”. Disse nomeadamente o Professor que «A entrada do III Milénio vem desafiada pela circunstância de estarmos fundadamente preocupados com o Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional sem termos Conceito Estratégico Nacional, porque o antigo se esgotou em 1974, nesta Europa que também está hesitante na definição do seu próprio conceito estratégico, abrangida pela decadência geral do Ocidente».
António Bondoso
Jornalista – C.P.359



António Bondoso, Abril 2013.

2013-04-03



AS ESTRELAS...E O ANIVERSÁRIO DA MINHA IRMÃ.



Porque é o aniversário da minha irmã, lembrei-me de repente das estrelas. Porque é lá que moram aqueles que nos deram vida e que muito cedo responderam à chamada inevitável.
Também me chegaram ao pensamento as estrelas, porque na casa dela nasceu uma que depois ajudou outra a iluminar ainda mais o firmamento.
Porque é o aniversário da minha irmã e porque me vieram à ideia todas as estrelas que há no céu – elas que dão vida a este mundo – pensei na estrela que nasceu na minha casa e a aqueceu de muitas ilusões e muitos sonhos. E que agora, tal como aconteceu com a estrela da casa dela, aguarda que uma outra estrela apareça, cintilante, para dar mais brilho às noites que ainda vão passar.
Porque é o aniversário da minha irmã, talvez tenha sido brilhante ter a ideia de chamar mais estrelas de outras casas e dizer-lhe o que elas significam para nós: uma imensidão de vida e de alegria, a somar novas estrelas que vão perpetuar a casa que nossos pais decidiram construir.
Porque é o aniversário da minha irmã, pensei igualmente em multiplicar a liberdade das estrelas e depois dividi-la por nós e pelas nossas casas, numa operação a que darei o nome “felicidade”!  
======= António Bondoso, Abril 2013.



E anexo outras estrelas cintilantes... 

É POSSÍVEL.

As estrelas cintilam porque ardem
Semeando fogo pela imensidão do universo
Infinito repouso de quem segue
Procurando paz
Perseguindo a vida
Para além do firmamento das hipóteses.
====A.Bondoso(A PUBLICAR).

António Bondoso, Abril 2013.

2013-04-02


GENTE SEM PORTE !


GENTE SEM PORTE

Temos um país suspenso
Em agonia de morte,
É já a Lei que se rejeita
Por certa gente sem porte.
E sofre mais quem não suspeita
Que essa gente percebe
E até promove
Traição infame, desonra e dor.
===Pag.19 em O PODER E O POEMA.2012. Ant.Bondoso e Edições Esgotadas.


CAPAS DE:  jornal i e jornal de negócios. 2/04/13
António Bondoso.


2013-03-28


Os passos da minha “Paixão”...



Os passos da minha “Paixão”...

Um a um, cadenciados pelo cansaço das marionetas que me assombram, os meus passos tentam seguir a Via Sacra deste país, hoje, sem perder a Fé mas com a Esperança retalhada. Em cada passo me revejo na desilusão dos jovens que não podem viver a alegria dos seus sonhos; na angústia dos desempregados impedidos de ser úteis ao país onde nasceram; na depressão sobrevivente ao desespero de cada um; na raiva e na impotência dos casais desempregados que já não conseguem alimentar-se para dar alento e vida digna aos seus filhos; na tristeza e na revolta que invade os reformados e pensionistas que – tendo depositado no seu Estado a confiança e boa fé de uma vida de dedicação esforçada – se confrontam agora com responsabilidades alheias, as quais cerceiam igualmente os sonhos de um final de passagem terrena com a dignidade merecida.
São assim estes passos que, apesar de tudo e por tudo isto, me convocam ainda para um último esforço de permanência ativa num país e num mundo em decomposição acelerada, física mas sobretudo na alma e no espírito dos valores humanos, do pensamento, dos ideais e das ideias. O caráter é já cadáver, assassinado pela ganância, pela inveja, pela maldade, pela sede de Poder.
Ao contrário de outros, como escrevi em 2009, tenho “Dúvidas de Vida”: - pensando, sobretudo, em como seria maravilhoso trocar as "amêndoas" de alguns pela saúde e ausência de fome das crianças que sofrem.
   
                      DÚVIDAS DE VIDA
Páscoa
Paixão
Morte e ressurreição
Páscoa
Passos
Caminhos de contradição.
Esta vida é um senão
Perdida mas logo achada
Páscoa
Angústia de sexta-feira
Reconvertida em esperança
Radiosa na mensagem
Que o sábado é de passagem.
Páscoa
Ideia inteira
Balança
Nasce um domingo perfeito
Certeza de muitas dúvidas
De que o nosso mundo é feito.
===== A.Bondoso (A PUBLICAR). 



António Bondoso - Páscoa de 2013.

Texto e Fotos de A.Bondoso.



2013-03-24



HÁ DIAS ASSIM...



ÁGUAS DE MARÇO...

Águas de Março e dos meses passados
Vão trazer Abril e Maio
De cravos molhados
Fazer germinar uma árvore gigante
Com ramos e cores
De magia pendente.
E encher os rios de água corrente
Cristais nos caminhos de um mar distante
Diamantes perdidos
De um sol tardio
Esmeraldas, rubis
Em palavras cobertos
Com todas as letras e pontos nos is.
========A.Bondoso(A Publicar). 




POEMA E FOTOS...de António Bondoso.



2013-03-22

ÁFRICA... E OS (TAMBÉM MEUS) PRIMEIROS BISAVÓS

NOVO ESTUDO
Humanos poderão ter saído de África há menos tempo
por Lusa, texto publicado por Isaltina Padrão (22Mar13 noDN).
Material genético de esqueletos fósseis sugere que os antepassados humanos poderão ter saído de África mais recentemente do que se pensava, entre 62.000 e 95.000 anos atrás, anuncia um estudo revelado hoje pela publicação Current Biology.





Ao ler esta notícia...lembrei-me de um poema meu (ainda não publicado) que levei há dias à Fnac do Chiado em Lisboa, numa sessão de apresentação do meu livro mais recente O PODER E O POEMA, das Edições Esgotadas (foi dito por Maria Teresa Bondoso).

PRIMEIROS BISAVÓS (A Publicar).

Aparece

Por cima dos meus olhos

De repente

Visão escrita… ou o refrão da minha prece

E diz simplesmente

Que os primeiros bisavós dos avós  dos meus avós

Eles que depois voltaram a ser avós

Nasceram lá onde tudo acontece.


Provavelmente no sul

Numa África de rios e de mares

Grandes lagos onde o Nilo se alimenta

Níger… Congo… Zaire… Zambeze…

O Atlântico e o Índico em tormenta

Para lá do Cabo onde as fontes são palmares

Agora já secos de uma vida tão azul .


Séculos e milénios de passos e caminhos

O tempo viajou depressa e deixou

Gerações atrás de gerações que se perderam

E hoje não me lembro já de quem amou

Os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós

Se espalharam possuíram e viveram.


Caminharam … lutaram  

Pisaram e passaram  as curvas dos escolhos

E seguiram a estrela  dos pais que viram luz

Errando  para além da morte

Nos seus olhos

Até chegar à terra que é do norte

Repousando os pés … nas pedras que calaram  

A voz da música e o silêncio que produz

O pensamento quente dos tambores

Anúncio encomendado dos amores

Dos bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós !


E assim se cumpriu o meu destino

E de outros que paridos  tão a norte

Navegaram conheceram  amaram sem favores

Outros mundos novas terras tanto hino

À liberdade e descobriram antes da morte

Que os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Mereceram, gente comum, elogios e louvores

De sábios senhores mais velhos e de gente como nós !        

------------------------------ António Bondoso (A PUBLICAR).                 


António Bondoso

2013-03-20


O PODER E O POEMA viajou de novo até Lisboa.



O PODER E O POEMA viajou de novo até Lisboa.
Dia do Pai, vésperas do Dia Mundial da Poesia, o ponto de encontro de muitos amigos e dedicados companheiros foi a FNAC do Chiado.
Poesia dita – muita e de forma profunda – música quanto baste mas de qualidade, e a opinião de quem sabe ler e perceber o caminho dos livros.
Sílvio Santos a defender a causa da poesia na Editora Edições Esgotadas, apesar das dificuldades do “mercado”, da juventude da empresa e da pouca mediatização dos novos autores e dos autores mais novos. Depois dos agradecimentos que são ponto de honra neste tipo de sessões, a historiadora e investigadora Celina Veiga de Oliveira apresentou à plateia interessada a sua “leitura” da obra assinada por António Bondoso, autor já seu conhecido há alguns anos.
E dividiu a sua ideia em dois segmentos: o ‘poder do poder’ e o ‘poder do poema’.
No primeiro caso descreve a viagem do autor por Miguel Torga, Zeca Afonso, Gil Vicente, Sá de Miranda e Camões para “denunciar aspectos menos nobres do poder” descrevendo-o como sinistro, traiçoeiro, cínico, sem ética, sem moral. E acrescenta outra característica malévola do poder: “a repulsa que manifesta pelo escritor, pelo homem de letras que – no dizer de Urbano Tavares Rodrigues – representa uma destruição de valores culturais e se traduz, não poucas vezes, em atraso de gerações”. Destaca igualmente – nos tempos duros do colonialismo – a poesia de Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Alda do Espírito Santo e Marcelo daVeiga, até à madrugada de Abril.
Analisando de seguida o “poder do poema”, Celina Veiga de Oliveira coloca no pedestal os poetas da afeição do autor, portugueses e estrangeiros, passa pelos interesses e ligações poéticas de alguns políticos portugueses e termina com a poesia como “arma de protesto” – seguindo as mensagens oferecidas por alguns poemas de António Bondoso, que interpreta questionando e respondendo como segue: - Há lirismo nesses poemas? Há; Há esperança? Sem dúvida; Há sonho? Muito; Há inquietação? Também; mas há igualmente concisão e conteúdo como o haiku japonês:- «quando o céu não é azul / fecho a porta da alma / e não respiro».
Por último, Celina Veiga de Oliveira escreve sobre o que considera “o legado maior de O Poder do Poema:- a convicção de que o poema pode ser irreverente e até revolucionário, chamando a atenção para a interrogação Quando chegará de novo a madrugada?, para a qual a resposta tem de ser dada por todos nós, tendo em conta “uma das mensagens mais fortes do livro – “a consciência de que o futuro será uma realidade construída pelas nossas mãos”!



***** A sessão prosseguiu com interpretações musicais de Tonecas Prazeres, quer em língua portuguesa, quer em língua forra de S.Tomé e Príncipe, e com meia dúzia de poemas (alguns inéditos) ditos com arte e engenho por Glória Chagas, Teresa Bondoso e pelo autor, secundados pelos amigos presentes José Luís (Mendes) Outono e Carlos Fernando Bondoso. Pelo meio, com muito agrado, o visionamento de um vídeo sobre a temática dessa relação desigual entre O PODER E O POEMA, entre os poderes, os poetas e a Poesia.




Que não se cumpra a “profecia” de um velho amigo, segundo a qual “já ninguém ouve os poetas”! Pela minha parte continuarão a ser ouvidos – quer ainda neste, quer nos próximos livros – em sessões que estão previstas para Lavra (Matosinhos), na CulturDança, em Canidelo (V.N.Gaia), e em Faro (Algarve). Pelo menos.
António Bondoso.
Jornalista.





2013-03-15


A MINHA CRÓNICA DE HOJE NO "JORNAL BEIRÃO" (MOIMENTA DA BEIRA).

Na qual escrevo sobre o novo Papa, sobre quem o Bispo Emérito de Setúbal - D. Manuel Martins - me referiu hoje :- "Um grande Profeta surgiu entre nós. Deus visitou o seu povo".



A TÁTICA DO QUADRADO...
... Do Prefácio inútil à falta de memória, passando por omissões, ausências e fracas lideranças, pelo novo Papa e pelo Tribunal Constitucional.

1- Foi mais fácil ver fumo branco no Vaticano do que vislumbrar qualquer sinal de acórdão no TC, sobre algumas normas inconstitucionais do OE para 2013.
“Parece que os cardeais foram buscar-me ao fim do mundo”. A primeira ideia transmitida de viva voz aos fiéis de todo o mundo – e não terá sido por acaso – do novo Papa Francisco I, Jorge Mário Bergoglio de seu nome próprio. É que a Argentina fica mesmo muito longe de Roma, situando-se no mais católico dos continentes. Desde há longos anos uma região muito sofrida, muito marcada pela pobreza e pelo subdesenvolvimento – factores de sobra para instalação de ditaduras e outros regimes mais ou menos totalitários. Talvez também não por acaso, o chileno Luís Sepúlveda escreveu Mundo do Fim do Mundo, dedicando-o aos seus “amigos chilenos e argentinos que defendem a preservação da Patagónia e da Terra do Fogo” – esta última igualmente título literário de outro escritor chileno Francisco Coloane. Ali, na região mais a sul, por onde navegou o nosso Fernão de Magalhães.  
Mas para além do fim do mundo, é bom reter também a mensagem implícita na escolha do nome eclesiástico: nunca houvera um Papa Francisco, é portanto o primeiro – pretendendo significar começo, mudança, esperança. Não partir do zero, naturalmente, mas – talvez pensando no caminho de S.Francisco de Assis – renovando o espírito e a essência da e com a Igreja, a casa espiritual comum de todos os católicos. Ainda de realçar o reconhecimento do papel preponderante dos “Jesuítas” – o novo Papa é um deles – na evangelização, na instrução, na transmissão do conhecimento ao longo dos tempos. Francisco, é o primeiro Papa jesuíta. E dele se espera, naturalmente, um caminho de união, de partilha e de orientação no sentido da justiça, da paz e da solidariedade – um caminho que deve trilhar, mesmo que a Presidente Kirchner continue a apelidá-lo de “verdadeiro líder da oposição” na Argentina.  
          2- Segundo Honoré de Balzac no seu “Do uso dos prefácios” – que eu fui recuperar a Miguel Veiga no seu preâmbulo a um prefácio para Os Poemas da Minha Vida – será fundamental reter os artigos 1º e 2º: “O uso constante dos autores será o de pregar prefácios no começo de todos os seus livros” e “O uso do público será o de não os ler e de os encarar como nulos e não acontecidos”. Relativamente ao recentemente célebre prefácio de Cavaco Silva, a minha atitude deu cumprimento ao artigo 2º de Balzac. Não li, portanto, o prefácio do Presidente da República à edição mais recente dos seus Roteiros mas não pude evitar reter alguns comentários a propósito.
          Do assentimento do inefável Vasco Graça Moura – que apenas se interroga sobre se o dito prefácio caucionará toda a política do governo – à inutilidade das vinte páginas que nada trazem de novo, fixada por Baptista Bastos, há toda uma série preocupante de escritos e ditos que valerá a pena ter em atenção. Concordando ou discordando, naturalmente.
          Para a historiadora Fátima Bonifácio – numa altura em que é fundamental encontrar um novo desígnio nacional – “a principal preocupação de Cavaco Silva é proteger-se, é ficar sempre bem na fotografia”. E o filósofo José Gil – para quem o poder actual navega à vista – a acção do PR é insuficiente e tanto ele como os membros do governo “estão a milhares de léguas da população e da realidade”. E tudo, em nome do que chamam estabilidade. Será estabilidade haver mais de um milhão de desempregados? E três milhões a viver no limiar – que título mais pomposo! – da pobreza? E muitos outros milhares que já não podem pagar as suas contas de água e de eletricidade? A situação é tão grave, diz o bastonário da Ordem dos Advogados – Marinho Pinto – para que continue “sem que haja consequências políticas”. E para isso pede a intervenção de Cavaco Silva. Mas, ao que parece, não vamos poder vê-la ou senti-la. O povo português é um povo com muita história mas também com uma curta memória! E o atual PR, parte desse povo, já não se recorda da forma como chegou ao poder, tendo o seu partido feito “desaparecer” Mota Pinto – até fisicamente – o parceiro social-democrata de Mário Soares no Bloco Central. E desaparecido Mota Pinto, termina a fórmula governativa que foi obrigada a chamar o FMI, pela segunda vez, a Portugal. E quem governou antes do Bloco Central? Exatamente a AD [PPD-CDS-PPM] de Sá Carneiro e com Cavaco Silva, nas Finanças, o qual não quis acompanhar Balsemão na instabilidade que se seguiu – sobretudo por ação do PPD/PSD – até 1983. Só o verdadeiro “sentido de Estado” de Soares e de Mota Pinto pôde pegar num país em crise profunda. Por outro lado e por agora, não vem ao caso o eventual papel de Ramalho Eanes nos “jogos políticos” de então.
          O que importa reter é que – como diz Daniel Cohn-Bendit – “o papel do político é fazer escolhas, mas sendo claro quanto aos riscos. A sociedade moderna é uma sociedade de riscos, não se lhe pode escapar”. Exatamente o contrário de Cavaco Silva. Por omissão e por ausências – para sua estabilidade – tem dado cobertura à arrogância, incompetência e diatribes da coligação no poder. Que essa sua “comodidade” não venha, depois do que José Gil chama “a abolição da existência possível das pessoas” a desembocar em violência!
António Bondoso
Jornalista – C.P. 359 



Texto e fotos de António Bondoso.

2013-03-08


Do teu peito...

Foto de A.Bondoso.

Do teu peito
Sereno
Sai a luz do meu caminho.
Do teu peito
Apaixonado
Brota imensidão de carinho.
Do teu peito
Desnudado
Vem a paixão com que vivo.
Do teu peito
Revoltado
Chega-me a força interior.
Do teu peito
Adormecido
Faço repouso infinito!
======== A.Bondoso. (A Publicar)


Trabalho do Mestre José Rodrigues para capa do meu livro TONS DISPERSOS(2003).


2013-03-06


Se o mar se unisse ao céu





Se o mar se unisse ao céu
- Como hoje -
O sol não brilharia
E a lua esqueceria
Que o firmamento está vivo.
Uma cinza entristecida
Com alfinetes de chuva
Pespontou no horizonte que alcanço
De uma janela
O mundo que eu imagino
Quando olho através dela.
========A.Bondoso. (A Publicar).




A.Bondoso. Poema e fotos.