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2026-03-05

 


DOS CONFLITOS AO CAOS…APENAS RETICÊNCIAS!

O TEMPO PRESENTE DESLIZA E O FUTURO DISPENSA INTERROGAÇÕES.

A governança mundial da ONU colapsou ou está em vias de – sobretudo agora que Trump e algumas dezenas de aliados circunstanciais inventaram o «Board of Peace»; as disposições da Carta das NU parece já não terem sentido, pois os três países mais poderosos – com assento permanente no Conselho de Segurança – delas fizeram tábua rasa. A busca do «espaço vital»  e do Poder absoluto nas zonas de influência (e fora delas), levaram e continuam a levar longe demais CHINA, EUA e RÚSSIA

da Web

Se é certo que a Paz não é apenas a ausência de guerra…os pressupostos deste aforismo já não são corretos. Provavelmente nunca o terão sido.

Entre a loucura aberta de uns e a paciência demagógica de outros…o mundo vai caminhando para um final explosivo.

Portanto, não há paz…e a guerra manifesta-se aos níveis mais diversos, das formas mais estranhamente elaboradas e de consequências imprevisíveis. Tal como escreveu há uns anos o Gen. Loureiro dos Santos, em “A Guerra no Meio de Nós”. E agora, Trump e meia dúzia de iluminados da sua Administração colocam em prática o enunciado onde melhor lhes convém. Prossegue na Venezuela, repete-se no Irão (qual a Bandeira que ali vai prevalecer?) mas sujeitos a um profundo fôlego e, provavelmente, só depois voltarão a Gaza, já com Israel pronto para a ofensiva final devidamente apoiados pelos EUA e já depois de terem passado novamente pelo Líbano.  


Ou...

Afinal, o «negociante-mor» das américas ainda não conseguiu terminar nenhuma das oito ou nove guerras que dizia ter capacidade para anular. Gaza e Nigéria foram uma ilusão, tal como o Cambodja e a Tailândia e, seguramente, não contava com esta do Paquistão/Afeganistão. Sobre a Ucrânia estamos igualmente conversados. A sua «amizade» (?) com Putin parece valer a pena o corte com os velhos aliados europeus e com o Canadá. Mas a Ucrânia «queima», apesar do tristemente humilhante desempenho dos militares russos e dos seus mercenários africanos. Também em África o Sudão «queima», não merecendo o mínimo interesse da nova «corte» Trumpista. 




Voltando à governança mundial, há organizações e instituições que já não funcionam: a NATO recebeu o seu segundo epitáfio pela assinatura de Trump e a ONU só existe enquanto interessar aos poderosos do Conselho de Segurança. Leia-se China e Rússia, considerando que a atual Administração dos EUA já «corre por fora». As «agências» mais importantes das Nações Unidas – que designação mais contraditória! – vão podendo trabalhar enquanto houver recursos. Depois…será o caos no PNUD, na UNESCO, na FAO e em todas as outras.  

Atualmente, recordo, a ONU possui 15 agências especializadas que atuam em seu nome, tais como a OIT, a OMS, o FMI e o BM, para além das outras já citadas.

E como é triste perceber uma ONU envergonhada, como temos assistido a algumas das aparições do Secretário Geral António Guterres, parecendo mesmo que o atual momento chega até a ser humilhante.

          Não é um bom sinal para a ORDEM que tinha vindo a funcionar há décadas – mais vezes bem do que mal, dependendo do ponto de vista de quem classifica. Enquanto se busca uma NOVA ORDEM MUNDIAL, que poderá vir a ser «Tripolar» como escreve Sónia Sénica; ou «Multilateral», abrangendo os BRICS.

          Em qualquer caso, ainda não é o “fim dos Estados Unidos” (Gonçalo Tavares), apesar de uma peste terrível, tal como não foi o «fim da história» (Fukuyama), após o colapso do Bloco de Leste, sendo certo que há um claro «Divórcio das Nações», como nos diz o diplomata João Vale de Almeida.

          Do caos à eventual «nova ordem», um longo caminho de armadilhas. Mas tenhamos esperança! Contudo, para que ela valha a pena, aconselho a não acompanhar as centenas de comentadores que pululam pelos écrans deste retângulo. Semanas seguidas…loucura certa!



          Preparemo-nos e saudemos, entretanto, os passos do Presidente eleito em Portugal, António José Seguro, quase a tomar posse. Depois das cerimónias protocolares e festivas…momentos difíceis vai enfrentar. Para já, vamos estar atentos à tática do seu velho conhecido no período da Troika, P.P.Coelho.

António Bondoso

Março de 2026. 

NOTA:- o texto, entretanto renovado/atualizado, foi elaborado para publicação no passado mês de Fevereiro. Mas eu não sou bloger profissional. Vou apenas andando por aqui. Abraço e grato pelas leituras.  


2020-09-17

Olá. Estamos – de novo – em período de contingência.

Olá. Estamos – de novo – em período de contingência. E com números elevados que assustam! 



Estamos, sobretudo, na contingência de perder o «Planeta» devido às atitudes humanas que foram conduzindo a «Terra» às doenças que, agora, nos obrigam à “contingência”.

Estamos também na contingência de ver reeleito um presidente em «estado de negação», como é o caso de Trump, nos EUA, que abandonou/rasgou os acordos sobre o clima – igualmente uma evidência que vai destruindo o Ártico, oscilações que, seguramente, têm vindo a ajudar a chegar a esta situação de contingência. Depois da UNESCO abandonou também a OMS (só falta mesmo deixar a ONU) e tem vindo a alimentar uma guerra comercial com a República Popular da China – a qual terá sem dúvida graves repercussões na boa saúde da economia mundial, sendo evidente que a RPC, pela sua milenar cultura de paciência e de olhar o tempo a longo prazo, sairá vencedora do confronto. É uma cultura de «imperialismo silencioso», baseada na propaganda do “pacifismo” e da “amizade”, e cujo cenário se foca na necessidade de dar respostas a quase mil e quinhentos milhões de cidadãos que habitam o país considerado o meio do mundo. África e América Latina no centro desse esforço.  

Por outro lado, estamos na contingência de tentar perceber até onde irá o belicismo de Putin, escudado na busca do espaço vital da Rússia em permanente e intensa atividade para recuperar o protagonismo de tempos idos. Direi mesmo uma contingência iniludível, face às respostas que o regime tem dado sempre que há «movimentações» sociais em países próximos, como aconteceu na Geórgia e na Ucrânia, como agora sucede na Bielorússia – já não falando na intervenção na Síria.

Estamos na contingência imediata de perceber o que se está a passar no Médio Oriente, quando países árabes estendem as mãos e os negócios ao Estado de Israel – com uma atitude «discreta» dos rivais Irão e Arábia Saudita. Uma operação «abençoada» por Trump numa tentativa de ganhos internos em época de eleições…mas que não resolve o velho problema dos palestinianos. Tampouco dos israelitas, pois um depende do outro.

E o que dizer da contingência africana…sabendo-se da fragilidade intrínseca da UA perante o já mui antigo «assalto» de outras potências. Basta ler Nkrumah em «A Luta de Classes Em África» para perceber como se instalou o neocolonialismo, depois de um colonialismo secularmente vicioso que não permitiu uma estrutura social economicamente forte: “Permanece, portanto, uma burguesia compradora, tributária em grande escala dos interesses imperialistas em África. (…) O neocolonialismo, sob todas as formas, impediu o estabelecimento de uma independência real”. Por isso e apesar de outros «senhores» se apresentarem, permanece a «eterna dívida» das potências europeias.

Também por isso se percebe a contingência de uma União Europeia eternamente cheia de boas intenções mas falha de uma estratégia duradoura. Talvez não possa ser de outra forma quando ela própria tem hesitado e apenas dá pequenos passos «internamente». Tanto na crise financeira de há dez anos como neste conturbado tempo da pandemia da Covid-19 que nos conduz para um buraco económico imprevisível. Louve-se, por agora e finalmente, a ideia de um salário mínimo europeu.

Mas estamos em tempo de contingência. E de urgência! Na contingência de mais uma «vaga» da “SarsCov-2” e na urgência de uma vacina para debelar o mal que nos impede de levar uma vida normal. Se não percebermos isto…estaremos na contingência de nos perdermos. 


António Bondoso

Setembro de 2020.