“…e de repente, a coberto da noite e das estrelas, ouviu-se o Grândola
Vila Morena dentro e fora da Messe de Sargentos. O incómodo da canção, que foi
uma arma, levou à identificação e posterior penalização dos «cantantes». Mas um
dos envolvidos tentou escapar, com a desculpa…mas eu não cantei meu Capitão!
Não cantaste?...Cantasses!”
A.J.Rodrigues/C.Borges
SER
MILITAR…É «SER»!
E
QUERER SER. Ou não!
Seja como for, independentemente do que e de como foi, há quase como que um «mistério» no comportamento de quem cumpriu o serviço militar em Portugal, sobretudo na segunda metade do século XX. A guerra colonial deixou marcas em milhares de jovens. Traumáticas muitas, mas outras – algumas – manifestam um quadro que, não sendo saudosista, revela um misto de saudade e de memória viva, consoante as experiências de cada um. Independentemente de terem sido «obrigados» a participar, a grande maioria, ou voluntariando-se como foi o caso de alguns. Ficaram memórias, é inegável.
Voluntário
ou obrigado por lei, é uma questão tão polémica quanto interessante.
Depois do 25 de Abril de 74 e finda a «Guerra Colonial», o famoso clamor de «nem mais um soldado para as colónias» não colocou de imediato fim ao SMO (só em 2004) – serviço militar obrigatório – que vigorou desde o início do século XX na mobilização e recrutamento para as Forças Armadas. Para além, naturalmente, dos militares do Quadro Permanente.
Independentemente
do «debate», que agora volta a ser mais «urgente» mas sem que os responsáveis
políticos resolvam agir, o caso é que os militares – depois de serem – não
esquecem tão cedo a circunstância de terem sido, as vivências do tempo que os
marcou, a camaradagem que foram cultivando e as amizades construídas. Também
por isso…os ex-combatentes devem ser ouvidos.
Para já, fazem questão de manter o convívio, agora ampliado pelas redes sociais, sem prescindir de «colocar os pés debaixo da mesa» pelo menos uma vez por ano.
Foi
o caso, pela 48ª vez, que um grupo de «servidores do Estado» em S. Tomé e
Príncipe se voltou a reunir – agora em Vila Praia de Âncora – para conversar,
lembrar e transmitir parte do que foi vivido nas ex-colónias em tempo de
guerra, fosse no «teatro de operações» de combate, fosse no «remanso alerta» das
Ilhas do Café e do Cacau (os melhores do mundo, na altura) em pleno Equador.
E o próximo, ainda este ano, vai ser em Leiria, esperando-se que o governo e as autarquias já tenham avançado nos trabalhos de recuperação da tragédia de há meio ano.
Diz
o «ajudante» Borges que a organização do encontro vai pertencer ao Graça e ao
Biel.
Ficamos à espera meu «ajudante»!
E que os «intervalos» não sejam muito indigestos. A sopa fica fria, o cabrito endurece e a sobremesa deslaça. Nem o pai morre…nem a gente almoça.
António
Bondoso
1 de Julho de 2026.

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