2026-07-01

 

                                                                  “…e de repente, a coberto da noite e das estrelas, ouviu-se o Grândola Vila Morena dentro e fora da Messe de Sargentos. O incómodo da canção, que foi uma arma, levou à identificação e posterior penalização dos «cantantes». Mas um dos envolvidos tentou escapar, com a desculpa…mas eu não cantei meu Capitão! Não cantaste?...Cantasses!”

                                                                                                                A.J.Rodrigues/C.Borges



SER MILITAR…É «SER»!

E QUERER SER. Ou não!

Seja como for, independentemente do que e de como foi, há quase como que um «mistério» no comportamento de quem cumpriu o serviço militar em Portugal, sobretudo na segunda metade do século XX. A guerra colonial deixou marcas em milhares de jovens. Traumáticas muitas, mas outras – algumas – manifestam um quadro que, não sendo saudosista, revela um misto de saudade e de memória viva, consoante as experiências de cada um. Independentemente de terem sido «obrigados» a participar, a grande maioria, ou voluntariando-se como foi o caso de alguns. Ficaram memórias, é inegável.

Restaurante Argaço - V. Praia de Âncora

Voluntário ou obrigado por lei, é uma questão tão polémica quanto interessante.

        Depois do 25 de Abril de 74 e finda a «Guerra Colonial», o famoso clamor de «nem mais um soldado para as colónias» não colocou de imediato fim ao SMO (só em 2004) – serviço militar obrigatório – que vigorou desde o início do século XX na mobilização e recrutamento para as Forças Armadas. Para além, naturalmente, dos militares do Quadro Permanente.

CCAÇ7- CTI - S. Tomé

Em 1973, o maior ramo das FA, o exército, tinha 150 mil efetivos. De Lei em Lei – cada qual mais polémica – os efetivos foram diminuindo, de acordo com o «quadro geopolítico» dos anos de 1980. E, de acordo com o artigo 1295 da «Revista Militar», uma nova Lei do Serviço Militar, a primeira após o 25 de Abril de 1974 (Lei n.º 30/87, de 7 de Julho), veio abrir o caminho para a prestação do serviço militar em regime de voluntariado e de contrato (RV/RC), abrangendo o universo do sexo feminino.




Mas a fraca atratividade e a falta de investimento nas FA não foram suficientes para atribuir grandeza à função. No entanto, e apesar da polémica, as FA portuguesas foram sendo capazes de integrar missões internacionais até aos dias de hoje. O prestígio não tem sido questionado, mas os militares entendem que o debate é necessário, tendo sobretudo em conta o novo «quadro geopolítico» internacional. A Europa, sobretudo, enfrenta desafios.  


Independentemente do «debate», que agora volta a ser mais «urgente» mas sem que os responsáveis políticos resolvam agir, o caso é que os militares – depois de serem – não esquecem tão cedo a circunstância de terem sido, as vivências do tempo que os marcou, a camaradagem que foram cultivando e as amizades construídas. Também por isso…os ex-combatentes devem ser ouvidos. 

O Naia e o Tá...no Centro do Debate

Para já, fazem questão de manter o convívio, agora ampliado pelas redes sociais, sem prescindir de «colocar os pés debaixo da mesa» pelo menos uma vez por ano. 

Severiano Presa - Organizador

Foi o caso, pela 48ª vez, que um grupo de «servidores do Estado» em S. Tomé e Príncipe se voltou a reunir – agora em Vila Praia de Âncora – para conversar, lembrar e transmitir parte do que foi vivido nas ex-colónias em tempo de guerra, fosse no «teatro de operações» de combate, fosse no «remanso alerta» das Ilhas do Café e do Cacau (os melhores do mundo, na altura) em pleno Equador. 

E o próximo, ainda este ano, vai ser em Leiria, esperando-se que o governo e as autarquias já tenham avançado nos trabalhos de recuperação da tragédia de há meio ano. 

                                            

Diz o «ajudante» Borges que a organização do encontro vai pertencer ao Graça e ao Biel.

Ficamos à espera meu «ajudante»!

Carlos Borges - o «ajudante»

E que os «intervalos» não sejam muito indigestos. A sopa fica fria, o cabrito endurece e a sobremesa deslaça. Nem o pai morre…nem a gente almoça.                 

Obrigado Vila Praia de Âncora

António Bondoso

1 de Julho de 2026.

 











                                                            








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