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2016-03-21


A PROPÓSITO DO DIA DA POESIA: 

***** É um ofício difícil - dizia Manuel António Pina sobre a Poesia.
Por sua vez a Cristina Carvalho diz que "É uma arte. E como toda a arte tem uma linguagem que permite tudo, sempre."
Já Sophia escreve que ""A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser." E a catedrática Silvina Rodrigues Lopes afirma que "Falar de poesia é afirmar, postulando-o imanente ao viver humano, um exercício da linguagem que excede o seu uso instrumental."
=== É portanto, fácil, perceber que o assunto é mesmo muito difícil. Apesar disso, nada me inibe de vos deixar aqui um eventual PENSAMENTO POÉTICO:
"Mergulhei na escuridão!
Mas tenho todas as luzes de todos os faróis do mundo
Para me guiarem
Pela tua costa rochosa.
=== A. Bondoso (A Publicar).
Tudo isto, antes de partir para as ilhas do meio do mundo, onde vou ver nascer o sol:
NASCER DO SOL EM S. TOMÉ (A Publicar)
Ali vi um dia o sol nascer
Manhã desperta
Fixando o horizonte a transformar-se.
Ansiosa contagem a passar cada segundo
Eram cinco e trinta e dois
De um agosto já perdido
O astro poderoso a crescer no Equador
E o olhar a acompanhar
A luz mais forte deste mundo
A aquecer e a queimar
O tempo de um novo dia
Que o coração…sem querer
Já esquecer não podia.
E em frente estava o mar
Que refletia o poder
Desse sol que depois
Alimentava a flora
Aspirava as gotas húmidas
E sem molhar a história
Trovejava mil pecados
Em tantos verdes pintados
Que a alma…sem eu querer
Perdão pedia por ser.

O mar e o sol a acompanhar
O transpirar das ideias
Tórrido calor de vida
De gente de muitas cores
Que partiu e que chegou
E quase sempre voltou
Mas valendo o pensamento
Quase nunca me acompanhou.

Porque são coisas diferentes
Estar e ser…mais ainda pertencer!

=== António Bondoso (A Publicar)
Maio de 2015. 

Foto de A. Bondoso. 

2015-03-19

Quando a Poesia se permite pendurar poemas nas árvores


Celebração conjunta da poesia, da árvore e da água mobiliza freguesias e instituições em Moimenta da Beira.

            A 21 e 22 de Março vai poder ler poemas dependurados em árvores no concelho de Moimenta da Beira. É uma iniciativa conjunta da Associação Cultural e Recreativa de Soutosa e da Fundação Aquilino Ribeiro, em colaboração com a Escola Profissional e com a União das Freguesias de Peva e Segões. O evento, que tem o apoio da Câmara Municipal, pretende mobilizar os amantes da poesia e da natureza para uma ideia diferente de ver, de ler, sentir, dizer e viver uma data tradicional. De cabeça levantada em direção ao céu, aos ramos e aos troncos das árvores, artistas e população daquele concelho beirão quase encostado ao Douro vão poder celebrar em simultâneo o Dia da Árvore e da Floresta, o Dia Mundial da Água e o Dia Mundial da Poesia.
            Numa altura em que ainda se interpreta, de forma diversa, a definição de Poesia e de Poema, esta iniciativa acaba por contribuir – também diretamente – para o “debate”. Guilherme Mendicelli, esgrimindo o dicionário “Aurélio”, diz que Poesia é a “Arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados.” E sobre o Poema, na mesma fonte, afirma que é “Obra em verso ou não, em que há poesia.” Já o dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (2009), é mais concreto sobre o Poema: “Obra em verso”. E quanto à Poesia, permite 7 interpretações – a primeira das quais não difere muito da que vimos atrás: “Arte que se distingue tradicionalmente da prosa pela composição em verso e pela organização rítmica das palavras, aliada a recursos estilísticos e imagéticos próprios”.
O que não há dúvida é que a Poesia é uma arte. E como arte – distinta, no dizer de Cristina Carvalho – “tem uma linguagem que permite tudo, sempre”. Mas não é certamente, acrescenta a escritora, “um acumular de palavras num esforço patético de dar voz aos amores e dar voz a coisa nenhuma”.
            Seja como for, o que se vai passar em Moimenta da Beira no próximo fim de semana é Poesia suspensa em troncos de árvores frondosas, de copa grande ou de copa pequena. Poesia de autores vários, uns de renome outros menos conhecidos, contemporâneos, modernos e menos modernos, para serem lidos individualmente ou em grupos de pessoas em sete locais de três freguesias do concelho.
Segundo o gabinete de comunicação do município, os locais em destaque serão a vila, sede do concelho, onde “a poesia vai estar pendida nos ramos e nos troncos das árvores dos largos do Tabolado e das Tílias, e no Terreiro das Freiras, o espaço mais nobre e histórico de Moimenta da Beira”. Depois, em Soutosa, terra de vivência e de trabalho de Aquilino Ribeiro, nas árvores que o mestre plantou há mais de meio século, em frente à casa que é hoje sede da sua Fundação. Ainda na Soutosa aquiliniana, no largo em frente à matriz e no parque do Senhor da Aflição.
“Finalmente, na Quinta do Ribeiro, freguesia de Rua, nos terrenos verdejantes que circundam a Escola Profissional de Moimenta da Beira”.



António Bondoso
Jornalista
18 Março 2015.