2015-04-30

***** A PROPÓSITO DE UMA EFEMÉRIDE. 
               30 de Abril 1926/ 9 de Março 2010
Passaram cinco anos sobre o desaparecimento físico da Poetisa, Educadora e Combatente pela Liberdade em S. Tomé e Príncipe - ALDA DO ESPÍRITO SANTO.
Faria hoje 89 anos.  


Quando a entrevistei em 2004, para o meu livro ESCRAVOS DO PARAÍSO (MinervaCoimbra-2005), Alda do Espírito Santo disse-me que a independência é a maior conquista de um Povo...mas nunca corresponde ao nosso sonho. É dessa conversa que vos deixo aqui um excerto: 




E também linhas de um Poema seu:
(...) A nossa terra é linda, amigas
E nós queremos que ela seja grande...
Ao longo dos tempos!...
 Mas é preciso, irmãs
Conquistar as ilhas inteiras de lés a lés
(...) Mas é preciso conversar ao longo dos caminhos
Tu e eu, minha irmã.
 É preciso entender o nosso falar
 Juntas de mãos dadas
 Vamos fazer a nossa festa!
Em «É Nosso o Solo Sagrado da Terra»
Alda Espírito Santo
==== António Bondoso
Jornalista
======================== 
E em 30 de Abril de 2020 escrevi por exemplo: 
(...)
«Mas deixou obra e memória! Penso ter partido com a ideia de que mataram o rio da sua cidade mas ficaram as palavras e as ideias.
No livro «MATARAM O RIO DA MINHA CIDADE», publicado pela UNEAS em 2003 e que dedica à sua mãe Jesus e à irmã Maria Amélia, Alda do Espírito Santo questiona «Por que mataram o rio da minha cidade»? E em quatro breves capítulos responde, contando uma história que envolve Mamã Bonita, Avó Santinha e sua mãe Maguita, Sum Mé Gingo, o Zé Chico, Sô Luís Praça, a parteira Sam Doló e sua irmã Fineza, a tia Henriqueta – que vivia em Ponta Negra, no Congo Brazaville, com o seu afilhado Samuel. Este viria a desposar Bonita, que havia quebrado o “compromisso” amoroso com Zé Chico, e dessa relação – por artes do destino – nasceu uma filha, já em Bruxelas, a quem foi dado o nome de Jacqueline. A história é Jacqueline que a conta, lembrando que aos 3 anos de idade foi viver com a Avó Santinha. E apesar desta não lhe prestar muita atenção, devido ao seu “comércio” para ganhar a vida, Avó Santinha sempre lhe veio a revelar que Mamã Bonita, lá em Bruxelas, «…pensava muito na sua ilhota e na Ponte Tavares das lavadeiras. Uma vez, preocupada, escreveu uma carta dizendo que sonhara muito com o Rio Grande. Que em sonhos tinha visto o rio revolto, soltando das suas margens, inundando a cidade toda até à foz, perto do Café Baía. Que o rio invadira a livraria mais perto e que tinha havido necessidade da intervenção dos bombeiros. Avó Santinha ficara espantada, porque o sonho tinha sido real. Se Mamã Bonita voltasse à sua ilha natal e contemplasse a Ponte Tavares e os edifícios que à volta foram construídos, enxotando para longe as lavadeiras do Água Grande, teria razão em afirmar: Mataram o rio da minha cidade!».
Trago aqui o livro por três motivos: - o Água Grande, que divide a cidade e onde eu apanhei peixe junto à foz; a Ponte Tavares – por uma quase certa ligação ao avô materno da minha mulher, que orientou a construção de muitas estradas na ilha, nos anos 50 e 60 do século XX; e também pela referência da autora à emigração para STP, sobretudo a partir de finais dos anos 40 e durante os anos seguintes, nas grandes companhias de navegação. Eu já fiz referência a esse ponto no meu livro Escravos do Paraíso, mas escrito por Alda Espírito Santo tem outro «peso»: - “ Dado o fluxo da emigração para África, inventou-se uma terceira classe, destinada àqueles de recursos abaixo do subdesenvolvimento, que tinham de comum com a terceira a sala de jantar-manjedoura (onde se tomavam as refeições) e o convés onde se passava o tempo que medeava entre o pequeno-almoço, o almoço e o jantar. A dormida era em extensos e abafados dormitórios”.
Estou certo que Alda do Espírito Santo descansa em paz, 10 anos depois do seu passamento. Estou grato pelas palavras e pelas ideias.💙
António Bondoso
30 de Abril de 2020.=================





1 comentário:

Mayara - Editora Positivo disse...

Prezado senhor António Bondoso,

A Editora Bergamota, um empresa do Grupo Positivo, tem interesse em reproduzir uma fotografia da senhora Alda do Espírito Santo, de sua autoria (disponível no blog Palavras em viagem), em um livro didático de Língua Portuguesa – 9º ano do Ensino Fundamental, autoria de Angelo Stefanovits e Bernardette Pontarolli, autorização para impresso e digital.

http://palavrasemviagem.blogspot.com/2015/04/proposito-de-uma-efemeride.html

Esperando compreensão para a importância didática desse projeto, solicitamos informações sobre a maneira como o copyright deve constar na referida obra, caso o aprove.
Agradecendo antecipadamente, aguardamos seu posicionamento pelo fax (55 41) 3312-3598, e-mail mayaray@positivo.com.br e colocamo-nos à disposição para maiores esclarecimentos pelo fone (55 41)3312-3591.

Qualquer dúvida estou à disposição,
Atenciosamente,