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2020-04-10


POR AGORA DEIXOU DE CHOVER...MAS AS NUVENS NÃO DEIXARAM DE SER NEGRAS.

                                                                Foto de Ant. Bondoso


NUVENS NEGRAS

Eram nuvens
Nuvens negras
De um escuro carregado
Corriam velozes ao vento
Muito mais que o esperado.

Por certo levavam destino
Não parecia desatino
O rumo que foi tomado.

Estou triste
Triste, triste
Com todas as nuvens negras
Que me levam
Que me arrastam
Com os seus dedos em riste.

Que dimensão de tristeza
Que me faz chorar pobreza
Em tão nublado destino.

Nuvens negras
Tristes nuvens
Que sopro deveras zangado
Transformam-se num esfumado desenho
Perdido, puramente imaginado.
====
Ant. Bondoso
Março 2020

2018-06-30


Bom dia.
Sempre que penso em ir à praia…o maior desafio é o mar!


O MEU MAR COMEÇA AQUI

O meu mar começa aqui…
Mas as ondas somam-se à calema
De outras ondas
Que viajam enroladas até ao Golfo.
É esse mar que é mais meu
Pois dele sei
Desde o dia em que cheguei!

E sei que há grandes barcos que navegam
E buscam por ali o seu negócio
Como outrora houve naus e caravelas.
E sei como flutuam as canoas
De pescadores com orações no pensamento
Buscando no mar alto o seu sustento
Feito de sonhos e de perigos no momento.

Sonhos aos saltos como o peixe voador
Perigos apertados na visão de um gandu esfomeado
Anseios e angústias de uma ambição de calor
Tantos riscos assumidos nesse mar tão agitado.
E há esse mar que beija todas as praias da ilha
Debaixo de um sol abrasador
Deixando sempre um certo sabor salgado.

É esse o doce mar que me escolhe e me recolhe
Em tempos tormentosos de saudade
De uma alma em permanente tempestade.
================
António Bondoso
Junho de 2018.


António Bondoso.

2016-03-20

UM BRASIL...BRASILEIRO.
Agora, sobretudo, que todo o mundo bota faladura sobre um país em crise.

Foto de António Bondoso

UM BRASIL…BRASILEIRO!

Do outro lado de Angola
O que vemos é Brasil.

Uma imensidão de tamanho
De gente…que multidão!
Nem todos filhos da terra
Onde reina Iemanjá
Um leito de grandes rios
Que alimentam o Amazonas.

É terra de acolhimento
Desejada, conquistada
Violentada de séculos.
E isso mereceu de Vieira duras críticas
Sermões inéditos
Antes da liberdade de Pedro
E da força das palavras
Que nos deixaram Bandeira
Drummond, Machado de Assis
Jorge Amado ou Sarney.

Do outro lado de Angola
O que vemos é Brasil.


De um destino de escravatura
A potência dita emergente
Quem lá vive é o que sente
A crise do crescimento
De um complexo mosaico.

Virando da história outra página
De Tiradentes a Lula
Passando por Xico Mendes
Repousam nos meus sentidos
As mais belas notas de Vinícius
E a suprema voz de Bethânia.
Em AROMAS DE LIBERDADE(S), 2015, Pgs 85-86
====== António Bondoso
Jornalista


2016-03-19

SIMBOLISMO QUASE PERFEITO

Foto de António Bondoso



SIMBOLISMO QUASE PERFEITO…
(A PUBLICAR)

É um simbolismo que marca
Se os afetos são seguros.

Nada se exige
Mas tudo se dá
Numa relação tecida
Em cumplicidade assumida.

Um dia de tantos dias
Anúncio de calendário
Vale a imagem de sempre
Aquela que nos alcança
A mesma que nos atinge
No peito de um amor feito.

Meu pai, meu filho,
Sem ser dia da razão
De um absoluto viver,
Quase dizem que é banal
A alegria de um sinal
E o calor de uma paixão.

Mas será sempre um simbolismo
De presença e de querer.
=== António Bondoso (A PUBLICAR)

Março de 2016.

2015-12-15

PARA QUE HAJA ESPERANÇA...



PRESÉPIO DESPIDO ( A Publicar).

Numa imagem despida de acessórios dispensáveis
Nem a vaca nem o burro
Nem qualquer fardo de palha, 
Maria, José e o Menino
Enfrentavam chuva e frio
Debaixo de um velho pinheiro
Pois já não havia estábulo em tão distante caminho.

E a aragem fresca da noite
Quase gelava o cenário de natureza bem simples.

Uma Família comum
De alegria enriquecida
Procurava proteger de um mundo tão egoísta
O sentimento mais nobre
Que o Natal empresta à Vida:
a condição de nascer
sem marca de igual destino
não determina o carácter
nem separa por princípio.

Só um mundo sem razão
A fugir para o abismo
Alimenta a ideia morta de uma árvore despida
Poder servir de refúgio
Ou sequer de proteção
A tantos homens perdidos na busca da salvação.

Mas o milagre persiste
E renova em cada ano
Uma heroica tarefa de fazer acreditar
Ser possível encontrar nos ramos nus de folhagem
A Luz que sempre guiou
Esse Menino nascido com o poder do perdão.
====A.Bondoso (A Publicar)


António Bondoso
Jornalista

2015-05-25

FOI DE ÁFRICA QUE CHEGARAM...FOI DE ÁFRICA QUE PARTIRAM...FOI DE ÁFRICA QUE VIERAM E EU COM ELES VIAJEI.

Golfo da Guiné

                       PRIMEIROS BISAVÓS

Aparece

Por cima dos meus olhos

De repente

Visão escrita… ou o refrão da minha prece

E diz simplesmente

Que os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Eles que depois voltaram a ser avós

Nasceram lá onde tudo acontece.



Provavelmente no sul

Numa África de rios e de mares

Grandes lagos onde o Nilo se alimenta

Níger… Congo… Zaire… Zambeze…

O Atlântico e o Índico em tormenta

Para lá do Cabo onde as fontes são palmares

Agora já secos de uma vida tão azul.


Séculos e milénios de passos e caminhos

O tempo viajou depressa e deixou

Gerações atrás de gerações que se perderam

E hoje não me lembro já de quem amou

Os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós

Se espalharam possuíram e viveram.


Caminharam…lutaram  

Pisaram e passaram as curvas dos escolhos

E seguiram a estrela dos pais que viram luz

Errando para além da morte

Nos seus olhos

Até chegar à terra que é do norte

Repousando os pés … nas pedras que calaram  

A voz da música e o silêncio que produz

O pensamento quente dos tambores

Anúncio encomendado dos amores

Dos bisavós dos avós dos meus avós

Que depois deles voltaram a ser avós !


E assim se cumpriu o meu destino

E de outros que paridos tão a norte

Navegaram conheceram amaram sem favores

Outros mundos novas terras tanto hino

À liberdade, e descobriram antes da morte

Que os primeiros bisavós dos avós dos meus avós

Mereceram, gente comum, elogios e louvores

De sábios senhores mais velhos e de gente como nós !        

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Original de António Bondoso, publicado em 2008 = DA BEIRA!Alguns Poemas e Uma Carta para Aquilino.                       


Cais Velho - Cidade de S.Tomé

António Bondoso
Jornalista