2012-08-14




À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !

Dois álbuns de fotografias do Amigo João Melo Sereno, sob o título genérico de  "MARÉ BAIXA"

ajudaram-me a concluir esta ideia: - se não mudarmos o rumo do mundo, teremos uma vida seca. Mesmo

que morramos afogados com a "subida" dos oceanos !



MUNDO AO CONTRÁRIO.

Maré baixa maré baixa.
De tanto baixar a maré
Deixa o peixe de ter pé
Os barcos ficam parados
Pescadores alvoroçados.
O mundo todo ao contrário
Que a fartura dá em fome
Todos pensam que é possível
Sem alterar o seu nome
Chegar de pé à montanha
Mesmo morrendo afogados!
====================AB. Agosto 2012. 

2012-08-08




***** Tenho estado a acompanhar, na TVI24, uma grande reportagem sobre os "efeitos" do petróleo no Delta do Níger. Nigéria tal e qual. 
De todos os inesgotáveis milhões...só 1 a 5% da população beneficia. Adivinhem quem ?????? 

           Por isso é que escrevi este poema, a pensar em S.Tomé e Príncipe: 




FORTUNA OU TEMPESTADE ?

Celêlê … celêlê…
Não ouves o ossóbô ?

É tempo de te abrigares
Da tempestade que chega.
Negros sinais se distinguem no horizonte
Rasgados pelo relâmpago
Com aviso dos trovões.
Não é magia, é certeza
De um novo modo de vida.

Celêlê… celêlê…
Não ouves o ossóbô ?

Não fiques preso no crude
Da maré negra que vem.
Levanta voo e repassa
Mensagem a todo o mundo:
Avisa garças e césias
Periquitos papagaios
Os pardais de bico lacre
Beija-flôr e andorinhas.
Canta o canto da conóbia
Sem temer o mau-agoiro
Ajuda Tomé-gágá disfarçado de guembú
Voa por cima do mar
Para avisar o gandú.

Celêlê … celêlê …
Não ouves o ossóbô ?

A chuva que traz o vento
Mais escura do que a noite
Decerto carrega ouro
Que não brilha nem reluz,
Vem ofuscar a lembrança
De uma vida mui feliz.
_______AB. EM Seios Ilhéus. 2010. Autor e Euedito.

2012-08-04







                  GAIVOTAS...

Voam gaivotas de noite.
Cortam o silêncio do escuro
Já muito àquem do mar,
Desafiam em terra a madrugada da revolta
A grasnar contra a fome
Que o mar hoje lhes dá.
Gaivotas...
Quais urubús peçonhentos e adivinhadores
De um tempo como este
Vil e decrépito – pobreza e miséria
Enfeitando a mesa vazia de tudo.
Voam gaivotas de noite
Cagando o solo pátrio adormecido !
=================AB. Agosto 2012.

2012-07-31





A MUSA


Apareceu a musa flutuante e disse: olá!
Se me acompanhares
Alimentarás eternamente a fonte dos mistérios.
E eu fui...
...Mas tenho regressado
Qual serezino cantador
Sempre sereno e servidor
Nunca servil.
===========AB. Julho 2012.





2012-07-12


                                                 Apesar de tudo... um Sorriso estampado !


INDEPENDÊNCIAS EM ÁFRICA...  
O caso particular de S.Tomé e Príncipe – o país mais pequeno do continente mas que pode ser visto como um dos últimos paraísos do Planeta. Mas nem tudo são “ROSAS DE PORCELANA” – uma flor tropical que é vista como um verdadeiro ex-líbris do país.
===========================
35 anos é um marco aceitável  para perspectivar  os caminhos traçados e percorridos pelos novos países africanos (neste caso de língua portuguesa).
Frederico Gustavo dos Anjos é um Amigo, antes de o rotular como Poeta ou homem de e da Cultura. Que também passou pela política e dela bebeu ensinamentos – rejeitando os males próprios da função. Depois, um certo distanciamento permitiu-lhe um olhar mais “independente” e/ou “objectivo”. Por todos estes motivos entendi propor-lhe responder a algumas questões. Poucas mas as essenciais para tentar perceber a realidade de STP. Não há perguntas polémicas ou difíceis...as respostas é que o poderão ser. Mas o objectivo desta “conversa” (via e-mail) passa apenas pela intenção de celebrar os 37 anos da independência do país.

*** 37 já passados (21 dos quais numa fase de multipartidarismo e de aprendizagem democrática), como é que se pode descrever a situação em S.Tomé e Príncipe?
…passo a passo a democracia vai-se consolidando. A sua implantação gerou, é certo, muita espectativa. A insatisfação, o descontentamento crescente da última fase dos primeiros quinze anos da nossa independência permitiram o reconhecimento da necessidade de mudança. E mudança foi feita para grande alegria da esmagadora maioria da nossa população. Os espíritos contrafeitos renderam-se depois à evidência dos acontecimentos ao ponto de, em discursos, se disputarem o mérito da iniciativa da mudança.
Entrou-se numa nova fase do período pós-independência. Acho é que não se soube capitalizar o entusiasmo, a energia brotadas desse processo em projectos de visibilidade com impacto nas condições de vida das pessoas. Cedo surgiu o desencantamento. Transportaram-se as frustrações e ambições pessoais, presumpções de superioridade conferidas por experiências políticas anteriores, megalomanias camufladas para o interior das instituições e escudando-se em leituras (mal) feitas e interpretações aleatórias das relações institucionais originaram conflitos e crises, com desmantelamento das instituições, encenações de golpe de estado que só contribuíram para causar ou reproduzir prejuízos ao processo de recuperação económica do país.
Agora fala-se é da garantia de estabilidade. Virou tema de todas as intervenções. Sem dúvida que após as danças de instabilidade sobre instabilidade tem de se reconhecer que o país precisa de paz (aqui nunca houve guerra!) e de estabilidade política para que governos possam de facto prosseguir com a acção governativa. Mas o receio paradoxo reside no facto de se instalar uma espécie de clima de intimidação que faz com que ninguém queira carregar o ónus de responsabilidade de provocação de novas crises. Por conseguinte, essa situação gera impasses que podem retardar ou inviabilizar a expressão de críticas ou denúncias de actos que exigem responsabilização. No fundo é como se tudo estivesse bem.
A democracia trouxe consigo as eleições (livre e justas, como se o poder do banho pudesse ser menosprezado em contextos de desemprego e pobreza, e toda as relações de subserviência que os acompanham), a liberdade de informação e de expressão, mas arrastou também consigo a desordem, a indisciplina, a violência doméstica.
 A justiça, parte integrante de todo esse processo, continua uma pedra no sapato dos sucessivos governos (e houve muitos, vários).
Enfim, consola pensar, como se dizia em 90, “quinze ano já chegou!...” E se alguma coisa aprendemos do passado, resta é trabalhar no sentido de se prosseguir com a consolidação da democracia, que na minha perspectiva deve ter como fundamento melhor (re)distribuição de recursos (acesso à informação, aos serviços sociais de base, às oportunidades de formação, de emprego, de rendimento,…).
***  Um exemplo gerador de conflitos tem sido a aplicação prática da actual Constituição do país...
O problema deve estar na interpretação que uns e outros fazem sempre em função dos seus interesses. A questão já se levantou há muito e foi como consequência do debate inacabado que uma revisão pontual serviu para reduzir os poderes do presidente…
*** Vale a pena insistir no modelo... ou será conveniente enveredar pelo tradicional modelo Presidencialista ?
A pergunta deve ser: Que Constituição para S. Tomé e Príncipe? E outras questões se devem colocar, como a da divisão político-administrativa, por exemplo. O fundamental é que não haja revisão ou revisões em função de interesses pessoais ou de grupos. Já ouvimos, presidencialismo sim, mas com este não. Aquele vai se tornar ditador. O outro vai gerir o país como a sua roça…
Penso é que, se nos ativermos no fundamental, qualquer revisão deve ir no sentido de adequação das instituições à realidade do país, que, ainda que venha a poder contar com recursos adicionais, deve evitar a proliferação de instituições, a criação de figuras de ostentação e esbanjamento de recursos.
***  O “regresso” de Pinto da Costa.
        Se percebi a questão: Não houve “regresso”. Pinto da Costa candidatou-se mais uma vez convencido de que pode dar alguma contribuição nesse processo de consolidação da democracia. De acordo com os resultados das eleições presidenciais ganhou e é o actual presidente. Só nos resta esperar que as suas prestações como presidente não venham a defraudar as expectativas dos cidadãos.
*** Um sinal de necessidade de recorrer à credibilidade e experiência... ou falta de soluções e de empenho político das novas gerações ?
É verdade que a sua vitória possa ser susceptível de leituras. As perturbações do período pós-mudança deixaram muito ténues as recordações e as feridas do passado dos quinze anos, por um lado. Por outro lado, uma franja considerável dos eleitores é constituída por gente jovem que não viveu os “quinze anos” e os sentimentos nefastos daquele período neles não foram incutidos. Ficou para a história!
E como também não surgiram candidatos de consenso, pode ser que a estratégia de candidatura de Pinto da Costa tenha beneficiado dessa evolução. Portanto, não houve “regresso”. Falemos antes de uma nova oportunidade de participação que, esperemos, ele saiba aproveitar em benefício dos seus concidadãos?!
***  Há sinais evidentes de recuperação económica ?
A situação de pobreza é incontestável, mesmo que paralelamente se encontrem manifestações de ostentação de riqueza de origem desconhecida ou duvidosa. Constata-se carências, observa-se insuficiências. A forte dependência do exterior é expressão desse quadro interno.
Apesar dos esforços de aumento da produção e de diversificação da economia, os resultados continuam modestos. Os níveis de produtividade e de produção estão longe de poder corresponder às necessidades.
O processo de privatização e distribuição de terras não deu lugar a uma agricultura mais dinâmica. A pesca continua essencialmente artesanal. O turismo como aposta tem dado o seu contributo, mas ressente-se da insuficiência de condições para o seu desenvolvimento. Grassa o pequeno comércio e negócios informais que francamente reproduzem o ciclo de circulação de capital, mas não dão lugar à acumulação.
O paludismo anda num vai e vem que embaraça o quadro do seu combate, para além dos esforços financeiros que exige.
Mas há pequenos agricultores bastante dinâmicos, a produção do cacau biológico está ganhando pé; tem havido uma actividade turística que promete se forem criadas melhores condições de atracção; as infra-estruturas de apoio à produção também têm sido alvo de atenção e um rol de promessas por concretizar no sentido de trazer investidores para o país, de transformar o país numa plataforma de prestação de serviços… tudo razões bastantes para que se mantenha a expectativa, já sem falar de oportunidades que uma possível exploração petrolífera irá determinar.
***  E a CPLP...
Penso que a CPLP é uma comunidade de múltiplas diferenças que, se respeitadas e convenientemente geridas, permitirão o reforço do entendimento nos espaços (político, diplomático, económico, …) em que actua…é, não basta ter em conta apenas o que nos une (história, língua…)…
...Merece apreciação positiva, particularmente no acompanhamento da situação na Guiné-Bissau ?
Precisa-se ter informações bastantes sobre a situação para uma tal apreciação e não creio que as que circulam na comunicação social sejam suficientes. O importante é reconhecer que o que se passa na Guiné-Bissau é motivo de preocupação de toda a comunidade. Há de haver um momento em que o país deve reconhecer que não pode ficar permanentemente em situações de conflito, pondo em causa a credibilidade das partes envolvidas…
*** Tal como aconteceu no Mercosul ( com a suspensão do Paraguai )...também a Guiné-Bissau deveria ter sido suspensa da Organização CPLP ?
O problema é o significado dessa suspensão para a grande maioria dos guineenses que sofrem na carne e na alma as consequências das desavenças entre as hostes que se rivalizam. Politicamente ingénuo, ainda continuo a acreditar piamente nas possibilidades inesgotáveis do diálogo sereno, pacífico, que aprendi no cochichar nocturno dos meus avós.  
================== Obrigado Frederico. Felicidades e...até sempre!
António Bondoso, Julho 2012. 


2012-07-02


AMIZADE, INSPIRAÇÃO E ... ESTIMA.

Partiu antes do tempo, tirou-nos uma palavra amiga e o sorriso da Lua. 
No 78º aniversário do seu nascimento, a 1 de Julho, fica a promessa de nos cruzarmos de novo na  Mesopotâmia - um espaço que ele criou em 2003. 

Nesta madrugada, aqui lhe reservo - de direito - toda a saudade que me ensinou a partilhar, com memórias e vivências (mesmo quando amnésicas...) de um tempo tranquilo no nosso Oriente da História.





2012-06-19


***** O S.João é político...pela simples razão de que é "democrático". É do Povo, é de Todos.




S.JOÃO POLÍTICO.

Se o primeiro ministro quiser
Dar desgosto ao S. João
Nem Santo António lhe vale
E o S. Pedro a dizer não.

Mas se à noite cá vier
Não venha pela Scut
Que o S. João já não pode
Aturar quem o escute (a si, claro!).
========= AB. 2012.



2012-06-08




 À VOLTA DE MIM E DO MUNDO...
...OU COMO SE “JOGA” À  POLÍTICA  EM S.TOMÉ E PRÍNCIPE!

 Danilo SalvaterraQual a estratégia de S.Tomé e Príncipe.? Fonte Africa Confidencial. » Pinto da Costa, Presidente de S. Tomé e Príncipe, manifesta-se desapontado por não ter sido previamente posto ao corrente de medidas do Governo que por serem de natureza diplomática e implicarem questões consideradas “delicadas”, teriam obrigado a isso, conforme disposição constitucional. Foram os casos do reconhecimento da independência do Kosovo e da integração do Sara Ocidental em Marrocos. Em meios políticos conjectura-se que ambas as medidas foram impulsionadas por contrapartidas em termos de investimentos.         

           Este post de Danilo Salvaterra no FB, há um par de dias, avivou-me a atenção para outras notícias recentes com origem no arquipélago africano do Equador. Se bem se recordam, o Irão anunciou há dias a intenção de oferecer a STP 50 milhões de USD, como moeda de troca pelo apoio do país nas votações da ONU. Ao que parece, para investimentos “prioritários” – nomeadamente na Educação.          Não é uma situação inédita na política externa sãotomense, já que – no tempo da Presidência de Miguel Trovoada (pai do actual 1ºMinistro Patrice) – o país decidiu ir procurar “dinheiro vivo” em Taiwan, exactamente a troco de alinhamento diplomático nas NU, abandonando a relação antiga com a República Popular da China, uma postura que se mantem até hoje. Apesar de tentativas discretas no sentido de uma reaproximação – nomeadamente através da diplomacia angolana e da não hostilização por parte do Fórum de cooperação entre a China e os países da CPLP, com sede em Macau.

          Agora, aparecem estes casos do Kosovo e do Sahara Ocidental. Se neste último se pode perceber a eventual influência de Marrocos e da UA, já no caso do Kosovo é muito difícil descortinar que tipo de contrapartidas. Embora com “reconhecimento” internacional, o Kosovo é ainda uma peça muito mal “encaixada” no mapa da região, com recursos próprios limitados e dependendo de ajuda internacional – concretamente da UE. Quem prometeu o quê? Será preciso alargar o estipulado nos Acordos de Cotonou e no NEPAD?     

          Qual a estratégia de S.Tomé e Príncipe ? – pergunta Danilo Salvaterra. Ao que parece, com legítimas interrogações, a resposta poderá enquadrar-se numa política externa de zigue-zagues, sem orientação definida, sem rumo de futuro, sem uma visão estruturante e consolidada. Apenas por ser um pequeno país? Não é razão suficiente. Independentemente da sua dimensão, um pequeno país pode afirmar-se na cena internacional com verticalidade. O que é necessário é arrumar a casa primeiro! Ganhar credibilidade. E para isso, há que tomar posições difíceis e definir opções de alinhamento. O “imediatismo” não é garantia de futuro assegurado. Arrumar a casa também passa pela cultura, pela educação, pela afirmação cívica e pelo empenho de cidadania. É de todo este esforço que pode nascer uma nova geração de políticos, capazes de implementar novas políticas.
          Num sistema semi-parlamentar ou semi-presidencial, independentemente do que estiver estabelecido na Lei Fundamental (em STP há responsabilidades partilhadas, particularmente nas áreas da Defesa e da Política Externa), há que ter o bom senso de – pelo diálogo – conseguir consensos alargados que possam representar estabilidade.
          Naquela nota de Danilo Salvaterra, nem se percebe diálogo nem se vê funcionamento institucional normal. O que, volto a dizer, não é uma situação inédita. Aos abusos e ao unanimismo forçado do tempo do partido único, sucedeu uma natural explosão de liberdade de pensamento e de expressão que – por força de “ambiguidades” constitucionais e de tradição presidencialista africana – cedo conduziu a um clima de conflito quase permanente entre os diversos actores políticos. E que se mantém perfeitamente actual.
No dia 3 de Junho, ao passar os olhos pela edição online do jornal Téla Nón deparei-me com este título: “Nota de protesto nº 354 do Gabinete de Pinto da Costa evitou que a TVS mais uma vez amordaçasse o Chefe de Estado”.
          A notícia/artigo de opinião, assinada por Abel Veiga, tem a ver com o tratamento jornalístico dado pela TVS às actividades do PR, Pinto da Costa, no caso concreto à ausência de cobertura da comunicação final a propósito da chamada “Presidência Directa” sobre o sector da Justiça no país, como segue escrevendo o Téla Nón:
Numa nota de protesto emitida no dia 1 de Junho e endereçada ao Director da Televisão São-tomense, o Gabinete do Presidente da República, diz que o órgão de soberania nacional «registou de forma estupefacta, incrédula, e inadmissível, o tratamento jornalístico reservado a mensagem de encerramento das Jornadas da Presidência Directa no Sector da Justiça, realizada por sua excelência o Presidente da República, de forma solene, no salão nobre do Palácio do Povo, como se de assuntos correntes se tratasse», refere a nota de protesto número 354 do Gabinete de Pinto da Costa. 

          Aqui, é o jornalismo e a liberdade de informação a cruzar-se com a política. Em primeiro lugar, uma Lei de Imprensa (pelos vistos ainda não existe uma específica para a Rádio e para a TV) elaborada pelos partidos e aprovada pelos deputados. Foram os jornalistas consultados? Se foram, mostraram-se incapazes de perceber a especificidade da TV e da Rádio.             Como se perceberá mais adiante, as actividades da dita Presidência Directa foram acompanhadas em termos noticiosos. Independentemente das razões de legalidade colocadas pelo PR, penso (como jornalista) não ser exigível uma transmissão na íntegra do balanço final. A não ser que o sector da Justiça apresentasse gravíssimos problemas que pusessem em causa o normal funcionamento das instituições. Há que saber separar informação de propaganda. Mas, pelos vistos, a emenda terá sido pior que o soneto: - A nota do Gabinete de Pinto da Costa, exigiu que a comunicação do Presidente da República, fosse reposta no telejornal do dia 1 de Junho «na íntegra e com o devido relevo, conforme o ponto 2 do artigo 26º da lei de imprensa em vigor na República Democrática de São Tomé e Príncipe».         

          E foi. De uma forma muito sui generis:        O protesto do Gabinete de Pinto da Costa, terá ecoado forte nos corredores e gabinetes da TVS, ao ponto de um jornalista da casa ter entrado nos estúdios no dia 2 de Junho, desta vez como pivôt de um bloco especial, em que foram divulgadas todas as visitas do Chefe de Estado aos diferentes órgãos do aparelho judiciário, e no fim do bloco especial, foi novamente transmitida a comunicação de Pinto da Costa à nação.         

         O exagero também é irresponsável, por muito que os jornalistas da TVS tenham vindo a sofrer pressões das chefias, da direcção ou do governo. O que não deixará de ser verdade, tendo em conta o que se passou há tempos com a jornalista Conceição Lima.
         Concluindo, o que pretendo dizer aos meus camaradas sãotomenses é que devem estar munidos de instrumentos que possam evitar a tentação de pressionar e de instrumentalizar. Formação e organização de classe que os possa conduzir a levar os políticos (deputados) à elaboração de uma nova Lei de Imprensa e, se possível, a uma Lei da Rádio e a uma Lei da Televisão.
         Aos políticos, direi que não adianta pressionar. Miguel Relvas em Portugal saíu mal na fotografia e já antes tinha acontecido com Sócrates e outros. Façam o vosso trabalho e deixem os jornalistas trabalhar. Deixo também o registo ao Director da TVS: - o que o impede de apresentar a sua demissão, depois de ter sido desautorizado da forma que foi ?
           É o "feitiço" das Ilhas do Meio do Mundo...

António Bondoso, 8 de Junho 2012. 

2012-06-03



ENCONTROS PREMEDITADOS






           ENCONTROS PREMEDITADOS






A olhar para um caminho longe...
Tive pena de não participar no convívio de Montachique. Mas vou - agora que se aproxima o de Pedralva (Amigos do Andorinha) - responder ao apelo da Mizé Peres para atravessar o Douro e ir à Rua do Almada, no Porto. 
E vou para lhes manifestar a satisfação que sinto :


    QUANDO REVEJO OS AMIGOS.

Quando revejo os amigos
Companheiros de saudade,
O tempo que foi marcante não morreu
Ficou suspenso
De palavras nunca ditas
Ideias e emoções a ferver dentro de mim.
Memória viva saída
Arrancada aos corações
Em abraços e sorrisos que nascem
De cada olhar
Parido num frente a frente
Ou na lente de uma câmara.
Nessas alturas eu digo buscando
Dos Santos Ary
Revejo tudo e redigo meu camarada e amigo
Estou aqui...estou de pé como cresci.
---------------------------
AB.2011.

2012-06-01




À VOLTA DE MIM E DO MUNDO!

O sonho é sempre uma herança a cruzar gerações. Nasce, completa-se num abraço entre a criança e os pais, transmite-se quase por osmose nessa cumplicidade crescente.

             A HERANÇA...                     

Se o meu sonho de criança
Pudesse ir além do tempo...
Estaria agora a pedalar
Num triciclo imaginário
Ou simplesmente a voar
Por cima de tanto mar.
O sonho...é sempre uma herança!
------------------------------------------
AB. Junho 2012.

2012-05-24


A PROPÓSITO DO DIA DE ÁFRICA.



                                   "Renunciar também é um tipo de liderança". Nelson Mandela.


Reflectir sobre a África obriga-nos a recuar séculos. Estudar e perceber o Norte não nos conduz de imediato a idêntica apreciação sobre a África Central ou Austral. Do chamado Corno de África a Marrocos, da região do Cabo ao Egipto, do Golfo da Guiné à região dos Grandes Lagos – cada espaço é simultaneamente único e verdadeiramente complexo.
Não tenho, por isso, a pretensão de alargar a História nem, tão pouco, de transformar esta simples nota de memória num elaborado tratado de antropologia ou de política internacional.
Quero apenas partilhar ideias e poder contribuir – minimamente que seja – para abrir um debate sobre o que me aproxima da África e dos meus amigos africanos.
Assim, mais do que repetir imagens de conflitos e tragédia, a minha motivação passa por dizer – à semelhança do que acontece com a Europa actual – que o continente “eterno” sofre da ausência de uma liderança forte, mesmo que repartida, como foi o caso da geração do “Pan-Africanismo” que conduziu ao processo de descolonização, independentemente do grau de diálogo ou de conflito com as “potências” europeias.
Depois de N’Krumah, Lumumba, Nasser, Senghor, Kenyata, Nyerere, Cabral, Agostinho Neto, Mondlane – restou ainda vivo Rolihlahla Nelson Mandela. Vivo também o seu espírito de lutador e de conciliador que granjeou e espalhou – quer no tempo de combate ao “apartheid”, quer sobretudo com o seu exemplo na presidência da Nação do Arco-Íris, a nova África do Sul.
Vale a pena, por isso, e também porque é sentido como que um vazio depois da sua presidência, recordar o que Albrecht Hagemann escreveu sobre Mandela em 1995. A obra, traduzida e publicada em Portugal em 2011(pág.142-144), numa iniciativa do Expresso, conduz-nos às oito “Lições de Liderança” (2008) trazidas a público pelo amigo íntimo de Mandela, Richard Stengel. Para além do carisma, o carácter!
Por agora, basta atentar nas duas últimas: (7ª) “Nada é preto e branco. Nada na vida é ou/ou. As decisões são complexas e existem fatores concorrentes. A vida concorda com o cérebro humano em querer ter explicações simples, mas isso não corresponde à realidade. Nada é tão evidente como pode parecer. Enquanto Mandela combatia inquestionavelmente o apartheid, reconhecia ao mesmo tempo as suas diferentes origens históricas, sociológicas e psicológicas”; (8ª) «Renunciar também é um tipo de liderança. Com o seu anúncio precoce de querer apenas cumprir um mandato na presidência, Mandela tencionava enviar um aviso, não só para os seus sucessores, mas para todo o continente africano. A sua tarefa, de acordo com um companheiro da altura, Cyril Ramaphosa, ‘era decidir o rumo do navio, não comandá-lo’. Mandela estava convencido de que os líderes políticos lideram mais pelo que não fazem do que pelo que fazem».
Deixo-vos ainda, se tiverem paciência para ler e criticar mais um pouco, um trabalho que elaborei em 2009 sobre “O continente africano e os conflitos endémicos. O caso nigeriano da Guerra do Biafra e as águas turbulentas do Delta”.
         
***** Faça o download do ficheiro integral em: DiaAfrica12.pdf



2012-05-22


À VOLTA DE MIM E DO MUNDO...




CENTENÁRIO...OU UM RECONHECIMENTO MERECIDO!

Esta efeméride coloca em destaque a vida e a obra de um dos grandes – mas quase desconhecidos – símbolos da aventura portuguesa no Oriente.
Saído de Freixo-de-Espada-à-Cinta, onde nasceu em 1912, Monsenhor Manuel Teixeira chegou a Macau em 1924 – onde viria a receber o nome de “Man Pak Chin”, o que significa mais ou menos a origem da sabedoria e da virtude.
De facto, esta “personalidade espantosa” – no dizer da investigadora Celina Veiga de Oliveira – legou às gerações futuras uma impressionante, incontornável e preciosíssima obra sobre a presença portuguesa no Oriente e da qual os portugueses fazem, porventura, apenas uma muito pálida ideia.
O professor e editor António Aresta, que também o conheceu em Macau, referiu-me há uns anos cerca de 130 títulos – alguns dos quais traduzidos em inglês e em chinês. Uma obra que classifica de vital importância, pois que – se não fosse o trabalho persistente e metódico de Mons. Manuel Teixeira na investigação, classificação e publicação – boa parte da documentação sobre a nossa presença no Oriente ter-se-ia perdido. Daí, a necessidade urgente de serem reeditadas algumas das suas obras fundamentais, como por ex a “Toponímia de Macau” – cujo manuscrito data do início da década de 1970 mas que só viria a ser publicado (em dois volumes) em 1979.
Rejeitado pela “censura” do governador de então e perdido em Portugal no esquecimento das motivações do pós-25 de Abril, o manuscrito viria a ser recuperado pelo interesse e pelas diligências de uma sua velha amiga de Macau – a professora e escritora Ana Maria Amaro. A censura da obra, disse-me o próprio durante uma entrevista efectuada já depois do seu regresso a Portugal e já muito próximo do seu 90º aniversário, teve origem na simplicidade de um nome de rua: “Rua do Ópio”, de acordo com as autoridades de então, contaria uma história impublicável, eventualmente à semelhança por ex da Rua da Felicidade. Monsenhor Manuel Teixeira opôs-se determinantemente ao corte do respectivo capítulo: - “Nem uma vírgula. São factos, não se podem apagar da história”. Decidiu, então, enviar o manuscrito para Lisboa, onde viria a cair no esquecimento da “ditadura” e, depois, no turbilhão da revolução que se seguiu ao golpe militar do 25 de Abril de 1974.
Nessa entrevista para a Antena 1 da RDP (transmitida no programa Nós e Os Outros, mais tarde cortado da grelha no “consulado Marinho”) e da qual retiro todas as ideias fundamentais do presente texto, Mons. Manuel Teixeira recordou ter chegado ainda a “pregar” em língua chinesa e mencionou figuras e locais que o marcaram. Nomeadamente Carlos Assunção – seu aluno “muito inteligente” e a quem ensinou Latim; o “poeta insubstituível” Adé dos Santos Ferreira; ou o seu “irrequieto” aluno Carlos Marreiros, já nessa época um génio da caricatura.
E seguiu dizendo que os portugueses deixaram uma marca muito forte no Oriente, sobretudo conquistando a amizade dos povos – atitude particularmente devida à acção dos missionários. Não só em Macau e em Malaca mas também na Coreia (onde participou no “Paralelo 38” em cerimónias em honra de N. Sª de Fátima, a 13 de Maio) e na China, onde destaca o trabalho do Padre Jesuíta Mateus Ricci, italiano de origem (Matteo Ricci) que estudou em Coimbra e aprendeu a língua portuguesa para melhor se integrar na vivência de Goa em finais do séc. XVI. Dizem escritos e Manuel Teixeira corrobora, que Ricci foi depois chamado a Macau para estudar a língua chinesa com o objectivo de missionar na China, onde a religião católica enfrentava enorme resistência.
“Conquistou os mandarins pela ciência” – diz Manuel Teixeira. Para além de Humanidades, Ricci partilhava conhecimentos de Matemática e de Astronomia, tendo morrido em Pequim em 1610. “E só não foi canonizado”, acrescenta, pelas críticas que erradamente lhe dirigiram. Ricci foi acusado de ensinar ciência em vez de pregar o evangelho!
Outra “canonização” falhada, mas por motivos diversos, foi a do Padre Adroaldo Coroado, natural de Vilarandelo – concelho de Valpaços – que chegou a Macau em finais do séc. XIX e cedo partiu para Malaca onde passou o resto da sua vida “fazendo o bem sem olhar a quem”. Aí, durante a IIª Guerra Mundial, conta Manuel Teixeira, era comum ouvir-se rádio para saber as últimas notícias. O padre Coroado e outros clérigos, traídos por um “malaqueiro” de nome Bates, foram presos e torturados pelo japoneses. Após a sua morte, os católicos de Malaca quiseram avançar com o processo da canonização, mas – infelizmente – faltou o dinheiro.
Durante a sua permanência em Macau, Monsenhor Manuel Teixeira ficou ainda conhecido como o “casamenteiro” de todos os japoneses. De tal forma que, estando já em Portugal, foi procurado na Casa de Santa Marta, em Chaves, por uma jovem de nome Mioko. Pretendia casar-se com Yoko e vinha pedir a Monsenhor para se deslocar ao Japão. Mas a sua saúde já não o permitiu.
E foi na Casa de Santa Marta, em Chaves, que Monsenhor Manuel Teixeira viveu os últimos dias da sua longa peregrinação pelo oriente deste mundo: - Macau, Malaca, Singapura, Coreia, China e Japão. De certa forma desgostoso por não ter cumprido o seu desejo/promessa de morrer em Macau. --- AB. Maio 2012.



Igreja de S. Francisco Xavier na ilha  de ShangChuan - sul da RPChina.

2012-05-12


O ser humano e a sua circunstância. Entre complexas palavras - como Dogma, Fé, Crença - o Homem não é uma "ilha". Vive sempre paredes meias com emoções, afectos, desespero, esperança, promessas, lamentos, exemplos, desgraça, ternura, solidariedade. E sempre à procura de um sentimento mais forte, para além de nós e da nossa mesquinhez. Que a noite passe depressa e que o amanhecer possa ser mais radioso.



                      MARIA SENHORA NOSSA

De Maio a Outubro erguemos as mãos
Agradecemos a Deus o envio da Senhora.
Oramos na Cova das aparições
Em Fátima com Fé celebramos a vida
Dizemos a Cristo que somos irmãos
Estendemos as mãos com os corações
Ao alto e na cruz  cantando orações.

As palavras da prece dirigidas a Deus
Leva-as a Senhora nos lenços bordados
Húmidas de lágrimas na hora do adeus.
Santos humanos muitos pecadores
Sorrisos molhados beijos atirados 
Cânticos louvores e muitos amores
À volta da luz das velas e flores.

A virgem Senhora intercede por nós
Em sonhos de branco mensagem de paz
Persegue um caminho por cima de nós
ousado milagre de humano calor
Mostra que a meta de ser capaz
Motiva emoções energia de amor
Da nossa vivência o símbolo maior.

De Maio a Outubro na Cova da Iria
Comungamos o Corpo elevamos a alma 
Chegamos a Ele pela Virgem Maria !
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Fev. 2007                                         
António Bondoso                                                  

2012-05-06


***** “Chamei por ti, não respondeste...”.
Se eu pudesse ir ter contigo...

Há 40 anos, tinha acabado de perder o bem maior. E registei exactamente estas palavras. Angústia e dor marcavam, então, a tristeza da minha caminhada a solo. E pensava e dizia
que te tinham levado porque eras boa!
E como foste muito cedo, faltou-me tempo para te devolver o carinho que só tu me sabias dar.
Hoje, trago à luz do dia palavras de sentimentos que alguém manteve reservadas. A pureza ingénua de algumas frases - segredo em arca de cânfora durante 40 anos:

ONDE ESTÁS?

Mãe!
Chamo por ti mas não respondes...
Onde estás?
Porque não vens?
Ó... no fundo, eu sei que não podes vir.
Mas se eu soubesse onde te escondes
Onde moras onde vives, onde tens o que eu não tenho...
Sim mãe... se soubesse, queria ir!
Preciso ver-te, abraçar-te
E sentir o calor do teu amor
O amor que tu me tinhas.
E quero ter as tuas mãos
Muito bem perto das minhas
P’ra me guiarem bem longe
No amor que agora tenho!
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----AB. 24Maio1972.

2012-05-02

‎*****Para os mais distraídos ou para os menos confiantes nos dirigentes sindicais portugueses, aqui deixo parte de uma notícia sobre o 1º de Maio na Alemanha.............. 

O presidente da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB) criticou hoje as políticas de austeridade, acusando os políticos europeus de não enfrentarem os bancos e os especuladores, no principal comício sindical do Primeiro de Maio, em Estugarda.

"Em vez de destruir a Europa com as políticas de austeridade, são necessários programas para estimular a conjuntura, afirmou Sommer."Nos países em crise do sul da Europa são homens de confiança do grande capital que estão na ponte de comando", proclamou, defendendo a introdução do referido imposto para financiar programas de apoio à conjuntura e de combate ao desemprego juvenil.

Sommer reiterou também a exigência dos sindicatos germânicos para introdução de um salário mínimo nacional na Alemanha de 8,50 euros por hora.-------------Jornal "i" online.