2013-07-12

A PROPÓSITO DO 38º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DE S.TOMÉ E PRÍNCIPE.
12 DE JULHO DE 1975.

Escrevi "Escravos do Paraíso" para assinalar os 30 anos da independência; fiz publicar "Seios Ilhéus" para marcar o 35º aniversário do acontecimento; provavelmente inicio hoje um capítulo do que poderá vir a ser mais um contributo para dar a conhecer as ilhas do meio do mundo:
Eu, na ponte da Boa Entrada, com minha mãe e minha irmã.

VIAJAR HÁ 60 ANOS...
...ou de como era difícil "emigrar" para África.

Verão de 1953. Não dos mais quentes de que possa haver memória mas, mesmo assim, na ponta de Sagres foram registados 31 graus célsius – centígrados, dizia-se na época.
Nos três anos da minha inocência, a bagagem que transporto não permite reter grandes cenários, muito menos registar factos ou imagens que se possam vir a revelar como determinantes para o meu futuro numa outra terra longe e sobre a qual nada sabia. Dela nunca ouvira falar. Contudo, isso não impediu o início de uma grande viagem e de uma aventura imensamente quente e frutuosa.
 Da minha casa, no Largo das Cinco Ruas, onde nasci – saí pelo meu pé, suponho que trajado à boa maneira domingueira da vila, sinal de uma humildade de caráter que marcou os meus progenitores – acompanhando, penso, um misto de triste incerteza e de uma jovem e apaixonada ansiedade de minha mãe, pelo facto de ir ao encontro de meu pai já ausente há largos meses. Não tenho a certeza, mas creio que o estado de espírito da minha irmã seria igualmente um misto de prazer pelo imaginário da viagem e de contida alegria por partir ao encontro do pai.
Imagino que tenha havido despedidas, quer dos familiares, quer dos amigos, não faltando certamente momentos de choro ou de alento, palavras de tranquilidade e de incentivo – tudo o que é comum em circunstâncias dessa natureza. Dos meus avós, todos vivos, talvez a separação tenha sido mais dolorosa para os maternos. Era mais uma filha que partia, depois dos desenlaces fatais com a Céu e a Cacilda e após terem rumado ao Brasil o António e o Manuel, sendo que o Zé tinha arranjado trabalho em Gouveia. Ficava apenas Clementina para consolo do par Énico Félix e Augusta Soares Mendonça.
Admito, portanto, que reinasse ali, na velha casa do avô nas Cinco Ruas, muita tristeza e imensa preocupação. Ao mesmo tempo, seria perfeitamente natural a esperança de que tudo fosse correr bem num outro lugar – quem muda Deus ajuda – face às dificuldades que o país atravessava depois da II Guerra Mundial. E Salazar já estava há mais de 20 anos no poder. A emigração, tal como hoje e talvez desde sempre, era muitas vezes a saída de sentido único. Nesse tempo, para o Brasil e apenas em cinco anos[1950-53], tinham já partido mais de 180 mil adultos e quase 34 mil crianças. África ainda não era, como nunca viria a ser, o destino prioritário de milhões de portugueses que fugiam à pobreza. O fluxo aumentaria, apesar de tudo, mas por motivos de ordem diversa.
Só que o pai havia recebido a “carta de chamada” por intermédio do seu irmão Zeca que, por sua vez, já partira para as ilhas do cacau em 1949, “chamado” pelo cunhado Honorato, ali nascido e que viria a casar com a tia Palmira – ambos de contabilidade já cumprida neste mundo, infelizmente. Os laços familiares sempre geraram as “correntes” ou, pelo menos, ajudaram à decisão da “escolha”.    
E foi assim que, nesse verão de 1953, as minhas pernas subiram os degraus de uma velhinha camioneta – não sei se da marca Bedford – tendo tomado assento nessa viatura que efetuava a ligação entre Trancoso e Lamego. Os avós António e Maria José não faltaram à saída do Largo do Tabolado, imaginando eu – sabedor, hoje, de outras histórias – uma diferente forma de encarar o facto. O avô paterno protagonizara igualmente uma década de trabalho no Recife, Brasil, para onde emigrara em 1905.
Por outro lado, tendo conhecido durante largos anos as difíceis ligações rodoviárias à cidade do Porto, imagino ainda que a viagem até Lamego, primeiro, e depois até à Régua, antes de chegar à Invicta, não tenha sido muito fácil. Uma dor de cabeça mais que provável para a minha mãe, apesar de uma eventual e pequena ajuda da minha irmã Luisa, já com nove anos de idade. Mas, até prova em contrário, admito ter sido um herói.
Da cidade do Porto a Matosinhos, ao porto de Leixões, só o cansaço poderia ter causado qualquer outro pequeno problema. O último percurso em terra firme, antes de embarcar no “Pátria” – um paquete de 19 mil toneladas, da Companhia Colonial de Navegação que havia sido criada no Lobito, Angola, em 1922. A CCN daria ainda à rota marítima de África outros navios como o Império, no qual também viajei, o Vera Cruz, o Santa Maria – que viria a servir de palco a uma das mais badaladas ações contra o regime de Salazar – e, já em 1961, o Infante D.Henrique, com 23 mil toneladas. A “cereja no topo do bolo” para ombrear com o “Príncipe Perfeito”, da CNN – Companhia Nacional de Navegação.
Enfreitei, então, pela primeira vez o mar, mas desse embate continuo a não ter memória, talvez pela razão de viajar instalado no porão – que é como quem diz na 3ª classe, não sei mesmo se na 3ª classe suplementar. Dali não se via o mar, apenas sentia os efeitos do seu ondular. E depois Lisboa, e o mar muito mais bravo até à Madeira – antes de Las Palmas para reabastecimento. Nove dias de viagem da qual me ficaram as imagens das camaratas do porão, até avistar o verde das ilhas de nome santo, as ilhas do meio do mundo no Golfo da Guiné, as pérolas de expressão portuguesa na linha do Equador, a sul do qual dizem não haver pecado.
S.Tomé – a Ilha...apresentou-se aos meus olhos de criança de uma forma difusa, vista de longe, pois não havia cais acostável para os grandes paquetes. O Pátria fundeou ao largo e os passageiros foram obrigados a efetuar um transbordo para pequenas lanchas – os “gasolinas” do Castela, soube mais tarde – e dali uma pequena viagem até ao velho cais da então Praça do Império. Por muito que me continue a esforçar, não me recordo de o meu pai ter ido receber-nos a bordo. Mas certamente que foi. Era uso costumeiro, independentemente da atitude de boa educação. E subiu as escadas do portaló e terá sorrido quando nos viu, abraçando em seguida a mulher Virgínia e os filhos, antes de uma saída algo “ondulante” e perigosa, graças à “calema” – a ondulação sempre forte em alto mar, mesmo em dias de calmaria.
Também não me lembro, mas seguramente que havia tubarões a rondar, respondendo ao cheiro e ao sangue dos restos dos géneros que eram despejados da cozinha do navio. Um ritual sagrado do “gandú”, como aprendi mais tarde. E nunca foi fácil desfazer essa ideia de que os tubarões estavam ali, sobretudo, para amedrontar as pessoas. Mas nesse, como na quase totalidade dos dias de “São Navio”, ninguém caiu ao mar. Era grande a perícia dos marinheiros das lanchas. E todos puderam chegar ao cais da cidade, deparando com a estátua de João de Santarém, no jardim da Praça e no qual pontuavam as palmeiras de grande porte.
Percebi – fui percebendo – tudo isto mais tarde, já depois de instalado numa pequena vivenda no Bairro de N.S. da Conceição, de construção relativamente recente. A rua era ainda de terra batida, ficando encharcada e lamacenta depois das célebres chuvadas tropicais – fortes e pouco demoradas, a não ser naqueles dias de grandes tempestades e trovoadas de arrancar orações ao mais cético dos não crentes.
E depois das chuvas – disso já tenho memória – era a alegria de brincar nas poças de água barrenta, tentando agarrar aquelas pequenas larvas saltitantes e moribundas com a rápida evaporação das águas. Em tronco nu e descalço, usando apenas uns calções de centavos, foi uma adaptação quase perfeita e imediata ao calor tórrido e à humidade extremamente sufocante. E o cenário da mata do Riboque nas traseiras da casa? Convidativo à aventura e refrescante quanto baste.
E assim se foi processando a minha integração nessa terra longe, ficando para trás o já quase vazio reservatório da memória. As novas imagens e as novas descobertas foram ganhando preponderância. A qualidade de vida podia praticamente resumir-se ao meu trajeto entre o Bairro da Conceição e a Escola Primária de Vaz Monteiro, em tronco nu e descalço e apenas com os calções de centavos ou com as calças de um pijama desnecessário, dando com um pequeno pau no arco, a girar, sempre a girar, até chegar à porta da escola e dizer que queria ver a minha irmã. E depois voltava, compenetrado, passando pelo mercado e pelas padarias da praça, pelo grande frigorífico de fazer gelo e pela Igreja de N.S. da Conceição[onde viria a casar com a Maria do Amparo, fará em breve 39 anos], na qual paroquiava o célebre Padre Martinho Pinto da Rocha, que um dia disse ao Bispo de S.Tomé e Arcebispo de Luanda – “posso ser um mau padre, mas sou um bom pai”! E foi...um pouco de tudo:- padre, pai, juíz e outros ofícios de grande cartaz.
Por essa altura ainda não tinha “consciência” do que se passara havia poucos meses, no Batepá, perto da Trindade. E das consequências desse triste acontecimento, em Fevereiro, e que viria a prolongar-se por vários meses na Colónia Penal de Fernão Dias: uma praia marcada pela revolta, pela força brutal das autoridades e seus capangas, pela humilhação e pelo sangue derramado da gente da terra. E das rusgas policiais para angariar mão de obra forçada, mãos que haviam construído com sangue casas como essa onde passei a viver. Nada sabia, ninguém me dizia...e a Ilha também passou a ser minha. E todo o mar à sua volta!
          Dela não cheguei a tomar posse formal. Mas adotei-a de coração e ninguém levará a mal se eu utilizar aqui o conceito da figura jurídica da “Usocapião”.
Em tempos chamei-lhe minha. (A Publicar)
Era ali que eu existia
E tinha pela frente o mar imenso
Com ondas de calema e tanta espuma,
Contava carneirinhos a perder de vista
E sonhava com os mistérios do mundo.
Que era ali, todo inteiro, até onde meus olhos alcançavam.

Depois... um limitado horizonte de livros e de mapas
E barcos a cruzar o oceano
E eu navegando neles,
Disseram que muita gente e outras naus
Haviam por ali passado na aventura do saber e conhecer.
E falavam de outros homens que, escravos,
Mais escravos conduziam p’ra alimentar terras distantes
Comércio antigo de Roma, Egito e tantas Áfricas.

Alguns vieram e partiram
Outros ficaram e quiseram
Partilhar o que não tinham,
Muitos roubaram e rasgaram
Nem todos souberam amar.
Mas era ali que eu existia...
Por isso lhe chamava minha
Por isso lhe queria muito.
Crescer e saber que a pertença é relativa
Não mudaram meu querer.

E a separação dolorosa prolongada além do tempo
Machucou mas não matou
Essa relação intensa.
Aumentaram meus afectos
Somados a outros sonhos
A saudade serenou e o pensamento a voar
Trouxe a Amizade de volta no vento do furacão.
E há nomes no horizonte
De um mesmo mar que revejo
Com águas de outro nome.
Longe canta o ossóbô e o papagaio repete:
Ainda lhe chamo minha !
== A.B. (A Publicar).

Nos capítulos seguintes – até à minha partida “definitiva” de S.Tomé, na sequência do golpe militar de 25 de Abril de 1974 e da chamada “revolução dos cravos” – haverá outras grandes e pequenas histórias para contar. Até mesmo aquela de os médicos se mostrarem preocupados com a minha magreza e aconselhando uma mudança de ares. Para a “metrópole” rapidamente, aos seis anos de idade, a fim de ganhar corpo. Vai daí, uma nova viagem, agora no paquete “Império”, entregue aos cuidados de um amigo que vinha em gozo de licença graciosa, o Senhor Pereira, de Sanfins, empregado comercial na Casa Higino Curado dos Santos.

Eu com o Sr. Pereira e o cão fiel, em frente à casa do Bairro da Conceição

António Bondoso
Jornalista – C.P. 359
Julho de 2013.

2013-07-09


NÃO É FÁCIL SONHAR...
...mas é importante partilhar!



Talvez não seja tão linear como parece admitir que é fácil a função de sonhar. No “módulo de sono”, continua a ser um emaranhado complexo de estudos, interpretações e incertezas. Sonhar, sobretudo de olhos abertos, pressupõe memórias e desejos, vontades fortes, caminhos a perder de vista, imaginação fértil e uma interminável sensação de poder. Mas permanecem as incertezas...capazes, por si só, de fazer abortar o sonho mais prometedor, o mais consolidado. Castelos no ar – diz o povo – castelos de cartas em dias de vento ou até mesmo castelos de areia em praia de maré cheia.
          Não há sonho sem risco, portanto! E por isso, convém adornar o sonho com uma dose de forte personalidade, de caráter e de conhecimento. Vontade de buscar sempre, de aprender a cada passo, de emendar quando se erra. E depois...plantar e cultivar o que se chama de Amizade. É um condimento essencial do “sonho”, fundamental para o desenvolver e concretizar.
          Escrevi em tempos um poema, no qual salientava que Amizade é “ter dúvidas (...), quase nunca estar de acordo./Amizade é gostar sempre/é como aprender a crescer!”. Entretanto, adquiri agora mais um livro do grande escritor, ambientalista e jornalista chileno Luis Sepúlveda – História de um gato e de um rato que se tornaram amigos. Baseado num episódio que, pelos vistos, marcou a vida de um dos seus filhos, o livro é exatamente uma fábula sobre o valor da amizade. Apresentada de forma divertida, sugere que “os verdadeiros amigos apoiam-se um ao outro e juntos aprendem a partilhar o que de melhor têm dentro de si”.
          Esta história, que recomendo verdadeiramente, serve-me hoje de  ligação  e de apresentação ao evento de uma primeira vez. Uma exposição de pintura da amiga Luisa Moura, que trazia o sonho dentro de si – talvez desde sempre! – apresentar publicamente os seus trabalhos. Não foi fácil, mas lutou por isso. E, por intermédio de alguns amigos, conseguiu incentivos e arranjou uma “madrinha” – também ela amiga dos amigos – que, aos quadros dela, juntou os seus, ajudando a fazer brilhar o espaço e...o sonho! E assim, transformando uma sala de ginásio [da Junta de Freguesia de S.João de Deus, em Lisboa] numa galeria de arte, a Luisa voou além do sonho. E o mais importante não foi o número de quadros vendidos. Foi, isso sim, o empenho, a alegria, a camaradagem, a solidariedade – o convívio!
          A Tita e o Salgado, a Mena, a Migui, o João, a Amparo e a Mami estiveram presentes, participaram e acarinharam. Depois vieram outros e viram, sorriram, registaram – como a Isabel e o Carlos, o Luis, o Geo, a Luisinha, a Milé, a Olinda e o Alfredo, mais um Carlos, uma outra Luisa e mais um Luis, a Fátima, um outro Carlos que se juntou ao António. Foram mais de cinco, se contarmos bem. Todos juntos, deram um rosto ao sonho da Luisa. Parabéns...ficamos à espera de uma renovada iniciativa.
António Bondoso
Julho de 2013.
Jornalista – C.P. 359
António Bondoso
Julho de 2013.

2013-07-05

DEITAR AS CARTAS...


DEITAR AS CARTAS...

Há instantes, resolvi "deitar as cartas", isto é, dediquei-me a ir vendo alguns canais de informação televisiva, para ver se conseguia tirar alguma luz da avalanche informativa com que alguns políticos, economistas e comentadores nos brindaram nos últimos dias. 
E do "jotinha" Luis na RTP/Informação, à "camisa de noite" de Constança Cunha e Sá na TVI24, o que me prendeu foi a "imagem" que Pacheco Pereira ofereceu aos portugueses, na SIC/Notícias - a propósito da eventualidade de continuarmos a ter um (des)governo parido pela atual maioria PSD/PP. E o que disse Pacheco Pereira? Nesse caso...teremos um 1ºM empalhado, um líder do CDS empalhado - um governo empalhado!
No meio de todas as núvens negras que as cartas me ditaram, salvou-se esta imagem. Que, de algum modo, se cruza com o empalhanço que nos chega - tem chegado - de Belém. Não é que seja obsessão minha...mas - mais uma vez - aí reside o objeto da minha crónica de hoje no JORNAL BEIRÃO - um jornal a crescer no coração do distrito de Viseu mas muito próximo do Douro. 



A TÁTICA DO QUADRADO...
...dos atores menores – que são Passos e Portas – ao mesmo senhor de sempre! No sacro nome da estabilidade, mas também da leitura dos astros.

          Como diariamente se acrescentam pontos a esta novela da tradicional politiquice portuguesa, prefiro – mais uma vez – chamar a terreiro o mau timoneiro que temos em Belém. Já dele disseram, por exemplo, que a sua principal preocupação é proteger-se, ficar sempre bem na fotografia – nas palavras da historiadora Fátima Bonifácio... ou que, tal como os governantes, está a léguas da realidade e das populações – no verbo do filósofo José Gil.
          Também já anteriormente escrevi que, parecendo ganhar tempo para si e para a sua tranquilidade, o que realmente acontecia era ir perdendo o país...mas de uma forma mais trágica do que se passou no norte de África no século XVI. Um certo tipo de “sebastianismo” que lhe parece advir do seu signo Caranguejo. Mais do que para trás, parece andar de lado. Enviezado, para tentar escapar aos ventos de loucura que sopram nesta globalização desumanizada e ultraliberal.
          Consultando este link, por exemplo, http://rosy.br.tripod.com/mistic/id8.html  - pode ler nomeadamente “...ficar preso(a) ao passado, enrolar para começar as coisas, deixar os outros tomarem as decisões por você”... ou que “adora estudar e aprender coisas novas, seu ponto forte são as matérias teóricas”. Mas o que verdadeiramente me puxa para relacionar o inquilino de Belém a esta questão dos horóscopos, é um livro de um antigo camarada de profissão – o Eduardo Valente da Fonseca – que, em 1973 e para contornar a censura do regime, teve a ideia de, no Jornal República, “(...) subverter a comercial alarmante e estupidificante bruxaria horoscópica, e à sombra dela, esquivar-me à censura, não enviando cópias. E assim aconteceu «O Horóscopo de Delfos», tal como as palavras cruzadas ou os discursos do Thomás, não iriam ser enviados à censura”.
          A história...publicou-a ele em 1995, na editora Campo das Letras. E se puderem não deixem de ler. Lá está escrito, no espaço reservado ao signo Caranguejo, nomeadamente que “Não há governante amado por um Povo dominado”; “De políticos convencidos, estamos nós bem servidos...”; “Pelo buraco de uma fechadura poderás ver o mundo dos que cá fora vivem à espera de desforra...”; “Nada obrigará a nada esta semana, excepto: dormir numa cama, numa casa com tecto, sempre circunspecto; chegar a horas ao emprego, e como ainda faltam quatro dias para o fim do mês, ir ao prego mais uma vez...”; “Quando não puder mais, não se irrite. Medite”. 
          A tática para esta semana...é exatamente meditar!
António Bondoso
Jornalista – C.P. 359.
Julho de 2013


António Bondoso
Julho de 2013.

2013-06-30

A MINHA MÚSICA É O MAR...




A MINHA MÚSICA...É O MAR! (A Publicar).

Planto-me em frente ao mar
Até que as raízes me apertem definitivamente.

Mas o meu desejo é estar ali
Dentro dele
Com todos os membros do corpo a pulsar
Vivos, agitados, refrescados
Ora nadando – combatendo pelo espírito
Ora deixando-me ir como um náufrago em abandono.

Foi do mar que alguém chegou antes de mim
Foi por ele que naveguei todo o meu tempo
É nele que me entendo e me respeito
Ouvindo sons aconchegantes de harpas e violinos!
=========António Bondoso (A Publicar)

Fotos de António Bondoso.
A.B. 
Junho 2013

2013-06-29


NO MEIO DE NENHURES...




    PONTO ZERO(A Publicar)
                     
Pára-se no meio da serra
Algures recebendo ainda a luz do sol.

Não fora o asfalto que o homem
Avidamente plantou em tantos montes
E fez crescer mais vida e mais intensa
A forma de guardar do vento a fúria imensa,
Diria estar num ponto zero
Ou no centro de um mundo a esgotar-se
Coordenadas de uma carta imaginária
Sem leste e sem norte a insinuar-se.
É no inóspito interior que procuro
Alcançar quem passa indiferente a caminho de nenhures
Sem gestos sem palavras sem presença
Envergonhada atitude de uma gente
Que outrora foi grande de carácter
Mas agora da matilha se distingue
Egoísta receosa e só vaidosa.
=====================
António Bondoso (A Publicar)


António Bondoso
Junho de 2013
FOTOS DE ANTÓNIO BONDOSO.

2013-06-22

SÃO JOÃO... também político!



S.JOÃO POLÍTICO(*).
Se o primeiro ministro quiser
Dar desgosto ao S. João
Apareça nos festejos e não diga que vem só.
Nem Santo António lhe vale
Sem piedade nem dó
E o S. Pedro incomodado
Também vai dizer que não.

Mas se à noite ele aparecer
A navegar tanto rio
De Gaia ao Porto sustenta
Que festa tem Moimenta
Além Douro e já na Beira.

E o calado presidente
Imóvel, atordoado
Não quer sair de Belém
Pois não arranja maneira
De evitar ficar doente
Por tanto ter que pagar
Ao cruzar auto-estradas
Mais os pórticos das Scut.

Mas se decidirem vir
Venham já que o povo dorme.
Assim que ele acordar
Pode já não haver tempo
Pr’arrepiar o caminho
E pedir aos Santos todos
Pr’aturar quem vos escute .
==============
António Bondoso (A Publicar).
(*)O S.João é político...pela simples razão de que é "democrático". É do Povo, é de Todos.


António Bondoso
Junho de 2013

2013-06-21

A PROPÓSITO DA MINHA CRÓNICA DE HOJE (ESCRITA NA TERÇA-FEIRA) NO JORNAL BEIRÃO - PARA LER NO CORAÇÃO DO DISTRITO DE VISEU.


A TÁTICA DO QUADRADO...
... A Democracia, o “bacilo de Hansen” – O PROCESSO. E ainda as perguntas que nunca terão respostas.

          Perante uma “folha” em branco no ecran do computador, por vezes o cronista pode comparar-se à angústia do guarda-redes no momento do penálti. Mas de repente – se é que há repentes no hábito da escrita – dou comigo a pensar se ainda é válido o pensamento de Aristóteles: “O pressuposto da democracia é a liberdade...e o da liberdade é ser alternadamente governante e governado”. Não tendo dúvidas sobre a primeira parte da ideia, já quanto à segunda parte elas vão crescendo a olhos vistos.
          Tantos séculos depois, quantas teorias passadas ao nível da filosofia, da psicologia e da sociologia – parece, de facto, muito redutor o pressuposto da liberdade assentar apenas na condição de se ser alternadamente governante e governado. A liberdade é fundamental para a democracia, mas esta – hoje – não se esgota nos ciclos eleitorais. Para conquistar e manter a(s) liberdade(s), é preciso que os cidadãos sejam e estejam informados e esclarecidos para poderem participar nas decisões que lhes são exigidas no quotidiano. E poder, tanto quanto possível, destrinçar entre o que é informação, contrainformação e propaganda. Estamos no campo da actividade política...e esta é definida, por ex por Freitas do Amaral, como “a actividade humana, de tipo competitivo, que tem por objecto a conquista e o exercício do poder”. Pela ideologia ou por mais ou menos pragmatismo.
          É por aqui que se pode e deve perceber a atividade humana, seja no âmbito dos partidos políticos, dos sindicatos, das comissões de trabalhadores ou de moradores, das associações de estudantes ou das associações de pais. Posto isto – e não perdendo de vista a competição para a conquista e o exercício do poder – volto à greve dos professores no dia do exame de português do 12ºano, apenas para realçar o parolismo argumentativo do “comentador” Miguel Sousa Tavares, na SIC: a greve veio depois do calendário dos exames, elaborado há muito tempo. Uma evidência, claro! Tal como a evidência de, em qualquer greve no setor dos transportes, os horários das carreiras diárias da Carris, da CP, da Transtejo, da STCP, dos Metros de Lisboa ou Porto, ou da TAP já estarem definidos desde sempre. Os alunos não podem ser afetados? E os exames – não poderiam (tal como veio a acontecer) ser adiados para outro dia? Ao contrário dos alunos – que podem ver o exame remarcado para outro dia – os utentes dos transportes não podem “transferir” o seu dia de trabalho. Serão certamente penalizados se faltarem. Tal como os utentes do setor da saúde, de outro modo, estarem sujeitos a muitos perigos – inclusive à morte – dando-se o caso de uma greve de médicos e enfermeiros, mesmo prevendo aqui os chamados serviços mínimos. A vida de um cidadão valerá menos do que um exame, em suprema argumentação?
          Despindo qualquer pingo demagógico neste texto, exibindo – tal como muitos outros, inclusive governantes – apenas argumentos, contra outros provavelmente tão válidos, apetece-me citar José Goulão no Jornal de Angola de 22 de Maio: “Um país que é uma tragédia”! E mesmo sem me alongar na pobreza, na fome, no milhão e meio de desempregados, nos polícias que dormem no chão das esquadras e no valor da pensão da presidente da AR – quando o governo tem vindo a cortar e se prepara para agravar esses cortes nas pensões/reformas da maioria dos portugueses – eu digo que este país está altamente afetado pelo bacilo de Hansen, transformando-se aos poucos num imenso leprocómio sustentado e incentivado pela alta finança internacional e pelos acólitos governantes. Afetado de igual modo nos aspetos físico e mental. É um processo de morte lenta, a que eu chamo em poema de minha lavra exatamente O PROCESSO, o qual termino escrevendo – “Tudo vai morrendo por dentro e por fora/ Mas saibam os biltres.../ Que é um processo lento”! Tão lento que, inevitavelmente, os atingirá sem dúvida alguma.


O PROCESSO (A Publicar).

De um lado me chamam
Do outro me querem
No meio da vida e da morte à espreita.

Sem tempo e alento
Sem voz e sem força
Meu braço levanto
Sinal de quebranto...
Bacilo de Hansen que a idade não cura.

Tudo vai morrendo por dentro e por fora
Mas saibam os biltres...
Que é um processo lento.
=======António Bondoso (A Publicar)

António Bondoso
Jornalista e candidato a Poeta.
Junho de 2013.

2013-06-18

SOLIDÁRIO COM A GRÉCIA E COM OS GREGOS...PRISIONEIROS DOS INCULTOS, DOS MERCADORES DA DESGRAÇA E DOS CASTRADORES DE SONHOS EM LIBERDADE.



A MORTE DA ARTE...
(OU UM SENTIDO PARA A VIDA!) ---A Publicar

Leio releio
Faço refaço
E sigo a linha de um cordão de aço
Que parte
E reparte
Mas não pode evitar
A dor do artista
A morte da arte.

E se fenece a arte...
Não há sentido na vida!
========== António Bondoso (A Publicar)

POEMA E FOTOS DE ANTÓNIO BONDOSO

2013-06-15


A PROPÓSITO DA GREVE DE SEGUNDA FEIRA.

LUTAR E SONHAR EM LIBERDADE...



LUTAR E SONHAR EM LIBERDADE-textoBlogue.

Depois da grande manifestação dos professores, na sede do poder; depois da resposta que foi este ato de liberdade à arrogância de Passos Coelho e ao cair da sua máscara autoritária; depois do total divórcio entre governantes e governados; após tanta incompetência e revanchismo; após tantas mentiras e omissões; os portugueses estão desenganados e desapontados. Mas não desalentados no sentido da luta para combater os despautérios de simples executantes das orientações da alta finança internacional.
Por isso, nunca será demais apelar à mobilização de todos os professores para a greve de segunda-feira.
Pela minha parte...um contributo que, espero, não venha a ofender seja quem for:

LUTAR E SONHAR EM LIBERDADE(A Publicar).

E já é segunda-feira
Acabou a brincadeira
Decidimos fazer greve
Ao que se diz e se escreve
Se não vamos trabalhar
Só ao governo se deve.

Hoje é segunda-feira
Yea...
E não há outra maneira
Yea...
De lutar e protestar
Yea yea yea...
Em liberdade sonhar
Yea yea yea...yea yea yea...

Se estivermos à espera
Que seja este o governo
Ficaremos bem tramados,

E se ficarmos calados
Coagidos pelo medo
Restará só o degredo.

Hoje é segunda-feira
Yea...
E não há outra maneira
Yea...
De lutar e protestar
Yea yea yea...
Em liberdade sonhar
Yea yea yea...yea yea yea...

Se chegar a terça-feira
Depois do caldo entornado
Vamos lá para o trabalho...
Ou procurar um emprego
Que a todos dê sossego
Neste país encalhado.

Hoje é segunda-feira
Yea...
E não há outra maneira
Yea...
De lutar e protestar
Yea yea yea...
Em liberdade sonhar
Yea yea yea...yea yea yea...
==============António Bondoso (A Publicar)



Aceda também a http://youtu.be/jZKhvEiS7x8
António Bondoso
Junho de 2013

2013-06-08


HÁ SERPENTES !........................

E MUDAM DE PELE.


De repente...quase calcamos uma das muitas víboras que rastejam por aí, dando razão a Maquiavel: o homem é mau por natureza.
E embora os bons sejam aos milhões, sentem-se impotentes para arranjar um antídoto que surta efeito perante o fatídico veneno das cuspideiras.
E o cidadão comum, perante esta realidade, já não tem paciência para tão pouca inteligência, para tanta ignorância – sabendo que esta é a como que a MÃE de todas as desgraças.
Por isso este é um país desgraçado, governados como somos, enganados, vilipendiados e humilhados.
Por isso este é um país que, se não se deitar de novo ao mar, não irá longe no sonho de devolver a esperança aos nossos filhos e netos.

Há serpentes... (A Publicar).

Cobras capelo e de chapéu
Que se passeiam em jardins de uma cidade
Que rastejam nas matas mais profundas
À espreita de emboscada planeada
À espera de um ataque fulminante.

Há serpentes...

Cascavéis em desertos já passados
Víboras da cor da terra
Com meias da cor da pele,
Qual disfarce dos guizos em ruído
Sibilina postura d’entre dentes.
----------------------------A.Bondoso (a publicar)



FOTOS DE ANTÓNIO BONDOSO.


Foi pena ter levado a pele da cauda...
António Bondoso
Junho de 2013


2013-06-07


POIS. HÁ...MAS SÃO (ESTÃO) VERDES !

As uvas, este ano, só quando vier o tempo mais quente. 
Não é metáfora. É a realidade...


CÉU DE METÁFORAS ! (A Publicar).

Se as serras não têm nomes
Tomam o traço das terras:
Rua, Faia, Paradinha
Riodades, Macieira e mais Penela da Beira.
De Moimenta a Penedono
Tabuaço a Sernancelhe
Há todo um céu de fenómenos.
Num azul quente de sol
Ou numa noite de estrelas
Há astros e constelações
Há partículas de neutrões
Que se deixam envolver
P’la suave espuma do tempo!
Tomam formas sem saber
Imagens que imaginamos.
São sentidos do poeta
Metáforas a olho nú
Ou na lente de uma câmara
Baladas em diafrágma.

São átomos a abrir sensores da alma humana
Moléculas de um pensamento cativo
Da arte de partilhar
Solidária e definida
Bem resoluta e concreta!
======António Bondoso(A Publicar ...no meu próximo livro de poemas, que vai levar o título de "Terra de Ninguém"!). 


E as ameixas e as cerejas...estas - só para o S,João!

António Bondoso.
Junho de 2013. 

2013-06-05


QUANDO OS DIAS NASCEM INQUIETOS...



DIA  INQUIETO. (A Publicar)

A noite adormece com doçura
Madrugada  serena e muito azul.
Levanta-se o dia com vigor
Da lua já se esconde uma luz pura
E se anuncia um sol abrasador.
É o calor que renova o pensamento
Dispersando ideias e projetos
Sem cuidar de saber se o momento
Os aceita e os transforma além do amor
Em destino e em razão sempre despertos.         
===== António Bondoso (A Publicar)


António Bondoso - POEMA E FOTOS.
Junho de 2013

2013-06-03


ACREDITO QUE AINDA HÁ ESTRELAS NO CÉU... 

Mais uma se acrescentou ontem...quando caía a noite.
E a notícia da perda de uma Tia, Palmira de sua graça e não apenas irmã de meu Pai, fez-me recuar no tempo - um tempo longe e quente dos trópicos onde a distância era já ali. 
Um abraço a todos os filhos que teve.



É POSSÍVEL. (A Publicar).

As estrelas cintilam porque ardem
Semeando fogo pela imensidão do universo
Infinito repouso de quem segue
Procurando paz
Perseguindo a vida
Para além do firmamento das hipóteses.
====A.Bondoso(A PUBLICAR). 



António Bondoso
Junho de 2013.