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2026-08-22

 

FERNANDO DOS ANJOS DIAS ...UMA DAS FIGURAS DA MINHA VIDA (PARTE1)




DO SEMINÁRIO EM PORTUGAL A UMA AVENTURA AFRICANA…ou de como um jovem de 17 anos arrisca um futuro nas Ilhas do Meio do Mundo, no centro do Golfo da Guiné – hoje conhecidas como as Ilhas do Chocolate.


Fernando dos Anjos Dias partiu de Águeda a 3 de Agosto de 1959, e embarcou no dia seguinte em Lisboa no navio Império (CCN-Companhia Colonial de Navegação) com destino a S. Tomé. Não foi clandestino mas quase, pois não teve tempo para se vacinar e receber o «visto» da Pide. Mas não podia era perder essa oportunidade de buscar uma vida digna – salário correspondente a um trabalho – embora longe da terra e dos seus. Portugal só lhe oferecia nessa altura a situação de «desempregado» e, portanto, o Fernando teve a coragem de enfrentar dúvidas e incertezas, bem longe deste promontório da Ibéria.


"MANDE VIR O RAPAZ QUE ALGUMA COISA SE HÁ DE ARRANJAR".

Como tudo se passou…conta-me o Fernando Dias que «Depois de sair do Seminário, como não tinha emprego, o meu pai escreveu a um amigo que era feitor numa dependência da Roça Rio do Ouro, a pedir se me conseguia emprego. Este, por sua vez foi pedir ao Sr. Menezes, pai do antigo presidente de S. Tomé e Príncipe [Fradique de Menezes], que era então o guarda -livros na Rio do Ouro, para interceder por mim junto do Sr. Fonseca. Segundo o Sr. Menezes me disse mais tarde, a resposta foi: "mande vir o rapaz que alguma coisa se há de arranjar". E fui. Fiquei na Rio do Ouro "aboletado", como diria o meu amigo António Pinheiro; ou seja, tinha cama e mesa apenas. E assim foi durante cerca de um mês, em que ia para o mato com um grupo de serviçais, mesmo sem equipamento próprio, isto é, botas e capacete. Quando chovia, os trabalhadores, mesmo sem lhes pedir, faziam-me uma cabana com folhas de bananeira, para me acoitar da chuva».


E segue o relato: «Passados quatro meses estava colocado na dependência Fernão Dias com contrato de empregado de mato e vencimento de 1200$00, a exercer funções nos armazéns de recolha dos produtos da Roça para exportação».

Fernão Dias, nome de algumas memórias do mundo português (nem todas boas), havia ficado na «história» de S. Tomé e Príncipe uns anos antes – 1953 – como colónia penal da Ilha Grande, na sequência da «revolta de Batepá», transformada posteriormente em «massacre» pela administração colonial. Fernão Dias foi também um nome grande da expansão portuguesa do séc. XVII na América do Sul, um célebre bandeirante paulista conhecido como "O Caçador de Esmeraldas". Por outro lado, Fernão Dias casou-se com Maria Garcia Betim, descendente do índio Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno. Acresce, por natural dedução minha, que o cruzamento das línguas portuguesa e castelhana por ocasião do «renascimento», Fernão tenha dado origem a Fernando. Nada estranho, pois o próprio autor da «Grammatica da Lingoagem Portuguesa» (1553), Fernão de Oliveira, ficou igualmente conhecido por Fernando de Oliveira ou simplesmente Fernando Oliveira.


 NA ROÇA…NÃO BASTA TER UM CAVALO. CONVÉM SABER DOMÁ-LO!

Fernão Dias ainda, a tal dependência da Roço Rio do Ouro, foi palco de um ensinamento traumático para o Fernando Dias. Conta que, certo dia, ali fez a sua estreia como "cavaleiro", precisamente no dia de Ano Novo de 1960. O cavalo terá «reconhecido as habilidades do cavaleiro» e, ao montar, deu dois pinotes que o fizeram «voar» para aí uns dez ou quinze metros. Resultado: 10 dias no belo hospital da roça Rio do Ouro, onde foi tratado pelo Dr. Botica, sempre seu muito amigo, e pelo enf. Sr. Marques.

Em Dezembro do ano passado, Fernando Dias publicou um outro ensinamento nas redes sociais. Um belo naco de prosa – uma história interessante e que vale a pena conhecer. Deu-lhe o título de

VIVÊNCIAS DE S. TOMÉ, OU UM APRENDIZ DE "ROCEIRO"...

Estranho, saudades, emoções diversas, tudo era novo ou quase. Muito calor, muita humidade e, finalmente, a época fresca da gravana e do cacimbo. Um dia, o Fernando foi ao rio que desagua em Fernão Dias. 


          «O curso de água que nasce no distrito de Lobata, cuja sede é a airosa vila de Guadalupe, no seu percurso passa precisamente pelas traseiras da Sede da Roça cujo nome herdou do rio, isto é, chamava-se, na altura, Roça Rio do Ouro, situada a uns 13 km de distância da cidade capital, S. Tomé.

O administrador de então era o Sr. Fonseca que acumulava com este cargo o de administrador geral da "Sociedade Agrícola Valle Flôr", formada pela Roças Rio do Ouro, Bela Vista e Diogo Vaz, cujos donos eram os herdeiros do "Marquês de Valle Flôr", com residência em Portugal»:

Então ali, no meio do rio, a carpir saudades da "santa terrinha" e dos familiares e amigos que deixara, o Fernando não ficou indiferente à natureza que o cercava e, sem o saber ainda, descobriu o famoso e delicioso camarão do rio/água doce. Para seu espanto, diz, «os bichinhos» movimentavam-se lentamente como que entorpecidos. A explicação também chegaria algum tempo mais tarde, ou seja, «os cacaueiros abundantes em S. Tomé e Príncipe, eram e são susceptíveis às doenças fúngicas do míldio e do oídio, necessitando de "curas" periódicas com fungicidas adequados. Dada a grande quantidade do produto aplicado, escorria sempre algum para os cursos de água, afetando os pequenos crustáceos...».


DIOGO VAZ – «OUTRO ESTATUTO» ANTES DO SALTO PARA O SERVIÇO MILITAR E PARA O BNU!

Depois do tirocínio em Fernão Dias, o Fernando foi transferido para a Roça Diogo Vaz onde assumiu a chefia do «escritório». E foi também em Diogo Vaz que acabou por ser «alvo» da Pide. Não pela circunstância da tal «viagem inicial», relacionada com a falta do visto, mas por outro motivo:- «Fui chamado à PIDE, que tinha intercetado uma conversa que tive com o chefe do escritório de Santa Catarina (As principais Roças tinham linhas telefónicas diretas mas também controladas pela PIDE, fiquei a saber), para falarmos sobre um barco estranho, que logo de manhã, com um helicóptero navegava junto à costa. Estive lá um dia a prestar declarações, mas cheguei a pensar que a chamada estava relacionada com a minha «clandestinidade».

           Sem ser uma grande preocupação, o Fernando nunca esqueceu o assunto, até que um dia, quando foi à inspeção militar à então Vila das Neves, tomou uma decisão: - Já que ia para o serviço militar, não deveria ter problemas com as autoridades. Só faltava a vacina… «Nessa mesma semana, fui à cidade e, no Centro de Saúde, pedi ao Enf. Sr. Neves para me vacinar.

Acabou-se o pesadelo…»

=========== À espera de um sonho lindo...a prosa fica por aqui, hoje. 

ANTÓNIO BONDOSO

Agosto de 2026. 



 





 



2023-08-22

 
 CPLP…OU SE ASSUME DEFINITIVAMENTE COMO «GUARDA-AVANÇADA» DA LUSOFONIA – E DOS SEUS VALORES – ou mais vale empacotar o passado e guardá-lo no sótão do futuro incerto.

Não é meu costume «celebrar» datas «impuras», como esta dos 27 anos da CPLP, completados em Julho – não se desse o caso de a efeméride estar relacionada com São Tomé e Príncipe, o meu «País do Sul».

Só por isso volto a falar dela e da envolvente lusófona que lhe assiste, tendo em consideração alguns pequenos – ou grandes! – pormenores entretanto tornados públicos.

A par das habituais reuniões estatutárias que já estão a decorrer em STP, como a XLVI Reunião dos Pontos Focais de Cooperação, a 264ª Reunião Ordinária do Comité de Concertação Permanente e a XXVIII Reunião Ordinária do Conselho de Ministros, vai ter lugar no dia 27 a XIV Conferência de Chefes de Estado e de Governo.

 

 

Ora, devido a toda esta natural «agitação político diplomática» no país, o que não é propriamente novidade, o governo são-tomense decidiu – e tornou público em comunicado – suspender os direitos de manifestação e de reivindicação, traves mestras da Constituição daquele PEI. Segundo o comunicado e durante quinze dias, «estão PROIBIDAS as realizações, em todo o território nacional, de todo tipo de manifestações com carácter reivindicativa ou protestatório». O comunicado, divulgado pelo jornal Tela Non, com assinatura de Abel Veiga e citado pelo Notícias à Terça, de Carlos Dias, diz ainda que o executivo apela à população para que participe de forma cordial na XIV Cimeira da CPLP: «O Conselho de Ministros aproveita a oportunidade para apelar ao povo de São Tomé e Príncipe a sua envolvência e participação de forma cordial, neste acto tão importante que colocará o país em destaque».

Não sendo este tipo de reuniões propriamente uma novidade no país, como já referi, não se pode deixar de considerar o ambiente de desconfiança e de alguma indignação vivido no país, particularmente depois dos tristes e condenáveis acontecimentos de 25 de Novembro de 2022. Apesar das investigações e dos relatórios já divulgados pelas autoridades, alguns setores da sociedade civil de São Tomé e Príncipe continuam a reivindicar mais esclarecimentos e medidas políticas e judiciais mais apropriadas às consequências dos ditos acontecimentos violentos.

Percebe-se a inquietação do governo, mas «suspender» a democracia – mesmo que por 15 dias – numa situação em que se recebe uma cimeira de uma Organização Internacional como é a CPLP, penso ser pior a emenda do que o soneto. Como é que os dirigentes da CPLP – na defesa de valores fundamentais como a liberdade e o Estado de Direito – se vão comportar? Vão simplesmente ignorar a situação? Não me espanta que isso venha a acontecer. À semelhança de outros casos. O que não abona a favor do tempo e do modo de vida da Organização.

 

 

Por outro lado, e sendo o lema desta reunião “A Juventude e a Sustentabilidade na CPLP”,  o Fórum da Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (FJCPLP) defendeu a necessidade de “participação ampla” dos jovens na cimeira de São Tomé e Príncipe, no próximo domingo, incluindo a presença em reuniões ministeriais. Numa carta enviada ao secretário-executivo da CPLP, Zacarias da Costa, a que a Lusa teve acesso, e que foi citada pelo Jornal Transparência, de STP, a organização representativa dos jovens reforça “a necessidade de garantir uma participação ampla de jovens na conferência” de chefes de Estado e de Governo.

Veremos. E a Cultura, claro. Sempre um espaço que merece ser devidamente aproveitado.

 
 
 

De outro modo, li também no Notícias à Terça, está a decorrer o “mês da Cultura” da Região Autónoma do Príncipe. É o mês das Festas em honra de São Lourenço e do Auto de Floripes.

         O Príncipe…essa ilha de lendas e mistérios, de paisagens deslumbrantes e de praias dignas do paraíso. Já o escrevi de formas diversas e em diferentes circunstâncias. Hoje, para terminar, deixo um Poema inédito para celebrar:

 

Por ali não se caminha

Voa-se.

 

Pairamos acima das nuvens

Que revelam a natureza preservada

E todo o mar ainda sem petróleo.

Límpido, transparente, acolhedor

Azul-turquesa a sua cor.

 

Tudo isso pertence ao «papagaio cinza»

Que do alto vê e percebe um tempo novo

De males antigos

Isolados e perdidos

Alegres quanto baste em triste Golfo

Num “Dia de São Lourenço”.

 

Rufam tambores e canzás

No “Auto de Floripes”

De roucas vozes abafadas,

Volteiam sem parar as loucas figuras coloridas

Cambaleando ao ritmo da «dêxa»

Antes de serenar ao luar

Com o som refrescante de «pitu dóxi».

 

Príncipe…

Depois de António santo a nomearam

A foram esquecendo em abandono

Mas sempre alguém teimando

Foi lembrando

Que a Ilha é terra de futuro.

 

Tal como o papagaio cinza

Que vai e volta às horas certas

Também a Ilha renasce

Em cada Dia de S. Lourenço,

Valorizando o Auto que diverte

E ensina gerações a voar por extenso

Em céu imenso.

António Bondoso

Agosto de 2023.
 

2021-06-12

Em Memória de Armando Bondoso.

Um Tio é um Tio...e este era o último do núcleo direto.
UM TIO PARTICULAR…mente relevante.

Armando Bondoso

Sem querer minimizar as ligações que me prenderam a outros tios – foram muitos e a cada um a sua história – o Armando ocupa uma posição de destaque no meu «Panteão» da Família. Por ser o mais novo dos irmãos – a uma década de intervalo – foi o «ai Jesus» de toda a gente. E teve direito a 3 nomes – quando dois era norma incontornável.
Armando Andrade Bondoso manteve as «iniciais» dos nomes do pai – António Almeida Bondoso – as mesmas iniciais que eu herdei – António Augusto Bondoso. Pode ter sido uma circunstância do acaso, é verdade. Mas não deixa de ser relevante quando nos metemos a «interpretar» a história.
Por ser o «ai Jesus» da família, o tio Armando foi merecedor da atenção protetora dos irmãos mais antigos, nomeadamente do meu pai Luís, com quem manteve uma longa proximidade. E dele me recordo, ainda jovem, à mesa da primeira casa onde vivi em S. Tomé, no Bairro da Conceição, uns anos antes de enveredar pela carreira da sua vida – trabalhador da Valle Flor – sobretudo ligado à cultura do cacau, no Rio do Ouro, primeiro, e em Diogo Vaz ao longo dos muitos anos em que permaneceu nas ilhas. Sabia de cacau como ninguém. Estudou o seu cultivo e os necessários cuidados naquelas duas grandes «universidades» de S. Tomé.
E a seguir…a nossa ligação mais profunda, que – para além da afinidade clubística – começou na responsabilidade de me levar de volta às Ilhas, depois de eu ter passado um ano atribulado em Moimenta da Beira, entre os 6 e os 7 anos de idade. E foi uma viagem longa até Lisboa com o seu quê de aventura. O carro de um amigo, que foi avariando por aquecimento, a travessia do Tejo numa barcaça em Abrantes e o deslumbramento de Lisboa. O susto que lhe preguei quando, cansado de desenhar barcos em ondas do mar imenso, saí do quarto da pensão e resolvi enfrentar a rua com uma multidão em movimento apressado. E quando dei por mim, estava perdido, sem noção do espaço. E chamei a atenção, gritando por ele, sem saber sequer o nome da Pensão. E foi essa agitação à minha volta, ali bem perto, que o conduziu ao meu encontro para seu grande alívio. Foi um enorme susto, confessou mais tarde.
E de novo o mar e de novo as Ilhas e por fim a Escola, antes do tempo do casamento, que ele havia «preparado» na sua vinda a Portugal, com passagem de charme por Moncorvo. E casou com a minha vizinha Floripes Tavares [do Bairro da Conceição] em 1958, dona de um «visual» de artista de cinema. E nesse dia usei gravata pela primeira vez, dizendo que já parecia o noivo! Desse casamento nasceu uma relação particular com a família Pontes, à qual me viria a ligar anos mais tarde, sendo os tios padrinhos de casamento da minha mulher.
E o Armando foi marido, e foi pai, e foi avô, mas continuou a ser tio. Estivemos sempre de acordo? Certamente que não, mantendo o respeito devido. O «choque» da descolonização foi, naturalmente, diferente [apesar das circunstâncias madrastas ainda teve força para caminhar e erguer um novo projeto de vida em Portugal], tal como a forma de ir percebendo o mundo. Mas conversávamos muito, até chegar o tempo em que a vida foi sofrendo e repetindo revezes. Mas não deixou de ser um tio especial com o qual fui partilhando memórias. E é de muitas delas que me vou alimentando. Por fim, contudo, foram as circunstâncias da pandemia a marcar o ritmo do relacionamento. E tudo se foi precipitando…até ao desenlace final. Com a sua partida, termina a gesta dos sete irmãos que foram educados musicalmente em casa do avô António, em Moimenta da Beira, antes do chamamento de África.
Deixo então à sua mulher, Floripes, ao seu filho Tozé, à sua nora Teresa e aos netos que adorava Pedro, João e Francisco um forte e sentido abraço, extensivo a todos os outros sobrinhos e afilhados que ainda permanecem.
Até sempre Tio Armando.


Armando Bondoso e Floripes Tavares com Virgínia, Luísa e António Bondoso
S. Tomé. 

António Bondoso
11 de Junho de 2021.

2019-11-11


A ILHA É UMA LUPA…ou de como Maria José Nazaré amplia o substrato de uma ILHA CORAÇÃO, abrindo janelas de emoções por onde saem pessoas de sentimentos diversos, de realidades diferentes, nas ilhas do «Meio do Mundo» ou do «Chocolate», que o mesmo é dizer S. Tomé e Príncipe.  


A autora sabe – recorda e escreveu – que «Há momentos levados pelas rajadas do vento». E foi esse vento, não só mas também, que a levou para fora da «ilha» e a fez enfrentar outros mares revoltos e novas tempestades. Mas isso – e aí reside a força do seu sentir – não impediu a ligação às raízes: a magia e o ritmo do «Batuque» que a transportam para outras dimensões; as «Canções de embalar», as lavadeiras de «Amor fragmentado», a magia das crianças em «Quadra Natalícia», o exemplo – à boa maneira africana – de «Mamã Carlota», a defesa da família tradicional em «Nunca é a mesma coisa».
D. Manuel Martins entendia que «uma das grandes condições para entender a vida é ser poeta». Direi que Maria José Nazaré – tal como Federico Garcia Lorca – tem muito a ver com a ideia de que «a poesia é união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam e que formam algo como um mistério». Obrigado Maria José por ter vindo acrescentar coisas novas à literatura de S. Tomé e Príncipe.
         E mesmo sem lupa, atrevam-se a descobrir todos os mistérios nos textos de Maria José Nazaré.
         A obra vai ser apresentada pelo amigo e camarada Abílio Bragança Neto, no dia 20 de Novembro, pelas 18h30, no espaço UCCLA – Av. Da Índia, nº110, em Lisboa. O evento será abrilhantado pela atuação da IGNISTUNA – Tuna Académica do Lumiar. 



António Bondoso
Jornalista
Novembro de 2019. 


2018-12-21

SOBRE O DIA DO SANTO…na ILHA DE NOME SANTO

E há aqueles preciosismos de ter sido a 21, ou a 20, de Dezembro ou de Janeiro… em Novembro não foi certamente e, em Janeiro, talvez fosse preciso mais dinheiro. E numa autêntica «revisão» de factos históricos, baseada em fontes tão credíveis – ou menos – do que as conhecidas e aceites até há pouco, já não é o ano que marca o início da «história». Antes se prefere a década de 1470. Seja.



O australiano A. R. Disney – na sua História de Portugal e do Império Português – referindo-se concretamente ao conjunto de ilhas do Golfo da Guiné, praticamente no meio do mundo, escreve: «Estas ilhas, desabitadas, à excepção de Fernando Pó, quando os Portugueses lá chegaram, foram descobertas na década de 1470 por navegadores, provavelmente ao serviço do contratante Fernão Gomes.»
Seja como for, e este é um tema para desenvolver em outras circunstâncias e com enquadramento diferente, a celebração do «Dia do Santo» é ponto assente para um grande grupo de naturais e de antigos residentes em S. Tomé e Príncipe: - 21 de Dezembro. Tem sido assim há décadas. E por não ser exatamente um «crime» histórico, antes uma data de encontro e de convívio, mais uma vez é assinalada. Trinta e três «santomenses» vão juntar-se em Corroios, num restaurante do escritor santomense Orlando Piedade, junto à Casa do Povo. Para além de outras iguarias próprias das «ilhas»…é fundamental o «calulu».
E de acordo com o professor e escritor Rufas Santo, a data foi também assinalada com uma missa na Igreja Nova de João Baptista Scalabrini, na Amora.
António Bondoso
Jornalista