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2023-05-19

NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA ÉTICA...


 

Costuma dizer-se que ninguém está acima da Lei. Pois eu creio ser de idêntica relevância dizer que «ninguém está acima da ética».

         E se tem sido lamentável acompanhar alguns tristes episódios na esfera governamental, não deixa de ser menos verdade que também o PR tem desempenhado um triste papel na sequência de algumas intervenções menos felizes e muito pouco éticas quando, por exemplo, «demitiu» em direto nas televisões alguns membros do governo. Particularmente, quando se reúne todas as semanas com o 1ºM. E é isto que os comentadores e os analistas e os politólogos não têm coragem para dizer com todas as letras. De facto, nunca deixámos de ser um povo «presidencialista». Mesmo que o «presidente» se chamasse Oliveira Salazar!

         E mais lamentável do que todos os «pormenores» de Galamba e &, gostem uns e outros não, é o «desplante» do Montenegro, que vem falar de moral e de ética…quando é simplesmente VERGONHOSO o caso que o envolve na FUGA AO FISCO. Eu pago IMI.

Passem bem.



António Bondoso.

Maio de 2023. 


 

2018-11-23

ELES SABEM…
Mas preferem desviar o olhar e dar o «ar» de quem apenas «veio ver a bola». Cada um por si…e o resto logo se vê! Eles sabem…e tenho pena dos meus amigos que sabem!


ELES SABEM…
Sabem que há pessoas sem teto e sabem que há pessoas com fome. Eles sabem que há pessoas na miséria e sabem que Portugal é o país europeu onde mais se morre de pneumonia. Os reformados até morrem à porta da farmácia! No entanto há greves justificadas pelo eufemismo da «aplicação da lei». E não há investimento na saúde.
Eles sabem…
Por isso vos digo que somos um país de indigentes mentais e que a propalada solidariedade é uma treta. Em laivos de caridadezinha…apenas já só reagimos a estímulos de tragédia e de vergonha.
Eles sabem…
Sabem que o «coração» do regime democrático e do Estado de direito está ferido de morte. No entanto há greves. E tudo o que os preocupa é o teto salarial. Na justiça e nas polícias.
Eles sabem…
Sabem que a «escola», depois da casa, deve ser encarada como o «princípio de tudo», mas não há investimento nas infraestruturas e nos alunos. Nem na formação de qualidade daqueles que deviam saber ensinar. E os que sabem, são arrastados na lama de reivindicações «fora de prazo» e no eufemismo da aplicação da lei.
Eles sabem…
Sabem os governantes e todos os políticos da oposição. Mas quem governa, prefere jogar com o défice e ignorar as pessoas. Por isso há precários, por isso há doentes, por isso há incêndios, por isso há acidentes trágicos. Não só, mas também por isso.
Eles sabem…
Sabem os deputados, os jornalistas e os presidentes de câmara. Mas o umbigo de cada um prefere alimentar o (triste) espetáculo mediático do que trabalhar com seriedade e dignidade.  
Eles sabem…
E talvez esperem ver de novo, um dia destes, o ressurgimento de uma «Câmara Corporativa» no Parlamento em Portugal, à semelhança da que existiu durante o Estado Novo.
Eles sabem…
Mas preferem desviar o olhar e dar o «ar» de quem apenas «veio ver a bola». Cada um por si…e o resto logo se vê! Eles sabem…e tenho pena dos meus amigos que sabem!

António Bondoso           
Jornalista
Novembro de 2018. 



2015-12-04


Sem trafulhice e com seriedade…vamos lá a eleições, quando tiver que ser!

Jornal Público


A LATA:

Quando António Costa falava de “surpresas desagradáveis”…eles riam-se (para não chorar) e diziam que não. A senhora loura das finanças até se deu à difícil tarefa de emitir uma nota oficial a desmentir. Mas agora nem aparece com uma simples nota pessoal para admitir a sua culpa. Apareceu um delicadinho da silva a citar o relatório da UTAO: analisando os números de Outubro (e os de Novembro?) diz a UTAO que, se houver rigor (?),…a meta pode ser alcançada! E ninguém foi capaz de perguntar ao sr delicadinho…e, então, onde esteve o rigor em Agosto, ou em Setembro, ou em Outubro, e em Novembro?
E já alguém se lembrou de endossar o relatório ao inquilino de Belém? É que, embora não governe, “ele” foi um dos principais agentes da confusão.
Que não sirva de desculpa ao novo governo! Mas que não venham agora os tradicionais profetas da desgraça – espalhados por todos os medias – dizer que a culpa foi das “esquerdas”.
E no meio da tragédia, quase o Portugalix a afundar-se, somos apanhados com a força de toda a LATA de PPC e de PP a pedir novas eleições. Sem trafulhice e com seriedade…vamos lá a eleições, quando tiver que ser!
António Bondoso

Jornalista

2015-11-06


UMA PERGUNTA SIMPLES...PARA ALGUNS ARAUTOS DA "VERDADE"!

Foto de A. Bondoso.


ONDE ESTAVAM NAS HORAS DIFÍCEIS?

         Sobretudo tendo em conta que a “verdade” nunca deixa de ser relativa, o meu compromisso será sempre com a Justiça! E esta conduz inevitavelmente ao que é verdadeiro e verdadeiramente livre. E ser livre é incontestavelmente poder optar, sem hipotecar a opção a qualquer instrumento limitador da liberdade de pensar e de agir…com justiça!
         E nessa medida, direi que ser justo é ser solidário no caminho da procura do bem comum. Sabendo que, ser justo, é estar ao lado de quem sofre, é então aí que deve afirmar-se o compromisso.
         Assim, pode sempre perguntar-se onde estavam os mentores de um tão recentemente propalado compromisso, quando a pobreza se foi multiplicando nos últimos quatro anos? Onde estavam esses seguidores do compromisso agora badalado, quando milhares e milhares de pessoas deixaram de poder pagar a renda ao senhorio ou a prestação da casa ao banco? Onde estavam “esses”, quando as filas para a “sopa dos pobres” iam dobrando cada vez mais esquinas de tantos quarteirões das cidades deste país? Onde estavam “esses”, quando tantos milhares de pessoas ficavam à porta das farmácias a decidir (?) qual dos medicamentos da receita médica poderiam aviar nesse dia? Onde estavam os “novos comprometidos”, quando milhões de reformados e de pensionistas viram cortada a sua condição presente, anulando qualquer sonho de futuro? Onde estavam esses novos comprometidos, quando milhares de pais e de avós viram filhos e netos partir para longe em busca do conforto que os “donos disto tudo” lhes foram negando dia após dia? Onde estavam esses, quando o suicídio passou a fazer parte comum do quotidiano deste país sem um Estado de bem? Onde estavam, quando outros milhares de cidadãos deixaram de poder usufruir do sono dos justos, sendo obrigados a recorrer a medicamentos psicotrópicos?
         Onde estavam as vozes – agora muito ouvidas – quando a arrogância, a prepotência, a indiferença, a incompetência do governo ultraliberal, a caminho de uma nova ideologia nazi-fascista (muito em voga na atual União Europeia), nos dizia diariamente que o sacrifício tinha em conta os superiores interesses do país? O interesse da alta finança pode confundir-se alguma vez com o interesse da maioria das pessoas? É que, no final, o que aqui importa é o superior interesse das pessoas carentes de Justiça!
António Bondoso
Jornalista 


António Bondoso
Novembro de 2015

2015-09-13

CONFESSO...QUE HÁ NECESSIDADE DE ACORDAR!

Foto de António Bondoso

Confesso que me assusta um resultado eleitoral diferente daquele que eu perspetivo. Mas não tenho medo disso. Há outros “medos” de maior dimensão e com origem em causas propiciadoras de maiores perigos. Poderemos sempre perguntar se – nesta categoria – não estarão os perigos de um resultado eleitoral favorável aos neoliberais ou se – em qualquer caso – deveremos ter medo, mesmo daqueles que defendem a plena integração numa UE cada vez mais frágil: seja nos ideais, seja nas políticas traçadas, seja nos caminhos escolhidos para enfrentar o que se chama de “novos desafios”. Este mais recente é paradigmático. Quando a Hungria ergue muros e a Alemanha rasga Schengen, nada de bom é previsível. Por isso – e embora sem “medos” – confesso estar assustado. Daí…lembrar-me de que Ramalho Eanes diz, por exemplo, que a democracia, hoje, pressupõe e exige – entre outros valores – “ a justa consideração de que a humanidade é una”. E a propósito dos fundamentos morais da ação política, o antigo Presidente da República recorda que “Ao governante falta, na maior parte das vezes, o exame cuidado, exigentemente racionalizado da sua actuação. Talvez aqui resida a razão maléfica da falta de preparação técnico-académica, de rigor e eficácia na acção, de muitos dirigentes políticos. Razão, só a eleitoral existe. E essa, muitas vezes, é iludida com o verbo demagógico, com as bandeiras partidárias, com os preconceitos ideológicos, sobretudo se a sociedade civil, como muitas vezes ainda acontece, não tem um elevado e generalizado nível de instrução, não dispõe nem procura obter informação suficiente, se não conta com organizações suas autónomas e independentes (financeiramente até) do Estado e dos grupos económicos”. Daí, por fim, a necessidade de passar ao papel este meu grito: ACORDAI!
ACORDAI…(A Publicar)

Acordai fantasmas da ópera!
É tempo de cantar a outro amo
E senhor de uma luz nova
E transparente.
É tempo de estabelecer
Outra corrente
Que nos faça iniciar nova viagem
Para um mundo de justiça
E de coragem.

Acordai fantasmas…
A ópera que cantamos não é bufa
- Antes trágica -
Verdadeiramente sinistra
Germinando em campo fértil
Da finança liberal,
Florindo em torrão desajustado
E com fruto mal nascido
De amor nunca tocado!

Acordai…e caminhai!
=== António Bondoso (A Publicar)


Foto de António Bondoso

António Bondoso
Setembro de 2015. 

2015-09-07


UMA CAMPANHA SEM ELEVAÇÃO...NEM ALEGRE NEM TRISTE.

Foto de António Bondoso

TRISTES SINAIS…

         Diz-se, de forma séria, que a “Política” é a atividade humana, de tipo competitivo, que tem por objeto a conquista e o exercício do poder. Ainda de forma séria, posso acrescentar igualmente a manutenção do poder. E há mesmo citações famosas marcantes de tempos idos e de circunstâncias diversas, como as de Churchill e de Mao-Tse-Tung (Mao Zédong): uma atividade “quase tão excitante como a guerra, e igualmente perigosa: na guerra, só se pode ser morto uma vez; na política, pode ser-se assassinado muitas vezes”//«a política é guerra sem derramamento de sangue, enquanto a guerra é política com derramamento de sangue».
         De outro modo, com menos “seriedade”, talvez nos recordemos de ler Ambrose Bierce: a política é «uma guerra de interesses mascarada de luta de princípios»; ou ainda John M. Brown: «um reino, povoado apenas por vilões e heróis, no qual tudo é preto ou branco, e o cinzento é uma cor proibida».
         Eu não sou adepto do “cinzentismo”…e acredito que é possível e desejável ter convicções e, sobretudo, ter princípios. É possível fazer as coisas deste modo e definir um caminho com ética e com coragem. E de forma clara.
         Mas, tristemente, o que vemos e ouvimos?
         Senhor Paulo Portas: em que é que o CDS se diferencia do PSD? – o PS radicalizou-se e vai por maus caminhos.
         Senhor Passos Coelho: vai cortar nas pensões dos reformados? – o PS anda à deriva e não se conseguiu afastar de Sócrates.
         Senhor Jerónimo de Sousa: como é que pensa derrotar a coligação de direita? – o PS tem andado ausente e distraído.
         Senhora Catarina Martins: o que distingue o BE do PCP? – o PS ainda tem um programa de privatizações e anda aliado com a direita.
         Senhor António Costa: José Sócrates fora da prisão incomóda-o? – o PS tem um programa de compromissos definido, com as contas todas bem feitas.
         Curiosamente, ou talvez não – naquela chamada guerra de interesses mascarados – o que nos aparece de comum no que podemos designar como falta de ideias generalizada? – o PS! O PS é tido e achado para justificar tudo e por todos os meios.
         Triste campanha, tristes sinais. É necessário – é fundamental – fazer política de outro modo, como dizia em tempos Daniel Cohn-Bendit. E como? Responsabilizando politicamente os cidadãos. Desde logo pela educação e pela cultura. E sabendo que “o papel do político é fazer escolhas, mas sendo claro quanto aos riscos”, pois os riscos não se podem esconder o tempo todo. Os políticos, tal como os cidadãos, devem assumi-los. E no conjunto dos cidadãos, há um grupo muito particular que deve ser responsabilizado ao mais alto nível: os jornalistas!
António Bondoso


Foto de António Bondoso

António Bondoso
Jornalista
Setembro de 2015. 

2015-07-06


LIDERANÇA E POLÍTICA


LIDERANÇA E POLÍTICA

Moisés, segundo a Bíblia, retirou o seu povo do Egito para o conduzir à Terra da Promissão, fugindo à escravatura. Moisés – conhecido como líder religioso e como legislador – anunciou-se com uma liderança forte, capaz, inteligente, corajosa, independentemente das suas origens. E comandou o “êxodo”, apesar de no caminho se apresentarem novas perspetivas a cada instante. Por isso é que a “travessia do deserto” foi feita no meio de muitos conflitos e de sofrimentos, vitórias e alegrias. Mas cumpriu a sua missão. 
Séculos depois, na Europa, homens políticos de visão entenderam que os caminhos da Paz deviam passar pela união de povos e de Estados, na base da igualdade e da solidariedade, para evitar novas “guerras” como as que marcaram as primeiras décadas do século XX. Contudo, os governantes mais recentes – incapazes de ser líderes – não souberam ler sinais, muitos deles evidentes, prenunciando um tempo de “espírito” novo a merecer novas abordagens e novas soluções. A esta luz, a união política não é desejável e a união monetária é impraticável. Só lá está quem quer, é um facto [independentemente de os povos se terem pronunciado ou não], mas há “União” com todos ou…o projeto é uma falácia. Por que razão está o Reino Unido de fora da “Zona Euro”?
E foram estes governantes – e não líderes – que conduziram muitos povos para um novo regime de escravatura. Uma escravatura monetária e financeira, na qual a “política” já não é primordial nem governa. Os governantes são apenas meros executores da ganância financeira.
Recordo agora, não sem uma ponta de mágoa e de tristeza, o que me disse há tempos D. Manuel Martins, Bispo emérito de Setúbal, sobre o Poder Político – o mais nobre dos poderes – que, apesar de tudo, pode, infelizmente, “dar em portas abertas para corrupção, injustiças de toda a ordem, boyismo, vaidades pessoais e familiares”. Porém, acrescentou, “é uma função nobre. É uma das funções mais nobres. Exerce-se com autoridade confiada (eleições) em vistas a realizar um serviço inteiro, competente, feliz, a toda a Comunidade. «Eu sou tu». Político versus Sociedade”.
Seguramente, não é isto que se passa hoje em Portugal e nesta União Europeia, cujos “pilares” fundamentais vão sendo derrubados por tecnocratas ao serviço da alta finança.
Miguel Torga sempre desconfiou deste nosso abraço à CEE, primeiro, e à EU, depois, insurgindo-se contra a ideia «da subserviência às ordens de uma Europa sem valores, incapaz de entender um povo que nela sempre os teve... É o repúdio de um poeta português pela irresponsabilidade com que meia dúzia de contabilistas lhe alienaram a soberania (...) e Maastricht há-de ser uma nódoa indelével na memória da Europa.»
==== António Bondoso



Grego não, que não sou, mas que saudades
Duma Grécia de artistas e de crentes
Em paisagens e formas permanentes
Onde se apaga a marca das idades (Torga, 1999: 547-548).

==== António Bondoso
Jornalista.
Julho de 2015