2023-07-12
2023-07-09
É o caso da obra “IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA E MONARQUIA DO NORTE (Ocorrências e Vivências em São Pedro do Sul)”, da autoria de Eduardo Nuno Oliveira, prefaciada pelo Professor jubilado da Universidade de Coimbra, Amadeu Carvalho Homem.
JOSÉ
MATTOSO…o homem que soube estudar e pensar o «tempo» da História e que sobre
ela lançou “Um olhar que reconhece o movimento e as mutações, sem que a
diferença de tempo altere a identidade”, embora – como disse um dia à TSF – a História nos convide “a viver
com as incomodidades daí decorrentes e a tentar
tirar delas algum partido".
José Mattoso, talvez o último dos «grandes pensadores e batalhadores» da historiografia portuguesa, herdeiro das «verdades» de Fernão Lopes, Herculano, Cortesão, Joel Serrão, Magalhães Godinho e Oliveira Marques, em tempos entrevistado pela LUSA, esclareceu que "Mais do que exaltar a Pátria, interessa-me o relacionamento dos Portugueses uns com os outros".
Talvez por isso tenha escrito e feito publicar em 2020 “A HISTÓRIA CONTEMPLATIVA”, sobre a qual recomenda «um olhar atento, global, pacífico, não interventivo», nela se destacando textos de palestras e de artigos datados de 1996 a 2013.
Para além dos média de grande circulação que deram relevo ao pensamento de Mattoso, neste dia em que nos deixou fisicamente, há que distinguir também – como referi – esse prefácio de Amadeu Carvalho Homem à obra citada do «São-pedrense» Eduardo Nuno Oliveira.
Para chegar ao elogio a Mattoso, Carvalho Homem vai buscar a valiosa geração que ajudou a «construir» o “Dicionário de História de Portugal”, orientado e coordenado por Joel Serrão, considerando a obra como um dos cadinhos em que se geraram os estudiosos da História da sua geração, “…ou seja, daquela que irá integrar um novo – e, para já, último – grande momento de afirmação da historiografia portuguesa”. Estamos a referir-nos, diz, “aos oito volumes que constituem a História de Portugal, publicada sob a orientação científica de José Mattoso”. Não querendo citar, por modéstia e sem narcisismo, os nomes dos colaboradores de Mattoso nessa empreitada de enorme fôlego (figuras do pós 25de Abril) – não sendo difícil perceber que o seu está incluído – Carvalho Homem segue dizendo que “…não será um excesso declarar que as raízes da identidade portuguesa e o perfil da nossa medievalidade ficaram mais cabalmente esclarecidos através do pensamento de José Mattoso; que a modernidade e a epopeia ou saga dos descobrimentos portugueses foram finalmente expostas sem o lastro apologético nacionalista, próprio da historiografia do Estado Novo; e ainda que os grandes sistemas económicos e político-ideológicos do liberalismo, do republicanismo e do socialismo em Portugal foram aí apresentados com a serenidade crítica adequada às tarefas historiográficas”.
GRANDES HISTORIADORES E ÓRFÃOS DA
HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA, a propósito da «partida» de JOSÉ MATTOSO, figura que
não deve ser confundida com os chamados “manipuladores do Tempo”.
António Bondoso
8 de Julho de 2023.
2023-07-05
HAVERÁ
SEMPRE UMA MORNA PARA SAUDAR CABO VERDE.
Carlos Veiga, que eu acompanhei na livre campanha eleitoral de 1991 à frente do MpD, foi o intérprete de uma das «mornas» mais decisivas para o novo «rosto» do país após 15 anos de partido único.
Em termos pessoais e a longo prazo, certamente não terá atingido todos os objetivos que norteiam a ambição de um homem político. Mas a sua ação à frente do MpD, que o conduziu ao cargo de 1º Ministro em dois mandatos, constituiu seguramente um ponto de rutura com o passado elevando as Ilhas Atlânticas a um novo patamar de afirmação no contexto africano.
Ela foi, de
facto, um momento decisivo, como
destacou nessa conversa que tivemos em Fevereiro. “A pressão externa foi
importante e o regime de partido único percebeu-o. Cabo Verde era dos países
que mais APD recebia dos “doadores” e sabia que tinha de “abrir”. Mas a Mudança
que ocorreu ultrapassou de longe a “abertura” prevista pelo regime. A sociedade
cabo-verdiana mostrava então abertamente o seu descontentamento com o
status-quo e, através de um grupo crescente de jovens quadros e activistas,
mostrou que queria mesmo uma mudança de regime e não a tímida abertura
“oferecida”. Queria uma democracia verdadeira e mostrou-o através de
propostas claras e consistentes, contrárias às do regime, manifestando-se
pacificamente nas ruas, com crescente apoio popular, ao mesmo tempo que se
disponibilizava para discutir as suas propostas com o Poder, pacificamente”. (…)
O momento era aquele! O apoio popular era crescente. A
palavra de ordem “medo dja caba” (o medo acabou) espalhou-se
amplamente e com entusiamo em todas as ilhas, mesmo naquelas em que a
repressão foi mais intensa”.
Esse «momento», disse-me Carlos Veiga,
foi mesmo fundamental para o desenvolvimento de Cabo verde: “Não há
desenvolvimento sem democracia. Em Cabo Verde isso é, hoje, uma evidência. O
desenvolvimento humano trazido pela democracia não tem comparação com a
situação vivida sob o partido único. Foi também a democracia que trouxe
efectivo crescimento económico. Em 1991 o crescimento era zero; em 2001 atingiu
cerca de 8% em média quinquenal”.
Apesar de tudo isso, não faltaram recentemente tentativas de assassinato do seu caráter.
E hoje, no seu livro «PODER E OPOSIÇÃO EM CABO VERDE – Discursos, Mensagens e Intervenções, 1990-2015», Carlos Veiga pormenoriza essa década final do século XX, querendo deixar às novas gerações – sobretudo aos académicos – documentos fundamentais para o estudo da História recente do país, procurando ultrapassar o que considera um lapso infeliz o esquecimento a que a sociedade cabo-verdiana tem votado esse período.
No livro, de certa forma escalpelizado, numa entrevista
a António Monteiro, do Expresso das Ilhas
na sua edição impressa de 14 de Junho, o antigo Primeiro-Ministro de CV salienta
que “a matriz daquilo que
hoje nós somos como instituição, como sociedade, de alguma forma se deve um
pouco à década de 1990 e a tudo aquilo que foi feito nessa década”. E
acrescenta que, antes da «Liberdade» conquistada, os grandes marcos da sua ação
governativa foram a reforma da Constituição e a criação de um «Poder Local»
forte, próximo dos munícipes, com capacidade para resolver os seus problemas.
Depois, na parte final desta entrevista ao Expresso das Ilhas, Carlos Veiga destaca
a mudança do regime: “(…) em que as pessoas eram oprimidas e perseguidas por se
exprimirem, por se manifestarem, em que a imprensa era condicionada, ou era
única como tudo o mais, as próprias manifestações culturais eram únicas; as
pessoas não tinham liberdade nem do ponto de vista cultural, nem do ponto de
vista corporal, pois precisavam da autorização da Segurança para poderem
viajar; a criação de um ambiente de liberdade e democracia; a independência da
justiça e das próprias actuações das forças policiais ou das forças armadas; os
símbolos nacionais que passaram a ser símbolos representativos de Cabo Verde e
mais adequados àquilo que são os cabo-verdianos e a nação cabo-verdiana”.
Por último, o que chama de «desestatização» da economia: “(…) O Estado era tudo na economia e com tendência ainda para ser mais que tudo, e nós apostamos no sector privado, apostamos na desregulamentação de algumas matérias que eram regulamentadas, que serviam mais como uma forma de beneficiar amigos do que os próprios cidadãos. Nós passamos a poder comer maçã, nós passamos a poder comprar livremente os nossos produtos, etc. Reforçamos os direitos sociais nas primeiras revisões da Constituição. Existe um livro do Mário Silva sobre os direitos sociais em Cabo Verde que demostra isso muito bem. Claro que o mundo mudou e a governação não se faz como nos anos 90, mas os princípios fundamentais permanecem, as estratégias fundamentais de levar tudo isso às pessoas continuam a ser válidas”.
Parabéns Carlos Veiga, a «morna» com que desafiou os
primeiros dez anos da IIª República embalou o País; Parabéns a Cabo Verde pela
interessante caminhada numa África «periférica».
António Bondoso
5 de Julho de 2023.
2023-07-03
«É da realidade local que devemos partir se queremos um país geográfica
e socialmente mais equilibrado e coeso, com mais oportunidades, no qual as
aspirações e sentir locais, possam fazer a diferença num mundo global».
Miguel Amado, 2021
Partner
EY, Advisory GPS
Em “Smart Cities” – Cidades Sustentáveis
É assim que podemos entender como São Pedro do Sul se projeta para o mundo, hoje, partindo de um passado particular, diverso e para sempre marcado por encontros e desencontros de ideias e de “homens” igualmente diversos. É de mais um livro e do seu autor que vos falo hoje.
SÃO PEDRO DO SUL NO SÉCULO XIX (Franceses, Liberais…E Outras Coisas Mais!) …ou de como divulgar a História – muitas histórias da História – não é necessariamente uma atividade maçadora. O autor da obra agora apresentada, Eduardo Nuno de Oliveira, que tem centrado o seu trabalho de investigação na região de Lafões e de São Pedro do Sul, onde reside e trabalha, chega mesmo a ironizar com o subtítulo deste seu segundo livro, escrevendo «…entre franceses e liberais…Vão surgindo outros que tais!».
Como se percebe pelo título, a obra vai mostrando diferentes facetas da vida local na linha temporal das invasões francesas e de algumas das crises da monarquia constitucional portuguesa até 1910, pretendendo ser um contributo para o estudo da História da região, ultrapassando inclusive um obstáculo de peso – como pode considerar-se o incêndio dos Paços do Concelho de São Pedro do Sul, em 1967, que levou à perda definitiva de elementos fundamentais para o conhecimento da História local. Sem «Arquivo» tudo é muito mais difícil, pelo que o trabalho de Eduardo Nuno Oliveira mereceu rasgados elogios por parte do «Prefaciador» Rui Costa, igualmente orador/apresentador da obra, numa sessão simples mas bem estruturada que decorreu no belo Auditório do Balneário Rainha D. Amélia, nas Termas de São Pedro do Sul.
Perante uma sala cheia, Rui Costa
salientou a importância do Arquivo, sugerindo/apelando por exemplo às diversas
instituições da sociedade civil da região para a atitude de uma visão
altruísta, doando acervos particulares. Não para reconstituir o Arquivo
original, mas certamente para ajudar futuras investigações.
Ignorando o «dizer» de Miguel Veiga de que um prefácio «só serve a quem o escreve, dispensando-se o leitor de o ter em conta», Rui Costa avança com 26 páginas de uma leitura/análise cuidada, crítica e pormenorizadamente explicativa da obra de Eduardo Nuno Oliveira, esclarecendo que um prefácio «não pode ser uma espécie de “comenda” mútua. Um prefácio deve ser, sobretudo, revelador da atenção que merece a obra e o Autor sobre os quais incide». E é assim que Rui Costa classifica o livro agora em circulação como “uma obra seminal para qualquer estudo futuro sobre este período em São Pedro do Sul…”.
É nessa perspetiva que o autor entende a sua atividade como um contributo para o conhecimento da «história local», esperando que tudo mereça ser refletido. Eduardo Nuno Oliveira, que já desde 2001vem concretizando o seu projeto de retratar São Pedro do Sul em diversas publicações periódicas locais – e até de circulação apenas familiar, como é o caso de um opúsculo sobre lendas e narrativas – tem salpicado o seu percurso de investigação com momentos de prazer na descoberta, que atingiram o seu ponto alto em 2019 quando fez publicar “Implantação da República e Monarquia do Norte: Ocorrências e Vivências em São Pedro do Sul”, decorrendo a ação entre 1910 e 1919. Apesar de, como salienta, ser fundamental “resistir, insistir e nunca desistir, sempre num constante aperfeiçoamento, mesmo quando rareiam as fontes documentais”. É a sua ambição e o desejo de ser útil à terra que o viu nascer. Latente, apurada e mais vasta como desvendou a temática do terceiro livro que aí vem: “O trabalho já vai adiantado e recua à antiguidade das Idades do Bronze e do Ferro e, depois, à influência do império romano na região”.
SÃO PEDRO DO SUL NO SÉCULO XIX (Franceses, Liberais…e Outras Coisas Mais!) – um livro de Eduardo Nuno Oliveira dado à estampa pela Lisbon Press, uma Editora do Grupo Atlantic Books, que foi apresentado no passado sábado nas Termas de São Pedro do Sul, numa sessão moderada por Pedro Oliveira e que foi abrilhantada pela exibição de um vídeo de Paulo Quintela e pela atuação musical de Katerina Kabakli. Foi muito bom ter estado aí.
Moimenta da
Beira e São Pedro do Sul
António Bondoso
Julho de 2023
2023-06-06
MERCADO
DO BOLHÃO – RENOVAR A INSTITUIÇÃO TENTANDO NÃO PERDER A ALMA
Um amigo e camarada dizia há dias, após visitar o novo Bolhão, que faltava ali algo que não sabia bem explicar: «mas sinto que lhe falta Porto»…
Curiosamente meu caro Vítor, por dever
de ofício para com o Instituto Multimédia e os alunos do 2º Fot (módulo de «escrita
jornalística»), ao novo Mercado me desloquei para acompanhar e orientar uma
visita/reportagem, na qual um dos propósitos era verificar algumas das razões
do sobe e desce dos preços. Está tudo a descer, salientaram alguns vendedores,
mas se continuar a «seca» e a «guerra prolongada»…volta tudo a subir, claro.
Contudo, foi praticamente impossível
fugir da apreciação do «espaço». Está tudo mais moderno – diziam alguns clientes
habituais do antigo «Mercado» – há mais limpeza, é mais eficiente, há mais
turistas…mas “faltam mais portuenses”!
É um mercado mais funcional, há um pouco mais de negócio – referiam outros vendedores – mas, sem deixar de ser o Bolhão que o Vítor e eu conhecemos, falta ali muita «alma portuense». Foi o que vi, ouvi e senti, exatamente com aquela frase de Agustina Bessa Luís sobre o rio Douro com tantas barragens na mente: é um rio parado, sem alma. Porém, o Mercado do Bolhão continua a ser um dos lugares mais típicos da cidade, é sem dúvida o mais emblemático e de visita obrigatória.
Para mim é, mesmo sem a força dos antigos «pregões» – talvez compensada, por exemplo, com os nomes de algumas ruas do Porto que, de alguma forma, vão desaguar ao Mercado. Da Alegria à Firmeza e não falta a Liberdade.
Um outro pormenor interessante é saber que a D. ILDA ainda lá está. Novo visual…comparando a minha foto de agora com uma outra de Novembro de 2022, da autoria de Pedro Correia/GI para a “Evasões”. De Labruge e sem «Dona», como faz questão.
E depois as coisas novas como os espaços da restauração e a Galeria. Um Mercado particular e singular, apesar de tudo. Vá lá um dia destes, agora que se aproxima o S. João.
António
Bondoso
Junho
de 2023.
2023-05-30
ENTRE
O DISCURSO FUTEBOLEIRO DO PR E OS DISCURSOS DO ÓDIO DAS OPOSIÇÕES…alimenta-se a
demagogia do «medo».
Transportar a conhecida «chicotada psicológica» do futebol para a atividade política pode não ser um bom princípio. As do futebol falham a maior parte das vezes…e apenas «sofrem» os adeptos de um clube. Pelo contrário, na atuação política, arriscar uma «chicotada» fora de tempo, pode prejudicar o país. Uma chicotada ponderada, entenda-se!
Daí,
não perceber muito bem que o PR tenha convocado o CE para 6 de Julho, ainda a decorrer
a CPI à TAP/Computador. Provavelmente para manter «viva» a chama que vai consumindo
a atividade governativa em lume brando. Entretanto, esse papel vai ficando
entregue às oposições populistas perfeitamente identificadas.
Contra
todos os indicadores positivos do país, há muita gente inquieta, a esbracejar e
a gritar. Percebemos Montenegro, depois do empurrão de CS, mas fica a indecisão
do BE. Sempre em cima de Costa…mas dissolução do Parlamento – não! É preciso
mais tempo para recuperar do trambolhão originado pela «coligação negativa» que
pariu a anterior dissolução.
Voltando ao PR que, apesar de tudo, refreou o seu ímpeto de falar de todos e de qualquer coisa – e esse terrível vício de demitir ministros em direto nas TVs! – parece continuar com alguma indefinição, quer quanto às Instituições, quer quanto ao país. Por um lado diz não haver razões para «profetas da desgraça», mostrando mesmo algum realismo e otimismo, mas – de outra forma – vem com o chavão das mudanças. A mudança, em si, não deixa de ser positiva. O caso é que MRS coloca a fasquia em modo radical: - “Não mudam a bem, mudam a mal. Mas era preferível que mudassem a bem", referiu.
E sobre aquela outra frase "Quando o poder
entra em descolagem com o povo, é o poder que muda", todos sabemos que
esse poder é, de facto, do povo. Mas foi esse mesmo povo que, ainda há um ano,
ofereceu uma maioria absoluta. Não deixa de ser algo «perigoso» confundir a
«vontade popular» com algumas sondagens imprecisas, mesmo que baseadas em lamentáveis
erros de dois ou três governantes e sinais de incompetência em alguns outros. É
fundamental ter uma “CERTEZA ABSOLUTA” de que o POVO deseja a «mudança». As
manifestações na rua são, claro, de protesto, mas todos sabemos a forma de as
promover e alimentar. Somando contrariedades, do lado das oposições também tem
havido erros e sinais de incompetência.
Se, como disse, o PR convocou o CE mais para
«ouvir» do que outra coisa, será legítimo duvidar da eficácia do ato. Alguns
«conselheiros» são até comentadores e muitos outros têm sido instados a
pronunciar-se sobre as situações de tensão que se têm verificado e que os média
transformam em repasto opíparo.
E não pense MRS comparar a situação portuguesa com a que se passou a viver em Espanha a partir de ontem. Isto é, não se sinta motivado pela atitude do 1ºM Pedro Sanchez. Lá, é ele o dono da jogada política. Aqui, vai ter que ser o PR. Terá coragem para tal? Costa vai esperando…e ele sabe esperar! À partida, tudo está contra ele. E não vai ter a vida facilitada até às eleições europeias – essas que, ao contrário de sempre, vão passar a ter significado político «nacional».
Até lá, Mariana, por muita paixão que possa ter
pela política com base no protesto, não faça do PS o seu inimigo público número
um. Já perdeu no golpe anterior e, mesmo que possa vir a recuperar alguns votos
à custa do desgaste do governo do PS, a sua «vitória» não passará por aí. Ela só
virá a longo prazo, quando a direita e a sua extrema estiverem três ou quatro
anos no poder. Não tenha medo e boa sorte!
António Bondoso
Maio de 2023.
2023-05-26
AMÍLCAR CABRAL – a figura e o seu percurso – com novo
episódio.
Hoje
às 18.30, no auditório sul da Feira do Livro de Lisboa, vão ser apresentados
«novos segmentos» para uma biografia mais completa de Amílcar Cabral.
A responsabilidade está a cargo da historiadora Ângela Coutinho e do escritor Filinto Elísio, da editora Rosa de Porcelana, na conjugação dos 50 anos do assassinato do líder africano e do centenário do seu nascimento que se perfila para 2024.
Há 10 anos, recordo, publicava eu «LUSOFONIA
E CPLP – Desafios na Globalização», no qual destacava a ideia de Cabral sobre a
importância da língua portuguesa: - “O
[idioma] português é uma das melhores coisas que os portugueses nos
deixaram”.
Mas a «ideia» só se tornou mais clara, quando Paula Medeiros levou a citação mais longe, referindo uma publicação do próprio Cabral (1974):- “O português (língua) é uma das melhores coisas que os tugas nos deixaram, porque a língua não é a prova de nada mais, senão um instrumento para os homens se relacionarem uns com os outros, é um instrumento, um meio para falar, para exprimir as realidades da vida e do mundo”.
Seguindo a ideia, acrescentei eu que, desta frase de Amílcar Cabral, «também se pode extrair a ideia de que – não sendo a prova de nada mais – a língua pode não ser pertença, pode não derivar de uma relação afetiva e cultural. O que importa, é que ela seja um instrumento para chegar ao mundo. E esse, era sem dúvida um objetivo do seu Movimento de Libertação. Por isso e embora reconhecendo força e valor identitários ao crioulo, defendido pelos seus adversários internos, Cabral contrapunha a importância de uma língua de afirmação “universal” dizendo: - “Há muita coisa que não podemos dizer na nossa língua, mas há pessoas que querem que ponhamos de lado a língua portuguesa, porque nós somos africanos e não queremos a língua dos estrangeiros. Esses querem é avançar a sua cabeça, não é o seu povo que querem fazer avançar. Nós, Partido, se queremos levar para a frente o nosso povo, durante muito tempo ainda, para escrevermos, para avançarmos na ciência, a nossa língua tem que ser o português”.(...)».
Em 2012, por outro lado, já eu havia
explorado uma outra faceta de Cabral, no livro O PODER E O POEMA, recuando ao
ano de 1946 e à Seara Nova, onde ele dizia que “A Minha Poesia Sou Eu”. Era já
o «outro lado» daquele a quem chamaram profeta, soldado, poeta – mas que se
dizia apenas “um simples africano que quis saldar a sua dívida para com o seu
povo e viver a sua época”.
«Ama os Homens/ Solta teus poemas para
todas as raças,/ Para todas as coisas./ Confunde-te comigo…».
Um registo meu, apenas, bebendo uma outra perspetiva nas palavras da São-Tomense Conceição Lima:
António Bondoso
Maio de 2023.
2023-05-19
Costuma
dizer-se que ninguém está acima da Lei. Pois eu creio ser de idêntica
relevância dizer que «ninguém está acima da ética».
E se tem sido lamentável acompanhar alguns
tristes episódios na esfera governamental, não deixa de ser menos verdade que
também o PR tem desempenhado um triste papel na sequência de algumas
intervenções menos felizes e muito pouco éticas quando, por exemplo, «demitiu»
em direto nas televisões alguns membros do governo. Particularmente, quando se
reúne todas as semanas com o 1ºM.
E mais lamentável do que todos os
«pormenores» de Galamba e &, gostem uns e outros não, é o «desplante» do
Montenegro, que vem falar de moral e de ética…quando é simplesmente VERGONHOSO
o caso que o envolve na FUGA AO FISCO. Eu pago IMI.
Passem bem.
António Bondoso.
Maio de 2023.
























