2021-03-01

  

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM STP na Gravana. CARLOS NEVES é um dos perfilados…e vê a Justiça como pedra angular do funcionamento do Estado e uma Administração Pública transparente no combate à corrupção.

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São algumas das ideias presentes no projeto de candidatura de Carlos Filomeno Agostinho das Neves ao cargo de Presidente da República de S. Tomé e Príncipe, país que atravessa um período de crise profunda ao nível da tolerância: “As fraturas sociais aferem-se mais pelo clima de ressentimento e até ódio manifestamente visíveis no Pais por divergências políticas”. Conheço Carlos Neves desde jovem, acompanhei uma parte importante do seu percurso político no processo da «mudança» e o seu empenho nas primeiras eleições livres em STP – quer legislativas, quer presidenciais – e fui testemunha, quase em «direto», via telefone, do golpe militar de 1995, estava eu na Rádio Macau e conversávamos sobre a situação do país.

         Neste breve conjunto de perguntas e respostas para publicar no meu Blogue PALAVRAS EM VIAGEM, ressalta a ideia de um homem de diálogo e de consensos, livre de escândalos no passado e que não negociou a sua candidatura com qualquer partido político, embora converse com todos e com personalidades diversas da sociedade civil santomense. No momento atual, diz, sente que o seu nome tem passado com facilidade entre a população, a qual reconhece na sua pessoa “alguém que sempre esteve presente nos momentos mais importantes da história política de S. Tomé e Príncipe nos últimos quarenta e sete anos”. 

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         Invista alguns minutos do seu tempo para ficar a saber algumas das linhas essenciais da candidatura de Carlos Neves, que vão da cultura democrática à política externa do país, não esquecendo as diásporas.

A.B./PALAVRAS EM VIAGEM:

Dr. Carlos Neves, é visível num dos vídeos promocionais da sua candidatura a sua ligação umbilical à “União MDFM/UDD”.

Foi proposto pelo partido ou recebeu o apoio já depois de apresentar a sua candidatura?

Não teme que essa «ligação» venha a ser redutora da sua candidatura?

CN – Fui um dos criadores da União MDFM-UDD, em 2018, quando os dirigentes desses dois Partidos se uniram reconhecendo que juntos teriam mais força.

Tivemos em conta as nossas raízes comuns, as nossas afinidades políticas e o potencial de intervenção que daí poderia resultar para as duas formações e, acima de tudo, para o país.

Como sabe as eleições presidenciais não são como as eleições legislativas, sendo o eleitor chamado a, após uma aferição dos candidatos, decidir sobre aquele que, na sua opinião, melhor pode exercer as funções de Presidente da República. Daí que a decisão de me candidatar seja exclusivamente minha, mas disso dei a conhecer aos outros dirigentes do Partido, esperando que, naturalmente, alicerçado no meu passado, na minha história de vida e na minha postura de diálogo e de permanente busca de consensos, pudesse colher o seu beneplácito e granjear o seu apoio, o que aconteceu.

A.B.

Negociou a sua candidatura com outras forças políticas (nomeadamente com o MLSTP – parceiro da coligação no poder)? Deseja ou vai lutar pelo apoio desse partido?

Que outros apoios já mereceu da Sociedade Santomense? De que setores e de quais «figuras públicas»?

CN – Procurei em primeiro lugar sondar o grau da minha aceitação ou rejeição junto da população e de seguida comecei a divulgar as grandes linhas do meu pensamento político, dando assim aos potenciais eleitores a oportunidade de conhecerem os meus propósitos e a minha linha de acção se vier a ser eleito PR, o que espero.

Não negociei com nenhum partido político, mas tenho conversado com vários partidos e personalidades do meu País sobre as minhas ideias e o seu eventual apoio à minha candidatura.

No momento atual sinto que o meu nome tem passado com facilidade entre a população, que reconhece em mim alguém que sempre esteve presente nos momentos mais importantes da história política de S. Tomé e Príncipe nos últimos quarenta e sete anos, alguém que nunca esteve metido em escândalos de qualquer natureza e que deseja ver o Pais progredir num clima de unidade, de consensualidade e de transparência governativa.

A.B.

Sabendo-se como está dividida/fraturada a «sociedade civil» em STP, traduzida por exemplo no elevado número de candidatos que já manifestaram a sua intenção de candidatura…Como é que tem medido o seu índice de popularidade e de aceitação?

CN - Creio que não se deve medir as fracturas da nossa sociedade pelo número de cidadãos que manifestaram a intenção de se candidatar. As fraturas sociais aferem-se mais pelo clima de ressentimento e até ódio manifestamente visíveis no Pais por divergências políticas. Como já referi anteriormente, sou alguém que consegue dialogar com todos os partidos políticos e estabelecer pontes e consensos dentro e fora dos partidos. Essa minha postura não é de hoje e é reconhecida por muita gente.

A.B.

Dr Carlos Neves…sente que é o melhor candidato ou o que está melhor posicionado para vencer as eleições presidenciais? Qual o seu rival mais direto?

Não teme que apareçam outros candidatos de maior “peso”, de figuras como Patrice Trovoada, por exemplo…que poderá vir a obter o apoio da ADI – um partido que ajudou a fundar?

CN – Numa disputa como as eleições presidenciais, reconheço que todos os candidatos devem merecer o nosso respeito, independentemente do seu aparente peso político ou das suas condições financeiras, pois entendo que todas as ideias e propostas podem ser discutidas.

Não é minha preocupação saber quais os cidadãos do meu País irão participar neste pleito que se avizinha. Estou mais concentrado no meu projecto e na interacção com os eleitores, muitos dos quais são do ADI, partido que em boa hora ajudei a fundar.

A.B.

Nas «ideias» que apresenta para um país melhor, refere a necessidade de o PR – em função das suas competências constitucionais – ser um “Gerador de Consensos” (magistratura de influência).

Perante o «clima» (social e político) gerado nos últimos anos – agitação, intriga, conflitualidade – está convicto de que o PR ainda pode ser um gerador de consensos, equidistante e acima das forças partidárias?

CN – Uma das virtudes dos sistemas democráticos é o de permitir que através do diálogo permanente se resolvam ou se atenuem os conflitos que sempre existem nas sociedades.

O papel do PR é justamente o de ser alguém que consiga dialogar com toda a gente, independentemente das suas origens, credos religiosos ou inserções político-partidárias, estabelecendo pontes e gerando consensos, proporcionando a paz e a estabilidade ao seu País.

Os conflitos existentes na nossa sociedade devem merecer a nossa atenção e um estudo pormenorizado das causas e origens, por forma a se encontrar as melhores soluções para os mesmos.

A.B.

Justiça, Corrupção, Administração Pública, Evolução Económica, Justiça Social – são outros desideratos que pretende alcançar.

Qual ou quais devem merecer a atenção imediata do novo PR?

CN – Garantir-se uma sociedade com estabilidade obriga a fazer funcionar a Justiça na sua plenitude, daí esse item dever ser uma das grandes prioridades do PR. A solução da problemática do funcionalmente normal do sistema judicial, é a pedra angular do funcionamento do Estado em todas as suas dimensões, pelo que o PR, como garante do regular funcionamento das instituições, deve exigir, contribuir e zelar para que esta questão se resolva.

Uma Administração Pública a funcionar com transparência, permite o combate à corrupção e proporciona a solução das questões económicas, potenciando, por sua vez, a criação de condições para uma melhor produção e distribuição da riqueza nacional.

A.B.

Alinhamentos fundamentais da Política Externa. (em consonância com o governo, naturalmente).

Para além de uma melhor/mais eficaz integração de STP na região do Golfo…quais os parceiros essenciais/privilegiados para a PE do país?

CN – Naturalmente que o PR não tem o exclusivo da política externa, mas tem uma palavra muito decisiva nos alinhamentos a seguir. Penso que não devemos desviar-nos dos alinhamentos já estabelecidos, isto é, com a CPLP, a UNIÃO AFRICANA, a CEAC (integração regional) e a ONU no plano multilateral, e no plano bilateral com os nossos vizinhos mais próximos – Angola, Guiné-Equatorial, Gabão e Nigéria, e com os nossos principais parceiros fora do espaço africano, designadamente com Portugal, país irmão, e com a República Popular da China, actualmente o maior investidor no nosso Pais. Tudo isso não nos deve abstrair de procurar novas parcerias.

É necessário reforçar-se a ideia da integração regional por forma a atrair os investimentos dos nossos vizinhos e estabelecer-se um mercado para a exportação dos nossos produtos. As acções com vista à implementação de uma diplomacia económica devem ser uma prioridade, aproveitando-se melhor a rede das nossas representações diplomáticas e de consulados honorários.

A.B.

Nesse seguimento, que ações e valores defende para as «diásporas»?

CN – Acho que devemos estabelecer uma linha de contacto permanente com a nossa diáspora de molde a conhecer melhor os seus problemas para que juntos e em articulação caminhemos na busca de soluções, e procurando junto aos países de acolhimento o melhor modelo de enquadramento dos nossos concidadãos.


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Obrigado Dr Carlos Neves pela disponibilidade para mais esta reflexão. Felicidades.

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António Bondoso

Jornalista – CP 150 A.

1 de Março de 2021. 




 

2021-02-24

DAS GUERRAS E SEUS EFEITOS...


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DAS GUERRAS E SEUS EFEITOS…ou de como o Homem, com o seu sentido de predador nato, sempre utilizou a força e a barbárie para obter poder. A guerra é a minha pátria – diz Pierre Drieu La Rochelle; a guerra é sobretudo sofrimento, segundo Robert Fisk; a guerra é a grande experiência, escreve Almada. Ou, seguindo a «escrita da guerra» que nos oferece Rui de Azevedo Teixeira, no seu recente “Ensaios de Espelho”, «A violência é parte da raiz do homem; a tendência para a agressão é, tal como a pulsão erótica, parte da essência do homo sapiens, como já o fora do proto-homem, tão bem estudado por Raymond Dart». Teixeira cita mesmo uma expressão de Freud, segundo a qual a guerra mostra o que a civilização tapa.

Numa perspetiva diversa e com oportunidade – já que muito se tem falado de guerra nos últimos tempos em Portugal – a RTP2 exibe, a partir de hoje, um documentário com o qual se pretende dar a conhecer aspetos particulares da violência da II Guerra Mundial. Ali se ouve, por exemplo, que as guerras nunca acabam e que «o inferno começa quando a guerra termina e dura toda a vida». Só por si, não deixa de ser uma frase de extrema violência, proferida por uma mulher norueguesa que foi obrigada a procriar com um soldado alemão durante a ocupação nazi. E foram entre 30 a 50 mil as mulheres nessa situação, tendo ficado conhecidas como “garotas alemãs”. Humilhadas e violentadas no final da guerra, só em 2018 viram o seu governo pedir desculpas pelo tratamento vergonhoso a que foram sujeitas.

Mas, continuando a citar Teixeira…«assim como a água não tem forma permanente, não existem na guerra formas estáveis», ensina o primeiro dos grandes estudiosos da guerra Sun-Tzu. E prossegue, agora com Pessoa, para quem – com a guerra – passa «a ser legítima a solução animal das questões».

Por outro lado e contextualizando os primeiros anos do século XX, mais precisamente 1917, uma breve referência ao «Ultimatum Futurista» de Almada Negreiros, no qual se faz a apologia da guerra: “Ide buscar na guerra da Europa toda a força da nossa nova pátria. (…) A guerra serve para mostrar os fortes mas salva os fracos. (…) É na guerra que se acordam as qualidades e que os privilegiados se ultrapassam». Depois, com a barbárie da II Guerra e de todas as guerras que foram enchendo o globo – concretamente a guerra de África ou Colonial – talvez Almada tivesse escrito um outro «ultimatum».



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 António Bondoso

Fevereiro de 2021.


2021-02-11

 SEI DO TEMPO E DO VENTO…



Foto de A.B. 

Não preciso que os “ventos” me venham contar uma História. Não preciso que os ventos me tragam uma “nova” História. Não preciso que o “tempo”, o tempo dos “manipuladores do tempo”, me traga novas histórias, reescritas ou reinventadas. Apesar de tudo aceito histórias “recontadas”, pois sei, à partida, que, quem conta um conto, acrescenta um ponto. Por isso, saberei descontar os pontos.

         Sei de muitas histórias da História. Sei de António Hespanha, António Sérgio, Borges de Macedo, Carlos Neves, Cortesão, Fernando Rosas, Godinho, Herculano, Mattoso, M’Bokolo, Oliveira Marques, Reis Torgal, Rui Ramos, Saraiva ou de Veríssimo Serrão. E sei de António Borges Coelho, que disse que «O historiador é um manipulador do tempo. Prende-o num campo ou castelo de palavras. E qualquer um o desperta da mortalha das letras…Mas verdadeiramente não é o tempo que prendemos mas tão-só os acontecimentos – sinais gravados noutros sinais». Em O tempo e os homens. Questionar a história III. Lisboa, Editorial Caminho, 1996, p.13.[1]

Sei do meu tempo e do tempo de muitos outros antes de mim.

Sei do tempo em que cheguei, do tempo que percorri e sei dos ventos que me têm «empurrado» até ao presente. E sei dos ventos que vão soprando e das razões que os movem. E sei que, a cada investigação, se reportam quase invariavelmente as mesmas «fontes». Basta ler as “notas” ou as “citações” de referência no final de cada obra. E aí, como diz António Borges Coelho, «desperta-se o tempo da mortalha das letras». Um tempo diferente, interpretado e reinterpretado, de acordo com a direcção e os objectivos pretendidos à luz de um tempo outro. Fica sempre bem uma “leitura” oportuna…ou oportunista! De acordo com os ventos que sopram! Mas, em boa verdade, a essência dos factos está – não deixa de estar – nas fontes consultadas. Independentemente dos períodos de maior ou menor «nebulosidade». Quer se fale do «nascimento» de Portugal, quer se escreva sobre a epopeia dos Descobrimentos. Quer se fale dos impérios, da colonização ou da descolonização. Aliás, sobre este último tema, a RTP1e 2 passaram recentemente dois excelentes espaços de investigação e de conhecimento. https://www.rtp.pt/play/p8429/decolonisations.

         Sei do tempo e do vento…embora não possa saber tudo! Ninguém sabe. Mas procuro, embora – honestamente – não consiga criticar quem o não faça. O que não consigo deixar de criticar é a arrogância com que se…critica!



[1]-http://cm-pvarzim.pt/biblioteca/download/Procurar_a_luz_para_ver_as_sombras_Antonio_borges_coelho.pdf. Uma publicação da C.M. de Vila Franca de Xira e do Museu do Neo-Realismo, com edição de Sílvia de Araújo Igreja – Procurar a Luz para ver as Sombras – 2010.  



Foto de A.B.

António Bondoso

Fev. 2021

2021-02-06

CABO VERDE – 30 ANOS DE «MUDANÇA»…ou de como um jovem quadro ajudou a erguer o MPD (Movimento Para a Democracia) e a levar o “jovem” Estado africano a «um momento sublime e de grande exaltação». Hoje, Carlos Veiga diz candidatar-se pela terceira vez ao cargo de Presidente da República, acreditando no futuro, na juventude mais preparada e com a certeza de que «pode contribuir para o desenvolvimento humano e inclusivo da nossa Nação. E, se posso…devo! A tarefa é de todos!» sublinha este político de Cabo Verde ao Blogue “Palavras em Viagem”, de António Bondoso: 



Carlos Veiga (foto da Web)

A.B. – Dr. Carlos Veiga, a «Mudança» de há 30 anos não foi apenas um momento histórico.

1.     A “Mudança” foi, de facto, um momento decisivo. A pressão externa foi importante e o regime de partido único percebeu-o. Cabo Verde era dos países que mais APD recebia dos “doadores” e sabia que tinha de “abrir”. Mas a Mudança que ocorreu ultrapassou de longe a “abertura” prevista pelo regime. A sociedade cabo-verdiana mostrava então abertamente o seu descontentamento com o status-quo  e, através de um grupo crescente de jovens quadros e activistas,  mostrou que queria mesmo uma mudança de regime e não a tímida abertura “oferecida”. Queria uma democracia verdadeira e mostrou-o  através de propostas claras e consistentes, contrárias às do regime, manifestando-se pacificamente nas ruas, com crescente apoio popular, ao mesmo tempo que se disponibilizava para discutir as suas propostas com o Poder, pacificamente.  O momento era sublime e de grande exaltação. Ninguém do grupo pensava no “medo” ou na sua segurança pessoal. O momento era aquele! O apoio popular era crescente. A palavra de ordem “medo dja caba” (o medo acabou) espalhou-se amplamente  e com entusiamo em todas as ilhas, mesmo naquelas em que a repressão foi mais intensa. Por isso, nunca tememos pela nossa segurança pessoal. Tínhamos a clara consciência de que, naquele contexto internacional e interno, o regime estava fragilizado e tinha pés de barro. 

A A.B. - Mas acredito não ter sido apenas um momento histórico. Ele foi mesmo fundamental para o desenvolvimento de Cabo verde?


2.     A Mudança foi fundamental para o objectivo do Desenvolvimento que é o desafio actual da Nação cabo-verdiana. Não há desenvolvimento sem democracia. Em Cabo Verde isso é, hoje, uma evidência. O desenvolvimento humano trazido pela democracia não tem comparação com a situação vivida sob o partido único. Foi também a democracia que trouxe efectivo crescimento económico. Em 1991 o crescimento era zero; em 2001 atingiu cerca de 8% em média quinquenal; de 2016 a 2019 a economia cresceu de zero para 6%.A COVID19 deitou tudo abaixo, mas as perspetivas de crescimento estão aí, com Cabo Verde no ranking da frente em África.



Carlos Veiga e o seu Governo - o 1º da II República

A.B. - Trinta anos depois da «onda da mudança», não será estranho ouvir ainda dizer-se que as pessoas têm medo de falar, de criticar, de escrutinar?

 

1.   Basta entrar nas redes sociais, ler os jornais, ver as televisões, estar no meio de pessoas, e, ainda ver os rankings internacionais sobre liberdade de expressão para concluir que os cabo-verdianos hoje não têm medo de se exprimir. Fazem-no abertamente. Que alguns afirmem o contrário é normal mas não representativo. Normalmente têm motivações outras, sobretudo “politiqueiras” ou do foro laboral, que não o medo de falar na generalidade das situações de vida. Claro que ainda existe deficit de cultura democrática, mas nada de muito diferente do que ocorre em outras nações mais desenvolvidas.

A A.B. – Em qualquer caso, Dr. Carlos Veiga, a sua popularidade – ou pelo menos o seu carisma – não diminuiu, embora tivesse perdido duas eleições presidenciais para o mesmo adversário, Pedro Pires.

 

2.   Quanto às presidenciais 2001 e 2006, acredito que, na realidade, não  as perdi. Ganhei em ambos os casos nas ilhas e perdi nas comunidades. Por culpa própria, sobretudo no plano da organização do aparelho de campanha. Em 2001 oficialmente perdi por 12 votos. Seis meses depois, pessoas foram condenadas e cumpriram prisão por fraude nessas eleições, relativamente a dezenas de votos falsos introduzidos nas urnas. Mas isso é passado e agora estou a olhar para o presente e para o futuro. Creio estar hoje melhor preparado para contribuir, como supremo magistrado da Nação, para que ela sinta o desenvolvimento como coisa sua, de que tem o direito a ambicionar e para que tem o dever de comparticipar.

A  A.B. – 30 anos depois desse combate pela democracia, com o MPD…parece não estar cansado da política. E é agora de novo candidato. O que o faz pensar que à «terceira» será de vez? Uma avaliação mais ponderada de eventuais opositores, ou sente que o PAICV está em declínio, com a liderança «esgotada»?

 

3.    A minha candidatura não está ligada ao estado actual dos partidos políticos. Como democrata considero que os partidos políticos são essenciais para o funcionamento das democracias. Mas não dependo deles para a minha candidatura. Claro que qualquer candidato presidencial, por definição apartidário, deseja o apoio dos partidos e de outras organizações da sociedade. Não sou exceção: desejo ter apoios partidários e de organizações da sociedade civil que se revejam na minha candidatura, que é ´verdadeiramente apartidária. Candidato-me, independentemente das posições dos partidos sobre a minha candidatura, porque me julgo capaz de desempenhar bem o cargo presidencial no contexto actual, acredito no presente e no futuro do meu país, sobretudo numa juventude bem preparada para enfrentar o mundo global e digitalizado do século XXI, tenho orgulho na minha nação e julgo ter a simpatia e o apoio de milhares de cabo-verdianos nas ilhas e nas comunidades, pelo que fiz, pelo que sou hoje e pelo que posso contribuir para o desenvolvimento humano e inclusivo da nossa Nação. E, se posso, …devo! A tarefa é de todos!

A  A.B. – E o MPD? É apenas um «filho» que deixa para trás ou sente que o Partido já não o apoia?

 

4.   O MpD está bem servido com o seu líder atual, o seu programa politico mantem-se o mesmo e está perfeitamente adequado aos desafios do presente e do próximo futuro. Tenho muito orgulho em ter participado na sua criação e desenvolvimento. Considero que é indispensável e fundamental para Cabo Verde. Mas o meu tempo no ativo dentro do partido já passou, normalmente. A grande maioria dos militantes e dirigentes desse partido continua a rever-se na minha pessoa e acredito que estará a apoiar-me nas próximas presidenciais. O PAICV é um partido histórico em Cabo Verde, representa uma parte significativa do povo cabo-verdiano. O mesmo com a UCID. Os partidos mais novos representam novas tendências que emergem na sociedade cabo-verdiana, uma sociedade viva, vibrante, dinâmica e intensamente plural, como ´desejável. Como Presidente trabalharei com todos os partidos e procurarei promover o indispensável consenso entre eles, sempre que o bem comum o exigir.

A  A.B. – Nos «limites» da Constituição do país, em que aspectos é que o PR pode fazer a diferença? Os anteriores Presidentes cumpriram…ou pensa que poderiam ter ido «mais além»?

 

5.    O Presidente não é o executivo, mas o moderador do sistema democrático, com um papel muito relevante de influenciador desse mesmo sistema e da sociedade no seu conjunto. A Constituição é a grande arma do Presidente, pelos poderes que ela lhe dá, mas também e quiçá mais importante, pelas orientações estratégicas precisas que ela estabelece para a generalidade dos aspectos da vida dos cabo-verdianos. A medida em que tais orientações forem efectivamente usadas pelo Presidente da República para influenciar no sentido do bem comum, nas suas relações com as demais instituições da governação e na sua relação com a sociedade, e se transformarem em realidade sentida pelas pessoas na sua vida corrente, por efeito da acção presidencial no quadro constitucional, marcará a diferença feita por cada Presidente. Penso que os Presidentes anteriores cumpriram, no geral. Mas é sempre possível fazer mais! É assim que o progresso acontece!




Carlos Veiga (foto da Web)

No geral, a minha opinião é que o sistema implantado há 30 anos vai relativamente bem. Claro que, como todas as democracias, precisará sempre de aperfeiçoamentos. Existe também um real deficit de cultura democrática, sobretudo em muitos atores políticos, mas o povo, na sua generalidade, revela uma crescente apropriação dessa cultura, sobretudo votando de forma muito madura.

A.B. – Muito grato, Dr. Carlos Veiga. Foi bom ter testemunhado esse momento de «mudança» de há 30 anos, sobre o qual disse ter sido “Sublime”! Felicidades. 




 

2021-01-14


LEONEL COSME…ou o homem de palavra e das palavras que viajam para além do seu nome, fazendo sentido. Ausentou-se agora, depois de ter nascido em 1934, em Guimarães, e de ter vivido 25 anos em Angola – de 1950 a 1975 – terra africana onde voltaria como cooperante em 1982, regressando ao Porto em 1987. 



Não quero que as palavras pareçam banais. Por isso, penso que devo destacar hoje o seu nome, a sua figura, a sua escrita e parte do seu pensamento. Com Leonel Cosme partilhei momentos de luta pela democracia na RDP, no Porto, com ele partilhei – em momentos distintos – a chefia da Redação que fomos construindo, praticamente a partir do zero. Com a sua assinatura, deixo excertos de documentos que significam exatamente parte desses momentos de combate pela afirmação da Rádio, no Porto e no Norte – uma Rádio que não nos era estranha, pois ele havia trabalhado no Rádio Clube da Huíla (Sá da Bandeira) e eu no Rádio Clube de S. Tomé, depois Emissor Regional da E.N. em finais de 1969.



É, tem sido, à escrita de Leonel Cosme que recorro frequentemente, quando é mister falar de África. Que, afinal, são muitas, como ele lembrava. Por exemplo no seu livro MUITAS SÃO AS ÁFRICAS (Novo Imbondeiro,2006),especificava: «não são apenas muitas as Áfricas-nações que procuram a sua unidade, em cada território e no continente, mediante um esforço de “reafricanização”, para retomar o fio da história cortado pelo colonialismo; são também as muitas áfricas-sociológicas que existem em cada uma delas, como boas ou más heranças, conforme o olhar de quem faz a leitura dos resultados. E porque muitas são essas “áfricas”, muitos foram e ainda são os olhares, uns que vêm do passado, outros, do tempo que ainda decorre». Ou ainda, quando escreve sobre Agostinho Neto e o seu tempo - «sempre a África Negra teve as imagens que dela fizeram os colonizadores». 

Leonel Cosme deixou a missão jornalística em 1991 para viajar em busca de conhecimento – foi o caso do Brasil – e para apresentar palestras e comunicações em diversas Universidades de Portugal e do Brasil. E para escrever, claro. Dezenas de livros publicados, alguns dos quais já aqui mencionei, sendo África a «centralidade». Tive também, nesta faceta de escritor, a felicidade de poder contar com a sua «leitura» do meu livro “Escravos do Paraíso”, que ele apresentou no Palácio da Bolsa, no Porto, em 15 de Dezembro de 2005, dizendo na altura: - «Este livro, de um escritor-jornalista, é um caso invulgar. Poético e realista, fala-nos do amor e do fracasso em S.Tomé e Príncipe:- amor dos portugueses e de santomenses expatriados em Portugal, que amaram e jamais esquecerão aquela terra de eleição; fracasso, porque os poderes nela estabelecidos não lograram, ao longo de séculos e até hoje, fazer de tanta beleza e fertilidade os meios de tornar o seu reduzido povo um dos mais felizes do mundo».


Foi em Angola que Leonel Cosme, para além da Rádio, foi co-diretor das Edições Imbondeiro (que a PIDE fechou em 1965) e co-fundador da Delegação da Sociedade Cultural de Angola e do Cine Clube da Huíla. 

Independentemente das divergências que tivemos ao longo da caminhada profissional que fomos partilhando – e por isso as palavras fazem sentido – devo dizer que o Leonel Cosme foi sempre um camarada empenhado e leal, de uma tranquila e permanente sensatez.

Fica bem e não deixes que a viagem das palavras termine. Abraço grato por nos termos conhecido. Uma nota final, para lembrar que – apesar da situação de emergência devido à pandemia – o velório irá decorrer durante o dia de amanhã, 15 de janeiro, a partir das 10h00, na Capela da Ressurreição de S. Cosme – Gondomar, e que o funeral terá lugar às 14h30.


Até sempre Leonel Cosme e recebe um abraço que seguramente te vai ser transmitido pela Gina, tua mulher e companheira dedicada, pela Ariana e pela Vânia – filhas que igualmente te deram felicidade.

A propósito, recordo com ternura o que ambas as filhas escreveram em 2017, numa publicação no «facebook», sobre a vida do pai na Rádio:

“Ariana Cosme

Filha de um jornalista da rádio, posso dizer que sou filha da rádio!!!
Cresci nos corredores, nos estúdios e na régie do Rádio Clube da Huíla junto de gente que marcou profundamente a minha infância e o gosto pela rádio. (Sabe-se que estou em casa quando o rádio está ligado).
Aluna do Colégio Paula Frassinetti, descia a rua, passava em frente à casa da
Cristina Romariz, da Carla Nóbrega Velho e entrava na porta do Rádio Clube para passar as últimas horas da tarde perto do meu pai (fazendo os TPCs e outras tantas tropelias). Recordo a infinita paciência do Mário Soares, do Leston Bandeira, da Zi, Isilda Arruda e do Humberto Ricardo; eram a nossa família alargada...Desse tempo recordo ainda o auditório grande onde estudava piano (as lições do Cserny pareciam nunca acabar) e se fazia a distribuição dos brinquedos no Natal às crianças da cidade.
Faz agora um ano voltei à rua da Gena Prata, Maria Prata Prata, que reunia no portão sempre um grupo de amigas e à rua do "terno" da mãe da 
Isabel Roçadas Flores e foram grandes as saudades de todos.

Vânia Cosme Saudades imensas dessa infância feliz em que enchia de risos e correrias os pisos todos do Rádio Clube da Huíla e era recebida diariamente com o maior carinho do mundo e palavras sempre ternurentas por todos aqueles que ali trabalhavam e que com uma infinita paciência lá aguentavam as nossas (minhas e da minha irmã) tropelias com um sorriso rasgado no rosto!!! Leston BandeiraHumberto RicardoDiamantino Pereira MonteiroMario Soares , Isilda Arruda, são alguns dos nomes muito queridos que guardo ternamente num cantinho muito especial do meu coração. O Dia Mundial da Rádio foi ontem mas para mim é todos os dias pois olho para o meu Pai diariamente e nunca deixo de pensar nessa rádio especial que ficou lá para a Terra do Sul. Também não esqueço a Antena 1 (Portugal) onde, tal como no Rádio Clube da Huíla, passei muitas horas da minha adolescência a estudar e a aprender a ser Gente com todos aqueles que na Redacção levavam as notícias para lá das paredes e das janelas da Rua Cândido dos Reis. Recordo com saudade imensa o Gonçalo Nuno cuja estrelinha já brilha no céu, o Carlos Ferreira, o Carlos Magno, o António Bondoso e muitos outros. E, mais uma vez, o meu Pai confundindo-se com os dias da rádio de milhares de pessoas. Amanhã, quando acordar, prometo dedicar uns minutos numa amena cavaqueira com o meu Pai sobre as nossas memórias, as dele bem diferentes das minhas, da vida de um Homem da Rádio.” 

Não sei se houve tempo…mas teria sido interessante. 

Porto, 14 de Janeiro de 2021.

António Bondoso. 







 

2020-12-31

SE O NOVO ANO VIESSE DO CÉU

Ant. Bondoso

SE O NOVO ANO VIESSE DO CÉU

Se a viragem do ano transportasse em si mesma o valor absoluto do bem-estar e da justiça, seria como que um momento perfeito da humanidade.

Contudo, é muito complicado este mundo habitado por humanos!

Desde o início dos tempos sempre a pesar a vida e a morte, matar ou morrer, viver e sobreviver, a pobreza e a riqueza, a alegria e a tristeza, o belo e o feio, o mal e o bem, a felicidade e a miséria, o poder e a submissão, o pecado e a graça, a mentira e a verdade, a dúvida e a certeza, a traição e a lealdade, o amor e ódio, o perto e o longe.

Por isso me tenho interrogado inúmeras vezes se haverá um tempo justo.

Não sei se o tempo existe nem sei se haverá tempo para isso. Uma dúvida existencial como tantas outras, uma questão filosófica talvez – ontológica certamente e quase a confundir-se com a metafísica. O tempo não é velho nem é novo – recordando o que há dias escrevi a propósito de uma ideia “abadesca” situando o paradoxo do Natal (como tempo de nascer) e da morte (igualmente tempo de nascer numa ou para outra dimensão). Neste ponto…é a Fé a sobrepor-se. Como que uma retórica de conforto em tempo de dor. Mas nestes tempos de crise – o que é realmente importante é o conforto de viver em dignidade! E essa...só será conseguida com um tempo novo.

Voltamos, portanto, à existência do tempo. E quem não se lembra daquela “ladainha” em que o tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem…e o tempo responde ao tempo que o tempo que o tempo tem é tanto tempo…quanto tempo o tempo tem! A ser assim, penso não deixar de ser fundamental que esta asserção englobe toda e qualquer circunstância, toda e qualquer medida.  

Por isso, seja-me permitido esperar legitimamente que venha aí um tempo novo, um tempo de justiça e de felicidade. E desejar a todos que assim seja, com muita saúde para viver esse tempo – um intervalo entre a vida preenchida de altos e baixos…e essa ideia real que podemos situar entre o negro tétrico e o cinzento mais ou menos enigmático.

Pensando positivo, lá vamos a caminho do Novo Ano/Ano Novo...levados pelos ventos de uma liberdade conquistada e defendida com sacrifícios de vária ordem. E que agora clamam por mais felicidade e mais justiça.

E se…

Se o novo ano viesse do céu

Por certo seria azul

E diferente, pois então!

Para melhor

Sempre a caminho do sul

Guiado pelas estrelas

De um enorme coração.

 

Se o novo ano viesse do céu

Por certo seria azul

Tal como as águas tranquilas do rio

Ou do mar alto que sei.

Diferente e para melhor

Sempre em busca do calor

De um imaginário que é meu

Do qual gostei e que amei.

 

Se o novo ano viesse do céu

Talvez o mundo tivesse a cor dos meus olhos!

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António Bondoso

(Dez de 2017)


Ant. Bondoso

António Bondoso
Dezembro de 2020 - Ano da Pandemia. 







 

2020-12-23

Não há duas depressões iguais.



Uma depressão pela «pandemia» tem como causas o medo, sobretudo, acompanhado de incerteza e de angústia. E de sofrimento, claro, tendo em conta as sequelas. Mas há hoje esperança na cura!

A depressão pela «perda» de uma mãe é muito mais complexa e nunca será curada. Não há vacina que possa evitar o contágio! Eu, infelizmente, fui atingido ainda muito jovem. Podem crer que foi devastador, como poderão ler neste relato de memória. Era Dezembro…e o Natal ficou adiado. Há 49 anos:

Foi uma despedida triste, de esperança quase nula, nesse Dezembro de um calor húmido e tórrido, na placa do aeroporto, à beira de um avião que me levava o berço aconchegante, o colo de um amor maior, a fonte da minha energia e do meu equilíbrio no mundo dos adultos. Meio perdido, nem choviam lágrimas nem transpirava soluços. Estava apenas ali, sem dizer fosse o que fosse, sem ouvir as vozes que justificavam a partida, como que uma derradeira tentativa para reverter a doença que a minava. Não sei mesmo se ela acalentava alguma esperança nessa viagem que os médicos determinaram, como se o Hospital do Ultramar fosse de facto a solução. E partiu, e eu praticamente imóvel a olhar para além dela, sem um gesto, sem um grito, sem um choro, que me doía o peito, que me toldava a visão e me arrepiava os tímpanos esse ruído dos motores do «friendship» a preparar-se para levantar voo. E já no «ar»…houve sonhos que ficaram suspensos e pesadelos que se apresentaram. Foi ali que senti que a perdi!

Dezembro de 2020.

António Bondoso


 

2020-12-11


HÁ SELOS QUE VALE A PENA GUARDAR…e recordar!



HÁ SELOS QUE VALE A PENA GUARDAR…e recordar! Ou de como a História de um país se vai perpetuando nas coleções dos CTT, este ano a assinalar 500 anos de existência, recuando ao tempo em que o rei D. Manuel I criou os Correios – ou Correio de Serviço Público – de Portugal e o cargo de Correio-Mor do Reino. Mais interessante ainda quando a proximidade nos proporciona cruzar caminhos com o autor de um selo, baseado na qualidade e na beleza de uma fotografia capturada por um amigo como é o lamecense João Oliveira. 


         A foto e o selo têm como «cenário» a Romaria de N. Senhora dos Remédios, em Lamego – precisamente uma das romarias que completam o álbum idealizado pelo Prof. Paulo Mendes Pinto e cuja edição bilingue atingiu 4 mil exemplares numerados, com o título genérico de «Festas e Romarias – Lugares de Fé». Não foi um processo fácil de seleção, mas a qualidade da foto do selo e de outras fotos que integram o capítulo dedicado à Senhora dos Remédios é inquestionável.

         Parabéns ao João Oliveira, pelo momento e pela técnica das fotos, parabéns aos CTT pela iniciativa que decorre desde o ano de 1983, sem interrupção, com o título genérico de «Portugal em Selos», parabéns à Câmara Municipal de Lamego pelo apoio ao João Oliveira.  



Neste 5º centenário da empresa mãe, o álbum completo bilingue tem a assinatura de Jorge M. Martins e a tradução de José Manuel Godinho, numa edição limitada de 7 mil exemplares, dedicada especialmente à música. De Beethoven a Amália Rodrigues, a edição teve como ponto de partida o concerto patrocinado por D. Manuel I, em Évora, quando nomeou o primeiro Correio-Mor do Reino. 



António Bondoso

Dezembro de 2020.