DOS
CONFLITOS AO CAOS…APENAS RETICÊNCIAS!
O
TEMPO PRESENTE DESLIZA E O FUTURO DISPENSA INTERROGAÇÕES.
A
governança mundial da ONU colapsou ou está em vias de – sobretudo agora que
Trump e algumas dezenas de aliados circunstanciais inventaram o «Board of
Peace»; as disposições da Carta das NU parece já não terem sentido, pois os
três países mais poderosos – com assento permanente no Conselho de Segurança –
delas fizeram tábua rasa. A busca do «espaço vital» e do Poder absoluto nas zonas de influência
(e fora delas), levaram e continuam a levar longe demais CHINA, EUA e RÚSSIA.
Se
é certo que a Paz não é apenas a ausência de guerra…os pressupostos deste aforismo
já não são corretos. Provavelmente nunca o terão sido.
Entre
a loucura aberta de uns e a paciência demagógica de outros…o mundo vai
caminhando para um final explosivo.
Portanto, não há paz…e a guerra manifesta-se aos níveis mais diversos, das formas mais estranhamente elaboradas e de consequências imprevisíveis. Tal como escreveu há uns anos o Gen. Loureiro dos Santos, em “A Guerra no Meio de Nós”. E agora, Trump e meia dúzia de iluminados da sua Administração colocam em prática o enunciado onde melhor lhes convém. Prossegue na Venezuela, repete-se no Irão (qual a Bandeira que ali vai prevalecer?) mas sujeitos a um profundo fôlego e, provavelmente, só depois voltarão a Gaza, já com Israel pronto para a ofensiva final devidamente apoiados pelos EUA e já depois de terem passado novamente pelo Líbano.
Afinal, o «negociante-mor» das américas ainda não conseguiu terminar nenhuma das oito ou nove guerras que dizia ter capacidade para anular. Gaza e Nigéria foram uma ilusão, tal como o Cambodja e a Tailândia e, seguramente, não contava com esta do Paquistão/Afeganistão. Sobre a Ucrânia estamos igualmente conversados. A sua «amizade» (?) com Putin parece valer a pena o corte com os velhos aliados europeus e com o Canadá. Mas a Ucrânia «queima», apesar do tristemente humilhante desempenho dos militares russos e dos seus mercenários africanos. Também em África o Sudão «queima», não merecendo o mínimo interesse da nova «corte» Trumpista.
Voltando
à governança mundial, há organizações e instituições que já não funcionam: a
NATO recebeu o seu segundo epitáfio pela assinatura de Trump e a ONU só existe
enquanto interessar aos poderosos do Conselho de Segurança. Leia-se China e
Rússia, considerando que a atual Administração dos EUA já «corre por fora». As
«agências» mais importantes das Nações Unidas – que designação mais
contraditória! – vão podendo trabalhar enquanto houver recursos. Depois…será o
caos no PNUD, na UNESCO, na FAO e em todas as outras.
Atualmente, recordo, a ONU possui 15 agências
especializadas que atuam em seu nome, tais como a OIT, a OMS, o FMI e o BM,
para além das outras já citadas.
E como é triste perceber uma ONU envergonhada,
como temos assistido a algumas das aparições do Secretário Geral António
Guterres, parecendo mesmo que o atual momento chega até a ser humilhante.
Não é um bom sinal para a ORDEM que tinha
vindo a funcionar há décadas – mais vezes bem do que mal, dependendo do ponto
de vista de quem classifica. Enquanto se busca uma NOVA ORDEM MUNDIAL, que
poderá vir a ser «Tripolar» como escreve Sónia Sénica; ou «Multilateral»,
abrangendo os BRICS.
Em qualquer caso, ainda não é o “fim
dos Estados Unidos” (Gonçalo Tavares), apesar de uma peste terrível, tal como
não foi o «fim da história» (Fukuyama), após o colapso do Bloco de Leste, sendo
certo que há um claro «Divórcio das Nações», como nos diz o diplomata João Vale
de Almeida.
Do caos à eventual «nova ordem», um longo caminho de armadilhas. Mas tenhamos esperança! Contudo, para que ela valha a pena, aconselho a não acompanhar as centenas de comentadores que pululam pelos écrans deste retângulo. Semanas seguidas…loucura certa!
Preparemo-nos e saudemos, entretanto,
os passos do Presidente eleito em Portugal, António José Seguro, quase a tomar
posse. Depois das cerimónias protocolares e festivas…momentos difíceis vai
enfrentar. Para já, vamos estar atentos à tática do seu velho conhecido no
período da Troika, P.P.Coelho.
António
Bondoso
Março de 2026.
NOTA:- o texto, entretanto renovado/atualizado, foi elaborado para publicação no passado mês de Fevereiro. Mas eu não sou bloger profissional. Vou apenas andando por aqui. Abraço e grato pelas leituras.


