quinta-feira, 17 de abril de 2014

EM MEMÓRIA.......



Foto de A. Bondoso
Há dias em que a felicidade também devia ser medida pela quantidade de condensação que o vale das três montanhas oferece.
Há dias…ainda foi ontem mas parece ter sido há uma eternidade, sobretudo pela falta que me tens feito nestes 42 anos. Pelo carinho, pela paciência, pela paz e pela doçura que transpiravas. Pudera a minha juventude regressar ao ativo e eu sentir os passos da tua presença.
Hoje, digo apenas que continua a ser válido o que escrevi há dois anos:
FOI  HÁ QUARENTA ANOS!

Com a tua partida
Fiquei órfão de um sorriso lindo e doce,
Carente do desvelo com que mimaste minha infância
E me viste crescer,
Mesmo quando a tua serena fúria
Pretendia ser amarga e dizer não.
Não foste perfeita à imagem de uma santa

Mas amaste quem pariste
E sofreste quem amaste.

Foi há quarenta anos...
E eu
Na minha Ilha de Sonho,
Ainda procurava descobrir o caráter do mundo!
============ António Bondoso
18 de Abril de 2014.


Foto de A. Bondoso

segunda-feira, 14 de abril de 2014


Foto de A.Bondoso

***** Como promoção do livro que há de vir a público, talvez ainda esta semana...e como manifesto de saúde para Manuel Alegre. O livro - editado pela editora Edições Esgotadas -  vai ser apresentado em Moimenta da Beira, na próxima semana, no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril de 1974. Uma semana cheia de iniciativas, para além da exposição de cartoons do jornal A Bola - que já está patente na Bibliioteca de Aquilino Ribeiro. 

http://youtu.be/wFlrPbSrunw



O RECOMEÇO... 

Abril começou de sangue e raiva
E de uma revolta assumida muito antes
Do som das botas militares
A marchar no asfalto das ruas da cidade.

E começou a florir antes dos cravos nos canos da G3
E antes do ruído dos tanques a crepitar nas pedras da calçada.

Abril começou na guerra
E nas palavras censuradas dos poetas.
Abril assimilou os gritos nas prisões
Que de noite, cela por cela
Prolongaram a dor até à madrugada.

Abril começou na emigração clandestina
Na fome das mulheres e de homens alquebrados
Na morte antecipada de visões e de projetos
Em pesadelos inquietos transformados.

Abril irrompeu no nevoeiro
Que escondia o pensamento em liberdade
Abril foi o sol das consciências
Ansiosas por chegar à felicidade.

E fomos felizes em Abril
E queremos em Abril continuar a ser felizes.

E se o sol não se apagar
Voltaremos a ver as estrelas a brilhar
Antes do tempo destinado à Primavera
E depois dele...

Como se outro tempo não houvera.  
================ A. Bondoso

domingo, 13 de abril de 2014


ISTO SOU EU A PENSAR!..............

Foto de A.Bondoso

HÁ PONTES ALÉM DOS RIOS…( A Publicar)

Há pontes além dos rios
E águas sem ponte alguma.

Mas passa gente
Caminham sonhos
Prá outra margem do curso
E ninguém há de parar
O tempo de cada um.

Pode ser modificado numa eterna voragem
Avatares incontornáveis
De permanente mensagem.

E as pontes além dos rios
Onde passam águas sem pontes
Terão sempre uma distância
Que advém da circunstância
De serem caminhos reais.

Mas em cada imaginário
Dentro do tempo do mundo
Não deixará de haver pontes
Muito para além dos rios.
=========== A. Bondoso (A Publicar)

Foto de A.Bondoso
António Bondoso
Abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

A MINHA ÚLTIMA "JANELA"...NA ÚLTIMA EDIÇÃO DA 3ªSÉRIE DO CORREIO BEIRÃO:



 UMA JANELA PARA O MUNDO.

            Abre-se uma janela no computador e o brinde é a Ucrânia. Abre-se uma janela na televisão e a prenda é uma telenovela brasileira ou Cristiano Ronaldo e Mourinho. Abre-se uma janela no jornal e aparecem os Príncipes da Inglaterra. Tudo isto, com o ruído de fundo que ainda é o mistério do avião da Malásia [alimentando as mais diversas teorias da conspiração] e com a vã esperança de que não haja muita abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. Infelizmente, foi demasiado pequeno o “postigo” pelo qual se vislumbrou a efeméride do genocídio do Ruanda.
            Os 20 anos que já passaram sobre o acontecimento – sobretudo dizimador da minoria Tutsi – deveriam alertar a chamada “comunidade internacional” para a inadmissível ocorrência de situações do género, quer seja na Síria, quer seja no Tibete, na Nigéria, Congo ou RCA.
            E – teoria por teoria – porque não acrescentar uma chamada de atenção para o facto de, dentro de poucos anos, poder não haver população portuguesa a residir num desaparecido espaço que alguns mapas ainda assinalam como sendo Portugal.

AB.
A MINHA ÚLTIMA CRÓNICA NO ÚLTIMO NÚMERO DA 3ªSÉRIE:
Como a nº11 não foi publicada no Jornal (pois não houve edição)...certamente me perdoarão repetir o parágrafo do Sr Ministro, de Camilo.


RUMORES…
…a propósito de informação, propaganda, défice, mercados, as eleições que não tardam e o salário mínimo. Como se quinhentos euros pudessem repor a dignidade de um trabalhador!

         Podem o (des) governo e todas as suas estruturas exultar com o défice anunciado e esgrimir com a baixa das taxas de juro da dívida, seja a que prazo for – nada disso me devolve a dignidade de pensionista roubado, esbulhado ou enxovalhado. E nada disso me fará mudar de ideias sobre o sentido do meu voto, quer nas “europeias” de Maio – simpaticamente marcadas para corresponder ao relógio de PP – quer nas legislativas do próximo ano.
            Por dignidade, já referi, mas também pela afirmação de que não serei “joguete” (enquanto ser pensante) nas mãos dos “mercados”, das agências de rating, da Comissão Europeia de DB, dos Bancos e de outros organismos objetivamente focados na usurpação de bens que custaram uma vida de sacrifícios e de muito trabalho.
            O défice baixou, mas passaram a morrer pessoas por falta de socorro atempado e de assistência médica. O défice baixou, mas desapareceu a classe média. O défice baixou, mas os jovens tiveram que ir à procura de futuro lá fora. O défice baixou, mas os mais velhos definham – muitos em lares sem condições mínimas para funcionarem como tal. O défice baixou, mas o desemprego subiu. O défice baixou, mas o ensino piorou. O défice baixou, mas também à custa do valor da minha pensão – estabelecido livremente entre mim e o Estado, quando este era ainda uma “pessoa de bem” e para o qual “descontei” sem interrupções as verbas acordadas.
            Para mal do país e dos nossos pecados vamos numa fuga para o abismo e com a cabeça na areia…em direção a um “fundo” que não é mais do que um verdadeiro buraco negro. Preocupa-me a posição do PS sobre a questão do Tratado Orçamental. De olhos vendados não me levam.
E depois…temos um primeiro ministro sem coluna, temos um vice-primeiro ministro irrevogavelmente invertebrado…e depois uma plêiade dos que chegaram a ministro por engano, compadrio ou a simples eliminação de hipóteses. Faz-me lembrar o episódio do Tibúrcio Pimenta imaginado por Camilo Castelo Branco no seu “O Sr. Ministro”. Com a vantagem moral de Tibúrcio, conhecedor perfeito dos seus princípios e valores: “Homens da minha inflexível independência só podem ser ministros, se o povo e as armas os impõem ao Poder Moderador. A minha coluna vertebral não se curva nem ao povo, nem aos argentários, nem à camarilha. Nunca passarei de bacharel Tibúrcio Pimenta, natural da Gandarela, e advogado nos auditórios do Porto”. Ora bolas – comentaria a mulher – quando Tibúrcio recebeu a notícia [nada surpreendente] de que havia sido nomeado para ministro, mas apenas da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, da qual era “irmão”!
António Bondoso
Jornalista – CP 359.



sexta-feira, 11 de abril de 2014


UMA MORTE PROVOCADA PELA QUEDA…
ou uma queda mortal, provocada pela indiferença e pela imprudência. Talvez até como consequência de um entusiasmo arrebatador!


         Dir-me-ão que, por coincidência pura, tudo pode acontecer. Mesmo sabendo que os números me são simpáticos – como o 11. Fui o onze em alguns casos, fiz parte do “onze” em outros tantos e o onze sempre é metade do 22 – outro número simpático a que muitos chamam de dois patinhos, particularmente quando se participa no jogo do loto.
         Mas, por obra desenganada de um destino madrasto, eis que – no dia 11 de Abril – o número 11 do Correio Beirão foi o último da 3ª série deste jornal fundado em 1956, em Moimenta da Beira.
         Em matéria de jornais, sobretudo no que toca à chamada “imprensa regional” e particularmente numa região interior do país, há – como em tudo – uma série de fatores a determinar o insucesso de um projeto. Partindo do princípio de que as pessoas, com todas as qualidades e defeitos inerentes, são fundamentais para erguer e sustentar o dito – é aí que se torna fundamental investir. Repito…investir! O que, em boa análise, não tem o mesmo significado de gastar dinheiro. Aqui pode falar-se em falta de planeamento, uma vez que o investir pressupõe sempre um risco. Um risco calculado, planeado. Apesar de sabermos que pode falhar. E errar é próprio do ser humano.
         Assim sendo – e até que a administração e/ou a direção do jornal decidam esclarecer as razões do falhanço – o que posso dizer é que sinto uma emoção de perda. Moimenta da Beira vai ficar, ao que tudo indica, sem o seu “título” mais antigo. Dir-me-ão que estamos num mercado global, onde as regras da concorrência são cumpridas não havendo, portanto, lugar a sentimentalismos. Mas eu sinto. E ninguém pode duvidar. É a terceira morte do Correio Beirão, o que me faz lembrar que os cavalos também se abatem ou que, por outro lado, os apostadores de cavalos morrem tesos – como diria essa lenda viva no jornalismo e na literatura americana, Damon Runyon.
         Não pretendendo especular e muito menos acusar seja quem for…o que não posso é deixar de colocar algumas questões que, aos interessados, sempre dirão alguma coisa. Ninguém é obrigado a coisa alguma, muito menos a responder, mas há o dever de perguntar.
Terá sido apenas um problema de concorrência entusiástica, entendida aqui como sinal de competitividade? É que a competitividade implica sobretudo a “inovação”, o ser diferente! Terá sido [ou pretendeu sê-lo] o Correio Beirão, nesta sua 3ª série, um jornal diferente?
Não foi o projeto acarinhado por quem devia? Quis o jornal afastar-se das origens e das raízes? Terá havido indiferença dos agentes económicos, sobretudo de Moimenta da Beira?
Terá havido imprudência na análise de quem assumiu o projeto de ressuscitar o jornal? Poderá colocar-se a ideia de que se pretendeu querer dar um passo maior que a perna? Mas, então, e a ambição – essencial a qualquer projeto? Não é fácil, mas aguardo.
Não só pelas respostas, mas esperando igualmente que o Correio Beirão possa ressurgir – onde quer que seja – para voltar, inevitavelmente, a ter a oportunidade de uma quarta morte. Se possível…muito longe no tempo!


António Bondoso
Jornalista – CP359.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

***** Ora aqui vai um café...e um abraço. E o casario a desafiar a encosta da
serra até onde permite a força humana---e os governos deixam!

Foto de A.Bondoso

BOM DIA MEU IRMÃO...(A Publicar)

Bom dia meu irmão...
...dá-me um abraço
E nele deposita a confiança
Da palavra inteira que alcança
A mão, em gesto simples de amizade
Como se fora Poesia.

Bom dia meu irmão...dá-me um abraço
E sente neste espaço
De mudança
A ternura daquele que procura
Desde criança
O homem verdadeiro a cada dia.
========== 
A.Bondoso (A Publicar)

Foto de A.Bondoso

António Bondoso
Abril de 2014


sábado, 5 de abril de 2014





 UMA JANELA PARA O MUNDO
            Enquanto o mundo inteiro se interroga sobre como é possível que tenha desaparecido um avião sem deixar rasto – num admirável mundo novo de milhares de satélites e de comunicações globais instantâneas – há outros pormenores mais comezinhos que podemos alcançar da nossa janela, sem ser obrigatoriamente o que se passa na e à volta da Crimeia. Por exemplo a questão da homossexualidade reprimida e condenada no Uganda, com base num estudo de 10 cientistas ugandeses – segundo o qual a homossexualidade “é aprendida” e não “normal”. Como seria visto, aos olhos do mundo de hoje, aquele que foi classificado no século passado como o sanguinário e antropófago Idi Amin Dádá?
            E depois…essa bizarria que é a Austrália querer participar no Euro festival da Canção e um tiro (com arco) no coração das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Vale a pena ler essa notícia do jornal Público. Mesmo que o título nos possa colocar alguma dúvida:

Jovens indígenas estão a ser treinados num projecto que procura talentos para a selecção olímpica brasileira de tiro com arco.”


António Bondoso
Abril 2014.
RUMORES E O MINISTRO DE CAMILO...




RUMORES…
…a propósito de teatro, encenação, ministros e outras criaturas que persistem no assassinato das vidas de milhares de portugueses que, pela sua dependência do vínculo ao Estado, se sentem impotentes para reagir.

         À custa do empobrecimento de milhões de pessoas, os governantes embandeiram em arco com os números do défice. Gerar desemprego, pobreza, miséria, emigração forçada e desertificação – e tendo essa coroa de glória que o FMI tanto preza, que é o miserável salário mínimo dos portugueses – foi o caminho escolhido. Do mal o menos, não nos podemos queixar pelo facto de não terem sido capazes de encontrar uma “solução final” ao jeito do génio nazi.
         Bem vistas as consequências das atuais políticas, talvez a outra fosse uma solução mais eficaz, porque mais radical. Ao lento ritmo desta nossa “morte”, a questão apresenta-se mais sádica – consequentemente mais sofrida.
         E depois apresentam o teatro do relógio para 17 de Maio, como se o tempo fosse parar e tudo se transformasse num jardim de rosas. Sair! Sair de quê e para onde? O engano é tremendo. Não vamos sair seja do que for, pela simples razão de que estaremos eternamente presos às teorias da troika neoliberal – quer seja de um FMI do tipo “maria vai com as outras”, quer seja de uma União Europeia incapaz de promover a solidariedade e o bem comum dos Estados-membros, cada vez mais assimétricos.
         Temos um primeiro ministro sem coluna, temos um vice-primeiro ministro irrevogavelmente invertebrado…e depois uma plêiade dos que chegaram a ministro por engano, compadrio ou a simples eliminação de hipóteses. Faz-me lembrar o episódio do Tibúrcio Pimenta imaginado por Camilo Castelo Branco no seu “O Sr. Ministro”. Com a vantagem moral de Tibúrcio, conhecedor perfeito dos seus princípios e valores: “Homens da minha inflexível independência só podem ser ministros, se o povo e as armas os impõem ao Poder Moderador. A minha coluna vertebral não se curva nem ao povo, nem aos argentários, nem à camarilha. Nunca passarei de bacharel Tibúrcio Pimenta, natural da Gandarela, e advogado nos auditórios do Porto”. Ora bolas – comentaria a mulher – quando Tibúrcio recebeu a notícia [nada surpreendente] de que havia sido nomeado para ministro, mas apenas da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, da qual era “irmão”!
António Bondoso

Jornalista – CP 359.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

PORQUE A MINHA IRMÃ CELEBRA HOJE O SEU 70º ANIVERSÁRIO... AQUI LHE DEIXO UM POEMA E DUAS PÉROLAS DE VIDA:- A MATILDE E O MANUEL. 



A MINHA MÚSICA...É O MAR! (A Publicar).

Planto-me em frente ao mar
Até que as raízes me apertem definitivamente.

Mas o meu desejo é estar ali
Dentro dele
Com todos os membros do corpo a pulsar
Vivos, agitados, refrescados
Ora nadando – combatendo pelo espírito 
Ora deixando-me ir como um náufrago em abandono. 

Foi do mar que alguém chegou antes de mim
Foi por ele que naveguei todo o meu tempo
É nele que me entendo e me respeito
Ouvindo sons aconchegantes de harpas e violinos!
=========António Bondoso (A Publicar)


António Bondoso
3 de Abril de 2014.

segunda-feira, 31 de março de 2014

UMA JANELA PARA O MUNDO.
( Publicada na sexta-feira no jornal Correio Beirão). 




UMA JANELA PARA O MUNDO.

            Não é certamente por causa da neblina poluente que, ao abrir a janela esta semana, quase sou obrigado a um pisca-pisca de olhos e de olhares que me causam apreensão. Mais do que a FN (Frente Nacional) em França – com a preciosa ajuda de Hollande – franjo o sobrolho ao que pode vir a ser o princípio do fim de Maduro na Venezuela. Incapaz de exorcizar os fantasmas, o homem já vê conspirações em tudo quanto é sítio. Mas, ao contrário do que sucedeu com Chavez, a situação económica e social é muito débil. Bastará um pequeno passo para que a sua liderança populista esteja minada. Pode ser um rastilho para outros países da América do Sul, mas a grande preocupação reside no facto de ali viverem e trabalharem muitas centenas de milhar de portugueses. 
            No que respeita à Crimeia e à Rússia, a corda já foi esticada para além da capacidade de tensão. Se é certo que a Crimeia é um caso arrumado – por muito que os EUA e a UE tentem esgrimir com o argumento de que o Kosovo foi diferente [foi e foi muito, mas sempre de forma unilateral por parte dos “vencedores” militares] – o mesmo já não acontece com o que ainda está para vir. O ambiente “nacionalista” de Putin vai ter muitas dificuldades para explicar o “afastamento” da Rússia do G-8 [até novas núpcias], com todas as consequências económicas e financeiras que se possam imaginar, para além do facto de ter começado a fuga de capitais do país. O aumento do preço do gás – perigoso se for excessivo – não chegará para cobrir o “desfalque”. Vamos estar atentos.
AB

António Bondoso
Março de 2014

Eu sou o pobre nº 11.000.000.
A propósito da minha crónica de sexta-feira no Correio Beirão.



RUMORES…
…sobre este admirável mundo novo, de pobreza – também de espírito – e de falta de vergonha que vai conduzindo ao “desaparecimento” do país. Somos apenas a “praia” dos nórdicos!

         Eu sou o pobre nº 11.000.000. Virtualmente, claro – pois a natalidade é cada vez mais complexa. Mas dá jeito. Pelo menos aos (des) governantes. Para eles, o que conta é o momento presente – pois são eles que (e se) governam. Quem vier a seguir…que abra a torneira, se puder! Por agora, dá jeito cortar no número de creches, de educadores de infância, de professores. Para conter o défice. O país – logo se vê!
            Para além de perdermos 150 cidadãos por dia, anexemos a pobreza e depois a miséria e tenhamos a coragem de ir somando os prejuízos que esta governação neoliberal nos vai causando. Sob os auspícios da “troika”, que o mesmo é dizer da alta finança ou dos mercados sem rosto. Mas eles sabem que, “se nada for feito” – para inverter o curso, claro – o país não é sustentável.
            Pouco importa. O país já não existe, foi oferecido à UE – em bandeja dourada – somos apenas a “praia” dos nórdicos! Eles ditam as leis e nós cumprimos. Na semana passada já aqui deixei a explicação que Maquiavel nos ensinou há séculos.
            Quarenta anos depois da “esperança” que nos foi devolvida, as fracas e vergonhosas “lideranças” políticas não foram capazes de guardar os avanços que tivemos na educação, no ensino, na saúde. O que de bom conseguimos foi sendo perdido na roleta europeia da desmedida ambição dos alargamentos sucessivos, sem nos preocuparmos com a “logística” de uma retaguarda que salvaguardasse novos horizontes.
            Neste ponto sem retorno, instalou-se o medo de provocar roturas que possam abrir outros caminhos, prefere-se o comodismo de não fazer ondas, de aluno certinho – mas acéfalo – do que os mercados chamam consenso ou compromisso. Sem isso, dizem, estaremos perdidos. Mas é bom que possamos não esquecer o ditado “perdido por cem, perdido por mil”. Por isso, devemos arriscar. E, como soi dizer-se na gíria futebolística, é preciso colocar a carne toda no assador! Só falta escolher o “assador”.
António Bondoso

Jornalista – CP.359

terça-feira, 25 de março de 2014

SE NÃO FIZERMOS QUESTÃO...

Foto de A.Bondoso

NESTA VIDA EM QUE MORREMOS…(A Publicar)

Entre o nascer
E o ser
Revela-se acontecer
Que há uma vida marcada
Com perguntas sem resposta.

Nesta vida intermitente
Que não sabemos…
Mas temos
Podemos escolher o rumo
Selecionar a função
Será tudo um tempo outro
Ter outra vida na mão.

Nesta vida em que morremos
Sem poder dizer que não,
Admirável mundo novo
De perigos confirmados,
Jamais nos levantaremos
Se não fizermos questão!
======A. Bondoso (A Publicar)

Foto de A.Bondoso
António Bondoso
Março de 2014

sábado, 22 de março de 2014

NÃO SE "ARQUIVE" A LIBERDADE...
É uma tentação de gente mal formada e mesquinha nos tempos que vão correndo. Por isso, nesta marca do tempo celebrada, convém todos os dias alertar quem ainda tem um pingo de consciência. Para que a "cadeia" desperte e o sorriso volte ao princípio pintado de muitas cores!



A LIBERDADE TEM COR?(A Publicar)

A liberdade tem cor
De cada um a pintá-la.

Nem raça nem credo…nem género
Toda a liberdade que se agarra
Tem um carimbo talhado
Desenhado
Construído palmo a palmo
Como se fora um tesouro.

Se formos nós a pintá-la
A liberdade tem cor.

Do negro dos nossos olhos
Do azul esverdeado
O brilho da liberdade
Tem essa forma dourada
Que ofusca o tom cinzento
Do que já foi arquivado.
===== A. Bondoso (A Publicar)


Foto de A.Bondoso
António Bondoso
Março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

PORQUE É SEMPRE PRECISO UM OLHAR INFORMADO!...........




UMA JANELA PARA O MUNDO

Depois de confrontado com um sol radioso ao abrir da dita, veio ao meu encontro este recente olhar de Ramos Horta sobre a Guiné-Bissau: o país “é um oásis de tolerância num continente onde há muitos problemas étnicos e religiosos”. E citou como exemplo apenas a Nigéria, a República Centro Africana, o Mali e a Somália. Porque há mais!
            E porque há mais – alguns já mereceram mesmo que tivesse aqui aberto a janela- faz-me lembrar a ligeireza com que os media [sobretudo europeus e aqueles que mais notam e sentem o correr do tempo] tratam certos assuntos. E mesmo os que se dizem especializados! Sempre houve a errada forma – por ignorância de quem escreve ou por uma visão eurocêntrica e deformada – de tudo ver com os “olhos de cá”.
            Na Guiné-Bissau, realçou Ramos Horta – que é o enviado da ONU para acompanhar o processo de transição [mais um] no país – não há guerra, apesar dos problemas causados pela elite política ou classe castrense. Fica o registo de que as eleições de Abril, se o processo chegar ao fim, possam decorrer de forma pacífica e consequente. Para isso, diz Ramos Horta, a comunidade internacional deveria estar mais atenta aos gestos de moderação, paz e serenidade dos Chefes Religiosos.
A.B.