terça-feira, 21 de outubro de 2014

PORTUGAL, CHINA, LUSOFONIA E CPLP - UM ATRASO DE 20 ANOS.
A PROPÓSITO DA AICEP E DOS SEUS DIRIGENTES

(http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/aicep-quer-portugal-porta-ligacao-da-china-os-paises-da-cplp)

Neste livro que agora vem a público, conto uma história da qual deixo aqui um breve resumo.



“No plano das grandezas quantitativas, Macau é um pequeno ponto, uma pequena cidade oculta pela grandeza da China. No plano dos valores qualitativos, porém, Macau é exemplo de uma construção política sem precedentes e que corresponde à sua vocação histórica de ser um nó de ligação entre espaços entre gentes e entre culturas”.
                                                                                        Vasco Rocha Vieira, 1996[1]


         Premonição ou não…o facto é que o ex-Governador daquele território lutou pelo reconhecimento desse estatuto, chamando a atenção das autoridades portuguesas para os benefícios futuros de uma atempada “jogada” diplomática que permitisse a Portugal ter o apoio da China – numa parceria de aceitação comum – na definição de uma plataforma de interesses no âmbito da afirmação da CPLP e da Lusofonia.
         Sem resposta – um hábito dos governos em Portugal – Rocha Vieira procurou, apesar de tudo, abrir caminhos a futuros empreendedores e empreendimentos, lançando nomeadamente Moçambique, Cabo Verde e Brasil. (...)




[1] - Governador de Macau, em 25 de Novembro de 1996, por ocasião da apresentação das LAG/97 na Assembleia Legislativa. Apud Em Macau Por Acaso, 1999. Pg.37.

(...)Portanto, na chamada viragem do milénio, Portugal perdeu uma oportunidade de “vantagem” que, com a atual crise, mais agrava a já débil situação geopolítica, pese embora a sua pertença à União Europeia. O país não tem “estatuto” e tem visto enfraquecido o seu tradicional “peso diplomático”. Não apenas com a China – também com os Estados Unidos da América.  
Por isso é que merece a pena refletir bastante sobre um dos últimos textos de Miguel Monjardino no Expresso[1]. O título da crónica, por si só, não parece relevante [Xi Jinping Em Angra]…mas um terço da página a “6 colunas” revela que, de novo, Portugal reconhece a crescente importância de Pequim para o país e faz questão de enviar esse “recado” político a Washington, querendo dizer que a “relação com os EUA não pode depender só das Lajes”. Lisboa e Pequim pretendem apresentar “uma parceria estratégica global”, o que – apesar das diferenças dos dois países na cena internacional – significa que há [deve continuar a haver] uma estratégia que “serve os interesses dos dois países no mundo”.
E é exatamente neste ponto que deve ser apreciado o quadro da CPLP e da Lusofonia, tendo por fundo o Fórum de Macau. Portugal, melhorando e reforçando a sua relação com a China, pode “quantificar” e “qualificar” o seu peso no xadrez da CPLP.(...)




[1] - 2 de Agosto de 2014. Pg.30 do Primeiro Caderno. 

NOTA: = Aceitam-se encomendas do livro EM AGOSTO...ALUZ DO TEU ROSTO, diretamente para o autor através do e-mail antoniobondoso@gmail.com 
Preço de capa (€12,00) +portes. 

António Bondoso
Jornalista

LUSOFONIA - O DESAFIO MAIS ALICIANTE DO SÉC. XXI NO ÂMBITO DAS R.I. (PARTE II)

A LUSOFONIA SÓ FAZ SENTIDO…SE A SENTIRMOS [NÃO BASTA SITUÁ-LA] ACIMA DAS NACIONALIDADES.
SALIENTANDO O QUE DE BOM TEMOS EM COMUM…COMO AS DIÁSPORAS!



E.Lopes pensou e disse que “LUSOFONIA = É mais do que uma comunidade linguística e de afetos.” E pode ser uma grande rede de interesses e de projetos das diásporas lusófonas... (UNIVERSALIDADE DAS DIÁSPORAS)!

}   Para JORGE BRAGA DE MACEDO: -Lusofonia é =  “os oito países [AGORA SÃO NOVE] tentarem encontrar posições comuns sobre problemas internacionais, particularmente os objetivos de desenvolvimento do milénio”. – Nomeadamente o combate à pobreza e, acrescento eu, a epidemias como a SIDA e o ÉBOLA.
}  E entende que o conhecimento mútuo - deve ser “não apenas uns dos outros, mas uns dos outros para chegar a posições comuns”. O que deve ser o “Espírito da CPLP”.
EMBORA NÃO SE DEVAM CONFUNDIR…
…O CONCEITO DE “LUSOFONIA” E A REALIDADE POLÍTICA “CPLP”…NÃO PODEM SER DISSOCIADOS.
        A LUSOFONIA FOI CRESCENDO AO LONGO DE SÉCULOS………
        …A CPLP TEM APENAS 18 ANOS DE VIDA!
        E – SERÁ BOM FRISAR - …
        …DEPOIS DE UMA
HERANÇA COLONIAL TRAUMÁTICA.
===========   MAS...FELIZMENTE
HOUVE= O ESPÍRITO DE BISSAU (R. Eanes/Ag.Neto,1978) nos tempos da chamada “IMPOSSIBILIDADE HISTÓRICA.
=== E MAIS TARDE………
}  O Cenário favorável do pós Guerra Fria (1989 e 1991) = Mudanças/Abertura democrática nos novos países (EXCEÇÃO DE TIMOR).
}  O papel de TANCREDO NEVES/JOSÉ SARNEY .
}  O papel de JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA/ITAMAR FRANCO.
}  O Papel decisivo de José Aparecido de Oliveira.
MAS tudo isso NUM CENÁRIO DE MUITOS ATRITOS:
}  Equívocos, tendências e “medos” (neocolonialismo e nostalgia do império). Sensibilidades Africanas – GRUPO DOS CINCO.
}  Reservas de Fernando Henrique Cardoso e mau ambiente no Itamarati contra J.A.O.
}  Política Externa do Brasil hesitante s/Timor-Leste (ocupado pela Indonésia).
}  Guerra Civil em Angola. UNITA = “areia na engrenagem” das relações com Portugal.
}  1º Secretário Executivo (angolano Marcolino Moco) e “A construção ameaçada” (***) de Itamar Franco.
}   
========CONTUDO… CABO VERDE!
}  Cabo Verde = atitude positiva e de consolidação  do projeto desde os primeiros anos da CPLP. Ideia do cidadão lusófono.

TEM SIDO, ASSIM, UM PROCESSO
}  Complexo,
}  confuso e
}  conflituoso
                               MAS… ALICIANTE!

 E TEM DESPERTADO INTERESSE:



==== DESTAQUES:
***A VERMELHO…OS 9 MEMBROS ATUAIS.
***A LILÁS :--- O JAPÃO (porque fomos os primeiros estrangeiros a chegar…e há as diásporas de Japoneses no Brasil…e de Brasileiros no Japão); os laços com o SENEGAL datam das descobertas; A NAMÍBIA e, curiosamente, a TURQUIA – que hoje vive um período de grave hesitação e ambiguidade entre o ESTADO ISLÂMICO e o ostracismo do OCIDENTE;  
***A AMARELO:- As Razões Históricas de MALACA; Igualmente da INDONÉSIA (por via de Timor e Flores); Também das FILIPINAS (com a presença do mítico Fernão de Magalhães, que morreu em CEBU ); a AUSTRÁLIA – que eventualmente não quer perder terreno para a Indonésia; o LUXEMBURGO – certamente pela presença da Comunidade Portuguesa; ANDORRA – idem aspas; MARROCOS – também pela História;  a ROMÉNIA – pela circunstância da Latinidade; a UCRÂNIA, a CROÁCIA, a GEÓRGIA  e a ALBÂNIA – talvez pela orfandade que vêm sentindo depois da implosão da Urss e da Jugoslávia; ainda o PERÚ e a VENEZUELA – fronteira com o Brasil e a presença da diáspora portuguesa; e finalmente a ÍNDIA – não só mas também pela história de Goa, Damão e Diu…e certamente para encurtar o avanço da CHINA.
==== Daí… a recente aproximação ao Brasil e também a realização recente dos JOGOS DA LUSOFONIA EM GOA.
Foi lá que esteve nessa ocasião o nosso amigo, confrade da AICEM e ilustre Professor Universitário JORGE BENTO, que  assinalou a sua vivência do momento histórico com algumas intervenções nas redes sociais.
=====E aí fui beber este texto que fala do
 LEGADO DOS JOGOS DA LUSOFONIA

Primeiro: havia políticos radicais em Goa que eram contra a realização dos Jogos da Lusofonia. Mas eles vieram para cá e estão a realizar-se. Esta é a primeira grande vitória da Lusofonia. Neste capítulo, isto significa um grande avanço.
Segundo: o número de jovens voluntários é de 3000. Provavelmente muito poucos faziam antes ideia do que era a Lusofonia. Ora esta experiência muda, por certo, o seu quadro mental.
Terceiro: Goa nunca tinha realizado, segundo o chefe de governo, um evento desta envergadura, em nenhuma área. Além das magníficas instalações que teve de construir, adquiriu competências de organização.
Por tudo isto Goa fica ainda mais ligada à Lusofonia.

E VOLTANDO À CPLP…
JOSÉ PALMEIRA (Docente na Univ.Minho):
Pela diversidade regional dos seus membros, a CPLP pode constituir uma mais valia num sistema internacional cada vez mais global. (2009)
E NO QUAL ENFRENTAREMOS SEMPRE DESAFIOS COMO ESTES ENUNCIADOS PELO PROF. ADRIANO MOREIRA:
}  A Múltipla dependência dos Estados-membros da CPLP  é um desafio para elaborar políticas coerentes sem experiência passada, em vista de um futuro sujeito a condicionamentos de terceiros, futuros abertos a uma complexidade que torna frágeis todas as prospetivas (Adriano Moreira no DN).
=== E AINDA a afirmação do “Bloco linguístico” na ONU e em outros Fora internacionais. Aprofundar a Concertação político-diplomática. [Veja-se a eleição de Angola para membro não permanente no CS da ONU…veremos o que vai acontecer na 3ªfeira com Portugal, na eleição para membro do Conselho de D.H.]. E nesse sentido da concertação político-diplomática, cativar e apoiar também a Guiné Equatorial, claro, mas igualmente a Galiza, sabendo que a
}  Língua = vale 17% do PIB em Portugal. Na CPLP os valores poderão ser mais elevados. Literatura, música, cinema, televisão.
A CPLP carece, portanto, de um Estudo alargado aos NOVE, o qual possa/deva igualmente mostrar eventuais avanços e/ou constrangimentos em territórios como a Galiza, Goa, Malaca, Macau e mesmo na RPChina.
RECORDO QUE HÁ DIAS, EM SEIA, no XXII Colóquio da Lusofonia, Ângelo Cristóvão – da Academia Galega da Língua Portuguesa – comunicava que
“O grande repto que temos pela frente é manter a coordenação entre todos os atores galegos, o que reforçaria esta posição já conhecida e elaborada durante as últimas décadas por diversos agentes culturais, universitários e intelectuais galegos no espaço da língua portuguesa.
A estratégia da Galiza no processo de aproximação da Lusofonia beneficia desta tradição consolidada, do facto fazer parte do território originário da língua comum, da sua localização geográfica, da longa tradição de país com vocação marítima e atlântica, das amplas redes tecidas pela emigração nos quatro cantos do mundo, da ausência de conotações históricas negativas no imaginário coletivo dos falantes de português, e de ser um espaço com um alto nível económico e de desenvolvimento humano próximo da média europeia, o que poderá resultar atraente para os países emergentes e em vias de desenvolvimento.
A Galiza conta, portanto, com uma boa posição de partida, com vantagens claras que deverá saber maximizar, mesmo em relação a outros atores próximos, no desejável horizonte de um relacionamento triangular estável entre a Europa, América e África, sem esquecer Timor, Macau e os territórios de língua portuguesa da Ásia.”

Não devemos esquecer igualmente a concretização do
}  Estatuto do cidadão lusófono – no sentido de se caminhar para uma Comunidade de Povos Lusófonos.
E
}  Elevar os níveis de cooperação multilateral. (Por ex: no âmbito dos Oceanos = ver mapa de ZEE ).1

                        (E as Plataformas Continentais…)

O BRASIL É A CHAVE.
TALVEZ A CHAVE-MESTRA …

==== Mas, pelo menos conjunturalmente, tem deixado que a RPChina assuma o comando das ligações económicas – através do FÓRUM DE MACAU.
           E DA CHINA NÃO TEMOS RECEBIDO GRANDES SINAIS…A NÃO SER DINHEIRO investido em projetos não produtivos!
António Bondoso
Jornalista e Mestre em RI. 
Outubro de 2014











LUSOFONIA - O DESAFIO MAIS ALICIANTE DO SÉC. XXI NO ÂMBITO DAS R.I. (PARTE I)



            ESTAMOS AQUI PARA FALAR DESTE ALICIANTE DESAFIO QUE É A “LUSOFONIA”.
            O MAIS ALICIANTE DESTE SÉCULO…NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS. Sobretudo quando a tendência global é no sentido da ATOMIZAÇÃO [pelo menos da FRAGMENTAÇÃO] das relações entre Estados…excetuando os casos muito particulares das chamadas Organizações Regionais – como a UE, a UNASUL, a CEDEAO e mais umas quantas deste tipo – MUITAS DELAS com um acentuado pendor PROTECIONISTA.
           MAS O CASO DA LUSOFONIA ultrapassa este sentido regionalista. Parte em busca do UNIVERSAL, independentemente do seu CENTRO MOTOR.
****Escreveu Ernâni Lopes (2011) que “A Lusofonia é um conceito difuso e complexo, mais facilmente vivenciado do que teoricamente estabelecido, porque a língua, como instrumento para os que a utilizam, é o que tiver sido feito com ela, está em permanente evolução e reinterpretação. Mas é um conceito natural para aqueles que, ao longo dos tempos e das suas vidas, vivenciaram essa realidade, utilizaram esse instrumento de comunicação e de racionalização”. 
Mas o ser difuso e complexo, não retira ao conceito – à maior parte dos muitos que se têm perfilado no Estado da Arte do espaço lusófono – a importância que o Prof. Ernâni Lopes e a sua equipa de investigação lhe atribuem no estudo “A Lusofonia – Uma Questão Estratégica Fundamental”.
Sendo fundamental para o futuro coletivo dos povos de língua oficial portuguesa, é também uma janela de oportunidade para os “oito” [agora são nove] da CPLP comunicarem entre si e serem compreendidos nos seus propósitos.
E porque esta questão estratégica é fundamental, vale a pena recordar – quando a CPLP já atingiu a maioridade de 18 anos – uma caminhada difícil, cheia de contradições, muitas vezes analisada mais emocional do que racionalmente e, para sua riqueza, portadora de pensamentos distintos em qualquer dos países e continentes de pertença da língua oficial.
As ideias mudam, evoluem; o pragmatismo e os interesses sobrepõem-se muitas vezes a emoções e/ou afetos; as teorias são renovadas ou reconstruídas.
Partindo da certeza de que, por muito que se tente, não se pode ignorar a História que ditou uma colonização de mais de quatrocentos anos – conflituosa, naturalmente – não será estranho que o período pós-independência (quer em África, quer em Timor relativ/a Portugal) tenha ele sido, também, de alguma forma conflituoso. E a Lusofonia foi vivendo, (re) convivendo, ao sabor dos mais diversos estados de alma – ora por meio de uma retórica saudosamente otimista, ora por via de alguns discursos, marcadamente críticos, de elites intelectuais e de gradas figuras académicas. Ou ainda pelas visões oficiais de assumido alinhamento pelos Blocos dominantes da Ordem Mundial vigente. Foram desfilando, assim, nomes como os de Eduardo Lourenço, Veiga Simão, António Tabucchi, Adriano Moreira, Carlos Pacheco, Alfredo Margarido, Aparecido de Oliveira, Agostinho da Silva, Boaventura de Sousa Santos, José Carlos Venâncio, Joaquim Chissano, Fernando Mourão, Virgílio de Carvalho, Jaime Gama, José Augusto Seabra, Luís Moita, Barradas de Carvalho, Luís Bernardo Honwana, Sá Machado, Vasco Graça Moura, Mia Couto, Pepetela ou ainda Malaca Casteleiro.
De uma forma particularmente realista, encontramos a visão timorense de Xanana Gusmão e de Mário Alkatiri e também a ideia de Amílcar Cabral, segundo a qual: “O [idioma] português é uma das melhores coisas que os portugueses nos deixaram”.
E Paula Medeiros leva a citação mais longe, referindo uma publicação do próprio Cabral (1974):- “O português (língua) é uma das melhores coisas que os tugas nos deixaram, porque a língua não é a prova de nada mais, senão um instrumento para os homens se relacionarem uns com os outros, é um instrumento, um meio para falar, para exprimir as realidades da vida e do mundo”.
E desta frase de Amílcar Cabral também se pode extrair a ideia de que – não sendo a prova de nada mais – a língua pode não ser pertença, pode não derivar de uma relação afetiva e cultural. O que importa, é que ela seja um instrumento para chegar ao mundo. E esse, era sem dúvida um objetivo do seu Movimento de Libertação. Por isso e embora reconhecendo força e valor identitários ao crioulo, defendido pelos seus adversários internos, Cabral contrapunha a importância de uma língua de afirmação “universal” dizendo: - “Há muita coisa que não podemos dizer na nossa língua, mas há pessoas que querem que ponhamos de lado a língua portuguesa, porque nós somos africanos e não queremos a língua dos estrangeiros. Esses querem é avançar a sua cabeça, não é o seu povo que querem fazer avançar. Nós, Partido, se queremos levar para a frente o nosso povo, durante muito tempo ainda, para escrevermos, para avançarmos na ciência, a nossa língua tem que ser o português”.
Trinta anos depois de Cabral, o sociólogo luso-angolano José Carlos Venâncio – professor e pró-reitor da Universidade da Beira Interior (UBI) – disse em Macau que “a língua portuguesa é a grande herança da colonização”, acrescentando que “os grandes obstáculos entre os países da lusofonia já foram ultrapassados e venceu a fraternidade e a aproximação cultural” (2006). Mas para fazer do português “uma língua de cultura em termos internacionais” – refere Venâncio – é necessário um esforço coletivo maior e “é fundamental que Angola, Moçambique e o Brasil sejam entendidos como centros de irradiação da lusofonia”. José Carlos Venâncio, que é também professor visitante da Universidade de Macau, foi ali apresentar a sua obra A Dominação Colonial – Protagonismos e Heranças, dada à estampa em Dezembro de 2005, por ocasião de uma homenagem ao Pe. Videira Pires na UBI.
Por outro lado, ainda a meio da primeira década deste séc. XXI se erguiam vozes contra a ausência, em Portugal, de estudos em quantidade e qualidade que nos possam transmitir uma imagem atualizada da nossa história comum. MARIA MANUEL BAPTISTA (da Univ. Aveiro) diz mesmo que “Estamos, presentemente, num momento que, psicanalítica e simbolicamente, poderíamos designar de “recalcamento e negação”. A autora reconhece que é preciso tempo e distanciamento para refletir a História, cita as feridas ainda recentes e “significativamente silenciosas” de E. Lourenço (2000) e fala de “um desenraizamento histórico que afeta a nossa atual cultura globalizada” e que nos leva a questionar para que servirá uma língua comum “miraculosamente” partilhada. Tudo isto justifica, diz Baptista, o facto de não haver ainda pensadores pós-coloniais em Portugal para exigir um processo de reconstituição histórica do nosso nada “inocente colonialismo” (Lourenço, 1975,1976), a fim de podermos construir com verdade e conteúdo valioso uma Comunidade de Povos Lusófonos.
Contudo, a autora baseou o seu trabalho em alguma bibliografia crítica de pensadores portugueses e talvez tenha esquecido muitos ensaios e publicações do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais; do IEEI – Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais; IDN – Instituto de Defesa Nacional; Academia de Ciências de Lisboa; Universidades; mais recentemente do MIL – Movimento Internacional Lusófono; e a vasta produção literária, em Portugal, quer sobre a Guerra Colonial/do Ultramar, quer sobre a colonização e descolonização portuguesas. Entre muitos outros, podemos citar Lídia Jorge, Manuel Alegre, António Lobo Antunes, Álvaro Guerra, João Paulo Guerra, Guilherme de Melo, Leonel Cosme, António Duarte Silva e Rui de Azevedo Teixeira – um dos organizadores dos Congressos sobre a Guerra Colonial, na Universidade Aberta em Lisboa, nos primeiros anos deste século. Hoje, poderíamos acrescentar esta novel AICEM – que deveria ter um “P” na sua sigla…
Em boa verdade, não nos parece que haja qualquer “milagre” na partilha da língua comum (RECORDEMOS AMÍLCAR CABRAL) – apesar da realidade de muitas outras línguas e dialetos em equação neste espaço que analisamos – e, eventualmente, o que talvez falte sejam estudos sobre o que realmente sabem e querem os povos lusófonos. Independentemente da maturidade política de cada um dos “oito” Estados do assim chamado “espaço lusófono”, não há memória de qualquer consulta popular a propósito do que se entende por Lusofonia e sobre a CPLP – (como não houve em Portugal sobre a integração europeia, no Brasil sobre o Mercosul ou em Moçambique sobre a Commonweath). Não há mesmo memória de qualquer proposta desse tipo.
E, assim, os povos têm ficado praticamente à mercê das ideias de muitos dos pensadores pós-coloniais que, quando viajam, quando analisam, quando estudam e quando (ou se) convivem, talvez não o façam com os “povos”. Apenas recorrem ao passado…QUANDO O PRESENTE E O FUTURO SÃO O QUE MAIS IMPORTA. Não basta raciocinar! Como diz EDUARDO GALEANO – há que pensar e sentir, pois – quando a razão se separa do coração, tudo começa a tremer!
Apesar de tudo, hoje, não pode já negar-se o avanço registado na reconstituição da história portuguesa (BASTA VER A PROJEÇÃO DE NOVOS HISTORIADORES COMO RUI RAMOS, FILIPE RIBEIRO DE MENESES e MANUEL LOFF), particularmente, na reconstituição do que alguns designam como nosso “nada inocente” colonialismo. Nenhum colonialismo foi inocente – devo dizer – nenhum colonialismo foi idêntico ao do vizinho – pela simples razão de realidades e circunstâncias diferentes. O que, hoje, ex-colonizados e ex-colonizadores parece reconhecerem, mesmo sabendo e vivendo diferentes estados de alma.
E DEPOIS…HÁ ESSAS EVIDÊNCIAS QUE NOS DEIXAM
(BORGES COELHO) = Os Historiadores são como que os manipuladores do Tempo; e - IRENE PIMENTEL = a verdade é relativa.    
O caso é que alguns dos pensadores e intelectuais pós-coloniais continuam a querer fazer das suas “leituras” e das suas “análises” uma bitola de verdade absoluta a propósito da História, rejeitando ou pretendendo diminuir as leituras de outros e sobre o “Outro”! Discursos, por vezes, demasiadamente “intelectuais” ou supostamente “académicos”, ora procurando o grau de politicamente correto, ora procurando seguir a onda da “novidade” do ser do contra. Ou simplesmente “estar na moda” – como escreveu Mariana Pinheiro no jornal Público (2008):- “Há uma mágoa que está na moda, a mágoa na literatura pós-colonial” que invade editoras e livrarias. É uma mágoa com muitas definições – diz a jornalista – “e que se agrupa em duas categorias que espelham gerações diferentes: a mágoa que parou no tempo e a mágoa que se adaptou ao presente e tem uma visão «descomplexada» do mundo”.
Sempre foi esta a minha postura. Descomplexadamente, escrevi EM MACAU POR ACASO; TONS DISPERSOS; ESCRAVOS DO PARAÍSO; SEIOS ILHÉUS; O PODER E O POEMA; …E A MINHA TESE DE MESTRADO FOI DESEJADA…PARA MOSTRAR – SEM SOMBRA DE PECADO, SEM QUALQUER PONTA DE MANIQUEÍSMO – A MINHA VISÃO GLOBAL SOBRE ESTA MATÉRIA.
===== E agora acabo de trazer à luz do dia – BASEADO NA MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL – como que uma nova INCURSÃO PELOS MEANDROS DO ANTERIOR REGIME e pelo Fim do Império.
Neste meu EM AGOSTO…A LUZ DO TEU ROSTO – não há saudosismo. Apenas a ligação crítica de vivências, viagens, factos e acontecimentos reais: A MINHA CIRCUNSTÂNCIA DE CIDADÃO DO MUNDO.
Está na moda, hoje, pedir desculpas.
Mas estar aqui, perante vós…a expor as minhas ideias, não é ponto que me leve a pedir desculpas. Não sendo dono da verdade – nesta, como em outras matérias – apenas RELATO, INTERPRETO E OFEREÇO PARA VOSSA INTERPRETAÇÃO. Condene-se o que houver para tal…mas enalteçamos os pontos memoráveis: a língua, os afetos, as vivências – e também, claro, OS INTERESSES!
POR ISSO…é que eu refiro sempre este pensamento sobre a
LUSOFONIA…
(Uma dimensão outra das línguas)

Quando a língua é tanto como a Amizade
Quando a língua é tanto como os Afetos
Quando a língua é tanto como o Amor
Quando a língua é tanto como a Arte
Quando a língua não é Abandono,
Tudo pode ser para Além de…
Como Ágape.
=========== 
António Bondoso
Jornalista

domingo, 19 de outubro de 2014


JOÃO MATIAS PIRES
DEIXOU-NOS AOS 91 ANOS DE IDADE UM DOS "ESCRAVOS DO PARAÍSO" E PAI DA BETTY, DA SILVINA, DA TINITA, DA NÉNÉ E DA LUSITA. 

João Matias Pires, natural da Guarda, chegou a S. Tomé com quase 22 anos de idade, em 1945, cumprindo o serviço militar. Mecânico auto e apaixonado pelos carros, ficou responsável pelas oficinas do comando, numa época em que o governador acumulava o cargo de comandante militar. No livro, o Sr Pires recorda a piscina velha - quando chegou o Clube Náutico ainda não tinha projeto - e o comboio: Saía da cidade, passava pelo Bombom e pela Trindade e ia até uma roça que era do Silva&Gouveia. Transportava passageiros mas também o saibro para aterrar os pântanos junto à cidade. Pouco tempo depois de chegar, o cabo Pires foi chamado para ser motorista do governador Carlos Gorgulho e passou a ser o seu "homem de confiança": ia a bordo dos navios levar o correio diplomático e mais tarde aos aviões. Essa confiança - quase diria - manteve-se até hoje, 19 de Outubro de 2014. Leva consigo ainda alguns pormenores do tempo passado em S. Tomé, sobretudo relacionados com o seu trabalho direto com o governador Gorgulho. Mas, apesar de tudo, teve a coragem de me relatar alguns episódios do período "negro" de 1953:


Não foram apenas estes tristes acontecimentos do "Batepá" que prenderam o sr Pires àquelas ilhas. Talvez tenha ficado apaixonado pelo antigo Buick de 8 cilindros em linha, que era o que mais gostava dos 3 carros do Palácio. Tinha o volante à direita. 
Foi em S.Tomé que casou com D. Maria Benta, também ela já falecida e com quem viveu em Tourém, após o regresso em 1974. Vai ficar sepultado em Seia.
Às filhas e aos netos, deixo o meu sentido abraço de amizade. 
( Passos da História de João Matias Pires, nas páginas 102, 103, 104, 105, 107, 108, 115, 117, 118, 168, 169, 170 e 171). 

ANTÓNIO BONDOSO
JORNALISTA.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

LIVROS NOVOS...(2)
PARA AS NOVAS GERAÇÕES LUSÓFONAS!


Domingas Monteiro - apenas Monte na escrita - escreve com alegria e de forma transparente. Na relação com esta faixa etária "infanto-juvenil", Domingas torna fácil a percepção da palavra, pois ela está dentro da história. Sonhou e viveu a história! Por isso, há imbondeiros que nascem das estórias e igualmente imbondeiros poetas que sonham poemas à lua - diz Lurdes Breda no prefácio da obra. 
O que se espera agora...é que as novas gerações lusófonas - estejam onde estiverem - tenham acesso a à delícia desta escrita.
Obrigado à Domingas Monte por ter "exportado" para a língua portuguesa mais palavras de beleza ímpar. Como por exemplo KAMBA (Amiga); LUKAU (Sorte) e MANZAMBI (De Deus). 



ANTÓNIO BONDOSO
Jornalista

LIVROS NOVOS...(1)


EM AGOSTO...A LUZ DO TEU ROSTO - é como que uma incursão pelos meandros do "antigo regime" e pelo fim do"império". Baseado nas vivências do autor, há neste livro muitos quilómetros de viagens entre Moimenta da Beira e Moncorvo, com extensões a S. Tomé e Príncipe, Angola e Macau.
Grato à Lua do Carlos Melo Sereno, ao meu filho António Miguel e à Cromotema. 
Independentemente das sessões de apresentação, no próximo mês, a obra está disponível para solicitações diretas ao autor, contra depósito do preço de capa e uma simbólica comparticipação nos custos de envio. 



ANTÓNIO BONDOSO
Jornalista

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

UM RETRATO SOCIOLÓGICO…DO PORTUGAL PROFUNDO!
JOSÉ SIMÕES DIZ-NOS EM 280 PÁGINAS
COMO SE PENSA E SE VIVE NA FREGUESIA DO CAMPO DE MADALENA – VISEU.



UM RETRATO EXPLICADO…DO PORTUGAL PROFUNDO!

         José Simões, Mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto – chamam-lhe apaixonado e irrequieto – viajou às raízes em busca de respostas, perante comportamentos que parecem desajustados passados que são 40 anos sobre a “revolução dos cravos”.
         António Seixas Nery diz no seu prefácio que os frutos desse acontecimento “ainda não chegaram, não por culpa nossa, mas sim graças aos ventos da História que sopram e tantas vezes não respeitam aqueles que denodadamente lutam por um devir mais próspero e a conquista de uma sociedade mais justa, equilibrada, respirando harmonia e felicidade”.
         Em 280 páginas, José Simões oferece-nos um “Olhar Sociológico” sobre a freguesia do Campo da Madalena, Viseu, centrado na “dialética entre padrões de cultura camponesa conservadora e a abertura a padrões de cultura urbana”.
         E basta ler na contracapa os excertos de algumas entrevistas que marcaram o trabalho de campo, para se perceber o longo caminho que será necessário percorrer – ainda – para ultrapassar a metáfora presente na construção do trabalho de investigação: o “cavaquistão” não apareceu por obra e graça. E diz o próprio autor: “Em nossa opinião, é improvável que se alterem, num curto prazo, essas tendências de comportamentos social, político e cultural. A verificarem-se mudanças, estas serão graduais e muito lentas, e obviamente condicionadas pelas estruturas e meio envolventes”.
         A obra vai ser hoje apresentada na Casa da Beira Alta, no Porto, pelas 16h30.
         Deixo aqui um abraço de parabéns ao José Simões, pela importância e pela seriedade que emprestou ao seu estudo. Não foi trabalho em vão. Vai permanecer um excelente documento de consulta.


António Bondoso
Jornalista. CP 359. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014


VOLTANDO À ÁGUA...E AO SEU REFÚGIO NATURAL!



                                                        CAPÍTULO II

                             BREVE ENQUADRAMENTO GEOPOLÍTICO

                    Considerando uma situação limite de esgotamento de recursos naturais nas zonas já exploradas; tendo em conta o aumento das áreas desérticas na África, Médio Oriente, Ásia, Oceânia e América do Sul; sendo previsível o agravamento dos atentados ecológicos na Amazónia – poder-se-ia situar a questão da Antárctida no âmbito da teoria “determinista” do espaço vital de Ratzel e da Escola de Munique. Porém, na perspectiva das novas abordagens que a disciplina determina – a Nova Geopolítica – a preservação e a salvaguarda do continente “gelado”, como vimos, constitui hoje uma das grandes preocupações da humanidade: a poluição, a par da fome e do crescimento demográfico, todas elas interligadas e relacionadas com os Direitos Humanos, a Democracia e o Estado de Direito. É a ECOPOLÍTICA, com raízes em Lacoste, Vilmar Faria e na “corrente biocêntrica” do movimento de “preservação” de François Duban – oposto ao de “conservação”.
                    As teses de Duban, que conduziram à “corrente biocêntrica”, estão impregnadas de um radicalismo profundo que elimina as reformas pontuais. Pelo contrário, se se pretende salvar o planeta, impõe-se uma verdadeira revolução ecológica, baseada em princípios como “o bem-estar e o desenvolvimento da vida na Terra ; riqueza e diversidade das formas de vida; diminuição da população humana; diminuição das intervenções do homem na natureza e – ideologicamente – saber apreciar a qualidade de vida”.
                    Mas a virtualidade global destes princípios tem vindo a ser posta em causa desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 em NY, particularmente devido a um antagonismo conjuntural entre o Ocidente cristão e alguns sectores fundamentalistas do Islão, que tomaram como inimigo a única superpotência económica e militar (EUA), após a falência do Comunismo Soviético. Por outro lado, a “Globalização” não tem conseguido diminuir o fosso entre países ricos e países pobres, não tem ajudado a construir a democracia e a evitar a corrupção, não tem evitado a conflitualidade e não tem assegurado a sustentabilidade ambiental a médio e longo prazos. Neste século, diz o Professor universitário Filipe Duarte Santos, é preciso encontrar respostas prioritárias para aquelas questões. E o que interessa – acrescenta – é saber qual vai ser a intervenção da ciência e da tecnologia nas decisões a nível individual e colectivo que irá determinar o cenário futuro para a humanidade. Neste cenário, enquadra-se por exemplo a procura de novos paradigmas para a integração global da economia com as práticas agrícolas dos países em desenvolvimento e também o combate ao aquecimento global antropogénico – cuja dimensão é incomparável com os curtos ciclos políticos dos países democráticos. Apesar da incerteza, a ciência pode ajudar neste combate, mas a questão – para Filipe Duarte Santos – está em saber se cada um de nós, em especial os decisores políticos e os governos, aproveitará as oportunidades para escolher as melhores opções, indo de encontro às teses “possibilistas” de La Blache.
                     Neste ponto, será também interessante reter a ideia de Fábio Feldmann, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, segundo a qual é necessário alertar para o que considera “a ignorância da ciência acerca do clima no planeta”. E sobre as “consequências dramáticas” do aquecimento global, Feldmann diz que “o mais importante é que as medidas a serem tomadas, devem ser resultado de um pacto da Humanidade”, sendo necessário encontrar uma “nova arquitectura geopolítica” que vença a resistência dos Republicanos nos EUA, dos lobbies da indústria do petróleo e dos países produtores.
                                                        CAPÍTULO III
    
                          PORTUGAL, A ANTÁRCTIDA E A ECOPOLÍTICA

                  Apesar de Portugal não ter ainda aprovado o Tratado da Antárctida*, o nosso país – através do Comité Português para o Ano Polar Internacional – é, desde 2006, membro associado do Comité Científico para a Pesquisa na Antárctida. A participação nesse organismo, facilitou a Portugal o desenvolvimento de programas de investigação e a cooperação internacional. Gonçalo Vieira, Professor universitário e investigador do Centro de Estudos Geográficos, é membro do comité e coordenou uma expedição internacional recente sobre as alterações climáticas na Antárctida marítima, denominada “Permamodel” – um programa financiado quase exclusivamente por Espanha.
                  Para além do envolvimento de instituições portuguesas nesta questão da Antárctida, interessa identificar o pensamento dos nossos investigadores sobre a Ecopolítica. Por intermédio da documentação que nos chegou, facultada pela Professora Drª Teresa Cierco, ressalta o nome de Soromenho Marques – para quem a ecopolítica integra uma política de ambiente, mas não se confunde com ela, porque a ultrapassa. É assim que, no conceito de ecopolítica, Soromenho Marques destaca no seu livro “Regressar à Terra” quatro pontos-síntese : - o sujeito político é marcadamente plural (todos os indivíduos e todas as forças sociais); as tarefas políticas devem conter objectivos mensuráveis e métodos identificáveis que permitam conduzir à sua realização; ponderar a noção de limite na decisão política, pois o mundo é finito e o tempo é escasso; radicalizar o conceito de solidariedade, na perspectiva de que a política deve ser dirigida para todos os homens, os actuais e os vindouros. O autor, considerando a política do ambiente como “um elemento-chave de uma Nova Ordem Mundial”, inclui no seu livro “O futuro frágil” um verdadeiro paradigma da ecopolítica, encarada como dimensão da nova geopolítica: - enquanto a humanidade continuar a crescer contra a Terra, enquanto a actual prosperidade for conseguida à custa da degradação ecológica, enquanto o fosso entre ricos e pobres continuar a aumentar, não haverá uma paz duradoura e sustentável sobre o planeta.
                                                          CONCLUSÃO

                  Considerando que o Antárctico fornece, portanto, o modelo perfeito das relações internacionais pacíficas – tendo por base o Tratado da Antárctida de 1959 – está longe de ser atingida a perfeição no relacionamento entre as potências com bases territoriais naquele continente. Basta lembrar as violações (conhecidas) ao Tratado e, agora, a polémica que se instalou com as reivindicações da GB para a extracção de gás e petróleo. Reagiram diplomaticamente a Argentina e o Chile; a RPChina enviou para a região o seu quebra-gelo Dragão da Neve; a Rússia enviou também o seu navio de pesquisa e quebra-gelo Akademic Fjodorow – enquanto os australianos terminaram a sua pista de aviação. Nesta questão, também não se pode esquecer a já antiga postura alemã durante a IIª GM. São as novas fronteiras da geopolítica – a ecopolítica – é a Antárctida de novo cobiçada. E talvez mais do que o petróleo, do gás e dos minérios, o ouro tem o nome de “água”.  Um outro e recente ponto de discórdia está relacionado com a caça às baleias de bossa (com o seu santuário nos mares da região), reivindicado pelo Japão. Para já este país, por força da comunidade internacional, decidiu suspender o projecto, mas não desiste de capturar quase mil baleias-anãs e 50 baleias comuns. Por outro lado, a Antárctida tem servido de base de estudo para ajudar à conquista do espaço por parte da NASA. E essa região polar oferece condições únicas para o estudo dos mecanismos fisiológicos e comportamentais de adaptação a ambientes extremos. O aumento do efeito de estufa no continente pode provocar danos irreparáveis a longo prazo, mesmo tendo em conta a divisão da comunidade científica a esse respeito: - apesar de não estarem ainda confirmadas as suas conclusões, um recente estudo da Universidade da Califórnia diz que a Antárctida parou de encolher, mas a Nasa afirma ter encontrado provas claras do degelo do continente – consequência do aumento das temperaturas.
                  Mesmo não sendo previsível, a curto/médio prazos, o impacto de “último refúgio” para a Humanidade que possamos atribuir à Antárctida – não deixa de ser evidente o seu papel importante na chamada “nova geopolítica”. E também é importante o seu papel estratégico, pois permite controlar os estreitos. No Atlas de Relações Internacionais, pode ler-se que uma das apostas da guerra das Malvinas, em 1982, foi a de manter o controlo do estreito de Drake, que permite o trânsito das esquadras do Pacífico para o Atlântico.       
* - APROVOU EM 2009...MAS SÓ DEPOSITOU O DOCUMENTO DA RATIFICAÇÃO EM JANEIRO DE 2010.
                                                 BIBLIOGRAFIA

MONOGRAFIAS:
---BONIFACE, Pascal (Dir.) – Atlas das Relações Internacionais. Plátano Editora, 3ªedição, 2005.
---DUARTE SANTOS, Filipe – Que Futuro? Gradiva, Lisboa, 2007 .
---PEZARAT CORREIA, Pedro de. Manual de Geopolítica e Geoestratégia, Vol.1. Quarteto Editora, Coimbra, 2004 ( 1ªreimpressão).
---POJMAN, Louis – Terrorismo, Direitos Humanos e a Apologia do Governo Mundial. Bizâncio, Lisboa, 2007.
---Descubra o Mundo, Volume sobre Oceânia e Antárctida. Direcção Geral de Lourenzo Sisniega. S.A.P.E. – Clube Internacional del Libro, Madrid, 1997. Exclusivo Ediclube para Portugal.    

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS E EM SÉRIE:
Considerações Gerais sobre Geopolítica e Geoestratégia. Apontamentos fornecidos pela Profª Doutora Teresa Cierco, 2007.
---FELDMANN, Fábio. Rumo à Nova Arquitectura Geopolítica. Artigo de Opinião sobre Aquecimento Global, publicado em Maio de 2007 no Portal Terra, Brasil.
---Censo da Vida Marinha identifica mil espécies na Antárctida. Notícia do Jornal Público, 27/02/07.
---Governo Japonês anuncia recuo na campanha de caça à baleia. Notícia do DN, de 22/12/07.
---Portugal no Comité Científico para a Investigação na Antárctida. Publicado em 18/07/06, em http://caminhosdoconhecimento.wordpress.com/ e consultado em 06/12/2007.
---Português lidera estudo sobre variações climáticas na Antárctida. Publicado em Fev. de 2007, em http://ciberia.aeiou.pt  e consultado em 6/12/07.
---SAMSAM BAKHTIARI, A.M. – A Última Fronteira. Artigo de opinião publicado em Junho de 2006, em http://resistir.info/  e consultado em 6/12/07.     
ANEXO:
Resumo do Tratado da Antárctida. Publicado em http://fimdomundo.com/ e consultado em 6/12/07.