quarta-feira, 23 de julho de 2014

PARABÉNS À DIFERENÇA!



Tendo presente que é fundamental interiorizarmos este pensamento, escrevo-te neste dia tão especial e recordo: -
"Se não entendermos e assumirmos que foi a diferença
Que fez de nós um grande povo,
Então...não aceitaremos  jamais o que é diferente!"
A.Bondoso

Por isso, vive e viaja pelo mundo... como se a vida fosse

UM FAROL!
Foste desejado e idealizado,
Foste sonhado…
Mas és diferente!
Ainda bem que és
Diferente!
E que marcas essa diferença
Mesmo quando estás de acordo.
Prolongas
Mas não copias
Sentimentos e vontades.
Os teus caminhos
Serão sempre os nossos
Apesar da tua opção.
Enquanto o mundo der voltas
E até à volta maior,
Haverá sempre uma luz
Seja da lua ou do sol
Ligada a tudo o que sentes
Como se fora…
Um farol!
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António Bondoso
Julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014


Neste dia de Mandela, em 2014, insisto no meu "pequeno tributo" de Dezembro de 2013.

Foto de A. Bondoso
PEQUENO TRIBUTO…
(“A bondade do homem pode ser escondida, mas nunca extinta” – Nelson Mandela).

Confessas?
*Justiça!
Negas?
*Justiça!
Que pretendes?
*Justiça e Liberdade!
A prisão há de vergar-te.
*Nunca! “Sou o dono do meu destino”.
Vais sofrer encarcerado
*Serei livre…sofrendo! “Sou o capitão da minha alma”.
Na ilha definharás
*O meu horizonte é o Povo.
Mas é um povo amordaçado, espezinhado, oprimido, subjugado…
*Levantar-se-á no martírio e beberá as lágrimas da Dignidade!

“Ergueu-se, derramou sangue e suor
Moveu montanhas solidárias
O mundo percebeu toda a urgência
E fez com que mudasse tal tragédia.


Então o Homem
“Tata” Madiba,
De punho erguido e coração radioso
Provou do Poder toda a justiça
Caminhou humilde em busca de um tempo novo
E mostrou ao país uma nação.
Depois…
“Khulu” Madiba,
Serenou com júbilo o seu espírito
Alimentou de alegria outros amores
Atingiu a dimensão da eternidade
No perdão.
Hamba kahle Madiba
Nkosi Sikelele iAfrica”.
======== António Bondoso (A Publicar)
Dezembro de 2013.
*** Com dois versos do poema INVICTUS, de William Ernest Henley(1875).
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*** Madiba = Nome do clã a que Mandela pertencia e derivado do nome de um chefe que governou a região do Transkei no séc. XVIII.
*** Tata = Pai (Língua Xhosa)
*** Khulu = Avô ( “    “ )
*** Hamba kahle = Adeus ( “  “ )
*** Nkosi Sikelele iAfrica = Senhor, abençoai a África ( “  “) 


Foto de A. Bondoso

António Bondoso
Julho de 2014. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014





COMO PASSAR FÉRIAS…
…sem sair de casa!


         Não seja acionista do BES, nem se preocupe com isso. Alguém há de arranjar uma forma de resolver o problema da família Espírito Santo. Mesmo que seja só…de orelha! Cliente…só do Banco de Portugal.
Levante-se cedo e espreite o mar pela janela do quarto. Se o dia for de chuva…menos uma despesa. Se estiver sol…ponha-se nu à varanda e debaixo do guarda-chuva. Não se esqueça do boné de pala. Sempre ajuda a proteger as sobrancelhas. E o borrifador, claro, para ir humedecendo a pele.
 À hora do almoço…não falhe. Uma salada de alface e de tomate para acompanhar uma mini (Super Bock) e uns amendoins torrados. Uma ameixa ou uma cereja cai sempre bem à sobremesa.
Depois…faça uma breve “sesta” de meia hora.
Durante a tarde leia. Leia muito. Livros, revistas, jornais…e não se esqueça das palavras cruzadas.
Um banho retemperador antes do jantar evita o cansaço, sobretudo da coluna. Mas com água fria/natural…pois a eletricidade ou o gás estão pelas horas da morte.
Ao jantar…uma sopa fria. E água depois do café.
Entretanto, telefone aos amigos, diga que foi às Canárias e publique uma foto no facebook, a condizer. Saia de mansinho, à francesa, e volte para a leitura.
E pense na sorte que tem em estar vivo, graças aos governantes que lhe proporcionam tudo isso. Escreva-lhes uma carta a manifestar a sua satisfação. E sonhe…esperando que o dia seguinte não seja pior.
E...sobretudo - não tenha sequer a veleidade de pensar em 

viajar na Malaysia Air Lines. Nem este ano, mesmo que lhe 

saia o euromilhões.

António Bondoso
Julho de 2014.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

LUSOFONIA…
(Uma dimensão outra das línguas)

Foto de A.Bondoso

Quando a língua é tanto como a Amizade
Quando a língua é tanto como os Afetos
Quando a língua é tanto como o Amor
Quando a língua é tanto como a Arte
Quando a língua não é Abandono,
Tudo pode ser para Além de…
Como Ágape.
==== António Bondoso

Foto de Carlos M. Sereno


António Bondoso
Julho de 2014

sexta-feira, 11 de julho de 2014


UM ABRAÇO A TODA A POPULAÇÃO DE S. TOMÉ E DO PRÍNCIPE. 

 Foto/composição gráfica de Miguel Bondoso

Este é um texto/entrevista (via e-mail) que, há dois anos, o meu amigo e camarada Frederico Gustavo dos Anjos resolveu atenciosamente proporcionar-me. Fiquei e continuo grato pela disponibilidade. Tendo a percepção - mesmo que errada e a dois anos de distância - de que nem tudo terá "mexido" muito, arrisco colocar aqui de novo o texto que resultou dessa "conversa". Perdoar-me-ão se tudo estiver ultrapassado. 
Obrigado. 

Para assinalar e saudar esta efeméride do 39º aniversário da Independência de STP. 

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INDEPENDÊNCIAS EM ÁFRICA...  
O caso particular de S.Tomé e Príncipe – o país mais pequeno do continente mas que pode ser visto como um dos últimos paraísos do Planeta. Mas nem tudo são “ROSAS DE PORCELANA” – uma flor tropical que é vista como um verdadeiro ex-líbris do país.
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35 anos é um marco aceitável  para perspectivar  os caminhos traçados e percorridos pelos novos países africanos (neste caso de língua portuguesa).
Frederico Gustavo dos Anjos é um Amigo, antes de o rotular como Poeta ou homem de e da Cultura. Que também passou pela política e dela bebeu ensinamentos – rejeitando os males próprios da função. Depois, um certo distanciamento permitiu-lhe um olhar mais “independente” e/ou “objectivo”. Por todos estes motivos entendi propor-lhe responder a algumas questões. Poucas mas as essenciais para tentar perceber a realidade de STP. Não há perguntas polémicas ou difíceis...as respostas é que o poderão ser. Mas o objectivo desta “conversa” (via e-mail) passa apenas pela intenção de celebrar os 37 anos (Agora já 39) da independência do país.

*** 37 já passados (Agora já 39), (21 dos quais numa fase de multipartidarismo e de aprendizagem democrática), como é que se pode descrever a situação em S.Tomé e Príncipe?
…passo a passo a democracia vai-se consolidando. A sua implantação gerou, é certo, muita espectativa. A insatisfação, o descontentamento crescente da última fase dos primeiros quinze anos da nossa independência permitiram o reconhecimento da necessidade de mudança. E mudança foi feita para grande alegria da esmagadora maioria da nossa população. Os espíritos contrafeitos renderam-se depois à evidência dos acontecimentos ao ponto de, em discursos, se disputarem o mérito da iniciativa da mudança.
Entrou-se numa nova fase do período pós-independência. Acho é que não se soube capitalizar o entusiasmo, a energia brotadas desse processo em projectos de visibilidade com impacto nas condições de vida das pessoas. Cedo surgiu o desencantamento. Transportaram-se as frustrações e ambições pessoais, presumpções de superioridade conferidas por experiências políticas anteriores, megalomanias camufladas para o interior das instituições e escudando-se em leituras (mal) feitas e interpretações aleatórias das relações institucionais originaram conflitos e crises, com desmantelamento das instituições, encenações de golpe de estado que só contribuíram para causar ou reproduzir prejuízos ao processo de recuperação económica do país.
Agora fala-se é da garantia de estabilidade. Virou tema de todas as intervenções. Sem dúvida que após as danças de instabilidade sobre instabilidade tem de se reconhecer que o país precisa de paz (aqui nunca houve guerra!) e de estabilidade política para que governos possam de facto prosseguir com a acção governativa. Mas o receio paradoxo reside no facto de se instalar uma espécie de clima de intimidação que faz com que ninguém queira carregar o ónus de responsabilidade de provocação de novas crises. Por conseguinte, essa situação gera impasses que podem retardar ou inviabilizar a expressão de críticas ou denúncias de actos que exigem responsabilização. No fundo é como se tudo estivesse bem.
A democracia trouxe consigo as eleições (livre e justas, como se o poder do banho pudesse ser menosprezado em contextos de desemprego e pobreza, e toda as relações de subserviência que os acompanham), a liberdade de informação e de expressão, mas arrastou também consigo a desordem, a indisciplina, a violência doméstica.
 A justiça, parte integrante de todo esse processo, continua uma pedra no sapato dos sucessivos governos (e houve muitos, vários).
Enfim, consola pensar, como se dizia em 90, “quinze ano já chegou!...” E se alguma coisa aprendemos do passado, resta é trabalhar no sentido de se prosseguir com a consolidação da democracia, que na minha perspectiva deve ter como fundamento melhor (re)distribuição de recursos (acesso à informação, aos serviços sociais de base, às oportunidades de formação, de emprego, de rendimento,…).
***  Um exemplo gerador de conflitos tem sido a aplicação prática da actual Constituição do país...
O problema deve estar na interpretação que uns e outros fazem sempre em função dos seus interesses. A questão já se levantou há muito e foi como consequência do debate inacabado que uma revisão pontual serviu para reduzir os poderes do presidente…
*** Vale a pena insistir no modelo... ou será conveniente enveredar pelo tradicional modelo Presidencialista ?
A pergunta deve ser: Que Constituição para S. Tomé e Príncipe? E outras questões se devem colocar, como a da divisão político-administrativa, por exemplo. O fundamental é que não haja revisão ou revisões em função de interesses pessoais ou de grupos. Já ouvimos, presidencialismo sim, mas com este não. Aquele vai se tornar ditador. O outro vai gerir o país como a sua roça…
Penso é que, se nos ativermos no fundamental, qualquer revisão deve ir no sentido de adequação das instituições à realidade do país, que, ainda que venha a poder contar com recursos adicionais, deve evitar a proliferação de instituições, a criação de figuras de ostentação e esbanjamento de recursos.
***  O “regresso” de Pinto da Costa.
        Se percebi a questão: Não houve “regresso”. Pinto da Costa candidatou-se mais uma vez convencido de que pode dar alguma contribuição nesse processo de consolidação da democracia. De acordo com os resultados das eleições presidenciais ganhou e é o actual presidente. Só nos resta esperar que as suas prestações como presidente não venham a defraudar as expectativas dos cidadãos.
*** Um sinal de necessidade de recorrer à credibilidade e experiência... ou falta de soluções e de empenho político das novas gerações ?
É verdade que a sua vitória possa ser susceptível de leituras. As perturbações do período pós-mudança deixaram muito ténues as recordações e as feridas do passado dos quinze anos, por um lado. Por outro lado, uma franja considerável dos eleitores é constituída por gente jovem que não viveu os “quinze anos” e os sentimentos nefastos daquele período neles não foram incutidos. Ficou para a história!
E como também não surgiram candidatos de consenso, pode ser que a estratégia de candidatura de Pinto da Costa tenha beneficiado dessa evolução. Portanto, não houve “regresso”. Falemos antes de uma nova oportunidade de participação que, esperemos, ele saiba aproveitar em benefício dos seus concidadãos?!
***  Há sinais evidentes de recuperação económica ?
A situação de pobreza é incontestável, mesmo que paralelamente se encontrem manifestações de ostentação de riqueza de origem desconhecida ou duvidosa. Constata-se carências, observa-se insuficiências. A forte dependência do exterior é expressão desse quadro interno.
Apesar dos esforços de aumento da produção e de diversificação da economia, os resultados continuam modestos. Os níveis de produtividade e de produção estão longe de poder corresponder às necessidades.
O processo de privatização e distribuição de terras não deu lugar a uma agricultura mais dinâmica. A pesca continua essencialmente artesanal. O turismo como aposta tem dado o seu contributo, mas ressente-se da insuficiência de condições para o seu desenvolvimento. Grassa o pequeno comércio e negócios informais que francamente reproduzem o ciclo de circulação de capital, mas não dão lugar à acumulação.
O paludismo anda num vai e vem que embaraça o quadro do seu combate, para além dos esforços financeiros que exige.

Mas há pequenos agricultores bastante dinâmicos, a produção do cacau biológico está ganhando pé; tem havido uma actividade turística que promete se forem criadas melhores condições de atracção; as infra-estruturas de apoio à produção também têm sido alvo de atenção e um rol de promessas por concretizar no sentido de trazer investidores para o país, de transformar o país numa plataforma de prestação de serviços… tudo razões bastantes para que se mantenha a expectativa, já sem falar de oportunidades que uma possível exploração petrolífera irá determinar.




E deixo igualmente um "poema" de esperança que o Fred - para os amigos - teve a amabilidade de partilhar comigo. E que eu agora, partilho convosco. 


STP.FredAnjos2012.



 ...conto contigo
na minha oração
assim tem alívio
o meu coração.
Anda perdido
em busca de ti
de noite e de dia
és tu perdição.
Pudera que fosse
outra a canção
que canta o destino
na nossa junção.
Mas esta é a ideia
da vã teimosia
que põe distante
o canto gritante
do horizonte vibrante
de sonhos desfeitos.
Mas vale a pena
este eterno sonhar
por ti paixão de tanta ilusão
andando perdido na confusão
mas por ti ilusão de tanta paixão
cresce inda assim o canto
das ilhas do meu coração
que o tempo com o tempo
vamos mudar
plantando e semeando
esta nossa outra oração.

Em 7 de Julho de 2012

Frederico Gustavo dos Anjos


================== sobre o 12 de Julho.

Viva S.Tomé cu Plínxipe..................... 

====António Bondoso
Julho de 2014. 

sábado, 5 de julho de 2014

HÁ TARDES QUE VALEM OURO
(Com fotos de A.Bondoso)


NÃO É QUE O PASSADO VALHA APENAS PELA HISTÓRIA…MAS É MUITAS VEZES A ELE QUE RECORREMOS PARA GANHAR NOVAS FORÇAS PARA ENFRENTAS AS DIFICULDADES DO PRESENTE.
…ou de como a simplicidade e a qualidade de uma “Tertúlia Poética” à volta de Inês de Castro, fazem a grandeza de um espetáculo! E renovam a alma dos mortais. 
Organizada e dinamizada por Margarida Santos, poeta e artista plástica de Vila Nova de Gaia, a sessão iniciou-se com a suavidade da flauta e do oboé das irmãs Maria e Matilde Reis e com os acordes da guitarra clássica de Mário Ferreira.

David Cardoso interpretou um excerto adaptado do Auto da Visitação, de Gil Vicente e depois Margarida Santos centrou a sessão na leitura do excerto “Pedro Justiceiro e Cru de Inês de Castro/A Paixão fatal d’Elrei D. Pedro, de Fernando Correia da Silva.
A narrativa foi sendo suavizada por brilhantes momentos musicais e interpretações poéticas de Mário Ferreira e Maria Reis, destacando-se ainda o excerto – dito e cantado por Aurora Gaia – da Cantata à Morte de Inês de Castro, de Bocage.
O soneto de Inês, de Ary dos Santos, foi dito por Carlos Jorge Silva, que depois disse também A Linda Inês, de Fiama P. Brandão; Maria Helena Peixoto disse Pedro e Inês, de Ruy Belo e ainda Inês de Castro, de Miguel Torga; Aurora Gaia disse o seu A Castro; A Ferida Inesgotável foi interpretada por Cristina Martins; David Cardoso disse Chove, de José Gomes Ferreira; Cristina Martins e Clara Oliveira deram vida ao Tributo a Inês de Castro-Sou Bastarda, da autoria de Margarida Santos, tendo Clara Oliveira acompanhado igualmente David Cardoso na interpretação de Inês e Pedro 40 anos depois, de Ana Luísa Amaral. 

Antes do Convívio Medieval com fogaças e Porto tónico…a festa teve um final musical com Mário Ferreira a cantar, de Haendel, Ombra Mai Fu.
Tudo isto se passou, antes que me esqueça, no recuperado Convento Corpus Christi, em frente ao Cais de Gaia.

Fica igualmente um pequeno poema escrito hoje, antes da sessão: 

E O AMOR AINDA VIVE!

Inês !
Pedro …

Quiseram apagar o Amor
Da nossa Luz.

Mas a Luz…brilha
Suspirando
E o Amor…ainda respira!
=== A. Bondoso(inédito).
António Bondoso
Julho de 2014. 



segunda-feira, 30 de junho de 2014

DISCUTIR A LUSOFONIA…E PARTICIPAR NELA, FRUINDO OS BONS SINAIS QUE NOS CHEGAM DA “SOCIEDADE CIVIL”. 


         O CEMD – Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora – fez editar a sua ANTOLOGIA UNIVERSAL LUSÓFONA, em 2014, tendo a felicidade de encontrar um título abrangente e sugestivo [Rio dos Bons Sinais] e, para além disso, a beleza de cores e de significados que abraçam os povos lusófonos, expressa na capa e na contracapa de um volume de valores e de afetos com mais de 200 páginas.
         Rio dos Bons Sinais, lê-se ali, foi o nome que Vasco da Gama deu ao rio que o levou a Quelimane, no dia 24 de Fevereiro de 1498, a caminho da Índia.
         Rio dos Bons Sinais, digo eu, termina num “delta” de 54 autores que dão vida às águas de muitas vivências, de muitos afetos, de muitas dores que – ao longo de séculos – deram forma a estados de alma divergentes, polémicos, violentos…mas também de alguns afetos partilhados.
         Rio dos Bons Sinais, digo ainda eu, foi capaz de – sem esquecer uma parte – valorizar a outra que abre os caminhos do futuro. E, sem preconceitos, destacar a universalidade lusófona da obra, incluindo igualmente autores de origem espanhola.
         O prefaciador da obra – Rodrigo Sobral Cunha – diz, por sua vez, sentir-se em casa tanto na Ilha do Sal como em Sintra, “onde o mar ondula com fera/ Alegria/ E a rocha doira a fina harmonia/ - É nas praias vastas da/ Lusofonia”.
         E explica: «No princípio de todas as coisas eram os sinais». E quando os homens puderam perceber nas águas cheias de vida e de música o reflexo de Deus, «igual em baixo e em cima», Deus sorria. «Homens e mulheres sorriam assim com Deus e falavam por isso a linguagem de todos os seres». Até que um dia chegaram os «Caraveleiros do Amor e disseram: este é o Rio dos Bons Sinais. E disseram palavras – segundo Sobral Cunha – como estas: «cristal líquido, pura música, árvores santas, gente bela saída da terra negra com o sorriso de Deus». E pensando que vale a pena contar este «lado das coisas», escreve: «Tudo isto se passou no começo de um mundo donde saíram as palavras que chegaram, por milagre, até aos livros. São palavras como as que saem dos teus lábios sagrados. Há quem se lembre de tudo completamente e sempre que isto acontece faz-se um sinal na lusofonia. Já não é segredo: os seres da manhã do mundo guiam-se por estes sinais».
         Há quem não goste e conteste. Com toda a legitimidade, claro! Mas, tal como a universalidade de uma língua já falada há oito séculos – não sendo hoje apenas dos portugueses, mas de todos os povos que dela se servem – é incontornável que os sinais sejam intemporais. E o rio que deles emana, sendo eterno, vai-se alargando e ensinando as palavras da música pura, em baixo e em cima das águas, sorrindo com Deus.
         A lusofonia, volto a dizer eu, é o «projeto mais aliciante deste século, em termos de construção política internacional”.
         Por isso é que eu, nascido em Moimenta da Beira e crescido e vivido em S. Tomé e Príncipe, escrevi em MARE MAGNUM… que “foram navios de vidas/ Soldados de muitas pátrias/ Escravos de tanto mundo/ Que o mar levou ao fundo”.
         E por isso é que o Delmar Maia Gonçalves, nascido em Quelimane – ali bem perto do Rio dos Bons Sinais – sendo ele «Nem mais nem menos»…escreve que «E sou um nómada/ Um pássaro livre/(…)E sou um inconformado/ Descomprometido/(…) E estou louco como todos/ Mas viajo sozinho no tempo/ E sou um inútil/ Que procura ser útil».
         E por isso é que a Gisela Torquato Cosme, que nasceu em Luanda e vive em Lisboa, diz que «A vida tem mistérios/ Que nem todos os homens/ chegam a descobrir»…e Goretti Pina, que nasceu no Príncipe mas igualmente vive em Lisboa, escreve que, nas suas ilhas, há «Dias para serem contemplados. (…) E há dias na minha terra,/ sequiosos de amanhãs!».
         Por isso é que Lopito Feijóo, que nasceu em Malanje e vive em Luanda – onde é presidente da Sociedade Angolana do Direito de Autor – diz que, acima de tudo, A POESIA! Ele que escreve «comprei vendi troquei as notas da esperança/ a jusante a montante e sei lá…/ empresário nunca jamais porém/ todavia contudo(…)».
         E por isso é que Lourdes Peliz, também nascida em Moçambique, escreve que todos temos uma missão: (…)«No gesto, na acção, na diferença e no seu efeito».  
         Por isso é que Vera Fornelos, nascida em Viana do Castelo e moçambicana de alma e coração, trocou a «Linha de Montagem» de uma fábrica pela liberdade de escrever – também poesia…e talvez por isso, do mesmo modo, a brasileira Valentina Sperb, de Porto Alegre, seja levada a escrever sobre a subida dos degraus: «Suba um por um,/ pois na vida é assim./ Se você se apressar,/ e subir de dois em dois,/ ou três em três,/ o tombo vai ser grande,/ e a dor maior ainda.»
         Dia a dia, ano por ano…façamos crescer as águas deste grande Rio dos Bons Sinais! Um abraço a todos, mesmo aos descrentes – quer por opção filosófica e intelectual, quer por ser politicamente correto dizer mal.
António Bondoso - 30 de Junho de 2014-  


António Bondoso


Jornalista.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

PORQUE ME CHAMO ANTÓNIO...

Foto A.Bondoso 

PORQUE ME CHAMO ANTÓNIO...
António - disse-me há tempos o Bispo D.Manuel Martins - vem do grego "Antos", que significa Flor. E, depois, o sobrenome de Bondoso acrescenta-lhe mais espírito. 
Num enquadramento adequado a este tempo dos Santos Populares, e continuando a seguir D.Manuel Martins - uma das grandes condições para se entender a vida é ser Poeta! E sendo "Poema" um ato de criar, pois faz parte de nós, aqui deixo o meu contributo. Apenas porque me chamo António. 

Santo António foi à praia
e deu um tombo na areia
foi devido a uma catraia
de alma nua de sereia.
(A.B.)


Foto A.Bondoso
António Bondoso
Junho 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FEIRA DO LIVRO DA "MÉN NON" - S. Tomé e Príncipe em Lisboa. De novo!


***** Uma oportunidade. Penso.
Carissimos
Mén Non – Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe em Portugal em parceria com a Plataforma Cafuka e o ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, no âmbito do 39º aniversário da Independência de S. Tomé e Príncipe, realiza a IV edição da Feira do Livro de São Tomé e Príncipe em Portugal, sob o tema S. Tomé e Príncipe, Rota do Cacau e do Café, que futuro?
O evento terá lugar nos dias 12 e 13 de Julho de 2014 no ISCTE-IUL Instituto Universitário de Lisboa, sita na Avenida das Forças Armadas em Lisboa.
Missão:=
Atingir jovens imigrantes e portugueses que queiram conhecer melhor S. Tomé e Príncipe, promovendo um programa de inclusão social através da literatura e da cultura.
Objectivo:=
Esta iniciativa pretende promover, divulgar e valorizar a cultura de S. Tomé e Príncipe, renovar apostas, conquistar novos leitores, fazer a divulgação dos livros, fomentar e estimular sobretudo nos jovens o gosto pela literatura e pela leitura.
Condições de participação
As condições de participação serão nos mesmos moldes do ano passado.
– Os livros serão deixados à consignação (acompanhados de Guia, com indicação dos preços para venda na Feira) no local de descarga (ISCTE-IUL Instituto Universitário de Lisboa, Sita na Avenida das Forças Armadas em Lisboa.) no dia 11 de Julho até as 17h:00min.
– A venda e conservação dos exemplares serão da responsabilidade da Mén Non
-Sobre os livros vendidos ao preço de feira, 25% de desconto reverterão a favor da Mén Non.
– Após o final da Feira, o remanescente poderão ser levantados a partir de 28 de Julho de 2014
À semelhança dos anos passados, gostarias de poder contar com a vossa colaboração para exposição e venda dos livros.
Em caso afirmativo por favor envie-nos a vossa lista com o respectivo preço de feira.
Com elevada estima
Presidente da Mén Non
Maria Smith


António Bondoso
Junho de 2014.
O SENHOR DE MATOSINHOS…


O SENHOR DE MATOSINHOS…
( Com fotos de A.Bondoso)
As origens são incertas, mas o Bom Jesus de Bouças – hoje mais conhecido como Senhor de Matosinhos – é uma das mais antigas e famosas representações de Cristo Crucificado conhecidas em Portugal. Talvez entre o Século XII e o início do Século XIV.
E a Igreja, primeiro de João de Ruão no séc. XVI – um edifício de três naves separadas por arcos que assentavam em colunas jónicas – viu depois a sua fachada intervencionada por Nasoni, no séc. XVIII, desenvolvendo-se na horizontal, o que é pouco frequente em Portugal.
Vá até lá…para saber tudo. E veja um dos mais belos templos do país. As fotos que se seguem não lhe dizem quase nada. E depois do fogo de artifício – um espetáculo fabuloso virado às docas – sempre terá tempo para umas farturas ou bifanas. (A.B.)

Fotos de A.Bondoso.
António Bondoso
Junho de 2014