segunda-feira, 2 de março de 2015

UMA TERÇA-FEIRA ESPECIAL... 
PARA S. TOMÉ E PRÍNCIPE E PARA OS SEUS FILHOS...DE NASCIMENTO OU DE CORAÇÃO. 

Chega hoje às "bancas" o nº 250 do jornal online NOTÍCIAS À TERÇA, editado há cinco anos pelo amigo CARLOS DIAS. Na passada terça-feira foi o nº 249...de que destaco uma parte como podem ver. 


Entretanto, para assinalar a efeméride - com um significado muito especial para mim, por motivos óbvios e, estou certo, para todos os "são-tomenses" - solicitei ao Carlos Dias uma pequena entrevista, chegando mesmo a dar-lhe os tópicos das questões. Por motivos diversos e que agora não vêm ao caso, o Carlos preferiu contar a história dos almoços das terças-feiras que, curiosamente, deram origem à publicação semanal. 
===== É o que podem ler e ficar a saber...como segue: 
Notícias à Terça …
Porquê às terças-feiras ?
Não foi possível estabelecer a data em que tiveram início os almoços às terças-feiras que juntam  os amigos de São Tomé e Príncipe, naturais ou não, ex-residentes ou em curta estadia em Lisboa. Há mais de 50 anos não há dúvida. Quando em 1963 estive em Lisboa de férias já um grupo  ligado a São Tomé e Príncipe se juntava no Rossio, frente ao Nicola, todas as terças-feiras. Ali iam esperando que se juntassem mais uns tantos e partiam para ir almoçar a um restaurante escolhido na ocasião, quase sempre no Parque Mayer. Desse tempo lembro-me do Fonseca do Rio do Ouro, do Baltazar das Plancas, do Ricardo Carvalho da Imprensa Nacional, do Araújo da Curadoria e mais uns tantos.
E porquê Notícias ?
Porque reparei que uma das razões do almoço, além da óbvia que era estarem algum tempo juntos, e almoçar claro, era a de trocar notícias de outros amigos e da vida em São Tomé e Príncipe. E assim continuou mesmo quando passaram a ser muitos mais os convivas, a quando do regresso de muitos portugueses na altura da descolonização. Às vezes um ou outro trazia um pequeno apontamento para não se esquecer, ou um jornal, ou um livro … daí o “Notícias” a partir de 23 de Março de 2010.
A pouco e pouco os leitores foram aumentando, à medida que também ia aumentando o número dos que utilizavam o Notícias para dar ou tomar conhecimento de eventos, relacionados com São Tomé e Príncipe, almoços, reuniões, conferências, ou apenas aniversários, falecimentos, etc.
O editor que, digamos, recebeu a chama dos fundadores naquele já longínquo ano de 1963, chamou a si, com muito gosto, uma parte importante do “projeto” de manter o almoço das terças-feiras (alguém o faria) e de tentar manter informados os presentes e, utilizando as novas tecnologias, alargando a “plateia” a muitos mais.
Creio – e desejo – que também se pode ver neste “projeto” uma enorme amizade, e saudade, de São Tomé e Príncipe.  Saudade que não saudosismo como alguém, menos informado, um dia lhe quis atribuir.
E calou tão fundo na alma do editor a força que sentiu nos fundadores, que não houve um fundador ou um grupo de fundadores ou uma fundação mas sim as coisas foram acontecendo, que ainda hoje é aí que vai buscar a força para tentar manter esta tradição dos “almoços de terças-feiras” e do espirito que deseja tenha o “Notícias à Terça”.
Há uns tempos, quando as forças pareciam querer ser fracas, contactei alguns eventuais continuadores do NT. Mas a transferência acabou por não ser feita, não porque os leitores perdessem algo com a mudança, ganhariam estou certo porque os escolhidos eram pessoas de mais qualidade, mas porque entendi que devia continuar a prestar este serviço a mim próprio (mantendo-me ativo) e porque achei que enquanto fosse possível devia manter-me fiel a esta homenagem que mereciam os que me tiveram com eles à mesa.
Enquanto Deus quiser.
3 de Março de 2015

Carlos Dias. À época - Intendente do Emissor Regional da ex-E.N. em S. Tomé e Príncipe. 
Desempenhou cargo idêntico na Guiné, depois de ter sido Diretor do Rádio Clube - a sua maior paixão - e de ter desempenhado o cargo de Administrador do Concelho do Príncipe, entre outros cargos de responsabilidade. 
===== Deixo ainda o fac simile do nº1 do Notícias à Terça. Para que saibam: 
NOTICIAS À TERÇA (1)
               
                Entrou a Primavera, é a Natureza que se renova. Assim nos sintamos nós, mesmo apesar dos sinais de morte que neste últimos tempos marcaram a partida de alguns dos nossos amigos. Sintamo-nos renascidos, marquemos até como uma mudança de ciclo o fim da nossa presença no Lagosta Real e o inicio, que foi auspicioso porque nos receberam bem, de uma longa presença no Inhaca.
                Com as novas tecnologias (mesmo com as dificuldades que possamos ter no seu uso ...) poderemos trocar noticias e à terça-feira publicar este “jornal” que será entregue em mão no almoço e enviado por mail para os endereços que forem conhecidos. As noticias poderão ser enviadas para: neto.geo gmail.com ou alvaro.morais iol.pt ou carlossaid gmail.com.  O “jornal” será depois distribuido no almoço ou, como já se disse, enviado para os endereços conhecidos. Há entretanto já dois blogues criados, que não têm tido a serventia que se desejava precisamente por falta dos tais conhecimentos técnicos, mas nós vamos lá. São: www.andorinha.bloguedesporto.com e www.saotomeprincipe.blogspot.com.
Vamos tentar utilizar estas ferramentas ?
As noticias de hoje:
12/2/2010 – Faleceu o Raúl Heitor
23/2/2010 – Faleceu o Daniel Conceição
28/2/2010 – Faleceu o Hugo Lacerda (D. Maria Améli comunicou que a missa de sufrágio terá lugar no dia 28 de Março, às 18 horas, na Igreja de Arroios (Praça do Chile)
16/3/2010 – Faleceu o Joaquim Campos (Campos da Shell
21/3/2010 – Faleceu o Vitor Manuel Moreira da Cruz
                Às Familias enlutadas renovamos as nossas condolêrncias.
Convivio anual do Andorinha – O Vitor Cruz na véspera de morrer esteve a combinar com o Américo Gradissimo a data para o habitual convivio anual do Andorinha, que marcaram para 4 de Junho, 6ª feira. Ontem mesmo muitas pessoas concordaram pois seria uma forma de também homenagear a memória do Vitor. Daremos mais detalhes.
Almoço da lampreia – ainda esta semana ou na próxima o mais tardar¸daremos detalhes sobre o almoço da lampreia em Belver, É necessário saber desde já quantas pessoas, mais ou menos, estarão interessadas.
Dra. Otilina Santos – Foi um sucesso a apresentação do recente livro da nossa Amiga Dra. Otilina, contamos transcrever no próximo jornal algumas das criticas de jornais. Foi pena que do nosso grupo, nalguns casos por razões de idade ..., apenas estivessem o Dr. Seibert e o Álvaro Morais, mas havia mais de 100 pessoas.
António Bondoso – apresenta o seu livro de poemas no próximo dia 8 de Abril, pelas 18 horas,  na Casa de Angola, em Lisboa (a Casa de Angola fica perto do Rato, junto ao Hotel Amazónia, disse-me o Bondoso),
 23/3/2010
========= Parabéns e Longa Vida ao Notícias à Terça. Um grande abraço de reconhecimento ao Carlos Dias pelo carinho e pelo seu empenho na divulgação de S. Tomé e Príncipe. 

========= E já agora... deliciem-se com este slide show: 

http://youtu.be/xDhKXSmc_qw 

António Bondoso
Jornalista. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

SER PAI...

Foto Arquivo Pessoal.

SER PAI.
Ao meu pai, em memória, e a todos os que antes dele foram pais e me trouxeram à vida, fica o registo do que ofereço ao meu filho na esperança de que o ciclo se complete. E ainda para que ele não esqueça a memória de outros pais que dele igualmente foram e nele da mesma forma viveram.

Ser pai (A Publicar)
Ser filho
Ser filho do pai e pai do filho
É ter um sorriso de vida
A emoção de um olhar
A certeza de que estamos e que somos.

Um filho prolonga
E um pai alonga
O tempo e no tempo que vivemos.

Cúmplice do pai
Companheiro do filho
A circunstância de sermos
E de amarmos.
==== A. Bondoso (A Publicar)


domingo, 15 de fevereiro de 2015


NESTE FEVEREIRO...HÁ DOIS CAFÉS PARA LEMBRAR O PASSADO!



JARDIM DA MEMÓRIA (A Publicar)

Neste espaço de silêncio
Onde se dá valor à alma
Cada qual com sua cruz…
Há histórias
Há memórias
Há valores que se visitam
Há murmúrios que circulam
Na verdade absoluta.

Neste espaço de silêncio
De cumplicidade e conforto
Onde habitam gerações…
Todo o respeito se curva
Num alívio de suspiros
E todas as lágrimas choram
Enchendo pequenos rios
Consolando corações!

===== António Bondoso (A Publicar)
António Bondoso
Jornalista

sábado, 14 de fevereiro de 2015

É SEMPRE UM TEMPO DE ENCANTAMENTO...

Foto de António Bondoso


TEMPO DE ENCANTAMENTO

E assim...
Bem defronte dos teus olhos
Poderás ler nos meus lábios
Que a vida tem sempre um tempo
Precioso e de mistério.

Um tempo de encantamento
Que alimenta e ressuscita
A alma junto do corpo
Um tempo que o vento move
Alumia o horizonte
Aveludado caminho.

Abandono-me e entrego-me
Ao teu tempo
Espaço nosso.
=================================== 
António Bondoso
Jornalista

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ANTES DO TEMPO!

Foto de A. Bondoso
Foram dias foram anos
Em cada minuto de trinta
Uma vida sempre cheia
A começar do vazio
Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos.

Chegaram e não ficaram
Partiram de modos diferentes
Fui chegando e aqui voltando
Não sei se quatro se três
As vezes que me chamaram
P’ra começar outras frentes
Batalhas que fui travando
Cada vida em sua vez.

Não foi uma guerra perdida
Nem a morte anunciada
Silêncios de fracos espíritos
Que se escondem na penumbra
Não derrubam coisa alguma.
São fantasmas, camaleões
De um novo tempo sem ética
Maquiavel alma ferida
Contradiz, pena gelada
O que pensam serem méritos
De razão que não deslumbra.

Conhecidas uma a uma
Todas elas ilusões,
Nenhuma resiste sem métrica
Esfumam-se num lago seco
De lágrimas de crocodilo,
Arestas pontiagudas
Secas, finas e brilhantes
Ponteiros de um tempo novo
Mágico, sem viajantes.

E perdidas no labirinto
Dos poderes que estão em jogo
São almas não são amantes
Já não lhes sobram paixões
De escrever ou de rezar.
Já não sabem se  o que sinto
É um dom que ateia o fogo
Ou então como era dantes
Correr atrás dos balões
Subiam subiam sempre
Vazios mesmo com ar.

Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo.
Mas nem sequer sou rimador
De tanta expressão com dor
Que é partir mais uma vez
E o regressar nem talvez
Agora que se fabricam jornalistas numa linha.
Coisa de muitos mistérios
Prece de computador
Sinais  precoces da lage
Onde restará o tempo
Coração de pouca mágoa que sempre me acarinha !

Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos
De todos guardo lembrança
De menos ou mais talento
E  no altar da amizade
Há santos e pecadores.
A uns venero de agrado e aos outros estendo a mão
Mas não pretendo ser santo ou perder o coração
Traído pela memória de alguns que bem lamento.
São riscos de um mundo quente
Em permanente mudança
Ora pouco solidário ora perdendo valores,
Mas não sei mais que dizer-vos
Neste círculo de amizade
Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo !

Porto, Abril de 2005

António Bondoso  
**** Em O PODER E O POEMA ( Pg. 81)- 2012.    
NESTE DIA MUNDIAL DA RÁDIO...

DIA DA RÁDIO – 2015
Se não fosse pela memória – que é preciso honrar cada vez mais – talvez me abstivesse de vir a público dizer duas ou três coisas sobre uma vida de prazer e uma luta permanente. Enquanto não termino o livro que me propus escrever sobre o trabalho que é dar um rosto à magia…voltei a ser “espicaçado” e condescendi. Falar da rádio, hoje, é – para mim – ultrapassar momentos de mágoa e de revolta. E, sem ter muito trabalho, bastou-me consultar algumas páginas do meu livro mais recente EM AGOSTO…A LUZ DO TEU ROSTO!
..............................
(…) E depois vem a Rádio – retomando o fio à história! Esperando um dia pela saída do Manuel Sá, que por essa altura animava as manhãs de domingo, no Rádio Clube de S. Tomé, o Diretor Carlos Dias – esse mesmo que hoje elabora e distribui na Web o já célebre NOTÍCIAS À TERÇA – entabulou uma conversa de circunstância com Augusto e, quase em jeito de brincadeira, foi dizendo:- “Um dia destes vens aí fazer uma experiência”.
E foi assim. A rádio passou a fazer parte da vida de Augusto, a caminho do Ciclo Complementar dos Liceus – desejo de seu pai – gorada que foi a ida para a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém. Mesmo com “Bolsa”, a ideia não agradava ao pai de Augusto. Direito – seria o caminho!
Mas o Latim, primeiro – e depois o Alemão, trocaram as voltas a um rapaz mais maduro e, simultaneamente, mais inquieto. Mais “rebelde” também, muito perto da maioridade que praticamente lhe conferia essa nova faceta de trabalhar na Rádio [antes de começar a “ganhar” 250 escudos esteve seis meses à experiência], sobretudo a acelerar na bicicleta entre o D. João II e os estúdios do Rádio Clube, para “fechar” a emissão da hora do almoço. Ia já com 18 anos feitos nesse ano de 1968, uma altura de amores outros que se expressavam na afirmação adolescente e natural do meio (…).
…………………….
(…) E esse 1973 foi igualmente marcado pelo regresso à Rádio, da qual estivera afastado desde a sua ida para Nova Lisboa, em Angola, em 1971. Uma “recomposição” dos quadros, no tempo do Engº Freire, levaram Augusto de novo para o setor da Produção e de Noticiários – no qual foi chefiado e consolidou a amizade pela Manuela Borralho (…).
……………………………….
(…) E foi em Macau que Augusto viu devolvido o prazer de “fazer rádio” [quase lembrando os tempos do Rádio Clube de S. Tomé], no canal de língua portuguesa da TDM – que ainda se mantém – e no qual teve o gosto de trabalhar com bons profissionais, uns mais do que outros, naturalmente, mas sem esquecer a competência do Helder Fernando e do Cardoso Pinto. Augusto, que havia sido saneado na RDP, no Porto [havia já algum tempo], recorda – em primeiro lugar – o trato distinto de Johny Reis, uma voz de ouro que noutros tempos encheu as telefonias de Macau e que, por circunstâncias do comportamento e do caráter de quem detém o poder em determinadas circunstâncias, ainda hoje Augusto pensa na mágoa de não ter conseguido convencer Johny Reis a voltar aos microfones. Ter-lhe-á “bastado”, durante muitos anos, tratar exemplarmente do Arquivo. A par de Johny Reis – igualmente músico virtuoso – só a memória viva de Alberto Alecrim, um homem que respirava [ainda respira] e transpirava rádio por cada poro da alma(…).
…………………………….
Lá há de vir o tempo de outras histórias. Mesmo – ou sobretudo – com mágoa e com revolta!


António Bondoso
Jornalista.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

UM POEMA PARA O PORTO....


Foto da Web....

VIELA DO ANJO (A Publicar)

Na Viela do Anjo
Onde o sol não voa
E a morte convive
Na sombra dos edifícios gelados
Húmidos…
Também habita gente simples
Hospitaleira
Com o caráter da Sé.

Na Viela do Anjo
Há ruínas
Ainda sustentadas pelo pensamento
De uma esperança arreigada
Na rua da Ponte Nova
Que sai da Mouzinho em escadas
Cruza com a Bainharia
E a Escura mais ao fundo…
Quase junto aos pés da Sé.

Mas não há santos nem milagres
Nesta Viela do Anjo.
===== A. Bondoso (A Publicar)
António Bondoso
Jornalista

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SEGURANÇA NA EUROPA - MITO COM PÉS DE BARRO? ( PARTE II) 

Foto de A.Bondoso

Do meu trabalho/reflexão de 2008, deixo-vos hoje a segunda parte do trabalho. 
APENAS CHAMO A ATENÇÃO PARA O QUE VEIO DEPOIS DE 2008 - A CRISE ECONÓMICA E FINANCEIRA...QUE VIROU TUDO DO AVESSO. E, assim, tudo ficou ainda mais difícil.

==== Mas o texto, mesmo desatualizado, pode ajudar à compreensão do problema: 

CAPÍTULO II         

DA TEORIA À PRÁTICA, UM PASSO DECISIVO.

“O que faria sentido seria a União preparar-se abertamente para assumir a responsabilidade pela defesa do seu próprio território e deixar para a NATO o papel global que esta, sob liderança americana, quer ter, e para o qual a UE lhe disponibilizaria um elemento de intervenção europeu”.
                                                                                                                Alexandre Reis Rodrigues, 2007[1]

Este tipo de discussão parece ter sido bloqueado no âmbito do desenvolvimento da NOI e também no quadro da Nova Arquitectura de Segurança Europeia (NASE), igualmente ainda não completamente definido e constituindo um dos problemas actuais das R.I. Nomeadamente, como refere o Dr. Paulo Amorim[2], sobre a hierarquia da NASE que – teoricamente – corresponde a uma pirâmide cujo topo é a ONU, devendo seguir-se a OSCE (que passou a Organização em 1994), a NATO e o que hoje poderá ter correspondência com a extinta UEO (uma eterna promessa em termos defensivos europeus) – a PESC/PESDC da União Europeia.
Contudo, com a nova atitude unilateral dos EUA, esta “estrutura” perdeu credibilidade e passou a haver uma certa desarticulação entre as várias organizações, as quais passaram a actuar individualmente – regra geral de acordo com os interesses dos EUA e não sob delegação do patamar superior da pirâmide, a ONU.
Particularmente a partir de 1996, os EUA minimizaram a utilidade da OSCE – na qual estão representados desde Helsínquia tanto os Estados da Europa Ocidental como os do Leste – e a organização perdeu prestígio e importância.
Mas a UE, quer através do extinto Tratado Constitucional, quer no texto do Tratado Reformador de Lisboa – ainda suspenso – insiste numa política comum para a segurança e defesa, tendo chegado mesmo a equacionar-se uma “diplomacia europeia”. Não obstante, persiste a interrogação sobre “que meios políticos?” e sobre “que força armada para impor a decisão política?”.
E apesar de todos os esforços no sentido de potenciar a nova estrutura, o impasse mantém-se, sobretudo por falta de vontade e de coragem política em financiar uma Política de Segurança e Defesa Comum. A engrenagem parece bloquear perante a eventual existência de fortes lóbis militares em vários países europeus – empenhados em evitar que a União possa funcionar como um Estado, detentor exclusivo de uma PE e do poder de declaração de guerra. Neste quadro, não se compreenderia facilmente a existência de umas Forças Armadas fortes nos vários países da União. No fundo, pode dizer-se que vai fazendo vencimento a tese de um quadro westfaliano.
É curioso notar – por contraponto – uma ideia do gen. Loureiro dos Santos[3] anterior à citação que se faz de uma expressão do vice-almirante Alexandre Reis Rodrigues e que encima este capítulo: “ Para já, não parece aconselhável subordinar as Constituições nacionais (que consubstanciam o destino que cada país deseja para si) ao direito comunitário, nem incluir no domínio da União os assuntos de política externa, segurança e defesa, embora devam ser contemplados mecanismos para a sua coordenação”. Loureiro dos Santos enquadra a ideia na necessidade de se adequar o ritmo do aprofundamento institucional, entre o passo de corrida das elites e o andamento normal dos cidadãos europeus. Por outro lado, o General insiste em classificar de rídiculos os meios militares (forças no terreno) da União Europeia e, a propósito da “fraqueza” psicológica e política demonstrada na chamada crise dos cartoons, defende a complementaridade transatlântica: enquanto os países europeus não tomarem consciência das suas debilidades e não as resolverem, em estreita articulação com os EUA, será difícil que o comportamento da Europa em situações deste tipo seja muito diferente.
Ao que parece, é nesta questão política que está centrado o nó górdio do problema.




CONCLUSÃO

“Tememos, pois, que o divórcio entre os povos europeus e a construção europeia irá agravar-se ainda mais, não podendo nós arredar a hipótese de que até às eleições europeias de Junho de 2009, os dirigentes políticos venham a ser confrontados com algum ou alguns sobressaltos”.
                                                                                                                    Augusto Rogério Leitão, 2007[4]


            E confirmou-se o sobressalto! Bastou um pequeno não da Irlanda para abanar os alicerces políticos da União Europeia. Pelo menos obrigou a mais um impasse, para o qual não se vislumbrou ainda uma solução.  
            A Chanceler alemã Ângela Merkel, no “intervalo” dos Tratados, havia já chamado a atenção para o problema, quase premonitoriamente: é do interesse da Europa, dos seus Estados-membros e dos seus cidadãos, que este processo esteja terminado até às próximas eleições para o PE (…) uma Europa fraca, burocrática e dividida não conseguirá resolver os problemas que enfrenta, seja em termos de política externa e de segurança, mudanças climáticas, energia, investigação científica, desregulamentação, ou na gestão do alargamento e das relações com os nossos vizinhos.
            Depois (mas ainda antes do não irlandês), também o Presidente francês Sarkozy havia lançado farpas no PE[5]: o novo tratado simplificado, não resolve a crise moral e política da Europa. E interrogava: como poderá a Europa ser independente, ter influência política no mundo, ser um factor de paz e de equilíbrio se não é capaz de assegurar a sua própria defesa?
            A França, recorda-se, era uma das potências europeias com benefícios directos da aplicação do defunto Tratado Constitucional que – paradoxalmente – foi rejeitado em referendo pelos franceses, numa acesa luta política interna.
            E depois, há quem considere o novo Tratado Reformador/de Lisboa como um “Filho de um Deus Menor”[6], repetindo apenas as duas grandes novidades do anterior, sendo que o funcionamento da Agência Europeia de Defesa (já em prática) não necessita de um tratado. A outra “novidade” – alguns Estados-membros poderem estabelecer entre si cooperações reforçadas/estruturadas – referida num texto do Ten. Coronel Pereira da Silva e publicado na Revista Militar, parece ser potenciadora de naturais divergências entre responsáveis políticos e militares de cada um dos países da União. Particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento de determinadas capacidades em conjunto (os Battle Groups) ou de novos projectos. Uma capacidade militar – recorda Pereira da Silva – compreende elementos como o pessoal, o equipamento, a sustentação, a doutrina, a prontidão, a interoperabilidade, o treino e a projecção. Alguns destes elementos não deixam de entreabrir uma porta – tanto para o estabelecimento de lóbis como para a permanência do espírito de Westfalia.
            Alexandre Reis Rodrigues coloca a necessidade de uma “política centralizada” como fundamental para a ambicionada Política de Segurança e Defesa da UE – mais do que os recursos financeiros. E acrescenta que continua a faltar um órgão que assuma a concretização militar das decisões políticas, coordenando e acompanhando todo o subsequente processo ao nível de cada Estado-membro, conforme os compromissos assumidos.
            Contudo, esta ideia quase que anula o chamado “critério da não duplicação de meios e estruturas” debatido e acordado no seio da NATO no mandato do presidente Bill Clinton.
            No meio de hesitações, impasses e interesses divergentes, Augusto Rogério Leitão projecta para o futuro a afirmação gradual de um directório informal constituído pelo Reino Unido, França e Alemanha – em especial no âmbito da PESC/PESD – apresentando um binómio/dilema: “ou a União opta por ser fundamentalmente uma zona de livre comércio, adaptando-se à globalização com algumas políticas comuns centradas na ajuda aos Estados-membros mais débeis, e as suas fronteiras poderão alargar-se de modo extensivo; ou opta por uma união política, com uma governação da globalização no quadro de uma Europa social que exige uma maior partilha das soberanias e uma configuração como potência regional ou mesmo mundial, e as suas fronteiras terão de ser necessariamente menos extensas”.
            É nesta encruzilhada de um tempo complexo e de muitas incertezas – e para o qual o futuro não tem um prazo muito dilatado – que muitos políticos jogam os seus dados e o seu prestígio, nem sempre com resultados muito positivos.
            E particularmente no que respeita à “segurança colectiva” – por oposição à intolerância e ao terrorismo fundamentalista – merece algum destaque a ideia do embaixador Seixas da Costa[7] quando fala da responsabilidade da comunidade internacional democrática e defensora da tolerância e das liberdades, na qual a União Europeia deve ter um papel central: a segurança colectiva continuará a estar em sério risco, enquanto essa comunidade não adoptar uma ‘diplomacia de princípios’ assente na denúncia dos jogos cínicos da realpolitik e resistindo ao ‘politicamente correcto’ de certos lóbis.
            Este papel só será possível com uma União Europeia sólida e solidária em termos políticos, suficientemente realista a propósito da complexa conjuntura internacional. Com divisões ‘internas’ e assumindo-se como um foco de tensão no espaço euro atlântico, talvez seja preferível ponderar a extinção da NATO. 



[1] - Vice-almirante e Secretário-geral da Comissão Portuguesa do Atlântico. Em Revista Estratégia, do IEEI nº24-25.
[2] - Departamento de R.I. da Universidade Lusíada do Porto.
[3] - O Império debaixo de Fogo, Europa América, Lisboa,  2006.
[4] - Professor da Licenciatura/Mestrado em Relações Internacionais da Univ de Coimbra, na Revista Estratégia, do IEEI, nº 24-25, 2007: “A Crise Existencial da União Europeia entre revisões, alargamentos, fronteiras e o futuro”.
[5] - Discurso no PE em Novembro de 2007.
[6] - Ten. Coronel Nuno Miguel Pascoal Dias Pereira da Silva, sócio efectivo da Revista Militar e comandante da Unidade de Apoio da BrigInt. Publicado em 21 de Setembro de 2008. 
[7] - Embaixador de Portugal no Brasil e representante de Portugal na OSCE (2002-2005). Palestra em Vila Real, em Outubro de 2004.

MESMO COM A PARTIDA DO LUÍS OCHOA…continuo a dizer que “até os mortos falam na Rádio”!

Foto da Web

Luís Ochoa começou na ANOP mas lembro-me de o ver ainda como estagiário na RDP numa altura de grande ampliação do quadro de jornalistas no início dos anos 80 do século passado. Mas depressa o Luís se impôs, tendo chegado a editor e a Chefe de Redação. Lutador e repentista – mas de um trato de camaradagem sem sofismas – sempre mantive com ele uma relação cordata. Após o meu regresso de Macau, já o Luís era Diretor de Informação, a relação acentuou-se com encontros e conversas mais regulares em Lisboa. E recordo-me mesmo de um dia me ter proposto – numa altura de indefinição do meu percurso na RDP, no Porto – um projeto de informação virado para a economia, sabendo-se da importância da região Norte para os negócios, criação de empresas e exportações, com destaque para a ação da (então) AEP. Mas o caminho foi outro. E foi sem surpresa que o vi assumir a delegação da Antena 1 em Bruxelas, um cargo longe das “tricas” diárias de uma casa grande como era a RDP. E continuámos a falar…até à minha saída “apressada” para uma aposentação antes do tempo, em 2005. Recebe um abraço de até sempre, continua a ter o prazer de dizer as notícias…e fica ciente de um gesto de carinho para a tua mulher e tuas filhas.
António Bondoso
Jornalista



domingo, 11 de janeiro de 2015

ISTO…SOU EU A PENSAR!
A PROPÓSITO DE TERRORISMO…



Mesmo correndo o risco de haver situações menos atualizadas, não quero deixar de partilhar este pequeno texto meu – parte de um outro mais vasto pensado e escrito já em 2007:
*****No mundo islâmico, o Ocidente é visto como uma civilização decadente, quer em termos morais e políticos, quer culturalmente.
Os ataques de 11 de Setembro de 2001 visaram abalar o neoliberalismo e a globalização económica, tal como o poderio militar dos EUA.
O mundo passou a ser dominado pelo terror, pela imprevisibilidade e ultraterritorialidade.

O TERRORISMO É…

VIOLÊNCIA ! TERROR ! MEDO ! MORTE ! DESTRUIÇÃO ! ANSIEDADE ! PÂNICO ! CHANTAGEM ! QUALQUER MEIO PARA ATINGIR UM FIM ! INTERESSA MAIS O FACTOR PSICOLÓGICO DO QUE PROPRIAMENTE O NÚMERO DE VÍTIMAS!
“Uma ação violenta é denominada de terrorismo, quando os seus efeitos psicológicos ultrapassam em muito os seus resultados puramente físicos”(Raymond Aron).

E O RESSENTIMENTO…

“Os ataques de 2001, em N.Y. e Washington, demonstraram que existe uma ameaça, com contornos ideológicos e políticos bem definidos, aos valores seculares e liberais dominantes nas sociedades ocidentais” (João Marques de Almeida, “O Choque das Civilizações e o 11 de Setembro”, IPRI-Instituto Português de Relações Internacionais).
Considerando que, na perspetiva dos fundamentalistas islâmicos, as sociedades muçulmanas são “vítimas” da ordem liberal, João Marques de Almeida argumenta que “…o regresso à religião, o chamado Ressurgimento Islâmico, foi a resposta ideológica e política ao ressentimento contra o domínio ocidental” !
Tal como na economia, diz Huntington, os países asiáticos e islâmicos estão a procurar contrabalançar rapidamente o poderio militar do Ocidente.
Enquanto a Nato, por ex, reduziu em 10% as despesas com a defesa, nos países da Ásia elas aumentaram 50% na década de 1990.
Por outro lado, há a considerar ainda a explosão demográfica nos países islâmicos, em contraste com o chamado Ocidente.

Estado-Núcleo, o que falta ao Islão. === Será o Califado/ISI?
Contudo, afirma Huntington, o Ocidente vai ter a supremacia ainda por algumas décadas, apesar de ter vindo a perder “força” como vimos.
E o que vai faltando ao mundo islâmico é um “Estado-Núcleo” civilizacional, ao contrário das potências ocidentais, da China, Índia, Japão e Rússia.
Dentro do Islão (Huntington) “há muitas culturas ou subcivilizações distintas, da Arábica à Turca, da Persa à Malaia”. Nestas circunstâncias não é fácil e pacífico encontrar um Estado-Núcleo. Para além do Iraque (onde, apesar de tudo, Sadam é ainda lembrado) e dos destroços da Primavera Árabe, temos os confrontos “ Irão-Arábia Saudita” e “Indonésia-Paquistão”.
E é nesta “dispersão” e procura de liderança, que o mundo islâmico se apresenta permissivo à radicalização e ao fundamentalismo.

O resto…vem por acréscimo. Como a pobreza e os guetos. Inclusive o chamado “terrorismo de Estado”.
=== António Bondoso

Jornalista.
SEGURANÇA E DEFESA NA EUROPA! MITO COM PÉS DE BARRO?

***** O que eu refletia já em 2008 ( Por agora...deixo-vos só uma parte): 



“Segurança e Defesa são conceitos tradicionalmente inseparáveis porque, se o primeiro significa ‘the guarantee of safety’ também o mesmo conceito, quando qualificado de segurança nacional, faz evidenciar todos os objectivos da defesa…”
                                                                                                                                Adriano Moreira, 1988 
            Esta ideia do Professor Adriano Moreira não significa unanimidade ou qualquer consenso forçado a propósito do quadro conceptual e narrativo das matérias de Segurança e de Defesa.
            Vale para a França, por ex, mas é diferente na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos da América. Também em Portugal, o quadro constitucional esquece a perspectiva abrangente dos termos Segurança e Defesa Nacional – situação   corrigida pelo Conceito Estratégico de Defesa Nacional de 2003 (agora questionado pelo tenente-general Garcia Leandro[1]), no sentido de adequar as respostas do país às novas ameaças e aos novos desafios a partir do 11 de Setembro de 2001.
            A diversidade conceptual aqui referida não foi “apagada” com estes acontecimentos, apesar de se reconhecer que os novos problemas ultrapassam a capacidade de resposta individualizada de cada um dos Estados.
            E também não foi “apagada”, mesmo com as reformas verificadas no âmbito da União Europeia e da NATO – desde o fim da UEO, a revitalização da OSCE, a PESC, a PESDC, a Força de Reacção Rápida (FRR) e os conflitos de competências entre a UE e a NATO, sabendo-se que esta Organização reformulou o seu objectivo estratégico ao passar a definir-se como “de Segurança” e não apenas de Defesa, o que lhe permite actuar fora da sua área de influência. Mas, sem o Tratado Reformador, sem União Política – que futuro para a PESC/PESDC e para a FRR, pilares importantes da construção da Nova Europa? Complementaridade ou concorrência entre as estruturas puramente europeias e a NATO transatlântica?


CAPÍTULO I

BALANÇO POSITIVO DA ‘PESDC’ NÃO AFASTA DÚVIDAS E CLIMA DE TENSÃO.

“Embora com uma ideia de auto-contenção, os princípios teóricos das políticas externa e de segurança e defesa comum estabelecidos na ‘Estratégia Europeia em Matéria de Segurança’ são lógicos e coerentes. O problema é o levantamento dos meios (estruturas e forças) para materializar os objectivos decididos”.
                                                                                                                 Gen. Loureiro dos Santos, 2006[2]


            O documento a que se refere o gen. Loureiro dos Santos, também conhecido simplesmente por ‘documento Solana’, foi aprovado em Bruxelas em 2003 – como resultado do aprofundamento, adaptação e renovação da chamada Nova Arquitectura de Segurança na Europa (NASE), saída de Helsínquia em 1975.
            Recorda-se que a OSCE, por uma questão de custos (Burden Sharing) havia já prescindido da União da Europa Ocidental, optando pelo ‘guarda-chuva’ americano da NATO – podendo a UE, assim, ultrapassar dificuldades para efectuar avultados investimentos na área da Defesa. O que, diz Loureiro dos Santos, “dá um conteúdo patético aos que pretendem ser um poder militar alternativo aos americanos”.
            Contudo, no XI Encontro Internacional Eurodefense, Etienne de Poncins – Chefe de Gabinete da Ministra delegada da França para os Negócios Europeus, Catherine Colonna – fez um balanço positivo da PESDC, salientando progressos nos Balcãs, na Ásia e na África. Apesar disso, não foi possível evitar a tragédia humanitária do Darfur e, pelo que se passa actualmente na RD do Congo, os efeitos da cooperação da UE não terão sido efectivamente consolidados.
            Em 2007, numa intervenção em Washington, o Ministro da Defesa de Portugal, Severiano Teixeira[3], elogiou o esforço da Aliança Atlântica na defesa da Paz e da democracia na Europa – mas chamou a atenção para o facto de a institucionalização da União Europeia e da Politica Externa e de Segurança Comum (PESC) terem sido “um factor de tensão, tal como a crescente preponderância internacional dos Estados Unidos”. E deu os exemplos da intervenção tardia no Kosovo e das divergências acerca da invasão do Iraque.
            Severiano Teixeira referiu a complementaridade entre a PESC e a NATO, mas notou que “nem por isso deixa de ser notória a resistência ao desenvolvimento de uma capacidade efectiva de defesa no quadro da UE” pois existe a percepção de que essa dimensão pode criar uma rivalidade estratégica entre os Estados Unidos e a Europa, quando voltar a existir uma defesa europeia autónoma. E este é o caminho – assegurou o ministro português, para quem a prioridade dos Estados Europeus é a construção da Europa. Este objectivo – acrescentou – não pode provocar um aumento das tensões dentro da Aliança Atlântica, num momento em que é mais necessária a unidade na luta contra o terrorismo transnacional.
            Sobre esta dúvida de uma política complementar ou concorrencial entre as duas estruturas, se havia também pronunciado, já em 2004, o conselheiro de investigação no Colégio de Defesa da NATO em Roma – Lionel Ponsard[4] – considerando a diferença de culturas em matéria de segurança existente nos dois lados do Atlântico. Por vezes, disse, esse facto “parece dificultar o desenvolvimento de uma parceria complementar entre a União Europeia e a OTAN”.
            Tudo parece ter mudado e agravado depois dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001.
            O Professor Milan Rados[5] diz que os problemas de Segurança já passaram além dos Estados, colocando-se hoje numa perspectiva transnacional. É preciso preservar as relações estáveis entre os Estados e o desenvolvimento humano sustentado – sem recurso à guerra, através da cooperação. Por outro lado, o conceito de Defesa passou a incluir “um conjunto de instrumentos destinados a assegurar a estabilidade do Sistema Político Internacional”.
            As novas ameaças passaram a ser multidireccionais, desmilitarizadas e desterritorializadas – o que pressupõe novo tipo de respostas no âmbito de uma Nova Ordem Internacional (NOI) ainda em construção.




[1] Expresso – 1º caderno, 15/11/2008.
[2] - O Império debaixo de fogo – Reflexões sobre Estratégia. Europa América, Lisboa, 2006.
[3] - Portal do Governo na Internet. MDN.
[4] - Notícias da NATO/OTAN, Outubro de 2004.
[5] - Departamento de R.I. da Universidade Lusíada do Porto.

======= António Bondoso
Jornalista
Mais logo coloco o resto da reflexão de 2008.