2008-11-01

SONHO ? REALIDADE ? FICÇÃO ?




A FORÇA DAS ARMAS ... OU A FALTA DE SENSO MILITA(R)NTE !!!


PESADELO:
Tiros... granadas...FUMO...sangue... muito sangue...gritos de dor...GRITOS DE REVOLTA...disparos de canhões...PRISIONEIROS - de guerra ou do golpe de Estado? - carros de combate...aviões F117...fragatas...SUBMARINOS (ainda não nucleares)... um cenário hipotético mas possível, graças a um grupo de jovens militares (oficiais - muitos! - sargentos e praças) que - desesperados - não aguentaram a pressão (e a vergonha!) de não terem sequer papel higiénico nas suas unidades. Munições, felizmente, há muitas... suficientes para acções de rua junto à A.R. e Palácio de Belém.

SONHO:
No meio do fumo (...serão nuvens?) o sonho levita e apresenta um cenário bem mais tranquilo: - Quartéis renovados, gabinetes de luxo com ar condicionado, sargentos e praças a praticar desporto numa parada impecável e um general ! Não tem monóculo e o nome é confuso - qualquer coisa como Loureiro António Spínola Santos - um livro na mão esquerda ( COMO EVITAR NO FUTURO GOLPES DE ESTADO EM PORTUGAL) e na outra, em vez de um perigoso instrumento bélico, um bom charuto de Havana que, em tempos, um outro jovem oficial (extasiado) havia trazido de Cuba - ainda Fidel governava e discursava como ninguém. À sua volta outros generais e coronéis a quem ele se dirigia citando frases do livro. Vascos, Pedrinhas, Lourenços e outros nomes menos conhecidos que, em resposta, sussurravam um coro de assentimento. E a promessa de novos encontros, novas reuniões em outras cidades do país, para discutir o "incumprimento" de promessas governamentais !

Normal ? - PERFEITAMENTE !
Chantagem ? - NEM PENSAR ! Não é necessária quando se tem armas em casa (quartel).
Razão ? - NATURALMENTE ! SÓ QUE ELES NÃO SÃO DONOS DE TODA A RAZÃO ! Há milhões de portugueses em situações bem mais difíceis. E DE QUEM APENAS SE OUVE O SILÊNCIO DA MISÉRIA.

Humilhação ?
E os Professores ? E os Jornalistas ? e os Polícias ? E os outros agentes da administração pública?
QUEREM COMPARAR AS REGALIAS ?

Crise financeira ?
E os agricultores? E os motoristas dos transportes públicos ? E os trabalhadores da Restauração?

*** As Forças Armadas têm representado (e bem!) o país em missões no estrangeiro? Faz parte dos requisitos da profissão que livremente escolheram!
*** Incumprimento de promessas? Os militares não são os únicos a sofrer e nem de perto os mais atingidos! Muito menos os "oficiais"...
*** O Estado tem que decidir se quer ter F.A. bem equipadas e bem treinadas? Certamente que sim ! MAS, em minha opinião e desde que o poder político decidiu abolir o "serviço militar obrigatório" - as F.A. são um "peso" demasiado elevado para o Estado ! E se a situação financeira é grave, então o Estado só deve assumir os compromissos internacionais que possa sustentar com dignidade !

SEM AMEAÇAS EXTERNAS VISÍVEIS OU PREVISÍVEIS - pode e deve ser questionada a actual dimensão das nossas F.A. ***Sobretudo por que, hoje, as chamadas "novas ameaças" estão mais relacionadas por ex com questões ambientais, catástrofes, tráficos humano e de droga, epidemias como o HIV/SIDA, Ébola e tuberculose, conflitos étnicos e religiosos... ou com o chamado "novo terrorismo" global e fundamentalista.
Sendo as ameaças - na sua maioria - desmilitarizadas e desterritorializadas, de acordo com os investigadores de R.I., impõe-se uma alteração nas políticas de segurança e defesa, através de respostas também não militares e assentes na cooperação.
Adriano Moreira admitia há tempos que talvez esteja a consolidar-se a ideia de que o conceito da casa comum que é a Terra não está suficientemente presente para enfrentar ameaças que não são militares e a rodeiam sem distinção de povos. E mais recentemente, colocava como questão central das "novas ameaças" o tema da fome e do enfraquecimento das reservas estratégicas alimentares, em regiões e países até há pouco longe de tal risco - aumentando o fosso entre o norte e o sul. Adriano Moreira acrescentou que, este desequilíbrio, que contribuiu para animar a desordem das imigrações, atingiu um ponto crítico que obriga a não deixar esquecer que o direito à subsistência, o direito à comida é um direito natural e que é lícito as pessoas alcançá-lo.

Talvez que, para combater estas novas ameaças, o Estado fique melhor servido com outro tipo de "soldados", que não apenas ou sobretudo os militares !

Deve ter-se em atenção, por outro lado, que - hoje - a Segurança apresenta novos conceitos, como por ex o Societal, o Cooperativo e o Humano, para os quais importa sobretudo preservar a estabilidade do Sistema Institucional mundial e o desenvolvimento harmonioso e ordenado das sociedades.
Como dizem o Professor Milan Rados e o Dr. Paulo Amorim(da Univ.Lusíada no Porto), a Defesa - tradicionalmente confundida com as Forças Armadas - é hoje definida como "um conjunto de instrumentos destinados a assegurar a estabilidade do Sistema Político Internacional" !

AINDA ASSIM, admito que as F.A. possam ser um dos vértices do sistema garantístico da nossa democracia ! Mas já não o principal. Quase 35 anos depois do Golpe do 25 de Abril de 1974, o mundo evoluíu e, felizmente, Portugal também. E numa época de crise mundial que hoje se vive, é descabido, inapropriado, pouco ético e muito grave trazer para a "praça pública" um eventual desespero das Forças Armadas !

Mais grave, quando se insinua ( sem concretizar) a possibilidade de "eventuais asneiras" de jovens militares !

SIMPLESMENTE INADMISSÍVEL !
Sobretudo a figuras de prestígio (?) como as que deram rosto às "eventualidades" !

Inadmissível ainda por não terem dado ouvidos à palavra de um homem que é símbolo da honra dos militares - o general Ramalho Eanes ! Porventura os actuais contestatários terão consciência da verdadeira "humilhação" que Eanes viveu, depois de abandonar a Chefia do Estado ? E só recentemente "reparada" ?! E a forma "vertical" como ele reagiu ?

Acordado do pesadelo e do sonho - afinal não houve qualquer golpe militar. FOI SÓ FUMAÇA ! Para citar outro grande militar e marinheiro - o almirante Pinheiro de Azevedo.

1 comentário:

Rui disse...

Assino por baixo. (RB)