2017-03-27


COMO RUFAS SANTO CONQUISTOU MARIAZINHA…CALCINHA DE RENDA – ou de como S. Tomé e o Príncipe continuam a ser musas inspiradoras dos agentes da escrita, em prosa ou em poesia. É a mulher, de cá e de lá e de todas as latitudes, que está no centro poético de mais um livro que vai ser apresentado na próxima sexta-feira na sede da UCCLA, em Lisboa.  



Rufino Espírito Santo, que reside em Portugal há 20 anos, nasceu em 1959 em S. Tomé e passou parte da infância no Riboque. Estudou, como eu – embora mais tarde – na Escola Primária de Vaz Monteiro [hoje de D. Maria de Jesus], depois frequentou a Escola Preparatória e o Liceu Nacional. Licenciou-se em Física na Universidade de Havana [Cuba], sendo posteriormente professor de Física e de Matemática nas Ilhas do Meio do Mundo.
         Com vocação para a escrita, desde jovem, Rufino Espírito Santo – que se dá a conhecer nas redes sociais como RUFAS SANTO – foi um dos laureados no primeiro concurso de literatura promovido pela UNEAS, a União Nacional de Escritores e Artistas de STP, com a obra PALAVRA PERDIDA E OUTROS CONTOS.
Após um largo interregno, e durante o qual nos habituou e brindou com excelentes textos na sua página do facebook, sob o título genérico de DELÍCIAS DAS ILHAS, Rufino Espírito Santo decidiu presentear-nos neste mês de Março, aproveitando a Primavera, com o seu livro de poesia MARIAZINHA CALCINHA DE RENDA que não é, segundo o autor, uma sequência de histórias em poesia:
São momentos de explosões nostálgicas a que mais tarde tentei dar um sentido e uma certa arrumação. Contudo, não seguiu uma arrumação lógica, deixando prevalecer a ordem ou melhor a desordem do surgimento das mesmas excepto pequenas alterações em dois casos específicos que são o par “A minha rua agoniza” e “A rua das três palmeiras” e o par “Mariazinha” e “Mariazinha, calcinha de renda” que foram deslocados e colocados intencionalmente juntos e em determinada ordem.
***Cada poema é uma história ou há capítulos diversos?
Não há capítulos embora seja possível distinguir três momentos bem definidos, pelo menos no meu entendimento: um momento de preocupação ecológica representado por “A minha rua agoniza”, “A rua das três palmeiras” e “Esse deus não é o meu deus”; o momento nostálgico representado em grande parte por poemas centrados no retorno ao passado, a infância em São Tomé e Príncipe, combinado com o presente, de algumas décadas, em terras lusas, representado por poemas como “Estação sem destino” e “Aonde vais Tejo” , por exemplo. E finalmente, um momento que tem como figura central a mulher (representado por uma Maria ou Mariazinha santomense mas cujos problemas podem abranger outras mulheres por este mundo fora) representado por “N’Oquê Mulundu”, “Mariazinha” e “Mariazinha, calcinha de renda”.
***Tem escrito textos lindíssimos em prosa. E de repente aparece este com poemas. É pela beleza da construção? É mais fácil a expressão poética?
Na realidade tenho escrito tanto em poesia como em prosa embora faça chegar ao público do Facebook, que é a plataforma que tenho usado para publicar essa forma que encontrei de brincar com as palavras e com as ideias, muito mais texto em prosa do que em poesia. Há momentos em que me dedico a contar histórias a mim próprio e a ter uma conversa prolongada mais racional e serena. Há outros momentos em que tenho uma espécie de explosão (tal como disse anteriormente) e tenho uma necessidade urgente e, digamos, menos racionalizada de exprimir determinados pedaços de mim.
***O título é uma delícia. Mariazinha domina por completo?
O título é um retorno aos tempos de garoto sem dúvidas. Essa delícia, como diz, é fruto da riqueza inerente ao espírito criativo do nosso povo, um pouco como muitas vezes tenho abordado numas publicações que tenho no Facebook com o título comum de DELÍCIAS DAS ILHAS.
Como anteriormente mencionei, o livro tem vários momentos e o poema que dá nome ao livro insere-se num deles. Mas, mais do que relatar a Mariazinha, a dupla “Mariazinha” e “Mariazinha, calcinha de renda” reflecte, numa outra dimensão, o caminho trilhado por um país que sonhava (que ainda sonha, é verdade), com uma beleza impar e de “chás” suficientes para dar respostas a todas as necessidades mas que poderá ver-se um dia à procura do “chá contra a espera engolida pelo mar”.

RUFAS SANTO dito e apresentado. Sobre o livro, apenas se levantou o véu.


Rufas Santo
António Bondoso
Jornalista
Março de 2017.

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