2022-01-04


PROSSIGA O ESPETÁCULO.

ENTRE OS DEBATES E A PROPAGANDA…temos ainda a demagogia e a inclinação de interesses «ideológicos» dos moderadores e comentadores. E depois, uma questão essencial:

OS DEBATES – SOBRETUDO TELEVISIVOS – AINDA INFLUENCIAM DECISIVAMENTE O ELEITORADO?


Da Web

Não estou seguro de que isso aconteça a uma escala significativa, ao contrário do que ouvi dizer, embora admita que esse tipo de «eventos», particularmente «a dois», possa moldar as ideias de alguns eleitores. E os «comícios» também já não mobilizam como antigamente. Já lá vai o tempo em que despontavam figuras como a do «Carlitos», que o antigo Presidente da AR – Fernando Amaral – recorda de forma sublime nas suas “Recordações Menores”. Em nome da juventude, o «Carlitos» havia preparado uma intervenção para abrir o comício. Mas…lidas as frases, Fernando Amaral constatou que a sua leitura duraria apenas 30 segundos. Carlitos – eu pedi pelo menos 5 minutos! E veio a surpresa: - “e as palmas! E as palmas”! Fernando Amaral foi apanhado por muito mais de cinco minutos, tantas haviam sido as palmas para a intervenção mais aplaudida do comício. De facto, não havia contado com as palmas.

Com a penetração diversificada do que chamamos de «redes sociais», quase me atrevo a dizer que a TV – apesar de todo o seu poderio com a imagem – está hoje para as redes sociais como a Rádio, há já muitas décadas, tem estado para a TV. Isto…sou eu a pensar, claro!

É preciso encontrar novas formas de chegar aos eleitores? Claro que sim. Mas, insisto, não me parece que o caminho seja apenas através da TV. Os debates, por muito que digam alguns «especialistas», estão carregados de demagogia. E, sinceramente, creio que os eleitores sabem distinguir a demagogia da razão. E depois…as palmas! Faltam as palmas! Só se tivermos em consideração que elas virão dos analistas e dos comentadores. Pode acontecer. Mas ainda é válida a ideia de que não se pode enganar toda a gente o tempo todo.

Aqui chegados, há essa perspetiva que mereceu alguma atenção nos últimos dias: - primeiro o documento dos 31 e as “esquerdas”. Hoje, a Carta por uma “esquerda plural”, subscrita por 100 personalidades sem filiação partidária. Depois da farsa que foi o voto contra o OE, como se pode vir agora apelar à «coragem da esquerda para um compromisso», se alguns dos protagonistas – sedentos de “contar espingardas” ou “receosos de perder a força das ruas” – torpedearam a legislatura devido a «leituras» enviesadas a respeito de um OE de elaboração cuidadosamente responsável? Não faz sentido. E, sinceramente, o que me parece enformar a ideia é ir «torpedeando» o eleitorado no sentido de penalizar o PS, retirando «peso» a uma eventual – mas provável – vitória nas eleições de 30 de Janeiro. Tentando evitar, embora agitando, o «fantasma» de uma maioria absoluta – muito pouco provável – o BE e o PCP, em mais uma «maioria inquinada» com o PSD, CDS, IL, PAN, PEV, etc…parece apostarem mais numa maioria de direita no próximo parlamento.

Isto…sou eu a pensar, claro!

Bons debates e que prossiga o espetáculo. Viva o «Infotainment”! 


Foto de António Bondoso

 

António Bondoso

Janeiro de 2022

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