2010-12-04
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
2010-11-25
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !


2010-11-13
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
... MENOS RAZÕES PARA VOTAR.
= não sei se será boa opção votar num candidato que acusa um governo de praticar “espionagem” e depois ficar tudo na mesma; não sei se será boa opção votar num candidato que, por cálculo eleitoralista, tardou em afirmar a sua influência “activa”...
= frequentemente me interrogo se será boa opção votar num candidato que apoia a greve geral como forma de protesto anti-governo, sabendo-se que o governo é duplamente responsável perante o PR e perante a AR; cada vez mais me interrogo se poderei confiar num candidato que não é “político”...
= depois de ler o Expresso, desiludiu-me a forma “politicamente incorrecta” como um candidato deita praticamente a “toalha ao chão” ao dizer que – mesmo ainda antes de terminar o actual combate – já não estará disponível para um eventual segundo mandato; não sei se será boa opção acreditar num candidato que – tendo sempre defendido a força das ideias – esteja agora hesitante na duração desse combate...
= se em política o que parece é – independentemente de que à “mulher de César não basta parecer – acresce a entrevista do MNE ao mesmo jornal, a qual provocou já um violento tremor de terra no tecido partidário, embora os efeitos só venham a ser visíveis depois de uma digestão mais controlada. Mesmo tendo em conta os “apetites” já difundidos pelo CDS/PP.
Como toda a especulação é permitida, pode dizer-se que – se o efeito pretendido fosse o de uma “visão” comum entre o MNE e o PM, mais valia terem acertado agulhas antes da constituição do governo, com o objectivo claro de se conseguir então o que agora se propõe. Se o PM não sabia, a demissão do MNE seria perfeitamente plausível. Ademais, ele próprio mostrou disponibilidade para abandonar o governo. Caia, Sócrates, mas ao menos caia de pé !
Contudo, quero deixar claro que não deixarei de votar. Vamos ver como.
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
E na sequência da actual crise europeia e mundial, sobre a qual se tem vindo a colocar o acento tónico na eventual perda de soberania com a hipotética vinda do FMI, o insígne Presidente da Academia de Ciências frisou que não é a soberania que pode vir a ser afectada mas sim a capacidade (ou falta dela) do Estado.
E eu, que havia respirado um pouco melhor com as notícias de um crescimento da nossa economia acima - apenas um pouco mas acima - das expectativas, rapidamente voltei a um natural estado depressivo com a notícia (ingénua e simples) de que um normalíssimo jogo de futebol (o Benfica-Braga) teria que ser adiado devido à realização da cimeira da NATO em Lisboa.
Que país é este ? Já não bastava um outro indicador - a tolerância de ponto na área de Lisboa? O nosso complexo de inferioridade não merece o nível de reflexão que nos é oferecido por Adriano Moreira.
Os líderes mundiais não se vão "aperceber" desse pormenor. Mas perdem a oportunidade de assistir a um provável bom jogo de futebol.
E depois, esse título do Expresso a propósito de uma entrevista com Manuel Alegre – um dos candidatos à Presidência da República, um candidato que - mesmo ainda antes da eleição a que se candidata - vem dizer que não o será para um novo mandato. No caso de sair vencedor deste, naturalmente. Independentemente das razões que o motivam, foi seguramente mais um tiro nos próprios pés. Se já era frágil a sua contabilidade, pior ficou depois deste "disparate". A "idade" não pode bloquear a força das ideias! E é de ideias que ele tem feito ou anunciado o seu combate.
2010-10-22
A BOLA...UM OBJECTO ESTRANHO !
2010-10-19
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
ANTES DO TEMPO !
Foram dias foram anos
Em cada minuto de trinta
Uma vida sempre cheia
A começar do vazio
Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos.
Chegaram e não ficaram
Partiram de modos diferentes
Fui chegando e aqui voltando
Não sei se quatro se três
As vezes que me chamaram
P’ra começar outras frentes
Batalhas que fui travando
Cada vida em sua vez.
Não foi uma guerra perdida
Nem a morte anunciada
Silêncios de fracos espíritos
Que se escondem na penumbra
Não derrubam coisa alguma.
São fantasmas, camaleões
De um novo tempo sem ética
Maquiavel alma ferida
Contradiz, pena gelada
O que pensam serem méritos
De razão que não deslumbra.
Conhecidas uma a uma
Todas elas ilusões,
Nenhuma resiste sem métrica
Esfumam-se num lago seco
De lágrimas de crocodilo,
Arestas pontiagudas
Secas, finas e brilhantes
Ponteiros de um tempo novo
Mágico, sem viajantes.
E perdidas no labirinto
Dos poderes que estão em jogo
São almas não são amantes
Já não lhes sobram paixões
De escrever ou de rezar.
Já não sabem se o que sinto
É um dom que ateia o fogo
Ou então como era dantes
Correr atrás dos balões
Subiam subiam sempre
Vazios mesmo com ar.
Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo.
Mas nem sequer sou rimador
De tanta expressão com dor
Que é partir mais uma vez
E o regressar nem talvez
Agora que se fabricam jornalistas numa linha.
Coisa de muitos mistérios
Prece de computador
Sinais precoces da lage
Onde restará o tempo
Coração de pouca mágoa que sempre me acarinha !
Uma casa muita gente
Pessoas de muitos tempos
De todos guardo lembrança
De menos ou mais talento
E no altar da amizade
Há santos e pecadores.
A uns venero de agrado e aos outros estendo a mão
Mas não pretendo ser santo ou perder o coração
Traído pela memória de alguns que bem lamento.
São riscos de um mundo quente
Em permanente mudança
Ora pouco solidário ora perdendo valores,
Mas não sei mais que dizer-vos
Neste círculo de amizade
Quem me dera ser Aleixo, Régio, o grande Bocage
Ser vate de muitos génios
Para dizer o que sinto neste adeus antes do tempo !
Porto, Abril de 2005
António Bondoso
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
...MAS AINDA NÃO TEM MARCADA A DATA DA SUA MORTE !
Anunciada ciclicamente – a televisão, a internet, a era digital – a morte da “rádio” tem vindo a ser adiada, não por milagre, antes pelo combate e pelo empenho na capacidade de adaptação aos novos tempos. Mas não bastam as novas tecnologias, não é suficiente “arrumar” tudo ou quase tudo no disco rígido de um moderno computador. É preciso que a rádio volte a estar com as pessoas e que tenha gente dentro! Que seja capaz de pensar e de reflectir e que saiba provocar no auditório a capacidade de dialogar, discutir serenamente e reagir aos desafios.
CINCO ANOS DEPOIS...
Cinco anos e alguns meses depois de ter sido praticamente “empurrado” para uma aposentação precoce (hobby desde 1967- profissional desde 1973) com 55 anos de idade, continuo a pensar que o “segredo” da rádio está nas pessoas. Em profissionais competentes, imaginativos e criativos – para além de cultos, naturalmente – e em ouvintes interessados, pensantes e motivados. E nos sons! Na música que acalma e apaixona, no discurso simples e claro das vozes que animam, mas sobretudo no plano superior das entrevistas e das reportagens que falam de coisas sérias, no plano superior da imaginação e da criatividade com ética.
Algumas vezes a rádio é um silêncio feliz, mas muitas outras pode ser um ruído profundo, provocador, inquieto e perturbador.
Tudo isto é real nos capítulos do meu livro que vai estando cada vez mais perto, apesar da lentidão com que vou passando para o tal disco rígido as ideias – minhas e dos meus amigos – sobre como foi a rádio e como deveria ser hoje.
A Rádio, para mim, prossegue sendo uma guitarra freneticamente manipulada por Jimmy Hendrix ou docemente acariciada por BB King, das quais podem sair notas de um afro-americano rock de Harlem ou de um afro-americano blues a caminho de Memphis – onde já destruíram a magia da Rua Beale. A rádio e a música de sentimento, a rádio e a voz de protesto, a rádio da memória escrava, a rádio da sensação libertadora.
A Rádio, para mim, vai sendo a memória da magia do microfone, a magia dos sons, a magia do que fica para além do alcance da imaginação, a magia que permanece no estúdio, no “pick-up” que roda em 45 rotações a voz de Franck Sinatra ou um LP/33 de Maria Bethânia, a magia da “fita” onde se gravaram as impressões de uma conversa amena entre Igrejas Caeiro e Aquilino Ribeiro ou entre Fernando Pessa e Almada Negreiros, a magia do “cartucho” onde se alinhavam spots publicitários anunciando as virtudes da brancura do skip ou apelando à presença na Grande Noite do Fado no Coliseu dos Recreios.
E a magia da distância que a onda curta e o transistor resolvem, como estar às portas do deserto entre a Tunísia e a Argélia e poder ouvir as notícias de “casa” ou o relato de um Sporting-Porto em Alvalade...praticamente em cima de um camelo. Ou estar na Ilha de Moçambique, de noite e sem energia eléctrica – à luz de uma vela apenas – e receber as sensações de um outro jogo de futebol no desaparecido Estádio das Antas.
Como dizia o publicitário Bob Schulberg em 1989 – o ano da queda de mitos e muros – “ a televisão não é ruim, mas a Rádio é mágica. Se a televisão tivesse sido inventada antes, a chegada da radiodifusão teria feito as pessoas pensarem:- que maravilhoso que é a Rádio! É como a televisão, só que nem é preciso olhar!”.
CINCO ANOS DEPOIS...
Cinco anos e alguns meses depois de ter sido praticamente empurrado para uma aposentação precoce – voltei a viver todo este espírito da rádio em Moimenta da Beira. Nos estúdios da Rádio Riba Távora, que o Veríssimo Santos decidiu partilhar comigo e com a Casa do F.C. do Porto local, para pormos em prática a minha ideia de se construir um “puzzle” à volta de Aquilino e de Moimenta. Foi muito bom voltar a sentir todas as emoções de uma emissão em directo, pelo que expresso aqui a minha gratidão. A Moimenta e às pessoas de Moimenta! Mesmo àquelas que não quiseram ou não puderam aderir à ideia.
2010-10-15
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
Tal como milhões de pessoas em todo o mundo, interessei-me e assisti emocionado ao desenrolar da brilhante e eficaz operação de resgate dos mineiros chilenos, presos durante 69 dias a mais de 700 metros de profundidade.
A história foi sendo conhecida e relatada ao longo deste tempo e, por isso, não será ela o objecto deste meu apontamento.
Confesso que, apesar de inusitadamente emocionado, não era minha intenção escrever o que quer que fosse – correndo o risco de acrescentar outras banalidades à globalizante, massificante e perigosamente uniformizante catadupa de notícias. Embora em menor escala – eventualmente uma circunstância feliz – os media nacionais não deixaram de copiar praticamente todos os grandes colossos da comunicação social internacional. Mas igualmente não será este o motivo das minhas palavras aqui, talvez com uma excepção. Não resisto a salientar o que considero ser um infeliz pormenor num comentário que ouvi numa estação de referência da TV portuguesa. No meio de tanta emoção, de tanta informação técnica sobre a operação de salvamento dos mineiros, no meio de uma espiral de solidariedade internacional que o drama havia produzido – eis que um jornalista saca da sua “caxa” : - os mineiros vão defrontar-se com uma série de problemas, sendo preocupante a forma como terão que lidar com as suas amantes ! Ponto final parágrafo !
Mas o que me empurrou para a crónica, foi ter recebido pela manhã uma pequena mas profunda mensagem do meu caro amigo Jorge Bento. Transbordando felicidade e humanidade, dizia ele que a operação se tratou de uma extraordinária performance humana, sublimadora e transcendente de tanta coisa baixa e mesquinha que ainda tolhe os passos da tentativa de elevação da Humanidade. Elevemos os olhos ao céu e sonhemos outra realidade !
E então lembrei-me do Chile ! Do actual país numa via de consolidação democrática e que foi capaz de gerar toda esta onda de solidariedade internacional... mas sobretudo do seu ainda recente contraponto – o Chile da ditadura que Pinochet instaurou a 11 de Setembro de 1973 com o apoio da política externa dos EUA.
E rapidamente alcancei as histórias que o resistente dissidente Luís Sepúlveda brilhantemente nos conta na sua obra de grande alcance, tendo igualmente como pano de fundo de alguns dos seus textos os mineiros chilenos alvo da repressão. Como por exemplo neste “O General e o Juíz”, no qual aprendi o massacre do exército em 1907 em Iquique. E recordei também dois episódios da ditadura recente – o que Sepúlveda descreve como fazendo parte da ininterrupta história infame da infâmia.
1967 – Ao tempo do Presidente Eduardo Frei (pai), também no deserto de Atacama, sufocada greve dos mineiros de El Salvador em luta por melhores salários. Ataque do exército provocou oito mortos, que os jornais da época consideraram agitadores.
1968 – Cidade austral de Puerto Montt, um grupo de famílias sem casa ocupou a fazenda abandonada de Pampa Irigoin, construindo aí barracas de madeira e cartão. Ataque do exército provocou onze mortos. Justificação :- os militares haviam reposto a ordem e o respeito pela propriedade.
Para além de nunca se ter efectuado uma investigação, nunca se mencionou que o responsável pela execução dos dois massacres foi Augusto Pinochet.
Felizmente há um Chile novo que nos permite sonhar outra realidade, como sublinhou Jorge Bento. E que permite novas reflexões à leve - mas profunda - escrita de Luís Sepúlveda neste "A Sombra do que Fomos".

2010-10-13
DE NOVO E SEMPRE O MESTRE AQUILINO !



À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
2010-10-08
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
Vem a propósito dos dias que vão correndo....
A CHUVA E A MÚSICA...
As árvores ainda despidas
Impedem o jogo de sombras
Na relva molhada.
Porque chove
E não há sol.
E as almas circulam
Gémeas de tristeza
Excepto um jovem casal
Ainda no sonho de um mundo só seu.
E chove.
E não se vê o rio dos meus encantos
Para além da cinzenta placa de betão.
Mas ouve-se música...
E deixo-me levar a outros tempos
Diferentes imagens outros afectos
Pingos de sempre mas de novas roupagens.
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Porto-Março 2010.
2010-10-07
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
SÃO QUATRO !
São quatro
E partiram bem antes do fim da história.
Deixaram uma saudade perdida
Um vazio imenso
Neste mundo onde se move a minha vida.
Se eu pudesse reverter o tempo
E a alma contada por minutos
O ontem seria tempo ainda hoje
Teimosamente a rodar no tic-tac.
Poderia assim continuar a lembrar de minha mãe
O seu sorriso sofrido
E de meu pai ser saudoso
Do seu sorriso matreiro!
Mas outra mãe se revela
E outro pai se adivinha
Laços novos e antigos
Apertam todo o espaço
Cortam-me a respiração
Estas memórias cansadas
Que o tempo revolto vira
E se apressa a descobrir
Que nunca faz mal sorrir.
São quatro.
Sinto a falta que me fazem
E de todos eles a fé
Num dia seguinte novo !
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Maio, 2010
2010-10-06
A REPÚBLICA !
2010-10-05
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
A PROPÓSITO DO 5 DE OUTUBRO DE 1910.
QUE O MESMO É DIZER... A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA !
O país não está preparado !
Faz cem anos. E não parece. Dizem que a História não se repete... mas, não sem alguma preocupação, começo a pensar que tudo é possível. A Primeira República foi um desastre, a Segunda foi o que ditatorialmente sabemos e agora a Terceira não leva um bom caminho. É verdade que têm soprado uns maus ventos de fora...mas o que realmente me preocupa é a eterna falta de capacidade e de honestidade para fazer as coisas bem feitas.
O país – até parece que o António tinha razão! – dá a triste ideia de que nunca está preparado para assumir as mudanças. Os avatares deste novo mundo! E não se coloca em questão a problemática das novas tecnologias. É tudo mais profundo... mais arrevesadamente profundo!
Acabadinha de chegar... aparece Fernando Pessoa e diz : - “o observador imparcial chega a uma conclusão inevitável: o país estaria preparado para a anarquia; para a república é que não estava”.
O país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma !
Não estava preparado para ser independente; os descobrimentos terão sido uma circunstância feliz, mas o país não estava preparado para assumir um encargo de tal envergadura; o peso de meio mundo era demasiado. Tal como depois – mais tarde – não estava preparado para a colonização e, finalmente, impreparado para a descolonização. Pelo meio, nunca esteve preparado para a democracia e – quando ela foi oferecida pelos militares, outros que não aqueles que a derrubaram em 1926 – ninguém estava verdadeiramente preparado para os seus efeitos, chegando mesmo a colocar em perigo as liberdades !
O país não estava preparado para a CEE; o país não estava preparado para o EURO; o país não está preparado para a CPLP; o país não está preparado para enfrentar a crise internacional; o país não sabe lidar com o défice; ele próprio é um défice permanente; o país nunca esteve – nem está – preparado para coisa alguma!
Não deixa de ser curioso recordar um texto ( e uma voz ) de Agostinho da Silva. Ele próprio, numa gravação de António Escudeiro. O título :- Tudo mudou e o Diabo deste País não muda. Um pouco a propósito de uma sua reflexão sobre o chauvinismo. Diz e escreve o Professor:- “Não há nenhum país como Portugal. É chauvinista um sujeito dizer que todos os países têm mudado de fronteiras e que o nosso amigo continua com um pequeno arranjo que houve por causa do vizinho, quanto a este pontinho ou àquele pontinho, mas que continua com as fronteiras, país único no mundo. Tudo mudou e o diabo deste país não muda, não é assim ? E que depois houve todas aquelas ideias de como era o oceano, de como era a geografia ou o o oceano, e tal, e o que é que aconteceu ? Aconteceu que foram os portugueses que derfam ao mundo o mar de que o mundo não tem jeito de se desfazer”. E prossegue a deliciosa prosa ( e filosofia!) do mestre Professor Agostinho da Silva:- “Então, os cavalheiros fabricaram o país – que não podia ser, mas fizeram -, único, depois fabricaram o barco que não havia – e os tipos fizeram – e não havia outro jeito senão aceitá-lo, não é? E, por outro lado, ainda há o projecto do futuro. Alguém está pensando no mundo como pensaram os portugueses, com essa amplitude ? Coisa nenhuma! [...] e agora o que os portugueses têm que dizer o mais pacificamente que puderem e o mais teimosamente que puderem é que o mundo tem que ser aquilo que eles querem que seja. Quando agora começa a aparecer a ideia de que, como a nova Europa que vai fazer, com a Alemanha, com o Leste e com isso e com esses interesses todos, que vai começar a ir para a Bulgária, e para as Hungrias, e para as Polónias, e essa coisa, o dinheiro que vinha para Portugal. E que Portugal vai ser um pobrezinho, uma ilhota aqui nesta Europa, pobrezinho e tal, sem o tal dinheiro...felizmente! Porque o dinheiro que vinha da Europa era só para fazer os portugueses europeus. Não queremos para nada essa porcaria de ser europeu. Queremos é repetir aos europeus que não vão ter outro remédio senão submeter-se ao que é cultura portuguesa e fabricar um mundo que não tenha pressões económicas, e que as crianças estejam livres, e que não haja para ninguém prisões”.
Palavras gravadas nos anos de 1990...mas só publicadas em 2006, no centenário do seu nascimento.
Naquela altura, como hoje, não há que ter medo! É preciso seriedade e honestidade na governação, mas é também necessário derrotar os profetas da desgraça. E colocar travões às pressões da alta finança – seja ela europeia ou americana. O que eu duvido que possa vir a acontecer! Os interesses eleitorais falam mais alto! Tal como a demagogia dos políticos que vamos tendo – quer nos governos, quer nas oposições!
É que, afinal, o país continua a não estar preparado para coisa alguma!
Mas isso não me inibe de gritar aqui, bem alto, um Viva a República!
2010-09-29
UMA LEMBRANÇA...
ÁRVORES DA MINHA INFÂNCIA
Grandes de porte
Frondosas de sombra
Raízes rompendo esventrando o chão
Húmidas hastes rastejando em bruto.
As árvores da minha infância
(na sua maioria)
Parece terem hibernado
E depois acordado
De um sonho mal contado.
Robustas e morenas
Centenárias e serenas
Aspirando o Sol ,
Projectam a sombra nos passeios da Ilha
Protegem quem passa
E nunca repara
Nos gestos de carinho
Das folhas e flores,
Ramos enlaçados em velhos amores
Memórias salientes de veias curtidas
Tropeçando em mim
No peito dormidas
Sonhadas jardim
Infância suspensa!
AB. Em "Seios Ilhéus" - 2010.
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
2010-08-14
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !

Incêndios ?
Mais calor? Alterações Climáticas?
É sempre bom lembrar os “desafios” de Aquilino.
Como os de “Quando os Lobos Uivam”, que eu recordo em “Da Beira !”, de 2008 : - “Querem retemperar a nação e a raça? Arborizem, arborizem a serra...”.
Pois, dizia eu na carta ao Mestre ... “mas muito poucos ou quase ninguém lhe deu ouvidos. E tudo se foi queimando na voragem das chamas dos incêndios cada vez mais violentos. As tentativas de reflorestação só vingam e duram o tempo que os “interesses instalados” vão permitindo. Os ciclos de vida e de morte são cada vez mais curtos. De outra sorte, este tipo de fenómenos (que é preocupante na Amazónia) apenas representa um dos vértices do chamado “aquecimento global”, o qual tem provocado a redução drástica das calotes polares, seguindo-se o degelo e a subida das águas dos oceanos. Consequência inevitável (por falta de vontade política dos líderes mundiais) vai ser o desaparecimento de algumas ilhas e a tranformação da fisionomia costeira de alguns países e continentes, dentro de alguns anos, incluindo o rectângulo português europeu – que já hoje não parece o mesmo. E os rios de água límpida (apanhada com a concha da mão) que admirava (Paiva, Távora, Douro, Minho, Coura ou Âncora), já não matam a sede de caminheiros ou peregrinos”.
Será já um tempo sem retorno ?
À VOLTA DE MIM E DO MUNDO !
ESPINHOS...
O castanheiro, frondoso
Marca a diferença na mata ao fundo do vale.
Mais ao lado fica o Tedo
Um fio de água corrente que chega cansado ao Douro.
Entre a sombra do castanheiro
E essa ribeira seca
Vivem seres dos mais estranhos
Rasteiros e deslizantes que se escondem entre as folhas
Fossudos e cabeçudos barulhentos quanto baste
Ou então de som matreiro
Como o lobo e a raposa.
Astúcia acima de tudo para além do natural
Na mata vive um país roído por muitos males
Seu remédio duvidoso não só tarda
É ilusão
Dos que choram e se lamentam à sombra do castanheiro
Sem ouriços sem espinhos
Um sonho eterno guardado.
-----------------
Agosto 2009
AB.
2010-07-18
NELSON MANDELA – O HOMEM !
Entre os inúmeros adjectivos elogiosos que têm surgido a propósito de Nelson Mandela – o homem que hoje se homenageia por iniciativa das Nações Unidas – há, infelizmente, muitos lugares-comuns. Como aquele de Durão Barroso:- Nelson Mandela é um líder muito carismático.
Uma pequena evidência. Carismático? Mandela não apenas mudou um país. Conseguiu (re) construí-lo sobre os escombros de um regime controverso, polémico, desumano. E fê-lo com um grande coração e com uma mente aberta e visionária. Mandela soube perdoar sem perder a firmeza dos grandes líderes. E não conseguiu apenas um Estado – democrático e de direito – está também a ganhar uma Nação.
Que os seus “ensinamentos” perdurem. Para bem da estabilidade africana e mundial.
2010-07-12
GRANDE ! IMENSO !
2010-07-11
MAIS UMA VERGONHA !
2010-07-10
A PROPÓSITO DE UMA EFEMÉRIDE !











