2013-11-11


À VOLTA DE MIM E DO MUNDO...


 11 DE NOVEMBRO…eu o mundo!

         As efemérides deste dia, não fosse uma crónica assinada por Rui Tavares no jornal Público, teriam sido varridas da face da terra perante a tragédia que se abateu sobre as Filipinas.
         Não há memória de tantas vítimas provocadas por um Tufão, mesmo sabendo que as Filipinas são o país mais afetado todos os anos por este tipo de tempestades geradas no Pacífico. As alterações climáticas voltam, mais uma vez, ao topo das preocupações mundiais.
         E enquanto muitos milhares de filipinos aguardam desesperadamente o auxílio da “expedita” Comunidade Internacional, o mundo pula e avança indiferente à miséria, à pobreza, aos conflitos armados – tudo consequência da ganância da alta finança internacional e das políticas neo e ultraliberais dos seus carrascos, expressas na globalização desumanizada a que assistimos.
         Há 10 anos tinha eu sido sujeito a uma intervenção cirúrgica que me valeu 17 dias de internamento, pelo que fui impedido de celebrar como habitualmente o S.Martinho e assistir in loco à inauguração do belíssimo “Estádio do Dragão”, em cujo “mural de fundadores” estão inscritos os nomes de Maria do Amparo, António Miguel e António Bondoso. Fui abalado, mas não derrubado.
         Há 38 anos, Angola tornava-se um novo e soberano Estado africano, na sequência do complexo processo da descolonização portuguesa, sem contudo poder evitar uma guerra fratricida que se prolongou demasiado no tempo – muito para além do final da chamada “guerra fria”, à sombra da qual se foram acumulando conflitos e milhares de mortos em todo o mundo, praticamente desde o final da II Guerra Mundial, em 1945.
         Recuando no tempo e à menção do texto de Rui Tavares, no Público, a memória de um outro mortífero conflito – a Grande Guerra – entre 1914 e 1918. Na madrugada de 11 de Novembro desse ano foi assinado o armistício entre as partes beligerantes, estipulando o acordo que “as armas se calariam às onze horas da manhã desse dia”, e que só depois se tornaria pública a notícia. O momento, lê-se no texto de Rui Tavares, “ficou na memória coletiva como «as 11 do 11 do 11»…e até há quem lhe acrescente ao conto um ponto de imaginação, dizendo que a paz chegou 11 minutos depois, para dar o dia 11/11, às 11:11”.
         E agora, que já passa das 11 e 11 da noite, desejo um bom descanso e muita coragem para enfrentar as dificuldades de um novo dia sob a austeridade da troika.
António Bondoso
Jornalista – CP359.
Novembro de 2013  


António Bondoso

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