2013-11-10

PELA ESCRITA ME VOU AO FIM DO MUNDO…
…e levo sempre alguns amigos comigo – uns de há muito, outros mais recentes – entregando o coração e a razão aos que me acolhem sem cuidar de saber como venho, apenas pelo simples prazer de partilhar ideias e a voz firme dos poemas.




E em VIZELA – mais do que em muitos outros lugares – a emoção gerou afetos e fez transbordar alegria no aconchegante auditório da Fundação Jorge Antunes. Por obra e graça da Conceição Lima, que tem sabido conquistar pelo carinho e pelo gosto da partilha de saberes um grupo muito forte na divulgação cultural. Os saraus que ali promove são já imagem de marca em Vizela, envolvendo elementos da Universidade Sénior [que, liderados na sexta-feira pela jovem prestes a ser mãe Querubim Carminda Carvalho] presentearam a plateia com uma excelente “performance” do meu poema “Lutar e Sonhar em Liberdade” e do Rotary Kids que, com a supervisão da Professora Paula, enquadraram de forma sublime o meu poema “A minha música…é o mar” e a “Canção do mar” de Dulce Pontes. Disseram, cantaram e encantaram, merecendo o carinho e os aplausos. Tal como todos os que intervieram a cantar Venham Mais Cinco (Zeca Afonso), Mãe Negra e Meninos do Huambo (Paulo de Carvalho) ou o Vou Levar-te Comigo (Ouro Negro). E tal como todos os que disseram outros poemas – alguns inéditos – e de obras já publicadas: Seios Ilhéus (edição de autor, 2010) e O PODER E O POEMA (Edições Esgotadas,2012) – título que foi o motor do Sarau, no qual também se apresentou o mais recente LUSOFONIA E CPLP-DESAFIOS NA GLOBALIZAÇÃO, da mesma editora.  

E no final alguém perguntou: PORQUE É QUE NINGUÉM OUVE OS POETAS…quando, nunca como hoje, a poesia escorre pelas redes sociais?
Sem pretender o exclusivo da verdade…sempre fui lembrando algumas das razões pelas quais a Cultura não se espalha, entalada entre um “poder” vazio de ideias e os “media” cada vez mais concentrados no lucro fácil e no sensacionalismo que vende. As redes sociais, só por si, ainda não chegam ao âmago do “poder”! E se Torga lembrou o “terrível poder de recusar” que temos nas mãos, o meu amigo Jorge Bento diz que “já ninguém ouve os poetas. E ainda vão ouvindo Manuel Alegre, pois ele também é político”!
Eu, modesto mas verdadeiro, vou fazendo a minha parte!
António Bondoso



António Bondoso
Jornalista – CP359.
10 Novembro 2013. 

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