2013-09-13

VARIAÇÕES...A PROPÓSITO DA EXPODEMO !

"A vila de Montalegre, conhecida como a "Capital do Misticismo", recebe a primeira de duas sextas-feiras 13 de 2013 com o espetáculo teatral "Magia da Lua Cheia", junto ao castelo. São cem mil euros de investimento com retorno imediato, num evento que espera 30 a 40 mil de visitantes." --- No JN online.

VEM ISTO A PRPÓSITO DA MINHA CRÓNICA DE HOJE NO JORNAL BEIRÃO:


A TÁTICA DO QUADRADO...
...ou uma resposta válida à pequenez, à mesquinhez, à generalizada falta de visão e de arrojo dos líderes políticos ou ainda ao tradicional miserabilismo português. Moimenta da Beira reage à crise.

          E não me consta que o atual presidente da câmara seja economista! Ou como diria um amigo e camarada de profissão – ainda bem que ele não é economista!
          Esquecendo essa ciência, que não é exata, e ignorando a adjacente e ilusória perspetiva da estatística, é tempo de sabermos colocar ambição séria nos projetos de desenvolvimento, o que – é bom lembrar – não significa apenas crescimento. Por outro lado, é sempre tempo de saber distinguir entre gastar e investir – na certeza de que, havendo custos em qualquer dos casos, eles serão, no mínimo, menos penalizadores no investimento. E a médio e longo prazos,com uma gestão cuidada e acertada – sem deixar de ser ambiciosa – haverá seguramente retorno.
Ouvi e registei alguns comentários a propósito da Expodemo, que vai decorrer em Moimenta entre 20 e 22 de Setembro:- já viu o que se vai aqui gastar? Não deixará de ser uma interrogação legítima, mas talvez só possível num cidadão menos interessado ou menos atento. Ou mesmo de má fé, por motivações desconhecidas, ou ainda pela atitude ligeira e própria das tradicionais e descontraídas conversas de café.
A qualquer momento, todo o cidadão terá o direito a ser informado, quer através do próprio executivo, quer por intermédio da Assembleia Municipal. E tem também o dever de, mesmo no imediato, saber contabilizar os ganhos do concelho, quer no que respeita à divulgação do bom nome da terra e das gentes, quer nos negócios potenciais à volta da restauração e do comércio, quer ainda na promoção dos produtos e serviços da região. E aqui se inclui, naturalmente a Cultura, desde sempre um veículo motivador da economia – embora nem sempre devidamente aproveitado.
Os mais atentos, certamente saberão que se multiplicam as iniciativas empresariais à volta do Património – imaterial ou edificado – e na órbita das chamadas empresas culturais e iniciativas criativas. Por exemplo, na segunda quinzena de Outubro, na Casa das Artes, no Porto, vai ter lugar mais um evento sobre empreendedorismo cultural:- “Seminário Internacional sobre Património Cultural – Economia e Emprego”.
Acresce igualmente que os mais atentos, e menos jovens, talvez se lembrem do impacto que a Bienal de Artes gerou em Vila Nova de Cerveira, a partir de 1978 – uma época em que muito poucos apostavam nos aspetos culturais. A iniciativa, que vive e se afirma, ofereceu a Cerveira o título de Vila das Artes e uma notável capacidade empregadora.
E ainda não há muitos dias, pude ler na imprensa que “Portugal devia saber vender melhor a sua História e a Cultura aos americanos”. Como já disse e escrevi, é preciso arranjar capacidade para romper as muralhas desta região interior. Só mostrando empenho e divulgando o que somos e o que temos, com criatividade, poderemos chegar mais longe. Como dizia Miguel Torga, o universal é o local sem paredes!
Então, deixo aqui a sugestão ao próximo executivo camarário:- aproveitando a proximidade turística do Douro e a História que nos cerca, deve considerar-se a possibilidade de convidar uma ou duas revistas de nomeada, no âmbito do turismo cultural e gastronómico em língua inglesa, para espalharem o nosso ADN. Os recentes “prémios” atribuídos ao Algarve e à Praia de Dona Ana, não aconteceram por “obra e graça”.
António Bondoso
Jornalista – C.P. 359
antoniobondoso@gmail.com


          

2013-08-30

HÁ IDEIAS QUE MARCAM...
...sobretudo quando proferidas por verdadeiros líderes. 

Hoje, por exemplo - e a propósito da minha crónica no Jornal Beirão (escrita na terça-feira) - destaco esta de Vital Moreira:-"Regionalização está morta e sepultada. Não vale a pena contar com o sapato do defunto"!
O caso é que o tema está consagrado na CRP...e até parece que ninguém jurou defendê-la - a Constituição!





A TÁTICA DO QUADRADO...
...ou de como perduram – e podem até perpetuar-se – os discursos (e as obras) com substância.

          Ficou na história uma célebre frase de Kennedy, dita em Berlim – cidade dividida pela “Guerra Fria” – Ich bin ein Berliner; tal como ficou na memória do mundo civilizado o vigoroso “grito” de Martin Luther King – I have a Dream – proferido em Washington, no final de uma grande marcha pelos direitos cívicos e políticos dos negros nos EUA, realizada faz agora 50 anos.
          A “substância” – o que está por debaixo, o essencial, o mais importante – desses dois momentos, foi e tem sido identificada pelo seu aspeto mais propagandístico, mais do tipo slogan, mais promessa. Sendo real, sem dúvida, parece ter sido esquecido ou menorizado o papel da mensagem. E no caso de Luther King, importa agora reter a “leitura” de José Luís Garcia – professor de Ciências Sociais na Universidade de Lisboa – ao realçar que a mensagem “é uma grande peça da oratória cívica democrática e não marketing político”.
          Na nossa ordem interna, e por oposição a Kennedy e a Luther King, o que temos? A mediania mais baixa, sobretudo em Passos Coelho e mesmo em Cavaco Silva. Este, com a agravante de ocupar a mais alta posição do Estado e, por isso, ter a obrigação de olhar igualmente para todos os portugueses respeitando e fazendo respeitar a Constituição. Falando e agindo quando deve. Intervindo com oportunidade. Contudo – e sinceramente – alguém, algum dia, se virá a lembrar de uma ideia, de uma simples frase com impacto na vida dos portugueses e com origem no actual PR? Mais do que duvidar, tenho a certeza que não! O que Cavaco Silva vai deixar como herança não irá além da presunçosa e negativa frase “nunca tenho dúvidas e raramente me engano”! Não se vê nestes homens, nestes políticos portugueses, um mínimo rasgo de génio, uma luzinha onde se possa projetar a simples e evidente ideia de que o mundo gira e avança. E ao PR, para ser eleito, basta uma promessa:- cumprir e fazer cumprir a CRP.
          Nesta perspetiva, o que nos resta? Rejeitando a hipocrisia e a política rasteira dos arranjos partidários para atingir a posição de deputado – o que deveria ser uma prática política nobre – talvez nos reste ainda uma ponta de dignidade no poder local, apesar de alguns [felizmente poucos] maus exemplos revelados desde o 25 de Abril de 1974. O caso é que, nos últimos mandatos, o número tem vindo a subir exemplarmente. Agravado agora com a tentativa saloia de alguns pretenderem perpetuar o seu poder, fintando a lei de limitação de mandatos.    
          E por aqui, pretendo chegar a este tempo de pré-campanha eleitoral para as «Autárquicas», onde a substância tem primado pela ausência. O que se lê e se ouve, então? As maiores banalidades – quando não ilegalidades – do tipo das alegadamente praticadas por Menezes, no Porto, e por mais uns quantos candidatos espalhados pelo país, sem contar com a referida triste figura dos chamados “dinossauros”.
          Promessas são muitas e para todos os gostos apesar da “crise”. Nos grandes centros é quase tudo a papel químico no que respeita à baixa de IMI, IRS ou Derrama, mas no interior esquecido e cada vez mais desertificado – onde os municípios continuam sendo os maiores empregadores – é muito pequena a margem de manobra. Destaco, assim, o “arrojo” do presidente da Câmara de Arouca ao anunciar que a autarquia vai complementar com mais 50% o salário base dos médicos de família que aceitem ocupar as quatro novas vagas do Centro de Saúde local. Eleitoralismo...ou resposta realista ao desagrado e protesto das populações pela falta de médicos? Estes evitam Arouca porque os acessos são maus. Como cativá-los então, se o poder central se demite dessa função, não cuidando, sequer, de melhorar os acessos? Talvez não seja caso para dizer que o autarca de Arouca “tem um sonho” à dimensão do que teve Luther King – que seria muito provavelmente apenas melhores estradas e mais emprego – mas as populações que recorrerem no futuro ao Centro de Saúde e lá tiverem um médico para as atender, certamente se vão lembrar do que agora foi dito. A “mensagem” terá passado, apesar de tudo. Se não para o poder central, pelo menos para as populações.
          E por muito que tenhamos a tentação de “castigar” os políticos e os partidos tradicionais com o chamado voto nulo, nestas eleições de 29 de Setembro, será de bom senso não o fazer. Votemos, mesmo que seja nas candidaturas designadas como independentes. Deixemos o protesto do voto para 2015, já que foi essa a vontade de Cavaco Silva. 
António Bondoso
Jornalista – CP nº359.


António Bondoso
Agosto 2013.

2013-08-23


Quem dera que o Mundo fosse Mundo...sem buracos negros e gozando em pleno a natureza.


Foto Eduardo Ribeiro
QUEM DERA! (A Publicar)

Se tudo fosse límpido
Como as águas transparentes dos ribeiros
Descendo a serra
Em plena primavera...
Os humanos seriam flores
Coloridas e viçosas
Desabrochando esperança nos prados
E até nos lameiros mais viscosos
De um país a morrer com dores.
============
António Bondoso (A Publicar)

António Bondoso
Agosto de 2013

2013-08-20

À VOLTA DE MIM...E DO MUNDO! 

O GRUPO DOS OITO, A FESTA DE S.LOURENÇO/AUTO DE FLORIPES (OU FLORÍPEDES) NA ILHA DO PRÍNCIPE - EM AGOSTO - O NOTÍCIAS À TERÇA E ESCRAVOS DO PARAÍSO. 


QUEM NUNCA LÁ FOI...PERDEU MOMENTO ÚNICO.
Saboreiem estas linhas escritas por Carlos Dias.


A PROPÓSITO... veio-me à lembrança o ano de 1966. "O mês de Agosto passava leve-leve, a gravana temperava um pouco o tórrido calor do Equador, e os «oito» sonhavam acordados(...)" esperando pelo regresso a S.Tomé no navio patrulha da Marinha de Guerra portuguesa. Que uma inesperada falta de peças foi retardando. Recordem comigo o que escrevi em ESCRAVOS DO PARAÍSO (2005, MinervaCoimbra)...começando em "Por cortesia do Sr. Amaral...": 


Aos "oito" (A.Bondoso, Almeidinha, Carlos Bondoso, Catulo, Carlos Heitor, João Rodrigues, José Luís Rocha, e Sebastião Correia) juntaram-se para uma partida de futebol o Alvarinho, Jaimito, Prudêncio Rita e Umbelina ( outros jovens estudantes em S.Tomé, igualmente de férias no Príncipe).

A meio da viagem...o grupo ficou desfalcado de Sebastião Correia - chamado para o serviço militar em Angola, na EAMA e nos Comandos. 
Do grupo...já fomos privados da companhia terrena de Carlos Heitor (o 1º a contar da esqª) e de João Rodrigues (o 4º a contar da direita). 



2013-08-18


HA DIAS ASSIM...
DEPOIS DE CELEBRAR A VIDA COM FAMILIARES E AMIGOS, HÁ SEMPRE UM TEMPO DE REFLETIR NO NOSSO "SER E ESTAR"!


ESTAR E SER... (A Publicar)

Prisioneiro de um calendário que não marquei
Nasci assim
Como quem sou e estou.

E por muito que medite, interrogue, questione...
Ninguém responde melhor
Que as palavras que me nascem na ideia
Apegando-se a valores que me resistem
E se entranham
Quase de cor
Nesta vida em que sou...e em que estou!
======== António Bondoso (A Publicar)


António Bondoso
Agosto de 2013.

2013-08-16



A PROPÓSITO DA MINHA CRÓNICA DE HOJE NO JORNAL BEIRÃO - AS NOTÍCIAS NUM CORAÇÃO INTERIOR.


O Presidente da República não pode - não deve - funcionar como uma mera "estação de correios". Receber da  AR ou do Governo, já com destinatário referenciado, e limitar-se a enviar a quem de direito - O Tribunal Constitucional. 

 A TÁTICA DO QUADRADO...
...ou de como a ausência de ética e de princípios na vida pública vai matando o país. Se não quiserem chamar-lhe corrupção ou tráfico de influências, leiam apenas “adequada forma de vida”!

          Tem-se escrito uma novela acerca das candidaturas autárquicas envolvendo alguns presidentes de câmara que, pela longevidade de funções em determinado município, são conhecidos pela simpática designação de “dinossauros”. Que, tentando escapar à lei da vida e à lógica democrática, procuram quase eternizar-se no poder num outro “poiso de sonho”!
          E pelos vistos a novela vai evoluir para um filme de longa metragem – tantas são as discrepâncias na interpretação da lei – podendo mesmo transformar-se numa saga de terror.
          Não me espanta que haja atores disponíveis para desempenhar o tal papel de apego ao poder. Muito menos me espanta que haja tribunais a interpretar “o espírito da lei” – juízes tentando colocar-se no pensamento do legislador – quando o grande trunfo do legislador, deputados à AR ou o(s) Governo(s), é exatamente o de conseguir que o texto (letra) e o espírito da lei não sejam claramente coincidentes, dificultando a tarefa dos juízes.
          O que me espanta – e enoja – é que se tente transformar a questão num problema de lei. É uma falsa questão. O problema é fundamentalmente moral e ético. Num país onde a Constituição, que é a lei fundamental, não se cumpre ou se ignora, para quê levar o assunto aos tribunais e – em última instância – ao Tribunal Constitucional? Com que moral, com que ética, com que justiça vão os juízes decidir...se eles próprios estão ou foram colocados acima da lei? Um Estado que, através de leis, cria ou tenta criar estatutos diferentes para alguns dos seus cidadãos – e os juízes foram apresentados como alguns dos que iriam escapar aos cortes anunciados para a função pública e aposentados da CGA – não é uma pessoa de bem. Assim, sem equidade, se vai construindo uma “adequada forma de vida”. E por cenas como esta vai morrendo o que conhecemos como Estado de Direito. Não basta que o PR, de vez em quando [e tendo, como disse e repetiu, uma completa informação sobre os mais diversos assuntos da vida do país], obrigue os juízes do TC a horas extra. O que é importante é que ele assuma as suas responsabilidades de agir como “garante da Constituição”. E esta função não é propriamente a de um mero corta fitas.
          Por outro lado, não é decisivo que quem governa ou quem legisla o faça debaixo de telhados de vidro. Fundamental, determinante, é que o faça com JUSTIÇA! E essa justiça já engloba, naturalmente, caráter, honra, coluna vertebral.
          Tática para opor os que “não podem” a este “estado de coisas”, nem o Santo Nuno Álvares Pereira – com toda a inspiração divina – conseguiria sonhar e transpor para o campo de batalha.
António Bondoso
Jornalista – C.P. 359.
Agosto de 2013

António Bondoso
Agosto de 2013.


2013-08-12


HOMENAGEM  A MONSENHOR JOAQUIM DIAS REBELO
... por ocasião da celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais.

“Um grande líder: na Igreja, na Escola, na Vida – sempre ao serviço do bem-comum” (Alcides Sarmento); “Um gigante”! (José Eduardo Ferreira). “Moimenta da Beira sempre foi um Centro Cultural da Região” (Joaquim Dias Rebelo). 


          Num dia de muito calor e rodeada de incêndios –mas também de festas religiosas – Moimenta da Beira, pela ação do Município, associou-se à celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais de Monsenhor Joaquim Dias Rebelo, prestando-lhe uma homenagem pública no Salão Nobre da Câmara.
          Como disse Francisco Cardia – uma homenagem municipal a uma vida, dedicada ao sacerdócio, à educação e à cultura. O vice-presidente do executivo moimentense leu uma carta de sua mãe – professora do homenageado – que nele percebeu desde sempre um olhar vivo, olhar de promessa futura.
          Pároco de Vila da Rua, Professor em Moimenta, Vigário Geral da Diocese de Lamego e Patrono da Confraria da Maçã Portuguesa – Joaquim Dias Rebelo foi polifacetado por Alcides Sarmento como “inteligente, simpático, conciliador e tolerante”. O presidente da Assembleia Municipal de Moimenta da Beira – aluno do homenageado – salientou as duas últimas facetas para dizer que a Vila da Rua lhe deve sobretudo o bem precioso que é a Paz e a Concórdia entre os homens, sabendo-se que a Rua nem sempre foi uma Paróquia fácil.
          A estes “atributos” de Joaquim Dias Rebelo, acrescentou o Presidente do Município a generosidade e a humildade – qualidades que fazem de Monsenhor Joaquim Dias Rebelo “um gigante”, pois tudo o que fez pelo concelho fê-lo com mais vontade e mais interessado do que muitos outros. Moimenta não é hoje o que é – acrescentou José Eduardo Ferreira – por um simples acaso. Tem sido e é o que se vê “graças a homens como Joaquim Dias Rebelo que deu 50 anos de dedicação à vida do município”. Por isso...”esta homenagem tão pequenina mas tão merecida, como dificilmente haverá outra”!
          Por último, o homenageado agradeceu o que considerou “desproporcionados elogios”, antes de apelar às autoridades locais para que “nunca consintam que Moimenta da Beira perca a «marca» de Centro Cultural da Região”, iniciada há muitos anos com o funcionamento do Externato do Infante D.Henrique – “um arauto da democratização do ensino”, só generalizada com a revolução de Abril de 1974. O Externato “deu sempre lugar a todos os que quiseram estudar”.
          Joaquim Dias Rebelo, por tudo isto, disse ainda que “a sua passagem por Moimenta não foi fugaz: quarenta e cinco anos de Padre e mais de trinta como Professor” – missão para a qual, frisou, foi incentivado pelo Padre Bento da Guia.
António Bondoso – Jornalista.
11 de Agosto de 2013

António Bondoso
Agosto2013

2013-08-02



PERTENÇAS...

A PROPÓSITO DA MINHA CRÓNICA DE HOJE NO JORNAL BEIRÃO.

Dulce Maria Cardoso,andando "EM BUSCA D'EUS DESCONHECIDOS"*, escreveu: "Tenho muitas vezes a sensação de não pertença. Percebo que de facto só pertenço aos meus pensamentos. Pertencemos aos nossos pensamentos. Para escaparmos do que somos temos de pensar de outra maneira. Mas não temos controlo em muito do que pensamos. Estamos condenados ao que somos capazes de pensar". 

Com esta pequena citação/introdução, pretendo despertar a vossa atenção para um problema que nos divide e há de questionar sempre o facto de sermos ou termos nascido portugueses em várias partidas do mundo.


*Revista GRANTA. Portugal,I. 2013. Pgs 11-24.

A TÁTICA DO QUADRADO...
...A circunstância de ser e de sentir, ou de como a naturalidade e/ou a nacionalidade podem conferir direitos e deveres, mas não obrigam a sentimentos de pertença. Recordando uma recente sondagem e algumas reações sobre o “sentir-se europeu”.
          Há tempos, no facebook, li o que entendi como desabafo de um dos “supostos” meus amigos – desabafo comprensível mas que, conhecendo as origens, me custou a aceitar – a propósito das circunstâncias que o afastaram da vivência na sua terra, no seu país: “sou português por opção forçada”. Entendi, mesmo sendo difícil perceber o paradoxo. Poderia o meu “amigo” ter optado por ser cubano, russo, espanhol, congolês ou angolano. Infelizmente para ele – “expulso” ou “rejeitado” que foi no seu país – veio viver para Portugal, onde, felizmente, tinha e terá ainda muitos familiares e alguns amigos. Contudo, a sua integração não foi fácil, quer tenha sido devido aos antecedentes próximos que motivaram a sua vinda, quer tenha sido pelas circunstâncias algo complexas do mercado de trabalho nesse tempo. Como são hoje, de resto, para muitos milhares de portugueses que não conseguem escapar à saída da “emigração”. Que, podendo de algum modo ser “forçada”, não deixa de ser uma opção. Menos paradoxal, mas certamente uma opção. E que, por outro lado, “obriga” muitas vezes a assumir a nacionalidade do país de acolhimento – quando isso é permitido. Passam a ter uma ligação de direito e de facto, mas não necessariamente de sentimentos. E a inversa, talvez não no caso do meu “amigo”, também pode ser verdadeira. Como no meu caso, por exemplo.
          Não renegando as raízes do nascimento, pode dizer-se que me sinto português, mas muito dificilmente me sinto europeu. E tenho a nítida consciência de que não estou só nesta história. Tendo vivido em S.Tomé, em Angola e em Macau, posso – talvez sem exagero – reclamar aquela usual designação de “cidadão do mundo”! Mas, não fugindo à questão, direi simplesmente que me sinto “moimentense” com orgulho, mas seguramente mais “africano” do que europeu ou, pelo menos, mais “atlântico”.
          Não me sinto europeu, quando a História me confronta com a tradicionalmente difícil relação de vizinhança com os espanhóis de Castela e Leão ou com a “retórica velha aliança” com os ingleses – eles próprios mais “ilhéus” do que europeus; não me sinto europeu, quando vejo a forma egoísta, insensível e de manifesta má-fé como a UE tem vindo a tratar os “países do sul” – particularmente a Grécia e Portugal – no combate à presente crise; não me sinto europeu, quando vejo perdido o grande sentido de solidariedade que motivou os grandes líderes da construção europeia como foi Jacques Delors; não me sinto europeu, quando há uma Comissão Europeia – despida de legitimidade democrática – a dizer que vivo acima das minhas possibilidades e que a minha “pensão” vai muito para além do que mereço, por ter trabalhado para o Estado durante mais de trinta anos, por ter efetuado descontos no salário mensal pelo velor máximo exigido (cerca de 43%) e depois de ter cumprido quase quatro anos de serviço militar obrigatório; não me sinto europeu apenas por poder viajar nas estradas europeias já que, em Portugal, ainda demoro duas horas e meia a percorrer os 140 quilómetros que medeiam entre o Porto e Moimenta da Beira [li há tempos que as populações de Sernancelhe, não se sentindo Durienses, se recusavam a ser assistidas no Hospital de Lamego pois as estradas eram más]; não me sinto europeu, apenas por poder beber vinho de boa qualidade – como dizia o eurodeputado do PSD Paulo Rangel – ou por poder saborear a excelente cerveja Super Bock, produtos que gozam de idêntica qualidade em outras partes do mundo, vindo à memória por exemplo a Cuca em Angola ou até a Tsingtao da República Popular da China.
          Não fui ouvido para essa eurosondagem mas, se tivesse sido, diria sem complexos e sem sofismas – e nada preocupado com o politicamente correto – que me sinto português de Moimenta da Beira, onde nasci, e do Porto, onde vivo e trabalho habitualmente há muitos anos...mas a Europa – sobretudo enquanto União – nada me diz. O “Atlântico Moreno” (Adriano Moreira) a par da Beira a sul do Douro é o mundo do meu olhar e do meu sentir.
António Bondoso
Jornalista – C.P.359
Agosto de 2013.


António Bondoso
Agosto de 2013









2013-07-28

MOMENTOS DE UM VERÃO...


UM MOMENTO!( A Publicar)

Chuva trovoada e vento
Afasta do sol o pensamento
Mesmo que seja só
Por um momento.
E aqui...
Na terra das três montanhas,
Respira-se a habilidade
De saber que das entranhas
Vem também tranquilidade.
No silêncio da casa...
Ressalta apenas o som de um turbilhão de partículas
De água a bater na telha
Pingos de uma chuva de verão
Que até graça dão
Ao duplo aterrar de uma poupa
No verde trevo primeiro
E depois na mesa da varanda
Antes de mais um voejar altaneiro.
======= A.Bondoso (A Publicar)


António Bondoso ( Poema e Fotos)
Julho de 2013


2013-07-25

À VOLTA DE MIM...E DO MUNDO!


Costuma dizer-se que há um dia para tudo...ou para todos! 

Felizmente, no caso dos "escritores"...é mesmo bom que haja um dia particular, pois nem todos os dias se escreve - melhor dizendo, se consegue "escrever". A função, o ofício, a arte - é mesmo tudo muito particular.
Por isso...esta frase de José Saramago. 
"Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não". 

A propósito, a leitura que faço é que os que ESCREVEM dizem coisas, contam coisas - como aquelas dos olhos de um célebre fado de Coimbra - ditam e passam mensagens, questionam, provocam, debatem, orientam, encaminham, imaginam, inventam. 
Já os que NÃO escrevem ficam aquém do muro, refugiam-se numa imaginária orgia de palavras e gestos repetidos, espreitam apenas o caminho mais curto - por vezes até menos ético - para um igualmente imaginário sucesso mediático.  

Escrever...é um ofício difícil. E trabalhoso. E chega mesmo a exigir ruturas com eventuais "convencionalismos", num permanente diálogo com as palavras, prenhe de utopias. Pela simples razão de que RESISTEM AS PALAVRAS:
"Razão de ter
de parecer
por instinto
a dor da alma,
imortal vertigem
coração magoado
tanta amargura de vida. 
Perde-se a razão de ser
e o corpo já não respira
nem flutua o espírito
deste país moribundo
património de políticos
paladinos da desgraça.
Resistem sempre as palavras
filhas de um vento livre,
razão de ser
de parecer
um país tão mal amado,
imperfeito
inacabado!"
========= Ant. Bondoso. Tons Dispersos, 2003. Vega. Pg.112.
Em qualquer caso, o meu reconhecimento a quem ESCREVE e me tem marcado o trajeto.

António Bondoso
Julho de 2013.



2013-07-22


ASSIM SE ALIMENTA O POISIO DA MORTE...



A VOZ DOS PINHEIROS (A Publicar)

Ao olhar o vale que antecede as três montanhas
Dou comigo a escutar as vozes dos pinheiros
Balanceando as hastes ao som do vento
Que corre louco e veloz com muita pressa
De chegar mais longe...antes de tudo!

Antes do calor que sufoca e muito antes
Do que pode o fogo consumir
Pois desse todo ele se vê em combustão.
O som do vento abafa angustiantes gritos de socorro
E já os pinheiros sussurram apenas agonia.

Assim se apaga a revolta
E se alimenta o poisio da morte.

====== Ant.Bondoso (A Publicar)

António Bondoso
Julho de 2013

2013-07-20


AINDA A PROPÓSITO DE DIGNIDADE.

VIVEMOS UM TEMPO...TAMBÉM DE POETAS COM LETRA MAIÚSCULA.


VIVEMOS UM TEMPO...TAMBÉM DE POETAS!
Não apenas de políticos e de políticas...

Luís Veiga Leitão escreveu em 1984: “Dizem que os poetas são o sal da terra. Hoje, como nunca, necessários são para que o mundo não apodreça mais ainda”.
Transponível para 2013, com toda a propriedade e com toda a atualidade, a ideia de Luís Veiga Leitão certamente poderia ser endossável quase que exclusivamente aos POETAS com letra maiúscula – aqueles que não passam ao lado do seu tempo e das circunstâncias que o localizam, que não evitam denunciar as angústias e as misérias de um povo que sofre, que não omitem a sua opinião e que, pela grandeza das palavras e das suas ideias, combatem os poderes e os poderosos.
Em O PODER E O POEMA, que dediquei a Luís Veiga Leitão, escrevi sobre muitos que lutaram, resistiram e, mesmo não tendo vencido as batalhas que se impuseram, conseguiram – embora a prazo – modificar pensamentos e ideias, alimentaram ideais e sentiram que o mundo pula e avança.
 Por exemplo Miguel Torga que, em 1958, teve a ousadia de escrever que “Temos nas nossas mãos/o terrível poder de recusar...” e que já muito antes, em 1945, dizia que os artistas são livres, servindo quem tem a história e a verdade pelo seu lado: «Ora, a verdade e a história estão, como sempre estiveram, do lado do povo».
E é precisamente isto que os nossos governantes – incluindo no topo o atual Presidente da República – não são agora capazes de interiorizar, menorizando esse mesmo povo [em nome do qual foram eleitos] e tentando não lhe reconhecer o poder e a capacidade de eleger, quando a situação de uma vida normal se transforma em drama e a narrativa politiqueira não condiz, absolutamente, com eventuais e demagógicas promessas lançadas ao vento numa anterior e não muito distante tomada de poder.
Norberto Bobbio diz que “o homem tem a capacidade de determinar o comportamento do homem, sendo não só o sujeito mas também o objecto do Poder Social”. Governantes, políticos, tecnocratas, financeiros de Portugal e do mundo, reconheçam a validade desta asserção ao povo português.
É preciso acreditar, cantava Luiz Gois [Goes], é preciso continuar a acreditar que o poema e a cantiga são armas decisivas para perceber como a Cultura é Resistência – como se tem visto e ouvido nas ruas e praças deste país intervencionado pela Troika.
Que não seja tarde, nunca, lutar contra esta “Gente Sem Porte”:

«Temos um país suspenso
Em agonia de morte
É já a Lei que se rejeita
Por certa gente sem porte.
E sofre mais quem não suspeita
Que essa gente percebe
E até promove
Traição infame, desonra e dor».
========

Poema e ideias do texto retiradas de O PODER E O POEMA – António Bondoso e Edições Esgotadas, 2012. 
António Bondoso
Julho de 2013.

2013-07-18



SOBRE O DIA DE MANDELA – 95 anos de “ser”.

Foto do jornal Expresso. 

“Nascemos para criar uns dos outros. E todos juntos podemos criar um mundo melhor”. (Desmond Tutu)

“Mandela não apenas mudou um país. Conseguiu (re)construí-lo sobre os escombros de um regime controverso, polémico, desumano. E fê-lo com um grande coração e com uma mente aberta e visionária. Mandela soube perdoar sem perder a firmeza dos grandes líderes. E não conseguiu apenas um Estado – democrático e de direito – lutou também para ganhar uma Nação.
Que os seus “ensinamentos” perdurem” para que o mundo ainda seja.” (A.Bondoso.2011)

Mas se...

SE... (A Publicar)

Se viesses
Sem ser preciso chamar
Se ouvisses
Sem ser preciso falar
Se pudesses
Sem ser preciso o poder
Se partisses
Sem haver uma despedida
Se voasses e sentisses e se...
Se não ficasse alguém ou coisa alguma
Mesmo assim...
A ideia seria perfeita! 
====== 
António Bondoso ( A Publicar)
Julho de 2013

2013-07-17


A PROPÓSITO DA DIGNIDADE...

A MINHA CRÓNICA (ESCRITA NA 2ªF.) A PUBLICAR NO JORNAL BEIRÃO DE 6ªFEIRA.

(Foto e Legenda de António Pedro Ferreira)

A TÁTICA DO QUADRADO...
...ou de como a “guerrilha” obriga, muitas vezes, a preferir um recuo tático. A imagem também se utiliza em política, traduzida em dois passos atrás para poder avançar um.

          Mesmo dando-se o caso de estarmos todos – ou quase – fartos dos joguinhos e das jogatanas politiqueiras, há sempre assuntos que nos motivam a refletir, colocando à prova a nossa imaginação, a criatividade e a sensibilidade de cada um.
          Acontece que o número de Julho da revista Courrier Internacional – edição para Portugal – debruça o seu “Olhar” sobre os refugiados e a sua circunstância, colocando a questão: Se tivesse que fugir num minuto, o que levaria?
          Trata-se de uma “campanha fotográfica”, da autoria de António Pedro Ferreira, que foi integrada nas comemorações do Dia Mundial do Refugiado e promovida pelo Conselho Português para os Refugiados em parceria com o ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. A iniciativa pretende sensibilizar a sociedade portuguesa para o impacto da guerra nas famílias refugiadas que, “num minuto, perderam tudo: o seu lar, os seus amigos, o seu futuro”.
          Nos retratos selecionados – na sua maioria africanos e asiáticos – é dada ênfase a pormenores como água, uma Bíblia, um par de ténis, um tapete ou mesmo um beijo da mãe. Mas há um que me tocou particularmente: o de Francisco, que saiu da Palestina com 2 anos de vida e foi para a Síria, acabando por fugir dali rapidamente e sem nada. Trazendo apenas, como escreveu num cartaz, a sua DIGNIDADE.
          Isto faz-me lembrar que, mesmo não estando os portugueses em estado de guerra pura com qualquer outra nação – no sentido bélico, portanto – não deixam de ser muitos de nós refugiados na sua própria terra. Exatamente porque vamos sendo despojados da nossa “dignidade”. Não só material. Sobretudo moral!
          Se atentarmos bem...sabemos que, por um lado, apenas 11 quadros bancários ganharam mais de um milhão de euros em 2012, somando salário fixo e remunerações variáveis; por outro lado, lemos que, já em 2011, quase metade da população portuguesa estava em risco de pobreza. E hoje sabe-se que mais de 38% dos desempregados estão em risco de pobreza, para além de ter aumentado esse risco para um elevado número de famílias com crianças dependentes. Acresce que mais de dois milhões de portugueses vivem com privação material e que é já muito elevado o número de alunos em debilidade económica grave. E, mais grave, os suicídios e homicídios: alguém vai ter que ser responsabilizado pelo facto de haver “um cada vez maior desprezo pela vida humana”. Carlos Poiares, psicólogo forense, acentua que a culpa é da crise pois “as pessoas perderam a esperança.”
          O Estado deixou de ser uma “pessoa de bem”, os governantes que o representam optaram pela mais simples e mais antiga fórmula de “depenar” os cidadãos – cortes e mais cortes nos salários e nas pensões e reformas, sempre aliados ao aumento de impostos, diretos e indiretos. As pessoas ficam sem teto, deixam de poder cumprir os compromissos para os quais foram sendo aliciadas, os bancos apropriam-se das casas e “leiloam-nas” a quem tem dinheiro. Tudo em nome da alta finança internacional – os mais perfeitos agiotas neste mundo globalizado. Tudo com a benção de um Presidente que não preside.
          E, assim, vai aumentando igualmente o número de portugueses praticamente “obrigados” a refugiar-se noutros países, recorrendo ao estatuto de “emigrantes”. E a maior parte o que levará? Certamente a DIGNIDADE!
          Eu, por exemplo – se voltasse a emigrar e na certeza de não correr o risco de excesso de bagagem – gostaria de levar também os Roteiros, de Cavaco Silva; as folhas excell, de Vitor Gaspar; a décima parte da reforma de Catroga ou um sexto da pensão de Assunção Esteves; umas ações do BPN, mesmo que irrevogavelmente desvalorizadas; a sabedoria e o arrojo de José Gomes Ferreira – que já tem um governo à sombra da SIC; o brilhantismo da careca de Medina Carreira; um manual de espião e muita LIBERDADE! Para poder pensar pela minha cabeça e agir de acordo com a minha consciência, com os meus valores morais e éticos. E como um verdadeiro soldado nunca deixa um camarada para trás, se tivesse que fugir num minuto[provavelmente para as ilhotas Selvagens], levaria seguramente as verdadeiras AMIZADES que fui cultivando ao longo da vida. Sem qualquer tipo de tática!
António Bondoso
Jornalista – C.P.359.
Julho de 2013   

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