2025-12-17

 

ANGOLA – TÃO RICA E…TANTOS POBRES, ou

COMO E PORQUÊ – PARTE II

 

«Final de 1975. No último dia na minha cidade (Nova Lisboa), cheguei ao aeroporto, fumei o último cigarro (AC) e ouvi a última canção que estava, na altura, a ser passada no Rádio Clube do Huambo. A canção era “If you need me”, dos After All, com a inesquecível voz de Gerrit Trip. Foi há 50 anos»

                                                                    Orlando Castro, jornalista – 2 de Dezembro de 2025.

 

Foi com ele que falámos de Angola numa aula de Relações Internacionais na USRM – Universidade Sénior Rotários de Matosinhos – precisamente no dia que assinala a independência daquele país africano onde também se fala português. Orlando Castro foi um de centenas de milhar de portugueses que foram obrigados a deixar Angola. Quando chegou ao aeroporto de Nova Lisboa, já vira sair dali, em Agosto, uma das maiores colunas de deslocados – mais de duas mil viaturas, mais de 8 mil pessoas – em direção ao Sudoeste Africano, pelas «terras do fim do mundo». 


                                                “Do livro «Angola, Vidas Quebradas”

                                                                                          António Mateus e Clube do Autor, 2025.

“Nessa altura, eu senti um imenso vazio dentro de mim e uma miséria indescritível. Tinha perdido o emprego, o carro, a minha casa e o seu recheio. E tinha-me sido negada uma Pátria para viver”.

                                                     Um dos relatos no livro «Angola, Vidas

                                                     Quebradas”

                                                                                          António Mateus e Clube do Autor, 2025.


Mas também por mar (Porto Alexandre e Moçâmedes) para sul, alguns deram corpo à História, recebendo auxílio – quando foi o caso (e houve vários) – das autoridades sul-africanas.

          O mar igualmente a partir de Luanda, quando um grupo organizado por Joaquim de Lisboa (Joaquim da Silva Caetano Serra) conseguiu aprontar uma traineira e lançar-se ao oceano em aventura, cumprindo, ao inverso, mais ou menos a rota de Diogo Cão: 1482/86 – 1975! Vinte e quatro dias de Luanda a Olhão. Nada sabiam das artes e das manhas do mar. Mas, como escreve Fernanda Leitão no Prefácio, “…Saíram pelo mar, como pelo mar chegaram os seus antepassados, de cabeça levantada, enfrentando maus ventos e marés”.


          ALGUNS TÓPICOS DA AULA: 

ANGOLA – COMO RECOMEÇAR DEPOIS DAS INDEPENDÊNCIAS E DAS GUERRAS CIVIS.

50 ANOS…OU DE COMO O TEMPO NÃO TEM CHEGADO PARA RECONCILIAÇÃO, TRABALHO SÉRIO E AMBIÇÃO PARA O FUTURO.

São questões cujas respostas não podem ser lineares, dada a conjuntura dos «esquemas» gerados em tempo de guerras civis, desde 1975. Sobrevivência para uns, ambição desmedida para outros. Eternização no poder gera corrupção. E esta…é o maior cancro a travar o desenvolvimento. 

          Por outro lado, a Ordem Internacional viveu um conturbado período após a implosão da URSS, o que alterou significativamente o regime de guerra fria. Ficou latente até à recente invasão da Ucrânia pela Federação Russa. Seguiu-se a luta contra o «novo terrorismo»: de novo o Afeganistão, mais o Iraque, o Daesh e a Primavera Árabe. A transição, não muito longa, permitiu que as grandes potências se voltassem a acomodar, mas agora com a RP da China a subir patamares e a ocupar mais espaço no tabuleiro, dando um grande impulso aos BRICs, em prejuízo de muitos outros dos «não alinhados». Enquanto isso, a União Europeia e a NATO procuraram ganhar espaço a Leste, mas a ideia tem encontrado grandes obstáculos – o maior dos quais a Rússia. E agora…também dos Estados Unidos da América.

Orlando Castro

Neste «quadro», Angola e muitos outros países africanos têm sentido muitas dificuldades em se afirmar no Continente como espaço de referência. Acresce a tragédia humanitária no Sudão e os conflitos na África Central. Já a Guiné-Bissau representa ora o princípio ora o termo da velha «rota do comércio» e, depois, do «narcotráfico». O «golpe» encenado recentemente em Bissau e a mala dos 5 milhões, é prova disso. 

Citando Orlando Castro e um relatório do ISCTE sobre «democracia»…EM LUANDA, MAPUTO E BISSAU A DEMOCRACIA É UMA MIRAGEM. O Relatório alerta para retrocessos na qualidade das democracias em alguns países lusófonos, distinguindo cinco Estados com regimes democráticos estáveis e três (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique) marcados por fragilidades institucionais. Creio eu que o ISCTE não terá dedicado muita atenção ao que se passa em STP, desde 25 de Novembro de 2022. 

A situação interna angolana, de um quase eterno conflito social e político, determina e condiciona a inserção do país na complexa situação geopolítica e geoestratégica internacional – sobretudo nas relações regionais (áfrica ocidental, golfo da guiné, áfrica austral) e no sistema mais vasto que compreende os novos caminhos da chamada ordem mundial (A Ordem Tripolar, livro da investigadora Sónia Sénica): - que parceiros estratégicos?


A Rússia, (que iniciou uma guerra com a Ucrânia e para a qual ainda não encontrou uma saída airosa) velho aliado na luta anticolonial, não se tem mostrado capaz económica e financeiramente de uma parceria fiável, recorrendo permanentemente às milícias dos oligarcas na África Central. Restam a China, a União Europeia e o Brasil, já que os EUA de Trump são uma incógnita no posicionamento multilateral, apesar da insistência de João Lourenço.

Mas este potencial relacionamento terá eventualmente resultados negativos para Angola, enquanto o país não se fortalecer relativamente aos seus vizinhos. Uma «vizinhança ignorada» é o que lhe chama o economista Bernardo Bunga, (EM TEXTO PUBLICADO NO JORNAL O TELEGRAMA) para quem Angola não vê África como uma prioridade estratégica. Por exemplo a África do Sul, um dos vizinhos mais poderosos, e referindo apenas o caso do petróleo, entre 2009 e 2025, as exportações passaram de 1,2 mil milhões USD$ para uns modestos 146 milhões. 

E o que seria de Angola sem o petróleo de Cabinda? – um processo de autonomia sempre reivindicada mas nunca concedida. Em novembro de 1975, ainda antes da declaração oficial da independência de Angola do domínio colonial português, uma operação militar secreta levada a cabo por militares do MPLA, mudou para sempre o destino de Cabinda — um território rico em petróleo, separado geográfica e historicamente de Angola. O plano jurídico é muito mais complexo. Essa “invasão silenciosa” passou despercebida à maioria da «comunidade internacional», mas desencadeou décadas de conflito, repressão, violações de direitos humanos e uma luta contínua por autodeterminação. Compreender esta história é fundamental para entender as tensões geopolíticas atuais.

          É ainda o petróleo e todos os desmandos à sua conta, que uma recente edição do jornal FOLHA 8 coloca em destaque. Num artigo do Diretor William Tonet (Exterminadores do Presente assassinam o Futuro Colectivo), pode ler-se que “Textualizar democracia e praticar autocracia, não confere o estatuto de democrata mas de ditadura”. O MPLA de João Lourenço, calcinado no poder, expurga dos órgãos centrais personalidades dissonantes como Higino Carneiro, Pitra Neto, Ângela Bragança ou Paulo Kassoma, entre outros. [Retirando a escala e o tempo, podemos lembrar o trágico processo «Nito Alves»]. E numa crítica ao que chama de obras megalómanas, Tonet escreve que “A gamela foi a de sempre: SONANGOL para todos desvarios”. Numa frase – “O país está dilacerado e clama por mudança, já”.

          Portanto…uma questão de regime!

Como mudar poderá ser a pergunta para um milhão e, enquanto isso, Angola precisa de prestar atenção às relações com a poderosa RDCongo, a Nigéria mais a norte e todo o Golfo da Guiné, sem esquecer aí o Gabão e a Guiné Equatorial. 

          Depois…é também fundamental dar atenção à Lusofonia, hoje com braços alargados e entroncados com a RPC – implantada no país – Moçambique, no Índico, e o Brasil  no outro lado do Atlântico, sem esquecer também comunidades importantes na América Central e na Europa. Mas Angola e o Brasil, pela sua dimensão e potencialidades, devem empenhar-se muito mais neste projeto.

 


          E a cooperação reforçada entre Angola e o Brasil, também na busca de parcerias na ONU para levar por diante a causa das «Plataformas Continentais», processo que Portugal iniciou há alguns anos, servirá igualmente para equilibrar a relação de forças com o Reino Unido no Atlântico Sul. Pela figura seguinte fica-se com uma ideia clara sobre a importância geoestratégica desse desafio.


Contudo…superar os desafios internos, promover a transparência e investir na boa governança, são passos cruciais para fortalecer a posição de Angola no cenário internacional. 

António Bondoso

Dezembro de 2025. 



 





2025-12-04

 


Vive-se em Dezembro e morre-se no ano todo».

 

É com este “pensamento” de Orlando Alves, seguramente imbuído de uma ideia crítica, que pretendo refletir sobre a chamada época natalícia. A frase está inserta na “ANTOLOGIA (POR NATUREZA) POÉTICA PARA UM CERTO NATAL”, com a chancela da Poética Edições e que foi organizada por Lília Tavares e Virgínia do Carmo, com capa de Rosário Ferreira Alves.


          A reflexão tem por base exatamente esta publicação de Novembro de 2025, cujo título é um verso de Lídia Borges: “NUMA RUA COMPLETAMENTE ÀS ESCURAS MOVEM-SE ESTES VERSOS”. Sem nome, essa rua às escuras – na minha leitura – representa, de alguma forma, o espírito crítico com que iniciei este meu texto. Sabemos todos dos efeitos feéricos que marcam o Natal, do consumismo subjacente dos «presentes» que se trocam, do eco vazio que nos chega do silêncio perturbador de milhões de seres humanos que, certamente numa rua às escuras, aguardam tristemente a passagem. Alma e corpo doridos, solidão e descrença – sobretudo em palavras ocas que se escrevem e se dizem. Repetidamente, ano após ano.

          Participo nesta Antologia, grato pelo convite da Lília Tavares, lembrando que

«nem todas as memórias foram sonhos;

Nem todas as prendas vieram no sapatinho.

Algumas, porém, chegaram envoltas em doce

E fino mistério!»

António Bondoso

É de facto um mistério tudo o que envolve esta época do ano, que a Paula Banazol de Carvalho sintetizou assim:

«Privilégio de alguns passarmos

Por muitas estações em tantos anos

Das nossas vidas.»

E para mim, há igualmente esse privilégio de estar acompanhado por muitos amigos que sabem transmitir o espírito do mistério: Ana de Freitas (Escrever Natal); António MR Martins, que nos traz Árvore de Natal de 2025; Conceição Lima, de S. Tomé e Príncipe, que escreve sobre Memórias do Natal em 2025; Francisco Duarte Mangas, que conta Uma história de natal com a figura de Netanyahu; José Luís Outono, a confirmar que É Natal…; Licínia Quitério a dizer que os homens precisam de poemas; Lília Tavares, biblicamente a dizer que «estou à porta e bato»; Olinda Beja, de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, que nos fala de um Natal a três Dimensões; Regina Correia, com Um Verso de Luz; e Virgínia do Carmo, a sentenciar que Os homens nunca souberam nascer demoradamente.


Vale a pena perceber a qualidade desta Antologia para um certo Natal. Leia!

António Bondoso

Dezembro de 2025. 







2025-11-28

 


ANGOLA – TÃO RICA E…TANTOS POBRES, ou «Angola – como e porquê» - PARTE 1

Memórias de factos e de muitas histórias que têm marcado a existência deste grande país africano que tem a língua portuguesa como oficial.

        Angola - o processo mais complexo das independências das colónias portuguesas em África. 


Foi este tema que levei à discussão/conhecimento para a mais recente «aula» de Relações Internacionais na Universidade Sénior Rotary de Matosinhos. Precisamente no dia em que se assinalaram os 50 anos dos atos de proclamação da independência do país – um em Luanda, com o MPLA de Agostinho Neto (Rep.Pop.de Angola), outro em Nova Lisboa (hoje Huambo), com a UNITA de Jonas Savimbi (Rep. Dem. de Angola) – as versões mais conhecidas – e ainda a FNLA de Holden Roberto remetida para o Ambriz, segundo outras fontes e com menor visibilidade (Rep. Pop. e Dem. de Angola). Há igualmente quem associe UNITA e FNLA no Huambo.



Seja como for, Angola recomeçou a sua História perfeitamente dividida. O MPLA atravessou e vivia um tempo difícil com as «Revoltas Ativa e de Leste», sobressaindo as divergências com Mário Pinto de Andrade, um fundador, e com Daniel Chipenda. Este criticava o MPLA de Neto por não desejar uma aliança com a FNLA de Holden Roberto, beneficiando do apoio dos EUA e de conselheiros da ditadura Brasileira. De outro modo, a UNITA de Savimbi olhava há muito para a ajuda da África do Sul, sabendo que os cubanos já estariam, desde muito antes, a auxiliar o MPLA. Os «movimentos», quebrado o acordo de Alvor, responsáveis já por milhares de mortos e de deslocados, ainda fizeram crer que poderiam chegar a um entendimento em Nakuru – no Quénia – mas os dados da violência estavam lançados.

Sede da FNLA em Luanda

joaofreitas0911

Acresce que esses mesmos «movimentos» vinham, desde muito cedo, desautorizando e vexando os militares portugueses, sendo o clímax atingido em finais de Julho em Vila Alice. A resposta foi igualmente violenta, quebrando-se o círculo de confiança – se é que alguma vez existiu. 


Vila Alice- Luanda

De um vídeo da RTP - Memórias da Revolução

E a 11 de Novembro de 1975, depois de – na véspera – ter enviado uma mensagem de esperança aos dirigentes dos «Movimentos», o Alto-Comissário Leonel Cardoso, a bordo de um NRP, transferiu simbolicamente a soberania para o «Povo Angolano».  

Leonel Cardoso - Luanda

carlos-las-heras.blogspot.com



Almirante Leonel Cardoso
«Não saí envergonhado. Sentimento de pena pelo povo angolano»
De um vídeo da RTP - chegada do Niassa a Lisboa, com último contingente militar. 

É fundamental que o conhecimento chegue aos seniores das universidades sem fins lucrativos, pois as US representam hoje o programa de educação de adultos com mais sucesso no mundo inteiro. Em Portugal, a RUTIS – rede das US envolve quase 50 mil alunos, 300 entidades e quase 6 mil professores em regime de voluntariado.

 Sobre Angola, a maioria dos mais novos não deve saber e, muito provavelmente, a maioria dos mais idosos já deve ter esquecido. Catarse concluída ou o trauma no baú. Por outro lado, não devemos colocar de parte a possibilidade de falta de informação séria/credível ou o velho fenómeno da manipulação transformada em propaganda.

O final do processo colonial português foi, portanto, tão atribulado quanto era complexa a situação da Política Internacional. Período de «Guerra Fria» entre o Bloco de Leste e o Ocidente, crescendo da tensão entre a URSS e a RPC e, por outro lado, a «existência do suposto» Movimento dos Não Alinhados.

Por isso, como tenho repetido, as independências das ex-colónias portuguesas em África não devem ser analisadas como acontecimentos históricos isolados. Será bom perceber a conjuntura internacional da época, tal como a luta contra a ditadura do «Estado Novo», em Portugal, sabendo o desgaste de 13 anos de guerra na Guiné, em Angola e em Moçambique.




Orlando Castro e António Bondoso

Da USRM

          E foi um pouco de tudo isto – certamente com uma visão mais esclarecida – que os alunos da USRM (Universidade Sénior Rotários de Matosinhos) – escutaram na intervenção do convidado para a sessão, o jornalista Orlando Castro, nascido em Nova Lisboa em 1954, trazido pelos pais para Portugal em finais de 1975, depois de assistir à luta fratricida entre os três «Movimentos/Partidos» que haviam lutado contra o colonialismo português. Assistiu também ao início da «Ponte Aérea» a partir de Nova Lisboa (sendo Luanda o centro principal), para além de perceber o êxodo, talvez mais a «Fuga», de milhares de portugueses para o Sudoeste Africano (hoje Namíbia), território então ocupado pela África do Sul.

                                                       

Nova Lisboa - Calai
De «Angola-Vidas Quebradas» António Mateus e Clube do Autor.

 Orlando Castro ainda frequentou História, no ensino superior em Portugal, mas o seu foco foi sempre o «jornalismo», tendo vindo a colaborar nomeadamente no DN, JN e PJ. Hoje é Diretor Adjunto do jornal «Folha 8», que se publica em Angola. 



Orlando Castro
Arquivo pessoal

António Bondoso

Novembro de 2025. 
























2025-11-24

 

NOVEMBRO, 25 – DE 1975, NUNCA SERIA SE…

…em 1974, os «militares» não tivessem derrubado o regime de Salazar/Caetano. A LIBERDADE nasceu aí, nesse 25 de Abril. Para afastar o regime/ditadura, para acabar com a «guerra colonial» e colocar o país num rumo moderno/civilizado. 




ONDE ESTAVA NO 25 DE NOVEMBRO DE 1975?

Há 12 anos escrevi um texto, ao qual hoje – 2025 (50 anos passados sobre os acontecimentos) – poderia acrescentar outras «leituras» e mais alguns pormenores/factos. E só recordo hoje, apenas pela razão de que há agora «forças» ou «movimentos» que pretendem subverter os ideais de Abril de 1974.

          Eu participei no 25 de Novembro de 1975. Convicto de que poderia contribuir para algo bom. Mas nunca me passou pela cabeça que, apesar da convicção, a minha atitude poderia vir a ferir o meu sentir sobre os ideais de Abril de 1974. Nunca! Tudo o que passou…foi próprio de um «processo revolucionário» em que, quase sempre, os «pais da revolução» são naturalmente «engolidos». 



          Não celebro o 25 de Novembro de 75, tal como não celebro o 28 de Setembro de 74 nem o 11 de Março de 75, nem o chamado Verão Quente de 1975. 




           "ONDE ESTAVA NO 25 DE NOVEMBRO…

…ou de como a liberdade e a democracia se posicionam lado a lado, sem que o frente a frente tenha que ter obrigatoriamente barricadas.

Estamos ainda longe de saber tudo. Apesar do muito que já se escreveu e falou…isso não oferece, em definitivo, a necessária distância para se julgarem factos e figuras.

          Eu, tal como muitos dos camaradas da ex-EN no Porto, assumimos a atitude, muito antes de nos ter sido solicitada. Mas não excluímos ninguém. Ficou quem quis e pode, muitos dos quais afetos ao PCP.



          Como escreveu hoje na sua página desta rede social o meu camarada Helder Fernando, …«O 25 DE NOVEMBRO NÃO FOI CONTRA O 25 DE ABRIL. A ultra direita portuguesa, a mesma direita totalitária e racista que copia extremistas de fora, faz saudação nazi, promove manifestações contra quem vem do exterior, argumentando ser contra a criminalidade, anda excitadíssima a querer aldrabar heroicidades que nunca praticou(…).

          É só isto. E basta, por hoje.

António Bondoso, por Abril sempre!

24 de Novembro de 2025. 










2025-11-12

VAMOS DAR UMA VOLTA AO PARAÍSO...A CONVITE DE ANDRÉ FREIRE.
 André Freire voltou. E voltou, como sempre, depois de andar por aí. 
DIA 14, PELAS 18.30, CÂMARA MUNICIPAL DE LAMEGO



André Freire, médico e escritor, humor debaixo da língua nos tons mais diversos e uma conjugação de palavras marcada pela melodia mais suave e mais cativante, está de volta aos escaparates da grande literatura. 


E traz-nos alguns pedaços do Paraíso – não só o seu paraíso, mas também o de muitos amigos que foi criando ao longo da vida, quer no Brasil, quer aqui em Portugal. Direi mesmo que essa capacidade é inata em André Freire.    




E eu, que tive a honra e felicidade de prefaciar este novo livro – provavelmente imerecidas – cheguei à conclusão de que a tarefa de catalogar emoções não é fácil. 




Entrar na mente do autor e sugerir ou concluir a razão da memória, por vezes eivada de um humor sarcástico e de uma forte crítica sócio política, é sempre arriscado. 
 


          Em qualquer caso, para responder a uma pergunta marcante no Brasil do início do século XX, quando se viajava para a cidade doente do Rio de Janeiro - direi agora que, felizmente, André Freire voltou. E voltou, como sempre, depois de andar por aí. 



          Saravá André. Até dia 14 em Lamego. Desejo um final de tarde marcante, aí no Salão Nobre da Câmara Municipal. 



Ao abordar a «intimidade» das histórias, despindo-se perante os leitores, o Autor recorre a uma linguagem aberta, sem sofismas, e – ao emocionar-se e maravilhar-se – é capaz de nos transmitir, sem esforço, todos os sentimentos que o invadem ao atualizar e ao chamar à «boca de cena» vivências de um tempo longe, no Brasil, e de momentos mais recentes em Portugal. 


12 Nov. 2025.

António Bondoso









2025-11-08


ANTÓNIO CORREIA – HOMEM DE LEIS E CONHECEDOR DO MUNDO (Resende, Lisboa, Angola, Macau, Madeira e Brasil) FOI POETA POR SENSIBILIDADE E LIBERDADE.

 

Três anos depois do seu passamento, muitos amigos considerados na sua «geografia sentimental e de vida» vão hoje prestar-lhe mais uma homenagem merecida. Em Lisboa. 




Quando cheguei a Macau, António Correia era advogado, político

(membro do Conselho Consultivo do Governo e em 1992 deputado à

Assembleia Legislativa) e possuía belos «Fragmentos» de Poesia. Por isso,

pela Poesia, foi um dos meus convidados para dizer e gravar alguns dos

seus poemas, transmitidos posteriormente em horário nobre, logo a seguir

aos principais noticiários do dia. E, a meu convite, embarcou também, em

1995, no processo de uma campanha eleitoral vista aos olhos de Eça e

Ramalho, por meio de muitas «farpas» publicadas em UMA CAMPANHA

ALEGRE – uma adaptação minha de alguns excertos e aos quais António

Correia deu voz.

Autor de uma vasta obra de Poesia e de reflexão, com alguns livros

traduzidos em língua inglesa e em Chinês, António Correia foi um

incansável lutador pelas liberdades.




Volto a recordo talvez o seu último poema (pelo menos um dos últimos)

publicado no dia 5 de Junho na sua página do «facebook» e datado da que

chamava a sua “Casa da Poesia”, em Resende:

Já amadura o trigo

e eu sonho que vou,

que vou contigo,

caminhando,

de mão na mão,

pelos caminhos

onde medra o pão.

E eis senão quando

gorjeios de passarinhos

embalam os odores

silvestres das flores

que ninguém semeou.

Brancas, rubras, amarelas,

lilases também; todas elas

formam pequenos sóis

de um diadema

que coloco em teu cabelo

com o desvelo

de te saber poema

de castos girassóis.

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               António Correia                

Casa da Poesia

5/6/2022




Em 2012, por ocasião de um evento para apresentar na Livraria Lello, no Porto, o meu livro O PODER E O POEMA, tive a honra de contar com a sua presença e com a sua participação o que, sem dúvida, abrilhantou a sessão. Honra minha.Tenho registo desse momento em vídeo:

https://youtu.be/3_p_gLbDR0kAntónio Correia diz poema de Ant. Bondoso


OBRIGADO ANTÓNIO CORREIA POR ME TER CONSIDERADO. Hoje, é tempo de lhe oferecer mais estas palavras de ou com algum sentido poético:

 

António Correia não era sintético.

Escrevia Fragmentos mas era profundo.

 

Macau foi para ele um porto seguro

E o Brasil… a Viagem.

 

No Douro…encostou a cabeça

E lia nas águas do rio as palavras da casa

Que foi berço e poesia

Refúgio construído na escarpa onde havia

Poemas pendurados em cada ramo de vida.

 

De Resende partiu e pelo mundo

Navegou e se afirmou em cada etapa:

Primeiro a banca em Angola

Que o levaria a Macau exótica e distante

Sempre em busca de sonhados horizontes.

 

Por fim Lisboa… que foi o nervo e o centro

De todo o pensamento esclarecido, humanista e solidário

E de valiosos projetos na Madeira e na Fortaleza tropical,

Mesmo quando a força física caminhava cansada e débil

Nas vielas da esperança e de um fado tradicional.

 

A todas as raízes voltou em plena Liberdade

Nas asas de todos os ventos que se cruzam

para repouso antecipado da matéria que somos.

E assim espalhou memória viva totalmente merecida

Oferecendo sempre essa ideia de uma perfeita e inteira saudade.

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António Bondoso

Novembro de 2025.